sexta-feira, 18 de abril de 2008

Vou, mas volto já

Volto à prosa extra-futebolística a propósito de mais um foguete do imenso foguetório em que se tornou o PSD.

Sobre a demissão de Luís Filipe Menezes, apetece-me falar de duas evidências: em primeiro lugar, entendo que talvez fosse o único caminho, dada a contestação permanente que lhe vem sendo movida.


Em segundo lugar, esta antecipação de eleições parece-me coisa dos velhos tempos de liceu ou das listas da JSD; até pode ser que nem dê nisso, mas esta de pedir a demissão, marcar eleições no prazo de 30 dias (não dá para quase nada), não negar a recandidatura e continuar on tour pelo partido lembra um truque para tirar coelhos da cartola (leia-se, adversários da penumbra).

As perguntas que deviam ser feitas têm a ver, creio eu, com outros pontos, já que o argumento de que há contravapor soa voz de falsete. Desde que me lembro que há turbulência interna no PSD e isso sempre pôde ser visto como um estímulo a liderar mais e melhor. Mesmo nos tempos do Professor Cavaco Silva (em que o unanimismo era visto, mesmo sem encomenda, como regra), Pedro Pinto fazia uma lista alternativa ao Conselho Nacional. Por seu turno, Durão Barroso sempre viveu com contestação, Santana Lopes sofreu "pontapés na incubadora" e Marques Mendes foi espalmado...

Acresce que me parece ilustrativo do estado da arte o facto de o grémio laranja ter passado dias incontáveis a debater o programa de Fernanda Câncio na RTP, em razão de uma eventual relação pessoal com o Primeiro-Ministro. Aqui chegados, detenho-me por algumas linhas para analisar uma das mais monumentais asneiras cometidas pelo PSD, nos últimos tempos e que surpreende em Agostinho Branquinho e Ribau Esteves (já no Vice-Presidente que embarcou na prosa não surpreende o mote, achando mesmo prestigiante saber que a falta de apreço é recíproca, como ainda recentemente, num jantar público e em modo vernáculo, fez questão de atestar); entendo que jamais deve fazer-se política invocando assuntos íntimos (sejam insinuações sobre "colo" ou estas), ainda para mais quando se trata de uma profissional com currículo. Jamais me ocorreria que um militante do PS questionasse algum(a) profissional de comunicação social por qualquer relação pessoal que tivesse com um destacado dirigente do PSD, por muito que aqui fosse jornalismo político e além (Fernanda Câncio), aparentemente, não. Posso estar a ser ingénuo?!... Talvez, mas insisto que havia mil e um temas que os portugueses apreciariam ver na agenda do PSD, antes deste...

Dirão alguns, por outro lado, que o dr. Menezes se rodeou mal. E fui eu que fiz a equipa?! Em um ou dois casos até posso achar que faltou arrojo, mas o mais apropriado é dizermos que, a seguir ao esmagamento de Marques Mendes, havia condições para tudo e mais umas botas.
E também digo - como disse no passado - que o ressurgimento de Pedro Santana Lopes, por muito que estivessem os dois carregadinhos de boas intenções, seria sempre foco de dispersão de atenções (este já foi o que Menezes queria ser, a mais de o primeiro deter a inestimável tribuna parlamentar) e assunto de partilha de espaço, já que o ex-Premier fizera as listas e tem a sua pleiâde de seguidores (uns melhores, outros piores e outros fraquinhos, como em todos os plantéis). Se pensarmos bem, entre voltas a Portugal e giros políticos, muita confusão se instalou e muitos desmentidos se produziram.
No meio de tudo isto, avanço três ideias "Kodak" (ou seja, para mais tarde recordar...):
  1. É difícil que os cálculos falhem, mas pode sair o tiro pela culatra, se a ideia era antecipar para ganhar de caras.
  2. Não acho que a medida vá acalmar o partido. A contestação, mais ou menos assumida, vai continuar e a sanha saneadora "à Mendes" sempre enlameou mais do que limpou.
  3. Menezes recandidatar-se-á.

A cura do PSD


Em Setembro passado Luís Filipe Menezes ousou pegar num PSD moribundo, fez o pertinente diagnóstico, passou uma receita médica bem legível e sujeitou-a ao escrutínio dos sociais-democratas. Volvidos seis meses de tratamento e não se verificando claros sinais de melhoras, Menezes reconhece que “o partido está muito doente”. Não precisava de nos revelar o exame porque é perceptível que a reabilitação não correu como seria de esperar. Durante este meio ano, se houve alturas em que se adivinhava um sinal de recuperação, logo ocorria uma súbita e incompreensível recaída.

Menezes, como é sabido, é médico de reconhecido profissionalismo. Porém, esta enfermidade que vem arruinando o PSD não é passível de cura quando não há anticorpos que exterminem os progressivos agentes invasores. É certo que o vírus só se propaga se encontrar terreno favorável a isso. Mas havendo partes do corpo que rejeitam automaticamente os fármacos administrados sem lhes dar hipótese de qualquer actuação..., torna-se desgastante prosseguir o tratamento e utópico manter a esperança na convalescença.

Menezes não está no partido apenas para lhe administrar sucessivos cuidados paliativos, mitigando-lhe o sofrimento. Menezes acredita na cura – ainda que paulatina - do PSD. Não obstante - prudente que é - resolveu não fazer uso abusivo de antibióticos e decidiu que cabe agora auscultar de novo o doente, apurando a sua receptibilidade a novos agentes terapêuticos.

Se me permitem, o meu relatório médico recomenda que Menezes insista no tratamento, pese embora as contra-indicações e os eventuais efeitos secundários. Sim, o partido está débil. Mas é uma questão de reforçar o sistema imunitário, reforçar as defesas. Cabe uma primeira fase de vacinação para afastar os previsíveis micro-organismos - já a 24 de Maio - e depois é ir administrando as restantes doses com a devida precaução, aguardando por positivas reacções pós-vacinais.

O curioso é que no PSD há quem aja qual criancinha. Os que fazem birra por tudo e por nada, que falam muito - e à toa – e que chegada a hora de levar a ‘pica’ recuam, fugindo à seringa, subitamente medrosos. A esses cabe adverti-los – para já - de que esta síndrome da maledicência, do conluio, da cobiça e da ambição pode ser fatal. Não particularmente para o líder ora cessante, mas para o partido, para os seus militantes e, irreversivelmente, para o país. É que não é só o PSD que está enfermo. O país também. E não restam dúvidas que da eficácia do tratamento de um, depende a sobrevivência do outro.

A demissão


Luís Filipe Menezes demite-se, depois de seis meses de liderança e sete de pancada: dos notáveis, que enfrentou em nome de um projecto de devolução do poder às bases; de uma comunicação social impiedosa, que, explorando a falta de coesão interna do partido e da própria direcção nacional, muito contribuiu para o desgaste da sua liderança. Nas últimas semanas, figuras desta direcção, proferiram afirmações incompreensíveis, às vezes inaceitáveis. Fácil de entender a dificuldade em fazer uma oposição credível ao governo socialista. Seria coerente com a sua narrativa que Menezes se voltasse a apresentar a votos, nestas directas. Mas com este estado da arte e perante os adversários que se aproximam, o seu regresso, que alguns desejarão, não passará de uma miragem.


quinta-feira, 17 de abril de 2008

Boa opção

Sabe a pouco

Só eu sei porque fiquei em casa...



Como que a antever tal desgraça - quando ainda nem tinha recuperado desta – ontem optei por um serão bastante mais tranquilo e menos propício a ataques cardíacos. Bem diz a minha mãe que meninas como eu não são talhadas para o futebol. Ou, pelo menos, para o esquizofrénico futebol praticado pelos encarnados...

terça-feira, 15 de abril de 2008

Entretanto...


... por aqui as coisas pouco mudaram. Se Mugabe já era um tirano, agora revela-se tirano a dobrar. Continua a socorrer-se de todas as manobras para adiar os resultados das eleições e orquestra uma qualquer estratégia para subverter a vontade do povo. Pelo país, alimenta-se uma espiral de violência e antevê-se o pior dos cenários, a par da convocação de uma greve geral pelos partidários da Oposição.
Reacções? Entre os líderes africanos, uns (Tanzânia e Zâmbia) já manifestaram preocupação, outros não estão para aí virados ( Angola e Namíbia). Quanto à Europa, somente os habitués - Reino Unido - se pronunciaram: Gordon Brown e o seu Ministro dos Negócios Estrangeiros. O pedante Mugabe desvalorizou, dizendo que «Brown is a little tiny dot on this world». Um pequeno ponto, ou não, o certo é que no seio de uma comunidade internacional cega, surda e muda, o PM inglês marca de novo pontos - sendo que é dos poucos a apontar corajosamente o dedo ao execrável comportamento de Mugabe.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Ainda o 'Coelhone'

O tema já não traz novidades. Durante a semana que passou jornais e revistas abordaram a ida de Jorge Coelho para a construtora Mota-Engil. O Ministro das Obras Públicas do Eng.º Guterres, que apesar da formação académica em gestão empresarial não teve um percurso nessa área, foi recrutado por aquele gigante do betão, que assume a construção de muitas das obras públicas em Portugal. Ao longo da semana imagens como as que Visão publicou, nos tempos idos do PREC e da barba à Che, bem como histórias sobre a sua vida, foram aparecendo.

Homem do aparelho, como dele se diz, foi a partir de 1995 que assumiu a pasta das Obras Públicas, no governo presidido por Guterres. Em 2001 abandonaria o cargo, na sequência da queda da ponte de Entre-os-Rios. Como Ministro interveio em negociações entre o Estado e a Mota-Engil.

Argumentam alguns que passaram sete anos passados sobre a tutela do Ministério, como se fosse uma espécie de período de nojo cumprido. O que faria algum sentido se o problema estivesse no passado. Não é o caso, assim como não é apenas, como nos fazia crer Francisco Louçã, na condição anfíbia dos nossos políticos, a pulular entre o público e o privado, já que estes não podem viver da política toda a vida. O problema está no futuro – esse que José Sócrates anuncia, em pré-campanha, recheado de estradas, pontes e barragens – sem dúvida, algo com muito mais saída, junto do eleitorado, do que a aposta na economia do conhecimento, ou a reforma da Administração Pública, até aqui instrumentos para construir um país mais moderno.

Na Quadratura do Círculo de 9 de Abril, que contou, pela última vez, com a presença de Jorge Coelho, Pacheco Pereira, não deixou (e bem) de comentar a saída de Coelho. No dia seguinte, a imprensa, no geral, descrevia, mediaticamente, o momento como tempestuoso. Coelho permaneceu mudo e calado. Mas fez mal – deixa-nos sem esperança que as coisas possam ser diferentes, que haja algum sentido ético e limites para as suas influências, que não haja uma monopolização da construção pública, que não favorecerá a corrupção, que não contribua para a supressão do interesse público e que não perverta ainda mais a nossa jovem democracia. Como escrevia hoje no JN Mário Crespo, «perde-se o pudor, fica-se com o poder».

sábado, 12 de abril de 2008

Maré Negra

Se não visse a Briosa a esmagar o Benfica, na Luz, não sei como explicaria os 3 a 0. Tendo sentido a felicidade de estar lá, apenas vos digo que foi justo e lindo!...
Lendo a "bíblia" da águia, ainda podemos ir mais longe no sublinhado do cariz histórico desta vitória:
  1. Há 54 anos que a Académica não vencia o Benfica, em Lisboa.
  2. Foi a segunda vez que tal aconteceu. Na primeira ainda nem havia Estádio da Luz.
  3. Ao longo da sua história, em casa, apenas em oito ocasiões o Benfica perdera por três ou mais golos.

Em jeito de homenagem, ficam os nomes dos marcadores:Miguel Pedro, Berger e Luís Aguiar.

Todos estiveram muito bem, mas guardo um abraço para o imenso Pedro Roma.

Lê-se

«Muitos dos nossos políticos debatem, indignam-se, criticam, contestam, propõem, mas perante tão grande ruído acabam por se desacreditar a si próprios. Por outras palavras, fica-se com a sensação de que ninguém tem uma ideia convincente, uma verdadeira solução política (...). De resto, esta alternância entre o exibicionismo narcísico dos dotes oratórios e a obsessão histérica pelo palco mediático, leva-nos a suspeitar que, por motivos insondáveis, o «político fazedor» foi obscurecido pelo «político palrador».
Pedro Afonso, in Público

Descubra as diferenças (V)

Consta que desta feita Hugo Chávez terá decretado o fim da exibição d'Os Simpsons numa televisão privada (sublinhe-se), invocando que aquela mítica série infringe deveres de responsabilidade social (até lá este conceito está na moda...).
Aliás, o governo de Chávez foi mais longe e garantiu que aquela hilariante família que nos acompanha desde pequenos influencia negativamente a criançada - mãe, está desfeito o mistério de teres uma filha cuja infância foi atípica! ...
Acatada a ordem, procedeu-se à substituição da série, pelo que agora naquele espaço televisivo pode ver-se Baywatch (Marés Vivas).
Percebe-se: uma família norte-americana estereotipada, humor inteligente e a ironia certeira dos Simpsons incomodam muita gente. Já o mesmo não se pode dizer da edificante Baywatch: miúdas giras em bikini, affairs de Verão e turistas deglutidos por tubarões.
Eis a mais recente benção matutina dos venezuelanos. Avé Chávez!

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Campanha II

Aproveitando a infinita benevolência do plantel da Lodo, S.A.D. e o bom balneário que temos, continuo em campanha, republicando um artigo, dado a conhecer na 4ª feira, em Coimbra.


Sendo parte interessada, não deixo de, assumindo-o, voltar a pedir a vossa atenção para as eleições que, na próxima segunda-feira, dia 14, determinarão quem dirigirá a Académica (Organismo Autónomo de Futebol) nos próximos três anos.


Faço-o, desde logo, porque entendo que, numa agremiação desportiva como a nossa, alguns pontos não podem sequer merecer mácula; falo do cumprimento pontual das obrigações para com o Fisco e a Segurança Social. José Eduardo Simões tem cumprido – assim mostram os dados (não auditados) relativos ao primeiro semestre do exercício (época desportiva) em curso.

Depois, é crucial que os atletas e demais colaboradores sejam remunerados com equilíbrio, mas a tempo e horas. Aquilo que devia ser a regra, sabemo-lo, é cada vez mais raro em muitas empresas e mais ainda em clubes de futebol portugueses. Ao que pude apurar, quase sem excepção (sempre plausível e de somenos importência), José Eduardo Simões tem cumprido.

Em terceiro lugar, entendo que uma instituição centenária como a AAC e os seus “spin offs” (ou seja, as organizações que decorrem da casa-mãe) têm que estimar a sua caminhada pelo tempo, preservando os locais da sua memória e, se possível, aumentando o património a legar às gerações vindouras. Conservando a Sede dos Arcos do Jardim e investindo numa funcional e excelente Academia de formação e treino, José Eduardo Simões tem cumprido.

E, por falar em Academia Briosa XXI, quantos clubes podem gabar-se de ter uma infra-estrutura desta qualidade e utilidade, designadamente para que, a prazo, a Académica possa voltar a apoiar-se mais na prata da casa? A isto acresce o facto de, remando contra a maré (diria mesmo, contra o tsunami) do profissionalismo exacerbado, o actual elenco incentivar o estudo e pagar as propinas dos atletas que queiram aprofundar o seu desenvolvimento pessoal e a sua mais-valia cívica. Para os muitos que acreditam que a formação é essencial e que o dinheiro não deve ser o único valor que as pessoas desejam, José Eduardo Simões tem cumprido.

Mas como, acautelado o futuro e acarinhado o passado, importa gerir o presente, regista-se o combate ao passivo e a concomitante parcimónia na aquisição de passes de atletas. Por certo, é mais fácil entrar para a História e para o coração dos adeptos usando de espalhafato e contratando tudo o que mexe, na certeza de que outros pagarão “a conta”. Contudo, eu entendo que, mesmo passando por sobressaltos (como o actual percurso) e até arriscando (espero que nunca se dê o caso) um dissabor, só uma Académica gerida com rigor, sobriedade e contenção pode lançar as bases de uma permanência imorredoira no primeiro escalão do nosso “pontapé na bola”. E aqui, de igual forma, José Eduardo Simões tem cumprido.

É por tudo isto que, a mais de garantir o futuro da Académica, estará em jogo uma questão de gratidão quando, entre as 10 e as 22 horas de segunda-feira, equacionar votar em José Eduardo Simões…

A transição

O processo eleitoral que (ainda) decorre no Zimbabwe assumiu, a partir daqui, contornos preocupantes. Em Dezembro, os holofotes da Cimeira UE/África, cuja vinda de Robert Mugabe foi vagamente turística, mal focaram o desrespeito gritante pelos direitos humanos que se vive naquele país.

A situação que tem marcado estas eleições – de manifesta falta de transparência e de opressão militar antes de uma possível segunda volta das eleições – faz repensar, depois de supostamente reforçadas as relações entre os países, o conteúdo daquele que foi um evento marcante da presidência europeia de José Sócrates. Além das ligeiras considerações tecidas por Durão Barroso, que sublinhou a vontade popular na mudança, o que constatamos é a indiferença e a apatia que a UE assinala perante este momento que, se espera, de transição.

Não é esta falta de coragem na recondução democrática de um país como o Zimbabwe que identificamos com a Europa no exercício do seu soft power, enquanto potência humanitária e, sobretudo, estrutura de influência moral que é ou deverá ser. Penso, porém, que casos como este não colocam em causa a manutenção de relações com África, apesar das teses canhotas de uma Europa saudosa do colonialismo em tempos de Globalização. São inegáveis as oportunidades que aquele continente representa e a Europa deverá potenciá-las sem esquecer o que celebrou, por exemplo, aquando do Acordo de Cottonou. Espero, por isso, que a UE se continue a bater pelo desenvolvimento dos países do sul, não descartando responsabilidades para com um continente parceiro.

Destinos de sonho para os licenciados portugueses


Hum?

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Do lápis azul ao rato azul

Li hoje uma notícia que dava o nosso país como um dos que mais importância atribui às novas tecnologias de informação e comunicação. O indicador em causa mede o grau de preparação, participação e de desenvolvimento de um país no aproveitamento que faz dos benefícios daquelas tecnologias. Ao constatar que nos encontramos bem posicionados neste ranking, ocorreram-me dois episódios recentes que se prendem com a principal expressão de tais tecnologias - a Internet. Dois casos que claramente contrariam a tendência (positiva) apurada pelo supracitado estudo e que relançam a questão das novas tecnologias e dos direitos a elas associados, mormente, direito de informação, liberdade de expressão, livre desenvolvimento, etc. Espera-se que sejam isoladas excepções à regra...

Numa autarquia, e sem qualquer prévio esclarecimento, foi interditado o uso da Internet a todos os funcionários, presumindo-se que haja excepção quanto à presidência e vereação... Pois bem, corre o ano de 2008 e ainda há quem teime em viver no século passado. São notórias as vantagens - quer para as empresas quer para os trabalhadores – que há na utilização da Internet. Proibir e bloquear o acesso àquela ferramenta de trabalho é impedir os trabalhadores de ter acesso a informação. É torná-los menos qualificados e menos preparados. Pelo que uma medida destas é do mais contraproducente e ilógico que há.

É inegável que a Internet potencia o desenvolvimento da capacidade de investigação, autonomia e iniciativa do trabalhador, aspectos que podem ser capitalizados em prol da entidade empregadora. Aliás, se devidamente utilizada, reduz custos, acelera a produção, introduz novas formas de organização, facilita e intensifica a comunicação institucional e potencia o desenvolvimento social. É claro que há sempre quem a use de forma desmesurada e afecte a sua produtividade com isso – mas aqui não tem que "pagar o justo pelo pecador" - ou pior, quem a use no local de trabalho para fins censuráveis. Daí que se compreenda o bloqueio a determinados sites (pornografia, violência, jogo, pirataria e outros conteúdos abusivos). No entanto, não foi isso que sucedeu. O bloqueio à Internet e correio electrónico foi total, com excepção de 30 minutos por dia (curiosamente, à hora de almoço..).

O outro episódio de que tive conhecimento passou-se numa Universidade que se arrogou ao direito de exercer censura. Em causa, um mero blog cujo autor é assistente daquele estabelecimento de ensino. Consta que o director não aprecia a opinião expressa por aquele docente, e vai daí, declarou desprestigiantes os conteúdos do blog e impeliu o seu autor a terminar com a coisa. Duas notas importantes: o blog versava sobre temas sociais tão vastos como política, desporto e religião; o seu autor é assistente contratado a prazo, que é o mesmo que dizer, sem base material para fazer valer os seus direitos ante os seus superiores...

sexta-feira, 4 de abril de 2008

quarta-feira, 2 de abril de 2008

(Ainda) a RTP e o PSD


Quando em Janeiro passado Luís Filipe Menezes alertou para a falta de equidade na RTP, muitos vociferaram. Recordo-me particularmente do maldizente Pacheco Pereira, que à data denominou de antidemocráticas aquelas palavras de Menezes.

Pois bem, antidemocrática é a estação pública que nos serve. Hoje mesmo veio a ERC reconhecer que o PSD é sub-representado na estação pública, tendo em conta os valores de referência definidos por aquela entidade com base na expressão eleitoral de cada partido. Destarte, não foram de todo descabidas as declarações do líder do PSD.

É certo que Menezes não foi eleito para dirigir a linha editorial de um canal televisivo, mas não creio que a liderança de um partido impeça o seu timoneiro de se pronunciar sobre a falta de pluralismo político-partidário que prolifera na grelha de um inverosímil serviço público.

Claro que não tardaram a vir à tona aqueles que se escudam no argumento de que o período analisado coincidiu com a presidência portuguesa da UE; bem como os que garantem a pés juntos que a mesma governamentalização da informação daquele canal ocorreu em tempos idos, quando o PS foi Oposição.

Ora, se bem me lembro, da última vez que o PS foi Oposição e o PSD foi Governo o líder da nação era Santana Lopes - político permeável aos media, é certo - cujo fugaz Governo foi mediatizado até ao tutano. O que eu não me lembro mesmo é de então os media terem usado da mesmíssima brandura e respeito com que há três anos vêm bafejando Sócrates e os seus discípulos...

terça-feira, 1 de abril de 2008

Descubra as diferenças (IV)

Estação Baixa-Chiado ( Metropolitano de Lisboa, 2007)


Estação Lavapiés ( Metro de Madrid, Dez. 2007)

Já fomos rotulados de povo menos cívico do Ocidente e com frequência reconhecemos que civismo é coisa que nos escasseia. A par disso, teimamos em invejar o país vizinho e em atribuir um rol infindável de qualidades ao seu povo.
Não seremos nós, portugueses, um bocadinho sadomasoquistas..?!
De nada serve votarmo-nos insistentemente à autopunição, pese embora seja inegável que ainda temos muito a aprender em matéria de cidadania.
Atente-se ao exemplo acima. É prova clara de que temos vindo a registar significativas mudanças. Um exemplo que dá lugar a interpretações bem diferentes daquelas que habitualmente se tecem sobre o nosso povo e que nos deixa concluir que, afinal, no que toca a civismo parece que estamos um bocadinho assim à frente dos espanhóis...

Bye Bye Mugabe?


Os números mais recentes das eleições do Zimbabwe dão à Oposição (Morgan Tsvangirai, do Movimento para a Mudança Democrática) vantagem sobre partido de Robert Mugabe.
Espero bem que isto não seja fruto do dia das mentiras...
A ser verdade, será o fim de quase três décadas de regime do senhor Mugabe, que com 84 anos considera que merece um sexto mandato à frente dos destinos de um país que já foi dos mais prósperos do continente africano (inclusive atractivo destino turístico) e que hoje é dos mais pobres do mundo.
Um país que está de rastos após 28 anos de poder autoritário: 80% desemprego, a inflação mais elevada do Mundo - 165 mil por cento (um pão custa um milhão de dólares zimbabwanos) - fome que grassa (facto que repugna, dado que outrora foi denominado o "celeiro" de África por ser grande exportador de produtos alimentares...), um terço da população portadora do HIV/Sida e tantos outros números que falam por si.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Sem saída

Lá fora ouvem-se palavras de ordem carregadas de angústia, a ponto de causar arrepios. O povo volta a sair à rua. Mesmo que não haja saída. Desta feita, os jovens assinalam o dia Internacional da Juventude com uma (oportuna) contestação às políticas de emprego. Os números mais recentes apontam - sem surpresas - para altíssimas taxas de desemprego e aumento do emprego precário, cenário que se agravará com as introduções ao novo Código do Trabalho. Mas Sócrates insiste em vender-nos um Portugal cor-de-rosa, de 150 mil empregos, de choques tecnológicos, flexisegurança e outros sound bites do género.
Alguém aqui ao lado pergunta com um ar nauseado se "aquela gente não tem mais que fazer?". "Se tivessem um trabalho estável com remuneração e condições dignas de certezinha não estariam a palmilhar meia Lisboa ao mesmo tempo que erguem cartazes e puxam pelos pulmões", apetece-me berrar-lhe. Eis a prova que há por aí muito português que não faz a menor ideia do que é desesperar por um emprego, ser-se mal pago mesmo quando se é altamente qualificado, não ter outra saída se não ser conivente com os malditos recibos verdes e tantas outras injustiças e humilhações a que as novas gerações estão inevitavelmente condenadas.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Das carteiras para o divã


Ainda a propósito do estado da Educação neste país, e confirmando as profecias do Ricardo, veio hoje o Governo anunciar medidas como, por exemplo, a contratação de técnicos para resolver os problemas graves de indisciplina nas escolas públicas. Não chamaram o Exército, como o nosso companheiro ali sugerira, mas socorreram-se de uma outra estirpe de salvadores da Pátria: os psicólogos. Mal ouvi isto, recordei um episódio recente de que tomei ocasional conhecimento e que muito me levou a meditar sobre o profissionalismo e a deontologia de alguns profissionais da área...

Atente-se: numa escola da região de Lisboa uma docente, ao deparar-se com um aluno de nove anos (!!) na posse uma arma branca, resolveu levar a criança até à psicóloga. Pois bem, esta "profissional" trocou umas palavras com o rapaz e apreendeu o objecto. Não obstante o sucesso da "intervenção", terminou com um recado à professora: "Isto que não se repita. Sou psicóloga dos alunos do Ensino Secundário e não do Básico".

Não quero cair na injustiça da generalização, mas já que ora anunciam os psicólogos como salvadores da pátria, não seria nada má ideia submetê-los a uma qualquer avaliação, na mesma linha do que querem fazer (e bem) aos professores. Pelo menos provariam que a novela das avaliações tem nobres objectivos e que não estão a usar os professores como bode expiatório dos males da Escola Pública.

terça-feira, 25 de março de 2008

Devolve o dinheiro à mãe, anda lá...


... o quê? Então mas eu dei-te a mesada para melhorares o aspecto do teu curral e tu metes-te nas borgas??? Mas tu estás parvo ou quê? *

"Portugal foi obrigado a devolver verbas cedidas por Bruxelas para projecto de preservação de aves..."


Os flamingos do Tejo. Aqueles que causaram tanto alarido nas organizações pró-ambientais aquando da construção da Ponte Vasco da Gama e afinal voltaram ao seu habitat natural.

Organizámos a Fundação para a Gestão Ambiental das Salinas do Samouco em 2000. Em 2004 temos o último relatório de trabalho referente ao ano anterior.

A partir daí as aplicações dos fundos cedidos pela Comissão Europeia são feitas sobre despesas correntes. Hoje não há sequer uns trocos para podas ( ! ) ou gasóleo ( ! ! ! ). "A sede da fudação [foi] vandalizada várias vezes e teve de ser encerrada por falta de dinheiro para a instalação de um alarme."
O projecto para estes últimos anos seria simplesmente:
  • intervenções nas salinas;
  • recuperação de comportas;
  • criação de ilhas artificiais;
  • acções de divulgação e sensibilização ambiental.
Não parece nada de extraordinário... Será necessário um organograma para explicar a relação entre protecção ambiental -> imagem limpa -> potencialidades turísticas que se estendem até às Lezírias ( ? )
760 mil euros, dos quais 380 mil de fundo perdido europeu. Fundo perdido... O que quer dizer que andámos a brincar. A coisa não correu mal - simplesmente não se deu.
"Portagens podem ser a solução" dizem. Uma pequena fracção das portagens da Ponte V. G.
A Lusoponte até poderia fazer um manguito a esta proposta, que não a censurava.

*Pode parecer brincadeira isto, mas morria de vergonha se fosse eu a devolver o cheque a qualquer burocrata europeu.

Paisagem natural viva

Mais de 100.00 espécies no Estuário do Tejo

Considerada uma das reservas naturais mais importantes da Europa...




segunda-feira, 24 de março de 2008

A Sra. Ministra ainda não chegou ao busílis

Já aqui comentei o infelicíssimo acontecimento na escola do Porto. No entanto, volto ao assunto porque lendo a página 6 da edição de ontem do Público, concluí que a Sra. Ministra ainda não percebeu qual é o debate que andamos a fazer.

A propósito do novo estatuto do aluno, vem a Ministra com o magnífico argumento que não impedirá situações como a que se viveu na escola Carolina Michaëlis porque, e passo a citar: “O Código da Estrada também não impede os acidentes”!

Importa explicar a esta Sra. Ministra que o que se pede é que a pedagogia assente num conjunto que normas e regras que responsabilize todos os envolvidos no processo de aprendizagem e não apenas os docentes.

Depois, por muito que lhe custe, ao Governo de que faz parte e ao PS, este caso, apesar de eminentemente disciplinar, também é político, porque vem dar luz à imagem de facilitismo atroz (e aqui o PSD esteve muito bem) que esta sra. tem ajudado a passar e que só não vê quem não quer, não é alheio a este tipo de casos.

É caso para dizer que assistimos a um faroeste sem Xerife.

Nota: no sentido de dar cor ao texto, recuperei um dos flyers que o Luís Correia, presidente CPC/JSD Coimbra me enviou por email, aquando da campanha da concelhia sobre o novo estatuto do aluno.

domingo, 23 de março de 2008

Só não acerto no Euromilhões...


Há dias, o Parlamento Russo recomendou ao Presidente e ao Primeiro-Ministro que estudassem o reconhecimento da independência da Abecásia e da Ossétia do Sul, ambas repúblicas separatistas da Geórgia.

A propósito da grosseira asneira de reconhecer a independência do Kosovo, para a qual, por várias vezes, alertei, os russos respondem, ficando por saber que pensam disto PS e PSD, já que, palpita-me, há nestas duas muito mais condições para se autonomizarem do que na província sérvia... O mesmo critério?! Se for assim, menos mal... O que suspeito é que o Presidente e o Secretário-Geral do PSD, bem como os críticos, achem que isto é uma minudência, quando comparado com o valor da quota e com o arregimentar de senhoras para parecer bem face à Lei.
Escapa, de momento, a Moldávia (onde fica a muitíssimo autónoma Transnístria), porque o governo de Chisinau, ao invés do executivo de Tbilisi, não afronta Moscovo.
Se virmos bem, é cinismo contra hipocrísia, pelo que fica tudo em casa, no sistema de relações internacionais.
E, nem por encomenda, a RTP passou, hoje, uma reportagem sobre duas portugueses que vivem em lados beligerantes do Kosovo. A nossa compatriota que vive na parte dominada pela Sérvia falou sobre o que quis, em português, durante horas; a portuguesa do lado albanês teve que ligar ao marido, sendo proíbida de falar (cultura local, disse o repórter), mas, ainda assim, acrescentando que ficou sem telemóvel (ordem do marido), desde que os últimos portugueses haviam visitado a aldeia. Sintomático...
Já agora: vai uma palavrinha do PS e do PSD sobre a independência do Tibete? 'Tá quieto!...

sábado, 22 de março de 2008

As nossas raízes II



Universidade de Verão 07

Vão-se lixar

Como transformar um bacharelato em licenciatura por apenas 800€?

Aqui

Oferece-se uma amêndoa a quem descobrir quem é o ex-aluno mais mediático desse Instituto.

sexta-feira, 21 de março de 2008

O administrador do "Lodo" em grande forma

Quem acompanha este espaço desde os seus primórdios pode constatar o fervor e a paixão academista do Gonçalo, facto que o leva a integrar uma das listas candidatas ao próximo conclave do OAF/AAC.
Mas como não há bela sem senão, ainda para mais no meio da bola, um tal de Pompeu resolveu rematar tendo como baliza a coerência do nosso administrador.
Gonçalo, não leves a mal, mas a resposta merece subir ao prime-time do Lodo.

Gonçalo Capitão

Pompeu e os frangos

Pedindo desculpa ao insigne comedouro da Malaposta por fazer uma brincadeira com base no seu nome comercial, a verdade é que me parece o mais adequado para, com alegoria futebolística, abordar o artigo em que, na edição de 6ª feira passada do “Diário de Coimbra”, Fernando Pompeu aproveita (com correcção, reconheço, esperando que ele veja o mesmo nestas linhas), reportando-se à última Assembleia-Geral da Briosa, para depreciar a minha tomada de posição em favor da presunção de inocência que deve, à luz da Lei, beneficiar o Presidente, José Eduardo Simões.

A verdade é que o dito texto, espremido, tem pouco que se veja, parecendo que Fernando Pompeu (ex-dirigente da AAC, ao tempo de Campos Coroa, para efeitos de enquadramento do leitor) assegurou mal a sua defesa, dando o que na gíria se chama uma série de “frangos”.

Senão, vejamos: o título, em si, é indiciário da mistificação que o autor pretende criar; ao titular “A Briosa, os políticos e o Código Penal”, Pompeu pretende, como veremos, colar-me à minha intervenção política, procurando ficar com o penhor do academismo puro. É, pelo menos, o que se deduz quando, mais adiante, insinua – pese embora prometendo “dar a mão à palmatória”, em caso de erro – que não me viu defender Valentim Loureiro e Isaltino Morais, quando Marques Mendes, então líder do PSD, os afastou da candidatura pelo meu partido às eleições autárquicas de 2005.

Aqui, antes de mais, revela-se a falta de método e de trabalho do meu ilustre consócio. Bastaria uma busca no meu blog (já que, pelos vistos, não faz fé na minha coerência, de que tanto me orgulho), para ler que, a 6 de Maio daquele ano, escrevia que “o critério no eixo Isaltino – Valentim – Damasceno carece de explicação, uma vez que qualquer arguido beneficia da presunção de inocência, até trânsito em julgado da sentença condenatória, seja qual for o grau de suspeição” ( cfr. http://lodonocais.blogspot.com/2005/05/x-files.html). Ou seja, não só falei do assunto, como até acentuei a discriminação no caso da Edil de Leiria.

Porém, Fernando Pompeu pode ficar descansado pois não há palmatória tão tosca que mereça a desqualificação de lhe causticar as mãos, já que o objectivo era, desde sempre, lançar lama sobre a minha imaginada incoerência, sabendo que ninguém, de entre os que se dão ao suplício de o ler, faria a arqueologia política que ele próprio não quis fazer.
Convém, em segundo lugar, que se diga o que motivou a minha intervenção, se me é permitida a analepse: tudo se precipitou quando um estudante perguntou a José Eduardo Simões como se sentia com as suspeitas que sobre ele impendiam (não tendo dado o destaque que Pompeu, qual maquilhadora profissional, pretende afirmar que foi dado aos eventuais reflexos das ditas sobre a imagem da Académica). O tom e os termos da demanda insinuavam claramente uma opinião negativa sobre a permanência em funções do Presidente, não sendo claro o que o autor diz, quando sublinha que nem ele nem o estudante inquisidor alguma vez haviam posto em causa a presunção de inocência do engº Simões.

Mas ainda que a salvaguarda tivesse sido óbvia, várias aclarações seriam pedidas: como sabe o espírito da pergunta feita, presumindo eu, em abono de ambos, que não foi “encomendada”? E que resultados adviriam para a imagem da Briosa se, fazendo letra morta da sua história cívica impecável, se substituísse ao veredicto judicial, julgando antecipadamente o seu Presidente?

Eu próprio sublinhei que, na altura do conhecimento público dos factos, ponderei o assunto e, havendo concluído (enquanto Presidente do Conselho Fiscal) que nada de anómalo se podia vislumbrar nas contas da Briosa, decidira permanecer no posto. Foi também por isso que sublinhei que não falava como amigo do engº Simões (que não sou no sentido estrito do termo), facto aproveitado por Pompeu para erguer mais uma estaca do seu circo...

Mas, ainda podemos inquirir-nos um pouco mais sobre a fibra ética de Fernando Pompeu... Por que é que não dedica uma linha ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral? Efectivamente, o dr. Almeida Santos ainda foi mais longe do que eu, dizendo que não só defendia a presunção legal, como acreditava na inocência do engº Simões. Uns dirão, a este respeito, que Pompeu padece de falta de coragem, mas eu limito-me a registar, com tristeza, a fraca figura que fez...

Nota final (até porque, diga ele o que disser, daqui não há mais atenção, por muito que dela ande carente) para a última linha do famigerado artigo, onde Pompeu escreve “Porque não disse tudo isto na AG de ontem? Simples: o tal clima pré-comício do Engenheiro Simões teria ‘engolido’ as minhas palavras”. Ora, a mais de o ambiente ter sido cordato (nem o dr. Almeida Santos permitiria outra coisa) – mesmo quando a deselegância apareceu na forma da pergunta de que falei – tal demonstra bem a frontalidade de quem o escreve. E já que gosta de analisar, ainda que mal, o meu passado político, relembro que apoiei Santana Lopes, quando tal era “crime” no PSD, e que, no Congresso da Póvoa do Varzim, fui voz quase isolada no ataque à liderança de Marques Mendes. Eu não tenho medo do “clima”, por muito quente que seja, caro Fernando Pompeu...

Chamem o exército

Ultimamente temos sido assaltados por episódios que têm vindo a colocar a nossa educação e as nossas escolas num estado de descrédito profundo, tendo atingido o apogeu com as infelizes e brutais imagens da aluna do Porto.

Sendo certo que o acesso às novas tecnologias tem ajudado imenso, o problema reside, ao contrário do que alguns possam pensar e escrever, não nos telemóveis e muito menos na professora, mas sim em questões sociais e políticas profundas que se têm vindo a acentuar há já algum tempo.

Tem-se assistido, nos últimos anos, ao tirar do tapete debaixo dos pés dos professores por parte do poder político. A obtenção de um diploma de ensino secundário tornou-se uma banalidade por força de um sistema que só se preocupa com indicadores, em que as políticas que visam o crescimento económico são centradas no aumento de qualificações sem ser feito o trabalho prévio de preparar o terreno ao nível social.

Temos governantes que se limitam a afirmar que a vida de professor é difícil mas que pouco ou nada fazem para atenuar as dificuldades. Que se preocupam, por um lado em apertar o cinto aos docentes e pelo outro em flexibilizar o comportamento dos alunos. Ou seja, não lhes importa controlar comportamentos, mas sim resultados.

Mas voltando ao caso do Porto, deixa-me fulo e revoltado que venham dizer que a professora falhou, que não sabe gerir conflitos, que não se adaptou à mudança. Se considerarmos que se deverá pedir “por favor” a uma aluna para guardar o telemóvel até ao terminus da aula visto estar a perturbar o seu normal funcionamento, então aí sim, a professora falhou porque faltou com a devida vénia.

Falar na gestão de conflitos é claramente uma questão importante de se abordar, sendo uma temática que tem feito furor no prisma organizacional. Mas então e a formação? Os professores são formados nessa área? Tudo bem que há que flexibilizar comportamentos, no sentido de atenuar conflitos, mas então o controlo e as regras? Será só flexibilidade? Esquece-se tudo isto em nome das constantes evoluções do meio?
Há que ter a noção que o controlo (devidamente moderado, como é óbvio) é positivo porque confere ordem e estabilidade. Ao invés, a flexibilidade em demasia cria confusão, como é o caso.

Não estamos a falar de uma professora com incapacidade para controlar a sala de aula, nem perante alguém com falta de vocação ou preparação para cumprir as suas funções. Quando esse for o juízo perante as imagens que vimos então mais vale reconhecer que o nosso sistema de ensino falhou e que é preciso colocar o exército a dar aulas nas nossas escolas porque não há lugar para pessoas com diplomacia.

Nota: devido ao mediatismo da cena, vai uma aposta que o Governo virá nos próximos dias com medidas que visem o reforço da disciplina nas escolas? Marketing Político com o intuito de apaziguar o relacionamento com os professores, dirão uns, inevitável devido ao estado a que se chegou, dirão outros. Cá para mim será uma mistura de ambos.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Que Educação?




Ainda estupefacta, faltam-me vocábulos para reagir a esta crueldade, pelo que socorro-me de um cliché: "há imagens que valem mais que mil palavras". E as que se podem ver no vídeo acima dizem mais do que qualquer um de nós imaginaria algum dia ver e ouvir. Eis a prova de que neste triste país, para lá da novela das avaliações, há muito a repensar em matéria de Educação.

Ps - O episódio ocorreu recentemente numa escola do Grande Porto, cabendo sublinhar que a primeira versão do vídeo que circulou no Youtube intitulava-se "9ºC em grande", tal era o orgulho dos jovens na façanha...

quarta-feira, 19 de março de 2008

Nem oito, nem oitenta


A infindável novela "Madeleine McCann" conheceu hoje novos episódios. Numa manobra tão inédita quanto duvidosa, os tablóides britânicos fazem capa com um pedido de desculpas aos progenitores (custa-me aqui usar a palavra "pais"...) da criança cujo rasto, volvidos dez meses, ainda é uma incógnita. Acresce que ao pedido de desculpas junta-se um pagamento ao casal no valor de 700 mil euros.

É certo que actualmente muitos são os jornalistas que não medem as palavras e, neste caso em particular, muita tinta correu entre especulações, suposições e opiniões. Palavras desnecessárias, descabidas e infrutíferas ao sabor, resta saber se da insensatez ou do oportunismo.

O jornalistas bem sabem que, até prova em contrário, a Lei garante a presunção da inocência. Com efeito, parece-me que da mesma forma que é condenável terem-se arrogado ao direito de presumir a culpabilidade daqueles dois, igualmente se me afigura reprovável que, numa tentativa de "remediar o erro", venham afirmar categoricamente a sua inocência...

Mas já que estão numa de pedir desculpa, talvez não lhes ficasse nada mal dirigirem pedido idêntico (cheque incluído, sff) às autoridades do nosso país, cuja actuação criticaram sem apelo nem agravo, delas fazendo bode expiatório.
*
Adenda: já se escrevera nestas paragens lodosas sobre o "Caso McCann" - aqui, aqui e ainda aqui.

terça-feira, 18 de março de 2008

Divórcio Simplex

Entre 4 a 20 minutos é quanto pode demorar um processo de divórcio nos dias de hoje.
Na onda do "Simplex", surgiu um novo serviço na internet que permite obter o divórcio por mútuo acordo - a casais sem filhos e sem bens em comum - através de procedimentos simples e céleres.
O "Divórcio na Hora" não tem nem uma semana e já anda na boca do mundo. Mas opiniões não têm sido unânimes quanto aos aspectos deontológicos daquele serviço.
Há quem se congratule pela simplificação da burocracia inerente a este tipo de processos, visando a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Mas também há os que consideram que este "avanço tecnológico" põe em causa o contrato de casamento, que pela sua importância quer no seio familiar, quer na esfera social, não deve ser rescindido por mero "impulso".
E ainda quem acrescente mesmo que o serviço consubstancia uma espécie de "promoção" e facilitismo do divórcio, com o objectivo de angariação de clientes.
A verdade é que do Ministério da Justiça ao Instituto de Registos e Notariado, da Agência para a Modernização Administrativa até à Câmara dos Solicitadores, todos dizem demarcar-se deste inovador (e controverso) serviço. Ademais, a Associação Famílias veio acusar os responsáveis daquele por "acentuarem a derrocada da nossa cultura, da nossa civilização que assenta na família"... Quid Juris?

É de ver

segunda-feira, 17 de março de 2008

Mulheres Azuis

Pensei em chamar "Mulheres Laranjas" a este texto, mas dada a mudança de cores do PSD e como não quero se acusado de fazer o jogo do PS (destino comum para quem discorda, nos dias de hoje), obedeço militantemente.

Assuntos cromáticos (falo de cores e não de cromos, sublinho...) à parte, deixo uma duvida com gostinho a cicuta: partindo da premissa de que o movimento de militantes de sexo feminino do PSD tem sentido (eu acho uma menorização para as próprias), pergunto-me se não faria sentido, para que se não duvide do altruismo e da deontologia presentes, que as representantes máximas em cada distrito dissessem, à partida, que não são candidatas a deputadas, antes buscando outras mulheres que o possam ser...

Assim se combateriam as acusações veladas de que a guerra estalou, pois um lugar na nova estrutura dá acesso directo à "liga dos campeãs". Vai uma apostinha sobre o que vai suceder?

(Ainda) o maldito Acordo Ortográfico

"O governo quis cumprir calendário e assobia para o ar a fingir que não entende a asneira. O prejuízo será para a Economia Nacional. " Vasco Teixeira (in Expresso)

“As implicações que isso tem do ponto de vista económico acabam sempre por sobrar para os países mais pobres.” Mia Couto

“(...) porque, muito embora o PR não seja linguista nem filólogo (eu também não sou), bastaria um simples exercício de bom senso para se ver que o Acordo não assegura nenhuma espécie de unidade, antes vai tornar mais sensíveis as divergências..." Vasco Graça Moura

“Eu acho que se podia dispensar este acordo. Escrevo em português e penso que os portugueses vão continuar a escrever - sobretudo os da minha geração - no código em que foram ensinados. Na minha idade (84 anos), não vou agora mudar para uma ortografia - digamos comum”. Eduardo Lourenço
__

Ainda a propósito do Acordo Ortográfico, eis que constato que mais vozes se levantam contra este absurdo que nos impingiram já lá vão dezoito anos... Um bafiento tratado que, como bem dizem Vasco Teixeira e o escritor Mia Couto, vai prejudicar a Economia. À conta destes caprichos, esperam-se elevados custos: desde a adaptação de livros e dicionários à nova grafia, à re-aprendizagem ortográfica por parte de milhões de pessoas, ao desperdício de milhares de livros que o Governo acabou de adquirir para o Plano Nacional de Leitura e às bibliotecas escolares que terão que ser substituídas -porque não é concebível que as crianças aprendam uma grafia e a leiam outra diversa...

Não serve o argumento do aumento do prestígio internacional da língua (alguém me explica isto?) da mesma forma que também não serve argumento já debatido aqui, de que é desejável a unificação desta nossa língua ocidental que tem duas variantes ortográficas.

Se desde sempre isso ocorreu e nunca tal impossibilitou a comunicação entre as gentes da CPLP, por que raio invocam a “compreensão” como argumento?
Há décadas que devoramos as novelas da Globo e nunca ouvi ninguém queixar-se da compreensibilidade da trama.
Os brasileiros lêem - ou deverei escrever ‘leem’? – Saramago* sem qualquer tradução.
Querem melhores provas de que os entendemos bem?
Sem acordos, sem fusões, supressões e demais complicações!!

* Curiosamente, este é partidário do Acordo Ortográfico... - que mais se poderia esperar...?!

sábado, 15 de março de 2008

Sai mais um decreto-lei sobre a cor dos vernizes das senhoras sff

Surpreende-me a tentativa de regulamentação quanto à utilização de piercings em Portugal.

Língua e órgãos genitais? Não, não!

Tens menos de 18 anos? A mãezinha deixa? Mas é ilegal... hum? Hum? Ouviste? Ilegal!!! Buuuuuhhhh

O quê? Queres tatuar I love our PM? Ahhhhhh...

"Soy una raya en el mar
Fantasma en la ciudad
Mi vida va prohibida
Dice la autoridad
Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Por no llevar papel
Perdido en el corazón
De la grande Babylon
Me dicen el clandestino
Yo soy el quiebra ley"
ManuChao "Clandestino"

sexta-feira, 14 de março de 2008

Primeiro-Ministro que se preze tem como mascote o anão Zangado...




Ainda bem que não sou a Branca de Neve...

Superprodução

Dentro do género, preferível a Apocalypto.

Bom filme!

Confesso que vi e que me fartei de rir...

Curioso

E não é sobre a última campanha presidencial portuguesa, apesar do título do filme e do resultado da dita...

Grande Momento

"Música: GNR grupo e Orquestra da GNR juntos ao vivo a 18 de Abril no Pavilhão Atlântico", lê-se no site da RTP.


Depois de, nos anos 80, a Guarda ter andado atrás do Grupo, por causa do uso do nome, eis um momento sui generis: GNR & GNR ao vivo!

Chamada à Selecção

Provando que o reforço do Plantel foi bem conseguido pela Administração da Lodo, S.A.D., eis que a nossa Marta é, desde finais de Fevereiro, Presidente da JSD de Felgueiras.


Continuando a apostar na formação, a nossa cantera confirmou mais uma valor para a laranja mecânica (a precisar de ir à revisão, se bem têm acompanhado as polémicas recentes).

Parabéns, Presidente!

Mais vale prevenir que remediar II

O estudo é da credível Faculdade de Medicina de Coimbra e as conclusões são deveras preocupantes: Um em cada dez estudantes universitários acha que a pílula protege da Sida. Cerca de 40% daqueles não usa o preservativo. 18% dos inquiridos revelou desconhecer os comportamentos de risco. E, last but not least, o preço dos preservativos é apontado por 13% como motivo do seu não uso.

Estes são os resultados mais assustadores do aludido estudo que vem comprovar a falta que faz a este país uma verdadeira política para a saúde pública na vertente de educação sexual e, particularmente, a necessidade de rever as traves mestras das políticas de prevenção da infecção do HIV.

Ainda recentemente foquei aqui os passos que se têm dado no sentido de promover a saúde e responsabilidade sexual, nomeadamente o da distribuição acessível e incondicional da pílula e de preservativos.

Mas se naquele post imputei exclusivamente a responsabilidade aos consecutivos detentores da pasta da Saúde e seus subalternos - de certa forma mitigando a culpa dos jovens - no presente caso o cenário muda ligeiramente. É que cabe atentar ao facto de estarmos a falar de estudantes universitários - a priori com nível intelectual superior a outras camadas da sociedade - logo, com o dever próprio de se manterem devidamente informados e de pautarem o seu comportamento com a mesma maturidade que frequentemente invocam noutros contextos...

Se os jovens universitários revelam estar mal informados e indiciam comportamentos de risco, que se passará com os demais grupos etários e de inferiores bases educacionais? ... A resposta deverá servir para alertar, de novo, aqueles que neste país insistem em preterir o "prevenir" pelo "remediar". Refiro-me não só aos governantes, respectivo ministério, instituições e profissionais de saúde, mas desta feita também ao cidadão comum. Este não pode, nem deve, passar a vida a recambiar a culpa para as aludidas entidades, porque também a ele lhe é exigível o conhecimento da realidade, atrevendo-me mesmo a considerar que a autoconsciencialização pode neste contexto configurar um dever cívico...

quinta-feira, 13 de março de 2008

Vizinhança pacífica


Enquanto no Rato se festejam três anos de Poder (e decorrem os preparativos para outros tantos...), na Lapa entretêm-se com mudanças de visual (não é que desgoste, mas há outras prioridades!).
Sou partidária da paz, mas esta 'boa vizinhança' entre PS e PSD é sintomática e... custa-me a deglutir..!

quarta-feira, 12 de março de 2008

Adjectivos, Superlativos, Quotas e Perspectivas


"O autarca portuense afirmou mesmo que as alterações promovidas pela liderança de Menezes são “graves e perigosas”, abrindo uma “porta à lavagem de dinheiro ao nível do financiamento partidário”.


"“Face às gravíssimas acusações do militante Rui Rio foi decidido solicitar ao Conselho de Jurisdição Nacional que promova a audição, com urgência, desse militante”, afirma a Comissão Permanente dos sociais-democratas. "


"(...) a direcção de Luís Filipe Menezes dá já como garantida a demissão de António Capucho da presidência da mesa da assembleia da secção de Cascais do PSD. “Tendo-se tomado conhecimento de que o presidente da mesa da assembleia da secção de Cascais anunciou a sua demissão face à aprovação de regulamentos, por larga maioria, no recente Conselho Nacional, a Comissão Permanente do PSD agradece os serviços prestados”."


"“O tema em causa tem mais relevância política do que aparenta. Trata-se do funcionamento interno dos partidos, que são um elemento decisivo para a qualidade da democracia. São eles que escolhem os deputados, os autarcas e os próprios candidatos a primeiro-ministro”, sustentou (Rui Rio). "


"Ribau Esteves explicou na primeira pessoa os procedimentos para o pagamento de quotas em dinheiro: "Quando eu pago com dinheiro a minha quota do ano de 12 euros, esse valor é acompanhado de um talão onde eu digo que paguei a minha quota referente ao ano de 2008 (...) e assino esse documento". "


"Marcelo Rebelo de Sousa fala de retrocesso no PSD."


"Pacheco Pereira contesta alterações aos regulamentos".


in Notícias.RTP.PT


Há dias diziam-me que "a democracia também acontece quando dez burros ganham a quatro iluminados". De facto não é um sistema perfeito, mas ser-se democrata é aceitar os resultados e não vale questionar a "qualidade da democracia" quando esses não são do nosso agrado. Vale, isso sim, discordar do resultado, porque o pluralismo alimenta a democracia. A forma de discordar deixo ao critério de cada um e à sanção da Jurisdição. Mas o conteúdo da discórdia interessa-me.

Esta questão deixa-me na dúvida sobre o que é essencial e o que é acessório.

Parece-me essencial facilitar o pagamento de quotas aos militantes e este regulamento cumpre essa finalidade. Por outro lado, os danos colaterais, que daqui possam advir, perigam o ético funcionamento do partido.


Tive oportunidade de conhecer vários militantes do PSD que pagaram as quotas tempestivamente e que não constaram nos cadernos eleitorais das últimas eleições directas. Cumpriram com o dever e não lhes foi permitido usufruir do direito de voto.


Concluo apenas o seguinte, se a perspectiva for a do benefício dos militantes, a questão da possibilidade de "abrir uma porta à lavagem de dinheiro" é uma negligência consciente. Se, ao contrário, a perspectiva foi a do benefício dos que pretendem lavar dinheiro à custa do PSD, então trata-se de dolo.


Sejamos então honestos, os que acreditam no dolo "raise your hands" e assumam as dúvidas sérias que têm acerca daqueles que rodeiam o líder. Porque não faz sentido falar de possibilidades remotas, mas sim de fortes probabilidades.

As nossas raízes



Golpes se dão medonhos e forçosos;

Por toda a parte andava acesa a guerra:
Mas o de Luso arnês, couraça e malha
Rompe, corta, desfaz, abola e talha.


Batalha de Ourique, estrofe 51 do Canto III
"Os Lusíadas" Luís Vaz de Camões

A minha pátria é a língua portuguesa ; )


terça-feira, 11 de março de 2008

A minha pátria ERA a língua portuguesa... *

Não são só os relatos da ASAE que me dão a volta ao estômago. Também uma notícia recente me tem dado algumas náuseas: reporto-me ao anúncio da entrada em vigor do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em 2014, iniciando-se ora o denominado "período de transição".
Ainda há pouco tempo comemorámos o Dia Internacional da Língua Materna e o Lodo - numa de serviço público - instava-nos a "falar e escrever em bom português". Contudo, a verdadeira e singular língua portuguesa tem agora os dias contados e, consequentemente, acabaram-se os motivos para a celebrar.
É que parece que a peculiariedade de se tratar do único idioma que dispunha de duas normas ortográficas incomoda muita gente. E vai daí, em prol da "unidade essencial à lingua portuguesa" e numa busca desesperada por uma ortografia simplificada rendemo-nos (e vendemo-nos) ao país irmão, acabando por suprimir muito do cariz etimológico da língua de Camões.

Para terem um breve ideia do quão repugnante será a nossa escrita daqui a pouco tempo, aqui vão alguns exemplos:

aspecto --> aspeto
facto --> fato
acção --> ação
óptimo --> ótimo
húmido --> úmido
lêem --> leem
arqui-inimigo --> arquiinimigo (sim, doi ii's seguidos!!)
...

* Se fosse vivo, Fernando Pessoa desculpar-me-ia pela indevida apropriação e distorção da sua frase, mas perante tamanha afronta à língua portuguesa, quase que juraria que o poeta me subscreveria!

Dispersão de capital social

Lia-se no Diário de Notícias, de sábado, que "Com Pedro Duarte, Ana Zita fundou há anos um grupo de reflexão que voltou a reunir-se recentemente e que fez correr muita tinta nos jornais. Ana Sofia Bettencourt e Gonçalo Capitão (ex-vereadora da CML e ex-deputado) são dois dos membros do grupo de Ana Zita e de Pedro Duarte".
O malandro vendeu 50% do capital social e não informou a malta...


P.S.: Desculpa, mas não resisti, Zita :)

segunda-feira, 10 de março de 2008

Pluralismo

Estava aqui a congratular-me pela defesa do pluralismo democrático quando resolvi investigar isto.
E agora já não sei. Deverão ser impostos limites programáticos na constituição de novos partidos políticos?

Profs

Mais importante que averiguar a situação dos agentes da PSP quanto às alegadas tentativas de intimidação junto da classe professoral portuguesa deverá ser para os partidos da oposição tirar o sumo das motivações para o descontentamento destes.

Assim, em vez de assistirmos à prática demagógica que o executivo tão bem sabe contrariar e desacreditar em assembleia, talvez o possamos confrontar com alternativas profícuas, que passam pela elaboração de propostas de lei dentro das comissões parlamentares ou até mesmo de documentos estratégicos partidários, já a pensar em 2009.
Isto claro está, enquanto os senhores agentes não tiverem a caneta azul.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Bendita ASAE!

Uns fazem-lhe vénia, outros vaiam-na.
Para o bem ou para o mal, tem sido a autoridade mais mediatizada neste país nos últimos tempos. Falo da ASAE e da visibilidade da sua actuação, que muita tinta tem feito correr. Tal não me admira muito: afinal é típico do português criticar os que mostram trabalho.
E que trabalho!
Para quem tiver estômago, sugiro a leitura da última edição da revista Sábado.

O título já diz muito: "Os casos mais chocantes que a ASAE descobre".
E eu posso adiantar-vos mais qualquer coisinha: ratos numa panificação, pão feito com água de esgoto, larvas em carne pronta a servir e até um hotel na Linha que cozinhava um banquete ao mesmo tempo que as obras progrediam na cozinha... (!!)
É certo que somos livres de pôr em causa os critérios de prioridade das áreas de actuação daquela autoridade, bem como de questionar os seus métodos...mas a verdade é que já estava na hora de termos uma autoridade alimentar que se mexesse e que garantisse efectivamente a protecção da saúde pública.
Eu cá prefiro ver-me privada de beber uma ginginha do rossio, de comer uma bola de berlim na praia, de degustar um bitoque às tantas da manhã no Galeto..... que consumir produtos cuja proveniência ou elaboração eu achava que não ocorreria nem ao mais sórdido dos seres.

"Cardozo, tu não sabias…???"


Cardozo, avançado do SLB, ficou a saber ontem e da pior forma, que dar "cotoveladas" nos adversários dá direito a vermelho e automática expulsão.

Bem que podia ter aprendido a lição no jogo da última jornada do campeonato, Sporting-Benfica, num lance disputado com Tonel… não fosse o arbitro “bom” Paraty…