quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A Burguesia de Ontem e de Hoje

Acabo de passar uns dias em Dinard, na Bretanha. Aprecio o ar do grande oceano. Faz-me lembrar o meu, o da Póvoa de Varzim, dos anos da juventude, antes do grande salto por cima dos Pirinéus, em busca da liberdade e doutra vida. 

Na cervejaria da esplanada, ao meu lado, frente ao mar, um veraneante lê “La Comédie Humaine” de Balzac. Viemos à conversa porque também aprecio este autor. Disse-lhe que conhecia um escritor português que, talvez influenciado por Balzac – ele viveu em Paris e na Inglaterra - tinha escrito um livro muito interessante, na mesma veia do que estava a ler, sobre a burguesia portuguesa: “Os Maias”, agora traduzido em Francês. 

Balzac conta a historia da grandeza e da decadência da burguesia montante do 19° século, no momento preciso em que a burguesia de negócios, estupefacta, toma o poder, naturalmente! Devorando a aristocracia! Os valores, que eram os do trabalho e da economia familiar, vão ceder o lugar às necessidades da alta finança que se prepara a governar a vida de milhões de homens, e que vão criar uma nova moral! E que moral! O capitalismo espreita! Expliquei-lhe que nos “Maias”, Eça de Queiroz, põe na boca dum personagem, da terceira geração, um tal Carlos: "não vale a pena correr para nada" e que tudo na vida é ilusão e sofrimento!

Não importa, o dinheiro e a sede inextinguível do dinheiro vão dominar o mundo! Derrubando todos os valores, sacrificando no altar da ambição a honra, e trazendo à superfície da lama os mais abjectos seres da sociedade. 

Disse-lhe também, que Eça tinha um amigo que pertencia, como ele, a um clube, Os Vencidos da Vida! Esta foi a centelha que nos levou a falar dum outro escritor francês, a sombra do qual paira por cima de Dinard: Marcel Proust, que foi cliente desta vila simpática durante longos anos. 

Interessante coincidência! O autor de “A la Recherche du Temps Perdu” é de novo lido pela juventude, talvez porque Proust é um guia espiritual, um mestre da vida... Não fosse ele que escreveu: “Os nossos grandes receios, como as nossas grandes esperanças não estão acima das nossas forças, e podemos acabar por dominar uns e realizar as outras”

Que seja para a juventude portuguesa ou para não importa qual outra, e sobretudo para aqueles que acham que este mundo é insuportável, feio e vulgar, e eles são legião, a angustia nunca foi tão grande. Este mal estar não é causado unicamente pela situação económica e social. Acho, pessoalmente, que existe algo de mais profundo, ou seja uma perda de confiança no futuro que cada um pode ressentir e partilhar. 

Proust, na sua época, era um deles. Li-o frequentemente. Duas coisas importantes, nos diz Proust: A primeira: ninguém nos diz a verdade, é preciso procurá-la, sozinho. 

A segunda: Não confundir ter êxito na vida, o que é bom, mesmo magnifico, com conseguir viver, com sucesso, a vida. Proust que dizia ainda: Não é o caminho que é difícil, é a dificuldade que faz o caminho! 

Ao meu lado, um jovem mergulhava os olhos em Heidegger! Estudante de filo, de certeza! Minha esposa, entretanto, continuava a devorar Albert Camus. Um livro recente, um manuscrito encontrado por acaso pela irmã! Um grande livro: “ Le premier Homme”. Aconselho a leitura. Como Eça, Camus encetou mal a vida: Eça só conheceu o Pai, legalmente, que quando tinha 4 anos. Anacronismo da burguesia da época. E portanto, que grande escritor! Camus, Prémio Nobel de Literatura, filho duma argelina analfabeta e deficiente mental! Mais longe, alguém lia “Paris Match”! Que tempo perdido! Mas, “c’est la liberté”

Freitas Pereira

Guarda pretoriana a gasóleo III

Devo dizer-vos – ironia do destino – que dificilmente haveria melhor semana para despoletar este (demasiado) rosário de reflexões sobre os lucros da Galp e o preço dos combustíveis.

De facto, em destaque, afirmava, ontem, o Correio da Manhã: “Combustíveis: Gasolina e gasóleo estão a tocar máximos históricos - Aumentam o dobro do petróleo - CM fez as contas de um ano e concluiu que o aumento do preço da gasolina e do gasóleo é substancialmente maior que a subida do preço do petróleo.”. O que, aliás, nem deixa de entroncar nas explicações oficiais da empresa que diz deverem-se os lucros de quase 57% ao sucesso no estrangeiro e à melhoria das margens de refinação.

Como também sabeis, tenho andado em aceso diálogo com um zeloso amigo que trabalha naquele grupo e de que cito mais algumas afirmações: “a falta de altruísmo da Galp ainda vai ser a nossa salvação”. “Sei que ainda vamos beneficiar muito com certos investimentos que Galp está a fazer...”. E eis que se me levanta a primeira dúvida… Segundo esta carga de cavalaria verbal, parece que a ideia é deixar que lucrem o que for preciso a expensas dos portugueses, pois um dia chegaremos ao pote de ouro que está no fim do arco-íris… Ora bem, não só já se me falha a crendice de idades mais tenras para acreditar em finais felizes ditados pela fada dos mercados, como não percebo como poderemos esperar uma redistribuição do que a cornucópia jorrar, quando agora que estamos necessitados e as vacas petrolíferas não emagrecem, se não vislumbra a generosidade prometida.

Mais diz o meu interlocutor de ocasião que “não é pelo preço do combustível que o país está como está. E tu sabes bem ao que me refiro. A podridão de certos corruptos, a mentalidade da riqueza a qualquer custo, o rendimento mínimo sem fiscalização são bem mais nefastos.” E se tivermos uma fuga de água na cozinha, não devemos tapar o buraco no telhado?! Isto é: admitindo que há outros males a combater, poderemos dizer que a gasolina desenfreadamente a caminho dos dois euros não é um problema para os portugueses que não são todos malandros, nem andam todos a passear com “bombas” sobre rodas (como a prosa parece implicar)?!

Mas chega então o epílogo: “por agora a Galp como empresa PRIVADA que é não deve ajudar ninguém! Muito menos uma sociedade e um estado que não sabe gerir ... Os estados não tem capacidade financeira para manter as empresas lucrativas e depois querem ir buscar os lucros das mesmas?”. Este é realmente o ponto crucial: em primeiro lugar, eu não advoguei que a forma de solidarização da Galp fosse fiscal e, sem segundo lugar, não sou adepto de nacionalizações e não me esqueço de que falamos de propriedade privada. O que eu advoguei num rodapé publicado há quatro textos atrás foi que a Galp, de modo voluntário, pudesse encurtar a sua margem de lucro para ajudar um povo que passa por dificuldades evidentes. Seria uma decisão solidária que apenas diminuiria um pouco o que ganham os acionistas e que, estou seguro, colacaria a empresa no coração de gente que, na sua maioria, não é malandra, não viola a lei e nem sequer controla decisões políticas pontuais que possam fixar maus rumos.

Era só isso e nada mais… Percebemos agora que há mil e uma desculpas para o que nunca disse ser ilegítimo: lucrar o mais possível, independentemente do que sofra quem não tem alternativa senão comprar…

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Posso entrar, Senhor Guarda?

Peço a permissão de entrar porque a discussão parece não ter ainda terminado entre os dois amigos! Curiosamente, dois membros do mesmo partido, debatem à volta do problema crucial dos nossos tempos: justiça e economia. Duas sensibilidades afrontam-se ao mesmo tempo. Interessante! 

São legião aqueles que defendem a ideia dominante segundo a qual a crise seria devida à irresponsabilidade dos que pedem dinheiro emprestado para comprar tudo o que a sociedade de consumo lhes oferece, através duma publicidade violenta e perniciosa. 

Esquecendo à passagem que esta suposta “irresponsabilidade” serviu largamente os interesses do capitalismo mercantil e que mesmo a divida dos Estados é um grande negocio para os detentores de capitais. Historicamente e economicamente, o endividamento é a vontade dos que emprestam!

Mecânica infalível! Senão vejamos: O Orçamento do Estado em França é de 250 mil milhões de euros. Os ágios da divida são 50 mil milhões! Todos os anos! Bom negocio, não?

Este sistema serviu e serve para enriquecer uma minoria da população – acumulação de dinheiro no cume da estrutura social- (problema: como reutilizar este maná! Especular na divida dos Estados? ) e empobrecer uma grande maioria dos cidadãos. 

Esta sociedade, na qual o sistema educativo produziu e produz ainda mais diplomados anualmente que nas gerações precedentes, criou uma vasta classe média superior , com rendas em plena erosão, quando tem um emprego. Foram eles que compraram os i-Pod e outras maravilhas “oferecidas” pelo mercado. São estes jovens diplomados que foram sacrificados pelo sistema económico. E serão estes porventura que um dia poderão criar incidentes sociais e políticos graves.

Acho curioso que um membro da elite dominante ( não é funcionário da GALP quem quer!) acuse de irresponsabilidade aqueles que sucumbiram às sirenes do crédito, enquanto foram os anglo-saxãos que apostaram no crédito e no endividamento como sistema de expansão do mercado. E que todos os países seguiram.

A crise vem de longe e não é só a consequência das subprimes; ela começou quando o nível de vida tinha já baixado, e foi a queda do poder de compra e da procura que conduziu à crise. A intervenção das populações a baixos salários do ex-Terceiro Mundo, na China, na Índia e além, comprimiu as rendas dos trabalhadores, provocou a estagnação ou mesmo a baixa dos salários foram o acelerador da crise actual. 

Claro que falta saber como inverter o vapor!

Penso que falta gente capaz para efectuar a manobra. Os políticos são impotentes. A irresponsabilidade das elites, que aceitou a livre-troca, as deslocalizações e a abertura cega das fronteiras e um Estado que se meteu ao serviço dos interesses dos grandes grupos privados sejam eles nacionais ou estrangeiros (Bruxelas), leva a um sentimento de desespero nunca visto antes.

As políticas de austeridade que se generalizam na Europa são incompatíveis com a necessidade de relançamento da actividade. Isto só pode salvar a nossa sociedade. 

A sociedade é um contrato tácito mutuamente avantajoso onde cada um troca serviços com o seu vizinho de maneira que a soma dos bens trocados seja superior àquela que seria produzida por cada indivíduo isolado na ausência dum mercado. 

Hoje, o ”mutuamente avantajoso” cedeu o lugar ao egoísmo absoluto. Os i-Pod’s não são para todos! Mesmo a crédito! 

Por um lado, assegura-se às classes privilegiadas a conservação do estatuto e dos seus privilégios. Por outro lado, recusa-se a ordem social em troca da gestão política da mais valia acrescentada! Na Volkswagen há muito que isso existe! 

“Chez nous”, o compromisso não existe. A arbitragem entre interesses divergentes deveria ser o Estado. Mas não é. Simplesmente porque ele está ausente! A mais valia dos accionistas (shareholders) vai para os grupos de interesses (stakeholders) e daí, para a especulação e os paraísos fiscais! Regressará mais tarde através da especulação da divida dos Estados, para auferir taxas de 7% e mais!  

Ao ler o diálogo entre os dois amigos do PSD, penso que o modelo social-democrata foi muito mal pensado pelos intelectuais. Como se a alternativa anterior entre capitalismo e comunismo estava ainda tão fortemente ancorado nos nossos espíritos que nos parece impossível de pensar para lá desta oposição. 

O nosso Amigo e Companheiro do Lodo ultrapassou nitidamente essa fronteira. E ainda bem! 

Freitas Pereira

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Guarda pretoriana a gasóleo II

Continuo hoje a minha visão sobre um assunto que gerou debate na sociedade portuguesa: os lucros da Galp, que rondaram os 57%, em tempo de crise.


Os que tiveram a gentileza de ler o meu texto precedente terão visto que encetei um interessante debate com um amigo que trabalha naquele grupo económico e que, zelosa e inteligentemente, defendeu a sua “dama”.


Entre outras coisas disse o ilustre cavaleiro dos petróleos que a minha opinião se cifrava em “tirar aos que trabalham e sabem gerir o seu dinheiro para dar aos que nada fazem e tudo gastam”. De seguida, com ironia, pergunta se desejo que a Galp ajude “os ‘tugas’ que compram o Ipad, o Iphone e o Ipod” ou “as empresas que pagam mal aos seus funcionários para os donos comprarem carros de alta cilindrada”.


Começo por estas tiradas demagógicas, básicas e até um pouco patéticas, reservando o fillet mignon da argumentação do meu amigo e da Galp para o final. Assim e desde logo, se é possível reconhecer que todos – pessoas, empresas e Estado – vivemos acima das nossas possibilidades, o problema existe, tal como existe o irritante e cretino vício português de procurar dissecar por tempo infinito o passado e de ficar a apontar o dedo, em lugar de, feito o diagnóstico, avançar para a solução de problema. No caso vertente, o povo português está em claro sofrimento e esforço, de nada servindo, agora, lembrar-lhes as férias tropicais que não deviam ter gozado ou as trocas de carro e telemóveis que deveriam ter ignorado; todos o sabem e é o cidadão comum que sofre, já que me não consta que os políticos, que não fizeram a pedagogia adequada sobre a probidade a ter (há honrosas excepções, ocorrendo-me, nomeadamente, a Dra. Manuela Ferreira Leite), estejam desempregados ou em sérias dificuldades.


De passagem, digo ainda que me parece de um populismo de inspiração corporativista insinuar que maioria dos portugueses tem Ipad e Iphone… Entendo; havia que criar uma cortina de fumo na argumentação… Veja-se, porém, que muitos dos que têm essas inovações tecnológicas – que, em si, são excelentes progressos no domínio da comunicação e do lazer – também chegaram até elas mercê de infindáveis e hipnotizadoras promoções dos operadores de telecomunicações; ou seja, o caminho até à crise, digo eu, tem muito de responsabilidade partilhada pelos consumidores/trabalhadores, empresas e Estado.


Já os empresários que gastam nas “bombas” sobre rodas – o nosso iconográfico “pato bravo” – sei, até por conhecimento pessoal, que ainda existem sujeitos inconscientes que mantém as empresas com equipamento arcaico e pessoal mal remunerado para ostentar riqueza. Não creio (ou não quero crer), todavia, que a sua dimensão económica possa explicar a falta de vigor da nossa economia, a mais de me parecer que o género está condenado à extinção progressiva, exactamente pela sofisticação tecnológica a que os mercados ocidentais obrigam.


E, como a conversa (mesmo escrita) é assim, só na próxima semana a terminaremos.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Guarda pretoriana a gasóleo I

No meu último artigo inclui um post-scriptum sobre os lucros da Galp que rezava assim: “o que deveria ter indignado esquerda, centro e direita foi o filme pornográfico que vi na RTP sobre os lucros da Galp, que parecem ter crescido 56,7% (cifrando-se em 178 milhões de euros), no primeiro semestre de 2012. Isto só mostra que, se fosse solidária com o esforço dos portugueses, a empresa poderia encurtar as suas margens, assumindo parte dos dantescos aumentos dos combustíveis. É uma vergonha que parece não seduzir tanto a esquerda como o folclore político…”.

A esse respeito, um antigo colega de trabalho e, hoje, ilustre funcionário do grupo Galp (cuja identidade, evidentemente, salvaguardo) fez-me o favor de ler e comentar o apontamento supra citado.

Desde logo, esgrime o argumento ideológico, dizendo que não é meu armar-me em Robin Hood (palavras minhas), defendendo que se tire “aos ricos para dar aos pobres”. Comecemos, então, por aqui… Se alguma vez dei a impressão de que era um estouvado liberal ou um fanático do “laissez faire, laissez passer”, sinceras desculpas pela míngua de predicados próprios… Sou um reformista, com o que quero dizer que não sou um social-democrata “puro”, pois não só não conservo a sociedade sem classes sequer como utopia, como acredito que a economia de mercado é a que melhor promove a regulação de necessidades e desejos. Não deixo, contudo, de reservar para o Estado um papel regulador activo. Entendo, por isso, que será de perceber quem pode ser convocado a ajudar numa situação extraordinária e em que todos os “pobres” (para usar a demagógica expressão de que fui destinatário”) estão já em taxa de esforço máximo. É isso que compete ao Estado e que deve marcar a distância entre o povo que dizemos ser e a amálgama de cidadãos isolados e desprezados que, aí sim, deu quartel às mentiras e revoluções comunistas, no passado (no caso sei que foi apenas memória curta)! Faria bem o meu amigo “pregador” em comprar e ver com atenção o filme Metropolis de Fritz Lang (já que tanto aprecia o dinheiro, escuso de lho emprestar, já que, assim, poderá alimentar o mercado que tanto adula)…

Diz-me, depois, o meu interlocutor que usei “versos de rima fácil e popularucha” quando me referi à Galp. Percebo e aprecio o zelo pretoriano, mas defendo que o mesmo é bom para o rateio dos prémios anuais (que, graças ao bem amado mercado, serão cerca de um milésimo daqueles que vão receber os seus administradores…), mas não para um mundo em que a comunicação, a mais de livre (talvez tal desagrade às grandes corporações, mas paciência…), deve ser clara e acessível a todos e provida de emoção. Nada me enfada mais do que o discurso hermético e cinzento que caracteriza alguns políticos e empresários. Aliás, houvesse outros comunicadores “lá em casa” e talvez a Galp tivesse mais sucesso a explicar o quase inexplicável…

Continuaremos esta semana, sublinhando eu que apreciei genuinamente a oportunidade de debate com o amigo que venho citando e que nada, mas mesmo nada, me move contra a Galp. Faço apenas um comentário de actualidade e considero o grupo em causa um importante pilar da nossa economia.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Um «post» com muito respeitinho

A recessão aperta...

... em França como no resto da Europa e ameaça a própria Alemanha. Entretanto ....

             *ALLONS... ENFANTS DE LA PATRIE!!! BRAVO!!!*


*Isto é o que fez o François Hollande (não palavras mas... actos) em 56 dias de governo e no cargo de Presidente. Tal facto tem sido escondido pela imprensa portuguesa por orientação do ministro da propaganda, Relvas, e com a cumplicidade do próprio Passos, que não faz qualquer referência para que os portugueses não façam comparações entre o que é feito como prometido pelos socialistas franceses, e com o que este regime passista não faz, apesar da exaustiva promessa eleitoral em que iria abater as "gorduras", entre outras mentiras. Os dados que aqui constam são oficiais, e foram traduzidos do Le Monde:*****


 ****

- Suprimiu 100% dos carros oficiais e mandou que fossem leiloados; os rendimentos destinam-se ao Fundo da Previdência e destina-se a ser distribuído pelas regiões com maior número de centros urbanos com os subúrbios mais ruinosos.

- Tornou a enviar um documento (doze linhas) para todos os órgãos estatais que dependem do governo central em que comunicou a abolição do "carro da empresa" provocativa e desafiadora, quase a insultar os altos funcionários, com frases como "*se um executivo que ganha € 650.000/ano, não se pode dar ao luxo de comprar um bom carro com o seu rendimento do trabalho, significa que é muito ambicioso, é estúpido, ou desonesto. A nação não precisa de nenhuma dessas três figuras* ". Fora os Peugeot e os Citroen. 345 milhões de euros foram salvos imediatamente e transferidos para criar (a abrir em
15 agosto 2012) 175 institutos de pesquisa científica avançada de alta tecnologia, assumindo o emprego de 2560 desempregados jovens cientistas "para aumentar a competitividade e produtividade da nação."

- Aboliu o conceito de paraíso fiscal (definido "*socialmente imoral") e emitiu um decreto presidencial que cria uma taxa de emergência de aumento de *75% em impostos* para todas as famílias, líquidas, que *ganham mais de
5 milhões de euros/ano.* Com esse dinheiro (mantendo assim o pacto fiscal) sem afetar um euro do orçamento, contratou 59.870 diplomados desempregados, dos quais 6.900 a partir de 1 de julho de 2012, e depois outros 12.500 em
01 de setembro, como professores na educação pública.

- Privou a Igreja de *subsídios estatais* no valor de *2,3 milhões de euros*que financiavam exclusivas escolas privadas, e pôs em marcha (com esse
dinheiro) um plano para a construção de 4.500 creches e 3.700 escolas primárias, a partir dum plano de recuperação para o investimento em infra-estrutura nacional.

- Estabeleceu um "bónus-cultura" presidencial, um mecanismo que permite a qualquer pessoa pagar zero de impostos se se estabelece como uma cooperativa e abrir uma livraria independente contratando, pelo menos, dois licenciados desempregados a partir da lista de desempregados, a fim de economizar dinheiro dos gastos públicos e contribuir para uma contribuição mínima para o emprego e o relançamento de novas posições sociais.

- Aboliu todos os subsídios do governo para revistas, fundações e editoras, substituindo-os por comissões de "empreendedores estatais" que financiam acções de actividades culturais com base na apresentação de planos de negócios relativos a estratégias de marketing avançados.

- Lançou um processo muito complexo que dá aos bancos uma escolha (sem
impostos): Quem proporcione empréstimos bonificados às empresas francesas que produzem bens recebe benefícios fiscais, e quem oferece instrumentos financeiros paga uma taxa adicional: é pegar ou largar.

- Reduzido em 25% o salário de todos os funcionários do governo, 32% de todos os deputados e 40% de todos os altos funcionários públicos que ganham mais de € 800.000 por ano. Com essa quantidade (cerca de 4 mil milhões) criou um fundo que dá garantias de bem-estar para "mães solteiras" em difíceis condições financeiras que garantam um salário mensal por um período de cinco anos, até que a criança vá à escola primária, e três anos se a criança é mais velha. Tudo isso sem alterar o equilíbrio do orçamento.

Resultado: Olhem que SURPRESA!!!

O spread com títulos alemães caiu, por magia.

A inflação não aumentou.

A competitividade da produtividade nacional aumentou no mês de Junho, pela primeira vez nos últimos três anos.****

*Portanto, as promessas eleitorais estão a ser cumpridas na íntegra, passo a passo. E é assim que tem de ser, mas só possível com gente de carácter e que honra a sua palavra dada ao povo antes do dia das eleições. * Vamos a ver se continua. Seria bom para a politica e para a democracia.

*Nem vou comparar os 56 DIAS de François Hollande com o que se tem feito em Portugal....*
Isto nao agrada a toda a gente!

Freitas Pereira 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Reformas estruturais, é agora ou nunca

Quem já não ouviu vezes sem conta, comentadores e oposição criticarem o governo pela lentidão com que se estão a processar as reformas estruturais?

Daquilo que me apercebo, leio ou ouço, também me junto a esse coro de vozes que acha que as reformas estruturais tardam ou que mais uma vez não vão tão longe como deveriam ir. Estou convencido de que se ultrapassarmos este periodo da nossa história em que a proposito da Troika quase tudo se pode fazer, se não houver empenho e espirito de missão, estaremos condenados a mais tarde ter que passar por um processo idêntico. Porquê sofrer duas vezes, se temos a hipotese de sofrer só uma?

Por outro lado, estou convicto de que a maioria das grandes reformas estruturais, não implicam perda de direitos e regalias do cidadão comum, mas sim, da classe política, das ordens, das corporações e dos grupos de interesse que actuam normalmente na penumbra.

Os partidos ditos do arco da governação, PSD, PS e CDS, tem uma oportunidade única para mostrar que verdadeiramente existem para servir o POVO e não para servir as suas clientelas.

O politicamente correcto pelo qual quase todos os partidos tem pautado a sua acção, tem que ser algo do passado e a verdade tem que imperar. Defender o estado social e nada fazer para o preservar, querer combater a corrupção e chumbar a lei do enriquecimento ilícito, moralizar a vida publica e proteger autarcas e governantes desonestos, defender o interesse publico e assinar contratos de concessão ruinosos para as gerações vindouras (PPP's e rendas excessivas) e fico-me por aqui para não dar a impressão de que tudo é mau, mas vamos por partes:

O PSD e o seu establishment condenam todas estas atrocidades, mas não estão disponíveis para aprovar uma lei que proíba todo o suspeito, arguido ou condenado, de integrar listas a Assembleia da Republica, às Autarquias ou a quaisquer órgãos ou listas a organismos e empresas públicas

O CDS acredita que a melhor forma de defender o capital e os capitalistas é não inverter o ónus da prova na questão do enriquecimento ilícito

O PS por sua vez para além das duas anteriores, acha que a constituição é um documento imutável, uma obra divina ao alcance de poucos e sem a qual o Povo Português  estaria condenado. Aliás, a inspiracao vem de algum lado, Mário Soares  tambem se acha divino, único e omnisciente

O recente episódio protagonizado pelo Tribunal  Constitucional, é a prova de que as corporações são na maior parte das vezes o problema e não a solução. A última decisão e fundamentação apresentada, não é mais do que a defesa de regalias ou não fossem os Juízes também funcionários públicos e como tal, afectados por esta medida. Nao sou licenciado em direito e a licenciatura que tenho não teve por base qualquer equivalência,  mas das poucas cadeiras de direito que tive a oportunidade de frequentar e ter aproveitamento, ensinaram-me que não era curial ou até licito, ser juiz num processo em que possa obter ganhos de causa. Seguindo a mesma lógica, não entendo como é que o Tribunal Constitucional, ainda não se pronunciou sobre o facto de numa mesma repartição pública, a efectuarem a mesma função, possam coexistir dois tipos de situação tão dispares como: O funcionário mais antigo tem ADSE e condições de reforma pela CGA com todas as benesses que isso acarreta e o mais recente, está ao abrigo da Segurança Social, com todos os handicaps que isso representa. É caso para perguntar , anda distraído o Trubunal Constitucional? A resposta é obvia, os Juizes do tribunal constitucional estão na primeira categoria, a das benesses e se alguêm tem dúvidas, consulte o sitio da CGA e veja as simpáticas reformas com que estes Senhores se deleitam.

Voltemos então à questão das reformas estruturais e citarei apenas algumas e como elas afectam muito mais os políticos, corporações e grupos de interesse, do que o cidadão comum.

- reforma profunda na produção legislativa (leis mais simples, entendíveis, aplicáveis, que produzam consequencias e sem duplas interpretações)
Principais prejudicados com a reforma: Poder político e/ou económico

- Legislação do ambiente (fundamentalista e muito restritiva, um dos entraves ao investimento e desenvolvimento económico)
Principais prejudicados com a reforma: Autarcas, poder político e económico

- Equiparação da legislação laboral da função pública ao sector privado
Principais prejudicados com a reforma: Funcionários públicos e políticos de carreira

- Limitação e o fim das reformas acumuladas ao abrigo dos sistemas públicos
Principais prejudicados com a reforma: Políticos em geral

- O fim do pagamento de 14 meses  para reformas superiores a 2.000€ e a redistribuição de parte das poupanças pelas reformas mais baixas
Principais beneficiários: Quadros médios e superiores da função pública e políticos de carreira

- O fim do ADSE, ADME e outros sistemas públicos, por reforço de um sistema  único, a “Segurança Social”
Principais prejudicados com a reforma:  Funcionários públicos e políticos de carreira

- Promover a redução de Camaras Municipais  e não tanto de Juntas de Freguesia.
Principais prejudicados com a reforma:  Autarcas e poder político

- Extinção e/ou fusão de fundações, empresas publicas e institutos
Principais prejudicados com a reforma: poder político, grupos de interesse, etc...

- Mais isenção e mais poder para os reguladores. À justiça o que é da justiça e aos políticos o que é da política. Não podemos continuar a assistir aos tribunais a tomar decisões políticas e aos políticos a comentarem e a condicionarem decisões dos tribunais
Principais prejudicados com a reforma: políticos e grupos de interesse

Não sou naífe ao ponto de pensar que todas estas reformas poderiam ser executadas na sua plenitude, com o alcance desejado e produzindo os efeitos planeados, mas, sonhar e imaginar que um dia poderemos vir a ter um País mais justo, onde a igualdade de oportunidades possa ser uma realidade, é um direito inalienável.

A propósito da ultima edição do Expresso, creio ser de toda a justiça,  que todas as fundações sem cariz social, como os casos da família Soares, Standley Ho etc..., percam todos ou praticamente todos os apoios de que gozam, neste momento em que os  sacrifícios  pedidos aqueles que menos podem é uma realidade. Estes são os tais grupos de interesse a quem menos interessa um País mais justo

O tempo é bom conselheiro e o nosso Primeiro Ministro, podia aproveitar este período de férias bem merecidas, para relaxar e para esboçar um plano ou um conjunto de medidas que nos levem a acreditar que o País tem futuro, um futuro mais justo e com mais equidade.

Não me canso de repetir, que uma das principais características de um LÍDER é governar em prol de todos e não só de alguns. Tomar medidas fáceis, mesmo que impopulares atingindo os mais desprotegidos é uma prática banal, a que os nossos governantes nos habituaram nos últimos anos.

Acredito e continuo a acreditar, que Pedro Passos Coelho é esse LÍDER, em quem devemos confiar e depositar as nossas esperanças.

Esqueçamos por momentos as dificuldades e gozemos com especial prazer estas tão desejadas férias.

sábado, 4 de agosto de 2012

O Espírito Olímpico, please...

Já escrevi num «blog» amigo – “Depois Falamos”-, o que penso da abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, do hastear da bandeira olímpica, bandeira dos cinco anéis, símbolo da paz, por 16 militares britânicos, heróis dos massacres do Iraque, Afeganistão, Líbia e Balcãs, e do custo exagerado desta “festa” do desporto que pôs a Grécia na falência.

Os principais sponsors dos Jogos Olímpicos, as grandes marcas do desporto e muitas outras firmas internacionais são também os principais coveiros dos direitos do homem.

Estas sociedades que deslocalisam por causa de “competitividade” (compreenda-se competição entre duas misérias de nível diferente), e de rentabilidade são as causas maiores do não-respeito dos direitos do homem nos países onde elas instalam a produção.

Mão de obra baratíssima significa, entre outros, baixos salários, direito do trabalho e direito social inexistentes, direito da infância desprezado, etc., etc.

Nike e Adidas são, entre as marcas mais modernas, apontados pela exploração das crianças pelos seus fornecedores. Por outro lado, as duas sociedades preparam-se já a transferir a produção para outros paraísos de exploração abjecta mais acolhedores que a China, onde, segundo parece, o governo chinês pensaria criar um espécie de salário mínimo fixado pelo Estado, o qual, seria inaceitável para Nike e Adidas.

Pessoalmente, decidi boicotar estas duas marcas. E talvez tenha um “look” menos “in” quando faço o meu jogging, mas pelo menos tenho a consciência tranquila e será por uma boa causa. Porque são estas empresas, que através as “oficinas” dedicadas, como a OMC, O Banco Mundial e o FMI que instauram esta ordem do mundo que tanto detesto.

Ah os sponsors! Que, todos sob o mesmo espirito olímpico, verdadeiros arautos do liberalismo corrompido e corruptor, tiveram o direito de enviar os seus representantes para correr com o facho olímpica até ao estádio!

Dow Chemicals, fornecedor do agente laranja e do napalm que deixou o Vietname num estado lastimoso, com milhares de crianças deformadas, mesmo ainda hoje. Recordam-se de Bhopal, na Índia em 1984 – 2000 mortos, envenenados pelo dioxido! Thank you Dow!

British Petroleum, a maré negra do Golfo do México e a exploração do betume no Alasca!
E Arcelor Mittal, o monstro indiano do aço, que despede neste momento 70.000 trabalhadores! Foi o filho do proprietário que desfilou com o facho nos bairros burgueses de Kensington e Chelsea!

Numa outra ordem de ideias, pergunto a mim mesmo qual é o valor simbólico dos Jogos quando realizados graças a esta batalha do dinheiro sob todas as formas, (Nike investiu 200 milhões de $ e Adidas o mesmo no sponsoring dos atletas, do Comité Olímpico, etc.) e quando para assegurar a organização dos jogos se mobilizaram 40.000 soldados de Sua Majestade, especialistas de tiro nos sítios estratégicos, navios de guerra no Tamisa, lança-missiles sobre o telhado dos imóveis, aviões de combate, helicópteros de ataque...etc. Como diz o PM britânico David Cameron “nunca visto em tempo de paz”!

Estive há algumas semanas em Olímpia. E ao contemplar este sitio disse cá comigo, que os mesmos eram capazes de sponsorizar Zeus, para comprarem a sua alma!

Freitas Pereira

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A Lei que compromete

Recentemente, o gabinete de estatísticas da União Europeia  (UE) veio dizer que a dívida pública portuguesa é a terceira mais elevada da UE em termos percentuais, apenas  superada pela Grécia e a Itália. Ou seja, o país está endividado até à medula dos ossos (vulgo tutano).

Endividaram-se as gerações futuras com a justificação que estas também deveriam pagar por investimentos que viessem a usufruir, aplicando o chamado princípio da equidade intergeracional, que poderá ser utilizado como case study da má gestão da coisa pública.
Face ao descontrolo e à falta de “cautela” na gestão das finanças públicas tornou-se imperativo travar a fundo, algo que este Governo fez com a chamada Lei dos Compromissos e Pagamentos em Atraso (LCPA), trazendo assim um conjunto de desafios a toda a administração pública.

Enquadrando a Lei num ângulo mais local, o das autarquias, a revolução será enorme e vai obrigar a práticas diferentes em muitos concelhos, a começar no empolamento das receitas ou as falsas expetativas orçamentais.
Os orçamentos tenderão a caminhar para a chamada “base zero”, devendo assegurar excedentes orçamentais no pior cenário e ser capaz de aproveitar as oportunidades que os melhores cenários poderão proporcionar.

Vai obrigar a escolhas fundamentadas. Haverá o chamado custo de oportunidade, que é o que acontece a quem tem apenas 20€ e quer ir jantar fora e descer o rio mondego de canoa. Terá de escolher porque os 20€ não darão para fazer as duas coisas. Quanto ao QREN, terão que ter uma visão além das taxas de comparticipação e analisar de forma cuidadosa a real necessidade dos investimentos. A despesa vai ter de diminuir.
Há naturalmente quem concorde e o seu inverso. Aparte disso, convém perceber que esta Lei não compromete nada, desde as festas da cidade de Penacova como noticiado num jornal local, até a aquisição de X ou o subsídio a Y.

O que compromete, isso sim, é a falta de dinheiro. Aliás, foi precisamente a falta de dinheiro que esteve na origem desta Lei.

Que se lixe a hipocrisia

Ando pasmado com a hipócrita indignação da esquerda em torno da expressão do Primeiro-Ministro “que se lixem as eleições” (como sabeis, dita por contraposição à possibilidade de, com medidas impopulares, resgatar o País da situação actual)…

Antes de nos condoermos com o facto de os partidos da oposição perderem tempo com coisas secundaríssimas num tempo tão sombrio, vejamos, ab initio, que se trata de uma questão de estilo coloquial que o Pedro Passos Coelho sempre adoptou com visível sucesso comunicativo. Ninguém poderá esquecer que, na mesma altura e brincando com comentários preocupados, o nosso Premier disse que estava magro apenas porque fazia dieta. Sei bem o que são estas “falsas virgens pudicas” da nossa esquerda, pois o meu estilo de expressão sempre me deu algumas gostosas dores de cabeça, inclusive na defesa da minha tese de mestrado (“Telecomandos, ratos e votos”).

Ainda mais boquiaberto me quedo quando vejo acusações de populismo ou desrespeito pela democracia por parte do PCP e do Bloco de Esquerda! Estaremos a falar dos partidos que empurram sindicalistas para enxovalhar governantes em qualquer lugar onde estes se desloquem, pretendendo que os cidadãos comuns pensem tratar-se de genuínas erupções populares de indignação?! Tenham juízo e decoro!...

Deixem-me, aliás, dizer-vos que se a forma de expressão pagasse imposto de cada vez que a língua portuguesa é vilipendiada ou que a vontade de dormir ataca qualquer ouvinte que tenha acabado de beber um café ou um Red Bull, creio que a colecta fiscal de 80% dos nossos parlamentares (incluindo a esquerda) pagaria grande parte do défice.

Dito o isto, sublinho ainda que os nossos parlamentares vivem na era do Twitter, que subscreveram um lamentável Acordo Ortográfico que aponta no sentido de uma simplificação desbragada e que os costumes evoluem! Será que ainda se levantam quando a Presidente da Assembleia da República entra na sala? De onde vem tanto choque a não ser, aqui sim, de um populismo idiota?

Se a memória me não falha, foi Shimon Peres que disse que era preferível lutar por uma causa do que ganhar eleições. Eu continuo a concordar com essa ideia e fico tranquilo por saber (algo que não me surpreende) que Passos Coelho afina pelo mesmo diapasão.



Post-scriptum: o que deveria ter indignado esquerda, centro e direita foi o filme pornográfico que vi na RTP sobre os lucros da Galp, que parecem ter crescido 56,7% (cifrando-se em 178 milhões de euros), no primeiro semestre de 2012. Isto só mostra que, se fosse solidária com o esforço dos portugueses, a empresa poderia encurtar as suas margens, assumindo parte dos dantescos aumentos dos combustíveis. É uma vergonha que parece não seduzir tanto a esquerda como o folclore político…

terça-feira, 31 de julho de 2012

Como sempre, na fronteira da hilaridade com o mau gosto

Borat fez-me rir (mormente porque não nasci no Cazaquistão), Bruno quase me fazia vomitar e O Ditador parece-me uma sátira notável a alguns regimes do Médio Oriente, pese embora com duas ou três cenas escusadas, para não fugir à regra do protagonista.

Pesado no tema, mas muito bom na interpretação

quinta-feira, 26 de julho de 2012

O estado dos Estados


Tendo como princípio que todas as profissões são importantes, pois dependemos uns dos outros para a vivência em sociedade, queria todavia realçar o que disse a Daniela Mercury numa entrevista à RTP aquando da sua passagem por Portugal para promover o Rock in Rio 2012: “em democracia, a profissão mais importante é a de político”.

Salvo medianas exceções diria que os políticos não costumam ter, por norma, indicadores de confiança esmagadoramente abonatórios junto das suas populações; especialmente depois da chamada democratização e massificação da informação. A consequência óbvia é que no geral os ciclos de governação política passaram a ser cada vez mais curtos, e esta “eurocrise” veio confirmá-lo. 

Esta crise que envolve vários países europeus tem vindo a tornar perigoso (e muito) o estado de alguns Estados! Mudou de forma dramática os seus semblantes em pouco mais de um ano e tem vindo a demonstrar as fragilidades de alguns governos europeus, algo que aliás já seria de esperar, a partir do momento em que se decidiu juntar na mesma equipa jogadores com qualidade para a Liga dos Campeões e outros que muito dificilmente arranjariam lugar na Liga Orangina portuguesa!

Sabia-se que os mercados eram imperfeitos, mas mesmo assim “quisemos” uma União Monetária sem antes salvaguardar uma União Política. O resultado está vista de todos: ficámos com uma Europa que para além de não se entender, está dividida entre ricos e pobres, e normalmente quem é rico, manda.

Hoje temos Estados que gastaram mais do que tinham e acabaram por perder a sua soberania, tendo agora de se curvar perante medidas de ajustamento previstas em documentos/memorandos, aos quais têm de se sujeitar e explicar às suas populações, que legitimamente duvidam das receitas impostas, porque os Estados per si não controlam todas as variáveis e percebem que estes não são problemas resolúveis país a país, mas sim globais, sob pena de estarmos a percorrer as peças do dominó.

Temos Estados sujeitos à especulação dos chamados Mercados (que a esmagadora maioria ainda não percebeu bem o que são!) e da avaliação que umas empresas americanas que entre o seu core business se dedicam a avaliar a capacidade que os Estados têm em pagar as suas dívidas, mas que no entanto mais não são do que uma autêntica gatunagem do “rating” e uma cambada de incompetentes (vejam o documentário “Inside Job” e percebem o que vos digo). Pior ainda, andam à solta e não há quem os coloque em su sítio.

Perante todo este cenário, aqui descrito numa versão minimalista, agora pergunto-vos: qual será a profissão mais importante em Portugal nos dias de hoje? Será que a Daniela Mercury tem razão? Se sim, agora imaginemos o tamanho da empreitada que têm pela frente tendo em consideração a dimensão política e financeira de um país como Portugal?

Há épocas em que precisamos de Estadistas, e não de políticos.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

QUEM REPRESENTA QUEM ?

Porque é que nos regimes democráticos, os governos têm tanto medo de exercer o poder executivo para o qual foram eleitos?
Esta questão suscita-me algumas observações e dúvidas e por isso recorro a alguns exemplos:

Segundo os sindicatos dos transportes públicos, as greves que fazem e as reivindicações que apresentam, são sempre em defesa dos utentes e da qualidade dos transportes públicos.
Dúvida: Estes sindicatos representam os utentes ou os interesses dos trabalhadores dos transportes públicos?

Segundo o sindicato dos médicos, enfermeiros e auxiliares de saúde, as greves que fazem e as reivindicações que apresentam, são sempre em defesa dos utentes, do SNS e da qualidade dos serviços que prestam
Dúvida: Estes sindicatos representam os utentes ou os interesses dos profissionais ligados à saúde?

Por ironia do destino, o resultado da última greve dos profissionais de saúde, inédita porque juntou sindicatos e ordem na defesa de interesses corporativos, redondou em dois dias de excelente negócio para hospitais e clinicas privadas e é assim que que se quer defender o SNS retirando-lhe receitas.

Certeza: Estas observações e dúvidas, aplicam-se a todos os sindicatos e ordens sem excepção e para as quais a maioria do POVO Português não foi chamado a pronunciar-se.

A democracia tem destas coisas. Quando pensamos que votamos e elegemos um governo para conduzir os destinos do País, não estamos mais do que a eleger um conjunto de personalidades em que a principal função é negociar e encontrar equilibrios neste imenso turbilhão de interesses. No fim, quem paga sempre é o elo mais fraco, o POVO.

O preço incerto

Se a vida se resumisse a um concurso televisivo, o preço das coisas seria coisa de somenos importância. Como assim não é, vale a pena perguntarmo-nos, ainda que retoricamente, por que é que o dinheiro adquiriu um papel que o passou de meio de pagamento a centro da nossa existência. Volto a dizer que o “ter”, tristemente, manda no “ser”…

Vem isto, evidentemente, a propósito da crise que vivemos e sobre cuja dimensão gostaria de dizer que, apesar de a angústia ser a sensação dominante, estará bem longe de significar o fim do nosso modelo civilizacional ou sequer a rendição de um povo que sempre arranjou maneira de superar as piores dificuldades, tenham elas a forma de exércitos castelhanos ou napoleónicos ou mesmo a actual roupagem engravatada do FMI que, ao que sei, veio e foi com naturalidade nas anteriores passagens pelo nosso País.

Porém, algumas questões vão ficar como marcas desta “guerra”. Em primeiro lugar, creio que, dada a inversão da pirâmide etária (cada vez menos gente a trabalhar para suportar cada vez mais gente que atinge a idade da reforma), teremos todos que trabalhar até mais tarde, acompanhando aliás a maior longevidade que nos deu a extraordinária evolução da medicina. É, neste caso, a sustentabilidade da segurança social que se joga.

Onde a compreensão me começa a falhar em relação ao que tenho ouvido e lido é quando se diz que temos salários altos. Se me dizem que se limitaram a olhar os recibos de vencimento de alguns jogadores de futebol ou dos gestores de topo, mesmo aí direi que o problema reside na generalização, pois se alguns valem o dinheiro que ganham, muitos mereceriam pouco mais do que o salário mínimo. O problema é que me parece que os doutrinadores da “tesourada” no vencimento falam da população portuguesa activa em geral, o que me sugere uma pergunta com assumido e alto teor de ignorância: se a maioria das pessoas já tem que cortar em coisas essenciais e tem dificuldade para viver com conforto (só me vem à cabeça, por exemplo, o gasóleo a quase euro e meio!...), como propõem os génios da finança que as pessoas façam mais do que sobreviver, se um qualquer governo os levar a sério?!

E, depois, surge o meu eterno dilema em relação à Saúde: se todos concordamos que o nosso Sistema Nacional de Saúde é de elevada qualidade (depois de viver no estrangeiro, confirmo-o sem rodeios), por que razão não encontramos alternativas para o financiar? Bem sei que todos pagamos impostos para o suportar. Contudo, se tal se revela insuficiente, por que não pensar num pagamento adicional por utilização devidamente adequado ao nível de rendimento do utente? Creio que é preferível do que a rendição ao mercantilismo dos seguros de saúde…

Divertido

Muito divertido

domingo, 22 de julho de 2012

Será que conseguimos separar o trigo do joio?


Há uma história que ouvi há uns anos numa conferência que nunca mais esqueci e que tem a ver com este vídeo que gostaria que assistissem (demora cerca de dois minutos e meio).



Tudo parece normal. Quantas vezes nos deparamos com os chamados “artistas de rua”, alguns com muito talento mas que devido ao stress do dia-a-dia os ignoramos, seguindo nosso caminho.

Com este violinista aconteceu precisamente o mesmo no metro de Washington, e nem as 6 peças de Bach que tocou durante 45 minutos fez com que as cerca de 1100 (aprox.) pessoas que passaram pela estação fossem dissuadidas de irem onde quer que fossem.

Esta seria uma história igual a tantas outras, não fosse o violinista… Joshua Bell, um dos músicos mas conhecidos e talentosos do mundo que esgota salas por onde quer que passe e cujos bilhetes por espectáculo rondam os 100 USD.


A experiência, organizada pelo Washington Post pode ser lida aqui com mais detalhe.

As interpretações podem ser várias… Como referido em epígrafe, podemos perguntar se conseguimos separar o trigo do joio? Ou então, se temos a capacidade de distinguir o talento em locais inesperados? Porém, para mim, a conclusão é muito simples: “um bom produto não é suficiente”.

terça-feira, 17 de julho de 2012

LIDERAR PELO EXEMPLO

Longe vão os tempos em que embuídos de um espirito de missão, PSD e CDS acordaram numa coligação com o grande objectivo de tirar Portugal da bancarrota. Esta grande cruzada, implicava sérias e profundas reformas estruturais, que para uns representariam o fim de algumas regalias injustificadas e para outros, a oportunidade de actuar num mercado mais justo e mais transparente. Passado 1 ano, aquilo que esteve na base desta grande cruzada e que implicou grandes sacrifícios por parte do povo Português, mostra sinais preocupantes de desagregação, senão vejamos:

- O governo é uma equipa, que para ter sucesso, tem que comungar dos mesmos princípios,  valores e objectivos. Percebemos hoje, que no seio do governo a partilha destes valores é inexistente e a escassa presença de governantes no último conselho Nacional do PSD é bem uma prova disso. De um lado governantes ainda imbuídos do espírito de missão que comungam dos mesmos valores e do outro, governantes com maior peso político e consequentemente com vícios, hábitos e procedimentos numa lógica partidária que acreditávamos estar em decadência.

- O chumbo do Tribunal Constitucional é mais um motivo de desagregação. De um lado o Primeiro-Ministro e o Ministro das Finanças, querem cumprir as metas do défice através de medidas que ofereçam mais garantias, entenda-se distribuir o esforço pelo público e pelo privado e do outro Paulo Portas e o CDS, dando a entender que os privados não devem ser chamados a mais sacrifícios e que os esforço tem que ser feito só do lado da despesa publica. Alias esta opção teve muito recentemente um apoio de peso, o FMI.

- O fim das empresas públicas, fundações, institutos e afins, que não cumpram determinados critérios e rácios, no fundo que não tenham razão de existir. A oposição no seio dos 2 partidos é enorme, porque se acabam os lugares de nomeação política e consequentemente as oportunidades para os que não tem curriculum ou experiência profissional, aspirarem a uma vida melhor sem que para isso lhes seja exigido qualquer competência.

 - Finalmente, o caso Miguel Relvas, que o Primeiro-Ministro tarda em perceber que quanto mais tarde o substituir, maiores vão ser os estragos. Sem querer cometer alguma injustiça e corrijam-me se estiver errado, a fama vem de longe. Numa rápida pesquisa pela internet, é fácil descobrir notícias e fotocópias de jornais com mais de 20 anos, que atestam o quão habilidoso é este político. Desde moradas falsas enquanto deputado para compor um pouco mais o salário, ao envolvimento na famosa questão das viagens fantasmas e agora, passados 20 anos e com apenas 1 ano de governo, já se lhe conhecem outras façanhas pouco recomendáveis e das quais cito apenas algumas:
a indicação de inúmeros Jotas e PSD's sem qualquer curriculum para lugares chave deste governo, o infeliz episódio das secretas, em que as contradições foram o que de mais relevante ficou na memória dos Portugueses, a questão do Jornal Público e o relatório da ERC, que depois de muito esforço para demonstrar alguma independência não deixa de condenar a atitude do Ministro, imiscuiu-se na escolha do gestores para o Metro do Porto e STCP, desautorizando o Ministro Alvaro Santos Pereira que tutela esta área e finalmente o episódio das equivalências e da  licenciatura "Batman".

Miguel Relvas não é só um mau exemplo para a sociedade, como também não deixa confortáveis muitos dos seus colegas de governo, que não se identificam com estas práticas menos próprias e recomendáveis. Com esta atitude muito Portuguesa ao estilo de governos de má memória, não é parte da solução mas sim o problema, que Pedro Passos Coelho terá que resolver rapidamente.

Se o Primeiro-Ministro é o líder que penso que é, não deixará de colocar o interesse Nacional à frente de qualquer outro, porque numa altura em que são pedidos tantos sacrifícios, em que o horizonte é incerto e as dúvidas são muitas, tem que surgir alguém que lidere pelo exemplo, aglutinando o Povo Português em torno de um objectivo comum, debaixo de princípios como o rigor e a transparência, tão enunciados durante a campanha eleitoral.

 Inconscientemente, Miguel Relvas está a resistir tanto e a tal um ponto, que quando sair, sairá pela porta dos fundos, a tal ponto, que quando regressarmos de férias nos fique a sensação de que foi de férias e já não voltou.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Alemanha vs. Grécia [2nd round]



A Chanceller alemã começou por recusar-se a pôr os pés no Euro 2012 em solidariedade com a causa Timoshenko, tendo inclusive aconselhado os seus ministros a actuar no mesmo sentido. Porém, volvidos os primeiros jogos e agora que a Alemanha  leva com a Grécia também no campo futebolístico, parece que Angela Merkel decidiu ir ao jogo dos quartos-de-final que decorre já amanhã. É certo que o jogo não vai ter lugar na Ucrânia, mas sim em Gdansk, Polónia. Porém, não deixa de ser curiosa que a única presença da chanceler alemã vai ser - até ver -  no jogo que opõe aquelas duas nações que estão em posições bem diferentes no que respeita à crise europeia mas que podem inverter os papéis no que ao futebol diz respeito. A ver vamos quem é que sobrevive ao duelo.
*cartoon daqui

Somos menos

Partiu o Abel… Para os amigos, carinhosamente, o “Abelha”, companheiro de tantas lutas “laranjas”…

É normal que o nome diga algo a muito poucos leitores… Para já atesto que, a mais de um amigo, era um tipo bem humorado, criativo e dedicado e lembro que, em 92, fez parte de um grupo minúsculo que, com uma média de vinte anos ou menos, passou uma noite a passar a “fava” de quem teria que enfrentar a geração dos vinte e muitos/trinta anos na luta de duas concepções distintas para a JSD. A tarefa parecia impossível, mas daí sairia o meu primeiro mandato distrital…

Já a propósito de muitos não saberem quem foi o Abel Ferreira, dei comigo a pensar em nomes de uma geração para quem a política parecia ser vício eterno, mas que estão hoje fora da política; além de mim, lembro o Nuno Freitas, o “Manel” Gouveia, a Maria João Matos Cabo, a Catarina Monteiro, o Ramiro Pastorinho, o “Jopa”, os Cerejo, os Africano, os Casimiro, o Leonel e tantos outros que ficam por mencionar e que, salvo excepções que desconheço, foram saindo de uma vida partidária que parecia uma segunda pele.

Existe, é claro, uma explicação parcial que é benigna: com a participação enorme do pós 25 de Abril, havia acima da nossa várias gerações (algumas pouco mais velhas) que congestionavam as oportunidades daquilo que chamámos a segunda “Geração de 70”. Ao invés do futebol, neste caso, não podíamos ir fazer política para o Chipre, para a Grécia ou para a Roménia, até haver oportunidades no “onze titular”…

Bastar-nos com esta ideia seria, porém, pouco. A meu ver, como venho escrevendo, a parte de leão do alheamento de uma ou duas gerações de partisans que tiraram os seus cursos ou/e começaram as suas carreiras profissionais é que o paradigma é diferente daqueles tempos das noitadas na sede até às cinco da manhã, da colagem de cartazes ao frio e à chuva (esperando que alguém do partido passasse com umas sandes e bebidas; geralmente a D.ª Graça não falhava), dos saques ao armazém de campanha do Sr. Pinto (o partido chegou a reunir sobre uma mesa debaixo de cujo tampo estava uma porta misteriosamente desaparecida, altura que marcou o bem humorado nascimento dos HSD – Hooligans Social Democratas), das campanhas feitas com stencil, tudo num ambiente que gerava camaradagem e que fazia com que se respeitassem regras e com que, mesmo nos conflitos, a dignidade das pessoas fosse preservada.

Já o modus faciendi de alguma da política actual é bem diverso: a boa escolha mede-se em quantidade de votos arregimentados, a hierarquia é crua (boas ideias devem vir dos submissos e os bons lugares ocupam-se com força), a difamação é arma legítima e a profissionalização política é aliada a um “cientismo” despido de alma.

É assim, Abel… Cada vez somos menos…

terça-feira, 19 de junho de 2012

Joana Vasconcelos | Rainha em Versalhes

A tão aguardada exposição de Joana Vasconcelos no Palácio de Versalhes, em Paris, inaugurou ontem e está aberta ao público de hoje até 30 de Setembro. Note-se que a artista plástica portuguesa é a primeira mulher a expor naquele ilustre espaço que, de há uns tempos para cá, decidiu abraçar a arte contemporânea. As suas imponentes obras estão dispostas nos jardins e em espaços interiores como a bela sala de espelhos, convivendo harmoniosamente com o luxo daquele histórico palácio. 


É uma honra para a própria e para os portugueses, sendo que por estes dias a crítica francesa tem sido bastante positiva e a imprensa tem feito regular destaque à artista e à sua obra ímpar. Claro está que há sempre uma franja mais conservadora que contesta o uso do espaço para estes fins, e outra ainda que contesta o próprio trabalho de Joana Vasconcelos - cá em Portugal há quem ache que se resume a arte kistch. É tudo uma questão de gosto, ou de preconceito, digo eu, que muito gostava de poder rumar a Versalhes e ver com os meus próprios olhos a marca portuguesa que sobressai das obras da artista (da filigrana e da renda à louça de Bordallo Pinheiro, dos tachos Silampos às tapeçarias de Portalegre, etc). Quem não puder visitar in loco, pode sempre optar pela visita virtual, aqui


Uma nota final: a fabulosa obra A Noiva, um gigantesco lustre feito com tampões higiénicos que arrecadou inúmeros aplausos além fronteiras (sobretudo na Bienal de Veneza  em 2005) e conferiu a Joana uma enorme visibilidade internacional, não foi, estranhamente, aceite. Sabemos que em Versalhes não faltam lustres, mas este tem uma carga simbólica única e merecia um lugar de destaque. Porém, «A Noiva» acabou por ficar «solteira», como chegou mesmo a desabafar a artista





* todas as imagens daqui

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Europeu de Futebol com sotaque do outro lado do Atlântico

Ontem, depois do golaço que a Polónia marcou à Rússia tive (compreensíveis) dificuldades em pronunciar o nome do marcador, Błaszczykowski, e recorri a este site, uma página criada pelo BBVA para a divulgação e correcta pronunciação do nome dos jogadores, árbitros e corpo técnico das selecções que lutam pelo título. A ideia é interessante e dá muito jeito para selecções como a da Polónia, a da República Checa, etc etc. Por curiosidade, espreitei a de Portugal. E não é que foram buscar um brasileiro para pronunciar os nomes da selecção portuguesa?! Surreal! Nós não temos o Miguel Veloso, temos o «Miguéu Béloso», o «Nélson Uliveira» e o «Nâni», entre outros... enfim. A ideia é muito boa, mas estragaram tudo com isto. E não acredito que seja difícil encontrar um português em terras de nuestros hermanos. Aliás, não sei como não foram buscar um mexicano ou um colombiano para fazer a correcta pronunciação dos jogadores de La Roja!!! Imbecis. 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

É amor


E numa altura em que se diz que o futebol se resume a actos de violência, aqui fica uma prova em contrário. Um adepto entrou em campo no jogo entre a Croácia e a Irlanda e deixou claro o sentimento que nutre por Bilic, o seleccionador croata. Com ou sem beijo, a verdade é que a Croácia levou a melhor neste seu primeiro confronto no Euro 2012. Se calhar o que nos faltou no passado sábado foi alguém que espetasse um beijo no Paulo Bento...

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Na cama com…

Duas ocasiões voltaram a centrar a minha atenção no poder de fixação da agenda (agenda setting, para os técnicos) dos meios de comunicação de massas.

O primeiro e mais recente foi a partida da Selecção Nacional. Não é de hoje o poder do futebol e, por isso, não estranho (até aprecio) a cobertura detalhada do que se passa no mundo do “pontapé na bola”. Porém, o que vimos na quarta-feira foi de tirar o fôlego; era Hugo Almeida de saco às costas, Coentrão a dar autógrafos, não sei bem quem a comprar revistas e Ronaldo a tratar o Presidente da República por “você” e a selar a conversa com um eloquente “tá?”, entre muitos outros detalhes… Com franqueza, cheguei a recear que fossem com Postiga ao quarto-de-banho, que transmitissem a última noite de Bruno Alves ou que mostrassem Paulo Bento a lavar os dentes ou João Pereira a bater em alguém.

Quero com isto referir-me à cupidez com que câmaras e microfones seguiram os jogadores e às horas de directos em que, a dado passo, já nada havia a dizer senão quantos minutos de atraso tinha o voo e a carga que ia nos bancos do avião, obrigando os comentadores a justificarem o recibo, tecendo asserções sobre o vácuo noticioso que sugava as emissões.

Aliás, prova da busca incessante de notícias de que enfermam empresas que, mais do que informar, visam vender mercadoria (seja ela sobre a forma de “notícia” ou de algo que os anunciantes queiram colocar no mercado) – facto bem atestado pelo Eng. Belmiro de Azevedo, “dono” do Público, que, a propósito do “Caso Relvas”, comentou que o que queria “era que o jornal desse dinheiro” (cito de cor) – é uma notícia de segunda-feira, no mesmo jornal, que dizia que um dos juízes do processo contra Beivik (o autor do massacre de Utoya) tinha sido apanhado por um jornal a jogar uma “paciência” no computador. Não é que seja correcto faze-lo, mas fica por perceber a importância de o noticiar dado o risco de descredibilizar quem tem que sentenciar um monstro, favorecendo este. Contornos nebulosos de que, aliás e a meu ver, se revestiu o tempo de antena que, salvo erro, a televisão pública deu aos golpistas da Guiné Bissau para insultar Portugal e os seus estadistas… Que ética presidiu a semelhante falta de sentido de Estado?

O segundo episódio que me deixa pensativo é o já referido caso que, alegadamente, envolve Miguel Relvas e uma jornalista. Estando impedido de fazer juízos muito detalhados, concentro-me naquilo que me parece a interpretação enviesada que alguns jornalistas e meios de comunicação me parecem fazer dos limites a que a sua profissão e a sua missão, tal como as outras, estão sujeitas. Começa o espanto pelo facto de ser terem sucedido dias de notícias a massacrar o Ministro sem que, ao invés do que se pede aos políticos, se tenha posto a questão probatória. Parece que, grosso modo, bastou a acusação vir dos media para ser irrefutável.

Em segundo lugar, fica por perceber a pressão que o Ministro teria exercido. Vem a saber-se que os eventuais detalhes privados que Relvas, alegadamente (o próprio desmentiu-o categoricamente), teria ameaçado divulgar teriam a ver com o facto (também desmentido) de que a jornalista viveria com um membro da oposição. Mesmo que tal “ingenuidade” (pouco típica de um político muito experiente como aquele de que falamos) pudesse ter existido, continuo a não descortinar o elemento de pressão! O marido da oposição?! Imaginando que a própria não tivesse vergonhado consorte se tal assim fosse, seria achar que os seus leitores, em particular, e os portugueses, em geral, são demasiado idiotas para passar a entender que o Público se guia por agendas pessoais…

Já que não há auto-regulação eficaz, devia abrir-se o debate sobre a libertinagem de informação que ocupou o espaço da liberdade homónima.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Liberdade e Liberalismo

Nunca os termos «liberalismo e desemprego» estiveram tão intimamente ligados um ao outro que nestes últimos tempos. 

Mas na realidade é uma historia que data de há muitos anos. O liberalismo impôs-se durante a década de 80 e acabou por ser hegemónico, pelo menos na sociedade ocidental, na década de 90. 

Desde então, as consequências da implantação do liberalismo são visíveis em todos os sectores da sociedade, ao nível económico e social. Não existe nenhuma esfera que tenha escapado a esta revolução que acabou com o mundo que conhecíamos à saída da guerra. 

O liberalismo actual ou neo liberalismo não é humano, não é democrático, ele transformou tudo numa mercadoria, num vasto mercado, criando uma sociedade onde tudo é negociável; ele participou de uma maneira extraordinária à destruição dos valores colectivos e dos elos sociais. 

E quando se pensa que o termo “liberal” é uma herança dos séculos XVIII e XIX, que qualificava as ideias de luta por “mais liberdades” ( de expressão, económica, política e hábitos) , face à aristocracia e à moral católica rígida, podemos dizer que houve uma real usurpação da conotação positiva do liberalismo , que tendo lutado para melhorar a sociedade e estender as liberdades e a democracia política, está hoje na origem de todos os excessos.

A mesma filosofia económica que mergulhou o mundo no caos em 1929, voltou ao comando e aplica agora a mesma teoria dos anos 80 e 90, com Thatcher e Reagan: luta contra a inflação, contra os défices públicos, contra as subvenções do Estado, contra os direitos alfandegários, isto é, livre-câmbio e finança prioritários sobre a produção. 

A construção da União Europeia propôs e impôs medidas económicas e outras, que retiraram aos Estados todo e qualquer poder significativo decisivo:- livre circulação dos capitais e investimentos nocivos, paraísos fiscais, deslocações de empresas, abertura das fronteiras e perda de soberania nacional, monetária entre outros ( Euro ).

Nos anos 80 , todas as barreiras de protecção que impediam o capitalismo de descarrilar foram, uma a uma, desmanteladas. Assim, quando a Europa adoptou o Tratado de Maastricht que tornava obrigatória a economia de mercado, a livre concorrência e a não intervenção do Estado, a França e o resto dos países desenvolvidos mergulharam num mundo novo, um universo estranho onde tudo seria mercadoria...

A solução liberal impôs-se : preeminência do capital sobre o trabalho, o indivíduo sobre o colectivo, valores ou vantagens sociais adquiridas e código do trabalho contestados, etc. A economia de mercado é a única admitida. 

Estamos agora portanto muito longe da luta por “mais liberdades”. 

A ideia de liberdade implica a possibilidade de “escolha” de uma ou outra solução para viver na sociedade. Hoje o indivíduo não escolhe a sua vida. Ele sujeita-se! 

Se decisões urgentes não são tomadas para mudar de sistema económico, ou pelo menos de medidas de regulação severas, permitindo ao Estado de recuperar a sua função original, vamos ouvir dentro em breve dobrar os sinos nas cidades e aldeias desse vasto mundo.

E ninguém perguntará porquê , porque todos sabem que eles dobrarão pela LIBERDADE. Sim, porque sem trabalho não há liberdade. 

 Freitas Pereira