domingo, 15 de julho de 2007

Pobre política...

Para um militante do PSD, como eu, confirmaram-se os piores receios; o PSD ficou em 3º lugar nas fulcrais eleições para a Câmara Municipal de Lisboa (um "mini-governo", como dizem muitos).
A propósito de tudo isto, oferecem-se-me alguns apontamentos:
1. Marques Mendes, como já afirmei, errou ao judicializar algumas das suas decisões (arguidos dispensados de concorrer ou com apoio retirado);
* A Lei prevê a inocência até condenação por sentença transitada em julgado. O PSD não o presumiu.
* É penumbroso fazer coincidir momentos judiciais iniciais com juízos políticos.
* Nem todos os autarcas do PSD arguidos foram igualmente estigmatizados.
* Mesmo politicamente a decisão foi errada; para além da condição processual, custa perceber a linha que une Carmona, Valentim e Isaltino.

2. Não creio que possam dar-se graças na oposição interna. O PSD está mesmo mal e continuo a achar que o problema é geracional. As alternativas têm que seduzir e não apenas espremer Mendes.

3. Embora Helena Roseta tenha sido militante dos dois maiores partidos e Carmona governante e autarca pelo PSD, os movimentos independentes (ou até anti-partidários) colheram muita da repulsa que se sente no eleitorado em relação ao sistema partidário. Nasce a política alternativa, se não mesmo a anti-política (vide o BE e, quiçá, o PNR).

Quando políticos consagrados reconhecem nos corredores que o poder não se ganha, antes sendo perdido por quem o detém (a tal lógica "mansa" da rotatividade e dos ciclos máximos de dez anos), estão a dizer-nos que não conquistam as emoções nem convencem as razões. Esperam que o poder apodreça.

Os poucos lisboetas que votaram já viram tudo.

4. A fortíssima abstenção diz que a malta já deu e que é tudo a mesma fruta (até eu já tive mais certezas do contrário...).

5. O centro-direita saem de rastos. O CDS não elege um só vereador, num claro chumbo ao remake (geralmente o primeiro filme tem mais sucesso do que as sequelas...) de Portas. Tanto calculismo e mediatismo acaba por cansar, como, em parte, prova a lição de Santana Lopes. Afinal, se calhar (e por muito que tenha muitos e bons amigos na actual nomenklatura centrista) o problema não era (só) Ribeiro e Castro.
Manuel Monteiro ainda não percebeu a figura rídicula que vem fazendo e o descrédito que traz à política. A ideia de se fazer acompanhar, permanentemente, de um comediante e de organizar números de circo como uma gincana num passeio, entre supostos dejectos de cão, é "apalhaçar" o problema e não fica bem em que se afirma como paladino da política séria. Alguém o "desligue da máquina", por favor.
O PPM, sendo uma organização familiar (que apesar de tudo, mercê da visão estratégica de Santana Lopes, tem 2 deputados à boleia do PSD), também resolveu entrar na tenda e fazer circo. Desde afirmações do candidato a dizer que estivera nos assuntos agrícolas, por não ter tempo para a campanha, à entrega de papel higiénico nos serviços da câmara, tudo serviu para que muitos achassem que votar seria uma perda de tempo (e Deus sabe como aprecio a associação da política ao humor, dentro de certos limites...).
A extrema-direita (PNR), não obstante o gozo de ficar à frente de Manuel Monteiro, bem faria em não embandeirar em arco. Parece-me que menos de 2000 votos não traduzem uma adesão popular às propostas de fim de apoio para gays, imigração e manifestações culturais marxistas. O "mercado" eleitoral existe, mas o score actual mostra que o produto quase não vende.
6. Sendo que o partido que ocupa o Governo, regra geral, é açoitado em autárquicas, e mesmo não esquecendo que o PSD vinha com má folha de serviços na gestão da Câmara e da sua queda, fica clara a vitória do PS. Bem pode Sócrates rir ao ver o PS eleger o dobro dos vereadores do 2º classificado. Não fora Costa a maior ameaça eventual à sua liderança e a risada até podia ter sido mais sincera...
7. De todo o modo, cai muito mal a encenação festivaleira que o PS fez no Altis!... Gente da Covilhã, Famalicão, Mirandela e Alandroal (estas terras contei eu, via tv), confessando não saber que excursões a Fátima e a Mafra haveriam de acabar de bandeira em punho, em Lisboa, dá um ar artificial e ensaiado à política. É algo que ainda causa mais rejeição nos milhares que já nem aos noticiários prestam atenção. A geração que domina a actual classe política afasta os portugueses, assim se perpetuando (são os mesmos há "n" anos). Mais valia terem reservado uma sala pequena e terem feito uma conferência de imprensa mais sóbria e com mais ideias.
8. Fernando Negrão foi um gentleman, como sempre: generoso, sério, inteligente e trabalhador. Já Marques Mendes fez o que devia (pedir eleições internas antecipadas) e com justa proporção; é politicamente legítimo que se recandidate, já que, apesar de eu entender que o PSD perde Lisboa sobretudo por erros daquele, não está em jogo uma derrota em eleições legistalativas que, efectivamente, foram a razão primeira de uma liderança que, apesar de tudo, conta já com algumas vitórias.
9. Temo, porém, que o PSD, mais uma vez, faça uma eleição em que os interesses das "tribos" e o protagonismo pessoal (sempre desejado pelos actores secundários) vençam a ideologia e a visão institucional.
10. Reafirmo a minha ideia de que os partidos não são eternos e o PSD, dadas as suas origens exlusivamente nacionais, menos ainda (disse-o no último congresso).

Quem é que vais "roubar" a seguir, Zé..."quinha"?

quinta-feira, 12 de julho de 2007

O Sr. Presidente disse?!?!?


O Sr. Presidente da República (PR) está atento às "brincadeiras" com a democracia...

Esta quarta-feira o PR sugeriu, mais e melhor qualidade no exercício da democracia para «alguns agentes dos poderes públicos»... segundo o PR, estes devem ter «cuidado com as suas atitudes»...

«Todos nós temos que ter cuidado com as nossas atitudes para que a nossa democracia tenha mais qualidade», referindo-se às acusações da oposição ao governo de autoritarismo e clima de intimidação...

Para rematar o PR disse que ia «assegurar aos portugueses que as instituições funcionam de acordo com as regras da democracia»*…
Parece-me que o PR concorda com as acusações da oposição... não acham?!?!?

No entanto, já tardava este primeiro puxão de orelhas do PR ao governo socialista...
Assim, talvez eu não emigre...

NOTA: a propósito deste assunto, considero simplesmente brilhante o post “Vou emigrar” da Rita de Matos Oliveira...

(*) – citações retiradas do site de um canal de TV independente…

terça-feira, 10 de julho de 2007

Quem é que vais desgraçar a seguir, Zé?

Depois de "enterrar" os Sub-21, os Sub-20 desaprendem de jogar à bola, com José Couceiro.

Mesmo que sejam campeões do mundo (assim espero), será pelo mérito de não ouvirem o treinador e pelo talento de cada um.

E a seguir, "assassinará" ele os Sub-17? Precatem-se, jogadores do meu País!...

terça-feira, 3 de julho de 2007

Pridnestrovskaia Moldavskaia Respublica

Se, no seguimento da canção homónima dos GNR, já achava que “Tirana é um lugar difícil de encontrar”, nem sei que vos diga de Tiraspol, a capital da auto-proclamada Pridnestrovskaia Moldavskaia Respublica, também dita Pridnestrovie ou, em português, Transnístria…
Começo pela curiosidade do tema e termino pela questão política.

Falamos de um faixa de terra situada a Este do rio Dniestre (Nistru, em romeno), povoado por pouco mais de 660.000 almas, sendo que um terço é de origem russa, um terço de origem ucraniana e os demais de raízes moldavas.

Apesar de não ser reconhecido por Estado algum, o território declarou a sua independência após o colapso da União Soviética, sendo para muitos um museu da mesma, já que conserva algumas das suas características.

Desde logo, mercê de um desses sortilégios que a Internet nos proporciona, consegui um precioso apoio para entrar no território, mas, aí chegado, logo fiquei a saber que, a mais de ter que apresentar às autoridades de uma das suas cidades (escolhi Bendery ou Tighina, em moldavo) para me “registar”, a minha “carta convite” fora sujeita a um escrutínio que envolvera perguntas do tipo “o que vem ele cá fazer?” e “como e onde o conheceu?”.
Depoimentos do sítio da “Lonely Planet” (empresa especializada em guias para turismo “independente”) e de visitantes acrescentavam que, hoje em dia, fotografar certos lugares públicos (e nem sequer falamos, obviamente, de posições militares) se vem tornando algo impopular. Não sei se por estar devidamente “escoltado”, confesso que foi saborzinho que não senti, tendo dado ao botão da máquina tanto quanto me deu na gana…

Voltando, porém, à nossa Transnístria, sublinho que a dita independência em relação à Moldávia (cujo parlamento tentou em vão amenizar com um estatuto autonómico) se baseou em razões históricas que não pude verificar e, estou em crer, no receio de uma aproximação/união da Moldávia com a Roménia (algo que já aconteceu, formalmente, no passado, tendo a, então, Bessarábia celebrado um Tratado de União).

Como está bem de ver, a rapaziada russa e ucraniana (a “República” é circundada pela Moldávia e pela Ucrânia) não esteve pelos ajustes e ergueu fronteiras, formou exército e polícia, criou uma bandeira e cunhou moeda (o rublo da Transnístria), algo que viria a dar mau resultado, em 1992, quando as tropas moldavas entraram na sua Tighina e, abrindo fogo, foram corridas pelas congéneres transnístrianas que defendiam a “sua” Bendery, com esse sempre precioso auxílio do exército russo, que ainda hoje por lá pára, em locais estratégicos da cidade.

Se politicamente a bipartidária república tem eleições presidenciais com resultados de 80% contra 7% (sendo que o “Cristo” convidado a ir votos contra o Presidente foi o “independentíssimo” administrador de Bendery), economicamente padece dos males de quem dependia do dínamo soviético, embora a banca e o consumo pareçam querer espevitar.

Depois, é passear em Bendery e Tiraspol e ver (ainda) a Casa dos Sovietes, estátuas de Lenine (pois claro), uma locomotiva/museu de 1917, uma fortaleza turca e outras coisas que configuram uma experiência única de ciência política. Isto se conseguir superar a barreira da língua (só se “vende” em russo), as duas barreiras da “fronteira” (não são brinquedo, aviso) e a barreira do medo, que pode advir da leitura do sítio do nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros que diz: “Este regime não é reconhecido pela comunidade internacional. Não existindo relações diplomáticas com o mesmo regime, as autoridades portuguesas não podem proteger os seus cidadãos que se desloquem a este território. Neste sentido, e na situação actual, PORTUGAL DESACONSELHA QUALQUER VIAGEM À TRANSNÍSTRIA”.

A questão política com que vos ameacei é esta: anda a comunidade internacional empertigada com as questões da autodeterminação, designadamente, para o Kosovo. Ora bem, sendo que na Transnístria há vontade (se dúvidas houver, faça-se o referendo da ordem) e estruturas de poder que se auto-governam, por que é que ninguém afina pelo mesmo diapasão neste caso? Porque não interessa? Porque é assunto russo? E o Kosovo é o quê (se nos lembrarmos de que Moscovo apoia Belgrado)?

Não me choca qualquer solução pacífica, mas sim a dualidade de critérios…

domingo, 1 de julho de 2007

Vou emigrar..

  • Para um país onde professores com provas dadas não sejam suspensos por fazerem piadas sobre governantes.
  • Para um país onde uma directora de centro de saúde não seja exonerada por não ter retirado da parede do centro que dirige um cartaz que critica o Ministro da Saúde.
  • Para um país que não aprove leis que estimulam a denúncia em assuntos fiscais.
  • Para um país que não despronuncie arguidos, que são figuras públicas, sem explicações bem dadas e investigações transparentes.
  • Para um país verdadeiramente democrático.

Considero revoltante este estado de sítio a que Portugal chegou, um país de impunidades e vigarices, fossos sociais e económicos, onde escasseia a igualdade de oportunidades e onde se desperdiça todos os dias potencial humano e intelectual de milhares de pessoas que são sobrequalificados para aquilo que fazem.


Frusta-me que um ministro defenda que os utentes devem pagar 25 euro por uma consulta médica se ultrapassarem as três consultas por trimestre e ainda seja ministro. Baralha-me o facto de ser filiado num partido socialista!


Entristece-me profundamente que, num país que vê a sua taxa de natalidade baixar progressivamente, seja sugerido que as interrupções da gravidez não paguem taxas moderadoras nos hospitais.

Para terminar, causa-me indignação ver a apatia da maior parte das pessoas. Desde que as deixem ir à bola, à praia e aos petiscos está tudo bem. A história mostra que é em climas como este de algum descontentamento e muita apatia que nascem ditaduras, totalitarismos e outras manifestações sinistras do pior do ser humano.

No melhor pano

Eu cliente da FNAC me confesso (já por lá tendo deixado milhares de euros, ao longo dos anos).
Creio mesmo que, por vezes, a instituição em causa, dada o propósito democratizador da cultura com que foi criada, faz mais pela divulgação do que se vai criando do que algumas equipas ministeriais do sector, por cá.
Porém, ontem (30 de Junho), constatei que no melhor pano pode cair a nódoa.
Desloquei-me à FNAC com uma pessoa amiga que me facultou um vale de desconto de 5€, oferecido no âmbito de uma campanha que, vigorando de 21 de Junho a 1 de Julho, se destinava a fomentar a compra de música, nos mais diversos formatos.
No acto de pagar perguntei se não me dariam um outro vale, registando com estupefacção que não porque "a campanha termina amanhã" (hoje)...
Ora bem, sendo que, ontem, "amanhã" não é "hoje", também cedo percebi, pelo surrealismo da resposta, por ali não faria farinha, dada a peremptoriedade da asneira dita.
No serviço de apoio ao cliente, o mesmo resultado com partitura diferente: "já não há mais vales"...
Assim, e como nada nos cartazes publicitários ou nos vales limitava a data de atribuição dos descontos a um dia prévio ou ao "stock existente" pedi a apresentação do livro de reclamações, não pelo valor em causa, mas porque entendo que, cada vez mais, os consumidores devem acautelar os seus direitos, mormente quando, como é o meu caso, a sua formação académica os obrigue a conhecê-los.
Devo dizer que a gerente da loja não só trouxe o livro como conseguiu desencantar um vale sobrevivente, sendo de uma educação exemplar, embora manifestando ignorância em relação aos trâmites publicitários da campanha, pelo que o livro não foi rabiscado.
Todavia, três apontamentos permanecem válidos:

1 - Fica mal a uma instuição que tanto faz pela cultura incorrer em publicidade enganosa.
2 - Suspeito que muito boa gente foi vítima desta má prática comercial, ontem, e o será, hoje.
3 - Há alturas em que tenho pena de que não tenhamos um pouco do civismo britânico, alemão ou nórdico ou da filosofia norte-americana de protecção dos direitos individuais, já que a pessoa que me acompanhava, ao descontar o ressuscitado vale, teve de ouvir as uma das funcionárias da caixa, devidamente "envenenada" pela colega da caixa contígua (a primeira funcionária que se me dirigiu) comentar com desdém que era "o assunto do vale" e dar o troco em moedas (pode ser o meu espírito conspirativo, mas...).
Não sei que salário régio têm as senhoras em causa, ao ponto de desprezarem um desconto de mais de 25% num cd, nem que burrice as leva a não estimar quem exerce os seus direitos, mas é por causa desta mesquinhez e desta falta de consciência e solidariedade cívicas que nos tornámos num dos mais pobres e taciturnos povos europeus...

sexta-feira, 22 de junho de 2007

O «Portuga» de A a Z

Porque temos que aprender a rir de nós próprios... fica aqui um retrato do verdadeiro "tuga".
Elaborado por alunos da Universidade do Porto, trata-se de uma breve enciclopédia sobre algumas características indissociáveis dos portugueses.
Umas de pouca gravidade, algumas possidónias qb, outras mais reprováveis... mas todas elas a comprovar a autenticidade e peculiaridade do nosso povo.
Está genial, apesar de alguns crassos erros de português - quiçá, a fazer jus a outra característica do português, que é a de escrever incorrectamente a sua língua mãe...
Ainda assim, vale a pena 'desfolhar' este trabalho que transborda de bom-humor e cujo grafismo/apresentação é excelente!
[NOTA: a enciclopédia exige alguma interactividade, pelo que é necessário "dar uso" ao rato nas imagens que vão surgindo]

terça-feira, 19 de junho de 2007

União Europeia "all night long"


Tive o prazer de assistir ontem, in loco, ao programa Prós e Contras, indubitavelmente um dos melhores espaços de debate da televisão portuguesa.

No plateau, Durão Barroso esteve frente-a-frente com Mota Amaral, Jorge Sampaio e Carlos Carvalhas, num programa em que Fátima Campos Ferreira resolveu abandonar o seu papel de simples moderadora para se fazer marcar pela acutilância que não lhe é habitual.

Até à uma e meia da manhã, discutiu-se a União Europeia, os desafios que se lhe adivinham, os rumos que tomará. Conversa (a)fiada, debate pouco acesso mas nem por isso menos interessante, e Durão Barroso concluiu que “Portugal é o único país que discute a UE à uma e tal da manhã. Somos os mais europeístas”. Será…?

Do debate, as minhas modestas ilações:

  • Durão Barroso é um optimista. Vê o futuro da UE com bons olhos, diz não temer uma qualquer crise (justificou com “a Europa já viveu crises de relevante gravidade e sempre conseguiu sobrevivê-las”), acredita que haverá união para a tal Constituição (ou Tratado Constitucional, como lhe queiram chamar…) e está convicto de que o resolver desta questão institucional trará a Eficácia, Transparência e Coerência necessárias à estabilidade e desenvolvimento do Velho Continente.
  • Subscrevo Barroso quando alerta para o facto da “União Europeia ser o bode expiatório de muitos políticos por essa Europa fora, que se gabam do seu trabalho quando as coisas correm bem e quando assim não se passa, a culpa é remetida para Bruxelas”.

  • Mota Amaral é uma figura que, por muito que preze, se revelou estranhamente instável: ora agitado, ora enfastiado com o debate. Defendeu, e bem, com unhas e dentes a necessidade de auscultar os parlamentos nacionais nestas questões da UE, mas provocou-lhe sonolência ouvir os demais.

  • Carlos Carvalhas esteve morno, como lhe é apanágio. Debitou números cuja importância é nula, focou todo o seu discurso do contra para a questão da coesão económico-social, sem que se lhe tenha ocorrido que há muito mais a discutir para além disso.
  • Jorge Sampaio está preocupado com a via de ratificação do Tratado. Barroso sossegou-o, relembrando que seja via referendária, seja via Parlamento, o Tratado, a ser ratificado, não ficará ferido de qualquer legitimidade.
  • Luís Amado revelou-se preparadíssimo para o que aí vem. A Presidência portuguesa da União Europeia será um momento de extrema importância pelos motivos que dispenso anunciar, mas sobretudo pela excelente oportunidade de afirmação da nossa nação no seio da União Europeia. Que os responsáveis portugueses logrem êxito nesta missão, é o desejo de todos aqueles que ainda sentem que a velha Europa ainda tem muito sumo para espremer.

Onde há fumo, há Parlamento

À guisa de declaração de interesses confesso (quase envergonhado, dada a violência das recentes pressões dos fumadores…) que nunca fumei e que me incomoda que o façam perto de mim, designadamente às refeições.

Aborrece-me o odor fétido que se entranha na roupa e no cabelo, nos estabelecimentos de diversão nocturna. Parece que se me tolhe o gosto, à mesa.

Acresce que ainda não li notícia ou estudo que dissesse que fumar não prejudica a saúde. E, dito isto, ocorre-me que o Estado obriga a que os maços de cigarros exibam mensagens alertando para os riscos de cancro, impotência e outras catástrofes do género.

Ou seja, a comunidade científica e o Estado entendem que não há volta a dar-lhe: fumar é mesmo uma forma de prejudicar seriamente o bem-estar de quem fuma e dos que têm que, inapelavelmente, conviver com os suicidas esfumaçantes.

É por isto que me desaponta ler as notícias que relatam o cumprimento da mais recente tendência do nosso Parlamento para a irrelevância legislativa, querendo com isto significar o velho hábito de produzir muito e mal, em matéria de papel com força de lei.

Efectivamente, leio que o melhorzinho que pode aguardar-se em matéria da chamada “lei do tabaco” vem do Bloco Central, visto que PS e PSD propõem alterações à Proposta de Lei (creio que é esta a forma do diploma em debate) do Governo que caminham para que os estabelecimentos com menos de cem metros quadrados possam optar por ser espaços abertos a fumadores (com exaustão) e os maiores possam consagrar uma área fechada para matar o vício, algo (neste último caso) que nem choca...

Do CDS, PCP e BE só se ouvem coisas piores. Da liberdade de opção do proprietário a uma moratória de longos cinco anos e até à distinção entre a restauração e a diversão nocturna, o juízo não impera no “Portugal dos Pequenitos”.

Entendamo-nos: há que, desde logo, saber se o Estado Português, no caso representado pelo Governo e pela Assembleia da República, entende ou não que é negativo fumar.
Se a resposta for dizer que não é nefasto, não se entende porque persiste na fantochada de fazer filmes de terror no invólucro dos maços de tabaco e patrocina campanhas publicitárias para combater aquele hábito.

Porém, se é entendido que o combate é imperioso, dada a evolução permanente da consciência social (veja-se a agitação cívica em torno das questões ambientais, que não existia há poucos anos), então não se percebe por que hão-de os nossos representantes baixar os braços, abandonando os que tiveram a lata de adoptar hábitos saudáveis, pelo menos, neste capítulo.
E nem venham os fumadores, cheios da arrogância que assiste a quem tem comportamentos totalitários, dizer que o que está em causa na permanência dos seus gostos é a liberdade. Isso é, no mínimo, cruel, já que jamais esse valor crucial pode afirmar-se à custa do direito essencial dos demais a erradicar da sua esfera existencial um comportamento que, não sendo essencial a uma vida bem vivida, claramente aumenta os riscos de doença de quem o não nutre.

E mesmo de um ponto de vista económico, não creio que um só fumador deixe, ao menos a médio prazo, de frequentar um pequeno restaurante que aprecie, apenas porque não pode fumar. Já nos casos de estabelecimentos de diversão nocturna pouco amplos admito que os hábitos sejam mais difíceis de contrariar. Mas nem neste último caso adiro à lógica diferenciadora do BE; no limite, entre o lucro dos empresários e o gozo dos fumadores, de um lado, e a saúde de todos estes e dos atrevidos e bandidos não fumadores, creio que deve prevalecer a última parte.

Bem sei que também quem não fuma não deixará de almoçar ou de sair à noite, mas, aqui regressados, recupero o argumento de que uma lei permissiva e destinada a ser ridicularizada (sendo opção, creio que maioria dos empresários não mexerá em “equipa que ganha”) colocará Estado na posição de hipócrita, em face das serôdias ameaças em maços e anúncios. Acresce que com mais restrições todos ganhariam em bem-estar. Com a opção prometida só de males podemos falar, incluindo o sinal de indiferença perante a dependência de muitos dos nossos fumegantes concidadãos.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Dêem-lhe os lápis de cor

Alguém devia explicar a George W. Bush que a política internacional não é nem um atlas para colorir nem o mesmo que jogar “Socom” (basicamente, um jogo em que tropas especiais americanas desempenham missões de intervenção não autorizada em países soberanos), na PlayStation.

Confesso sem problemas que fui dos que acreditou que a intervenção no Iraque fora suficientemente estudada, algo que o pós-guerra veio desmentir fragorosa e dramaticamente. Não que com isto haja aderido ao pacóvio e cínico pacifismo da extrema-esquerda, mas serviu-me, com certeza, para começar a olhar com cautela a actual liderança do “mundo livre”.

Se de confirmação precisasse o meu cepticismo, a deslocação do Presidente dos EUA à Albânia deu-me motivos para me fazer recear mais asneiras, mormente no que às declarações sobre o Kosovo diz respeito.

Bush disse aos albaneses que deviam olhar a província Sérvia de maioria étnica albanesa como independente.

Perguntará: e daí?!

Pois bem, vamos a isso. Em primeiro lugar, sublinho, como já fiz noutra ocasião que falamos de uma terra que os sérvios consideram o berço da sua Nação, com todo o drama que uma eventual secessão pode acarretar para a idiossincrasia do orgulhoso povo sérvio. E ainda que circunstancialmente seja ocupada por uma maioria não sérvia, imaginemos que uma comunidade determinada ganhava maioria na Amadora ou, pior, que um surto de imigração tornava Guimarães numa terra de português “adocicado” ou de sons de Leste. Sem que haja na hipótese ponta de xenofobia (garanto que vejo com bons olhos as comunidades estrangeiras que tanto ajudam a nossa Economia), como lhe tocaria a ideia de aplicar a estas terras o princípio da autodeterminação, sem mais debate?

Por outro lado, cumpre pensar se haveria tanto interesse de Washington, se a defesa da independência do território kosovar não servisse para humilhar um ex-adversário de guerra e um país de inclinação a Leste, que tem nos russos bons amigos. Por que não defende com a mesma veemência uma intervenção no Darfur, em Taipe, no Tibete, em Aceh ou mesmo na Palestina? Pragmatismo e arrogância, digo eu.

Porém, em terceiro lugar, nem sequer creio que, mesmo usando do pragmatismo e do cinismo tão típicos das relações internacionais, Bush esteja certo, já que deveria ter estudado as lições da cruzada no Afeganistão (ridícula mas também eloquentemente ilustrada pelo filme “Rambo III”), na qual os americanos não descansaram enquanto não expulsaram a URSS, assim pondo fim à laicização do território, que é hoje um alfobre de tráfico de droga e de fundamentalismo. Implantar no seio da Europa mais uma bandeira islâmica, na mesma altura em que o número de excluídos da globalização aumenta, pode ser uma “barraca” que cumprirá à União Europeia resolver.

Para os que tenham dúvidas sobre o que pode acontecer, recomendo uma viagem não organizada por uma agência de viagens à Albânia que, recordo, oferece a maioria que habita o Kosovo. Não que não seja boa gente, mas convirá que se “perca” pelo País das Águias e perceba o seu complicado mosaico social (o eufemismo é deliberado).

Por fim, convirá que reconheçamos que os sérvios estão a pagar o preço dos seus excessos nos conflitos que se sucederam ao fim da Jugoslávia, embora com mais juros dos que os que castigam croatas e muçulmanos, sem que haja santos neste “filme”. Mas, mesmo admitindo que a Sérvia possa ter sido a parte mais abusadora, terá o seu povo que perder o seu centro de identidade nacional?

Não tendo remédio imediato para o caso, entendo que comícios de George W. em Tirana não acrescentam nada de positivo. Vale que a inteligência de Putin vai permitindo ganhar tempo até que os americanos elejam alguém que retire àquele os comandos da consola de jogos, pela qual parece ter tomado a política que se faz a partir da Sala Oval.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Em Rabat

Lapsos são de admitir, mas é de supor que eles não ocorrem no Jornal da Tarde, pois a partir daí a percentagem de portugueses disponíveis para saber o que se passa no País e no Mundo extraem a maioria da informação que absorvem (sabe-se que a leitura de jornais, por exemplo, é bem mais reduzida).
Vem isto a propósito de uma notícia sobre comissões pagas em negócios de armamento entre o Reino Unido e a Arábia Saudita, na qual o jornalista que assegurava a locução terminou referindo o que se passava na capital do reino árabe, Rabat.
Ora bem, da última vez que vi Rabat era a capital de Marrocos e Riad a da Arábia Saudita.
Que se segue? Lomé como capital britânica?
Se o erro é de admitir, pense o que diriam os media se um advogado famoso (para criar o paralelo com a divulgação mediática da asneira) se enganasse no nome do cliente ou se um deputado, numa intervenção, atribuísse um projecto de lei ao partido errado...

segunda-feira, 4 de junho de 2007

He is whatching You

Sabes que podes ser demitido em função do conteúdo das tuas mensagens de correio electrónico ?

Já pensaste que a tua empresa pode saber exactamente o local onde te encontras?

Sabias que a tua empresa pode controlar o número de vezes que vais, e o tempo que ficas, na casa de banho ?

Nota: sai post dentro de dias sobre o tema...
Os caros visitantes do “lodo” que não me conhecem de lado nenhum perdoarão o trato intimista…

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Ainda bem

Em homenagem ao recato que pede a minha posição institucional, costumo evitar (e evitarei até fim do mandato) comentários sobre a vida da Académica.

Porém, como amigo e admirador do Pedro Roma, por tudo o que ele guarda da Briosa (muito mais do que as redes), fico contente por ver que chegou a acordo com a Direcção.
Disse.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

E quem é que mexe os bonecos?

Confesso que eu próprio andava com complexos por achar que podia estar com uma anti-mendite obsessiva, pois, nos últimos tempos, creio que o dr. Marques Mendes anda pouco feliz na condução do PSD...

Todavia, ao ler a "Visão", de hoje, acabo por perceber que, bem vistas as coisas, eu sou um "querido" para o Premier do meu partido.

Efectivamente, a revista decidiu ouvir vários psicólogos e psiquiatras sobre as figuras de proa da nossa política. Sem comentários meus, eis excertos do que se diz sobre Luís Marques Mendes, a começar pelo título: "Marques Mendes - A necessidade de afirmação; O líder laranja revela-se 'pouco firme'".

Mais adiante: "Coimbra de Matos diz que Marques Mendes lhe parece 'um boneco dos matraquilhos'.'A ideia que dá é que se deixa manipular ora por uns ora por outros. Não parece muito firme na sua liderança', justifica. João Cabral Fernandes tem uma opinião semelhante. Vê-o como um 'saguim que vai trepando a todos os galhos que escolhe ou que lhe indicam' ".´

A coisa piora, se lermos a opinião de José Carlos Coelho Rosa: " '(...) Está cego por uma doutrina e cego, sobretudo, pelo ódio e pela raiva. Mas é inconsequente, roda a espada no ar, em vez de a usar para lutar', acrescenta".
Com a advertência de que, provavelmente, haverá sanções disciplinares para quem leve uma bola ou amendoins para o conselho nacional, espero, do fundo do coração, que a superficialidade destas análises as leve a provarem-se erradas.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Tens razão, Zé!

Lê-se no Diário de Notícias on-line, de hoje:
Depois do prolongado encontro (duas horas e quarenta minutos) com Vladimir Putin, Sócrates fez questão de enfatizar que domínios como a democracia e os direitos humanos "devem ser discutidos com abertura e franqueza, mas sem ter a pretensão de dar lições aos outros: nem a Rússia à Europa, nem a Europa à Rússia". Putin, então, não podia ter sido mais claro: "Há prisões e torturas em vários países Europeus, há problemas com os meios de comunicação social, e países que têm leis de imigração contrárias ao direito internacional".
Depois disto, resta congratular-me com o facto de Sócrates só ter levado 2h40 para perceber o que custa a entrar na cabeça de muitos governantes europeus e que nunca sequer iluminou as mentes americanas...
A meu ver há, por isso, que sistematizar algumas observações:
  • A Rússia vai ressurgir como potência mundial. As suas reservas energéticas (que Putin usa com mestria, no plateau internacional) e o elevado grau de qualificação dos recursos humanos russos (um exemplo interessante a par do que se passa na Índia) garantem, assim o Estado continue a pôr os oligarcas da era Ieltsin en su sitio, que a "Mãe Russia" vai voltar.
  • Na sua história, o País jamais foi democrático, excepto no pós 1991, se de democracia se pode falar no país dos czares e dos soviéticos (embrenhar-nos-iamos numa enormérrima discussão sob a forma do regime, desde logo com a polémica entre constitucionalistas e sociólogos sobre os requisitos da democracia).
  • A Rússia é o mais extenso Estado do mundo, tem dezenas de etnias e outros tantos conflitos potenciais, dentro das suas fronteiras (a Tchechénia é apenas o mais visível).
  • Se Moscovo for forte, temos contra-peso a Pequim e Nova Dehli, economicamente falando, e moderação na Ásia Central e no Cáucaso, de um ponto de vista do radicalismo islâmico (tem piada que a ONU ande entretida a propor a independência do Kosovo, mostrando que não aprendeu nada com a insana "cóboiada" que os americanos armaram no Afeganistão, com o pretexto de ganharem mais uma das bandeiras em disputa na Guerra Fria).
  • O melhor que pode esperar-se a Leste é ler-se que "diz que é uma espécie de democracia", sugerindo-se o aplauso ocidental, como bem entendeu o nosso Premier.
  • Embora eu seja "pró-ocidental" (seja lá o que isso for) e adepto do modo anglo-saxónico, quando se bate o pé no Kremlin, evita-se que a euforia de Washington resvale para a histeria.

Em suma, creio que José Sócrates já viu o filme. O trabalho vai ser explicá-lo aos "Mários Linos" deste Governo...

P.S. (salvo-seja): oferece-se um fim-de-semana no Gulag a quem souber a posição do PSD sobre o assunto(a invenção a partir do nada deve ser punida).


Recomendo!


segunda-feira, 28 de maio de 2007

81 anos sem parabéns

28 de Maio de 1926...

Acabava a I Republica (em boa hora, digo eu) e começava... (completar a gosto)
Nota: fotografia do General Gomes da Costa, lider do golpe militar que, mais tarde, entronizaria aquele senhor que ganhou "Os Grandes Portugueses".

terça-feira, 22 de maio de 2007

Charrua e a denúncia lavrada

"Dividir para reinar" sempre foi um lema clássico da ciência política, desde tempos imemoriais.
Hoje em dia, parece ser um dogma de fé do nosso Estado laico.
Atenho-me, por ora, num caso concreto: ainda há não muitos dias, tivemos a notícia de que o Governo exortava os funcionários a denunciar casos de corrupção na Administração Pública, a propósito da edição do guia "Prevenir a Corrupção", pelo Ministério da Justiça.
Até aí, tudo bem... A conduta é um imperativo ético e o locupletamento individual à custa de bens de todos é censurável.
Porém, look closer.
Em primeiro lugar, voltamos à eterna mulher de César (nunca vi senhora tão requisitada...); tal seria um estímulo bem aceite numa sociedade anglo-saxónica ou nórdica, em que o bem-estar comum é algo para que os cidadãos entendem que devem contribuir e de que, pela generosidade das oportunidades de melhorar a sua qualidade de vida (mormente no primeiro caso) ou pela excelência das prestações sociais (prima facie no segundo ambiente), usufruem efectivamente.
Ora, Portugal é um país onde se desconfia (com ou sem razão) de que nem todos os que passaram, estão de passagem ou se eternizam nos lugares políticos e/ou da Administração Pública (em sentido estrito) conseguem explicar a sua fortuna (ou a dos familiares próximos) à luz de salários, dividendos ou heranças do círculo familiar mais chegado, seja aquela feita de betão luso, negócios brasileiros (e garanto-vos que não me dirijo apenas a simpatizantes de um só partido) ou notas a bronzear-se num offshore tropical.
Em segundo lugar, falamos de uma sociedade em que a inveja vence a apreciação do valor de terceiros e em que o compadrio oblitera o mérito. Pedir que se denuncie, eventualmente, um colega é apontar a mira para quem ousar cumprir mais do que o expediente, sendo um verdadeiro assalto à diligência (aqui entendida como qualidade e não como transporte, sublinho).
E como se de provas necessitássemos, leio que o ex-Deputado Fernando Charrua foi suspenso das funções que exercia na DREN (Direcção Reginal de Educação do Norte), há quase 20 anos, por ter contado ao colega de gabinete uma anedota sobre a licenciatura de José Sócrates.
Vamos por partes: por um lado, conheço bem o dr. Fernando Charrua e se ele afirma que contou apenas uma piada, não vejo por que há de valer mais a palavra do colega que, ao que sei, alegou algo de mais ofensivo. Fernando Charrua é um profissional competente e foi daqueles deputados que nunca se negou ao que quer que fosse, desde debates em plenário, passando por trabalho de comissão ou mesmo pelas audiências que se concedem a pessoas e entidades exteriores e para as quais muitos se mostram indisponíveis. Acresce que muito do que sei sobre Educação foi com o dr. Charrua que aprendi, já que, mesmo nos momentos mais assoberbados, nunca faltaram a sua disponibilidade e a sua amizade.
Por outro lado, é preciso verdadeiro espírito de lacaio e uma pitada de cretinice por parte da Directora Regional, Margarida Moreira (pode processar-me criminalmente, se fizer favor), para, no País da sátira (ganhamos muito, mas rimo-nos muito), onde já circularam milhares de e-mails sobre a confusão em torno da licenciatura do Primeiro-Ministro, suspender um dos mais valiosos colaboradores da DREN.
Diz a Directora Regional que "o sr. primeiro-ministro é o primeiro-ministro de Portugal" (in "Público", de 19 de Maio). Digo eu: haverá melhor prova da subserviência da dirigente que prefere o "bufo" ao trabalhador?! Para dizer uma evidência, usa duas vezes o cargo e ainda faz a vénia acrescentando "senhor"...
Por último, aposto convosco que José Sócrates nunca encomendaria um frete destes, antes se suspeitando de vulgar "graxa", bem conhecida, por exemplo, de quem, perdendo eleições, tenha de regressar a mares de autoridade ou capitais públicos... Há vários casos (e também excepções, graças a Deus...) de gente que, julgando prestar um honroso serviço, se entretém a pisar quem perde. Da suspeita não se livra a "Senhora" Directora.
Admitindo que tudo possa vir a esclarecer-se num ou noutro sentido (sendo que, como disse, não posso deixar de acreditar na inocência do meu antigo "Senhor" colega), espero que percebam porque é que, há tempos, escrevi profusamente sobre a vitória de Salazar, no concurso televisivo. Para quem não acreditasse, nos gabinetes da DREN ou como estímulo ético, há traços que não morrem.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Olhando o naipe de candidatos: não, obrigado!

Quando acho que já li tudo, aparece sempre algo para me mostrar que não percebo o que quer que seja de política...

Lê-se, hoje, na edição impressa do Diário de Notícias que o sexo oral entrou na política belga como promessa eleitoral, embora jocosa (assim estilo "150 mil novos empregos", estão a ver?!); senão, vejamos:

"A jovem Tania Derveaux, candidata pelo partido NEE às eleições para o senado da Bélgica, deu um novo sentido ao conceito de campanha eleitoral, ao prometer 40 mil felações a quem votasse naquela força política. O NEE faz assentar parte da sua campanha no humor (...). O NEE parodiou os concorrentes oferecendo 400 mil novos empregos. Porém, recebeu centenas de e-mails a pedir não 400 mil empregos (jobs, em inglês), mas sim 400 mil felações (Blowjobs). Tania decidiu corresponder aos apelos, com a condição de que seriam apenas 40 mil. (...)".

Sendo que o disparate não é inédito (lembro-me, de imediato, de exemplos parecidos em Itália, nos EUA e na Ucrânia), olhando o leque de escolhas para a edilidade lisboeta, considerem-se todos dispensados de gracinhas ou ofertas do género...

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Boa sorte, caro Amigo

Não me inscrevendo (por ora) em qualquer tendência de oposição interna ao Presidente do PSD, mas também não sendo dos que floresce à sombra de qualquer sol (e se os há no PSD de Coimbra…), não posso deixar de sublinhar que a propaganda laranja sobre os dois anos do Governo actual também podia, num caso concreto, traduzir o balanço do raciocínio seguido na S. Caetano à Lapa.

Falo do critério adoptado pelo dr. Marques Mendes para decidir quem tem mérito para vestir a camisola social-democrata, por enquanto só aplicado ao plano autárquico.

Apesar de dito pelo autor como político, é indisfarçável o toque judicial ou “justiceiro” do crivo usado, se nos lembrarmos de que os arguidos Valentim Loureiro (Gondomar) e Isaltino Morais (Oeiras) mereceram censura do politburo mendista.

Ora bem, não especulando sobre o “bom gosto” da decisão, a verdade é que o mesmo veredicto político atingiu Gabriela Seara e Carmona Rodrigues (Lisboa), assim que adquiriram a mesma qualificação processual.

Ou seja, fica a clara ideia de que, para o Premier laranja, quem é constituído arguido passa a não ter condições para representar o PSD…

Todavia, a apreensão assalta-me (salvo-seja, senão ainda me tramam também, como “assaltante”): por um lado, a constituição como arguido, por vezes, pretende também aumentar a esfera defensiva de alguém sobre quem recai uma determinada suspeita.

Por outro lado, bem ensina a doutrina (já incorporada até pelo senso comum) que, até sentença transitada em julgado em seu desfavor, um cidadão presume-se inocente.

Isto é: com base numa coincidência com a evolução processual, a Direcção do PSD arreda do seu horizonte de legibilidade cidadãos que a mesma Lei com que o partido se sintoniza para os excluir faz questão de dizer que eles não são, nessa data, culpados. Eis uma contradição complicada, mesmo e talvez sobretudo quando se usa um juízo político sobre alguém.

Depois a torrente de incoerências não cessa, mercê desta mistura pouco feliz de critérios políticos com momentos processuais penais; levado ao limite, o modus operandi vigente no palácio da justiça mendista teria obrigado a sacrificar Isabel Damasceno (Leiria) por dá cá aquela palha e, levando a linha de raciocínio ao absurdo, a excluir Rui Rio (Porto) de funções, já que, mesmo com o acordo relativo ao Túnel de Ceuta a que chegou com o IPPAR, a situação de arguido manteve-se por se tratar de um crime de natureza pública (violação de embargo).

Admitamos, contudo, que, efectivamente, o juízo político de Marques Mendes é moral, porque apoiado na sua ética política. Também aqui, salvo o devido respeito por ambos, me parece estranho meter no mesmo saco Valentim e Carmona.

Em suma, a mistura de uns pozinhos de judicial com uns gramas de político não me parece receita feliz e deu mau resultado em Lisboa.

A última palavra para dizer que, numa eventual derrota laranja na Capital (algo que não desejo), não pega, desta vez, aquela ideia de que foi uma derrota em nome de princípios, pois já foi com base numa opção pessoal que Marques Mendes excluiu a recandidatura de Santana e apostou em Carmona Rodrigues.

E valia a pena que não esquecêssemos as sábias palavras de Santana Lopes, quando ainda pairava a hipótese Fernando Seara, sobre a gritante carência de quadros de um partido que não tem sequer a desculpa de estar no Governo.
Porém, temos Negrão para enfrentar uma situação que, não vale a pena escondê-lo, está negra...
Sobre ele, com quem partilhei alguns tempos na Direcção do Grupo Parlamentar, tenho a dizer que é um gentleman, com todas as qualidades que os britânicos atribuem ao termo, independentemente de juizos sobre arte política que, agora, já não interessam.
E é tanto mais curiosa a escolha, quando reforça a coerência do que disse sobre o errado critério de Marques Mendes: andava o dr. Fernando Negrão a braços com um processo que envolvia uma alegada violação do segredo de justiça e fiz questão, na Universidade de Verão da JSD*, em São Pedro do Sul (na ocasião, organizada em conjunto com a Juventude Popular), de reafirmar a admiração pessoal que por ele tinha e o apoio da JSD (falava enquanto vice-presidente daquela e co-organizador da UV). Ou seja, para mim a presunção de inocência não é mero enfeite processual...
Quanto ao candidato à Câmara de Lisboa, um desejo sincero: boa sorte, caro Amigo.
* Embora o tema já tenha despertado fanatismo pouco democrático no blog do Luís Cirilo, continuo a dizer que a "alienação" da UV ao PSD foi um erro, pois descapitalizou a JSD, de modo irreparável. Tal não põe em causa a excelência do trabalho do seu actual responsável.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Sensibilidade e Bom Senso

A relação entre um sentimento e o outro nem sempre é fácil.
Há acontecimentos que nos provocam sensações como tristeza, cólera, medo, desânimo e impotência. E quando esse cocktail de sentimentos nos inunda, torna-se complicado gerir o bom senso.

É o que me parece que acontece nos últimos tempos relativamente ao trágico acontecimento que marca a actualidade: uma má gestão do melindre que o “Caso Madeleine” suscitou, tem levado a uma insensatez por parte da sociedade civil, mas sobretudo por parte dos operadores judiciários e da comunicação social nacional e internacional.

Revolta-me o que aconteceu no passado dia 3 em Lagos, mas ainda me revolta mais o circo mediático que se criou à volta desta situação.

Inquieta-me esta histeria colectiva.

Incomodam-me os noticiários que dedicam interminavelmente horas a este caso, com directos dispensáveis, com revelações em nada surpreendentes e com entrevistas sórdidas nada conclusivas.

Revolta-me ainda esta espécie de ‘amnistia social’ que imuniza os pais da criança, quando estes são claramente os responsáveis pelo que aconteceu e deviam mesmo ser punidos pelo comportamento negligente que tiveram.

Lamento a não existência de um gabinete de comunicação da PJ que filtre o que deve passar e o que não deve passar para fora, atendendo sempre ao mui legítimo segredo de justiça.

Indigna-me a postura arrogante e ignorante dos que nos olham lá de fora como se fossemos um país terceiro mundista, ao mesmo tempo que fazem da nossa PJ bode expiatório.

Irrita-me o oportunismo mediático de algumas celebridades que fazem declarações que na prática são tão ocas quanto inúteis.

Temo a reacção dos pais que também passaram pelo mesmo mas que não viram os seus casos ser resolvidos nem com a mesma determinação, nem com os mesmos recursos, nem com os mesmos apoios.

Enfim, o “caso Madeleine” (não menosprezando a sua gravidade), acaba por servir também para fazer uma análise ao comportamento da sociedade.

Uma sociedade que perante problemáticas desta dimensão revela uma compaixão compreensível e uma solidariedade imensurável. Mas que tem, simultaneamente, comportamentos excessivos e insensatos ao lidar com estas questões.

É a tal relação difícil entre a inevitável sensibilidade e o desejável bom senso.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

66,6% de razão

Hoje, ouvi Santana Lopes dizer que discorda da hipótese de Fernando Seara concorrer à Câmara de Lisboa, pois tal faz crer que o PSD esté desprovido de quadros, mormente num tempo em que a governação não causa a habitual sangria, dado que é o PS que tem as rédeas do País.

Está certo quando, por outras palavras (não fosse uma ironia do diabo fazê-lo coincidir com a análise de Marcelo Rebelo de Sousa), diz que - independentemente dos inquestionáveis méritos pessoais e políticos de Fernando Seara (acrescento meu) - é triste constatar que é preciso deslocar um edil de renome para disputar a Capital.


Está ainda certo quando percebe a gravidade do deserto intelectual e/ou de mérito (pois, cá para nós, o PSD até tem gente de gabarito que, na realidade, não quer é correr riscos, quando o provento não é seguro...) que atingiu o PSD, fazendo assim 2/3 de considerandos acertados.


Todavia, o que faltou a Pedro Santana Lopes foi reconhecer o seu contributo para essa razia!...
P.S. (salvo-seja): no caso de Lisboa continuo a dizer o mesmo...

Já está!


sexta-feira, 11 de maio de 2007

Comprar... o que é nosso!

“Compro o que é nosso” é o slogan que está por todos os super/hipermercados.
A oportuna iniciativa partiu da AEP (Associação Empresarial de Portugal) e pretende revigorar as marcas portuguesas e aumentar a venda dos produtos “Made in Portugal”.

Através desta campanha de sensibilização para o consumo de bens produzidos no país, a AEP lança o desafio aos portugueses apelando à sua consciência cívica de consumidores e alertando-os para o que pode ser um excelente e simples contributo de cada um de nós para recuperar a nossa convalescente Economia.

Eis, dez boas razões para ‘comprar o que é nosso’:

• Valorizamos a produção nacional – e o empreendedorismo, criatividade, trabalho e dedicação dos empresários portugueses.
• Contribuímos para a motivação dos empresários nacionais e dos seus trabalhadores.
• Minoramos os efeitos da Globalização pouco favoráveis à economia nacional.
• Estamos a criar mais riqueza (aumento do PIB; equilíbrio da balança comercial, etc…)
• Estamos a favorecer a criação de mais emprego.
• E, consequentemente, de mais desenvolvimento económico.
• Estamos ainda a mobilizar os produtores portugueses a serem mais competitivos.
• Ajudamos a dinamizar a nossa economia;
• Potenciamos a internacionalização dos produtos “Made in Portugal”.
• Elevamos a nossa auto-estima e estimulamos um saudável patriotismo

Agora, a tarefa está nas mãos dos portugueses.
Já que somos tão consumistas e cheios de patriotismo quando estimulados a ele, eis uma excelente oportunidade para abraçar uma causa, que no fundo, é a de todos nós.
E é tão fácil… na hora de encher o carrinho de compras, é só procurar os produtos com o símbolo deste projecto e com o mote “Compro o que é nosso”.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

De um conselheiro nacional para outro

Como já "chorei" o suficiente no texto anterior, sublinho apenas que The Mirror and The Mask - Portraiture in the Age of Picasso está no Museu Thyssen, até dia 20 de Maio.

A exposição é óptima, incluindo, entre outros, Van Gogh, Gaugin, Munch, Cézanne, Modigliani, Picasso, Dali, Frida Kahlo, Miró, Francis Bacon e até... Andy Warhol...

Em Portugal? Talvez jamais...

Não consigo é esquecer-me do comentário, que já mencionei, do ex-Ministro e actual (eterno) Deputado que, no último conselho nacional do PSD, afirmou no seu discurso que a Cultura não era relevante como tema político... A avaliar pela sua intervenção, até acredito...

E nós?

Até dia 13 de Maio, no Museu do Prado, em Madrid, ainda pode ver uma soberba exposição do best of (Jacopo) Tintoretto, com quadros pertencentes a grandes museus da Europa e dos EUA.

Enquanto passeava por estas maravilhas artísticas, perguntava-me por que é que a Cultura em Portugal é tão miserável que, além de não termos estas obras nos nossos museus, nem sequer temos recursos para trazer cá estes grandes eventos estéticos...

Vergonha para PS e PSD!

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Se é para ser a sério...

Em matéria de Câmara de Lisboa, se o PSD pretende ter hipótese de discutir o resultado, depois das pantominas da dispensa de Santana Lopes e do afundamento de Carmona Rodrigues, haja quem convença Manuela Ferreira Leite... Reputação imaculada é remédio santo!
Morais Sarmento e Júdice também podiam levar o jogo para prolongamento...
Quanto a Marques Mendes, o mínimo a exigir pela aposta pessoal e pela necessidade de um sinal de valentia é uma candidatura à Assembleia Municipal.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Em "stand by"


Sr. Presidente:
Aguardamos, a "curto prazo" (resta ver o que entende por curto prazo!), declarações sobre a situação caótica que se vive na CML.

domingo, 29 de abril de 2007

E nós a vê-los passar...

Andei que tempos a pensar que personagem histórica me fazia lembrar o desempenho mais recente do dr. Marques Mendes, e eis que o adorável Wile E. Coyote da Warner me fornece a matéria prima: é alguém com quem simpatizamos, que persegue com denodo alguém que parece ser sempre mais lesto e cujas iniciativas, algumas das quais academicamente interessantes, dão, quase invariavelmente, asneira.
Vem isto a propósito de um texto da Dulce, no qual aceita como boa a atitude de Marques Mendes sobre as habilitações literárias de José Sócrates. Eu discordo, por duas razões: a primeira tem a ver com o facto de, depois dos necessários comentários iniciais, a polémica ter servido para distraír o País dos problemas cruciais. A segunda prende-se com a ideia que sempre tive de que alegações sobre o carácter alheio são último recurso e exigem provas, o que Marques Mendes não produziu.
Encadeando isto com o último debate parlamentar, sublinho que acho digna do Coiote a proeza de, com o Primeiro-Ministro sujeito a essa e outras contrariedades e com o CDS ainda em cacos, o Presidente do PSD ter conseguido ser novamente "espancado".
Pegando no caso das habilitações de Sócrates, o mínimo a fazer era não cair na armadilha do Bip-Bip do PS e ter-lhe dito na cara o que dissera nos jornais. Continuaria a discordar, mas aproveitava-se-lhe a coragem e a coerência.
Por fim, verifiquei que se consuma o fecho da tenaz composta por dois mestres do mediatismo: Sócrates e Portas. Para quem acha que o cinzentismo do século XX ainda cola no seguinte...
De uma ou de outra a caloira do "Lodo" tem razão: há que meter a casa da oposição em obras.

sábado, 28 de abril de 2007

Oposição"zinha" *

A oposição institucional, feita no seio das instituições democráticas como o é a Assembleia da República, é nos regimes democráticos o instrumento de trabalho dos que ficam de fora do Poder Governativo.
A estes 'sobra-lhes' (não menosprezando...) o Poder Legislativo a exercer na AR, acrescido de um outro poder/dever, que é o de “fazer oposição”.

Volvidos dois anos de Governo Socialista, o maior partido da Oposição, ou “o estado-maior de Marques Mendes”, como alguém o denominou, continua a ser oportuna e justamente acusado de fazer uma Oposição débil e muito aquém do desejável.

Em dois anos, Marques Mendes só se mostrou realmente preocupado e exaltado aquando da recente polémica das habilitações literárias do Primeiro-Ministro. Só se pronunciou com fervor e determinação para falar sobre matéria curricular, particularmente, a do homem cujo actual cargo ele deseja para si já em 2009.
Muitos não concordaram com este 'abespinhar' de Marques Mendes, como o companheiro Gonçalo aqui do Lodo. Eu considerei oportunas e sensatas as atitudes e exigências feitas pelo líder social democrata face à questão 'Independente'. Mas tristemente constato agora que esta súbita determinação e esta vigilância de Mendes, qual sentinela, foi sol de pouca dura...

Mais à direita, o CSD de Ribeiro e Castro também não se destacou na Oposição e deixou-se esmorecer (leia-se: adormecer) nas confortáveis cadeiras do Parlamento.
Já o recém ressuscitado Paulo Portas, regressou ao Parlamento na passada sexta-feira, dia de Debate Mensal, para cumprir o prometido: “fazer oposição institucional e popular”.
Mas ficou um pouco aquém da promessa e deixou até que Sócrates ironizasse os seus ultimatum's...

Quanto ao Quarto Poder, esse (salvo raras e benditas excepções…) continua a "levar ao colo" Sócrates e o seu (des)Governo.
Se a Oposição se mantiver murcha e passiva, na Assembleia da República o PM, com ou sem canudo, parece ter a tarefa facilitada.
Perante esta 'ditadura Socrática' que já leva dois anos, só me ocorre uma solução, que irrompe precisamente nos finais do mês de Abril:
uma (r)evolução na Oposição.
É tão desejável, quanto indispensável...


* O título deste post foi “roubado” ao seguinte episódio:

- Então e fazer Oposição, não?..
Marques Mendes: - Faço Oposição todos os dias.
- Oposição«zinha»… Até o amigo Menezes, lá de longe, faz bem mais…
Marques Mendes: - Então siga-o…
- Pode crer que o sigo…


Não, não é ficção….
Foram as ‘amistosas’ palavras trocadas entre uma jovem militante social-democrata e Marques Mendes, no final do XIX Congresso Nacional da JSD. E ainda dizem que os jovens que integram juventudes partidárias são meros fantoches sem vontade própria, nem consciência crítica… …

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Tens razão, pá!

Não conhecendo pessoalmente o senhor, Paulo Rangel foi uma figura que nunca me despertou grande simpatia mediática; fosse nos debates parlamentares ou na sua ida semanal à RTP, parecia-me sempre demasiado "cheio de si próprio" e um dono da verdade.

Contudo, o discurso evocativo do 25 de Abril - em que denunciou o takeover socialista dos media e das polícias - confirmou outra certeza que também acalentava: o homem tem conteúdo, o que, no seu grupo parlamentar, faz dele uma pérola, embora não única. Não fora o Presidente da bancada laranja um gentleman e diria mesmo que era homem a abater...

Ficam-me duas perguntas: por que é que Marques Mendes não atenta na determinação de Paulo Rangel?

Se Santana Lopes o conhecia bem, como é que entrou na lista (pura maldade, reconheço)?

O Google, a China e o livre acesso à rede

Gonçalo, no seguimento do teu comentário ao meu último post, e visto que levantaste um tema que considero extremamente interessante, resolvi trazê-lo ao prime time do Lodo (espero que não te importes!).

Gonçalo Capitão

“Interessante este texto...
Porém, como há sempre um reverso da medalha, é a mesma empresa - "Google" - que admite censurar a pedido do governo chinês, assim limitando o potencial democratizador da Net em homenagem ao lucro.
Em sentido contrário, fica a ideia de que não é preciso explorar e tratar mal para obter resultados. Bem ao invés... “


Entendeu o Google que pior que oferecer um serviço censurado seria ficar fora do mercado chinês, que a curto prazo, terá mais pessoas conectadas à Internet que os Estados Unidos.

Como sabes Gonçalo, para uma ditadura, não há maior perigo que a livre discussão e o livre acesso à informação, enquanto que para um site de pesquisa na Internet, a sobrevivência depende da confiança que o público deposita nele.

Tenho a impressão que a fraca (para não dizer inexistente) resistência ao regime comunista da China não deve ter sido nada fácil para a alta esfera do Google, indo contra a tal confiança que acima referi. No entanto, ao render-se às regras da China, o Google não só deu força ao debate sobre a censura na net (tema que ainda vai dar muito que falar), como abalou a sua imagem.

Não esqueçamos é que a censura na net é uma realidade e a China não foi pioneira nesta matéria, sendo disso exemplos a França e a Alemanha, onde são barrados (e muito bem) sites nazis ou racistas.

A diferença, obviamente para além do conteúdo, é que umas são decididas por democracias, enquanto que outras são impostas por burocratas que não se preocupam com o imperativo de prestar contas à sociedade.

Termino com uma pergunta Gonçalo, até onde deverá ir a privacidade e liberdade de quem procura informações na rede?

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Ensaio geral

No passado fim-de-semana, li que o Presidente do PSD foi barrado à porta do Hospital de Estarreja.
Ora bem, numa altura em que o CDS ainda apanha os cacos da última disputa interna e o Governo tenta sobreviver aos sobressaltos relativos às habilitações do Primeiro-Ministro e à OTA, a conduta do challenger deve ser exemplar.
Disse o responsável pela instituição hospitalar que não recebeu qualquer pedido para uma visita de cariz político. Pode alguém com a ambições a liderar um País sujeitar-se a ter um staff que não prepara convenientemente sequer uma visita de oposição?
O problema é menor, reconheço, mas alimenta receios pelo amadorismo que encerra.
E depois, sublinho Marques Mendes, como muitos políticos, deveria adaptar-se ao seu estilo de comunicação do século XXI. Quero com isto dizer que, uma vez apanhado nessa situação delicada, deveria evitar gaguejar, aproveitando para se vitimizar e alegar que lhe estava a ser sonegada informação essencial.

Porém, nem uma nem outra: apanhado em falso, desvalorizou o que, obviamente, iria ser notícia.
Repetindo que não é essencial, espero que seja parte do ensaio para que a peça seja bem representada, quando e se chegar à liderança do Governo.

terça-feira, 24 de abril de 2007

sábado, 21 de abril de 2007

And the Oscar goes to…


Ontem, nas minhas incursões de zapping televisivo, fui parar à SIC Mulher e por lá fiquei, a ver a superstar Oprah Whinfrey. Confesso que o programa em si não me atrai, no entanto, o tema era qual a melhor empresa americana para se trabalhar, o que assim sendo, cativou a minha atenção.

O título foi atribuído ao Google. Não sei quais as variáveis que foram inseridas no estudo para se chegar ao resultado final, todavia, a crer na reportagem transmitida durante o programa, qualidade de vida é o que não falta a quem lá trabalha.
Tudo bem que estamos a falar de um trabalho criativo, mas desde refeitórios totalmente gratuitos para os colaboradores com comida de qualidade, ginásios, infantários, piscinas, campos desportivos, salas para videojogos, entre outros, mais me pareceu um campo de férias do que propriamente uma empresa com fins lucrativos. Aliado a tudo isto, acrescente-se altos índices de satisfação e produtividade, que segundo um dos fundadores, se deve a este tipo de políticas laborais.
A reportagem terminou com a apresentadora a dizer que o Google recebe diariamente 1300 currículos de pessoas que se mostram interessadas em trabalhar na empresa.

Incentivado pela reportagem, fui à procura das melhores empresas para se trabalhar em Portugal, o que note-se, são sempre atribuições altamente subjectivas, não só por força dos critérios que se possa colocar no modelo, como também das expectativas, que como sabemos varia de indivíduo para indivíduo.
A pesquisa não foi difícil, bastou-me folhear uma revista que habitualmente compro, e sorte das sortes, lá vinha na página 53 um ranking com as melhores empresas para se trabalhar em Portugal.

O Oscar mais apetecido foi para a imobiliária Cushman & Wakefield, ficando a Danone com o Oscar de melhor empresa para os jovens, enquanto que a Amgen contentou-se com o galardão para melhor empresa para as mulheres. Desafio Global para os fornecedores, Martinfer a que mais contratou e a consultora Accenture ficou com estatueta para melhor empresa para os executivos.

A título de curiosidade, aqui fica o Top 20 Português, de forma ascendente. De referir que o estudo que chegou a estas conclusões foi coordenado pelo Great Places to Work Institute e que abrangeu mais de 200 empresas.

CUSHMAN & WAKEFIELD
MICROSOFT
AMGNEN
BMW
LIBERTY SEGUROS
REAL SEGUROS
MAPFRE SEGUROS
HUF
MARTIFER
BRISTAL MYERS SQUIBB
ACCENTURE
DIAGEO
AUTO-SUECO
EVERIS
DANONE PORTUGAL
LUSITÂNIA
PRICEWATERHOUSECOOPERS
JOSÉ JÚLIO JORDÃO
AMORIM IMOBILIÁRIA
DOMINGOS DA SILVA TEIXEIRA

terça-feira, 17 de abril de 2007

Custa, mas tem que ser...

A verdade é que, entre várias pantominas, José Sá Fernandes vai sendo uma voz útil na Câmara de Lisboa.

Ante o desnorte reinante, devem os lisboetas (em que me não incluo...) ficar satisfeitos por terem um "vigilante" com isenção.
Depois da denúncia da tentativa de suborno pela Bragaparques, esta resistência à capitulação perante os projectos imobiliários dos clubes de futebol (no caso foi o Sporting, mas vale para todos) foi louvável e faz nascer a esperança de que esteja a findar a tolerância para com a relativização do bem-estar de todos em favor de grupos de interesses.
Se a Lei diz "espaços verdes e equipamentos sociais", não deve ler-se "100% betão", como se tem feito ao longo dos anos...
Ao que cheguei!... Elogiar o Bloco de Esquerda... Consola-me (pouco) o facto de Sá fernandes ser independente...

Bem feitinho


sexta-feira, 13 de abril de 2007

Adepto me confesso


Estavas a ir tão bem...

O dr. Marques Mendes costumava dizer, com amizade e por graça, que eu sou do "contra".
Talvez por me ter criado uma dúvida existencial, tenho olhado com a benevolência de que sou capaz o seu mandato à frente do PSD (por exemplo, depois de no Congresso ter sido acusado de "traidor" e outras coisas por um dos seus servidores mais próximos, embora não directamente, pois a coragem não dá para tanto, remeti-me a um silêncio reflexivo nos Conselhos Nacionais seguintes, para ver se o problema era mesmo meu).

Porém, quando até parecia ir "benzinho" - parece-me que estava a cavalgar bem a onda da OTA - esta de pedir um inquérito ao currículo académico de José Sócrates soa, salvo o devido respeito, a aselhice e falta de jeitinho...

Podemos entender que o Primeiro-Ministro não se explicou convenientemente. Podemos até pensar que a licenciatura levanta dúvidas. Mas, no fim do dia, nem um só dos problemas do País será resolvido, mesmo que se apure que Sócrates prestou declarações incorrectas.

É com pena que digo que a posição mais equilibrada, quanto a este caso, foi a do PCP, que foi exactamente neste sentido: dizer que não se acha esclarecido, mas sublinhar que "bater mais no ceguinho" distrai dos problemas essenciais.

Mensagem ao Parlamento

Mais do que nunca, creio que este livro deveria ser distribuído gratuitamente aos deputados, aquando da entrega da pasta de documentação, que sempre se oferece na tomada de posse. Eu li antes...