quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Sem pés, nem cabeça *

* Mas com muita virilidade..!

"Tu és hetero?"
Foi o que me ‘perguntou’ hoje o mupi com que me cruzei na rua.
Um tanto ou quanto atarantada, paro e perco o meu precioso tempo a observar tamanha impertinência.
Trata-se de uma campanha a uma cerveja, constato. Uma campanha cujo mote é, pasme-se, "Orgulho Hetero". Uma campanha que, a meu ver, não é mais que um golpe baixo da máquina publicitária que - sem olhar a meios - lança provocações e incita à discriminação quando impõe o heterossexismo. Tudo, em nome da tentativa de notoriedade de uma marca de cerveja reles (confirma-me um expert na matéria...).

Memorizo o site na vã esperança de descobrir que me equivoquei na interpretação da publicidade e, mal posso, acedo. À medida que navego no site vou ficando estupefacta.

“Este site é a porta de entrada para o mundo hetero” ???!!!
"Objectivo é promover o convívio de jovens do sexo oposto" ???!!!
“Descobrir novas verdades dedicadas ao orgulho hetero” ???!!!
“Comprar merchandising hetero” ???!!!
“Causa heterossexual” ???!!!


(...)

Indigna-me esta campanha.
Por razões que dispenso enumerar.
Idiossincrasias.... (ou não!)

terça-feira, 20 de novembro de 2007

À atenção do sr. Jorge Nuno

Para o caso de não dar para ganhar nas quatro linhas e agora que o apito se calou, há sempre outras maneiras de conquistar o título...

domingo, 18 de novembro de 2007

Gajo de gabarito II

Hoje pela manhã, dei comigo, como tantas vezes antes, a ver um programa do Professor José Hermano Saraiva.
Veio-me à ideia o trabalho extraordinário deste homem pela História e pela Cultura portuguesas.
Em vez de coisas enfadonhas, como fazem os "intelectualóides" nacionais, José Hermano Saraiva percebeu que para que os "burros" (nós) comessem a "palha" (isto é, soubessem mais sobre a sua Pátria), havia que saber dar a dita.
Um soberbo comunicador, de facto... Fora ele de esquerda e mais respeito lhe teriam muitos dos historiadores de opereta e cinzentões (aqui cabe bem, por exemplo, Fernando Rosas) que raramente ensinam algo ao povo de quem se dizem arautos.
Foto de "O Primeiro de Janeiro".

Gajo de gabarito I

Para eu falar bem de um rei espanhól´é porque achei que esteve mesmo bem.

Falo da postura de D. Juan Carlos na Cimeira Ibero-Americana, ocorrida no Chile, há uns dias.
Mandar calar o Presidente da Venezuela, Hugo Chavez, quando este enxovalhava o ex-Presidente do Governo, José Maria Aznar, e abandonar a sala durante os dislates do Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, sobre as empresas espanholas, foi de "homenzinho".
Alguém tem que fazer perceber a estes "grandes democratas" da América Latina que podemos discordar, respeitando, como bem sublinhou Rodriguez Zapatero.
Só por causa disso, farei menos um brinde no dia 1 de Dezembro (assim, serão apenas 999...).

Western para intelectuais


sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Veni, Vidi, Vici

Os jornais gratuitos “chegaram, viram e venceram”.
Se antes a oferta se resumia a dois diários, volvidos três anos, o cenário mudou quantitativamente e, sem sombra de dúvida, qualitativamente. Logo pela manhã sou bombardeada com pelo menos três deles - “Global”, “Metro” e “Destak”, este último que me cativa pelo painel de opinião com que conta (João César das Neves, Isabel Stilwell, etc.). No local de trabalho, deparo-me com o “Meia Hora”, talvez o mais interessante de todos eles por dispensar as temáticas cor-de-rosa. À hora de almoço é a vez da edição de fim-de-semana do “Destak” e ao fim do dia já sei que me calha na rifa o semanário “Mundo à Sexta”. E ao que consta a oferta não parará de crescer, estando previstas novas publicações e novos locais de distribuição (Grande Porto; Madeira, etc.).
As vantagens destes jornais são inegáveis – os lisboetas têm agora maior facilidade em manterem-se informados do que se vai passando no Mundo, o que muitas vezes, por força do trabalho, compromissos familiares e afins, não se torna fácil.
Assim, de uma forma leve e clara os jornais gratuitos condensam informação, facilitando a vida a quem diariamente não tem tempo para se dedicar à leitura de um avolumado Público ou sequer de ver telejornais.
E depois, reconheça-se, fomentam a criação de hábitos de leitura. É inegável que a imprensa gratuita veio mudar o cenário nos transportes públicos da capital: afinal, os lisboetas sabem (e gostam de) ler...! Pelo menos, quando a isso são impelidos...

Mas o factor gratuitidade parece vir pôr em causa a imprensa convencional. Não foi por acaso que na vizinha Espanha os diários de referência hostilizaram os novatos, e que em França os sindicatos se manifestaram e tomaram medidas quando se viram ameaçados pela edição parisiense do “Metro”.

A pergunta que se impõe: Sobreviverá a imprensa tradicional?
Haverá, efectivamente, espaço para os dois tipos de imprensa num país em que os hábitos de leitura nunca nos mereceram elogios?
Na verdade, se a informação vem até nós sem que tenhamos que alterar um passo que seja do nosso percurso, e a isso acresce o facto de ser gratuita... torna-se inegável que a predisposição para nos mantermos fiéis aos periódicos pagos seja bem menor.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Youtube - mina de novos talentos?

O Youtube não é só o maior portal de partilha de vídeos. Actualmente, a par do Myspace e de outros espaços de partilha nesse imensurável universo cibernético, o Youtube é um espaço que serve de rampa de lançamento para novos talentos na área da Música.
Arctic Monkey’s e Mika são os dois exemplos mais flagrantes. Exemplos de que música nunca antes editada pode ser cantarolada por meio mundo num curto espaço de tempo. Os primeiros viram a sua popularidade crescer instantaneamente através da partilha de música na net e lograram tal êxito que hoje são já uma referência incontornável no universo rock.
O segundo, arrojado qb, foi rejeitado por várias editoras até que resolveu partilhar com os internautas a sua música. Depressa chegou ao número 1 do Top 40 Britânico de vendas, apenas através de download...! Depois do fenómeno, lança "Life in a Cartoon Motion" e o resultado está à vista – atinge e lidera muitos do top’s de vendas mundiais e não há por aí ninguém que não tenha já cantado e dançado um dos seus temas.

Mas a nova sensação no Youtube é a luso descendente Mia Rose, que com apenas 19 anos resolveu dar uso à sua webcam. Aliás, bom uso, já que graças ao à-vontade com que encara a câmara e à frescura com que canta, tem hoje milhares de fãs espalhados pelos quatro cantos do Mundo. (Atente-se ao número de visitas e de subscritores do seu channel...)

E assim vai nascendo uma nova geração de músicos. Uma geração que não se vê confinada à garagem. Uma geração que não tem que se sujeitar a concursos televisivos ou reality-shows para poder provar que tem valor. Uma geração que tem na mão o poder de partilhar com o Mundo aquilo que cria, sujeitar-se ao seu escrutínio, ter um feedback quase imediato e inclusive arranjar editora sem ter que sair de entre quatro paredes.

Foi exactamente isso que sucedeu com os Arctic Monkey´s, com o libanês Mika e com Mia Rose. Esta última, de comum adolescente caminha a passos largos para o estatuto de celebridade, estando já a gravar um CD. Tudo, porque cedo percebeu que não podemos ficar sentados à espera que o sucesso venha ao nosso encontro. Tudo, porque soube aproveitar de uma forma profícua (coisa rara nos adolescentes, sublinhe-se...) as potencialidades da Internet.

Se o Youtube já era um precioso tesouro pela imensa partilha de vídeos e música na internet, agora, pode vir a tornar-se um motor de (r)evolução musical, pelo menos, enquanto novo instrumento de caça talentos...

"Com tranquilidade"

Tendo sido intimado para tal (cfr. comentários ao texto sobre a Venezuela) e uma vez que cá estou, eis um pequeno comentário às eleições dinamarquesas, de ontem.
O essencial já se sabe: voltaram a ganhar os liberais (pela terceira vez), embora a maioria possa vir a ser composta com recurso a um partido anti-imigração, um partido formado por um imigrante sírio e por deputados eleitos pelas (muito) autónomas Ilhas Faroe.
Como notas de rodapé posso acrescentar, em primeiro lugar, que, ao que apurei junto de nativos, pouco separa os liberais dos sociais-democratas, com excepção mais sublinhada para a segurança social - ou não fora esta a casa da "flexi-segurança" (invenção bem nutrida por "apenas" 3,1% de desemprego e 3,5% de crescimento económico, em 2006).
Em segundo lugar, realço a afluência às urnas que ultrapassou os 86%, segundo sítios como os da BBC e do Internatinal Herald Tribune... Esta fica sem mais comentários...
Depois, vale a pena que pensemos sobre a mensagem que a União Europeia tem para os países mais ricos. Se a Noruega já rejeitou, por referendo, a adesão, na Dinamarca, assim que se começaram a ouvir as trombetas do federalismo, desde logo se rejeitou a moeda única. Acresce que a desconfiança face ao vizinho maior, não é exclusivo nosso; aqui o assunto fala alemão...
Por fim, a campanha: sóbria, com alguns panfletos informativos e com os candidatos nas rádios, televisões, nas praças, sempre disponíveis e sem circo. Aqui não há febras e batatas fritas, "trios eléctricos", sacos de plástico ou gritaria... Uma eleição à Paulo Bento...

Cheira mal, Cheira a Lisboa


Coincidências...
*foto TVI

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Leningrad Cowboys




Fantástica interpretação de Kalinka pelo Coro do Exército Vermelho.

Dúvidas Im(Pertinentes)

Se o aeroporto, ou a extensão Portela+1 for parar a Alcochete, como é que ficam os exercícios de voo da base aérea do Montijo?

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Ainda há lugar para patriotismo no "global play"


Regozijo-me com notícias assim:

Efacec lança bases nos EUA

O maior grupo electromecânico português investe 80 milhões de euros na Georgia, onde irá construir a sua base industrial nos Estados Unidos.

A Efacec assinou esta segunda-feira um contrato com as autoridades da Georgia, EUA, para construir uma fábrica de transformadores de grande potência, num investimento que ascende a 80 milhões de dólares.

Na cerimónia de assinatura do contrato, o Governador da Georgia, Sonny Perdue, disse estar "orgulhoso" pela escolha do "grupo global português", convicto de que "o projecto tecnológico" luso vai criar emprego (cerca de 600 postos de trabalho até 2015) e contribuir para o desenvolvimento económico da região.

O Secretário de Estado da Indústria e Inovação, Castro Guerra, considera que a consolidação da base industrial americana da Efacec "é um momento histórico" por mostrar que as empresas portuguesas "também têm capacidade de investir com sucesso e competir no mercado global".
"De país exportador de mão-de-obra e importador de capital, Portugal está a tornar-se um país importador de mão-de-obra e exportador de capital. Isso é um sintoma de que a realidade portuguesa está a mudar. É um sinal de maturidade económica", referiu o secretário de Estado, convicto de que outras unidades lusas, designadamente na área das energias renováveis, vão seguir a Efacec nos EUA. in Expresso Online

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Cantas, mas não encantas...

Hugo Chávez até já editou um CD com música folclórica venezuelana, mas hoje a cantoria foi por terras chilenas, no âmbito da Cimeira Ibero-Americana.
Em resposta aos protestos de que tem vindo a ser alvo, a reacção de Chávez foi esta.

"Não sou moedinha de ouro,
para agradar a todos,
assim nasci e assim sou,
se não me querem, «ni modo»".

Nada mais, nada menos, que um excerto de uma música típica "ranchera" para apaziguar os ânimos. Mas não ocorrerá a Chávez que não é a entoando melodias que 'nos' convence? Caso para dizer, "Canta... mas não encanta".

Épico - Elizabeth, the Golden Age





Os gregos dizem que devemos caminhar de costas para o futuro, de forma a nunca esquecermos o nosso passado e a História. Recomendo este filme a todos os que gostam de Épicos e relembro uma parte de um dos melhores discursos de sempre:

"Sei que tenho o corpo de uma mulher fraca e frágil; mas tenho também o coração e o estômago de um rei - e de um rei de Inglaterra!"

Quanto ao filme, magnífica interpretação de Cate Blanchett.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Elizabeth_I_de_Inglaterra

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

CML de COSTAs voltadas à Juventude

Na ânsia de mostrar trabalho, poupança e transparência, a renovada CML empreendeu uma verdadeira «caça aos avençados».
Desconheço o real estado da CML e compreendo que em nome do plano de saneamento financeiro se leve a cabo determinadas medidas que, mais cedo ou mais tarde seriam inevitáveis.
Mas há que estipular critérios, avaliar caso-a-caso e reflectir sobre as repercussões que essas medidas possam ter.
De outro modo, acaba-se por - ao rescindir serviços de equipas inteirinhas... - condenar à morte projectos de interesse municipal, como é o caso do Portal LX Jovem, que neste momento tem os dias contados, dado que os responsáveis pela sua manutenção estão literalmente na corda-bamba.
'Contenção de despesas' é um argumento forte, mas não plausível quando estão em causa projectos de reconhecida relevância e de extrema utilidade aos munícipes, como é o caso do Lx Jovem.
E quando, por arrasto, se dirá 'adeus' às lojas LXjovem (que disponibilizam gratuitamente orientação profissional, planeamento familiar, etc... ) e iniciativas como a "Futurália", "Semana da Juventude", Festival "Tocabrir", etc.. o caso é grave.
Mais que grave, é sintomático do menosprezo que os senhores do poder têm pelos jovens deste país.

Foleiro


quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Sábias Palavras


ou

Que não tem conseguido inspirar a equipa dos encarnados, já nós percebemos.
Mas bem podia poupar-nos às suas 'inspiradas' declarações...

terça-feira, 6 de novembro de 2007

0-1

Gostava de dizer-vos que acho que Santana Lopes venceu José Sócrates, no debate do Orçamento de Estado para 2008, mas não consigo...

José Sócrates falou de um país maravilhoso que nem Lewis Carrol conseguiu imaginar com "Alice no País das Maravilhas".
Ora as "Alices" que nos governam dizem que caiu a despesa pública, que se reduziu a dívida pública, que saímos do défice excessivo sem receitas extraordinárias, que cresceram as exportações, etc, etc, etc...
E pergunto eu: por que é que os portugueses não sentem um aumento da sua qualidade de vida? Por que vivem as famílias afogadas em prestações (sem pedagogia política)? Por que aumenta o fosso entre ricos e pobres (Portugal tem números negros na Europa a 27)?

E, já agora, por que não perguntou Santana Lopes sobre isto?
Ou então, à semelhança de Paulo Portas, por que razão não atacou o Orçamento propriamente dito, nas suas medidas?
A minha opinião é que Pedro Santana Lopes caiu na mais previsível das armadilhas, quando respondeu ao truque de ilusionismo vulgar do Primeiro-Ministro, que o responsabilizou pelo passado para, com a sua arte e na resposta áquele, lhe lembrar que os portugueses o julgaram fragorosamente - com tempo ainda para satirizar a culpabilização que Santana faz dos inimigos do PSD, da oposição e do Presidente da República (à data, Jorge Sampaio). Como dizia, errou o ex-lider do PSD ao gastar grande parte do seu tempo a auto-justificar-se...
Sócrates teve ainda tempo, como previra noutro texto, para fazer intriga, explorando alegadas divergências entre Luís Filipe Menezes (questões concretas feitas ontem, via media) e o seu lider parlamentar que, segundo o Premier, não fez as perguntas sugeridas pelo presidente do PSD.
Sendo que, tirando uma ou outra boa medida, o discurso de Sócrates podia ser transformado em queijo suiço, fiquei com um grande melão...

Nota: foto DN

Momento de filosofia

Numa pastelaria do Estoril, pode constatar-se o seguinte, em matéria de "chupas": já quase não há do Benfica, comeram-se um ou dois do Sporting e nada se vendeu do Porto.

Embarcando na sociologia amadora, pergunto-me o que será verdade:
  1. O F.C.Porto é mesmo, como dizia esse homem isento que era Vale e Azevedo, um "clube regional".
  2. O Benfica tem mais sucesso.
  3. Os benfiquistas adoram chupar.
  4. Os portistas não sabem chupar.
  5. Os sportinguistas não são carne nem peixe.
  6. Bem faz a Académica que não se mete nestas parvoíces.

Escolha a sua explicação, cole num envelope e ganhe um "chupa" do clube que preferir (a ser atribuído na Grande Gala do Lodo).

Lê-se

“(...) O novo tratado deveria ser referendado no mesmo dia em todos os 27 países da União. Uma tal opção teria, a meu ver, três grandes vantagens: a de impedir a contaminação da consulta popular europeia por temas nacionais. A de atenuar o défice democrático cada vez mais fortemente sentido e denunciado pelos cidadãos europeus. E a de contribuir para a instituição política do "povo europeu".

(Manuel Maria Carrilho in DN – edição de hoje)

De uma forma objectiva e sucinta, Manuel Maria Carrilho trouxe aquele “bocadinho assim” que faltava para convencer-me que, numa Europa que apregoa democracia, a via referendária deveria ser consentida pelos seus líderes. Nos parâmetros indicados por Carrilho – referendo simultâneo em todos os 27- são claras, pelo menos, três vantagens. Tudo leva a crer que, não sendo aquele o desfecho provável, seria, sem dúvida, o mais desejável a esta Europa do séc. XXI.

domingo, 4 de novembro de 2007

Viva a burocracia

Há dias li um texto da Dulce sobre o SNS que, como verão, é incompleto.
Digo-o porque apenas fala da culpa dos políticos, esquecendo que, por muito que os políticos façam (nas autarquias, no Governo ou nas instâncias internacionais), nada resultará se o aparelho administrativo não sentir o bem-estar geral como uma missão de todos e de cada um.
Para ilustrar, uma história pessoal: na sequência de uma ida ao serviço de urgência dos Hospitais da Universidade de Coimbra, foi marcada uma consulta de especialidade.
Assim que recebi a marcação, concluí que o dia em causa coincidia com uma viagem de trabalho ao estrangeiro e, naquilo que julgava ser uma atitude cívica e com quase 20 dias de antecedência, passei cerca de 2 dias para que alguém me atendesse o telefone.
Tendo encontrado alguém que fizesse o obséquio de me atender, expliquei o meu problema, pedindo que me alterassem a data, assim libertando uma vaga para alguém que estivesse à espera (ao que sei e por experiência própria, há uma espera prolongada para quem, como eu, aguarde o curso normal dos acontecimentos).

Epílogo?! Fui informado de que nada se passa desta forma. A ideia é faltar à consulta e ligar depois para pedir uma nova consulta... Perco eu mais tempo à espera e folgam os profissionais, pelo menos por uma hora.
Não há ministério que aguente...

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Afinal, quem manda?!?!?!

As guerras entre Jerónimo de Sousa e Luísa Mesquita , no PCP, estão, para mal dos “pecados” do primeiro, a tornar-se impiedosas para um partido que fala do povo e da liberdade, mas que, aparentemente, impõe regras demasiado rigorosas aos seus deputados.

O resultado das permanentes discórdias está à vista de todos:
com alteração do estatuto de Luísa Mesquita para “deputada não inscrita”, o grupo parlamentar que integra o PCP passará de 3ª para 4ª força politica mais representativa na AR.

Sem querer detalhar, até porque não sou conhecedor da vida interna do PCP (julgo que ninguém o é), este acontecimento suscita alguns problemas éticos sobre a vida parlamentar de todos os partidos políticos:

Os deputados, sendo militantes ou independentes, são eleitos em listas dos partidos políticos. O mínimo que se pode esperar é que algumas regras de gestão parlamentar lhes sejam impostas à partida pelas direcções desses mesmos partidos político. Só assim faz sentido a palavra “organização” e se pode construir uma alternativa ao governo, ou no caso actual do partido socialista, apoiar o governo.

Por outro lado, as listas são organizadas por distritos, regiões autónomas etc.. Quem vota nas listas, vota, em alguns casos, nas pessoas que as integram. Este facto dá, de certa forma, autonomia aos eleitos para defender os interesses de quem os elege, esquecendo deste modo que têm de “prestar serviço” à força politica “proprietária” da lista que integram…

Aqui é que está o verdadeiro problema do sistema político: afinal quem “manda” em quem???

Quando os interesses dos partidos colidem com os da região que elege, quem é que o deputado deve render?

Lembram-se do “deputado do queijo Limiano ”?
Além deste episódio, são vários os temas polémicos: portagens, maternidades, escolas, regionalização (boa dica Tânia) e tantos outros que certamente cada um de nós tem presente.

Na minha opinião (sem experiência parlamentar), para o sistema politico funcionar, o deputado deve dar (sempre) “voz” a quem o elege… só assim se pode considerar uma assembleia representativa.

Este é um assunto de pura ética politica, no entanto quer o analisemos de uma forma ou outra, temos sempre boas razões para apoiar qualquer um dos lados…

domingo, 28 de outubro de 2007

Rasteiras (ideo)lógicas

Sobre a regionalização (ou outros motes para ganhar votos):

Perante uma opinião pública mais ou menos esclarecida, e apesar das diferentes posições assumidas dentro da nossa estrutura, não esqueçamos o debate de há quase dez anos e o que então defendemos - nem tudo se faz pela simpatia dos cidadãos/voto.
Não devemos defender o Estado centralizado - não faz parte sequer do programa - mas fazer depender duma organização institucional o desenvolvimento do interior tem muito que se lhe diga.
Criar um novo mapa organizacional do território quando a tendência se pautou pela macrocefalia natural da capital... hmmm.

Antes de mais, os quadros devem conhecer o chão que pisam.

Caso para dizer: Olhe que não é bem assim, Sr Secretário... olhe que não é bem assim.

(é só de mim, ou a discussão da regionalização nos media trata de tudo menos da própria?)

Diz que é uma espécie de Evita


Cristina Kirchner parece ser, segundo as sondagens feitas à boca das urnas, a próxima presidente da Argentina.
Nas eleições de hoje e até à hora, a "peronista social democrata" (como se auto-intitula) é apontada como a sucessora do seu próprio marido, Nestor Kirchner.
Cristina Kirchner foi primeira dama da argentina, tal como a carismática Eva Perón.
De Evita, Kirchner parece ter "herdado" o carisma e também a elegância, a coragem e a garra que marcaram o curto percurso político de uma das mais importantes figuras femininas da História Política.
Outra figura com que Cristina é frequentemente comparada é a candidata à Casa Branca em 2008, Hillary Clinton. Com idades semelhantes, partilham da mesma formação (Direito) e têm um percurso político idêntico (ambas foram senadoras e primeiras-damas).
Mas Kirchner está longe de se deixar iludir ou influenciar por esses 'rótulos', prometendo deixar indelevelmente o seu cunho pessoal na Presidência do seu país.
Esperar para ver.
Certo, é que o Mundo está a assistir a uma desejada revolução nos protagonistas políticos. As mulheres teimam (e bem) em comprovar que podem fazer história na política nacional e internacional.
Angela Merkel, Sególene Royale, Michelle Bachelet, Yulia Tymoshenko, Cristina Kirchner e quiçá Hillary Clinton.
Aí estão elas a mudar o Mundo.
Sem medos, nem quotas.

To Russia without love

Creio que estarei livre da acusação de ser um daqueles "ex-jotas" que, prescrita a vida na JSD, passa a renegar as origens. Servi a Juventude Social-Democrata com honra, passei por lá momentos de antologia e, ainda hoje, sempre que me pedem, continuo disponível para ajudar as suas diversas estruturas.
Como se não bastasse, creio ter um relacionamento político e pessoal cordato com o seu actual Presidente.
Contudo, sendo a JSD uma organização política do nosso PSD, creio que deve sujeitar-se ao crivo analítico dos seus companheiros, algo que, no meu caso, surge a propósito de uma notícia que li na edição on-line do "Sol" :
"Cimeira UE/Rússia
JSD cancela iniciativa Sem Liberdade, não há Verdade
A JSD cancelou a iniciativa agendada para sexta-feira que previa a colocação de uma faixa em frente ao Convento de Mafra, onde decorrerá a Cimeira UE/Rússia, denunciando a violação da liberdade de imprensa na Rússia
".
Ora bem, vamos por partes:
  1. A liberdade de imprensa é essencial e deve ser defendida. Andou bem a JSD, na ideia.
  2. A cimeira UE - Rússia era algo que tinha de correr bem para Portugal, independentemente de partidos e credos. Se fossem avante (salvo-seja) não sei se tinham feito boa figura (duvido).
  3. Putin tirou da cartola a proposta de um Instituto euro-russo para monitorizar os direitos humanos, pelo que a coisa teria ficado um pouco "no ar". Ou seja, nestas cimeiras convém não sair antes do filme acabar.
  4. Mediatismo é fundamental, mas não apenas pela espectaculaidade. Recomenda-se algo que caia no raio de acção da força política que organiza o protesto. JSD e Moscovo?! Não ganha direitos ou votos por cá e nem se ouve, lá.
  5. E por que não algo sobre a mesma liberdade em Angola, quando vier cá o Presidente reunir com a União Europeia? Continuo a discordar do ruído durante a Presidência portuguesa da UE, mas sempre podem influenciar mais e é uma realidade que dirá mais aos portugueses e aos seus partidos. Ou então analisar a situação na Venezuela que não é muito mais branda e onde vivem quase 500.000 portugueses...
  6. Depois, entendo que é preciso compreender a Rússia (como outros países que não obedecem à nossa bitola; China, Venezuela, etc...) à luz da sua história passada e presente, não caíndo na grosseira categorização norte-americana que, todavia, ainda se estriba no proselitismo wilsoniano (ou seja, na exportação dos valores americanos como uma missão da nação).

A respeito deste último ponto, convirá que se repitam duas ou três coisas que já passaram pelo "lodo": a Rússia nunca foi e, arrisco a dizer, jamais será uma democracia do tipo ocidental; creio até que passa, hoje, pelo seu estado mais democrático de sempre.

Nunca os czares, muito menos o regime comunista e, dado do delapidar do erário público, Ieltsin consagraram o que, por cá, chamamos de democracia.

Já Gorbachev abriu o regime. Todavia, ao tirar o partido do seu lugar de "trave-mestra" (para usar a expressão de Adriano Moreira) do sistema, fez desabar a vida russa a um ponto que, ainda nos dias que correm, muitos habitantes (muitos mesmo!) da ex-URSS sentem saudades do "nível de vida" que, apesar de tudo, tinham.

Vladimir Putin recupera o lado idiossincrático da alma russa, sendo o "pai" que olha pelos russos, defende o Estado, fora de fronteiras, e combate os "glutões", dentro de casa.

Como disse, à Rússia falta a cultura democrática, no sentido que lhe damos por cá, e sobram diferenças étnicas (dezenas) e potenciais focos de conflito intra-muros (idem), de que a Tchechénia é apenas a mais colorida ilustração.

Diria que a JSD e, já agora, os demais portugueses poderão esperar uma semi-democracia ocidentalmente "adocicada" e desejar que a Rússia se mantenha íntegra e virada para este lado do Globo (a "asiatização" russa é possibilidade recorrente), por razões de segurança e pela questão energética.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Depois de Torres, defender a dama

Olhado o Congresso do PSD de há uns dias e ao invés da intriga barata que se tem feito, podemos concluir pelo domínio de Luís Filipe Menezes que pauta claramente a agenda, mesmo no que à indigitação de Santana Lopes para a liderança parlamentar diz respeito.


Desde logo, conseguiu que o conclave decorresse sem história e sem discursos tribunícios. Mesmo onde podia vislumbrar-se novidade – falo de Passos Coelho – cedo foi percebido que o tempo era ainda de consagração de um líder que fizera a sua “longa marcha” e que estava popular e claramente legitimado.


Por seu turno, aos chamados barões, muitos dos quais sem algo a perder, competia materializar o horror de Drácula que veiculavam em relação à cruz de Menezes. E, nada…


Por fim, justiça feita ao sempre corajoso discurso de Alberto João Jardim, que voltou a balizar a acção dos eleitos, é de antologia – tenha ou não havido acordo de cavalheiros – passar-se um congresso sem que o “menino guerreiro” arrebate a audiência. Certo que ganhou em poder, mas aceitou moderar a tendência para brilhar em palco. A meu ver, maturidade de saudar e a seguir.


Se erros ou menores êxitos existem nas opções do dr. Menezes, eles podem, a meu ver, cifrar-se em dois: por um lado, creio que a expectativa em relação à comissão política era maior. Subentende-se a preocupação de gerir o xadrez interno (equilíbrios em face dos apoios) e de apaziguar fantasmas (personalidades que serviram em vários governos). Todavia, esperava-se mais arrojo nas figuras convidadas; mais gente nova na idade e no envolvimento com os mecanismos partidários formais. À parte de José Manuel Canavarro, fica um certo sentimento de déjà vu, por muito estimáveis e sabedoras que sejam as pessoas do novel politburo.


Por outro lado, sendo a aliança de risco, veremos até que ponto foi acertado o protagonismo autorizado ao dr. Santana, conferindo-lhe a liderança parlamentar.


Como social-democrata parece-me bem, prevendo elevada dose de combatividade por parte do grupo parlamentar.


Depois, percebo que não só não convinha a Menezes enfrentar uma guerra com os deputados escolhidos ao tempo da liderança de Santana Lopes (o que importa ao novo premier é afirmar externamente a sua marca), como, assim, aliando-se ao santanismo, encosta às cordas (como se viu nas mudanças de presidências nas comissões parlamentares) a ala mais cerebral (afecta a Durão Barroso) que, até ver, paga o preço de ter procurado, durante algum tempo, passar entre os pingos da chuva. O paralelo 38 (zona desmilitarizada entre as duas Coreias) é sempre um mau sítio para ver os comboios passar, digo eu…


Todavia, o protagonismo em Santana Lopes não é algo que se modere institucionalmente. Para o bem e para o mal (e tanto mal lhe fez no Governo…), o talento é inato e dispensa estudos estratégicos, pelo que a luz que lhe for dirigida não é “desligável” por interruptor, da São Caetano à Lapa.


E acresce que, bem pensada a coisa, Sócrates poderá optar por entronizar Santana enciumando, mesmo que não o próprio, os mais acríticos menezistas.


Ou seja, fiel ao seu estilo, que me agrada, Menezes arrisca, tendo já ganho parte substancial da aposta e mostrando que não é “rapaz” de assobiar para o ar, quando as coisas correm mal; tal percebe-se quando atribui o seu sucesso futuro aos resultados a obter nas várias eleições de 2009.


Veremos no próximo conselho nacional até que ponto é que a glasnost menezista se traduz numa real abertura a um debate aberto. Até lá, voto em São Tomé: é ver para crer.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Não é Abril... mas não deixa de ser oportuno


A 22 de Outubro de 1945, surgia em Portugal a Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), através do Decreto-Lei 35.046, que atribuía a este organismo as “funções administrativas e funções de repressão e de prevenção criminal”.
Na realidade, a polícia política do Estado Novo tinha como principal propósito reprimir qualquer tipo de oposição que fosse feita ao regime de Salazar, esse Grande Português.

Volvidos sessenta e dois anos sobre o nascimento da PIDE, muitos – como eu – não conseguem sequer imaginar a realidade brutal que se viveu entre esse período e a Revolução dos Cravos.
Ouvimos, desde novos, os nossos pais falar do clima de desconfiança e a repressão moral, política e social, sem no entanto, saber em que é que tudo isso se traduziu.
Nos manuais, surgem ao de leve as perseguições, os medos e as torturas perpetradas pela PIDE. Uns alunos ficam mais impressionados com as histórias da ditadura, outros limitam-se a pensar que “esse tempo já lá vai”. Consequentemente, a maioria dos jovens de hoje desconhece a gravidade da repressão levada a cabo durante o Estado Novo.
A um primeiro olhar, parece sensato evitar que as gerações do pós-25 de Abril se angustiem com as infelicidades de outrora. Contudo, a inconsequência e a leviandade com que muitos dos nossos jovens encaram o quotidiano, leva-me a crer que talvez não fosse descabido que estes mesmos jovens tivessem real consciência de que “direitos, liberdades e garantias” não são coisa do passado. São conquistas bem recentes.

Com efeito, talvez não seja má ideia recomendar aos mais jovens a visualização d’O Julgamento” de Leonel Vieira. O filme tem passagens terríficas q.b., a denunciar uma PIDE sem escrúpulos (isso já sabíamos…) e sem limites.
Ou vá lá, algo mais soft, mas que logre o mesmíssimo objectivo: sugerir "Conta-me como foi", a excelente série da RTP que retrata o quotidiano português dos anos 60, numa sociedade obscura e fechada sobre si.
Importante, é que as novas gerações saibam estimar a liberdade de que podem hoje usufruir. E que reconheçam as conquistas de Abril e valorizem o que daí se herdou.
Ainda assim, nem mesmo hoje se pode gritar liberdade com toda a veemência que aquele conceito exige.
Casos recentes no nosso pequeno Portugal, como o do prof. Charrua, o de Dalila Rodrigues no Museu de Arte Antiga e outros que tais… comprovam que ainda subsistem resquícios de opressão à pluralidade de ideias.
E já há mesmo quem ouse comparar o governo de Sócrates ao governo de Oliveira Salazar, através do acróstico que por aí circula: “Salazar Outrora Caiu e Regressou Agora Transformado Em Socialista”.
Descomedido... ou nem por isso?

Esperava mais. Maybe "Next" time

sábado, 20 de outubro de 2007

O SNS está doente

Pelo menos, é o que se pode concluir ao ler o relatório de uma auditoria levada a cabo pelo Tribunal de Contas aos acessos e cuidados do Serviço Nacional de Saúde.
A avaliação efectuada é deveras arrasadora no que respeita às medidas de combate às listas de espera que, segundo aquele Tribunal, parecem estar destinadas ao insucesso. (Há casos de utentes que esperam cinco anos para uma intervenção...)
Mas as falhas não se ficam por aqui. Apura-se falta de equidade no tratamento de utentes e discriminação nas condições de acesso. O relatório refere ainda a morosidade na marcação de consultas e os números alarmantes dos portugueses sem médico de família, que ronda um milhão de utentes - factos de que já tinha falado aqui.
Os problemas detectados são de inegável gravidade, mas o Ministério competente já veio afirmar que o relatório diz respeito a "uma realidade ultrapassada". Isto é, como foi elaborado nos últimos dez meses... está desactualizado..!
Ora aí está uma óptima forma do Dr. Correia de Campos se ter esquivado ao curativo.
Reforma no sistema de saúde?
Re-estruturação do SNS?
Novos modelos de gestão hospitalar?
Daqui a dez meses, nada será igual... (!!!)
Consta que o Sr. Ministro é daqueles que acredita que "o tempo tudo cura"...

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Tratado de Lisboa? "Porreiro, pá!"

Conforme aqui já previra, a Presidência portuguesa da UE soma e segue. O Tratado de Lisboa é já uma realidade, anunciada na passada madrugada por José Sócrates (que finalizou o anúncio com um desairoso “Porreiro, pá!”) e, imagine-se, com direito a fogo de artificio e até champanhe Murganheira..!

Festividades à parte, a verdade é que se soube dar a volta aos membros da UE mais ‘inconformados’ (leia-se: Itália e Polónia) e lograr com êxito este acordo histórico para a UE e, particularmente, para Portugal. O mérito, esse, cabe sobretudo a Durão Barroso, que graças à sua perseverança, optimismo e diplomacia, obteve com o auxílio da presidência portuguesa, o ansiado consenso.

Portugal fica, deste modo, na história da UE pelo contributo que deu em mais um capítulo da história da União.
As vantagens que decorrem deste Tratado passam, sobretudo - e a meu ver -, pela introdução da figura do Presidente do Conselho Europeu e o reforço da cooperação judicial a nível de matéria penal, particularmente em matérias como terrorismo, xenofobia, corrupção, tráfico, etc… Também de relevar a atribuição de personalidade jurídica única à UE e o carácter vinculativo da Carta dos Direitos Fundamentais.

Agora, aguarda-se a ratificação pelos 27, via Parlamento ou Referendo. Nalguns países esta última via é obrigatória. Em Portugal não é o caso... e parece que os líderes lusos também não estão muito "para aí virados", passo a expressão.

No entanto, fica a questão no ar: numa Europa livre, até que ponto rejeitar a via referendária não é subestimar a voz dos cidadãos?...

*foto LUSA

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Porque o "lodo" é um blog com sentido de humor...

Na embalagem de sabonete Dove:
"INDICAÇÕES: UTILIZAR COMO SABONETE NORMAL"
(Boa! Cabe a cada um imaginar para que serve um sabonete anormal)

Em alguns pacotes de refeições congeladas Iglo:
"SUGESTÃO DE APRESENTAÇÃO: DESCONGELAR PRIMEIRO"
(É só sugestão! De repente o pessoal pode querer lambê-la, como
se fosse um gelado...)

Num hotel que oferecia touca para o duche:
"VÁLIDO PARA UMA CABEÇA"
(Alguém muito romântico poderia colocar a sua e a da amada na mesma
touca...)

Na sobremesa Tiramisú, impresso no lado de baixo da caixa :
"NÃO INVERTER A EMBALAGEM" (Oops!!! Leu o aviso...é porque já
inverteu!)

No pudim do Mini Preço:
"ATENÇÃO: O PUDIM ESTARÁ QUENTE DEPOIS DE AQUECIDO"
(Brilhante!!!)

Na embalagem da tábua de passar Rowenta:
"NÃO ENGOMAR A ROUPA SOBRE O CORPO"
(Gostaria de conhecer a infeliz criatura que deu origem a este aviso)

Num medicamento (pediátrico) contra o catarro infantil, da Boots:
NÃO CONDUZA AUTOMÓVEIS NEM MANEJE MAQUINARIA PESADA DEPOIS DE TOMAR
ESTE MEDICAMENTO" (Tantos acidentes na construção civil poderiam ser
evitados se Fosse possível ter esses Hooligans de 4 anos longe dos
Catterpillars)

Nas pastilhas para dormir da Nytol:
"ADVERTÊNCIA: PODE PROVOCAR SONOLÊNCIA"
(Pode não, deve!!!! Foi para isso que eu comprei!!!)

Numa faca de cozinha :
”IMPORTANTE: MANTER LONGE DAS CRIANÇAS E ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO" (Será
que lá os cães e gatos são ninjas disfarçados? Nunca vi Nenhum mexer em
facas!)

Num conjunto de luzes de Natal:
"USAR APENAS NO INTERIOR OU NO EXTERIOR"
Alguém me pode dizer qual é a 3ª opção?)

Nos pacotes de amendoim da Matutano:
"AVISO: CONTÉM AMENDOINS"
(Mania de estragar as surpresas!)

Numa serra eléctrica da Husqvarna:
"NÃO TENTE PARAR A SERRA COM AS MÃOS OU COM OS GENITAIS"
(Sem comentários)

Nota: foi um amigo que me enviou estas preciosidades por mail, logo, não consigo identificar a fonte investigadora.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

O Fado Social Democrata


Neste concorrido fim de semana, o Futebol e Fátima encobriram o 'Fado' do Conclave Social Democrata. Num Congresso que eu esperava vir a ser histórico, sobretudo, pelas circunstâncias em que estava envolto - líder já eleito - a história que se escreveu não foi particularmente feliz.

Desde logo, a (in)disposição dos congressistas deixava antever um Congresso pouco entusiasmado e ainda menos aguerrido.
A maioria das moções foram ouvidas com enfado, as intervenções pouco animaram as hostes (salvo uma ou outra excepção) e o próprio líder pouco contribuiu para a mudança de estado de espírito dos presentes, apresentando também ele um semblante sorumbático q.b..

Bem sei que um Congresso não é uma festividade, pese embora os emotivos hinos e os costumeiros confettis.
Mas esta trigésima reunião magna foi particularmente cinzentona (confirmam aqueles que já passaram por outros congressos) e francamente desprovida de motivação.
Talvez isso se deva à introdução das eleições directas, que já não dão azo ao acicatar das hostes. Ainda assim, a expressividade das eleições de 28 de Setembro parece que se ficou pelas urnas. A energia laranja esmoreceu após a eleição de Menezes, é facto inegável. O porquê, não sei dizer.
Talvez pelo sentimento de objectivo atingido...? Se assim for, menos mal. Mas convém lembrar que a eleição de Menezes não é o fim de uma luta. É precisamente o princípio.

Está na hora de arregaçar as mangas, que a labuta não se resume só ao trabalho intelectual. Discursar, prometer, criticar, idealizar e outros verbos semelhantes de pouco valem se não levarmos a cabo as tarefas necessárias para mudar o nosso fado. Está em causa o destino do partido e o destino do país. Pelo que vai sendo hora de elevarmos, com garra e dignidade, a nossa voz.
Foto in FLICKR

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Profecias para Torres Vedras

Muito se tem especulado sobre o próximo congresso do PSD, o que é perfeitamente natural, diga-se.

Entendo, porém, que não será daqui que virão novidades de monta e digo-o por motivos variados, nos quais arrisco a minha nula propensão para vidente.

Em primeiro lugar, entendo que, como é de esperar, alguns integrantes da longa marcha menezistas tenham algumas contas a ajustar e queiram por isso “mostrar as penas”. Não falo tanto da armada do Norte que acompanha o novo líder há bastante tempo e para quem a vitória foi o culminar de um processo natural. É precisamente a Sul, por parte daqueles que vinham passando maus bocados com o consulado mendista, que pode haver algum excesso pós-revolucionário.
Se bem que, neste caso há um factor de ponderação: saber se há “negociações” bem encaminhadas para que o antigo premier assuma a liderança parlamentar.
Aqui chegados, meia dúzia de palavras sobre esta hipótese: se eu fosse parlamentar e apoiasse Santana Lopes tudo faria para que assim fosse; seria o renascimento, bem mais cedo do que, provavelmente, o próprio previa (teria compensado “andar por aí”…), para além de que os duelos com o engº Sócrates passariam a ser uma delícia irrenunciável – bem longe dos açoites que o Primeiro-Ministro gostava de dar ao dr. Marques Mendes.

Todavia e por muita auto-confiança que possua, se eu fosse o dr. Luís Filipe Menezes não sei bem se acharia conveniente ter num plateau onde não estaria (Menezes não é deputado) um ex-Primeiro Ministro, Ex-Presidente de duas câmaras, ex-Secretário de Estado, etc, etc, etc…
Ainda para mais tratando-se de uma personalidade carismática e que vive em união de facto com a notoriedade, sem que tenha de fazer algum esforço para isso. Dito de outro modo, será errado se a ponderação do dr. Menezes for ditada ou pelo medo da projecção do dr. Santana ou, ao invés, pelo excesso de confiança, entendo que não virá daí qualquer sombra.

É uma decisão interessante e difícil, cuja margem fica ainda por determinar; que é como quem diz que, podem ser as evidências do xadrez do grupo parlamentar a ditá-la.
Será curioso, também aqui, ver o que diz o próximo fim-de-semana laranja.

Em terceiro lugar, entendo que o Congresso poderá valer a pena para lermos os realinhamentos dos chamados “barões” e do grupo dito de barrosistas que, embora envergonhadamente, apoiou Marques Mendes.

Finalmente, facto a que Menezes e os seus são alheios, será divinal ver centenas de menezistas tipo “Royal” (ou seja, instantâneos) ou de pedidos encapotados de desculpa por não terem visto a “luz” mais cedo, uma vez que em 2009 há listas para todos os gostos…

terça-feira, 9 de outubro de 2007

In memoriam

Tive oportunidade de conviver algumas vezes com o dr. Fausto Correia, sobretudo em Lisboa (ironias do destino), antes e durante a minha experiência parlamentar.

Conhecia-o já pela sua passagem pela Briosa, mas, a mais de uma ideia sobre o político de eficácia tremenda (o seu nome era falado para Coimbra, a cada eleição autárquica), ficou sempre a recordação do homem de fina sensibilidade social e de boa "bagagem" cultural. Um dos livros que citei no meu próprio livro e que antes usara na minha tese de mestrado foi indicado por ele, no final de uma noite de conversas cruzadas ("Notícias do Planalto: a Imprensa e Fernando Collor" de Mario Sergio Conti), fazendo uso da sua vida no mundo do jornalismo.
É um daqueles amigos-adversários que faz falta...

Estou chocado...


Hoje, quando vinha no carro a ouvir as notícias da manhã, fiquei "chocado" com as novidades lá prós lados da Covilhã.

Inicialmente até pensei que tivesse sido mais um assalto (sou de Viana do Castelo e ainda tenho presente o "pânico" no centro da cidade durante o assalto ao Museu do Ouro – julgo que todos sabem do que estou a falar)...

Mas não, foram agentes da PSP que entraram supostamente (termo obrigatório) nas instalações de um sindicato de professores para "dar uma formação" de como se faz uma manifestação ao sr. Primeiro-ministro...

Ver noticia em:
http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/20071009_Polemica+na+Covilha.htm

Será isto a flexisegurança*???

“Estou pasmado!!!”


(*) - brincadeira do autor do post devido à conjugação das palavras de flexibilidade e segurança de policia de segurança pública

domingo, 7 de outubro de 2007

O essencial... e o @cessório

Li, há dias, que José Sócrates anunciou - a propósito do "Plano Tecnológico dos serviços públicos" - que em breve será possível fazer marcação de consultas médicas via electrónica.
Vangloriando-se (justamente) da escalada na acessibilidade e qualidade da administração electrónica, Sócrates anunciou ainda a nova geração de lojas do cidadão e ainda a progressiva acessibilidade dos cidadãos com deficiências a sites governamentais.
Quanto à conveniência destas duas últimas medidas, nada a apontar.
Mas quanto à ideia de marcar consultas online, parece-me um pouco desajustada à realidade do nosso país.
Será que o nosso PM tem noção de que, por muitos computadores que ande a distribuir, há por aí muitos lares sem acesso à internet?
Será que o nosso PM faz ideia da quantidade de pessoas que se levantam de madrugada e rumam aos centros de saúde, numa espera interminável (e muitas vezes em vão...) por 5 minutos de atenção do médico de família?
Será que o nosso PM está a par do número de portugueses que não têm sequer, médico de família?! (Os últimos números apontam para 750 mil...)
Será que o nosso PM ainda não percebeu que de pouco serve a modernização se não temos um SNS bem gerido?
Caro PM, concentre-se no essencial...

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Vem aí mais “cor” dos Radiohead!!!


A banda de Thom Yorke vai lançar no próximo dia 3 de Dezembro um novo álbum intitulado In Rainbows.


Longe vão os tempos em que a letras incompreendidas e o rock “hiper” alternativo foram substituídos por melodias e sonoridades que fidelizaram público em todo o mundo…

Os álbuns dos Radiohead tornaram-se assim uma "caixinha de surpresas"…


O sétimo álbum desta banda, In Rainbows, não foge á regra!!! Desta vez, a grande novidade (mesmo antes de o ouvir) é o facto de quem o quiser, só terá de fazer um simples download da internet pelo preço que achar conveniente pagar… que até pode ser zero €!!! e isto já a partir de 10 de Outubro…
Ir a:

http://www.inrainbows.com/


Já se comenta em terras de sua majestade que os autores do “Creep” estão doidos ou não têm amor ao dinheiro…


Talvez não.


A meu ver, In Rainbows será um marco na luta à pirataria e na consciencialização do consumidor. Agora o mercado discográfico terá de repensar a estratégia e apostar no modo de valorizar o fiel comprador de CD’s… o consumidor por sua vez, terá de começar a respeitar o “criador” para permitir que este continue a criar!!!

Talvez este Arco-íris traga mais cor à música… e não só!!!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Quem tem medo compra um candidato

E eis que o dr. Marques Mendes foi derrotado.

Pelo menos da minha parte, não o foi sem aviso...

Efectivamente, a mais do estilo descolorido e pouco entusiasmante com que fez oposição, a forma como se enclausurou num “bunker” de palmadinhas nas costas feito em relação ao que era o seu forte – o contacto personalizado e afável – e como concessionou a colaboradores arrogantes e persecutórios o trabalho de relações pouco públicas e, seguramente, nada urbanas – tudo isto, dizia eu – foi cavando um fosso entre a cúpula partidária e as sempre referenciadas, mas nem sempre cuidadas, bases do PSD.

E nem se trata de “pisar quem perde”, mas sim de rever a matéria dada...

Todavia, creio que a análise ficaria incompleta se não fossemos a outros pontos. Em primeiro lugar, entendo que é de mau gosto culpar as “directas”, como fizeram muitos “notáveis” sociais-democratas. Em si, a eleição directa do presidente é apenas um processo, dependo os juízos morais do uso que dele se faça. Ou seja, as chamadas directas tanto podem conviver com os mais notáveis espíritos e as mais filigranadas formulações ideológicas, como podem ser um gigantesco tanque para lavagem de roupa suja.

Não vale sequer a pena recuperar exemplos de desmandos plebiscitários (tipo República de Weimar, que teve as consequências políticas que se conhecem com o apogeu do nacional-socialismo), pois, também neste caso, não só se trataria de um abuso especulativo, como seria um atestado de menoridade aos militantes do PSD que, se estão habilitados a votar “directamente” num Primeiro-Ministro (por muito que se elejam deputados em listas, no subconsciente está a escolha de um líder partidário para Chefe do Governo), parecem não poder ser dignos dessa confiança quando o assunto se prende com o seu líder partidário.

Com isto não fica dito que esteja ainda em fase pueril de entusiasmo com as directas. Entendo, hoje (nem sempre pensei assim, reconheço sem problemas), que se perde muito debate sem a disputa em congresso; agora, o que não posso aceitar é que se objecte às directas com o argumento de que se não controlam supostas pulsões malignas da turba inculta, mais a mais quando, desconfio, teríamos uma militância esclarecida, na opinião dos agora insatisfeitos “barões”, caso fosse outro o resultado.

E por falar na dita fidalguia, de novo, um ponto de ordem: falamos de pessoas por quem tenho imenso respeito, que deram muito ao País e ao PSD (se falamos da geração fundadora, note-se, pois parte da que sucedeu inverteu um pouco o sentido da dádiva…) e em quem deposito esperança para com as gerações mais novas fazerem um movimento de tenaz que, no mínimo, coloque pressão na faixa etária que, actualmente, lidera a vida interna do PSD e que, como já escrevi, se profissionalizou e enquistou, com consequências óbvias para o sistema partidário e para a vida pública portuguesa.

Todavia e no sentido irónico dos termos, não deixo de achar uma certa graça às figuras gradas do PSD que parecem envolvidas numa onda de consternação, desde a vitória de Luís Filipe Menezes… Se estavam genuinamente empenhadas no que entendem ser o futuro desejável para o PSD, por que suportaram a liderança nitidamente “partisan” (entenda-se, de aparelho) de Marques Mendes? E por que lhe deram verdadeiros beijos de Judas, apoiando com nítida resignação, ao estilo “do mal, o Mendes”? E, por fim, por que não arranjaram o tão anunciado D. Sebastião (leia-se, 3ª via)?

Agora, o que temos é uma liderança legitimada e pertencente a um grande autarca do PSD.

A mais dos votos do sucesso tradicionais, espero que o dr. Menezes não copie os vícios que criticou e, desde logo, seja tolerante no debate e abrangente nas opções.

Quanto ao “medo” que o novo líder parece suscitar, diria que quem tem medo “compra um candidato”!...

domingo, 30 de setembro de 2007

Directas PSD - Ilações e Elações

Neste rescaldo das Directas, assisto - com maior ou menor perplexidade - ao desfilar de tolices proferidas pelos ditos entendidos, i.e. militantes social-democratas de relevo, constitucionalistas, dinossauros socialistas, analistas políticos, opinion-makers, etc...
Pouco me surpreende a moralista Paula Teixeira da Cruz anunciar a “derrota dos valores e dos princípios”. Ela que, qual profeta, já tinha anunciado uma eventual fuga da nata social-democrata.
Não me estranha Pacheco Pereira, entretido a fazer malabarismo com a bandeira e, nos intervalos, a vaticinar o fim do partido.
Tampouco me choca o sempre inoportuno Soares, a falar em “desgraça”, quando o próprio é que já não cai na boa graça de ninguém…

Agora, o que me revolta é que os maus perdedores se refugiem em estereótipos que não são passíveis de ser aplicados a esta eleição - fazendo crer que a batalha se travou entre Lisboa/Província; Elites/Bases; Pseudo-Intelectualismo/Populismo, e por aí fora…
Surpreendem-me aqueles que dão tamanha importância às tais elites sociais-democratas. As elites que fogem - como o Diabo foge da cruz - nestes momentos decisivos; aquelas que só afloram quando lhes é propício; aquelas que maldizem o partido, mas na hora H, acomodam-se e não ousam chegar-se à frente.
Muito me espanta que haja quem continue a subestimar Menezes, mesmo depois da inaudita vitória da passada sexta-feira. Que haja quem acredite, como o Prof. Marcelo, que Menezes só venceu porque houve um conjunto de factores que não abonaram Mendes, incapazes de reconhecer o valor e o mérito de Menezes.
E incomodam-me solenemente os partidários do pessimismo, a vaticinar catástrofes de danos irreparáveis.
Restam - valha-nos isso - algumas vozes menos altivas e um pouco mais sensatas, aqui e acolá.
Esta última, reconhecendo que “a candidatura de Menezes tem defeitos”, admite simultaneamente que “com ele a líder laranja, o Governo de Sócrates nunca mais terá a podre paz em que estamos. E tudo estará em aberto para 2009”. Amén.

Nota

Apenas para relembrar que caso haja “nevoeiro” em 2009, a história dirá (partindo do principio que não haverá interrupção voluntária ou involuntária) que em 18 anos, o PS esteve 15 no poder.
Os tais senadores ou notáveis, a quererem fazer brincadeiras entretanto, convém que não se lembrem apenas agora da possível estatística.

Pilhas Duracel.. e dura e dura e dura...

Como era de esperar, choveram críticas, algumas até a atingir o inqualificável, a Luís Filipe Menezes e às bases do PSD pela escolha feita na sexta-feira.

Nada de surpreendente visto que, no essencial, são mais do mesmo.
No alto dos meus 29 anos :-), e fazendo um “rewind” até 1995, foi dito que o partido estava dividido com Fernando Nogueira, o mesmo com Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso igual, com Santana Lopes então era o holocausto, com Marques Mendes, o que se sabe.

sábado, 29 de setembro de 2007

Há gente burra paga por nós

Acabo de ouvir na RTP1 o anúncio promocional do jogo Dínamo de Kiev vs Sporting, na terça-feira.
Tudo estaria bem se o locutor não tivesse dito que o "Sporting vai à Rússia".
O meu medo é que quando o Sporting for jogar com o Manchester e com a Roma, digam que vai à Figueira ou a São Paulo.
E, já agora, senhor jornalista: por que é que não vai à... à escola?!

Primeiras notas do Requiem

Sem júbilo digo que o dr. Marques Mendes, para começarmos a análise da derrota de ontem, pode pensar em três coisas que, manifestamente, não compensaram:
  1. Cinzentismo enfadonho na oposição.
  2. Autorizar os colaboradores mais próximos a tratar com punho fechado e língua de prata quem discordava, ainda que criticasse Mendes com elevação.

E escusam os "donos" do Partido de dizer que vem aí isto ou aquilo. O que vier vem por mérito do dr. Menezes, mas também pela arrogância dos que escolheram o Presidente cessante por resignação ("do mal, o Mendes").

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Valha-nos Deus

Santana Lopes voltou às grandes jornadas!...
Aquela de, anteontem, abandonar o estúdio da SIC Notícias, após ter sido interrompido pela chegada de José Mourinho ao aeroporto, foi de mestre.
Primeiro, porque mostrou que o futebol não pode sobrepor-se aos assuntos de Estado (a análise das eleições no PSD é-o).
Depois, porque, sendo mediático, mostrou a uma televisão que a lógica do lucro/audiências pode não ficar impune.
Por fim, recuperou pontos, numa altura em que o ambiente interno faz o PSD oscilar entre a happy hour numa loja Imaginarium e uma festa de homenagem póstuma a Boris Ieltsin (será difícil explicar que ninguém bebeu...).

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O que sobrou do Partido

Pela primeira vez no meu já longo percurso partidário decidi não revelar o meu sentido de voto nas eleições para a presidência do PSD.

Faço-o por dois motivos axiais: por um lado, porque, genuinamente, ponderarei, até ao momento de pousar a caneta no boletim de voto, se votarei num dos “Luíses” (só um deles é hipótese) ou em branco.


Por outro lado, porque tenho dificuldade em distinguir entre a escuridão que faz à meia-noite e aquela que se sente às três da manhã…


A meu ver, como tenho dito, não saem isentos de culpas os chamados “barões”, que indicando implicitamente que fazem uma escolha do tipo “do mal, o Mendes”, não se fizerem ao caminho para encontrar uma solução entusiasmante, sussurrando a desculpa táctica de que o não faziam para evitar dividir o eleitorado de Marques Mendes, assim matando esperanças acrescidas a Menezes.


Na hora de balanço e contas, se a favor do actual premier laranja abonam o bom currículo parlamentar e governativo e, apesar da relutância, o apoio do friso de notáveis do partido, sobre ele paira a sombra da continuidade de uma oposição cinzenta e triste, bem como a grilheta da nebulosa a que comummente se chama “aparelho”.


Já Luís Filipe Menezes podemos abonar com o soberbo trabalho na Câmara de Gaia e com um estilo mais “colorido”. Mas é também este último que podemos arrolar como incógnita, dado que o PSD ainda sofre com o “excesso de cor” do estilo de Santana Lopes. Em segundo lugar, causa apreensão, para quem conheça, parte da comitiva que, entre outros, inclui alguns dos estrategas do naufrágio de 2005 e respectiva metodologia.


Juntemos a isto as lamentáveis novelas em torno do pagamento de quotas por Multibanco e vales postais e o episódio do “vota e não vota” dos militantes dos Açores e temos que o PSD, na genial frase de um amigo, está entregue “ao que sobrou do partido” (descontadas as figuras de proa que, evidentemente, têm reconhecidos méritos, quer causem mais ou menos entusiasmo).
E nem custa reconhecer que ambos os candidatos falam com propriedade do peso do Estado na economia e na sociedade, do défice, da saúde, das pequenas e médias empresas e dos grandes investimentos que, por exemplo, são o grande trunfo da governação de Gaia.


Porém, como no ilusionismo, importante é a mão que o mágico esconde… Que sociedade teremos daqui a vinte anos, se cada um deles concretizar o seu ideal social (aceitando como premissa de partida que o têm)? Que medidas têm, a mais daquelas de gestão corrente, para que Portugal cresça mais do que o resto da União Europeia e, assim, mostre que lemos as lições da Irlanda? Que ética propõe para os tempos da novas tecnologias, do consumismo exacerbado, do terrorismo, do relativismo moral e da criação de direitos de propriedade sobre seres humanos?


Sei que este é um daqueles textos que mais valia não escrever, se me norteasse pelo calculismo, já que não agrada a qualquer dos beligerantes. Porém, prometo que até amanhã (dia da votação) estarei atento. E também prometo que estarei atento às soluções que venham a desenhar-se para o PSD, mas sobretudo para Portugal…

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Pago eu ou pagas tu?


O secretário-geral do PSD denunciou ao CJN o pagamento de quotas em pacotes. Pacotes de 100, 200 e por aí fora até aos milhares...

Alegadamente são quotas pagas por apoiantes de Luís Filipe Menezes.

Eu pergunto: ao fazer esta denúncia, quererá o sr. Miguel Macedo insinuar que na candidatura que apoia tal não aconteceu? Ou estamos perante o ressurgimento dos valores e da ética na arte de fazer política?

"Beauty is nothing without brains"*

Vídeo do Concurso Miss Teen USA, no qual uma candidata dá uma disparatada resposta a uma simples pergunta do júri, facto que veio relançar a eterna discussão da associação de beleza à falta de inteligência.

Uma das padronizações sociais mais comuns é a de que 'as mulheres bonitas não são inteligentes'. Esta generalização, como as demais generalizações, é injusta. Contudo - reconheça-se - tem algum fundamento.
É facto inegável que muitas mulheres usam a sua beleza como um trampolim para o sucesso. O problema, sob o meu ponto de vista, não está em usar a beleza como trunfo no caminho para o sucesso profissional e pessoal.
O problema está nas que, numa lógica de comodismo e superficialidade, se fazem sobressair somente pelos atributos físicos, subestimando as suas próprias qualidades morais e capacidades intelectuais.
Este tipo de conduta por parte de muitas mulheres é censurável, mas verdade seja dita: a própria sociedade tem quota-parte de responsabilidade.
Ora porque delas não exige mais - as que se encaixam no padrão de beleza são "levadas ao colo" por quem as rodeia, sem necessidade de lutar pelo que quer que seja.
Ora porque assim as estimula - refiro-me à obsessão pela estética e a cultura de vaidade que imperam na sociedade moderna.
Quando o físico e a beleza são ditos como sinónimos de sucesso e riqueza, mulheres (e homens...) acabam por descurar o essencial e tornam-se desprovidos de sentimentos, ideias, valores e projectos. Valem unicamente pelo seu aspecto físico.
A juntar a isto, programas em que a exploração da ignorância feminina é a palavra de ordem (como o recente reality show "A Bela e o Mestre") e ainda a publicidade e as capas de revista que as despem - e aqui, aponte-se justamente o dedo à conivência por parte delas... - de roupa, valores e afins... vêm dar sentido a estes estereótipos que teimam em denegrir o papel e a importância da Mulher na sociedade.
*slogan surripiado a uma antiga publicidade da Mercedes-Benz