quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O perigo de ser jovem

Sendo um filme de acção com tudo o que de bom e de mau há nisso, serve bem para mostrar os perigos que espreitam uma juventude cada vez mais independente e para perceber muito do que vem da Albânia e que, pelos vistos, escapou ao PS e ao PSD, quando apoiaram a independência do Kosovo (futura parte do "País das Águias", querem apostar?)...

O dia em que o Mundo se enganou

Indo eu em sentido contrário, espantam-se-me os olhos com a fila contínua de autocarros que avisto na auto-estrada… É sábado e há manifestação de professores…

Era, evidentemente, o prenúncio de uma manifestação que, na prática, deve ter deixado em casa apenas os professores doentes, idosos, os que acham que não adianta protestar e as docentes grávidas, já que, a avaliar pelo barómetro familiar, foram a esta manifestação professores que jamais haviam estado num protesto de massas e outros que até são activistas e eleitores do PS.

Dizem os nossos docentes que o processo que conduz à sua própria avaliação e, logo, à eventual progressão na carreira é burocrático, não deixa tempo para preparar aulas e ensinar e obriga mesmo a escolhas, quando se trata de ter tempo útil de vida familiar ou particular, em geral.

Insinua a Ministra da Educação que o que esta classe profissional não quer é ser avaliada e que quer progressão automática na carreira, como havia até agora.

No meio de tudo isto a incoerência do Governo torna-se escandalosa, já que o Secretário de Estado Adjunto, Jorge Pedreira, diz que os professores que boicotarem o processo não serão alvo de processo disciplinar. O que quero dizer é que, na sequência da inflexibilidade da Ministra que admite limar arestas, mas não suspender o processo, entendo que até o mais contestatário dos lentes esperaria ver cair a guilhotina da 5 de Outubro; temos um Ministério de meias-tintas: não cede, mas também não tem coragem para impor o rumo.

E, se calhar, é melhor assim, mesmo que a equipa governativa dê um ar frouxo… É que, para disparate já basta o que está. Foram precisos anos para eu concordar com a Professora Ana Benavente, ex-Secretária de Estado, mas a realidade é que se combina o ridículo facilitismo da avaliação dos alunos (feita para enganar os números de Bruxelas) com uma burocracia, no caso da avaliação dos professores, que faria chorar de saudade os que ainda lamentam, em Moscovo, o fim da União Soviética.

Sejamos claros, todavia: eu (e creio que a maioria dos professores me acompanhará) acho que os docentes têm que ser avaliados, através de um sistema que premeie o mérito e faça progredir os que ensinem melhor e formem melhores cidadãos. Sei também que os sindicatos acham sempre que têm toda a razão (ainda para mais quando se intromete o impagável Mário Nogueira, agora em altas funções de protesto profissionalizado), mas duas certezas conservo: por um lado, os professores que ainda têm motivação e bases para isso devem, prestando contas pelo seu desempenho, poder ensinar, o que é, no fundo, o cerne da sua actividade.

A segundo ideia que tenho por verdadeira é a de que dificilmente três ou quatro governantes estão totalmente certos, quando têm cento e vinte mil eleitores a contestá-los… Como diria o Eng. Guterres: “é fazer as contas”…


Fotografia "emprestada" pelo IOL

Só mesmo com o voto Dele...

"Sarah Palin confia em Deus para lhe mostrar o caminho para a Casa Branca" (em 2012)
in "Público", 11.11.08

A sorte da Abelha Maia...

"Odeio que me digam que faço de Calimero"
Pedro Santana Lopes in "Pública" (revista), 09.11.08

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Quanto mais me bates...

Sem moralismos e para diversificarmos a oferta cultural do blogue, eis uma sugestão registada nas ruas lisboetas.

Se for, mande o seu comentário e não se esqueça de observar (vide o aviso) o dress code...

Não sei se é prenúncio sobre as autárquicas, mas alguém vai levar...

Moças, carros e acção e... mais do mesmo...

Actual, radical e real

Quando a Câmara vos manda para o ...

Leio que a Câmara Municipal das Caldas da Rainha, honrando o artesanato fálico da terra, vai organizar a "Falo Parade"...
Sendo verdade que quem manda "fá-lo" como quiser, a verdade é que "Parade" pode ser um mau presságio...

Nós já fomos!

Confesso que não sou muito fiel a marcas de bens consumíveis. Gosto de uma marca ou outra de roupa, mas porque ou resiste ao meu "jeito desajeitado" ou porque me serve (o que, com a minha altura, quer, regra geral, dizer mangas ou pernas...).

Há, como em quase tudo, excepções. Uma delas é a cadeia de "cafés" (chamemos-lhe assim) Starbucks, em que me delicio ao abrir a pestana ou à hora do lanche (ou mesmo no fim de um jogo do Galatasaray , como fiz em Istambul), quando em viagem.

Pois bem, o meu vício já existe em Alfragide... Aquele cheesecake com frutos silvestres... Aquele bolo de doce de leite... Os frappuccinos e os cappuccinos... As poltronas e a música ambiente...

É caro, mas eu gosto!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Só o Jacinto lançou foguetes!

Fossem as coisas como as da pintura e os turcos tinham sido sovados, na Luz.

Porém, depois de uma exibição sem talento (como reconheceu o mister Flores), o infernal Galatasaray (que já tivera ocasião de ver jogar no inferno em que se converte o seu estádio e, na ocasião, trucidar o seu adversário por 4-0, com quatro golos do mesmo Umit Karan que, ontem, marcou o segundo golo dos rapazes de Istambul) ganhou ao Benfica por 2 a 0, com mérito.

Salvou-se o tradicional bife pós-jogo, na companhia do Marinheiro Russo (aka Vitor Fernandes) e da Dulce Alves (também conhecida por Dulce Alves...) e, antes disso, os sempre pitorescos episódios do "ir-à-bola", de que destaco o de Jacinto e seus amigos que, na fila da frente e por algum crime de restauração sem culpado conhecido, íam odorizando um jogo que, efectivamente, começava a cheirar mal. E nem a constipada política de Alcobaça (a tal Dulce Alves) escapou a algo que, estou certo, está proíbido pela ONU, numa qualquer convenção contra a guerra química!... Com franqueza! Bem sei que os benfiquistas são bons chefes de família, mas passarei a rezar pela salubridade dos almoços das famílias de Jacinto e seus pares.

O outro episódio é mais sério; um jovem de gravata (segundo a nossa repórter feminina e antes de ter sido açoitada, "bem parecido) passou o jogo, sempre que um turco ou um benfiquista decidiam provar o sabor da relva lisboeta, gritando: "levanta-te, ca..lho"! Aqui, o assunto levanta, ele próprio, várias questões:
Naquela idade, já com esses problemas?!
Sucede-lhe o mesmo drama com senhoras?!
Pareceu-lhe que o Estádio da Luz era uma clínica de andrologia?!
Tem necessidade de que algo se erga, quando diante de homens de calções?!

De facto, há noites para esquecer... Esperemos que a Briosa se porte melhor, no Domingo!...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Heróis cor-de-laranja?... Não, obrigado..!

No final deste mês decorre em Penafiel o XX Congresso da JSD e, num ano em que é impossível ignorar que a crise bateu à porta, terá ocorrido a alguém da organização aproveitar esta reunião bienal de centenas de jovens para reunir esforços em torno de uma causa: a pobreza que prolifera pelo país fora.

A ideia é (ou era...) pedir aos congressistas e observadores que levem um pequeno contributo, o qual pode chegar - segundo as estimativas - às duas toneladas de alimentos. Pois bem, encetaram-se contactos com o Banco Alimentar contra a Fome, distinta Instituição que opera nesta área, a qual se deu ao luxo de recusar - sim, RECUSAR! - a ajuda, recorrendo a um argumento tão primitivo quanto descabido.

Isabel Jonet, Presidente do BA, rejeitou a ajuda vinda dos jovens social democratas invocando tratar-se de uma instituição apartidária. Alguém explica à senhora que ninguém põe isso em causa?! Alguém que lhe lembre que o que está em causa é ajudar quem mais precisa e que quem mais precisa não olha a cores partidárias quando a fome ataca? Melhor, alguém que lhe lembre todos os portugueses que o têm feito ao longo dos anos provavelmente também terão uma inclinação partidária, factor que em tempo algum se ouviu dizer que prejudicava as pessoas que recebem ajuda?!...
E por que não perguntar-lhe sobre a sua posição se a Casa do Benfica de Freixo de Espada-à-Cinta fizer o mesmo?! Será que vai negar à ajuda, receosa da sensibilidade dos adeptos portistas?... ... Por favor, alguém que lhe explique que os alimentos com que os militantes da JSD possam contribuir também matam a fome...

Em suma, num Portugal em que existem mais de dois milhões de pobres e face a uma realidade que se teima em ignorar - os "novos pobres" - o Banco Alimentar dá-se ao luxo de rejeitar ajudas, dada a militância partidária dos ajudantes. Não é dificil de perceber que a acção, a mais de consciencializar os jovens para um problema grave que grassa no nosso país, pretende aproveitar a logística de um evento onde se reúnem mais de um milhar de pessoas para fazer um contributo que seria impensável se 'obrigasse' os militantes a deslocarem-se ao armazém do BA em Lisboa para o fazer...

E mesmo que alguns aqui vejam populismo ou aproveitamento político, é bom lembrar que nestas coisas "valores mais altos se alevantam" e que a maledicência face às juventudes partidárias já enjoa. Se fazemos é porque fazemos, se não fazemos é porque não fazemos... Decidam-se!

Se gostar do género, é doentiamente recomendado!

Palpites IV - Yes, we did it!

Os leitores que quiseram participar na nossa sondagem (30) pronunciavam-se assim sobre o duelo Obama vs. McCain, do ponto de vista português:
  • Obama - 87% (26)
  • McCain- 13% (4)

Se virmos, todo o mundo andou nesta casa de preferências o que, a meu ver, traduz o desejo de uma América forte, mas multilateral e desenvolvida, mas ecológica.

Barak Obama tem agora que provar aquilo de que é feito sem confirmar alguns dos receios que se atribuiam ao que era, até ontem, a sua eventual eleição. Mais concretamente, creio que terá que provar que não é um mero produto mediático (estilo Collor de Melo), que não vai agravar excessivamente a carga fiscal e que não vai estabelecer como contraponto aos excessos anteriores (Iraque e afins) um encerramento dos EUA em si mesmo, quer na política quer na economia.

Para já, a lufada de ar fresco fez bem ao Mundo...

A 11 metros do alvo

Diz-se que, no momento de cobrar uma grande penalidade, o avançado vê a baliza mais pequena, apesar de distar dela os onze metros de sempre... Ora, temo que tenha sido esse sindroma que, aparente e (desejo eu) temporariamente, afectou a Dra. Manuela Ferreira Leite: a baliza socialista parece mais “piquena” e o Eng. Sócrates parece enorme, “entre os postes”…

Digo-o pegando em dois exemplos concretos: o primeiro tem a ver com o aumento do salário mínimo nacional para 450€, em 2009. Pode até dizer-se que o Primeiro-Ministro deveria fazer bem as contas, que os empregadores estão sem folga para grandes banquetes salariais ou até que as coisas podem piorar, ao nível internacional. Todavia, não cabe à líder da oposição levar a sua seriedade ao ponto de ser trouxa, salvo o devido respeito.

Dito de outro modo, não duvido da seriedade e da inteligência da Dra. Manuela e tenho-lhe um enorme respeito e um imenso reconhecimento, mas entendo que, tendo o aumento faseado do SMN sido acordado, ainda por cima, em sede de concertação social, estando os portugueses com “a corda ao pescoço”, tratando-se, como dizia um amigo meu do CDS, de gente de parcos recursos que decidiu continuar a trabalhar com baixos salários, em vez de nos esmifrar o rendimento mínimo (ou rendimento de inserção social), e sendo que noventa contos de réis são um mero remendo, visto tudo isto, dizia, creio que o que qualquer líder do PSD deveria dizer era que estava muito bem, por muito que recomendasse, como tem sido feito, cortes noutras áreas.
O segundo exemplo tem, aliás, a ver com os cortes pedidos nos investimentos públicos e, mais concretamente com as declarações da Dra. Manuel Ferreira Leite sobre a geração de emprego pelas grandes obras públicas.

Ao que li, a Presidente do PSD, questionada sobre a matéria, terá respondido que “(Ao) desemprego de Cabo Verde, desemprego da Ucrânia, isso ajudam. Ao desemprego de Portugal, duvido”.

Ora bem… Até pode ser que o desemprego de mão-de-obra portuguesa não tenha muito a ver com o sector da construção – se bem que acho que há sempre gente à procura de trabalho, mormente no estado em que a economia está – mas o que a challenger do Engenheiro Sócrates não pode é dizer algo que é profundamente descortês para com duas nações amigas (uma das quais lusófona) e que, mal interpretado, roça (não a “irresponsabilidade”, como disse a Premier laranja sobre o camarada Primeiro-Ministro) a xenofobia, designadamente em relação à Ucrânia que, herdeira da União Soviética, tem hoje na sua mão de obra qualificada e nos seus níveis de literacia (superiores aos nossos, com toda a certeza) a chave do seu ressurgimento progressivo.

Em suma, creio que há que pensar que alternativa ao silêncio inicial não é o tiro à queima-roupa. Cumpre afinar o tiro, no PSD…

Ontem fez-se história por 3 razões:

O primeiro afro-americano é eleito presidente do USA*...

O Sporting está nos oitavos de final da liga dos Campeões
Nos telejornais não houve qualquer notícia relacionada com o Sócrates e o Magalhães…


(*) – vou deixar o desenvolvimento desta notícia para a malta do LODO mais especializada na política internacional…

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Mais 2.500,00 € para o TGV

Ando há diaspara escrever sobre mais uma das muitas provas da indigência cultural dos nossos governantes.

Falo de um episódio que mostra bem os complexos ideológicos que 34 anos depois ainda afectam a nossa esquerda.

De facto, o Estado Português decidiu não exercer o seu direito de preferência sobre um lote de cartas manuscritas pelo Professor Marcello Caetano, ex-Presidente do Conselho de Ministros e último governante do Estado Novo, já no exílio à data.

O Estado estava representado pela Biblioteca Nacional e pelo Arquivo Nacional da Torre do Tombo, mas deveria ter havido um decisor político que, mesmo não se tratando dos escritos mais relevantes para a compreensão daquele regime e para a reconstituição do percurso biográfico do Professor, percebesse que não só devemos lidar com a nossa História de forma descomplexada e pedagógica, como em cada linha se pode perceber um traço da emoção de uma figura que para ela tenha entrado.
Só quem tenha vistas curtas acha melhor que tenhas sido um respeitável empreiteiro (mais respeitável do que o Ministro da Cultura) a arrematar o lote, por... 2500,00€. Deve dar para um parafuso do TGV!...

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Estudar em Coimbra (momento chauvinista) II

Já nem sei que diga...
Leio na edição de ontem do Público que a Escola Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra, foi, mais uma vez, a escola pública mais bem cotada no ranking anual do Ministério da Educação.

Ora, depois de vos ter mostrado com quantos paus se faz uma canoa, ao mencionar o ranking do jornal The Times para as universidades, vejo-me condenado a dizer-vos que foi ali que, orgulhosamente, fiz o ensino secundário e iniciei a minha vida política e associativa...

Imagens Reais

Sábado, em Baleizão da Catarina Eufémia:


Marta (6 anos): Jerónimo? Preferia mil vezes o Cavaco para avô do que o Jerónimo - erguendo os dedos em sinal de vitória e canta - Pê esse dê! Pê esse dê!

As coisas mudam, graças a Deus nas novas gerações. Há que estar atento.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

A constelação de Obama

Se o universo eleitoral norte-americano se restringisse a Hollywood e pouco mais, saber-se-ia de antemão o vencedor das Presidenciais de Novembro. É que com Barack Obama estão a maioria das reluzantes estrelas da América.
Eis uma pequena amostra: Sharon Stone, Spike Lee, Oprah Winfrey (of course), Robert De Niro, Edward Norton, Will Smith, Tom Hanks, Halle Berry, Steven Spielberg, Caroline Kennedy, George Clooney,Matt Damon, Jessica Biel e Ben Affleck (que veio dizer ao Mundo que Hollywood adora o candidato Obama) entre tantos outras celebridades têm demonstrado em diversos momentos e das mais inauditas formas o apoio ao Senador Obama.
Scarlett Johannsen, a mulher com ar de menina por quem meio mundo suspira, chegou mesmo a revelar que com frequência troca emails com o candidato. Paris Hilton, em vingança por Mccain ter usado o seu nome para injuriar Obama, decidiu também juntar-se ao senador do Illinois e fazer um vídeo a parodiar Mccain.

Já a cantora Pink, intercede por Obama ao seu estilo: "Se eu escrevesse uma carta a Sarah Palin, estaria cheia de porquês e comos. Quem és tu? Sabes? Porque detestas animais? Por favor indica o Iraque num mapa. Esta mulher odeia mulheres. Não é uma feminista. Não é a mulher que vai chegar depois de Hillary Clinton e fazer tudo o que Hillary Clinton seria capaz de fazer... Esta mulher assusta-me".

Já nos últimos VideoMusic Awards o actor britânico Russell Brand deu nas vistas quando pediu o voto para Barack Obama («Por favor América, para o bem do mundo»), chamou «cowboy atrasado» ao presidente George W. Bush, e atacou a aspirante republicana à vice-presidência, Sarah Palin e a sua filha adolescente que se encontra grávida («Usem preservativo ou tornam-se republicanos»).

Parece-me curioso este acérrimo empenho das celebridades no palco político. Primeiro, porque há sempre aquela ideia de que o Estrelato tem mais com que se preocupar, depois porque na sua generalidade consideram que lhes fica bem uma atitude apolítica. Claro que isto na política norte-americana não nos estranha tanto, estando até habituados a ver estrelas em cargos políticos (veja-se o caso de Arnold Schawznegger, por ex.). Mas não creio que nas presidenciais norte-americanas alguma vez se tenha visto tanta celebridade a interceder por um candidato...

Conclusão: Obama marca pontos quase sem se mexer. As celebridades intercedem por ele, organizam eventos, vestem roupa "pró-Obama" (veja-se o actor Ryan Phillipe na foto), fazem donativos, dão entrevistas a declarar-lhe publicamente o apoio, ajudam a angariar fundos para a sua campanha, atacam ferozmente os adversários e, de forma mais ou menos implícita, influenciam o voto dos fãs.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Dulcelock Buster

Adoro ir ao cinema, mas não recuso um bom DVD. Segui um conselho de alguém cuja opinião PREZAVA... Veja, agora, a opinião da conselheira e a minha própria!

Palpites III

Pois bem... Parece que a maioria dos vinte e um leitores que votaram na nossa sondagem concordam com a minha opinião, que é contrária ao reconhecimento por Portugal da independência do Kosovo:


A favor - 39%

Contra - 61%




Pena é que PS e PSD prefiram disparatar...

De lacrimejar por mais

Barcelona, dia 18 de Outubro, 21h30, Discoteca Bikini... O momento é dos góticos alemães, Lacrimosa, que vira no Porto (Teatro Sá da Bandeira) e em Gaia (Hard Club).


Na altura, com as minhas parcas noções do idioma germânico, encantou-me o lado sombrio e a qualidade das letras, um som que mistura toques de hard-rock com gótico e mesmo uma ineludível formação clássica dos líderes da banda (o alemão Tilo Wolff e a finlandesa Anne Nurmi) e o mimetismo do vocalista principal (Wolff) que, embora em registo assaz diferente, me lembra o mimetismo de Bowie, Mercury e Reininho...

Quanto a este concerto, deu-me mais 105 minutos para reapreciar Der Morgen Danach (do inesquecível CD Fassade), Lichtgestalt (tema do último CD de originais), Ich bin der brennende Komet (ritmo para dar e vender...) e Ich Verlasse Heut Dein Herz (o romantismo gótico no seu melhor), entre muitas notas musicais que me motivaram para 1200 quilómetros de asfalto.


A prova da minha "fé"?! Está na conquista de novos devotos!...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Com alguma graça

Falidos e mal pagos

Seja o termo “subprime”, “recessão” ou “crash bolsista”, o facto é que os governantes continuam a governar – por vezes, até fortalecidos por estarem a salvar-nos, algo que julgava ser a sua obrigação, mesmo antes de a crise eclodir – os gestores (mesmo os que desgraçam empresas) recebem chorudos prémios, no final do ano, e os cidadãos, nas mais diversas partidas do Globo, ficam com alguns problemas para resolver: pôr comida na mesa, enquanto se pagam a casa, os estudos e as contas normais, arranjar um segundo ou um terceiro emprego, não faltar com nada àqueles que deles dependem, enfim, tentar viver, quando cada vez mais apenas parece ser possível sobreviver…


Uma olhadela pelos números do crédito malparado – isto é, pelos índices de incapacidade das pessoas para pagarem os empréstimos que contraem – mostra que muitas pessoas, mantendo o incompreensível vício de se alimentarem, já não conseguem pagar as prestações, no caso mais frequente, das casas. Ora, com um mercado de arrendamento ineficiente, parece-me dramático que o dinheiro não chegue para, ao fim do mês, se paga mais uma quantia por uma casa que, em bom rigor, só será nossa daqui a umas décadas…

E, escrevi-o no passado, se é certo que as pessoas comprar coisas de que não precisam (vários LCD ou plasmas, “n” telemóveis e tantas outras coisas acessórias, mas que a publicidade torna essenciais à nossa felicidade) e que, regra geral, se bastariam com uma casa mais acessível, é bem mais relevante fazer notar que, designadamente em Portugal, os grandes partidos raramente cumprem a sua função pedagógica de alertar para que as pessoas não gastem mais do que o necessário e para que seleccionem a prioridade das despesas, que as autarquias não têm uma política de solos e de licenciamentos que modere a voragem dos construtores e que os bancos quase impingem créditos (além de seguros de todo o tipo, cartões de crédito, serviços de loiça, viagens, etc…) sem curar de aconselhar os clientes em face das suas reais possibilidades, quais abutres de fato e gravata.

Ou seja, temos o Planeta de pantanas pelas alterações climáticas e delapidação de recursos naturais, mas também pelo crescente engrossar da legião dos excluídos e remediados. Os que têm muito são poucos e têm cada vez mais, enquanto aumentam os que menos têm e cada vez mais olham para o lado direito das ementas, nem que seja para ver o preço de uma mísera sopa.

Em suma, sempre defini o mercado como o melhor regulador das trocas e a democracia como o melhor sistema político (ou o menos mau de todos os que se conhecem, como diria Churchill), mas se deixarmos o mercado ir longe demais, a economia controlar a política e se deixarmos as pessoas à beira do desespero, um dia, por muito manietadas que estejam as pessoas darão razão a um populista que troque direitos por estabilidade ou voltarão a ler Marx, Engels e Lenine. Acho, aliás, que só com sintomas destes se explicam as votações expressivas num dos mais reaccionários partidos comunistas da Europa, o PCP…

Agora percebo porque é que andamos a subir nos rankings de Educação...


Leio incrédula esta notícia. Choca-me o crime e a inocência da criança, mas igualmente me choca que neste país haja uma professora de Educação Cívica que vê no filme "O Crime do Padre Amaro" um instrumento pedagógico. O filme foca problemas socio-culturais que persistem desde os tempos de Eça ao presente, é um facto. Mas abordar os problemas sociais deste país numa aula de aprendizagem cívica só é possível recorrendo a filmes onde o que mais se vê são os seios e as nádegas de Soraia Chaves?... Quem viu o filme sabe do que falo - poucas ideias, pouco conteúdo 'queirosiano' e muito sexo explícito. Bem sei que hoje tudo isto está ao alcance das crianças e que para elas não é novidade. Novidade, novidade, é um pedagogo ver nos dotes e na performance de Soraia Chaves um contributo para a Educação e Cidadania dos pequenos...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Moore


"Os extremos a que chega Savage Grace, drama dirigido por Tom Kalin, não são fáceis de se prever quando o filme começa. Aliás, só ao final da sessão Kalin informa que a história de Barbara e Tony aconteceu na vida real, história essa já registrada num livro homónimo, escrito por Natalie Robins e Steven M.L. Aronson e publicado pela primeira vez em 1985, no qual o filme se baseia."

Diferente, vale pela audácia de mostrar recantos da mente num filme tipo comercial, mas sobretudo pela presença de Julianne Moore.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Capitães há muitos..!

Em passeio pela blogosfera, mormente, pelo blog "Mudar Portugal" do nosso assíduo leitor Luís Melo, deparei-me com um post intitulado "O livro do Capitão". Ainda pensei que o nosso Mui Ilustre Administrador tinha escrito uma nova publicação ali publicitada e aqui o staff do Lodo desconhecia o facto...!
Mas não. Versava aquele texto sobre um outro Capitão, mais conhecido por "Major", curiosamente, personalidade que cai em boa graça junto do nosso Capitão.
Pois é, eis uma revelação sobre o Gonçalo que é díficil de assimilar e que me vai custar caro!...
O melhor mesmo é, depois da provocação, passar à redenção: pois bem, a literatura do nosso Capitão é de calibre, incomparável à literatura de cordel do Major. Para os interessados ou meros curiosos, fica aqui a publicidade.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Estamos 'queimados'...

Está oficialmente aberta a campanha para os combates eleitorais de 2009!
Pelo menos é o que se lê nas entrelinhas do Orçamento de Estado, dos mais generosos de sempre, a pensar na função pública, nos senhorios, nos deficientes, nas famílias, enfim... em todos e em cada um dos portugueses.
Caso para dizer: Porreiro, pá! Depois de três anos a apertar o cinto, que bem nos sabe. Mas será sensata toda esta generosidade?
Até parece que três anos bastaram para vestir os portugueses (estávamos de tanga, relembro...). Até parece que a crise afecta o Mundo mas Portugal está imune a essas maleitas económicas. E até que ponto não estarão estas tentações eleitoralistas a deitar por terra o esforço e o sacrifício que exigiram às famílias portuguesas?...
Mas é compreensível: a oportuna gentileza do Governo cai sempre bem numa casa portuguesa, talvez melhor que pão e vinho sobre a mesa... A fartura parece ser tanta que desconfio até que as campanhas eleitorais de 2009 vão ser marcadas por um grande passo na civilização lusa: vamos passar do porco no espeto para comícios em restaurante gourmet!
É tudo muito bonito, mas mais cedo ou mais tarde... ardemos!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Estudar em Coimbra (momento chauvinista)

Digam o que disserem, estudar em Coimbra ainda é o que era. Segundo o ranking publicado pelo jornal The Times, a Universidade de Coimbra (onde me licenciei) é a melhor escola superior portuguesa, bem à frente da segunda, a Universidade Católica Portuguesa (onde me tornei mestre)...

Fica uma braço de solidariedade aos demais e um encorajamento para que não desistam... :)

Em tempo de CRISE INTERNACIONAL...


Em tempo de CRISE INTERNACIONAL o que é que este tipo anda a dizer???

Mundial 2018???
Organização Ibérica???

Isto não será mais uma coisa tipo SCUT's sr. secretário de estado???

Eu sou um adepto fervoroso de futebol, mas em tempo de "vacas muito magras" existem assuntos que devem ser secundarizados.

Com um orçamento de estado virado para as PME's e para as famílias de baixo rendimento (mesmo agora que estamos perto das eleições), já só faltava o tipo dos bombos e da fanfarra para animar a malta com festa...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Porreiro, pá!

A propósito

Os meus pais receberam a carta do Magalhães em casa e ficaram entusiasmados.

Mãe: Pipa, eu já sei do que fala esta carta!
Pipa (7 anos): É o Magalhães?!?!?!?!?!

Na mesma semana, as intenções de voto no PS subiram uns pontos.

domingo, 12 de outubro de 2008

Já que se gosta de falar sobre Hipotecas

Entre as questões que marcam a agenda política que mais devem importar à juventude portuguesa destaca-se o desemprego.
Diariamente assistimos ao aumento do número de desempregados, em especial de jovens, muitos deles com qualificações acima da média, sendo este um problema transversal a toda a sociedade e quase caracterizado como uma nova questão de cariz estruturante de Portugal. Por isso tem vindo a ser defendido pela JSD um compromisso social. Um compromisso que envolva o Governo, as Câmaras Municipais e todas as entidades ligadas ao sector público, mas que também deverá incluir o tecido empresarial. Trata-se de uma questão de justiça social, mas também de rentabilização de recursos. É necessário que existam empresas envolvidas no esforço de inovação, fomentação de criação de postos de trabalho, num esforço que passa pela capacidade de cada município oferecer formação articulada com as especificidades e potencialidades económicas da região em que se insere, pela formação de qualidade em contraponto à actual política perversa de enviesamento das estatísticas e num compromisso entre escolas e o sector económico.
Quando a política local se pratica em mera gestão, tendo em consideração apenas o status quo geral e os governantes se deixam mediatizar, praticando a política imediata de contorno por decreto, é a juventude que se deixa esquecer e vê as suas prioridades remetidas não para segundo plano, mas tão somente para a última das preocupações do estado geral acenando-nos com vãs promessas de “sucesso” pensará Sócrates em novas inaugurações de fantásticos call-centers que em nada beneficiam a já chamada geração recibo verde? Há que questionar, puxar aos jovens a responsabilidade de defender o dia de amanhã e aquela que deverá ser uma das suas principais questões. 150000 postos de trabalho não criados, ênfase na contratação sazonal - 2.33€ à hora para telemarketing (e já mais de 50000 nesta carreira promissora!!)? Ai tadinho, é da crise internacional. Isto parece um filme.
Hipotecam o nosso futuro na formação desadequada, esquecendo que se hipoteca assim também o futuro de Portugal.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

E por que não a do Estrela da Amadora?!

Que a SIC Notícias queira dar conta das eleições na Ucrânia eu entendo... Agora o que já percebo com mais dificuldade é que o faça e os seus profissionais (?!) usem para o efeito a bandeira da Geórgia... É o que temos...

Momentos Paulistas V

Enquanto Kosovo, mata-se a fome

Tenho escrito sobre o Kosovo, por diversas vezes...

Mas, agora que PSD e PS se entretêm a dar as mãos a propósito do reconhecimento da independência do Kosovo, resta-me encolher os ombros, concluir que não percebo nada de política internacional e manter a minha suspeita de que se trata da maior estupidez desde que Cleópatra foi mordida pela áspide…

Talvez possa iluminar-me, aliás, com a sua opinião na SONDAGEM LODO, à direita destas desafortunadas linhas...

Porém, retomando o assunto e já que a sintonia é tão bonita, talvez os lideres dos dois maiores partidos possam combinar um passeio e fazer o que eu, nem há duas semanas, fiz: ir lá e ver bem o que é a realidade de Pristina, Prizren e de muitas aldeias pelo caminho.

O que vos digo é que se já era contra o abrir desta caixa de Pandora, somo agora razões empíricas ao meu cepticismo. Desde enclaves sérvios, onde as pessoas têm medo de que os albaneses venham armados para os saquear, mais uma vez e na melhor das hipóteses (algo que determinou a desertificação de muitas povoações de montanha, onde a “gentileza” daqueles era absolutamente impune), passando pela decrepitude do tecido industrial ante a incompetência dos novos “donos” do território (uma mina que vi em pleno labor era gerida por suíços…) e chegando mesmo à constatação de que falamos de uma maioria populacional que evolui em progressão geométrica, falando-se de uma malha etária com metade dos cidadãos em idade jovem, algo em nada acompanhado pelo crescimento do emprego.

Se a isto juntarmos os dados de que os serviços de informação ocidentais dispõem e que demonstram que todos os líderes do Kosovo estão ligados a actividades criminosas (tráfico de tudo e mais umas botas, com seres humanos incluídos), então vemos o que é um Estado falhado a emergir.

Depois é só rever a matéria dada: já se sabe que, em breve, as fronteiras com a Albânia serão decorativas (retira-se o berço da nação sérvia e dá-se aos albaneses), humilha-se a Sérvia (como não se fez, e bem, à Alemanha do pós-guerra) e abre-se um seríssimo e grave precedente; o mesmo que os russos alegaram na Ossétia do Sul e na Abecásia (e que, só por ser a Rússia a invocar, mereceu reacção oposta), o que os habitantes da Transnístria (zona oriental da Moldávia) podem vir a alegar, para já não falar no País Basco, Catalunha, Córsega e outros delírios actuais que podem ser cruzes a carregar no futuro.

De permeio e na agenda, temos já o Tibete e Taiwan (casos em que não se vislumbra a mesma "garganta" por parte da diplomacia ocidental), bem como risco análogo ao do Kosovo, na Macedónia (onde também estive), onde há já bastas zonas de maioria albanesa e os constituintes cometeram, ademais, o grosseiro erro de autorizar partidos nacionalistas albaneses e o uso dos símbolos nacionais daquele país (administração local incluída), pelo que o risco já vai na propaganda.

É nisto que o eng. Sócrates a dra. Manuela nos estão a meter, amigos…

Nota: a fotografia é da capital, Pristina.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Palpites II

Decididamente, os partidos portugueses são pouco mais que lixo, na opinião dos 27 amigos que quiseram participar na segunda sondagem do Lodo.

De facto, é curioso ver as respostas às hipóteses que facultámos para definir a missão actual dos partidos portugueses:

Mudar Portugal - 3% (1 voto)

Carreira - 18% (5 votos)

Fortuna - 7% (2 votos)

Fama - 3% (1 voto)

Nada - 25% (7 votos)

Todas - 40% (11 votos)

Vendo bem, apenas um votante achou que os nossos partidos fazem o que devia ser a sua essência: transformar o País à luz de um ideal social.

Bem sei que se não trata de uma sondagem rigorosa. Contudo, também sei que não andará muito longe do que pensam os portugueses sobre o actual sistema partidário.

Existindo, de facto, os que se acham extremamente atraentes, pelos simples facto de terem sido eleitos (mesmo que ninguém os conheça e que continuem a ser as mesmas abantesmas de sempre), os que conseguem (ou não) dissimular estranhos enriquecimentos (por cá ou por lá...) e os que levam uma vida de xadrez partidário para serem reeleitos, sem fazerem algo de útil, entendo que a mais equilibrada visão do nosso espectro partidário é a que vê um pouco de tudo isto nos nossos partidos.

Se, em tempos, defendi as eleições directas para escolha dos líderes partidários, pelo princípio subjacente, é altura de um sentido mea culpa... Efectivamente, o resultado prático (falo pelo que observo no PSD) foi o de, retirado o cariz decisivo aos congressos, liquidar os tribunos e os que têm uma vida profissional fora da política. Com excepção dos que se "consagraram" a tempo, mandam hoje os caciques e os chefes de facção, a quem devem prestar vassalagem os que desejam ser escolhidos. Nem mesmo o mais carismático ou prezado dos presidentes pode deixar de celebrar acordos com estes "senhores tribais", quando há eleições internas.

O dano advém da rara coincidência entre quem comanda batalhões de filiados e quem entende fulcral para o desenvolvimento de uma pátria o pensamento sistemático e a formulação de um ideal. É possível ganhar sem um verdadeiro programa e governar ao sabor da impreparação doutrinal, algo que mais se agrava quando se observa que mesmo os mais preparados têm medo de fazer promessas de percurso, dada a incerteza hodierna do mundo globalizado.

Sendo que quando se avança na estrada da democracia directa raramente há passo atrás, julgo urgente que os partidos optem pela auto-crítica e voltem (?!) a premiar o mérito. Caso contrário, creio que esta tendência vexatória alastrará até à ruptura.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Diz que é uma espécie de Oposição


Inauguraram um novo estilo de intervenção social e tornaram os portugueses viciados no seu humor. Depois, fizeram um interregno e todos sentimos a sua falta. Agora estão de volta e não se fala de outra coisa.

Falo dos Gato Fedorento, um grupo de amigos que a fazer (bom) humor se tornou num fenómeno televisivo (e não só), pese embora haja muito quem esteja cheio de vontade de lhes ver as sete vidas esgotadas. É que a brincar, a brincar, há quem não ache muita piada às caricaturas que aqueles quatro ousam fazer, mormente os sujeitos alvo da sátira...

Ontem, numa entrevista ao programa Dia D, os quatro humoristas revelaram alguns dados interessantes sobre o percurso do clã fedorento. Entre o tom jocoso e a conversa séria, falaram do vai-vém entre a estação pública e o terceiro canal, dos instrumentos e métodos de trabalho, de processos judiciais a decorrer contra o grupo, das ambições futuras e do novo desafio que se inicia no próximo domingo.

O registo, garantiram, «não muda muito porque o país não muda nada». Espera-se por isso uma missa dominical a denunciar os pecados da classe política, dos dirigentes desportivos, celebridades (de)cadentes e outros que tais. Embora aleguem que não fazem política, a verdade é que os sketchs dos fedorentos que ainda retemos na memória visavam quem? Figuras políticas, na sua maioria. E qual das suas acções foi mais polémica? A do cartaz do Marquês, de que falei aqui e que satirizava o conteúdo de um cartaz precedente colocado por um movimento partidário.

Com ou sem vontade de fazer política, certo é que gozam de mais destaque que as elites, provocam merecidos terremotos no palco político deste país e deixam a um cantinho a nossa Oposição.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Hábitos...

Domingo de Sol. Esplanada de uma padaria em Matosinhos, perto da praia...
Uma mulher de cabelo loiro, claramente pintado, com uma t-shirt verde Islão que lhe acentuava a candura do rosto, aproxima-se e pede para levar uma das cadeiras que estavam desocupadas. Acaba por levar as três cadeiras.
Senta-se à mesa e, de imediato, surge um homem, de trinta e tal anos, calções beges desportivos, com bolsos laterais. Veste uma t-shirt estampada com motivos florais em degradé preto-cinza-rosa velho. Traz calçados uns carapins plásticos azuis-eléctrico (vulgo "azul PP"), com elástico sobre o peito do pé, daqueles que somos obrigados a calçar quando vamos visitar alguém ao hospital - normalmente no serviço de cuidados intensivos.
Ele senta-se à mesa com a mulher loira, e agora uma outra mulher também.
Aprecia a vista. Dobra-se e descalça os carapins, deixando pousados no chão empedrado os dois pés envoltos em ligaduras, que lhe deixam os calcanhares e os dedos expostos.
Pousa os carapins em cima da mesa - relembro que estamos numa esplanada.
Mais tarde, opta por apoiar os tornozelos no corrimão/parapeito da esplanada-
Chega um croissant com creme, que passa a divir o "loft" da mesa com os carapins azuis... lado a lado.
O croissant acaba por não resistir, desaparece. Mas os carapins... esses permanecem imóveis, agora com a carteira da loira por cima, não vá o vento fazer das suas!!!

É nestes instantes que eu tenho pena de não morar numa casa camarária em Lisboa. Moro num T3 em Matosinhos e os meus vizinhos têm ideias peregrinas como pôr os "sapatos" em cima das mesas das esplanadas, enquanto lancham... Se morasse numa habitação camarária em Lisboa, os meus vizinhos seriam pessoas polidas, educadas e com poder de compra para, em vez de usar uns carapins, comprar uns chinelos ortopédicos...

Como é agradável uma tarde de Domingo com Sol!

Tão amigos que eles são...


Num ano, Hugo Chávez pisou território luso por três vezes. Portugal é o país europeu que o Presidente venezuelano mais visita e isto, quer-me parecer, não é nada bom sinal... É certo que a expressividade da comunidade portuguesa na Venezuela é motivo que baste para haver entre os dois países boas relações. Contudo, uma coisa é diplomacia, outra muito diferente é um amiguismo com um homem que não raras vezes roça a tirania e é do mais tosco e do mais déspota que se tem visto no palco internacional. O mesmo homem que depois vem a Portugal dar palmadinhas nas costas do seu homólogo e que, com um falso ar ternurento, sussurra a Sócrates que "amor com amor se paga". Tenho para mim que mais tarde ou mais cedo o país é que vai pagar bem cara a factura deste namoro cheio de interesses...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Nem «dar» é sinónimo de «educar», nem «ter» é sinónimo de «saber»!

Sim, tenho algumas (muitas!) reservas quanto aos efeitos colaterais que poderá ter esta insólita bondade do Governo e empresas de telecomunicações nacionais.

Reporto-me ao Magalhães, computador portátil concebido para as crianças portuguesas e que de ora em diante será distribuído pelas escolas deste país a título gratuito ou ao preço da chuva, e sempre com direito a muita pompa e circunstância, que com este Governo não é para menos.

Não julguem que esta minha depreciação decorre do facto de na minha idade escolar ter-me limitado aos berlindes, aos livros surripiados das estantes das irmãs e, em dias de festa, ao direito de usufruir durante dez minutinhos de um único computador que habitava na biblioteca da escola e que tinha sempre enormes filas de miúdos em redor, todos eles embevecidos com a então "nova tecnologia". Não me chamem, por isso, Velho do Restelo. Porque bem sei que o avanço das tecnologias de informação e a chamada inclusão digital se traduzem em desenvolvimento e progresso, quer pessoal, quer económico-social...

Não obstante, ocorrem-me muitas dúvidas quando vejo alguém (um governo!) a incentivar uma criança de 6 anos a usar um computador, ademais, com acesso à internet. Só alguém tão ingénuo como Maria de Lurdes Rodrigues acredita que as crianças e adolescentes deste país dão um uso profícuo às novas tecnologias.

Bem sei que vem equipado com filtros, firewalls, etc. Mas saberão os pais do séc.XX proceder a essas definições? E que dizer dos irmãos mais velhos que tão bem sabem 'dar a volta' aos obstáculos? Ou até mesmo as próprias crianças - para quê substimá-las?!... E depois, em que momentos lhes vão dar uso? Nos tempos mortos da Escola, sem qualquer acompanhamento e preterindo o mundo real pelo virtual? Ou em casa, preterindo o contacto com a família por jogos violentos e viciantes, chats, etc?

Se já é grave aquelas crianças que por incúria dos pais vivem enclausuradas no quarto frente à tv, playstation e afins (já para não falar daqueles que com 7 anos têm perfis em comunidades como hi5, facebook, etc. - sim, eu conheço quem..!), o nosso bondoso Governo vem agraciar os pais e os seus rebentos com um equipamento "à maneira", não basta já esta mania do português valorizar mais o "ter" que o "saber"...

E por falar em "saber", não vale o argumento de que o Magalhães é o salvador da pátria no que respeita à Educação porquanto as novas tecnologias podem desenvolver capacidades e facilitar o acesso a informação mas estão longe de cumprir o papel da formação.

Querem melhorar a educação das crianças deste país? Pois bem, não é preciso pensar muito para perceber que há passos bem mais cruciais - criar infraestruturas que fomentem a socialização das crianças ao invés de instá-las a viver o mundo virtual dos pc's e afins; apostar na melhoria da qualidade ensino/aprendizagem o que passará inevitavelmente por rever os conteúdos programáticos; fazer uma limpeza geral à televisão portuguesa e obrigar o canal público a ter uma grelha de qualidade a pensar nos mais novos; dotar as escolas de modernos meios tecnológicos disponíveis em espaços físicos nos quais as crianças sejam devidamente acompanhadas; promover exaustivamente o Plano Nacional de Leitura, de preferência sem qualquer intervenção da Sra. Ministra, a qual considerou que "o Magalhães chega onde o livro não chegou".... (no comments!), etc etc etc.

Isto sim, são medidas com vista à verdadeira democratização e qualificação do ensino. Coisa bem diferente de, em nome da inclusão digital e com vista a subir nos respectivos rankings, fazer distribuição de brinquedos todos modernaços aos miúdos, estilo Pai Natal antecipado...!

A lição à Srª Ministra: Nem «dar» é sinónimo de «educar», nem «ter» é sinónimo de «saber»!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Dar à língua

A propósito disto, cumpre aqui dizer que o Gonçalo não está sozinho nessa luta árdua que é dar a entender aos portugueses o quão honroso é fazer uso da nossa língua. Do mesmo lado da trincheira do nosso Ilustre Administrador está o Prof. Dr. Cavaco Silva, que enquanto Presidente da República tem também alertado subtilmente para a subserviência do português (e dos portugueses)face aos outros idiomas.

Hoje mesmo Cavaco Silva dará o exemplo e discursará em português na Assembleia Geral das Nações Unidas, quiçá já a pensar na candidatura portuguesa ao Conselho de Segurança da ONU em 2011. Com ou sem tais pretensões, certo é que será a primeira vez que se ouvirá a língua de Camões nas magnas reuniões daquele orgão. Acresce que Cavaco está também a encetar forças para que o português se torne língua de trabalho naquele conclave. Sem dúvida, um grande passo na internacionalização da língua portuguesa.

Mistério da Insegurança Interna

Tenho a sensação de que, nos dias que correm, acordamos com o noticiário, tendo uma única dúvida: quantos postos de gasolina assaltados, quantas dependências bancárias pilhadas, quantos carros roubados aos condutores (carjacking) ou quantos casos de corrupção insinuados ou divulgados?…

Seja em relação à integridade física ou em relação ao património, o receio apodera-se dos portugueses, e com razão.

A abordagem mais comezinha, mas nem por isso inteiramente descabelada, é a que responsabiliza os media pelo alarmismo crescente. O conflito de valores é, à partida, interessante: de um lado a missão da comunicação social, que é informar; do outro, a necessidade de paz social e a de não empolar fenómenos criminosos, o que, a mais de glorificar o acto ilícito, pode gerar imitação.
Porém, como para tudo na vida, também aqui pode encontrar-se um meio-termo, aceitando-se a primazia noticiosa, mas apelando aos directores e proprietários dos media que não se cinjam a vender informação como uma qualquer mercadoria, explorando as emoções mais básicas dos cidadãos (já bem basta o escabroso e nojento programa “Momento da Verdade” apresentado por Teresa Guilherme, na SIC, que compra a intimidade mais recôndita dos espíritos fracos que aceitam participar; porém, a este tema viremos mais tarde...).

O segundo pensamento que me aflora a este respeito tem a ver com as forças de segurança, que, em Portugal, são sempre o vértice mais vulnerável do triângulo criminoso-vítima-autoridades. De facto, muito fazem as nossas polícias e a GNR, se virmos que sofrem de sub-equipamento crónico e recebem salários magros, se comparados com o risco que correm. Acresce que, mercê de um sistema penal “macio”, não são raros os relatos de agentes da autoridade a acabarem de preencher formulários num qualquer tribunal e a terem que aturar o escárnio de delinquentes que recebem ordem de soltura quase instantânea… Bastava ler o editorial do Público, ontem, que mencionava três casos eloquentes: na Guarda, o do sujeito a quem foram apreendidos 42 detonadores, 6 cartuchos de explosivos, armas de fogo, munições e fio condutor lento. Em Portimão, o do indivíduo que entrou numa esquadra para balear outro. E ainda um terceiro caso sobre um ladrão de automóveis que chegou a alvejar o carro da GNR que o perseguia.

Se a coisa parece malparada, deixem-me que vos diga que o primeiro ficou sujeito a mera apresentação às autoridades, de dois em dois dias. O segundo também teve que carregar com essa cruz que foi ser libertado e ao terceiro coube a árdua pena de apresentação diária...
Isto é mau, e agrava-se quando, em face da necessidade do uso legítimo da força, aparece um qualquer Louçã desta vida a falar de violência policial, mesmo sem curar de saber da proporcionalidade da mesma.

Por fim, creio que, com um ou outro caso de imigração descompassada e indevidamente tolerada, a vaga de crimes também reflecte o sub-insvestimento na segurança interna e um explosivo cocktail de miséria e de pobreza envergonhada (tenho testemunhado vários casos) que o nosso ingovernável País começa a albergar, diante da ineficácia de uma classe política a quem não falta farta mesa e dinheiro para pagar a casa. O problema é que, atrás desta grave míngua, vêm outros problemas, como a da tentação medieval de justiça popular, como, ainda ontem, sucedeu na Moite, em face de um ataque a jovens do concelho, por parte de um bando estimado em 30 marginais.

A solução é óbvia e dúplice: combater as causas sociais de exclusão e reforçar o ordenamento jurídico e securitário. Todavia, fica a incógnita: estaremos preparados para a perda de privacidade e para a contracção de direitos que esse aumento de autoridade do Estado e de violência autorizada implicam?... Também aqui, não há bela sem senão…

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Mas ainda têm dúvidas?!


Goste-se ou não, cada vez mais há mulheres a ocupar lugares de destaque no palco político até agora quasi exclusivamente masculino.
Além de exemplos como Kirchner, Merkel, Bachelet, Tymoshenko, etc, nos últimos dias as protagonistas têm sido elas: Sarah Pallin abalou indelevelmente as Presidenciais norte-americanas; no Japão uma ex-ministra, Yuriko Koike, prepara-se para disputar o lugar vago deixado pelo vetusto Yasu Fukuda; e em Israel, Tzipi Livni pode bem vir a ser a próxima Golda Meir. Quotas, para quê?!

Mozart e Beethoven já eram!...

É verdade!!! Esqueçam o violino e o piano, pois em Sete Rios, Lisboa, há um génio que, a acreditar na publicidade, compõe conCertos para Malas & Sapatos.

Deve ser genial!!! À atenção do Centro Cultural de Belém e da Fundação Gulbenkian...

Go ... Yourself! 2

"Nursery"?! Ando farto de novos-ricos que desconhecem a riqueza da língua portuguesa e abusam do inglês, mesmo quando desnecessário!

Este triunfo do burgesso é em Leiria, na área de serviço...

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A fuga dos estrategas

Hoje recebi um e-mail publicitário de uma empresa que me fez lembrar duas coisas. A primeira uma máxima da "Estratégia” que afirma que por detrás de uma ameaça há sempre uma oportunidade latente. Outra, uma frase muito batida nos últimos tempos - "Portugal é um Estado de Direito com uma ditadura fiscal".

Comecemos pela ditadura fiscal. Todos sabemos que o Estado paga mal e cobra bem. A denominada "Alta Fiscalidade" asfixia as empresas, os profissionais liberais e independentes. Destrói tesourarias, retira competitividade e abala a auto-estima empreendedora. Ao invés, o Estado não dá o mesmo poder aos seus credores, quando este é o maior devedor. E pode vir legislação impor pagamentos a 60 dias a contar da data da factura que são muito poucos os organismos públicos com liquidez e eficiência interna para fazer face a este novo imperativo legal (Vide Código dos Contratos Públicos).

Não deverá o Estado questionar-se sobre a fronteira entre o que justamente poderá exigir aos seus contribuintes e o que estes, genuinamente, não podem pagar?

Só que este atrofio fiscal tem custos elevadíssimos e para quem questiona a máxima da "Estratégia" que acima citei, o tal e-mail do qual fui destinatário é bastante elucidativo.

O remetente, a Executive Auto Services (passe a publicidade) é uma empresa que se dedica à "Mediação de Automóveis Topo de Gama", que inclusive já teve honras televisivas na RTP1, "presta um serviço personalizado a particulares, empresas e a stands que queiram poupar milhares de euros ao importar automóveis e motos, topo de gama, directamente do maior e mais competitivo mercado europeu (Alemanha) ".

Passando ao lado da vasta gama de serviços prestada pela empresa, um dos aliciantes de tal operação é o facto de o IVA ser pago no país de origem (Alemanha), que é mais baixo que em Portugal. Ou seja, em terra de cegos quem tem olho é rei, e um verdadeiro estratega é aquele que se posiciona ao lado da oportunidade, seja esta em Portugal ou na Conchinchina.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Ética desportiva

O consumo de bebidas energéticas e as taxas de ocupação dos centros de encontros sociais contemporâneos (vulgo ginásios) dispararam em flecha nos últimos anos, tudo em nome de um corpinho saudável e de uma mente sã. Mas não só...

A malta que faz desporto é mais in, está na moda, tem o melhor cabedal.
A prática desportiva previne doenças, eleva a auto-estima e melhora o equilíbrio emocional
Político que faça jogging no Calçadão ou na marginal de Luanda aumenta consideravelmente o seu indicador eleitoral.
É saudável e fica bem dizer que se faz desporto. Cai bem. Dá outra pinta.

Tudo certo, mas e se fizéssemos um estudo de mercado em que se perguntasse o seguinte:

“A prática desportiva é mesmo importante para a formação do indivíduo?”

Seguramente que uma percentagem significativa de inquiridos responderia afirmativamente à demanda, até porque está implicitamente associado ao desporto o desenvolvimento de competências socialmente positivas.

Apesar da temática não ser recente, confesso-vos que até há poucos dias nunca tinha lido nada sobre “ética desportiva”. Nunca foi das minhas áreas de interesse. No entanto, a newsletter on-line da Universidade de Coimbra deste mês (que diga-se, é um projecto de comunicação interna muito bem elaborado ao qual apetece fazer scroll), abala a noção comum existente de que fazer desporto forja o carácter em sentido positivo.

Uma das reportagens centra-se na tese de doutoramento de um investigador da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da UC, que coloca em causa a dimensão ética do desporto na actualidade, afirmando que “a moral desportiva imanente à prática desportiva real é um mito”!

Para este investigador, tendo por base o estudo ciêntifico por si elaborado em que inquiriu 1000
praticantes de desporto organizado, os atletas consideram perfeitamente normal e admissíveis atitudes anti-desportivas tais como o exercer de pressão psicológica sobre os adversários ou mesmo a tentativa de influenciar os árbitros a seu favor.

Fala também numa “patologia social” que pode levar as famílias a pressionar, para a obtenção de resultados, não só os jovens como os próprios treinadores e árbitros, gerando situações contrárias à ética desportiva.

Fica aqui o link do artigo cientifico, para quem quiser espreitar.

Não me lixes, ó Narciso

link

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

JS caladinha que nem um.. cordeiro!

Esta manhã a JSD pronunciou-se, pela voz do seu presidente e a convite de uma rádio, sobre os casamentos entre pessoas do mesmo sexo, temática cujo debate o PS adiou para a próxima legislatura. Relativamente a isto, pode ler-se na edição online do Público o seguinte: "Contactado também pelo Rádio Clube o líder da Juventude Socialista, Duarte Cordeiro, não quis fazer nenhum comentário." Curioso, ainda há uns meses andavam por aí a bradar aos céus pelos direitos LGBT (confirme-se aqui) e agora, que são chamados a falar aos portugueses sobre a sua posição, encolhem-se... Com jovens destemidos, coerentes e convictos como estes, não há dúvida que a próxima geração de políticos oriundos da ala socialista será do melhor!!...

Teimoso que nem um ministro

Se retirar privilégios aos magistrados e aos políticos marcou pontos junto de um povo pobre e invejoso, a persistência do Governo em não ouvir os primeiros sobre as reformas da Justiça que, ao que leio, estão a dar fortíssima asneira e a pôr na rua criminosos perigosos, percorre a estreita linha que divide a teimosia da idiotice; chama-se a tal fronteira irresponsabilidade política (sabemos bem que o Ministro da Justiça jamais será assaltado, pois tem polícia à porta e, quiçá, segurança pessoal)...

Vem agora o Presidente da República juntar-se, entre outros, ao Procurador-Geral da República no apelo para que se escutem as pessoas que, diariamente, têm que aplicar as leis que a meia-dúzia de deputados que manda uma p'rá caixa concebeu na redoma de São Bento; será que Cavaco Silva e Pinto Monteiro se juntaram para tramar Alberto Costa?!... Só mesmo se o Ministro se achasse o centro do mundo é que poderia achar isso!...

Paro por por aqui, pois pode ser um problema auditivo deste outro Costa do PS... Se assim for, as minhas desculpas e uma ajudinha...

P.S. (salvo-seja): se emendarem a mão e quando quiserem mesmo aprovar o casamento de homossexuais (segundo o líder parlamentar do PS, Alberto Martins, na próxima legislatura), espero que ouçam também os casais heterossexuais.

Ventos de Mudança?


Foi ontem e o Lodo, que esteve sempre atento ao desenrolar deste processo (confirme-se aqui e aqui), não podia deixar passar em branco os desenvolvimentos no Zimbabwe, a trazer alguma esperança àquela nação após dois meses de negociações, meio ano em crise política e três décadas de poder absoluto.

Em Harare foi ontem assinado um acordo para formar um Governo de unidade nacional, o qual estabeleceu uma divisão no Poder. Eterniza-se Mugabe na Presidência, contudo, abrindo mão de alguns poderes que caberão ao opositor que perseguiu, deteve e torturou - Tsvangirai. O líder do MDC assumirá funções de primeiro-ministro, responsável pela definição e implementação das políticas.

Espera-se que seja desta que avance a reconstrução socio-económica do país, bem como o progresso no que respeita aos direitos humanos. Um primeiro passo já significativo foi a suspensão de uma lei que proibia as ONGs de entrar no país, dado que Mugabe considerava que estas abonavam a acção da oposição. Quanto ao resto, é esperar para ver...

Vale pelas 3 D *

* Tome nota de que nem todas as salas de cinema exibem o filme em 3 dimensões.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

De boas intenções está o Governo cheio

No final de 2006 e no âmbito das comemorações dos 30 anos do Poder Local, o Governo apresentou pela mão de António Costa, então Ministro da Administração Interna, uma carta aos autarcas propondo um sem número de medidas com vista a uma bem intencionada descentralização de áreas como a Educação, Saúde e Acção Social.

Hoje mesmo o Governo concretizou, no tocante à Educação, a transferência de responsabilidades para noventa e dois municípios portugueses. A medida parece, a priori, louvável. Mas este processo de descentralização que José Sócrates humildemente baptizou de "a maior operação de descentralização desde o 25 de Abril" representa uma mão cheia de vantagens e de boas intenções, ou, no fundo, não é senão o passar da batata quente aos autarcas?

É que se fica bonito dizer que a proximidade do poder local com as comunidades pode traduzir-se em eficácia de acção, mais valias e melhoras na Educação, por outro lado afigura-se preocupante o estofo financeiro e logístico que as autarquias serão obrigadas a ter. E mesmo que o Estado Central preveja a dotação financeira das autarquias para tais fins, quer-me parecer que nem todos os problemas se resolvem com numerário...

Bem pelo contrário... Não sejamos ingénuos: dinheiro em pequenos centros de decisão como o são as autarquias pode bem ser augúrio de problemas! Interesses, criação de empresas municipais em cima do joelho, jobs for the boys, desarticulação com a administração central, etc. etc vão dar muitas dores de cabeça aos nossos autarcas. E mesmo que nalguns caso esta gestão venha a produzir bons resultados, cedo ou tarde os autarcas se aperceberão de que no fundo, o que o Estado Central fez foi atirar responsabilidades ao Poder local, deixando-lhe à guarda um tema tão complexo e sensível como a Educação.

Curiosa é a atitude de António Costa, um dos mentores destas medidas, que hoje enquanto edil da Câmara de Lisboa não respondeu ao repto. Caso para dizer, "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço"...