
terça-feira, 16 de setembro de 2008
E estes, hein?

domingo, 14 de setembro de 2008
Vá-se lá entender
Segundo me constou, a notícia a que me irei reportar não é nova, mas como não sou um tipo actualizado na matéria supracitada, só ontem é que tive conhecimento que Bernardo Macambira (para efeitos de enquadramento, é o ex-marido de Rute Marques, ex-modelo) esteve 4 meses preso em Caxias.
Enfim, continuando e indo ao busílis.
Chama a atenção a capa de uma revista cuja área de negócio é a vida alheia que : ”ex marido de Rute Marques conta tudo o que passou na prisão”!
Invadido pela curiosidade, quis saber quais as diabrices de Macambira. Folheando o artigo ciêntifico li que:
Seis anos depois, o relações públicas foi condenado a quatro meses de pena de prisão ou ao pagamento de uma multa no valor de 435€. Contudo, alega não ter recebido algumas das notificações do tribunal, porque, entretanto, tinha mudado de casa.
O processo acabou por se arrastar e quando teve conhecimento do caso, Bernardo Macambira foi pagar a multa, mas foi imediatamente detido, pois a juíza já havia assinado o despacho para detenção.”
Nota: escrita da jornalista e não transcrição de declarações de Macambira.
Desde já importa referir que o artigo apenas tinha a versão de Macambira, que como se sabe na esfera mediática fica como verdade, visto não haver contraditório.
A ser verdade o que diz a revista, é mais um caso em que a justiça faz triste figura. Trabalho comunitário ou apreensão de património pessoal, a título de exemplo, parece-me muito mais lógico. Custa-me a acreditar que se prenda uma pessoa durante 4 meses porque tinha um CD pirata e não pagou uma multa de 435€.
A haver ocultação de informação relevante por parte da revista, esta deveria ser denunciada e retirar a carteira profissional à jornalista responsável.
sábado, 13 de setembro de 2008
E enquanto o blogger nos trama...
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
PROBLEMA NO LODO
Não estamos a conseguir resolver via "definições", pelo que pedimos a vossa tolerância.
Se alguém tiver pistas de resolução, muito agradecemos.
A Gerência ;)
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Esperança média de vida de John McCain
Surgiu recentemente uma polémica que apontava para o facto de ser bastante provável, caso John McCain ganhe as eleições, que Sarah Palin venha a assumir a Presidência... tudo pela idade avançada do candidato republicano.
É verdade que segundo o world fact book, editado pela CIA, a esperança média de vida de um americano é de 75 anos. No entanto a esperança média de vida de um americano que chegou aos 72 anos é superior a 84 anos.
Falamos do conceito estatístico de “probabilidade condicionada”. A probabilidade do candidato McCain chegar aos 78 anos é superior a 84%. Para que não houvessem dúvidas sobre o seu estado de saúde actual, John McCain fez um “disclose” do seu relatório médico elaborado na Clínica Mayo.
A segurança social americana colocou online "Actuarial Tables" onde esta informação é disponibilizada para todas as idades, para que, também por aí, não restem dúvidas...
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Palpites
O Lodo estreou-se nas sondagens com uma consulta sobre a surpresa que os leitores esperavam no discurso de Manuela Ferreira Leite, na Universidade de Verão do PSD. Votaram 25 leitores e, reproduzida a demanda, os resultados foram:- Com'ó caraças - 16% (4 votantes)
- Sim, mas em medida piquena - 36% (9 votantes)
- Nadinha - 48% (12 votantes)
Ou seja, numa primeira leitura, podemos dizer que cerca de metade dos nossos leitores e/ou colaboradores entendiam que nada de novo havia a esperar em relação a um discurso que a líder da oposição fizera envolver em expectativa, durante um mês. Tal traduz, a meu ver, um profundo desencantamento com a política e, por outro lado, a ideia de que o PSD é um partido que deve ganhar o poder por alternância e não pela conquista galvanizadora da vontade do povo português.
Se lermos, por seu turno, o magro pecúlio acumulado pelos que entendiam que a drª Manuela iria surpreender, vemos o quão cabisbaixa anda a nossa gente e o seu conformismo com uma ingovernabilidade do País para a qual venho alertando.
Contudo, importa entrar no discurso em si e formular uma opinião. Creio que alinho pelo diapasão da maioria dos militantes do PSD: a Presidente é de uma seriedade inquestionável e foca os temas da actualidade.
Dito isto, cumpre anotar que a metodologia continua próxima da seguida pelo Professor Cavaco Silva; com este silêncio Manuela Ferreira Leite, ao manter o País regulado pela sua agenda, quase pode dizer-se que ensaiou uma sequela do "tabu" levado a cabo pelo primeiro sobre a hipótese de recandidatura, em 1995 (se o leitor se esqueceu, Fernando Nogueira lembrar-se-á cristalinamente...).
Falou quando e como quis e sobre o que muito bem entendeu, o que, na nossa "mediocracia", é um grito do Ipiranga que, mesmo que simbólico, temos que louvar (ao silêncio acresceu a circunstância de a drª Manuela ter resistido à tentação de falar à hora exacta dos noticiários). E, como disse, creio que falou com a-propósito: a insegurança é tema magno, no qual o Governo tem falhado e optado pela cosmética; precisamente, a propaganda institucional do Governo é de monta jamais vista na democracia portuguesa e, por fim, questionar a mais-valia dos vultuosos investimentos públicos anunciados é democrático, necessário e, quiçá, acertado.
Não obstante, a questão que colocávamos era de outra sorte: falávamos da capacidade de surpreender, algo que julgo necessário, quando é certo que os eleitores se perguntarão qual a razão pela qual hão-de mudar de Sócrates para Ferreira Leite e do PS para o PSD.
Aí, entendo que Manuela Ferreira Leite caíu no "nadinha", não tendo adicionado emoção e mobilização ao já grande descontentamento que há para com o Executivo. E tal nem teria que violar a máxima da líder, que parece apontar para não revelar políticas alternativas antes do período eleitoral; bastava que falasse à razão, mas também à emoção, denunciando e entusiasmando, criticando e animando... Em alternativa e conhecido o risco que há em fazer promessas na conjuntura global dos dias de hoje, poderia fazer política low-cost, prometendo pouco e comprometendo-se em remediar o possível deste Portugal ingovernável.
Não fazer nem uma coisa nem outra pode bem potenciar a ideia (que não desejo) de dizer, antes de "fazer a cruz", que "para ser igual, mais vale deixar o que lá está"... No entanto, também não me custa reconhecer que Manuela Ferreira Leite e a sua equipa percebem muito mais disto que este amante da piquena análise política... Espero que tenham razão!
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
As vidas dos outros

Do outro lado do Atlântico, e na recta final da corrida à Casa Branca, o Partido Republicano chamou à primeira linha e para a vice-presidência, uma figura inesperada: a governadora Sarah Palin, evangélica e ultraconservadora .
O que têm estas duas mulheres em comum?
Nos últimos dias a vida privada de ambas tem sido alvo de ataque. Curiosamente, ambas pelo mesma contingência: gravidez. No caso da Ministra francesa, a polémica prende-se com o facto desta não ser casada, imagine-se!, e de estar em ‘estado de graça’ aos 42 anos. No caso da governadora, a polémica é em torno da gravidez de uma sua filha de 17 anos.
Como é consabido, às figuras públicas torna-se difícil conservar o seu lado privado imune ao exterior. Isso não incomoda muitas delas, particularmente aquelas que subsistem precisamente dessa sobrexposição. Contudo, e especialmente no campo da política, espera-se quer dos próprios, quer dos media, alguma contenção e prudência naquilo que respeita à esfera privada.
Considero que a identidade profissional dos políticos e outros profissionais reconhecidos deve ser a única passível de ser apreciada pelos demais, a menos que se tratem de comportamentos contrários ao ordenamento jurídico, particularmente, a prática de crimes. O que não é, claramente, o caso das duas figuras aludidas.
No caso de Rachida Dati, a polémica nestes contornos não é novidade, já que desde que ocupa o lugar de Ministra tem sido alvo de ataques, mais pela sua origem e pela sua vida privada que pelo complexo trabalho à frente do MJ. Hoje, vê-se a braços com uma imprensa que todos os dias sugere dois ou três nomes para a paternidade da criança. Do próprio Sarkozy a um multimilionário, do vizinho Aznar a um magnata de hotéis e casinos, pouco falta para dizer que meio mundo é suspeito de ter dormido com Rachida. Cruel, no mínimo.
Quanto a Palin, o ataque é por demais oportunista. Nem quinze dias depois de ser convocada por McCain, a governadora do Alasca é alvo de polémica por um acto de terceiro. Bem sei que se trata da sua filha e bem sei que Palin é ultraconservadora, mas porquê pôr em causa a capacidade e credibilidade de alguém por “dá cá aquela palha”? Não seria bem mais hipócrita e reprovável se tivesse encorajado a sua filha a ocultar ou mesmo a abortar a gravidez, prevendo os efeitos que a revelação veio a causar?
Diz que é um raio de sol
Há um ponto consensual – a UV é um exemplo na motivação para a participação juvenil e honra a juventude como parte reformista da sociedade. Os jovens sentem-se ouvidos. As conferências e os oradores são, na generalidade, de uma significativa qualidade. Tudo o que se discute aqui é pertinente. A exigência adquire aqui o melhor significado. Porém, esta estabelece uma pressão de tal ordem sobre os alunos, que os obriga a praticarem níveis de trabalho desmesurados, tornando-se dificil gerir o cansaço. Ainda assim, tudo o que existe em exagero na UV é, precisamente, o que falta às políticas da Milú.
Quanto ao motivo pelo qual a UV foi notícia nos últimos tempos – a sua escolha enquanto rentreé política de Manuela Ferreira Leite – não podemos deixar de demonstrar a concordância com a escolha: há muito que a Festa do Pontal perdeu a sua relevância nesta matéria.
Temos as maiores dúvidas se a sua intervenção de Domingo justifica um tão longo período de silêncio. Reconhecendo, no entanto, o benefício da dúvida, que tem sido renegado pelos opinion makers. A UV é, acima de tudo, uma escola de ideias, propostas e contributos. Quando deixarão os dirigentes de ser acusados de virar as costas às bases por evitarem conjugar as suas propostas com os garrafões 5L?
PS.: Assinam João Morgado e Diogo N. Gaspar, quinze minutos depois do fim dos trabalhos e a duas horas do reinício.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
A Albânia que há em nós
Este é um filme que, baseado num conceito invulgar (o documentário e um enredo dentro do mesmo confundem-se), mostra o que de mais genuíno e básico há nas nossas terras do interior (no caso, no meu distrito de Coimbra).Desde as desgarradas ao som de acordeão aos foguetes, das procissões à matança do porco/javali e dos grupos de baile aos amores de verão (com os emigrantes à mistura), há tudo o que lembra a minha meninice com algumas ligações familiares a Nelas, Carregal do Sal e Estoi (Algarve).
Porém, se formos pelo lado menos romântico, também ali está o mais instintivo e primário, o mais lamechas e conformado, o mais mandrião e invejoso do nosso ethos social; dito de outro modo: ali estão muitas das marcas do nosso atavismo nacional.
O que mais me divertiu, todavia, não foi nada disso!... Foi o comportamento das pessoas pseudo-"bem" de Lisboa que assistiam ao filme, numa superfície comercial junto da Praça de Espanha.
A forma como senti escárnio em alguns comentários e risos, deu-me pena de gente que tem de se endividar para ter tudo o que os outros têm e que se mata em filas de trânsito para dizer que "comprou" o que anunciam na TV. Lembrei-me dos cartões de crédito saturados e dos endividamentos excessivos de pessoas que vivem para uma imagem que ninguém preza, porque estereotipada.
Isto para já nem falar em matéria de educação que, apesar de alguma rudeza, é apanágio dos pequenos meios portugueses... Já na sala de cinema lisboeta o que os nossos "sofisticados" de opereta tinham para mostrar era a mais grosseira falta de cuidado, como podia sentir-se nos pontapés nas costas da cadeira, nas pipocas comidas à maneira de uma gárgula ou nas conversas com volume mais próprio de esplanada...
Tenho dito que temos muito para evoluir, mas, descontada a generalização que subjaz à caricatura que aqui faço, entre estagnar em Arganil e evoluir como muito habitante frustrado das grandes urbes, acho que se me despertam saudades do tintol e da bifana (e, já agora, das campanhas eleitorais das décadas de 80 e 90)...
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Lê-se
Pedro Brás Teixeira in Jornal de Negócios, edição de hoje
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Tu fala de tudo, pá!!!
Primeiro: Aníbal Cavaco Silva vai cumprimentar Nélson Évora porque é o Presidente da Republica. Assim e num esforço de credibilizar o sistema político (termo esgotado pelo Bloco de Esquerda), Francisco Louçã deveria referir-se a ACS apenas nesses modos. Não banalizar a mais alta figura do estado português, é um bom princípio para qualquer politico… até mesmo para os da esquerda.
Sou suspeito, mas não percebo a forma de fazer política destes “camaradas” do tipo Francisco Louçã. Por um lado são extremamente irreverentes em acusar A, B ou C de corrupção e de leviandade política… por outro, ficam muito ofendidos pela irreverência narrativa das outras pessoas - principalmente quando estas apresentam uma visão política diferente…
É bom que o Dr. Francisco Louçã não se esqueça que a liberdade de expressão é de todos. Neste país, pensar diferente da esquerda intelectual ainda é um direito e não uma humilhação…
"Câmara" Lenta: os Autarcas e a Justiça
No inicio do mês de Agosto, o Supremo Tribunal Federal do Brasil rejeitou uma acção que pretendia impedir as candidaturas a eleições dos políticos “ficha suja”, denominação que o país irmão usa para se referir aos políticos que foram constituídos arguidos em processos judiciais.E enquanto se discutia na barra tal possibilidade de vedar o acesso àqueles de ir a votos, a Associação de Magistrados Brasileiros divulgou no âmbito da campanha "Eleições Limpas", uma lista anunciando os nomes dos candidatos aos órgãos locais do Brasil (Prefeituras) que têm processos a correr na justiça.
Por cá, as últimas autárquicas (e posteriormente as eleições para a CML) ficaram indelevelmente marcadas pela candidatura de rostos que se encontram a contas com a Justiça – Carmona e seus vereadores, em Lisboa; Isaltino Morais em Oeiras; Valentim Loureiro em Gondomar ;Avelino Torres no Marco; Fátima Felgueiras, etc.
À data, a discussão - creio - partiu do PSD e do então presidente, Marques Mendes. O líder de então acolheu a "teoria do arguido" e rejeitou apoiar candidaturas de políticos constituídos arguidos. (O único 'senão' aqui foi não ter usado do mesmo peso e da mesma medida em todos os casos... Adiante.) Curioso é que mesmo sem apoio partidário, na maioria dos casos os autarcas arguidos levaram a melhor e venceram as eleições de 2005.
Com aproximação, a passos largos, das eleições autárquicas portuguesas, num ano eleitoral intenso que vai ser 2009, volta o tema à baila: até que ponto é legítimo que se separe os candidatos autárquicos com a 'peneira da justiça', tal e qual se separa o trigo do joio? O actual quadro legal nada estabelece neste sentido, pelo que à luz da Lei actual e na lógica da presunção de inocência, não se afigura inviável que um arguido possa ser eleito para tais órgãos.
Contudo, e atendendo aos tempos que correm, há uma necessidade de moralizar a política, a bem da subsistência das instituições, da democracia e das populações. Mas a quem cabe tal tarefa?
Deverá ficar entregue à consciência e ao senso comum dos próprios autarcas, mesmo sabendo-se que aquele não é tão comum quanto seria desejável?
Caberá aos partidos assumir o papel de 'justiceiros' e decidir sob os critérios que bem entenderem quem apoiam e quem rejeitam, ainda que sujeitos a incorrer em erro?
Ou, por outro lado, a elegibilidade de tais políticos deverá depender tão somente da vontade dos eleitores expressa no escrutínio? Certo é que os eleitores tão depressa levam um político à praça pública e apedrejam-no com a maior desfaçatez, como tão depressa absolvem e entronizam um outro que lhes convenha...
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Ó Costa: olha para esta...!
Ar de favela?... A verdade é que o cenário fica entre o Hospital da Cruz Vermelha e o Jardim Zoológico, em Lisboa.sábado, 30 de agosto de 2008
Decision 2008

Ora, Barack Obama veio provar precisamente o contrário no seu último discurso na convenção democrática de Denver. Quem teve a oportunidade de assistir ao mesmo, pode reparar que este apresenta propostas bem definidas para diversas áreas, que de resto o diferenciam bastante de John Mccain.
No que diz respeito à dependência energética este propõe uma clara aposta nas energias renováveis (ao invés de explorar, por exemplo, recursos que se encontram em áreas naturais protegidas), propõe também uma série de medidas que visam colmatar as falhas geradas por um sistema de saúde que se baseia exclusivamente em contratos com seguradoras (demonstrando uma coragem que poucos teriam, para enfrentar um dos mais poderosos lobby’s dos E.U.A.), ao mesmo tempo que sugere um apoio mais abrangente às famílias para que os mais jovens possam aceder às universidades sem que estas tenham de contrair empréstimos que esmagam o orçamento familiar. Se isto não bastasse, Obama, supostamente um homem fraco no plano da política externa, parece querer renegar à política belicista e à arrogância que marcaram a administração Bush, para dar primazia à diplomacia, evitando conflitos desnecessários, vejam-se os casos do Irão e do recente dejá vu da guerra-fria.
É claro que podemos encontrar alguns traços de demagogia no discurso do candidato democrata, quando este repete incessantemente o seu mítico slogan Yes, We Can, ou quando tenta demonstrar em plena convenção as suas qualidades de pai de família (respeitando o bom velho american dream), mas que atire a primeira pedra quem encontrar um politico americano que não possua esses traços.
Com todas estas propostas (e só citei algumas) não se pode dizer que Barack Obama tenha um discurso vazio e ainda que possamos questionar a sua capacidade para atingir as metas que estabelece, todos temos de concordar, como relembrou o sociólogo americano, Alvin Tofler, aquando da sua última visita ao nosso país, que a eleição deste homem seria um marco importantíssimo não só para ultrapassar as barreiras existentes face às comunidades negras de diversos países ocidentais, como face a todas as outras minorias vítimas de discriminação.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Os novos doutores
Leio um artigo sobre Educação e, entre outras pérolas, vejo que um aluno do 6º ano (se me não falham as contas, do 2º ano do ciclo preparatório, no meu tempo) passou de ano com nota negativa a oito das nove disciplinas que tinha (isso mesmo: 8 negativas em 9 cadeiras)!!!...
Segundo os sábios que, com teorias de pouco resultado prático, ganham a vida no Ministério da 5 de Outubro, a ideia (expressa pelo dito “Expresso”) é evitar o abandono escolar antes de cumprida a escolaridade obrigatória e, além disso, conceder aos alunos o mínimo de competências para terem uma profissão. Parece que, segundo o mesmo semanário, citando elementos do conselho executivo da escola de Odivelas, o aluno aguardava, pese embora sem garantia, o ingresso num Curso de Educação-Formação (um curso técnico).
Não subestimando este último dado, queimam-se-me os neurónios perante alguns problemas que a minha burrice não me permite resolver; a saber: garantir o mínimo de competências?! Para um aluno que reprova a cerca de 89% das disciplinas?! Quem garante que mudá-lo de ano sem ter entendido peva do que tentaram ensinar-lhe vai fazer dele um cidadão competente para o que quer que seja?!
Depois, pergunto: que ideia é essa de que um mau aluno do ensino “clássico” vai interessar-se por aprender num curso técnico?! A menos que haja a convicção de que o ensino técnico é bom para retirar os menos “capazes” da escola dos meninos inteligentes… Não me espantava, já que foi essa esperteza saloia e esse novo-riquismo que fizeram com que ganhássemos a mania dos “doutores e engenheiros”, destruíssemos a nossa malha social de quadros técnicos qualificados (fechando o ensino técnico institucionalizado) e nos tornássemos num dos mais atrasados países europeus!
Como se tal não bastasse, o prevaricador-mor gaba-se da façanha; Valter Lemos, Secretário de Estado da Educação, declarou àquele jornal que “temos a pior taxa de repetência e de abandono escolar da OCDE”. Ou seja, segundo este iluminado da política nacional, o que importa é maquilhar a estatística europeia, já que não demonstra (missão impossível, digo eu) que as suas medidas qualifiquem melhor os nossos estudantes!...
Que há uma certa propensão da equipa ministrial para a farsa com os números já se sabia; o que nos faltava era uma confissão!...
Mas não me entenda mal o amigo leitor: não sou a favor de que se abandonem os jovens com menor aproveitamento. Porém, no que também não alinho é na passagem para europeu ver ou na assunção dos cursos técnicos ou profissionalizantes como refugo, antes defendendo que a sua opção seja, cada vez mais, a escolha primeira de muitos jovens.
O problema da cosmética do Ministério é que formamos gente que sabe cada vez menos (qualidade do saber) de cada vez mais (informação disponível) e daí sairão, entre outros, os futuros professores e os novos governantes.
Pobre País o nosso que chumba o seu próprio futuro!
Mal e porcamente
Todavia, acabo de ligar para o atendimento a clientes, onde o jovem que "arremessaram" para o dito serviço estava tão bem formado (falo de formação profissional, algo que incumbe à entidade patronal) que não soube responder às seguintes perguntas (dificílimas, como verão):
- Há ou não a possibilidade de ir buscar um descodificador à loja da empresa?
- Qual o telefone da loja de Coimbra? Aqui, limitou-se a papaguear o que todos podemos ver na página que a empresa tem na Internet: morada e horário de funcionamento...
Quando é para subscrever coisas, é tudo fácil! Para cancelar é preciso quase que ressuscitar o papel selado (os mais jovens que perguntem aos paizinhos...).
Resta agora a peregrinação, para ver se fazem o favor de me informar pessoalmente.
É também na forma como servimos que se vê a pequenez do nosso povo e o atraso do nosso País!
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
O que tu queres sei eu!...
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Como o ridículo não mata...
Vicente Moura, Presidente do Comité Olímpico Português, disse, quando tudo nos corria mal em Pequim, que não se recandidataria ao cargo que ocupa quase desde a I República.O momento era péssimo, mas sempre achei que as pessoas não deviam eternizar-se nos cargos (descansem alguns deputados do PSD, pois não é nada com eles...).
Preferia ser órfão
"Robert Mugabe chegou ao edifício parlamentar num Rolls Royce, onde foi recebido por partidários que entoaram 'ele é o nosso pai, ele é o nosso líder", ao mesmo tempo que a polícia detinha vários parlamentares da oposição"
- Rolls Royce?! Com 165.000% de inflação, em Fevereiro (há notas de 100 e 250 milhões de dólares zimbabueanos)? Com desemprego na casa dos 80%? Com fome?
- Deputados da oposição?! Não será o inverso?...
O que vale é que mesmo os lacaios de Mugabe começam a cansar-se e a revolta de alguns permitiu eleger um deputado da oposição "genuina" para presidente do parlamento...
terça-feira, 26 de agosto de 2008
35 mílimetros de filosofia
O Cinema "Nimas" decidiu, e bem, promover uma retrospectiva de alguns filmes marcantes de 2007.
Ontem foi a vez de "Uma Segunda Juventude" ("Youth Without Youth", no original), o primeiro filme de Francis Ford Coppola, em dez anos.
A película tem base na obra homónima ("Tinereţe fără tinereţe", em bom romeno) do filósofo das religiões e romancista Mircea Eliade e, como tal, aborda problemas que vão da decadência cronológica do ser à busca da juventude eterna, passando pela questão do uso egoísta dos dons e pela busca do início de tudo o que existe. Pelo meio, alguma especulação sobre problemas éticos contemporâneos como o uso do poder nuclear e as sempre polémicas relações entre a moral e a ciência (João Paulo II escreveu uma encíclica sobre o tema).
Não é um filme acessível, mas é muito interessante. A ver como convite à reflexão.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
"Alte" e pára o baile!
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Gajo de gabarito III
Enquanto alguns atletas portugueses (e não só) foram fazendo cenas estúpidas e declarações infelizes, como fomos dizendo, histórias como a que o "Público" hoje conta fazem brotar o lado bonito do desporto e a sua potência enquanto veículo de mensagens positivas.
O senhor da fotografia é austríaco, chama-se Matthias Steiner e acabara de ganhar a medalha de ouro, em halterofilia. Subindo ao pódio, puxa da fotografia da mulher e beija-a...
Até aqui, nada de novo, excepto se vos disser que a mulher de Steiner morrera num acidente, pouquíssimo tempo antes dos Jogos Olímpicos e que o atleta prometera ganhar o ouro em sua homenagem. Mais disse que iria visitar a sua campa, mal regressasse.
Sei que Steiner nunca lerá o Lodo, mas o abraço cá fica.
Nota: a fotografia foi retirada do "Público".
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Reles ou rasca, eis a questão!
Ontem, aceitando um apelo da meninice e dando ouvidos a um canto de sereia, fui a Alcobaça ver um concerto de José Cid, recuando cerca de 20 anos no tempo.
A coisa corria bem, com os carrosséis a iluminarem o recinto da feira e o dito Zé a tocar músicas que só o surdo desconhece...
Todavia, a caminhar para o final do espectáculo, José Cid decide prestar homenagem ao adágio popular "quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão" e dedica-se a algo para que não tem a menor queda: humor.
Primeiro, na canção "A pouco e pouco" (a das "favas com chouriço"), a mais de simular a relação de um industrial do Norte (mal vestido, na descrição) com uma brasileira muito mais nova (resisto a falar em preconceito, bastando-me com o mau gosto), altera a letra na parte "Faz-me favas com chouriço/O meu prato favorito/Quando chego para jantar/Quase nem acredito!", para que a última parte seja, sucessivamente, "estás a lavar ou a coçar o pit..."...
Depois, usa o seu êxito "A Anita não é bonita" para parodiar dois casos amorosos com raparigas feias (as que sobravam, na sua ficção, depois de os demais membros da banda fazerem as suas escolhas) de nome Anita, que comparou a Odete Santos e Manuela Ferreira Leite... Deixando de lado a questão de saber se José Cid é a pessoa indicada para o fazer, devo dizer que sempre rejeitei humor (ou tentativa) feito à custa de defeitos ou características físicas e/ou íntimas de outrem.
Não sei se é senilidade, mas José Cid devia ater-se à cantoria, não fazendo piadas fáceis e brejeiras.
E lá se vão as tristezas e as dívidas ao padeiro!

Nélson Évora acaba de confirmar o seu talento ao arrecadar com um magnânimo salto de 17,67m a Medalha de Ouro no Triplo Salto.
Depois de prestações medíocres e das (muitas) tolices proferidas por alguns atletas lusos, depois do desaire de Naide Gomes, depois da pobre (mas digna) despedida de Obikwelu, depois da honra do convento salva pela imparável Vanessa Fernandes, ouso dizer que o ouro era merecido.
Qual bálsamo, a desejada medalha conforta agora esta nação que nos últimos dias se vê envolta em assaltos, tiros, mortes e outras misérias que começam a tornar-se o pão nosso de cada dia. Esperemos que a glória hoje alcançada não sirva aos políticos para falar do grande País que somos, esquecendo a pequenez que fica para lá do biombo olímpico.
Todavia, esqueçamos as tristezas, pois hoje é dia de festa!
Lê-se
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Calcados no Cáucaso
O que desconhecia era que o Presidente georgiano somava a tudo isso ingenuidade, pois não vejo o assalto militar à Ossétia do Sul se não como uma idiota crença de que o “amigo americano” viria em auxílio da mocinha Geórgia, como nos filmes de Cowboys, ou de que a “Mãe Rússia” passara a ter medo da diplomacia ocidental e dos media.
Vamos por partes: se olharmos, de forma pura e simples, para o Direito, a Ossétia do Sul – tal como a Abecásia – são regiões da Geórgia. Porém, olhando à realidade (ou, se preferirmos, à Ciência Política), limamos conceitos e chegamos à ideia de quase-Estados ou Estados de facto.
Se o Estado é algo que se alicerça em elementos físicos (território, população e governo) e jurídicos (a soberania e a personalidade jurídica), aqueles que a ele aspiram contam, quase sempre, com o apoio de países vizinhos nas suas aspirações e assim vão ganhando personificação.
Indo a casos concretos, por volta de 2004 estive, entre outras paragens da linda Geórgia (recomendo um périplo pelo país, da paisagem à gastronomia, sem esquecer a hospitalidade, que é do melhor que já vi nas 46 bandeiras que já olhei), na cidade de Gori (a cidade natal de Estaline e agora ocupada pelos militares russos) e já daí não passavam as forças armadas georgianas. Dito de outro modo, na cidade que ainda tem a Avenida Estaline, uma gigante estátua do “Zé dos Bigodes” e um museu a ele consagrado (inclusive com a carruagem de comboio que o terá levado a Potsdam) terminava a soberania efectiva da Geórgia. Em Tskhinvali (Ossétia do Sul) como em Soukhoumi (capital da Abecásia), o desejo de ver os georgianos a milhas é o mesmo, aliás. E nem se arrisca muito se apostarmos que também em Moscovo o “tiro” ao georgiano (ao menos, em termos de discriminação) seja modalidade quase olímpica, já que os media russos alinham na diabolização dos ex-camaradas caucasianos e as autoridades iniciaram a deportação daqueles que não tenham a “papelada” em ordem…
De igual modo, em 2007, na Transnístria (caso idêntico, mas sito na Moldávia), pude ver que existiam forças armadas, governo e moeda (rublo da Transnístria) próprios e uma população que, maioritariamente, se recusava a ser moldava (optando pelas nacionalidades ucraniana e russa). E, também nesse Estado de facto – que ainda usa a foice e o martelo e espalha pelas ruas estátuas de Lenine – os blindados russos estão nas pontes, suponho, como “forças de manutenção da paz”…
Ou seja, na Ossétia do Sul – como na Abecásia, na Transnístria, em Nagorno-Karabagh (no Azerbeijão) e na Somalilândia (Somália) – há realidades que, há muito, vão além do simples “copy/paste” dos manuais e sebentas de Direito Internacional. Nos Estados de facto apenas falta sobretudo o elemento formal (e essencial) do reconhecimento internacional.
Acresce que os países ocidentais tiveram, a meu ver, a chamada “ideia de jerico” ao tolerarem os entusiasmos albaneses no Kosovo. Era de prever que se abrisse um precedente (disse-o, na altura) e que fossemos confrontados com a nossa hipocrisia, tendo que andar com meias tintas em casos que não favoreçam o eixo euro-atlântico, como sucede no espaço da ex-URSS. Aquele território sérvio reclama identidade étnica divergente. Pois bem, e que dizer da Ossétia do Sul e da Transnístria?! A ver vamos, se o reconhecimento formal crismar o Estado kosovar.
Houve massacres no Kosovo?! No início da década de 90, os blindados de Chisinau (capital moldava) entraram em Bendery (Tighina para os moldavos) e abriram fogo, causando muitas vítimas… O que muda?!...
Mais era de prever o apoio da Rússia, ante a ânsia de George W. Bush em expandir a NATO para as fronteiras daquele país. A ideia do escudo anti-míssil na Polónia e na República Checa e de alargar a NATO à Geórgia e à Ucrânia (embora os apoios em Kiev diminuam de dia para dia, deixando o Presidente Iuschenko em lençóis cada vez menos aprazíveis) pode ser muito simpática para os aliados do Uncle Sam, mas só cegueira política é que pode fazer pensar que, em termos geoestratégicos, é ilegítima ou surpreendente uma resposta do país dos czares.
Sem ânsia imperial – apenas, isso sim, visando recuperar a solidez interna e o orgulho externo dos russos – a Rússia de hoje recupera músculo (voltando a fortalecer as suas forças armadas, a autoridade do Estado face a oligarcas e cidadãos comuns) e mostra energia (os vastos recursos naturais dão-lhe apreciável vantagem diplomática, numa altura de alta dos preços do gás e do petróleo), permitindo ao seu Presidente, Dmitry Medvedev, anunciar uma “resposta esmagadora” a quem tentar outra vez matar cidadãos russos ou ameaçar os seus interesses.
Claro que, de permeio, está a questão dos oleodutos que visam contornar o território e a soberania russos, como é o caso do Oleoduto BTC [Baku (Azerbeijão) – Tbilissi (Geórgia) – Ceyhan (Turquia)]… É óbvio que o atoleiro em que os EUA estão no Iraque ajuda ao “cantar de galo” russo… Parece lógico que EUA e Rússia venham a ceder reciprocamente, se virmos que em cima da mesa estão questões como o Irão (onde os russos poupam Ahmadinejad, a troco de venda de equipamento nuclear) e o Paquistão (agora sem o amigo de Washington, Pervez Musharraf, que se demitiu da presidência)… Não é difícil de crer que os russos também não floreiem muito mais a retórica, dado que atrás da Abecácia, da Ossétia do Sul e da Transnístria pode vir a Chechénia…
No meio de tudo isto, todavia, a Rússia já não age com a pose de urso desajeitado que ainda marcou a era Ieltsin. Desde Putin que tomadas de posse, hinos e paradas militares voltaram a servir para unir vontades e catalisar emoções e, assim, não espanta que, enquanto o Presidente (também ele apenas “de Direito”, ousaria dizer) Medvedev aquecia as orelhas a Ocidente, no Cáucaso, o Primeiro-Ministro Putin confortava as vítimas da agressão vinda de Tbilissi… Enquanto isso, os media russos comparavam Saakashvili a Hitler, tal como o faziam cibernautas que arrasaram sítios virtuais das entidades oficiais georgianas, como aquele que o parlamento tinha na Internet.
Idiotas dos que julgarem que a mão do mágico que mais importa é a que está à vista… Sem Rússia forte é manco o tabuleiro do xadrez internacional.
A novela caucasiana segue dentro de momentos…
terça-feira, 19 de agosto de 2008
À atenção de António Costa
O Mayor de Mount Isa (cidade mineira da Austrália), procurou combater a falta de mulheres jovens (apenas 819, numa população de mais de 21.000 almas) dizendo que "com cinco tipos para cada rapariga, sugiro que mulheres com défice de beleza venham até Mount Isa"!...Como curar insónias em 109 minutos

De facto, "Os amores de Astrea e de Celadon" explicam do que carece um filme para receber o aplauso dos nossos intelectuais de serviço à crítica cinematográfica:
- Serem quase desprovidos de acção e/ou efeitos especiais.
- As falas serem cheias de metáforas, lentas e declamadas como no teatro clássico.No caso deste filme, mesmo um interessante discurso de um druida sobre o monoteísmo gaulês e o politeísmo romano se perde em falas demoradas e pouco naturais.
- Serem falados num idioma de Leste ou em francês.
- Terem um guarda-roupa indigente ou étnico.
- Um elenco pouco vasto e cenários o mais "à borla" possível.
- Sexo explícito ou uma alusão a uma união entre pessoas do mesmo sexo (é o caso).
- Se forem sobre acontecimentos recentes, serem anti-capitalistas ou sobre minorias (não é o caso).
Todavia, guardado estava o bocado: basta abrir o "Público" para ver a classificação dos "especialistas":
- Jorge Mourinha, Luís M. Oliveira e Mário J. Torres: "Muito Bom"!!!
- Vasco Câmara: "Bom"!!!
Além disso, um recorte afixado no cinema, mostra que mesmo João Lopes (o respeito que eu tinha por si...) viu o filme como o contecimento cinematográfico do ano" (cito de cor).
Ou seja, eu devo ser mesmo inculto!... Se for burro como eu, não veja este filme!
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Palavras (e medalhas!) leva-as o vento...

Já não basta a conversa do costume, com os bodes expiatórios do costume: árbitros, falta de apoios, clima, poluição, blá blá blá, agora ainda proferem barbaridades como a abaixo aludida, digna de envergonhar Portugal e os portugueses.
Acresce a isto a pobreza de português de que padecem muitos deles. (As senhoras do atletismo, então.... Deus lhes valha!) Bem sei que se dedicam de corpo e alma ao desporto, mas não lhes custa nada ter um pouco de prudência na linguagem e no uso do português quando prestam declarações a propósito de um evento que é tão importante para eles como para o país que neles deposita fé (e numerário!).
Aqui, quem muito surpreendeu foi o luso-nigeriano Francis Obikwelu. Se por um lado nos frustou as expectativas, por outro foi brilhante nas humildes declarações que fez:
Prémio "Ca'ganda Lata"
Confesso que me sinto dividido face às declarações de Marco Fortes, após o seu fracasso no lançamento do peso! quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Sol no Verão da Universidade do dito
Há cerca de dois anos, o meu querido amigo Luís Cirilo, a mais do defeito de ser vitoriano, acreditou que o PSD vivia em clima de liberdade de opinião e deu o seu parecer sobre a Universidade de Verão.Eu associei-me, reproduzindo méritos e reparos que assinalara previamente, nas reuniões de balanço que houvera, após as primeiras edições (tive o prazer de integrar a organização, a convite do Deputado e amigo Carlos Coelho). Sempre vivi bem com o facto de pertencer a correntes minoritárias do Partido ao futebol, mas nunca achei que amizade ou lealdade tivessem a ver com mordaças.
Ora, na altura, gente a soldo (o "chefe da banda" chegou a criar um pseudónimo e a instigar as hostes, esquecendo uma amizade de mais de uma década) à mistura com gente ingénua e outra que, legitimamente, discordava, eu e o Luís ouvimos o que nem Maomé disse da iguaria da Mealhada.
Sempre cavalheiro, Carlos Coelho manteve-se à parte do lamaçal e ouviu pessoalmente o que tinha para dizer (a única coisa nova foi a muito normal cessação automática da minha colaboração, algo que eu faria na posição inversa, reconheço) e é por isso que, a serem verdadeiras as notícias, hoje lhe reconheço, a mais do mérito óbvio da U.V. do PSD (nunca negado por mim ou pelo Luís) e a ser verdadeiro o que li, um avanço muito positivo: haverá estágios no Parlamento Europeu, para os mais bem classificados.
Sempre achei que faltavam duas coisas essenciais para que o PSD não desbaratasse os jovens talentos que a cantera da "Jota" ia revelando: formações intermédias e periódicas (tipo "Escola de Inverno") para, por exemplo, as duas dezenas de jovens que revelassem mais talento e estágios no Parlamento Europeu, na Assembleia da República, nas Câmaras Municipais e no Governo (nos dois últimos casos, quando, evidentemente, forem de maioria laranja). Assim, o PSD manteria "debaixo de olho" os seus valores emergentes e propiciaria treino e uma experiência de vida aos mesmos, sem cair no erro da "profissionalização" sem contacto com a "vida real".
Este ano, A Universidade de Verão da JSD, a mais da qualidade habitual dos oradores e das "produções" C.C., terá dado um passo em frente. Fico contente!...
Em breve, num cinema perto de si

Adenda: Perdoem-me os colaboradores (particularmente o visado) e leitores da Lodo, SAD. por me debruçar sobre tão indecoroso tema depois de uma redacção tão melíflua como a que se encontra infra. São, com certeza, efeitos secundários desta silly season....
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
A ler é que a gente se entende
Obrigatório!
Já só está em cena até dia 16 a peça "Sonho de Uma Noite de Verão", no Teatro Nacional D. Maria II, que continua a oferecer excelentes produções.Se tem 10€ (bem gastos), tem 3 dias!
Coiro Olímpico
Sem futebol "a doer", os portugueses canalizaram atenções e esperança para os jogos olímpicos, nos quais, cada vez menos, o importante não é só competir, dados os astronómicos contratos publicitários dos atletas, as receitas televisivas (que exigem espectáculo), a contabilidade do orgulho pátrio em medalhas e questões políticas, como as que, hoje, opôs Rússia e Geórgia no voleibol feminino de praia (contando já com o bom exemplo prévio de duas atiradoras de ambas as nações que resolveram disparar um forte abraço, no pódio, as jogadoras georgianas - brasileiras de nascença!!! - abraçaram as opositoras russas) ou as que puseram Estados Unidos e China a ver quem atirava melhor ao cesto (descansem os amantes do eixo atlântico, pois foram os moços do Uncle Sam).E, por falar em política, já aqui mencionei, que, ao que leio e ouço, a China usará estes jogos, mais do que para montra da sua superioridade atlética, como balão de ensaio de um novo modelo de desenvolvimento que corrija os defeitos gritantes da abertura encetada, designadamente ao nível ambiental, cuja má prestação faz com que se abata sobre o colosso asiático uma indesejável atenção mundial e uma comprometedora desvalorização do alegado milagre económico.
Mais ainda, há que conter o consumismo desenfreado (próprio de quem viveu uma vida sem “ter”, no sentido lato da posse) e a inflação que dispara, num clima em que se tolera que se comprem produtos Armani ou BMW (atiro à sorte), mas em que se restringe o acesso à Internet e a liberdade de informação, em geral, e a liberdade de movimentos de chineses e estrangeiros.
E, depois, há o Tibete, a Formosa (Taiwan), a zona muçulmana (junto ao Tajiquistão, ex-república da URSS), a amizade com Mugabe e um série de outros assuntos que fazem com que as atenções se dispersem muito além das pistas, das piscinas e dos tapetes…
Voltando ao início e deixando de lado o aspecto negocial que sempre envolve as grandes competições desportivas da actualidade, olho à questão contabilística e vejo que, à primeira adversidade, lá vai o orgulho nacional. Se o balão do EURO 2008 esvaziou rápido, o dos Jogos Olímpicos de Pequim parece ter rebentado ao encher, com os resultados sofríveis de Telma Monteiro e João Neto (Judo), João Costa e Manuel Silva (Tiro) e Débora Nogueira (Esgrima).
Ora, a mais de se não esperar pelos demais atletas que ainda podem alegrar-nos o mês de Agosto, fica por perceber o grau de exigência que, sem aumentarmos a nossa produtividade laboral para parâmetros de liderança europeia, pomos na vertente desportiva de um País que, ao contrário de outros e como dizia Scolari, tem um espectro de recrutamento de pouco mais de 10 milhões de pessoas (o Brasil e a Rússia, por exemplo, têm quase 20 vezes isso). Dito de outro modo, entendo que o laxismo que preside ao dia-a-dia de muito português se transveste de exigência espartana com os desportistas e os políticos (sendo que estes últimos são apenas lente de aumento das insuficiências do seu povo, já que dele emergem).
E depois ficam por pensar as duas chagas que mais me preocupam: uma é o facto de termos ficado de fora de todos os desportos colectivos olímpicos, com tudo o que isso possa trazer sobre falta de condições de treino e sobre a nossa mentalidade típica.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Ainda bem que há água em Marte
Definitivamente, creio que o Mundo está louco…Folheio um diário nacional, há dois ou três dias, e leio coisas que só vira em filmes de ficção (Mad Max e afins...), já com uns bons anos.
Podia ainda ler-se que há habitantes da Cisjordânia que alegam que, ao tentarem passar a fronteira com Israel para receberem tratamento médico, terão sido confrontados com uma “taxa moderadora” muito peculiar: tornarem-se informadores dos serviços de segurança israelitas. Ora, se resisto a tomar a parte pelo todo, também não é menos verdade que falamos de um povo que, não poucas vezes, envia ao país vizinho cidadãos envoltos em explosivos e mísseis que não escolhem alvos exclusivamente militares, pelo que sou um pouco céptico no que toca a crer que se trata de uma política instituída pelo Governo judaico, antes julgando que pode, a ser verdade, ser excesso de alguns militares. De todo o modo, convirão que é estranho.
Acelerando o passo, corramos para o anfitrião das olimpíadas, a China, onde a explosão de novo-riquismo convive com um seríssimo problema de sustentabilidade ambiental, um grosseiro agravamento das desigualdades sociais e um abandono perigoso do mundo rural. Se a isso somarmos restrições à liberdade de expressão, dos budas do Tibete aos jornalistas em Pequim, e violentas convulsões (não são novas) na China muçulmana, podemos perceber o quão preocupante para o Mundo é a evolução próxima do Império do Meio, cujo modelo, ao que sei, está a ser testado nos Jogos Olímpicos.
Como tapete de saída, um entrelaçado persa: no Irão, só um tolo é que acredita que Ahmadinejad não tem intenções de criar uma arma nuclear ou de, em alternativa, nos levar couro e cabelo para dela abdicar, estribado na esperança de não ver a antiga Pérsia atacada, dado o efeito perverso nos preços do petróleo. Diz-se que os ayatollahs, por um lado, e os estudantes, por outro, já se cansaram do populismo do presidente (e a sociedade civil iraniana existe e é forte, anoto), mas o povo anónimo, julga-se, tem hoje muito mais acesso aos mínimos existenciais do que jamais teve… Do que não duvido é que, também aqui, há pólvora.
Ainda bem que há água em Marte…
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Uma couve, um livro e dois tampões
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
"Mao", Maria!...
Os problemas são, desde logo, três: por um lado, agrava-se violenta e subitamente o fosso social entre ricos e pobres, por muito que se disfarce o facto com o surgimento de uma, até agora, desconhecida classe média.
Em segundo lugar, este novíssimo "grande salto em frente" estriba-se num modelo de industrialização inimigo do desenvolvimento sustentável do Planeta.
Por fim, a abertura económica não tem sequer aroma de democracia e de respeito pelos direitos humanos, tal como os entendemos no mundo ocidental do século XXI. Ficaria por saber se, reformando o lado político, o gigante não ficaria descontrolado e se as tendências centrífugas não despontariam, com dezenas de ingovernáveis repúblicas a baralharem mais a nossa conturbada geopolítica. A URSS começou pelo lado político e deu-se mal...
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Esperança, dizem eles
Em relação ao tema há umas horas abordado pela Dulce, o MEP – Movimento Esperança Portugal, agora reconhecido como partido político, terá sido uma iniciativa que procura refrescar afirmando-se contra um país monolítico e, assim sendo, o projecto é sempre de saudar, ainda para mais com o envolvimento de jovens e mulheres já referido. Não deixa, porém, de se apresentar susceptível a muitas questões. A primeira refere-se ao espaço político que ocupa e às ideias pouco claras – e até que ponto proveitosas para o eleitorado português – de uma estrutura situada no centro dos centros. O MEP vem assim parar a um sítio que não é sítio, onde as poucas dúvidas acerca de um vazio que a ideologia podia originar se dissiparam, ao longo dos tempos, com acção dos sucessivos governos. Mas, voltando à ideologia, torna-se difícil entender o que representa o MEP. A modos que despojado da matriz política do pós-Revolução Industrial, Rui Marques, o médico jornalista [na foto] que dá a cara pelo movimento, diz, em entrevista a um semanário da região de Leiria [24.07.08] quando questionado sobre este assunto, que faltava uma voz que afirmasse a Esperança. Que proclamasse ‘melhor é possível’ mobilizando os portugueses para vencerem a crise. Por isso o MEP surge como uma alternativa clara, quer ao PS quer ao PSD. A primeira questão é onde é que está a clareza disto. Depois onde estão as ideias e qual é o caminho?















