segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Transiberiano IX – Epílogo (Vladivostoque)

Falemos, a encerrar, do fim da linha: Vladivostoque, que foi uma cidade fechada a visitantes de 1958 até 1992.

A “São Francisco” russa destaca-se, desde logo, pela sua baía



e pelo facto de ainda não estar habituada a turistas (será que algum dia estará?...), algo que se reflecte na rarefacção de sorrisos e pessoas a falar inglês, mesmo se considerarmos que a Rússia não é pródiga em nenhum desses bens de primeira necessidade para os viajantes.

Mais reflexos disso mesmo são os museus. O Museu Regional Arsenev esteve constantemente encerrado ao público, apesar de se verem à distância as salas com as obras e peças e gente a circular.


Foi, todavia, possível visitar a extensão do dito Museu



Por seu turno, o interessantíssimo Museu Antique Automobile – que tem vários carros e motas soviéticos -


para além de ficar nos arredores, junto a uma fábrica que cobre a zona de fumo,


apenas tinha uma funcionária que nem sequer trabalhava na bilheteira. Felizmente, com o pouco de russo que domino, lá deu para perceber que o museu não abriria brevemente e que alguns rublos fariam milagres; ou seja, fecharam-nos sozinhos nas salas, com a diversão de nos competir abrir e fechar luzes e o bónus de podermos fotografar tudo e mais umas botas…





A aventura continuaria, todavia, no Museu de Arte Primosrski, que tinha toda a cablagem esventrada estando – que surpresa!!! – encerrado. Mais uma vez, cem rublos permitiram ver grande parte da colecção. Já a extensão do museu – que expõe rotativamente pintores soviéticos – estava aberta e povoada por funcionários simpáticos (algo que pode causar problemas cardíacos aos mais incautos…).



No que toca à Grande Guerra Patriótica (por cá, II Guerra Mundial) as coisas mudam de figura, pois os militares continuam a assegurar que pode visitar a Fortaleza de Vladivostoque e seu museu (ambos interessantes)




e a ilha Russky, que apenas foi aberta ao público no novo milénio. Tomado o ferry e feita a hora de caminho (gelada, se for no Inverno),



a ilha oferece esconderijos, exibições museológicas, canhões e, la pièce de résistance, a bateria Voroshilov com o seu complexo de túneis e munições de meia tonelada.

Igualmente a funcionar bem pode encontrar o Museu da Frota do Pacífico com evocações e recordações que começam em Pedro, O Grande e que vêm até aos dias de hoje,


bem como o Submarino S-56, que é, também ele, um museu (metade em estado original e a restante parte esventrada para exposição de vários objectos e documentos).




A encerrar, um passeio na Praça Bortsov Revolyutsii,



no Arco do Triunfo,


pela Catedral,


e uma subida à colina, via funicular, para ver a cidade e os navios de guerra russos atracados.




Em jeito de balanço, o Transiberiano representa uma montanha de recordações (não esquecer a velha locomotiva


e o marco do quilómetro 9289,

que evocam a epopeia, na estação local), mormente se fizer a viagem no Inverno.

sábado, 1 de outubro de 2011

Reforma Administrativa do Poder Local

Lendo o Documento Verde que o Governo apresentou para a Reforma da Administração Local deparamo-nos com uma violência reformista que, apesar da minha relativa juventude, não encontro precedentes na nossa história democrática.

E para que o debate que aí vem convém desde já desmistificar a ideia que se trata “apenas” do incentivo à fusão de municípios; diminuição/corte nas juntas de freguesia; nos políticos e dirigentes autárquicos e nas empresas do Sector Empresarial Local.

Não. Isso já seria muito. Mas é mais, muito mais. E para o corroborar bastará ver o enquadramento legal que será alvo de revisão.

Os tempos são propícios ao ímpeto reformista e o Parecer (quase) generalizada junto dos nossos opinion makers é que o Documento está bem feito e é bem-vindo. Aliás, se virmos bem, a maioria das propostas vai ao encontro daquilo que há muito se defende na sociedade civil e no debate político: actualização do mapa administrativo; racionalização e “controlo” do Sector Empresarial Local (SEL); maior eficiência e eficácia ao nível da gestão municipal e intermunicipal; e a revisão das competências, composição e formação dos órgãos autárquicos.

Se a orientação estratégica está aprovada, agora importa explicar que esta Reforma deve ser vista como uma alavanca à competitividade e não apenas como uma medida de redução de despesa, algo que, aliás, duvido que aconteça, porque não será fácil promover ganhos em termos de eficiência e eficácia gastando menos, mesmo que concordemos todos que muitos dos problemas da nossa Administração Local seja a sua desorganização.

Voltaremos mais tarde ao tema no seu todo mas, para já, queria escrever-vos sobre um ponto que tem passado despercebido e que é de enorme importância, a Revisão do regime de financiamento das autarquias locais (alínea e) página 27 do Documento).

Aguardando-se ainda por saber o que pensa o Governo sobre esta matéria, desde já vos deixo aqui o meu modesto contributo sobre dois pontos:

1) O primeiro, e já aqui vos escrevi sobre isso, é a necessidade de alterar o modelo fiscal face à elevada dependência das receitas por parte da construção e do imobiliário. Creio que seria preferível passar, por exemplo, parte da Derrama e do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis), e mesmo algumas taxas e competências urbanísticas (ajudando assim a acabar com algumas dúvidas de honorabilidade sobre A ou B) para a Administração Central e, em contrapartida, aumentar a participação das Câmaras no IRS (que actualmente tem um tecto de 5%) e/ou aumentar o valor das transferências em sede de OE.

2) Depois, acabar com a pouca vergonha que são os empréstimos excepcionados aos limites de endividamento. O que se tem verificado nos últimos anos são municípios completamente endividados e que ainda assim dispõem de capacidade para se endividarem ainda mais.

Por exemplo, os estádios para o Euro2004 que à mercê uma Lei de 2002 e do OE/2003 fazem com que os empréstimos que foram contraídos não impliquem qualquer agravamento à capacidade de endividamento municipal.

Temos ainda o exemplo de muitas obras financiadas através com Fundos Comunitários que são excepcionadas aos limites de endividamento, cuja parte destinada à participação pública (ou seja, não co-financiada) foi suportada através de empréstimos bancários onde se aplicou o tal princípio da equidade inter-geracional que desgraçou as nossas contas públicas e endividou as gerações futuras.

Em suma. A solução não podia ser mais simples. Como são todos para pagar, todos devem constar para os limites de endividamento.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Madre Goa

Se gosta da nossa História, uma viagem que deve fazer antes de morrer – por causas naturais ou por acção do FMI – é a Goa, Damão e Diu.

Comecemos por Goa e pela parte física da experiência. Uma boa base para explorar o Estado de Goa é ela própria uma herança portuguesa: a Fortaleza da Aguada (ou Forte Aguada) que os nossos antepassados construíram no século XVII para defesa daquela zona estratégica e que, segundo as fontes disponíveis, deve o nome às nascentes de água potável (na altura não se falava em privatização…) que abasteciam os nossos navios. Hoje em dia, na sua parte baixa, alberga uma notável pousada e vistas edénicas.



A parte superior (a que pode, correndo riscos, aceder pelo lado da costa) implica um desvio terrestre de quatro quilómetros, mas vale a pena pelo soberbo estado de conservação e pelo imponente farol edificado no século XIX.




Repousado o esqueleto na piscina com vista de coqueiros e com o pôr-do-sol sobre o Índico,



uma primeira fugida a Panjim pode bem ter um final feliz (salvo seja) no Restaurante Viva Panjim, onde a anfitriã, Linda de Souza (assim mesmo e com fluência na língua do mesmo Camões que andou por aquelas terras), e o seu pessoal tudo farão para que se delicie com a envolvência bem portuguesa do bairro e com a deliciosa (mesmo) e acessível (mesmo, parte II) comida goesa.





O dia seguinte pode mesmo ser por lá, Panjim (antigamente, Nova Goa), a capital de Goa. A Igreja de Nossa Senhora da Imaculada Conceição (1541) e sua escadaria enchem as medidas a qualquer um,


assim como o Bairro das Fontainhas (com o Altinho)


e o Bairro de São Tomé,






onde só a tonalidade da tez dos locais lhe lembrará que não está em Lisboa, porque não raras vezes o idioma falado leva-o a casa num esfregar de olhos. Chegados a este ponto da narrativa, uma pausa e uma recomendação: doseie bem o tempo que tem para visitar a cidade e a quantidade de vezes que abre a boca para falar português; em menos de um fósforo estará a visitar uma alfaiataria dos tempos dos filmes de Vasco Santana


 ou a entrar em casa de um Colaço ou de um Menezes!... E ai de si que não beba ou coma qualquer coisa!... Ajuda à digestão o deleite com que ouvirá recordar com saudade os portugueses (o mesmo azedume com que falam dos “outros” – entenda-se “indianos”).

O Palácio do Idalcão (Palácio do Governo ou Secretariat, como é conhecido por lá) é do que mais antigo pode avistar, construído que foi no início do séc. XVI pelo governante muçulmano de então, mas em breve alvo de uma acção de despejo pelos portugueses, tendo mesmo albergado os nossos vice-reis.



Mesmo ao lado, olhe bem para uma estátua que pode confundir-se com Bela Lugosi, Vincent Price, ou qualquer outro “vampiro” famoso. Contudo, a senhora ergue-se em direcção às mão do Abade Faria pelo simples facto de este amigo de Napoleão ser tido como o pai do hipnotismo (é das poucas estátuas en su sitio, já que, por exemplo, a de Camões já só mesmo no museu…).


Para a semana continuamos o passeio…

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Santa ignorância

Vi e li a entrevista do Cardeal Patriarca de Lisboa e prefiro mesmo citar, para me não enganar: "No ano em que completou 75 anos de idade e 50 de ordenação sacerdotal, o cardeal Patriarca de Lisboa fala da necessidade dos portugueses ajudarem o Governo a encontrar soluções para ultrapassar a crise. D. José Policarpo afirma ainda que a Igreja não deve praticar política directa, porque 'ninguém sai de lá com as mãos limpas' " (Jornal de Notícias, edição on-line, ontem. Sublinhados meus).

Eu que respeito muito a Igreja e que acredito na importância da Fé, acredito que possa só possa ter sido engano... Eu saí com as mãos limpas e conheço (mesmo) muita gente que também o fez.

Estaria a aplaudir se D. José Policarpo tivesse dito que ninguém sai de lá com a reputação limpa. Isso sim! Cá por mim ainda estou a sacudir a lama que me atiraram. Mas a vida partidária é assim: quando eles vêm em grupo é meter a viola ao saco e mudar de vida...

domingo, 25 de setembro de 2011

Biografia


Zuckerberg anunciou esta semana o novo conceito de rede social no f8. A partir de Outubro, podemos escrever a nossa história em interacção com o mundo numa experiência fascinante.

Mais do que alterações no layout da página ou novas funcionalidades, cada utilizador do facebook pode registar todos os momentos de maior importância na sua vida, num percurso determinado timeline, transformando a rede no verdadeiro serviço público. Mostra quem somos e - aqui está o interesse - a construção da nossa identidade. Priceless. Esta é a verdadeira obra de Mark Zuckerberg.

Como no site de apresentação: Tell your life story with a new kind of profile.

https://www.facebook.com/about/timeline

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Futebol sem homens

Jogos de futebol com uma assistência restrita a mulheres e crianças foi a insólita solução que a federação de futebol turca encontrou para fazer frente à violência nos estádios. Depois de incidentes violentos verificados no recente jogo entre o Fernerbahçe e o Shahktar Donetsk, os responsáveis entenderam que, ao invés de um jogo à porta fechada, mulheres e crianças poderiam assistir gratuitamente ao espectáculo de futebol. E assim foi: mais de 40 mil mulheres e crianças assistiram ao jogo que opôs o Fernerbahçe ao Manisaspor na passada quarta-feira em Istambul. Os protagonistas do encontro relataram no fim da partida que o ambiente foi incrível e que o apoio das bancadas fazia-se sentir. Não sei se a medida se vai repercutir por outros países, mas se as federações de futebol ameaçarem recorrer a esta solução talvez os níveis de testosterona nos estádios de futebol diminuam drasticamente, permitindo um ambiente mais salutar.

Falou e disse

Assisti com particular atenção à entrevista do Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, à televisão pública e, sincera e objectivamente, gostei.

Desde logo, apreciei a coragem em relação ao problema da ocultação do défice na Madeira. Sou daqueles que sempre tiveram estima por Alberto João Jardim e que reconhecem a magnífica e notória obra que fez na região autónoma. Contudo, numa altura em que carregamos a maior cruz financeira de que tenho memória, não há gastos à tripa-forra ou falta de cuidado orçamental que possa admitir-se, por muito que simpatizemos com o gastador em causa.

Restava, por isso, perceber como iriam ser os passos de Coelho numa matéria em que os presidentes do PSD sempre tiveram o maior recato opinativo. Ora, numa atitude que só surpreende quem não teve o prazer de o conhecer, Passos Coelho não teve problemas em reputar a atitude de inadmissível e irrepetível, anunciando que não se associaria à campanha madeirense. Que fez a oposição que tanto criticara anteriores presidentes por alegada complacência??? Criticou outra vez, mostrando o que as pessoas menos apreciam: o lado cénico e táctico da política (aquele que pode até destruir reputações porque “convém ao grupo”).

Gostei ainda da entrevista do Premier pela honestidade. Seria fácil especular, designadamente sobre a taxa social única e sobre o IVA, mas não o fez, reconhecendo humildemente que não estava em condições de quantificar as medidas, para já.

E no que respeita àquela taxa, sublinho ainda o patriotismo ínsito nas respostas de Passos Coelho, quando confrontado com as “exigências” do FMI no sentido de um corte de oito pontos percentuais. Explicando as razões económicas pelas quais não seguiria a amável sugestão dos burocratas, Passos afirmou-se como político ao dizer que Portugal não seria um laboratório do FMI.

Em igual medida revelou sentido de Estado, infirmando as notícias que davam como certo o avanço do TGV por pressões espanholas e europeias.

Em terceiro lugar, a mesma sensibilidade política e social lhe vislumbrei ao dizer que havia que graduar os cortes na Saúde, Segurança Social e Educação, razão pela qual a despesa está a baixar mais lentamente. O que gostaria de ter ouvido era uma opinião daquela esquerda que se diz campeã do social e que nunca explica como manteria o sistema actual, pedindo, ao mesmo passo, um corte abrupto na despesa do Estado (sendo que só nos sectores mencionados os cortes farão real diferença orçamental, por muito que todos os sectores devam emagrecer).

A terminar, uma palavra para a serenidade e educação que revelou ao longo de toda a entrevista, não crispando o semblante nem nas questões mais “atrevidas”. Eis as razões por que gostei do primeiro exame, numa televisão que o próprio entrevistado disse que vai ter que mudar de vida.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Quem quer ser milionário

Numa altura em que, justificadamente, andamos cabisbaixos enquanto Nação, olho para cada noticiário e apenas vejo mais razões de tristeza.


Por todo o lado se vê milhares de pessoas a perderem o emprego. E a pergunta (que nem sequer chega a tocar as margens do problema realmente vivido pelas vítimas desse flagelo) roça o retórico: como vão essas pessoas pagar a casa e a escola dos filhos?! Mais importante ainda: como vão comer e vestir-se?!

Por outro lado, vemos os Estados, mormente os que ainda se dizem herdeiros do modelo social europeu, a cortarem função social após função social. À segunda vai-se a esperança da reforma e reduzem-se as que ainda são pagas, à terça corta-se no orçamento dos hospitais e fecham-se centros de saúde, à quarta encerram-se escolas e deixam-se as universidades à mingua, à quinta fecha-se a porta à modernização das forças armadas e aniquila-se a motivação das forças de segurança civis, à sexta destrói-se qualquer possibilidade e qualquer incentivo à poupança, ao sábado acabam as obras públicas e ao domingo esperamos que o nosso clube ganhe, para ver se o ácido estomacal se acalma…

E com isto – tirem o sorrisinho da cara os mais propensos à intriga – não estou a insinuar que o actual Governo não esteja a trabalhar bem e a fazer o que não pode deixar de ser feito. Vou mesmo mais longe: não chego sequer a remeter as responsabilidades para o Governo anterior; separam-me dele opções de cunho ideológico, mas acredito que tenham tentado ao máximo preservar o cunho social do Estado.

O problema é, por isso, muito mais global e quiçá ideológico (quem disse que as ideologias estavam mortas???), sendo irónico e surreal que seja a China a propor-se salvar o Velho Continente e, ainda por cima, exigindo para tal que os países europeus adoptem determinadas políticas ditas de rigor.

Concluo o mesmo que venho concluindo nos últimos anos: deixámos o mercado à solta e a criatura virou-se contra o criador. Não conheço melhor mecanismo de regulação do que a economia de mercado, mas o que me fez militar no PSD foi acreditar que – descartadas as patranhas da extrema-esquerda sobre a sociedade sem classes e sobre a economia socialista – há um papel moderador e regulador que dá sentido ao Estado. Todavia, foi aqui que Estados Unidos da América e Europa falharam, permitindo a criação de uma temperatura social em ponto de ebulição que, quando o pão faltar mesmo, pode levar à anarquia, para presumido gáudio da referida extrema-esquerda.

Até quando deixaremos os especuladores brincarem ao “Monopólio” com os nossos países? Quando pararemos os mecanismos financeiros incorpóreos que inscrevem as respostas sobre o nosso futuro em cartões de “Trivial Pursuit”? Por enquanto, ainda vivemos na ilusão de responder à pergunta que nos levou ao abismo: “quem quer ser milionário”?

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Transiberiano VIII – Ulan Ude

Retomo um relato há muito iniciado e, agora, quase no fim.

Falo da viagem no Transiberiano que, na edição de hoje, pára onde os turistas começam a escassear. De facto, a maioria dos viajantes opta por não cumprir o verdadeiro trajecto do mítico comboio, preferindo desviar a rota para a Mongólia e para a China, logo após a visita ao Lago Baikal.



A “divergência” ganha corpo em Ulan Ude que vale bem a visita pelo seu exotismo, pela sensação de estar longe de tudo e mais alguma coisa, e por ser uma paragem pouco visitada por turistas (se bem que, em Janeiro, quando por lá passámos, o problema do excesso de visitantes é nulo, mesmo em Moscovo).

Uma das vantagens de escolher a rota menos “batida” é mesmo o facto de poder pagar um bilhete de 2ª classe (também e sempre com camas) e de beneficiar da privacidade da 1ª.

Chegando de madrugada, o primeiro contacto foi com o Hotel Gesser, que deixa ainda entrever por que era o preferido da nomenklatura soviética: não sendo grande, ainda mostra alguma da grandiosidade que tanto apreciavam os proletários defensores do povo…



A cidade, capital da Buryatia, é claramente asiática, a começar pelas feições de grande parte dos seus habitantes. Mas se tal não bastasse, a 40 km fica o Ivoginsky Datsan, mosteiro que é a sede do budismo siberiano, consistindo num complexo de coloridos e interessantes templos, que devem ser visitados no sentido dos ponteiros do relógio.




Na cidade propriamente dita ganha destaque a proclamada maior cabeça de Lenine do Mundo, no centro da Praça Sovetov.


 Nem sei por onde comece a descrever a monstruosidade da mesma, que quase ofusca os edifícios tipicamente soviéticos que a rodeiam, como a Ópera local.


 Aliás, do camarada em causa não há maneira de ter saudades, pois ao pé da estação ferroviária, logo após uma interessante e velha locomotiva soviética,



 está uma curiosa estátua de Vladimir Ilyitch Uliánov, sendo que desta vez e para não quebrar a originalidade de Ulan Ude na homenagem ao dito, a figura de Lenine é dourada!...


O restante da cidade é elegante (muita arquitectura do séc. XIX)




 e pacato, podendo passar o seu tempo visitando a Catedral Odigitria (séc. XVIII)


 e o Arco do Triunfo (réplica de 2006 de um original de 1891 construído para homenagear o herdeiro do trono, que viria a ser Nicolau II, o último czar… Pelo menos, antes de Putin, bem lidas as entrelinhas…).


O Museu de Arte (onde as funcionárias fechavam a luz assim que abandonávamos uma sala, dada a ausência de visitantes)


 e o Museu de História (onde alguns pisos eram abertos a pedido e após insistência, pelo mesmíssimo motivo)


 são também boas opções para passar o tempo, antes de escolher um dos bons restaurantes locais e de retemperar forças para o “assalto” a Vladivostoque.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Leiria sem arrumadores

Finalmente uma autarquia com coragem que tomou medidas quanto a essa praga que são os arrumadores. Em Leiria já há algumas placas espalhadas pelos parques de estacionamento a desincentivar os utilizadores de dar a tal moeda. Por outro lado, dá-me ideia que a medida será dissuasora também quanto aos próprios arrumadores, a menos que não lhes falte descaramento. Oxalá seja esta a solução do problema e, claro, espera-se que outras autarquias sigam o exemplo.  

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Porqué no te callas?!


O americano Matt Richardson acaba de inventar um sistema que coloca o televisor em modo silencioso sempre que figuras indesejadas apareçam no ecrã. Isto claro, mediante indicação prévia das pessoas que não queremos gramar... O inventor lembrou-se disto quando já não suportava ouvir mais personalidades como Sarah Pallin, Kim Kardashian ou Donald Trump. Eu cá estou entusiasmada com esta invenção... não vejo a hora de ver mudo o Paulo Bento, o Manuel Serrão, a Fátima Lopes, a Ana Gomes, o Hugo Chávez (que o Rei de Espanha já mandou, e bem, calar), o Pinto da Costa e mais uns quantos. E vocês, que personalidades é que gostavam de ver caladinhas?