
quarta-feira, 5 de março de 2008
Olha, olha...

Novo partido político em Portugal

Depois dos partidos permanentes liberais de quadros e dos doutrinários que povoaram décadas e décadas o espectro político português, não conseguindo fidelizar fatias do eleitorado flutuante a resposta surge quase naturalmente numa coisa nova a que até poderemos chamar de "partido funcional".
Aqui ficam algumas peças-chave dos valores defendidos pelo MMS (até tem um nome catita):
- Contribuir para a construção de uma sociedade livre, justa, pluralista, humanista, segura, pacifica, desenvolvida, solidária e ambientalmente equilibrada.
- Propor para a arquitectura de funcionamento e administração da sociedade, modelos assentes na cultura do mérito e responsabilidade.
Não?
(A bem da democracia em Portugal, desejo o maior dos sucessos na criação do MMS. Às vezes até aos cinzentões do centro um susto assim dá saúde.)
terça-feira, 4 de março de 2008
Político = Macho
Chamaram a minha atenção para uma notícia de meados do mês passado, segundo a qual a Inspecção-Geral do Trabalho, entre outras, definiu como prioridade para 2008 o combate ao assédio sexual. Já não era sem tempo, já que a justificação de que somos um país latino só serve para desculpabilizar um dos mais gritantes focos de terceiro-mundismo de uma sociedade que quer ser europeia de pleno direito. Felizmente, já passaram vários anos desde que um juiz pode dar-se ao luxo de justificar uma violação a uma estrangeira, no Algarve, com o facto de aquela dever ter percebido que estava na "coutada do macho latino"!...
O artigo 24º do Código do Trabalho dispõe que:
3 - Constitui, em especial, assédio todo o comportamento indesejado de carácter sexual, sob forma verbal, não verbal ou física, com o objectivo ou o efeito referidos no número anterior.".
O facto é que, quem ande na política (algo que deve repercutir-se em outros locais de trabalho, suponho, apesar de vir de um meio empresarial saudável nesse respeito) vê, porque de "poder" falamos (quando, a meu ver, seria ideal falar de "dever"), tipos que, por terem sido eleitos ou nomeados para qualquer lugar (por menor que seja, bastando um gabinete), julgam que ficaram extremamente bonitos e sedutores.
E se é certo que haverá mulheres que, por vulnerabilidade ou ambição, ocasionalmente, cedem aos reptos, inelutável é o facto de não poder tomar-se a nuvem por Juno e de jamais essas cedências justificarem um comportamento que é eticamente condenável.
Aliás, a relativa complacência que temos para com formas de assédio sexual que vemos como banais revela bem o quão retrógrada ainda é a nossa sociedade. Se há coisa que sempre aconselhei durante o meu percurso numa juventude partidária (JSD) foi respeito para com as colegas enquanto actrizes políticas, devendo todo o acto de intimidade ser livremente consentido e bem separado de benefícios ou prejuízos. Considerei sempre, acrescento, humilhante para o próprio homem (porque é ele, regra geral, o assediador) todo o favor sexual que é obtido por utilização de uma relação de supremacia hierárquica. E, como dizia alguém com quem trabalho, "fica por saber o que fariam os mesmos se as suas mulheres e namoradas sofressem o mesmo tratamento". Casanovas de sarjeta, digo eu...
Mas tudo isto valerá pouco se pensarmos nas degradantes formas sob as quais, no próprio epicentro do que deveria ser um santuário de correcção - falo do poder político - se vai fazendo uso da vulnerabilidade de algumas subordinadas... Desde o pedido ostensivo de contactos telefónicos pessoais, ao agarrar de mãos, quando se pede para que se entregue um objecto, passando por despropositadas chamadas a gabinetes, por contactos físicos mais ostensivos do que o mencionado e chegando, em caso extremo, a chantagem e violação, de tudo se vai ouvindo, com generalizada e vergonhosa impunidade.
E se, no passado cheguei a ter a esperança de que fosse assunto que desapareceria com as gerações mais antigas, creio que a brutalidade dos dias hoje tornou as pessoas mais bestiais e insensíveis e ouço dizer que, da geração que, hoje, anda na casa dos quarenta anos à que ainda não perfez trinta, a coisa se perpétua, seja sob as vestes de quem, aliando o poder a um putativo charme, pisca o olho e sorri, enquanto assedia, seja sob a forma do recado que chega por um ou uma colega ou ainda adoptando a feição do mais grosseiro “xeque-mate”.
Nunca fui, não sou e espero não vir a ser santo ou sequer pregador, mas entendo que há comportamentos que devem ser erradicados, na medida em que lesam o País, afectando a produtividade, mas, mais importante, ferindo a dignidade de cidadãos, não se resumindo, como poderia supor-se pelo destaque concedido, à humilhação sexual, mas também a formas raciais, religiosas, políticas (sei bem do que falo e muito me custou, em tempos idos) ou outras.
Se há serviço patriótico, esta missão a que se propõe a entidade inspectiva do Estado para as questões laborais é-o, indubitavelmente. Ganhar este combate é modernizar o País. Tão “simplex” quanto isto…
Doença do optimismo =)
Uma semana depois do confronto entre Ministra e Professores surgiu um novo debate que avivou em mim sentimentos opostos. Desta vez a esperança e o optimismo foram o mote de alguns dos convidados de Fátima Campos Ferreira no Prós & Contras sobre a Educação na hora da verdade. Finalmente uma luz ao fundo do túnel. Aqui ficam algumas afirmações interessantes e importantes de referir.
“Só há uma doença que deve afectar todos os professores, é a doença do optimismo.”
“A Educação serve para dar instrumentos de felicidade.”
“O respeito pelos professores é um valor moral. O Governo deve recuar.”
João Lobo Antunes
“Não se colocam os professores como incompetentes.”
“As reformas só se fazem com consenso.”
Eu acredito que a solução passe por reavivar sentimentos de confiança e optimismo nos Professores, para que acreditem que é possível inverter esta situação de pessimismo e desânimo. Isto aplica-se não só à Educação mas ao país em geral. Nós, Portugueses, precisamos de acreditar que nos podemos superar a nós próprios, como alguém dizia no debate. João Lobo Antunes afirmava que “o pessimismo é uma profecia que se cumpre”, por isso não vai ajudar em nada este sentimento de pessimismo que se instalou entre os Portugueses. Temos de transformar o “difuso mal estar” em difuso bem estar para ultrapassar as dificuldades que o nosso país atravessa. É preciso pensar em tudo de bom que os Portugueses conseguem fazer e alcançar, para lutar contra os males da sociedade que “corrompem” tantas vezes aquilo em que verdadeiramente acreditamos. Para tudo é preciso haver equilíbrio, mas de facto até agora o negativismo não tem ajudado. Eu quero acreditar no poder do pensamento positivo! :)
segunda-feira, 3 de março de 2008
Internet - o Mundo na mão ou... nas mãos do Mundo?

Segundo aquele centro de investigação, o número de países que limitam o acesso à Internet tem aumentado nos último anos e os argumentos são mais que muitos: protecção de direitos humanos e protecção dos direitos de propriedade, razões de segurança nacional, preservação de valores culturais e religiosos, etc.
Conclusão: o que se vê (bem como o que não se pode ver) na Internet é decisão que está nas mãos do senhores do Poder. Se isto até pode fazer sentido quando falamos, por exemplo, de pornografia infantil ou sites de organizações terroristas, que dizer de restrições descabidas, como o aludido caso do Paquistão que – por capricho fundamentalista - originou o bloqueio global do maior portal de partilha de vídeos?
A Internet pode ser um terreno lodoso, é certo. Mas até que ponto devem os governos interferir na liberdade de informação e de expressão quando o argumento é de índole político-social ou religiosa? E até que ponto não se poderá falar em info-exclusão ao negar-se a um cidadão num determinado ponto do Globo o acesso ou a publicação de conteúdos que são do seu interesse?
clickar sobre a imagem para aumentar
O caso da China tem sido dos mais mediatizados, mormente desde que vigora um regulamento cheiínho de restrições no acesso à Internet, o qual prevê que os fóruns de discussão sejam constantemente examinados por comissões específicas e onde a palavra “democracia” não pode ser publicada.
Não é por puro acaso que os países mais visados nos mapas traçados pelo aludido estudo são os correspondentes ao Norte África, Médio-Oriente e Ásia. Mas não se caia na veleidade de achar que o controlo ideológico só ocorre em países terceiro-mundistas, cujos sistemas políticos estão longe de poder ser denominados de 'democracia'.
Até porque nesta aldeia global, são muitas as ‘casas’ com telhados de vidro...Veja-se o flagrante caso dos EUA, quando o Pentágono resolveu impor a proibição aos soldados americanos em missão no Iraque de criarem blogs.
Por conseguinte, vale bem a pena analisar minuciosamente os mapas e debruçarmo-nos sobre as pertinentes conclusões aqui. Antes que seja tarde de mais, que é como quem diz, antes que alguém nos negue o acesso a tal informação....
Pelo andar da carruagem, lá chegaremos (outra vez...)
Dmitri Medvedev (ou seja Vladimir Putin) ganhou com 71%...
sábado, 1 de março de 2008
Subtil Publicidade
Reportando-me de novo à RTP e à supressão da publicidade do canal público sugerida por Luís Filipe Menezes, ocorreu-me:e controlar este tipo de publicidade, não?!
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Ai sim?!
- "Há vinte anos que o partido deixou de pensar".
- (Falando dos tempos em que debatia, entre outros, com Helena Roseta, sua contendora no programa) "mas não discutiamos lugares nem a conquista do poder".
- "Há uma governamentalização dos partidos", quando estão no poder, e a lógica devia, ao invés, ser "de baixo para cima", querendo significar a inspiração social que deveria existir.
Sendo que falamos de uma autoridade intelectual e estatutária (é Presidente das Mesas do Congresso e do Conselho Nacional), espero bem que haja efeitos práticos desta sábia alocução.
Eu, que sou "ninguém", bem vou a congressos e conselhos nacionais tentar debater ideias, sem grande sucesso. Agora que há vozes autorizadas, pode ser que...
Insólita Publicidade
"Deslarga-me"?!! ...
Não há-de faltar muito para um anúncio com o célebre "destorcer" ou o comum "destrocar"...
Com publicidade assim, não me parece de todo insólita aquela ideia do Dr. Menezes em retirar a publicidade da RTP.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
A síndroma das Petições

É inegável que ao longo dos tempos o Homem tem sentido necessidade de procurar novas formas de politizar, de fazer valer a sua opinião, de chamar a atenção para as suas causas e até novos métodos de pressão sob a classe dirigente instando à mudança. Com efeito, depois da estratégia do buzinão, das greves de fome, das barricadas, dos minutos de silêncio, das manif’s convocadas via sms e das marchas lentas, aos portugueses ocorreu o conceito das “petições on-line”. E vai daí, o país rendeu-se a essa 8ª maravilha.
Tenho a dizer que tal inovação não me agrada nem pouco mais ou menos. Todos dias há quem apele à minha compaixão e resolva inundar a minha mail box com pedidos de subscrição de petições. Confesso que não subscrevi uma única. Não me tomem por indiferente, insensível ou frívola. Acontece que a grande maioria delas são completamente descabidas e não me parecem um forma credível de mostrar a minha preocupação ou indignação pelas questões respeitantes à causa pública.
Hoje fazem-se petições para baixar o preço da PS3, pelo missa de 7º dia do falecido gato do vizinho, pela reabertura da tasca lá do bairro que fora justamente encerrada pela ASAE, contra a saída daquele canal de comédia da grelha da TV por cabo, e por aí fora. E o mais grave é que ao brincar às petições, os portugueses nem se apercebem que acabam por descredibilizar aquele que poderia ser um instrumento profícuo se utilizado diligentemente e com comedimento.
Consagrado constitucionalmente, o direito de petição pode efectivamente fazer valer a opinião pública perante os órgãos de soberania. Se forem correctamente formuladas, devidamente fundamentadas e cumprirem os requisitos exigidos podem cumprir o seu desígnio e vincular tais órgãos a adoptar medidas de apreciação e deliberação.
Quanto às petições online, qual o poder de um nome e de um endereço de email? Absolutamente nenhum. Não têm qualquer valor legal, porquanto não existe qualquer sistema que identifique os seus signatários. O cúmulo é que qualquer pessoa que saiba o meu nome e o meu número de BI me pode incluir na lista e fazer-me signatária de uma qualquer petição na rede. No máximo, o que poderá acontecer é que se a causa for abraçada por muitos internautas, a Imprensa – qual caixa de ressonância – lhe dê algum relevo. Mas isso, só por si, não adiantará de muito.
Que ilações a tirar desta adesão massiva às petições online?
Os portugueses não estão num preocupante estado de letargia, como muitas vezes por aí se diz. Se instados a isso, sabem expressar as suas preocupações, os seus anseios e debater com discernimento a causa pública.
PS1 – nem a propósito, o texto anterior incide sobre participação cívica, abaixo-assinados e outros que tais.
Agri-Cultura de Coimbra
Dei comigo a ver a ver o blog coimbrão "Amigos da Cultura", que critica a alegada ausência de política cultural por parte do executivo presidido por Carlos Encarnação.Sou do PSD e, como nos casamentos, nos partidos há deveres de lealdade (adoro estes silêncios que ferem os ouvidos...).
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
"Tubaralhas-me"
Sabem o que diz o tubarão à "tubaroa"?- Tubaralhas-me!
É melhor começar com uma piadola para desanuviar. De facto, já não sei o que pensar. Sinto-me cada vez mais desiludida e indignada com o Ensino em Portugal, mas não sei se posso atribuir a culpa deste sentimento a alguém que não seja eu mesma...ou então atribuo a culpa a todos nós, como repetiu várias vezes o professor Arsélio Martins (distinguido com o Prémio Nacional de Professores) no debate de ontem na RTP. É que de facto, todos têm culpa e ninguém tem culpa, mas na verdade o que ninguém quer é assumir a culpa e chegar a um entendimento de uma vez por todas. Confesso que, na minha condição de professora, ou melhor, formadora externa de CEF (Cursos de Educação e Formação), a minha tendência é concordar com o "luto" dos professores por vários motivos. A minha experiência nestes cursos leva-me a entender a posição daqueles que defendem que os CEF mais não são que uma forma de melhorar as estatísticas, sem que na verdade tenhamos alunos minimamente preparados. Na minha boa fé quero acreditar que a criação destes cursos teve mesmo como finalidade dar uma oportunidade a alunos que têm imensas dificuldades de aprendizagem e que se sentem desmotivados no ensino regular. Mas depois deparamo-nos com estas turmas e percebemos que, quer haja um mínimo esforço por parte dos alunos, quer não haja esforço nenhum e apenas falta de respeito por colegas e professores, no final todos passam. Esta é a realidade que temos, porque os cursos estão orientados nesse sentido. Claro que há alunos que se esforçam e, de facto, merecem esta oportunidade, mas muitos há que simplesmente não querem saber. Concordo, por isso, com o que se dizia no debate de ontem sobre os programas e a estrutura dos cursos: estão completamente desadequados.
Quanto à avaliação dos professores e à gestão escolar (isto para não falar dos concursos para colocação de professores), já nem sei o que dizer. Estou cansada e ainda agora cheguei à realidade do ensino. Mas posso dizer que gostei de ouvir o professor Arsélio Martins, principalmente quando afirmou que os professores têm de ser tratados com dignidade. É que as políticas do Ministério da Educação (ou melhor, quem as criou) parecem ter escolhido os professores como bode expiatório para todos os males do sistema educativo. Eu sei que tenho pouca experiência, sei também que a minha desmotivação e desilusão se deve, em parte, ao facto de trabalhar com os CEF, mas os professores não podem ser responsabilizados por tudo. A meu ver, todos têm responsabilidade, começando nas famílias (que em muitos casos se descartam da obrigação de dar educação aos filhos), passando pelos professores e acabando no Ministério da Educação, não esquecendo ainda a sociedade civil e claro, os alunos. Será assim tão difícil de perceber que, se não se chegar a um entendimento entre todas as partes intervenientes, as coisas só vão piorar? Admito que criei expectativas elevadas quanto ao debate de ontem, que inocente que eu sou… Claro está que os professores iam demonstrar a sua revolta com criticas directas e questões pertinentes, e que a Ministra ia ser evasiva nas respostas, como pude esperar outra coisa? Atenção, houve pontos de vista com os quais concordo plenamente, mas não vou defender os professores ao ponto de negar responsabilidade dos mesmos em todo o processo. Como já disse, é preciso ceder de parte a parte de modo a encontrar as soluções mais adequadas à realidade escolar que enfrentamos hoje. Não posso deixar de referir que, apesar de não querer desvalorizar o trabalho ou a competência dos responsáveis pelas políticas de educação, é fundamental que estas políticas sejam feitas por quem está no terreno a lidar com as verdadeiras dificuldades todos os dias. Enquanto isto não acontecer, vai haver um fosso enorme entre leis e realidade, entre professores e Ministério.
Volto ao início, estou baralhada. Se por um lado o meu desagrado é evidente, por outro lado não poso deixar de acreditar que tem de ser uma boa Educação a levar este país para a frente.
Sinceramente, em conversa com colegas de profissão manifesto muitas vezes a minha profunda indignação com tudo e, consequentemente, a minha vontade de abandonar o barco e mudar de profissão. Mas, na verdade, seria uma grande cobardia da minha parte não lutar por um ensino melhor. Sempre quis ser professora e agora que sou… estou baralhada!!!! Alguém me ajuda a “desbaralhar”?
Nação falida...
Face ao título que escolhi e dada a independência do Kosovo, aparentemente, a resposta é: não, uma nação não vai à falência.Todavia, em breves linhas, retomo o que tenho visto sobre Portugal e que, a meu ver e como mero sinal de protesto, motivou a eleição do Doutor Salazar como o maior de entre os “Grandes Portugueses”: a política contemporânea tem sido incapaz de resolver as angústias do povo português, que se afoga em dívidas e vê que até o milagre prometido pela moeda única só serviu para passarem a pedir-nos cem ou cento e vinte escudos por um café, a título de exemplo… Mais do que qualquer assomo serôdio de salazarismo, disse-o então, este é um primeiro e manso grito de revolta.
No seguimento de um mal-estar que se vem manifestando, para já, à boa maneira portuguesa – ou seja, com algum encolher de ombros e o aumento das anedotas sobre nós próprios – surgem as palavras do Presidente do Observatório de Segurança, General Garcia Leandro, que foca, precisamente, o esgotamento do nosso espectro partidário com aspirações governativas e o risco de implosão ou explosão social.
E o que fizeram os sucedâneos de elite que se apoderaram de gordas fatias de PS e PSD? O mesmo de sempre: assobiaram para o lado e continuaram a repartir migalhas de poder, de influência e sabe Deus de que mais, sem que os seus líderes, que tenho por insuspeitos, possam por ordem na lama sub-ética em que vamos tentando discernir causas, perdida a visão estratégica do País como um todo com futuro.
E enquanto decorre o festim, fecham serviços, depreciam-se as forças armadas e de segurança e sufocam-se famílias com juros, sem que se ouça um discurso pedagógico sobre consumismo, excepto algumas palavras sempre avisadas do Presidente Cavaco Silva.
Na passada, algo que é quase um golpe de misericórdia na nossa já postergada auto-estima, um relatório da Comissão Europeia afirma que Portugal está no topo da lista de países europeus com maior efectividade ou risco de pobreza infantil, apenas suplantado neste tétrico campeonato pela Polónia (assim como na qualificação para o EURO 2008…).
A lista de factores explicativos, essa, é de lembrar o esplendor de um país do terceiro mundo; fala-se de precariedade do emprego, baixos salários, baixas qualificações e abandono escolar, famílias desestruturadas ou mal dimensionadas (o clássico exemplo de que há sempre espaço para mais uma criança, sem pensar que as exigências de hoje são bem superiores às do tempo do “pé descalço” e uma sopa) e carências alimentares, o que quer dizer que, em 2008, há crianças portuguesas, futuros cidadãos activos de Portugal, que passam fome, apenas comendo o que lhes dão nas escolas ou instituições sociais.
E bem pode o Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, que me parece sério, dizer que aumentou as prestações sociais e o apoio às famílias que, penso eu, continuam a faltar políticos com dimensão senatorial para “guiarem” o povo, através de opiniões credíveis, e o estabelecimento de prioridades. Por que é que eu tenho que ver o meu país como a Somália da Europa e, ao mesmo tempo, ouvir falar de milhões em submarinos, casinos e para-cretinos? Por que diabo tenho que pensar para conseguir contabilizar as indemnizações dos ex-gestores do BCP? Qual a razão pela qual há reuniões e comissões de Deputados sobre off-shores e curricula de políticos, sem que se veja uma cimeira séria e mediática sobre crianças que passam fome? E não andaremos a passar alunos (no ensino regular e nas “Novas Oportunidades”) só para enganar estatísticas europeias, mantendo as causas estruturais do nosso atraso?
Estas e outras perguntas quase retóricas agravam aquela sensação de que isto já só lá vai com uma “cadeira pela cabeça abaixo” dos nossos políticos...
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
A Apologia de Sócrates*
Prelúdio:Confesso que por ocasião dos três anos de governação socrática, muita vontade tive de opinar por estas paragens sobre tal data. Contudo, julguei que aqui pelo Lodo haveria quem, melhor que eu, o viesse a fazer. Mas não se chegando ninguém à frente, voilá:
Não há dúvida de que Sócrates comemorou em grande estes três anos no poder. Na segunda-feira, a aguardada entrevista confirmou e convenceu que o Sr. Engenheiro tem um rumo. E como diria alguém que me é próximo: “Quem sabe para onde vai, já chegou”. Reconheça-se, aquela entrevista foi a verdadeira glorificação de Sócrates. Claro que, coisas tão evidentes como a sua altivez e presunção acabaram por nos passar ao lado.
Tal como passaram ao lado temas a que um primeiro ministro sério não devia fugir. Caso do desemprego (só se falou de emprego, de 90 mil postos de trabalho criados (?!!!), de emprego, dos 150 mil empregos que vamos atingir, e ainda de emprego..!).
Quanto à Saúde o PM pouco adiantou e no respeitante à Economia ignorou o sobreendividamento dos portugueses, as crises internacionais (como se a elas fossemos imunes), a inflação... e por aí fora.
Mas dos problemas morais que se lhe assomaram quando teve que subir os impostos, isso sim, falou-se. Já quanto aos reais problemas dos portugueses, nada.
E porque não do tema que marcara aquele dia – as cheias? Tão preocupado com o progresso tecnológico, com os tais 3%, com os simplex’s e demais artifícios, mas... e depois? Depois chove e pufff! o caos chega à cidade e, imagine-se, chega a matar. Mas que raio isso interessa?... Somos um país desenvolvido, brada-se ao crescimento, mesmo que teimemos em não resolver problemas comparáveis aos do terceiro mundo.
Apesar de tudo isso, Sócrates tinha a lição toda estudada e saiu-se bem. Pode não ter sido aluno brilhante, mas na segunda-feira lá estava ele, engalanado, sorriso número 44, os números na ponta da língua e os argumentos do costume com os floreados do costume. Pronto, assim se convence uma nação.
Com a ajudinha (inegável) dos dois jornalistas encarregues de comandar o barco, quem acabou por se revelar comandante foi o PM. Aos outros dois coube lustrar a embarcação: seguiram o alinhamento definido sem acrescentar uma vírgula que fosse, subalternizaram-se como não se lhes esperava, desfazendo-se em desculpas pelo incómodo das perguntinhas, cheios de renhónhó (isto escreve-se? adiante...) e afins.
Só faltava um Don Perignon para brindar no final.
Chego à conclusão que, ao fim ao cabo, neste país tudo se resume a uma questão de maquilhagem. Aliás, maquilhagem em três passos simplex é o método socrático: apesar do esforço e da retórica do Sr. Engenheiro, o país mantém-se feio, envelhecido, cinzentão e votado a um triste fado. Mas Sócrates vende um paraíso a emergir, uma nação a caminhar rumo a um risonho futuro, um país de oportunidades, de choques, simplex’s e afins. Que é isto senão maquilhagem? ...
* espero bem que o outro Sócrates não se ofenda por usar tal epígrafe...
Puxão de Orelhas
Diz o povo que “quem diz a verdade não merece castigo”, mas essa lógica parece não se aplicar no seio do grupo parlamentar social-democrata: o jovem deputado André Almeida, em declarações ao Jornal de Notícias, classificou de “excelentes” as condições de trabalho dos eleitos no Parlamento e disse ter-se mostrado surpreendido com o ordenado auferido pelos deputados*, pelo que resolveu doar 10% daquele vencimento a instituições do seu distrito.Só que tal ingenuidade e benevolência não caiu nas boas graças de muitos dos seus pares. E vai daí, o deputado foi instado a reconhecer que teriam sido declarações irreflectidas e... nada mais, nada menos, que a pedir desculpa por ter dito... ... a verdade.
* 3708€ é o vencimento base ao qual se somam despesas de representação e abonos de transporte.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Estúpidos, palhaços e ignorantes
Porém, a meu ver, a vida não pode servir apenas para ganhar dinheiro, sem respeito por pessoas e povos.
Bem sei que há que ultrapassar problemas antigos, mas esta empresa podia ter o esmero de perceber que estamos a falar de uma potência que liquidou 1/3 do povo timorense e que a independência de Timor-Leste custou muito a conquistar.
Piadas de mau gosto
Por reincidência em mau comportamento por parte dos seus adeptos, após o jogo na Figueira da Foz, o Sport Lisboa e Benfica foi multado pela Liga de Clubes em 1.550 € (mil quinhentos e cinquenta euros)!...Nada me movendo contra o SLB, mais valia estarem quietinhos, em vez de multarem clubes com orçamentos de milhões em quantias ridículas, que em nada servirão como meio de dissuasão...
Há que apostar no bom senso, caro Presidente Hermínio...
Já exercitou a sua?!
Creio que não se refere à língua da senhora sua mãe, pelo que o LODO recomenda que falem e escrevam bom português, já que estarão a utilizar a 3ª língua mais falada do planeta e a única com duas ortografias.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
“Santana não escapa!!!”
“Santana não escapa!!!” - Este é certamente o pensamento de muitos jornalistas do nosso país. Não porque o motivo seja somente o de perseguir o ex primeiro-ministro. Mas porque na realidade o seu nome vende e valoriza uma qualquer notícia. Pouco importa que se escreva bem sobre ele. De igual forma, escrever as maiores calúnias, não é de preocupar… o conteúdo é secundário!!! Pois já se percebeu que o simples facto de relacionar a notícia ao seu nome (se possível, no título) vende muitos jornais e aumenta demasiado as audiências…
Este é um fenómeno assustador e que infelizmente para Pedro Santana Lopes (e para o PSD), o irá acompanhar para sempre ao longo da sua vida política…
Adeus Fidel
Boltei, Boltei, boltei de lá...
- " Você deve conhecer-me... Quanto quer para passar uma noite comigo? "
E ela responde:
- "Se o senhor conseguir fazer o seu pénis crescer como fez com os juros e mantê-lo teso como estão todos os portugueses, levantar a minha saia como está fazendo com os impostos, baixar as minhas cuecas como está fazendo com
os salários, mudar de posição como mudou na sua vida política e me f ... com tanto jeitinho como está a f... o povo português ... É DE GRAÇA!"
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Obrigado, ó Silvestre!...
Que saudades da adolescência, vendo Sly Stallone fechar a saga de Rambo, como fizera, há uns tempos, com a de Rocky...Enfim, os filmes podem ser uma treta, mas os tempos eram do melhor!...
Descubra as diferenças (III)
Afinal, as cheias não são problemática do passado e de quando em quando, insistem a marcar a actualidade. E não vale a pena remeter as culpas para S. Pedro. É certo que o tempo é cada vez mais incerto e as alterações climáticas têm revelado a sua pior faceta. Contudo, os problemas que estão na origem das maior parte das incidentes relacionados com o mau tempo podiam ser evitados com coisas tão elementares como limpeza de algerozes e dos sistemas de escoamento, a regular manutenção das vias rodoviárias e fiscalização periódica de infraestruturas públicas. E há ainda que alertar para os efeitos da urbanização descontrolada, que na maioria dos casos é imune ao ordenamento de território.
O certo é que já era hora do país estar preparado para fenómenos metereológicos como este, ao invés de continuarmos a olhar para o passado (como no aludido programa), sem no entanto sabermos retirar lições dele. E insistimos nesta lógica a la portuguesa do "remediar, sobre a qual ainda há dias aqui falei.
Chular
Em primeiro lugar, cumpre perguntar se anunciam o facto com as mesmas parangonas com que fazem alarde das mil e uma vantagens dos produtos que vendem.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
António Costa, o defensor
“O ‘Público’ é hoje um jornal indigno, que se comporta de uma forma inqualificável, numa cruzada de ataque pessoal à figura do engenheiro José Sócrates. (…). Há tanta gente na vida política portuguesa, porquê só socialistas?”Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa – declarações ao RCP – frase retirada do jornal Expresso
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Mais vale prevenir que remediar
Não obstante, dos discursos aplaudidos e dos polidos textos à sua concretização na vida real, tem-se percorrido um caminho moroso e sinuoso. Começou-se pela criação de serviços de planeamento familiar um pouco por todo o país, seguiu-se a introdução, paulatina, da educação sexual no meio escolar e, mais recentemente, a legalização da IVG. Alguns passos importantes - é inegável - mas que não contando com outras medidas complementares, de pouco nos servem.
Recordo com frequência - e uma dose de preocupação - o estudo efectuado pela DECO em Junho do ano transacto (publicado na revista Teste Saúde edição nº67), que concluiu que os jovens portugueses não têm o devido acesso a planeamento familiar. Hospitais, centros de saúde e outros espaços vocacionados para o aconselhamento naquela matéria, não só não funcionam como a lei prevê, como ainda há casos em que se recusam a prestar tais consultas.
Se o supracitado já é por de mais preocupante, aditava ainda o artigo que em algumas das consultas prestadas foram 'esquecidos' temas como a importância do uso do preservativo na prevenção das DST. Quanto à disponibilização de contraceptivos, apurou-se que muitas daquelas unidades de saúde não os dispunham para distribuição.
Parece que em boa hora aquela associação de defesa dos consumidores alertou os senhores do Ministério da Saúde. Pelo cenário descrito, tornava-se imperativo a tomada de determinadas medidas, e eis que agora, no âmbito do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva se anunciou a distribuição - gratuita, sem entraves e burocracias - de preservativos e pílula feminina aos utentes do SNS.
Há ainda um longo caminho a percorrer no desenvolvimento de políticas nacionais de saúde sexual - é certo - mas pelo menos um passo crucial foi dado. E se a tarefa lhes parecer hercúlea, usem da cooperação de algumas organizações da sociedade civil, que é para isso mesmo que elas servem.
De uma vez por todas, cabe entender que de pouco nos vale uma legislação liberal sobre a interrupção da gravidez se paralelamente não dispomos de eficaz educação sexual e da existência de aconselhamento profissional acessível e de qualidade, que funcione em regime de gratuitidade e que disponibilize meios contraceptivos.
Diz-se que 'mais importante que remediar, é prevenir'. Mas os profissionais de saúde, os responsáveis pelos espaços já citados, o Ministério da Saúde e os ministros que o vêm tutelando, têm sido - no atinente a esta problemática - inegavelmente irresponsáveis. Principalmente, por não medirem as consequências irreversíveis (gravidezes adolescentes e proliferação das DST) do mau serviço que prestam – quando o prestam…
Curioso, é que aqueles que nesta matéria são frequentemente denominados de irresponsáveis - os jovens - acabam por ser as primeiras vítimas ao não beneficiar de apoio a que têm direito. Ao fim ao cabo, parece que responsabilidade é coisa que não falta tanto aos jovens, mas antes a muitos dos que nos governam.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Afinal, CORRUPÇÃO não é só um filme!
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Questões FraCturantes
Será bom que, antes da votação, o PS diga claramente o que pretende fazer nestas áreas. É que, para logro, já basta o aborto, em que enganaram os portugueses com uma alegada despenalização, quando afinal veio não só uma liberalização, como uma empenhada promoção do aborto.
Mas os esforços governamentais parecem não estar a atingir os seus objectivos: o número de abortos voluntários nos hospitais públicos encontra-se a pouco mais de metade das previsões oficiais. Uma das mais baixas taxas do mundo, um caso excepcional, segundo o coordenador do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva (Francisco Sarsfield Cabral in Diário de Notícias, 29.11.07)."
"Nos cerca de seis meses em que vigora a lei da discriminalização do aborto até às dez semanas há mulheres que já fizeram duas interrupções voluntárias da gravidez (IVG). A Direcção-Geral da Saúde diz que são casos esporádicos. O coordenador do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva, Jorge Branco, tem conhecimento de repetições de abortos em alguns serviços desde a entrada em vigor da lei. Muitas mulheres faltam às consultas de planeamento familiar que lhes são marcadas (Catarina Gomes in Público, 11.02.08)."
Há quem tenha votado não por descrédito na responsabilidade civil das (os) portuguesas (os)..
E tudo isto dará em quê, Caríssimo Freitas Pereira??? *
No seu programa de "récita" semanal, "Aló, Presidente" o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reagiu ao processo judicial da Exxon Mobil contra a petrolífera venezuela PDVSA, dizendo que "Si ustedes llegan de verdad a congelar los (fondos), si nos hacen daño, nosotros les vamos a hacer daño, porque no les vamos a mandar petróleo a los EE.UU. Anótelo Mr. Bush, Mr. Danger (en alusión al presidente estadounidense, George W. Bush)".Tudo isto se diz num cenário em que o país de Bolívar, apesar de riquíssimo enfrenta uma crescente escassez de bens essenciais, que os produtores atribuem ao controlo estatal de preços, em vigor desde há 5 anos.
De tal maneira está a coisa, que a Petróleos de Venezuela já recebeu instruções para montar uma rede de distribuição de produtos, na sua maioria importados.
Confesso que acompanho com muito interesse a "Revolução Bolivariana"...
* O respeitoso desafio é lançado a um ilustre português da diáspora, que muito nos honra com comentários (mormente em assuntos sociais e de política internacional) e cuja leitura recomento vivamente, por muito que alguns sejam ao invés do meu pensamento.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Ah, e tal, a Juventude... (II)

O que nos vale é que há quem - como a JSD - em boa hora, erga a voz a propósito desta matéria. E para que não nos acusem de ser sempre e só do contra, desta feita damos provas de que sabemos apresentar alternativas credíveis. Com efeito, a juventude laranja vai levar à Assembleia da República uma proposta de lei alternativa à do actual regime, provando que não vivemos de populismo fácil, como muitos levianamente nos acusam.
Momento tablóide

Não há dúvida que a nossa classe política é fraquinha!!
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
A suprema humilhação de servir
Ciclicamente, interrogo-me sobre a razão do nosso atraso, sem descobrir um código genético que a tal nos condene, antes vendo feitos passados (por exemplo, os Descobrimentos) e expedientes presentes (Expo 98, luta por Timor-Leste, EURO 2004, Presidência da União Europeia e por ai fora…) que me fazem acreditar que há alma para dar a volta ao resultado.Porém e como tenho dito em várias ocasiões (lembro-me de o fazer, designadamente, a propósito da vitória do Doutor Salazar no concurso “Os Grandes Portugueses”), tornámo-nos tristes, cinzentos, resignados, genericamente mal governados, corruptos, cínicos, invejosos, assediadores, vaidosos (vá-se lá saber porquê…) e uma série de outras coisas que fazem com que nos ocupemos mais do “ter” do que do “ser” e com que invejemos mais o que os outros têm do que lutarmos com brio pelo que nós podemos vir a deter.
Dito isto em linguagem corrente, por cá, se alguém consegue algo é porque tem cunha (e, infelizmente, sabemos que não são raras as vezes em que a dita suplanta o mérito), venha ela de parentesco, conhecimento ou momentos de horizontalidade. O problema é que temos muita gente esforçada que tem sucesso (ou podia ter) e que não embarca nessa “via verde” do êxito profissional e que, mercê da falta de confiança que temos uns nos outros, faz parte daquela nuvem que é tomada por Juno; ou seja, é tida por farinha do mesmo saco.
Há uns meses, na Dinamarca, ouvi Francis Fukuyama teorizar sobre a confiança social enquanto elemento do que a doutrina anglo-saxónica chama de “capital social”; grosso modo, aquela base de convivência saudável que representa um activo para as nações. Sem surpresa, Portugal aparecia a meio da tabela e, por empatia, tirei, em Aarhus (local da conferência), uma fotografia em que se viam, ao longo das ruas, dezenas de bicicletas (meio de transporte venerado, por lá) sem cadeado, encostadas às paredes. Nem por encomenda, dias depois, em Lisboa (ao pé desse santuário anti-marxista que é o centro comercial Colombo), deparo-me com uma roda de bicicleta (o resto fora arrancado) presa a um poste de sinalização rodoviária…
Sintoma desta dificuldade de confraternização é a ideia que tenho de que, em consequência, vemos qualquer lugar que implique servir como uma humilhação, sentimento bem arredio da mentalidade escandinava ou do Civil Service britânico e que justifica as oportunidades que, com brio (a que deveria acrescer a nossa gratidão), agarram os imigrantes que decidem ajudar-nos.
O mais recente episódio sintomático – e poderia relatar outros, como o ocorrido num restaurante de província em que o dono finge conhecer a família para tentar cobrar mais dez euros – passou-se no último jogo da Briosa, no qual uma funcionária que prestava serviço numa porta (não interessa qual, já que o assunto é de atitude), sem um “com licença” ou um “boa tarde”, literalmente arrancava os cartões de associado das mãos das pessoas, visto que o sistema electrónico estava a falhar. Não contente com isto e perante a distracção do associado que atendia (que escutava algo que lhe diziam), decide proferir um “vamos, passe!”, em tom que nem as mulas estão habituadas a escutar do carroceiro. Como remate, guardado estava o bocado; não só argumentou que não estava a incorrer em falta de educação, como se recusou a dar o nome para posterior reclamação, desdenhando e dizendo que era suficiente dizer que era a “menina da porta …”…
Uso um caso concreto para ilustrar um sintoma geral de fidalguia falida que percorre o nosso povo, Pobres portugueses que à míngua de recursos juntam a falta de valores!…
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Até quando?!
Violência doméstica: sobem as queixas e sobe-me a indignação. Bem sei que não é a primeira vez que falo nisto, mas hoje veicula a notícia de que o número de queixas de violência no seio familiar tem aumentado nos últimos anos.Santa ignorância
Denunciava eu aqui a pouca instrução da menina que encarnava a Floribella - que desconhece a existência do cineasta Manoel de Oliveira - e eis que há quem suplante tal ignorância.Reporto-me aos jovens britânicos que, segundo um inquérito realizado por estes dias em Inglaterra, acreditam que Winston Churchill não tenha existido, sendo apenas e tão somente um personagem de ficção.
Pelo menos, assim pensam 23% dos inquiridos, revelando desconhecer uma importante figura da história britânica cuja popularidade se estendeu ao Mundo, não só pelo brilhante papel de primeiro ministro em tempos de guerra, mas também por se ter notabilizado enquanto escritor ( Nobel da Literatura em 1953), historiador e, claro, excelente orador.
domingo, 3 de fevereiro de 2008
A resposta ao "espanhol vermelho"
A resposta a isto está aquiby D. Duarte de Bragança in SOL
És tu, António?! *
Entre a fantasia e a realidade

Ademais, sendo que os disfarces mais vendidos foram os destinados a crianças dos 2 aos 14 anos, poder-se-á considerar que estamos perante apologia à violência?
O certo é que parece ser o fim das personagens infantis a marcarem presença no Carnaval do país irmão. O certo é que este ano o Brasil renegou a fantasia - por sinal, o móbil do Carnaval - tendo-se rendido à lúgrube realidade.
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Assina aí, pá!
Nota: Há que reconhecer que Sócrates aprendeu com o erro de comunicação no que concerne ao timing aquando das notícias sobre a sua licenciatura. Se já ontem respondeu a algumas perguntas do Público, hoje foi vê-lo a desdobrar-se em entrevistas.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Corre Marinho…
Que me lembre, nunca assisti a uma entrevista tão empolgante como a que Judite de Sousa fez ontem a António Marinho Pinto na Grande Entrevista da RTP.Gostaria que fosse a segunda, mas parece-me que é mais a primeira.
Cá aguardamos novos desenvolvimentos, deste Marinho que se recusa a deixar de correr.














