sexta-feira, 16 de maio de 2008

O sabor da solidariedade

Numa Itália de outros tempos a pizza era considerada alimento das gentes humildes pela preparação fácil e barata. Hoje colhe adeptos por todo o mundo sem olhar a estratos sociais. E em Lisboa, num louvável gesto de solidariedade, a pizza alimenta quem mais precisa. Isto a propósito de uma pequena pizzaria situada numa nobre zona da capital que oferece cerca de 30 refeições por dia a sem-abrigo e outros carenciados.
A atitude, por si só, já é exemplar. Mais ainda, tratando-se de um modesto estabelecimento comercial que não é mais que um negócio familiar e, sublinhe-se, num momento em que a pobreza grassa no país, pese embora os governantes a ignorem.

Num Portugal em que existem mais de dois milhões de pobres e uma nova realidade - os denominados "novos pobres" i.e. gente que tem emprego mas cujo salário não chega para fazer frente às necessidades diárias dado o progressivo aumento do custo de vida - é de louvar esta iniciativa que comprova que pequenos gestos podem fazer alguma diferença - bem sei que esta última frase soa a cliché, mas tem muito de verdade...!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Descubra as diferenças * (V)


Eleições no PSD à parte, gostei de ver Manuela Ferreira Leite em entrevista à SIC Notícias a pôr o dedo na ferida, alertando para a urgência em olhar e pensar as graves questões sociais que estão a corroer o país. Até a dama das Finanças já percebeu que basta de andarmos obcecados com o défice e de olhos focados somente nas estatísticas e no que elas possam espelhar lá fora, ignorando o que se passa cá dentro: desemprego, novos pobres, sobreendividamento das famílias portuguesas e a sequente desigualdade económico-social que prolifera pelo país. São problemas com carimbo "Sócrates" a que não podemos fechar os olhos. À atenção dos interessados, aí está uma abissal e clarividente diferença entre Ferreira Leite e Sócrates: enquanto a primeira enxerga a realidade, este último impinge-nos um país ficcional fingindo desconhecer o estado do país real.

*grau de dificuldade: baixo

quarta-feira, 14 de maio de 2008

e por falar em juventude...

Excelente escolha, a meu ver, a de PPC quanto à sua Mandatária para a Juventude. A jornalista Filipa Martins não é figura da lide partidária mas isso não se afigura primordial. Conheço-a essencialmente daqui (mas também daqui) e o que por ali escreve é mais do que suficiente para perceber que talento, jovialidade e espírito crítico não lhe falta. Coaduna-se, portanto, com o perfil de Passos Coelho e espelha bem os valores inerentes à candidatura deste, o que se pode confirmar aqui. Na mouche!

Adenda: Confirma-se que a Mandatária da Juventude de PPC não é militante do partido. A meu ver, é algo precedente que "primeiro estranha-se, depois entranha-se". Uma mandatária independente numa candidatura interna poderá não soar bem. Mas alegam os intervenientes que é uma escolha simbólica que representa um sinal de abertura à sociedade civil. O certo é que, depois das preocupações expressas pelo PR quanto à morbidez cívico-política dos jovens portugueses, a aproximação de uma jovem sem filiação partidária a um candidato à liderança de um partido significa que é possível cativar os jovens para o debate político sem ter que lhes impingir ideias e ideais.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Ah, e tal, a Juventude... III

Depois das preocupantes conclusões de um estudo encomendado pelo Presidente da República e divulgado em tom de lamúria nas comemorações do 25 de Abril, Cavaco reuniu ontem com dirigentes juvenis para debater a relação da juventude portuguesa com a causa pública. Dali saíram alguma ideias para acicatar as novas gerações e consciencializá-las de que, sem valores, sem capacidades, sem ambições, sem visão, sem sentido, sem rumo... não têm futuro.

A falta de sensibilidade dos jovens para as questões cívico-políticas não é novidade. Cresci com gente que não fazia a menor ideia do papel que pode e deve ter no seio familiar, no seu bairro, na sua vila, na sua escola, na igreja, na associação recreativa, etc, etc. Cresci a partilhar cadeiras de escola com gente que não sabia distinguir um PM de um PR, com gente que achava que cidadania era um qualquer palavrão da família do vírus HIV, gente que se juntava às manifestações por dá cá aquela palha, desconhecendo as motivações das mesmas..., e até gente que achava que uma AE era sinónimo de reduto de alunos nos tempos mortos.

O problema não é de agora. É de sempre. E não se escudem - quer os novos, quer os velhos - naquela ideia de que os jovens tendem a afastar-se da coisa pública porque o cenário político é negro. Este argumento tem tanto de falso como de perverso.
Vejamos: quando é que se nos aflora a vontade de participar, denunciar, propor, defender, agir e exigir? Será que é quando as coisas correm de feição ou... precisamente quando as coisas não vão bem?!...

O comum - e o mais fácil - é imputar responsabilidade aos adultos pela irresponsabilidade cívica dos jovens. Dizer que a classe política tem que saber cativar as novas gerações e que têm que ser criadas condições e estratégias para captar o interesse daqueles - que cliché..!
Se bem me lembro, quando eu era adolescente não havia nem metade das oportunidades - e facilidades - que há hoje para poder participar activa e proficuamente na sociedade civil. E isso não impediu que criasse o meu próprio espaço de actuação cívica aos poucos e fosse adquirindo conceitos de cidadania que hoje muito estimo, que vi reconhecidos e que têm sido decisivos no meu percurso pessoal.

No que toca a cidadania e intervenção político-partidária, os jovens não tem que ser levados ao colinho. Há, e sempre houve, os que estão despertos e sabem (ou pelos menos conhecem) as vias que podem usar para fazer a diferença. E há, como sempre houve e continuará a haver, os jovens que não se envolvem mais na causa pública porque estão centrados no seu umbigo, alheios àquilo que os rodeia ou, pelo menos, àquilo que não lhes toca. E não se pense que estou a ser demasiado incisiva nesta separação (quasi 'trigo do joio' ): muitos destes últimos reconhecerão isto sem qualquer constrangimento.

Ao contrário do que possa parecer - atendendo ao que venho escrevendo - não ilibo totalmente os adultos desta questão. Aliás, creio que desses é imprescindível que parta uma mudança de mentalidade, já que há muito quem subestime ou até mesmo menospreze os novatos. É vital que se dê voz à juventude e que haja uma predisposição para escutar o que eles têm a dizer. Esta mudança influencíará desde logo a integração daqueles na sociedade, bem como o seu progresso pessoal, intelectual e cívico.

Uma outra medida é a desejável intodução no plano escolar de uma disciplina de Cidadania. Se os jovens não adquirem naturalmente valores cívicos no seio familiar ou noutros circuitos, convinha que alguém lhes dissesse que não vão a lugar algum se continuarem imbuídos nas frivolidades que a sociedade actual lhes impinge, vivendo a sua vidinha como se as demais vidas nada importassem. Este despertar de consciências poderia bem passar pela introdução daquela disciplina, alertando-os para o mundo que os circunda e para o contributo que eles podem e devem dar.

Não tenhamos ilusões: não há muito a fazer para inverter estas estatísticas. Uma ou outra medida poderá amenizar o problema e despertar alguns jovens menos propensos ao entorpecimento cívico, mas não se esperem milagres.

Paços para Coelho

Sem rodeios e a abrir vos digo que votarei em Pedro Passos Coelho para a presidência do PSD.

Vamos, pese embora, à exclusão de partes: Neto da Silva e Patinha Antão exercem um direito estatutário, embora ouse dizer, sem ofensa, que, pelo menos num dos casos, se trata mais de uma tentativa de reserva de lugar eleitoral do que um intento real. Passando a presunção, creio que também eu, na bancada, tenho ideias sobre a maneira como gostava de ver a Briosa a jogar, mas, a mais de ser bom o trabalho de Domingos Paciência, não me passa pela cabeça fazer algo para que não tenho sequer propensão e apoio…

Quanto a Pedro Santana Lopes, fundamentalmente, creio que a oportunidade que teve foi, com larguíssima culpa própria, desbaratada. Escusa o próprio e os seus fervorosos seguidores de falar de “pontapés na incubadora”, já que poucos, com ou sem reserva mental alheia, tiveram 90% do partido a sufragar a sucessão, como aconteceu com a passagem de testemunho de Durão Barroso. Devia ter pedido sufrágio interno? Seria melhor ter solicitado ao Presidente da República a realização de eleições legislativas? Talvez, mas é neste tipo de ponderação estratégica que não nos podemos basear exclusivamente na intuição (por muito apurada que seja, como é o caso do dr. Santana Lopes) e é ainda nestas situações que estar rodeado de pessoas que somem ao afecto o estudo e o raciocínio apurado é recomendável. Aqui, santa paciência, o único “pontapé” que houve foi do próprio e para auto-golo.

Todavia, Santana Lopes é um furacão político e creio que, na nossa política, poucos seriam os que, como ele, sobreviveriam à clamorosa derrota eleitoral de 2005. Por isso, manda a cautela que se não subestimem as suas possibilidades e ordena o pudor (apoiei-o de 1999 a 2005, mesmo quando sabia que o apreço já não era recíproco) que me baste com estes leves considerandos, dos quais podem deduzir-se alguns motivos pelos quais não apoio o ex-Premier.
Por fim, chega a situação de mais difícil escolha, já que poderia apoiar Manuela Ferreira Leite sem sacrifício algum. É uma pessoa credível, séria, inteligente, competente e que, sem dúvida, gosta e sabe gostar do PSD.

Resisto a insinuações deselegantes e infundadas sobre idade, pois não creio que seja óbice, sendo que Silvio Berlusconi – a quem outros gostam de se comparar – está longe de ser um cachopo e Itália a léguas de ser uma aldeia. E muitos exemplos brilhantes de estadistas com mais de 60 anos encontraríamos, como facilmente se apontariam casos de jovens lideres com insucesso notório, a começar pela actual contenda. No fundo, o que penso é que perde quem opte por referências pessoais.

Assim, além de noções de solidariedade política (que me escuso de detalhar, mas que se prendem com o xadrez laranja do distrito de Lisboa, onde trabalho), pesa o facto de, acreditando que não será necessário atender ao conceito de “voto útil” (algo que poderia pedir-se na iminência de vitória dos exércitos santanistas), ser altura de lançar linhas políticas a médio e longo prazo e de, se possível, começar a implantá-las desde já.

Como detalharei em próximo texto, penso que as soluções já testadas (e por onde se nota a marca de água de todos os contendores, excepto Passos Coelho) não mostraram a exequibilidade de um ideal social e não provaram a viabilidade do nosso País. Ouvimos falar em orçamento, défice, mais anos de trabalho e outras expressões tecnocráticas, mas vemos tudo quanto é membro da União Europeia a passar-nos à frente.

Acredito ainda que, sem gritos geracionais (seria a chamada ideia de jerico…), cumpre envolver na solução os portugueses mais jovens, já que sentirão em maior medida o problema. Dito de outro modo, é tempo de envolver no projecto da casa quem vai ter que a habitar…

Ditas as razões “negativas”, explicarei em breve as razões “positivas” pelas quais entendo que os paços do PSD devem ser entregues a Pedro Passos Coelho.

Como isto vai... II


Se clicar sobre a imagem acima e visualizá-la em tamanho aumentado vai poder perceber o quão estimada é a nossa Língua Portuguesa pelos sites de informação. Não sei o que se passa com a nossa classe jornalística, mas que é coisa grave, lá isso é. Há dois ou três dias era a SIC Notícias que escrevia «sensura» quando falava da moção apresentada na AR pelo PCP. Se isto continuar assim - a juntar ao maldito acordo ortográfico - vamos longe.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Momentos Paulistas III

Entre outros eventos culturais, em São Paulo, fui ver cinema brasileiro. Com um elenco de primeiríssima água (destaco Tonia Carrero, Betty Faria e Cassia Kiss), mesmo para quem, como eu, não perceba de novelas, "Chega de Saudade" é um bonito filme sobre o início do fim da vida e sobre o declinar do amor ou as suas metamorfoses.
Se estrear por cá, veja.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Explicarei brevemente...

Dá que pensar…








Será que se a Dra. Manuela Ferreira Leite não ganhar as directas no PSD, vão estar reunidas todas as condições para que o novo líder tenha “paz interna” para fazer oposição e apresentar-se como alternativa ao partido socialista???

Momentos Paulistas I

À atenção das interessadas...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Piadas de Bolso na minha Turma I

PDM - hoje sou uma tipa menos séria, estou a tratar dum trabalho sobre ordenamento do território e mais valias urbanísticas.


quarta-feira, 7 de maio de 2008

Capachinho

Vale por Al Pacino e "mai" nada...

Liderança não escolhe idades

Porque é que o factor "idade" é dos que mais pesa quando julgamos as pessoas?
Atente-se aos "Tem desculpa pela idade...", "Já não tem idade para aquilo!" ... ou "Não ligue, é da idade..." ...

A idade de uma pessoa parece-me um indicador traiçoeiro. Sobretudo, porque a idade mental nem sempre anda pari passu com a idade real. Ou vice-versa. Vem isto a propósito da corrida à liderança do PSD, na qual dois dos candidatos têm visto meio mundo a opinar sobre as respectivas idades. No jogo da política, tal como no da vida, a idade não me parece um argumento plausível seja para o que for. Considero hipócrita que se invoque a juventude ou a velhice de uma pessoa para tecer considerações sobre aquela. Pior, para medir a sua capacidade, a sua competência e o seu mérito.

Ter mais rugas não significa que se esteja mais ou menos apto para determinada tarefa. Da mesma forma que ser jovem não tem que ser sinónimo de inexperiência, imaturidade ou ingenuidade. Não tem qualquer lógica que se padronizem as coisas deste modo. Quero com isto dizer que a idade de Manuela Ferreira não tem que ser vista como obstáculo às legítimas ambições do partido. Ou, do prisma inverso, é reprovável que a sua idade sirva de argumento para dizer que está mais preparada para o desafio a que se propõe que os demais. Por outro lado, é de uma enorme leviandade afirmar que a juventude de Passos Coelho é o calcanhar de Aquiles da sua candidatura. Para além de que apontar-lhe o dedo pelos seus bem estimados 44 anos, reconheça-se, soa a inveja.

A variável idade não é um factor determinante para que uma pessoa seja líder. A liderança é uma influência que um indivíduo exerce sobre os outros independente da sua faixa etária. Neste Mundo há lideranças para todas as idades: para velhos (Berlusconi e Yasuo Fukuda, 72) e para novos ( Zapatero, 47) e até para os de meia-idade ( Gordon Brown, 58). O PSD espera que deste combate saia uma liderança firme, credível e auspiciosa. Que o líder tenha 30, 50 ou 70 é-nos (se não é, deveria ser...) indiferente.

A minha força de intervenção favorita

Ver o Grupo Novo Rock ao vivo com a Banda Sinfónica da Guarda Nacional Republicana (no passado dia 18 de Abril) foi, para um devoto de Rui Reininho como eu, um momento raro de excelência cultural.
A alegria com que dois mundos antes (judicialmente) opostos se juntaram numa mistura de sons original deixou-me rendido e (mentalmente) detido.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Yes, you can

Na Bélgica uma instituição de ensino que agrega duas fases de escolaridade, tomou a disputa dos democratas para a Casa Branca, Hillary Clinton e Barack Obama, para esta singular campanha publicitária. Why choose if you can combine?

segunda-feira, 5 de maio de 2008

A factura laranja

No âmbito do novo programa do Governo denominado "Pagar a tempo e horas" - que pretende reduzir os prazos de pagamento de todos os serviços do Estado a fornecedores - foi mediatizada nos últimos dias a ideia de que as autarquias lideradas pelo PSD são as piores a pagar dívidas.
A tendenciosa notícia do DN da passada sexta-feira causou um mal estar entre a generalidade dos autarcas social democratas, muitos dos quais já vieram contestar e alertar para a premissa pouco límpida com que aquele jornal fez manchete.

É que o que efectivamente se pode ler na listagem do Ministério das Finanças é que oito das dez autarquias que mais tempo demoram a pagar aos seus fornecedores são social-democratas. Mas não me parece que daí se possa inferir que os municípios laranja sejam os piores a pagar. Não será um pouco redutor apontar o dedo às autarquias lideradas pelo PSD partindo apenas do top ten dos menos céleres a saldar as suas contas? Cabendo, ademais, sublinhar que o PSD é actualmente o partido maioritário nas autarquias locais.

Ética de informação à parte, uma outra faceta desta problemática da gestão autárquica é o contexto de governação. Com o PS no Governo, até que ponto não haverá tendência para aquele favorecer as autarquias socialistas?

Reconhece-se, é certo, que há autarcas que não pescam nada de gestão. Mas caberá imputar exclusivamente àqueles a responsabilidade pelo cumprimento tardio das dívidas públicas?

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Mediatização da violência dá origem a mais violência

Quem o diz é Carlos Poiares, professor de Psicologia Criminal - que por sinal foi meu professor e dos melhores que tive... - mas não creio que seja necessário ser entendido na matéria para perceber que a excessiva mediatização de casos de violência seja via televisão, cinema ou até mesmo por vídeojogos gera precisamente... mais violência.
Nos últimos tempos, três (entre tantas outras...) formas distintas de violência têm preenchido o nosso quotidiano:

1 - Violência no meio escolar, com o caso do vídeo da aluna que agrediu a professora, ininterruptamente difundido pela tv a descobrir a ponta do iceberg.

2 - Os casos de carjacking e o incidente no Posto da PSP em Moscavide, episódios que proliferam pelo país e que têm sido mediatizados e explanados ao mais ínfimo pormenor.

3 - A crescente criminalidade associada à noite, mormente, na Grande Área do Porto.

Pergunto eu:

1 - O alarmismo (ainda que legítimo, senão inevitável...) não terá efeitos contraproducentes nos jovens?!

2 - Terá isto algum efeito dissuasor? Pôr a nu as fragilidades das nossas autoridades que (sobre)vivem com falta de meios humanos não é quasi estender a passadeira vermelha aos criminosos?

3 - Até que ponto é oportuno bradar aos céus os focos de criminalidade associados à noite? Tal lesa os empresários porquanto afasta clientes e potencia novas rivalidades entre aqueles estabelecimentos.

Posto isto, eis onde eu queria chegar: é legítimo e até necessário que os media divulguem os casos de polícia de um Portugal cada vez mais inseguro, mas nem tudo pode ser feito à mercê da transparência e da liberdade de informação, mormente quando outros direitos tão ou mais importantes estão em causa.

Ninguém tem dúvida de que gratuitidade (e muitas vezes, a impunidade) da violência pode influenciar, se não mesmo incitar irreversivelmente à agressão que começa no seio familiar e escolar e que muitas vezes acaba por se estender ao grave delito criminal.

Se por um lado se espera que os responsáveis tomem sérias medidas e que um Ministro da Administração Interna - que também já foi meu professor, mas este bem menos afável... - venha prestar as devidas explicações; por outro, espera-se que os senhores que se ocupam do conteúdo e alinhamento dos telejornais passem a levar estas notas em conta e revejam as matrizes da informação que prestam. Urge uma informação menos alarmista, mais responsável, mais circunspecta.

"Deixa andar..."

Aí está a primeira consequência de um PSD fraco, sem líder e sem rumo…

Segundo o barómetro deste mês da Eurosondagem para a SIC, Expresso e Rádio Renascença, José Sócrates sobe na admiração dos portugueses. O PS aproxima-se da maioria absoluta. Cavaco desce e todo o resto sobe alguma coisinha…

Quem pelo contrário continua a descer, é o PSD…
A ver vamos como corre esta nova aventura de “Os cinco”…

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Passos Seguros


É em momentos como este que acredito que avançar apoiado nos valores, crenças e projectos políticos nos leva longe, tão mais longe que aos caciques do costume. Aqui não há estratégia de futuro, procurar influências ou lugares. Não há o regresso daqueles que nunca foram ou não sabem ocupar o seu lugar na história. Não há moralismos, nem espingardas (não há vitória). Aqui há projecto político assumido sem medo.

Apoiemos ou não o PPC, há que lhe reconhecer o mérito e a segurança que tem demonstrado nesta "pré-campanha" eleitoral.

P.S. Não estou a fazer campanha, mas sim a partilhar um belo sorriso convosco.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Como isto vai...


Não era a RTP que tinha um programa denominado "Bom português" ou coisa do género?! Talvez não fosse nada má ideia recomendar aos trabalhadores da estação pública que o vissem com regularidade, que isto não é uma simples gaffe... é mesmo um erro ortográfico inadmissível a um trabalhador de um órgão de comunicação. Já para não dizer... a qualquer português que tenha mais que a 4ª classe...

A rainha das tecnologias

Tão inteligente quanto bonita, a rainha Rania da Jordânia resolveu dar um outro uso às novas tecnologias e recorreu-se do Youtube para mostrar a realidade do mundo árabe "sem emendas, sem rasuras, sem filtros" e eliminar os estereótipos e preconceitos relacionados com essa cultura.

Com efeito, a carismática palestina de reconhecido trabalho enquanto activista social, lançou aqui um desafio tão interessante quanto inovador. Pretendendo desmistificar a realidade do Médio Oriente - tarefa que se prevê árdua, especialmente quando todos os dias nos são dadas a conhecer tiranias como esta - mostra-se ali receptiva às questões que os cibernautas de todo o Mundo queiram deixar e até meados de Novembro responderá àquelas pela mesma via.

O desafio foi bem aceite, sendo que os acessos ao vídeo aumentam de dia para dia e as perguntas são mais que muitas. E Rania já lançou o primeiro vídeo de resposta.

Eis a prova de que a Internet – e o Youtube em particular – não serve só para a difusão de violência. Pode, e deve ser cada vez mais, uma excelente plataforma para fomentar o diálogo, para desmantelar preconceitos e para o consequente entendimento global.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Lê-se

"O PSD, que bateu no fundo (Rui Rio dixit), exige uma intervenção de emergência. É preciso salvá-lo, dizem. Pois bem: Luís Filipe Menezes facilitou a tarefa aos putativos salvadores, demitindo-se. (...) Para já, é consolador ver como tantos “salvadores” potenciais, na hora da verdade, assobiam para o lado e esperam que seja o vizinho ou a vizinha a avançar. Isto diz tudo sobre tais “notáveis”: quando a luta aquece, ei-los ausentes em parte incerta. É isto um partido. E nunca a expressão “partido” teve aqui tanto cabimento como agora."

__________


"O P"SD" demonstra ser um albergue espanhol onde os ódios pessoais se sobrepõem às rivalidades políticas, internas ou mesmo externas. Santana, como "líder", não teve um momento de sossego: desde o primeiro instante a oposição interna mobilizou-se para lhe fazer a cama. O mesmo sucedeu com Mendes e Menezes. Alguém imagina que o próximo " líder", seja quem for, deixará por milagre de sofrer a contestação dos "companheiros" e passará a ser encarado com a veneração que os cardeais dispensam ao Papa recém-eleito em conclave? É óbvio que não."


Pedro Correia, jornalista, aqui

domingo, 27 de abril de 2008

PSD profundo (2)

Já vão 12 anos que sou militante do PSD e durante este tempo de militância, exceptuando o período em que Durão Barroso foi Primeiro-Ministro que não me lembro de um único líder que não tenha sido alvo de críticas internas.

A história diz-nos que o PSD é um partido que resiste constantemente à mudança, que não há líder que estando na oposição não seja alvo de críticas internas, seja por razões de índole pessoal, ideológica, estratégica ou mesmo aspirações pessoais e lógicas de grupo (leia-se facções) que anseiam o poder.

Mais acredito nesta análise quando fazendo um rewind até aos tempos de Fernando Nogueira verifico que todos os líderes posteriores, antes de eleitos foram críticos internos: Santana e Durão a Marcelo; Santana e Marques Mendes a Durão; Marques Mendes a Santana; Meneses a Marques a Mendes e last but no the least, uns tais de notáveis que, não querendo ir a jogo há 6 meses resolveram agora criar sinergias em torno da candidatura de Manuela Ferreira Leite.

Não sei o que os outros militantes pensam, até porque não tenho tempo nem paciência para andar a fazer estudos de mercado, mas estou em crer que o tal PSD profundo de que Alberto João Jardim fala está farto daqueles felinos cujo historial se pauta por intentos estratégicos cujo primordial objectivo é o da marcação de território, apostando no desgaste e ficando expectantes para o assalto à iguaria...

PSD profundo (1)

Há 6 meses atrás eu não acreditava em Menezes e muito menos em Marques Mendes, tendo por isso votado em branco. No entanto após o conclave, como muitos outros militantes, dei o benefício da dúvida na esperança de poder posteriormente vir a dizer que estava enganado, como em tantas outras ocasiões. Aliás, a política é fértil em enganos... Mas não, infelizmente não me enganei. Luís Filipe Menezes ainda não foi o líder por quem o PSD tanto anseia.

Meneses não foi um bom líder nem o poderia ser. O triângulo Menezes – Santana - Ribau não motivava, colocava as expectativas baixas. Santana Lopes era um fardo demasiado pesado para ser carregado, Ribau um personagem...

A estratégia de vitimização não resulta em quem de vítima nada tem. Para combater ataques internos é preciso ter arcaboiço, capacidade de liderança e de comunicação, é preciso por vezes ceder, falar para todos e não enveredar por discursos que tenham o intuito de segmentar o partido entre notáveis e não notáveis...

O Expresso passou-se

O Expresso deste fim-de-semana passou das marcas.
Colocar um fundo preto com a imagem de Santana e escrever com letras garrafais “Voltou” não é jornalismo de informação, é manipulação.
Nas minhas notas pessoais a palavra “Socorro” precede esse “Voltou””. Mas eu sou militante com as quotas pagas, o Expresso não.

sábado, 26 de abril de 2008

Resistência à mudança

A história a seguir foi-me contada por um colega de faculdade aquando da preparação para a apresentação de um trabalho de grupo. Infelizmente não sei a fonte e já aqui a relatei, mas dado o momento parece-me boa altura para a partilhar novamente.

O nome rábula é “os cinco macacos” e refere-se a um estudo científico em que um grupo investigadores resolveu colocar cinco macacos numa jaula, e no meio, uma escada, e sobre ela, um cacho de bananas.

Quando um macaco subia a escada com o intuito de chegar às bananas, os cientistas jogavam um jacto de água fria aos que estavam no chão. Passado algum tempo, quando um macaco tentava subir a escada, os outros pegavam-no e enchiam-no de pancada.

O que se veio a assistir posteriormente é que nenhum macaco tentava subir mais a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas resolveram introduzir variáveis no estudo substituindo um dos macacos da jaula por outro novo. Chegado à jaula, a primeira coisa que ele fez foi subir a escada, sendo no entanto dela retirado pelos outros, que o surraram.

Passadas algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo foi substituído e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado com entusiasmo na surra ao novato. Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto, e por fim, o último dos veteranos foi substituído.

Os cientistas então ficaram com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo experimentado o banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar nas bananas.

Moral da história: se fosse possível perguntar a algum deles porque é que eles batiam em quem tentasse subir a escada, quase de certeza que a resposta seria: "não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui".

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Lê-se

"Portugal é um país tendencialmente de direita e preferencialmente do Benfica. Daí que me pareça legítimo dizer que o PSD é o Benfica da política, ou se quiserem, o Benfica é o PSD do futebol. Isto é, têm tudo para ganhar e depois não ganham. Isto é, têm toda a gente do lados deles como se estivessem sempre a jogar em casa e comportam-se como se estivessem a jogar no estádio do Panathinaikos. E não estão. E as pessoas fartam-se. E deixam de ir ver os jogos. E de votar. E às vezes – só por perrice – votam nos outros como protesto, da mesma forma que às vezes queremos que o Benfica perca, só para o treinador ir embora de vez. "
Fernando Alvim, comunicador, aqui

quarta-feira, 23 de abril de 2008

um dó li tá

Não é difícil deduzir, pelo que por aqui tenho escrito, que gostaria de ver Menezes de novo na corrida à liderança do PSD. Não tenho dúvidas de que LFM levaria a melhor nesta concorrida maratona laranja e alcançaria a desejada relegitimação.
Não obstante, de nada vale cogitar sobre isto porque Menezes já garantiu que não se recandidata. Despediu-se esta noite da direcção do PSD e voltou à condição de mero militante. A prova de que, ao contrário do que por aí se disse, a sua atitude foi genuína, longe de ser taticista ou mesmo ardilosa.
Agora, e apesar do já vasto leque de candidatos e prováveis candidatos à liderança do PSD, a decisão de voto afigura-se tarefa árdua. Pedro Passos Coelho parece-me o mais consistente e congruente. Ainda assim, creio que esta sua candidatura é precoce, pese embora não duvide das suas capacidades – cabendo aqui destacar-lhe a sobriedade, característica que escasseia na classe política.
A avançar, a candidatura de Manuela Ferreira Leite será histórica. É a primeira mulher a concorrer ao cargo na história do PSD. Mas não é pela lógica cor-de-rosa (que é como quem diz, solidariedade feminina) que Ferreira Leite contará com o meu voto.
De Patinha Antão e Neto Silva cabe dizer que é louvável a disponibilidade de ambos quando outros militantes da mesma liga encolhem os ombros, mormente, aquele que ‘ajudou à festa’ mas que chegada a hora de encetar um novo capítulo, resolveu recuar.
Quanto à hipótese Alberto João Jardim, só a visão de tal cenário enche-me de medo. É inegável que é homem de valor e de obra feita - recentemente reconhecida pelas mais eminentes personalidades deste país - mas é também figura carnavalesca. E o partido não se pode dar ao luxo de andar a brincar às máscaras nesta época pouco festiva.
Já o possível regresso do menino guerreiro é-me incompreensível. Dizia Churchill que em política morre-se muitas e repetidas vezes; mas ou Santana tem problemas de memória ou ainda não se apercebeu que a sua ressurreição não é – por ora - desejável ao partido, por muitos discípulos que tenha por aí fora...
Até 23 de Maio, quantos mais se irão perfilar? Seja quem for, não há dúvida: para mim, isto só vai lá com a táctica do “um dó li tá”...

É por estas e por outras...

No Irão, recolher assinaturas para pedir igualdade de direitos no casamento, divórcio, herança e custódia de filhos configura perturbação da ordem pública, pelo que nos últimos meses várias dezenas de feministas foram presas. Três delas já conhecem a sua pena - um determinado número de chicotadas e o inevitável encarceramento.
É por estas e por outras que - pese embora um facto não tenha estritamente a ver com outro - não são de todo descabidas, nem me soam a insensatas estas declarações da Sra. Clinton.
«Obliterar o Irão» - perante tamanha tirania, por que não?...

Diz que é uma espécie de jornalismo


Li há pouco o artigo do Correio da Manhã sobre a vida familiar de Luís Filipe Menezes. Podia até ser prescindível levar o número para o último Prós e Contras mas, mesmo assim, não me espanta o alarido de Zita Seabra. Capa da revista Vidas, suplemento cor-de-rosa daquele diário, o tema resume-se a uma ‘notícia’ pretensiosa, incita e incómoda. Em suma, tudo tabloidês, e do bom.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Responsabilidade Social: ética empresarial ou... fogo de vista?


Não restam dúvidas de que a Responsabilidade Social está na moda e que cada vez são mais as empresas e organismos que revelam preocupar-se com as questões sociais e ambientais. Hoje, Dia Mundial da Terra, foi clarividente a aposta de alguns sectores na sensibilização da sociedade civil para as problemáticas ambientais. Dos jornais e televisões - que fizeram pertinentes referências à data - às empresas - que anunciaram como têm vindo a fomentar as boas práticas ambientais - até as autarquias, empenhadas em melhorar qualidade de vida local e em contribuir para um mundo mais verde.

Em Lisboa, a cadeia de gelados Ben&Jerry’s associou-se à CML e à Quercus e promoveu uma campanha ambiental intitulada “Assine o compromisso por uma Lisboa mais limpa e sustentável”, a qual incentiva a população a contribuir para a produção de energias renováveis, o aumento de eficiência energética e a redução de emissão de gases com efeito de estufa. Mas este não foi um caso isolado, porque pelo país não faltaram iniciativas idênticas, ainda que mais ou menos mediatizadas.

Se ainda tinha algumas reservas quanto às boas intenções das empresas em assumir este tipo de compromissos - duvidando desta súbita vaga de sensibilidade e ética- hoje pelo menos verifiquei que há efectivamente positivos sinais de mudança de mentalidade dos portugueses. Espera-se é que esta moda não seja efémera. Que seja para ficar e que não se resuma somente a uma atitude puramente estratégica.

Eu ia por aqui...

Toca a reunir... Vamos a ver se é desta



Já calculávamos que a direcção de LFM não seria legitimada por muitos dos quadros do PSD.
E não vale a pena o discurso da vitimização "ah e tal, não trabalhava porque ninguém deixava" ou atribuir culpas a qualquer caso Câncio mal divulgado.
Um líder legitima o seu programa (qual programa?) quando se mostra competente, capaz de mobilizar, recto e credível o que parece não ter acontecido nos últimos meses.

Melhor assim, arrumar a casa ainda em tempo útil antes de 2009. Ideias concertadas preisam-se. Um líder capaz de pegar no que de melhor existe dentro dos sociais democratas também seria, sei lá, essencial.

(muito honestamente, já estava com algum receio do possível regresso das práticas de voto rápido - Valentins, política à esquerda demagógica do PS...)

É altura de agradecer também à estimada comunicação social o papel preponderante que teve para antecipar o inevitável.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Reprovada


Confesso que por vezes chego a sentir pena de Maria de Lurdes Rodrigues, que é uma espécie de bode expiatório dos males que corroem a Educação neste país. Hoje tenho pena da Sra. Ministra por um outro motivo que, inevitavelmente, se prende com as suas últimas declarações - particularmente infelizes - afirmando que os alunos (esses seres incompreendidos!) «não devem chumbar, porque com isso desaprendem».

Engraçado, eu ia jurar que reprovar um aluno tem precisamente o efeito contrário, penalizando-o devidamente pelo desempenho abaixo do mínimo exigível e obrigando-o a esforçar-se em adquirir um conjunto (mínimo, vá lá...) de conhecimentos indispensáveis à sua progressão pessoal, intelectual e, concomitantemente, escolar.

Convém dizer à Sra. Ministra que o que é contraproducente é levar os alunos ao colo como se fossem eternas crianças, facilitar-lhes a vidinha logo de pequenos para mais tarde se tornarem cidadãos mal preparados, displicentes e indefesos. O acto de reprovar não tem que ser visto pelo prisma único de castigo ou penalização do aluno por não estar apto para progredir; podendo e devendo antes ser visto como uma oportunidade concedida ao aluno de reaprender e adquirir aquilo que é essencial à sua progressão. Daí que, “perder o ano” possa, em muitos casos, significar um ganho e não uma perda.

Ao longo do meu percurso escolar vi muito professor penalizar os bons alunos ao mesmo tempo que se enterneciam pelos maus alunos. Se dar um 18 era uma verdadeira dor de cabeça, esticar um 8 e qualquer coisa até um 9 e qualquer coisa para, por fim, se brindar um aluno com um 10... era o pão nosso de cada dia.

Injustiças à parte, o que é que resta daqueles alunos que, de ano para ano, passavam à conta da benevolência dos professores? Muitos deles avançaram no percurso escolar até um ponto em que já não conseguiam acompanhar os demais, acabando por desistir...
Outros podem até ser hoje licenciados, mas as falhas primitivas de educação não deixam de aflorar – um breve exemplo para concretizar: conheço um recém licenciado que desde os tempos do liceu persiste em escrever “talvez” com ‘s’... ... entre um sem fim de erros ortográficos que envergonham até a sua mãe, senhora que se cingiu à “4ª classe” de outrora.

Não há dúvida de que um sistema facilitista tornará as próximas gerações ainda mais medíocres que as actuais. Bem, mas talvez seja isso que convenha à Sra. Ministra e ao seu governo: cidadãos que desconheçam os seus deveres/poderes na sociedade, cidadãos que não saibam reconhecer a importância de boas bases educacionais, cidadãos inábeis, estéreis e sem qualquer réstia de consciência.
* cartoon retirado daqui.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Fruta a mais

Quando se noticiou que um empresário decidira investir cerca de 38 milhões de euros no Boavista e olhada a "pinta" do dito, fiquei a pensar na verdade que havia em tamanha cornucópia...

A marca "Boavista" tem mercado curto e, por isso, não se entendia que lucro previra o empresário, assumindo que jamais se apresentou como filantropo.

Não foi preciso esperar muito: a edição on-line do jornal "Sol" adianta que Sérgio Silva (o empresário) foi detido pela Polícia Judiciária, no Estádio do Bessa.
Lamentando a situação pessoal do plantel boavisteiro, confirma-se que os tempos estão pouco para milagres.

Vou, mas volto já

Volto à prosa extra-futebolística a propósito de mais um foguete do imenso foguetório em que se tornou o PSD.

Sobre a demissão de Luís Filipe Menezes, apetece-me falar de duas evidências: em primeiro lugar, entendo que talvez fosse o único caminho, dada a contestação permanente que lhe vem sendo movida.


Em segundo lugar, esta antecipação de eleições parece-me coisa dos velhos tempos de liceu ou das listas da JSD; até pode ser que nem dê nisso, mas esta de pedir a demissão, marcar eleições no prazo de 30 dias (não dá para quase nada), não negar a recandidatura e continuar on tour pelo partido lembra um truque para tirar coelhos da cartola (leia-se, adversários da penumbra).

As perguntas que deviam ser feitas têm a ver, creio eu, com outros pontos, já que o argumento de que há contravapor soa voz de falsete. Desde que me lembro que há turbulência interna no PSD e isso sempre pôde ser visto como um estímulo a liderar mais e melhor. Mesmo nos tempos do Professor Cavaco Silva (em que o unanimismo era visto, mesmo sem encomenda, como regra), Pedro Pinto fazia uma lista alternativa ao Conselho Nacional. Por seu turno, Durão Barroso sempre viveu com contestação, Santana Lopes sofreu "pontapés na incubadora" e Marques Mendes foi espalmado...

Acresce que me parece ilustrativo do estado da arte o facto de o grémio laranja ter passado dias incontáveis a debater o programa de Fernanda Câncio na RTP, em razão de uma eventual relação pessoal com o Primeiro-Ministro. Aqui chegados, detenho-me por algumas linhas para analisar uma das mais monumentais asneiras cometidas pelo PSD, nos últimos tempos e que surpreende em Agostinho Branquinho e Ribau Esteves (já no Vice-Presidente que embarcou na prosa não surpreende o mote, achando mesmo prestigiante saber que a falta de apreço é recíproca, como ainda recentemente, num jantar público e em modo vernáculo, fez questão de atestar); entendo que jamais deve fazer-se política invocando assuntos íntimos (sejam insinuações sobre "colo" ou estas), ainda para mais quando se trata de uma profissional com currículo. Jamais me ocorreria que um militante do PS questionasse algum(a) profissional de comunicação social por qualquer relação pessoal que tivesse com um destacado dirigente do PSD, por muito que aqui fosse jornalismo político e além (Fernanda Câncio), aparentemente, não. Posso estar a ser ingénuo?!... Talvez, mas insisto que havia mil e um temas que os portugueses apreciariam ver na agenda do PSD, antes deste...

Dirão alguns, por outro lado, que o dr. Menezes se rodeou mal. E fui eu que fiz a equipa?! Em um ou dois casos até posso achar que faltou arrojo, mas o mais apropriado é dizermos que, a seguir ao esmagamento de Marques Mendes, havia condições para tudo e mais umas botas.
E também digo - como disse no passado - que o ressurgimento de Pedro Santana Lopes, por muito que estivessem os dois carregadinhos de boas intenções, seria sempre foco de dispersão de atenções (este já foi o que Menezes queria ser, a mais de o primeiro deter a inestimável tribuna parlamentar) e assunto de partilha de espaço, já que o ex-Premier fizera as listas e tem a sua pleiâde de seguidores (uns melhores, outros piores e outros fraquinhos, como em todos os plantéis). Se pensarmos bem, entre voltas a Portugal e giros políticos, muita confusão se instalou e muitos desmentidos se produziram.
No meio de tudo isto, avanço três ideias "Kodak" (ou seja, para mais tarde recordar...):
  1. É difícil que os cálculos falhem, mas pode sair o tiro pela culatra, se a ideia era antecipar para ganhar de caras.
  2. Não acho que a medida vá acalmar o partido. A contestação, mais ou menos assumida, vai continuar e a sanha saneadora "à Mendes" sempre enlameou mais do que limpou.
  3. Menezes recandidatar-se-á.

A cura do PSD


Em Setembro passado Luís Filipe Menezes ousou pegar num PSD moribundo, fez o pertinente diagnóstico, passou uma receita médica bem legível e sujeitou-a ao escrutínio dos sociais-democratas. Volvidos seis meses de tratamento e não se verificando claros sinais de melhoras, Menezes reconhece que “o partido está muito doente”. Não precisava de nos revelar o exame porque é perceptível que a reabilitação não correu como seria de esperar. Durante este meio ano, se houve alturas em que se adivinhava um sinal de recuperação, logo ocorria uma súbita e incompreensível recaída.

Menezes, como é sabido, é médico de reconhecido profissionalismo. Porém, esta enfermidade que vem arruinando o PSD não é passível de cura quando não há anticorpos que exterminem os progressivos agentes invasores. É certo que o vírus só se propaga se encontrar terreno favorável a isso. Mas havendo partes do corpo que rejeitam automaticamente os fármacos administrados sem lhes dar hipótese de qualquer actuação..., torna-se desgastante prosseguir o tratamento e utópico manter a esperança na convalescença.

Menezes não está no partido apenas para lhe administrar sucessivos cuidados paliativos, mitigando-lhe o sofrimento. Menezes acredita na cura – ainda que paulatina - do PSD. Não obstante - prudente que é - resolveu não fazer uso abusivo de antibióticos e decidiu que cabe agora auscultar de novo o doente, apurando a sua receptibilidade a novos agentes terapêuticos.

Se me permitem, o meu relatório médico recomenda que Menezes insista no tratamento, pese embora as contra-indicações e os eventuais efeitos secundários. Sim, o partido está débil. Mas é uma questão de reforçar o sistema imunitário, reforçar as defesas. Cabe uma primeira fase de vacinação para afastar os previsíveis micro-organismos - já a 24 de Maio - e depois é ir administrando as restantes doses com a devida precaução, aguardando por positivas reacções pós-vacinais.

O curioso é que no PSD há quem aja qual criancinha. Os que fazem birra por tudo e por nada, que falam muito - e à toa – e que chegada a hora de levar a ‘pica’ recuam, fugindo à seringa, subitamente medrosos. A esses cabe adverti-los – para já - de que esta síndrome da maledicência, do conluio, da cobiça e da ambição pode ser fatal. Não particularmente para o líder ora cessante, mas para o partido, para os seus militantes e, irreversivelmente, para o país. É que não é só o PSD que está enfermo. O país também. E não restam dúvidas que da eficácia do tratamento de um, depende a sobrevivência do outro.

A demissão


Luís Filipe Menezes demite-se, depois de seis meses de liderança e sete de pancada: dos notáveis, que enfrentou em nome de um projecto de devolução do poder às bases; de uma comunicação social impiedosa, que, explorando a falta de coesão interna do partido e da própria direcção nacional, muito contribuiu para o desgaste da sua liderança. Nas últimas semanas, figuras desta direcção, proferiram afirmações incompreensíveis, às vezes inaceitáveis. Fácil de entender a dificuldade em fazer uma oposição credível ao governo socialista. Seria coerente com a sua narrativa que Menezes se voltasse a apresentar a votos, nestas directas. Mas com este estado da arte e perante os adversários que se aproximam, o seu regresso, que alguns desejarão, não passará de uma miragem.


quinta-feira, 17 de abril de 2008

Boa opção

Sabe a pouco

Só eu sei porque fiquei em casa...



Como que a antever tal desgraça - quando ainda nem tinha recuperado desta – ontem optei por um serão bastante mais tranquilo e menos propício a ataques cardíacos. Bem diz a minha mãe que meninas como eu não são talhadas para o futebol. Ou, pelo menos, para o esquizofrénico futebol praticado pelos encarnados...

terça-feira, 15 de abril de 2008

Entretanto...


... por aqui as coisas pouco mudaram. Se Mugabe já era um tirano, agora revela-se tirano a dobrar. Continua a socorrer-se de todas as manobras para adiar os resultados das eleições e orquestra uma qualquer estratégia para subverter a vontade do povo. Pelo país, alimenta-se uma espiral de violência e antevê-se o pior dos cenários, a par da convocação de uma greve geral pelos partidários da Oposição.
Reacções? Entre os líderes africanos, uns (Tanzânia e Zâmbia) já manifestaram preocupação, outros não estão para aí virados ( Angola e Namíbia). Quanto à Europa, somente os habitués - Reino Unido - se pronunciaram: Gordon Brown e o seu Ministro dos Negócios Estrangeiros. O pedante Mugabe desvalorizou, dizendo que «Brown is a little tiny dot on this world». Um pequeno ponto, ou não, o certo é que no seio de uma comunidade internacional cega, surda e muda, o PM inglês marca de novo pontos - sendo que é dos poucos a apontar corajosamente o dedo ao execrável comportamento de Mugabe.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Ainda o 'Coelhone'

O tema já não traz novidades. Durante a semana que passou jornais e revistas abordaram a ida de Jorge Coelho para a construtora Mota-Engil. O Ministro das Obras Públicas do Eng.º Guterres, que apesar da formação académica em gestão empresarial não teve um percurso nessa área, foi recrutado por aquele gigante do betão, que assume a construção de muitas das obras públicas em Portugal. Ao longo da semana imagens como as que Visão publicou, nos tempos idos do PREC e da barba à Che, bem como histórias sobre a sua vida, foram aparecendo.

Homem do aparelho, como dele se diz, foi a partir de 1995 que assumiu a pasta das Obras Públicas, no governo presidido por Guterres. Em 2001 abandonaria o cargo, na sequência da queda da ponte de Entre-os-Rios. Como Ministro interveio em negociações entre o Estado e a Mota-Engil.

Argumentam alguns que passaram sete anos passados sobre a tutela do Ministério, como se fosse uma espécie de período de nojo cumprido. O que faria algum sentido se o problema estivesse no passado. Não é o caso, assim como não é apenas, como nos fazia crer Francisco Louçã, na condição anfíbia dos nossos políticos, a pulular entre o público e o privado, já que estes não podem viver da política toda a vida. O problema está no futuro – esse que José Sócrates anuncia, em pré-campanha, recheado de estradas, pontes e barragens – sem dúvida, algo com muito mais saída, junto do eleitorado, do que a aposta na economia do conhecimento, ou a reforma da Administração Pública, até aqui instrumentos para construir um país mais moderno.

Na Quadratura do Círculo de 9 de Abril, que contou, pela última vez, com a presença de Jorge Coelho, Pacheco Pereira, não deixou (e bem) de comentar a saída de Coelho. No dia seguinte, a imprensa, no geral, descrevia, mediaticamente, o momento como tempestuoso. Coelho permaneceu mudo e calado. Mas fez mal – deixa-nos sem esperança que as coisas possam ser diferentes, que haja algum sentido ético e limites para as suas influências, que não haja uma monopolização da construção pública, que não favorecerá a corrupção, que não contribua para a supressão do interesse público e que não perverta ainda mais a nossa jovem democracia. Como escrevia hoje no JN Mário Crespo, «perde-se o pudor, fica-se com o poder».

sábado, 12 de abril de 2008

Maré Negra

Se não visse a Briosa a esmagar o Benfica, na Luz, não sei como explicaria os 3 a 0. Tendo sentido a felicidade de estar lá, apenas vos digo que foi justo e lindo!...
Lendo a "bíblia" da águia, ainda podemos ir mais longe no sublinhado do cariz histórico desta vitória:
  1. Há 54 anos que a Académica não vencia o Benfica, em Lisboa.
  2. Foi a segunda vez que tal aconteceu. Na primeira ainda nem havia Estádio da Luz.
  3. Ao longo da sua história, em casa, apenas em oito ocasiões o Benfica perdera por três ou mais golos.

Em jeito de homenagem, ficam os nomes dos marcadores:Miguel Pedro, Berger e Luís Aguiar.

Todos estiveram muito bem, mas guardo um abraço para o imenso Pedro Roma.

Lê-se

«Muitos dos nossos políticos debatem, indignam-se, criticam, contestam, propõem, mas perante tão grande ruído acabam por se desacreditar a si próprios. Por outras palavras, fica-se com a sensação de que ninguém tem uma ideia convincente, uma verdadeira solução política (...). De resto, esta alternância entre o exibicionismo narcísico dos dotes oratórios e a obsessão histérica pelo palco mediático, leva-nos a suspeitar que, por motivos insondáveis, o «político fazedor» foi obscurecido pelo «político palrador».
Pedro Afonso, in Público

Descubra as diferenças (V)

Consta que desta feita Hugo Chávez terá decretado o fim da exibição d'Os Simpsons numa televisão privada (sublinhe-se), invocando que aquela mítica série infringe deveres de responsabilidade social (até lá este conceito está na moda...).
Aliás, o governo de Chávez foi mais longe e garantiu que aquela hilariante família que nos acompanha desde pequenos influencia negativamente a criançada - mãe, está desfeito o mistério de teres uma filha cuja infância foi atípica! ...
Acatada a ordem, procedeu-se à substituição da série, pelo que agora naquele espaço televisivo pode ver-se Baywatch (Marés Vivas).
Percebe-se: uma família norte-americana estereotipada, humor inteligente e a ironia certeira dos Simpsons incomodam muita gente. Já o mesmo não se pode dizer da edificante Baywatch: miúdas giras em bikini, affairs de Verão e turistas deglutidos por tubarões.
Eis a mais recente benção matutina dos venezuelanos. Avé Chávez!

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Campanha II

Aproveitando a infinita benevolência do plantel da Lodo, S.A.D. e o bom balneário que temos, continuo em campanha, republicando um artigo, dado a conhecer na 4ª feira, em Coimbra.


Sendo parte interessada, não deixo de, assumindo-o, voltar a pedir a vossa atenção para as eleições que, na próxima segunda-feira, dia 14, determinarão quem dirigirá a Académica (Organismo Autónomo de Futebol) nos próximos três anos.


Faço-o, desde logo, porque entendo que, numa agremiação desportiva como a nossa, alguns pontos não podem sequer merecer mácula; falo do cumprimento pontual das obrigações para com o Fisco e a Segurança Social. José Eduardo Simões tem cumprido – assim mostram os dados (não auditados) relativos ao primeiro semestre do exercício (época desportiva) em curso.

Depois, é crucial que os atletas e demais colaboradores sejam remunerados com equilíbrio, mas a tempo e horas. Aquilo que devia ser a regra, sabemo-lo, é cada vez mais raro em muitas empresas e mais ainda em clubes de futebol portugueses. Ao que pude apurar, quase sem excepção (sempre plausível e de somenos importência), José Eduardo Simões tem cumprido.

Em terceiro lugar, entendo que uma instituição centenária como a AAC e os seus “spin offs” (ou seja, as organizações que decorrem da casa-mãe) têm que estimar a sua caminhada pelo tempo, preservando os locais da sua memória e, se possível, aumentando o património a legar às gerações vindouras. Conservando a Sede dos Arcos do Jardim e investindo numa funcional e excelente Academia de formação e treino, José Eduardo Simões tem cumprido.

E, por falar em Academia Briosa XXI, quantos clubes podem gabar-se de ter uma infra-estrutura desta qualidade e utilidade, designadamente para que, a prazo, a Académica possa voltar a apoiar-se mais na prata da casa? A isto acresce o facto de, remando contra a maré (diria mesmo, contra o tsunami) do profissionalismo exacerbado, o actual elenco incentivar o estudo e pagar as propinas dos atletas que queiram aprofundar o seu desenvolvimento pessoal e a sua mais-valia cívica. Para os muitos que acreditam que a formação é essencial e que o dinheiro não deve ser o único valor que as pessoas desejam, José Eduardo Simões tem cumprido.

Mas como, acautelado o futuro e acarinhado o passado, importa gerir o presente, regista-se o combate ao passivo e a concomitante parcimónia na aquisição de passes de atletas. Por certo, é mais fácil entrar para a História e para o coração dos adeptos usando de espalhafato e contratando tudo o que mexe, na certeza de que outros pagarão “a conta”. Contudo, eu entendo que, mesmo passando por sobressaltos (como o actual percurso) e até arriscando (espero que nunca se dê o caso) um dissabor, só uma Académica gerida com rigor, sobriedade e contenção pode lançar as bases de uma permanência imorredoira no primeiro escalão do nosso “pontapé na bola”. E aqui, de igual forma, José Eduardo Simões tem cumprido.

É por tudo isto que, a mais de garantir o futuro da Académica, estará em jogo uma questão de gratidão quando, entre as 10 e as 22 horas de segunda-feira, equacionar votar em José Eduardo Simões…

A transição

O processo eleitoral que (ainda) decorre no Zimbabwe assumiu, a partir daqui, contornos preocupantes. Em Dezembro, os holofotes da Cimeira UE/África, cuja vinda de Robert Mugabe foi vagamente turística, mal focaram o desrespeito gritante pelos direitos humanos que se vive naquele país.

A situação que tem marcado estas eleições – de manifesta falta de transparência e de opressão militar antes de uma possível segunda volta das eleições – faz repensar, depois de supostamente reforçadas as relações entre os países, o conteúdo daquele que foi um evento marcante da presidência europeia de José Sócrates. Além das ligeiras considerações tecidas por Durão Barroso, que sublinhou a vontade popular na mudança, o que constatamos é a indiferença e a apatia que a UE assinala perante este momento que, se espera, de transição.

Não é esta falta de coragem na recondução democrática de um país como o Zimbabwe que identificamos com a Europa no exercício do seu soft power, enquanto potência humanitária e, sobretudo, estrutura de influência moral que é ou deverá ser. Penso, porém, que casos como este não colocam em causa a manutenção de relações com África, apesar das teses canhotas de uma Europa saudosa do colonialismo em tempos de Globalização. São inegáveis as oportunidades que aquele continente representa e a Europa deverá potenciá-las sem esquecer o que celebrou, por exemplo, aquando do Acordo de Cottonou. Espero, por isso, que a UE se continue a bater pelo desenvolvimento dos países do sul, não descartando responsabilidades para com um continente parceiro.

Destinos de sonho para os licenciados portugueses


Hum?

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Do lápis azul ao rato azul

Li hoje uma notícia que dava o nosso país como um dos que mais importância atribui às novas tecnologias de informação e comunicação. O indicador em causa mede o grau de preparação, participação e de desenvolvimento de um país no aproveitamento que faz dos benefícios daquelas tecnologias. Ao constatar que nos encontramos bem posicionados neste ranking, ocorreram-me dois episódios recentes que se prendem com a principal expressão de tais tecnologias - a Internet. Dois casos que claramente contrariam a tendência (positiva) apurada pelo supracitado estudo e que relançam a questão das novas tecnologias e dos direitos a elas associados, mormente, direito de informação, liberdade de expressão, livre desenvolvimento, etc. Espera-se que sejam isoladas excepções à regra...

Numa autarquia, e sem qualquer prévio esclarecimento, foi interditado o uso da Internet a todos os funcionários, presumindo-se que haja excepção quanto à presidência e vereação... Pois bem, corre o ano de 2008 e ainda há quem teime em viver no século passado. São notórias as vantagens - quer para as empresas quer para os trabalhadores – que há na utilização da Internet. Proibir e bloquear o acesso àquela ferramenta de trabalho é impedir os trabalhadores de ter acesso a informação. É torná-los menos qualificados e menos preparados. Pelo que uma medida destas é do mais contraproducente e ilógico que há.

É inegável que a Internet potencia o desenvolvimento da capacidade de investigação, autonomia e iniciativa do trabalhador, aspectos que podem ser capitalizados em prol da entidade empregadora. Aliás, se devidamente utilizada, reduz custos, acelera a produção, introduz novas formas de organização, facilita e intensifica a comunicação institucional e potencia o desenvolvimento social. É claro que há sempre quem a use de forma desmesurada e afecte a sua produtividade com isso – mas aqui não tem que "pagar o justo pelo pecador" - ou pior, quem a use no local de trabalho para fins censuráveis. Daí que se compreenda o bloqueio a determinados sites (pornografia, violência, jogo, pirataria e outros conteúdos abusivos). No entanto, não foi isso que sucedeu. O bloqueio à Internet e correio electrónico foi total, com excepção de 30 minutos por dia (curiosamente, à hora de almoço..).

O outro episódio de que tive conhecimento passou-se numa Universidade que se arrogou ao direito de exercer censura. Em causa, um mero blog cujo autor é assistente daquele estabelecimento de ensino. Consta que o director não aprecia a opinião expressa por aquele docente, e vai daí, declarou desprestigiantes os conteúdos do blog e impeliu o seu autor a terminar com a coisa. Duas notas importantes: o blog versava sobre temas sociais tão vastos como política, desporto e religião; o seu autor é assistente contratado a prazo, que é o mesmo que dizer, sem base material para fazer valer os seus direitos ante os seus superiores...

sexta-feira, 4 de abril de 2008

quarta-feira, 2 de abril de 2008

(Ainda) a RTP e o PSD


Quando em Janeiro passado Luís Filipe Menezes alertou para a falta de equidade na RTP, muitos vociferaram. Recordo-me particularmente do maldizente Pacheco Pereira, que à data denominou de antidemocráticas aquelas palavras de Menezes.

Pois bem, antidemocrática é a estação pública que nos serve. Hoje mesmo veio a ERC reconhecer que o PSD é sub-representado na estação pública, tendo em conta os valores de referência definidos por aquela entidade com base na expressão eleitoral de cada partido. Destarte, não foram de todo descabidas as declarações do líder do PSD.

É certo que Menezes não foi eleito para dirigir a linha editorial de um canal televisivo, mas não creio que a liderança de um partido impeça o seu timoneiro de se pronunciar sobre a falta de pluralismo político-partidário que prolifera na grelha de um inverosímil serviço público.

Claro que não tardaram a vir à tona aqueles que se escudam no argumento de que o período analisado coincidiu com a presidência portuguesa da UE; bem como os que garantem a pés juntos que a mesma governamentalização da informação daquele canal ocorreu em tempos idos, quando o PS foi Oposição.

Ora, se bem me lembro, da última vez que o PS foi Oposição e o PSD foi Governo o líder da nação era Santana Lopes - político permeável aos media, é certo - cujo fugaz Governo foi mediatizado até ao tutano. O que eu não me lembro mesmo é de então os media terem usado da mesmíssima brandura e respeito com que há três anos vêm bafejando Sócrates e os seus discípulos...

terça-feira, 1 de abril de 2008

Descubra as diferenças (IV)

Estação Baixa-Chiado ( Metropolitano de Lisboa, 2007)


Estação Lavapiés ( Metro de Madrid, Dez. 2007)

Já fomos rotulados de povo menos cívico do Ocidente e com frequência reconhecemos que civismo é coisa que nos escasseia. A par disso, teimamos em invejar o país vizinho e em atribuir um rol infindável de qualidades ao seu povo.
Não seremos nós, portugueses, um bocadinho sadomasoquistas..?!
De nada serve votarmo-nos insistentemente à autopunição, pese embora seja inegável que ainda temos muito a aprender em matéria de cidadania.
Atente-se ao exemplo acima. É prova clara de que temos vindo a registar significativas mudanças. Um exemplo que dá lugar a interpretações bem diferentes daquelas que habitualmente se tecem sobre o nosso povo e que nos deixa concluir que, afinal, no que toca a civismo parece que estamos um bocadinho assim à frente dos espanhóis...

Bye Bye Mugabe?


Os números mais recentes das eleições do Zimbabwe dão à Oposição (Morgan Tsvangirai, do Movimento para a Mudança Democrática) vantagem sobre partido de Robert Mugabe.
Espero bem que isto não seja fruto do dia das mentiras...
A ser verdade, será o fim de quase três décadas de regime do senhor Mugabe, que com 84 anos considera que merece um sexto mandato à frente dos destinos de um país que já foi dos mais prósperos do continente africano (inclusive atractivo destino turístico) e que hoje é dos mais pobres do mundo.
Um país que está de rastos após 28 anos de poder autoritário: 80% desemprego, a inflação mais elevada do Mundo - 165 mil por cento (um pão custa um milhão de dólares zimbabwanos) - fome que grassa (facto que repugna, dado que outrora foi denominado o "celeiro" de África por ser grande exportador de produtos alimentares...), um terço da população portadora do HIV/Sida e tantos outros números que falam por si.