O facto é que o jogo existe e, desgraçadamente, nada tem a ver com pão ou com parolos...
Trata-se de um enredo virtual que começa a viciar crianças e adolescentes (dos 7 aos 17 anos), por todo o Mundo, e que remexe em todos os complexos e receios de quem está a formar a personalidade.
A boneca que deve evoluir às mãos da jogadora (destina-se mais a raparigas) começa por ser feia, burra e sem vida. A ideia, bem entendido, é faze-la linda, brilhante e rica.
Ora, se a ideia é o sonho cor-se-rosa de toda a jovem dos países ocidentais (há gente com necessidades bem mais básicas por satisfazer), a verdade é que sabemos que apenas uma minoria chega aos picos desse alegado Éden.
Começamos pelo facto de se exaltarem, embora não exclusivamente, valores fúteis e geradores de desgosto para as muitas pessoas que, induzidas a essa ambição pela sociedade mediatizada, não conseguem aperfeiçoar-se a tal ponto.
Depois, estimula-se o gasto, já que, depois de um crédito inicial gratuito, há que mandar mensagens via telemóvel, para recarregar o fundo de maneio e, notem bem, cada mensagem custa cerca de 2€. Como também estão a adivinhar, a coisa não se faz com uma, havendo até relato de uma adolescente britânica que terá gasto cerca de 400 Libras (aproximandamente 505€) ao paizinho...
Em terceiro lugar, é magnífico que o sítio do jogo o apresente como uma "ferramenta educativa", pois estará, eventualmente, a dar mais uma soberba ideia ao nosso psicadélico Ministério da Educação; é que, vendo bem os conteúdos pedagógicos do jogo, no seu nível 11, a aprendizagem passa por ter dinheiro para implantes mamários (bigger is better, é o conteúdo filosófico), deixando de lado os retoques nos lábios e as dietas rigorosas (as tais que, na vida real, podem dar anorexia). Já no nível 17, a nossa inocente bonequinha só tem mesmo que engatar um milionário que está de férias, assim dando roupagem adequada ao que, até há bem pouco, se chamava prostituição. Aqui, como é de luxo, deve chamar-se consultoria amorosa...
O problema é que, de hoje para amanhã, pode ter uma filha ou uma irmã a utilizar esta encantadora enciclopédia virtual de socialização. Acha que não lhe acontece?! E se eu disser que, segundo o que li, há mais de 1 milhão de jogadores em França e que o jogo já chega a dezenas e dezenas de países?!...
E de nada serve que os pais tenham de validar a inscrição, pois, entre falta de tempo e lacunas de esclarecimento dos mais velhos, está a ver-se a falta de insucesso (apeteceu-me a dupla negativa...) do jogo, junto dos mais novos.









