segunda-feira, 23 de junho de 2008

As contas que o PSD não fez

Se a eleição de Manuela Ferreira Leite no passado dia 31 de Maio se tornou histórica por, pela primeira vez, conduzir à liderança de um (grande) partido português uma mulher, a escassez da representação feminina nos órgãos ontem eleitos representa um claro retrocesso dessa conquista.

Num total de 88 membros eleitos para os órgãos do partido, o número de mulheres neles presentes é de 8. Fiz as contas aos mandatos dos últimos três líderes e constatei que foi no reinado de Marques Mendes que houve o maior número de mulheres nos órgãos do partido: 14. Segue-se-lhe Durão Barroso com 11 e, em último, Menezes, com apenas 7. O último e o actual mandato figuram, deste modo, como aqueles que a priori menos apreço revelam pelo cunho feminino no seio do partido.

Eu, que rejeito bacocos discursos feministas e que sou contra o sistema de quotas, creio no entanto que - atentando a estes números - é tempo de nos debruçarmos seriamente sobre eles e perceber o porquê de não haver espaço para a intervenção feminina no seio de um partido democrata. É que enquanto mulher e enquanto social-democrata preocupa-me - por ora, não a título pessoal, dado que sou novata - o futuro das mulheres social-democratas e do seu livre e desobstruído acesso aos centros de decisão do partido.

De cada vez que assisto a um congresso laranja, custa-me a digerir a presença masculina em massa nos principais cargos políticos e pergunto-me porque é que elas não chegam lá. Muitas são profissionais de reconhecido êxito, outras lideram estruturas partidárias locais, algumas são activistas sociais, também as há autarcas, marcam cada vez mais presença nos congressos, apresentam moções, discursam sem receios e pretensiosismos... e, ainda assim, chegada a hora de reunir as hostes, poucas são convocadas e só meia dúzia delas alcançam lugares onde possam marcar a diferença. Será porque são menos dadas a 'negociatas'?!

Certo é que os entraves de ordem sociológica hoje já não me parecem ser os mais relevantes, ousando dizer que já ninguém questiona a capacidade e o valor de uma pessoa em razão do género. Parece-me então que os maiores entraves virão da teia partidária, do sinuoso (e, reconheça-se, por vezes pouco escrupuloso) percurso que há que fazer para poder marcar presença nos centros de decisão do partido.

E não, não é preciso criar estruturas internas reservadas a 'elas', imbecilidade que recentemente foi ponderada e aplaudida por algumas senhoras. Da mesma forma que não creio que seja com listas ao CN exclusivamente compostas por mulheres - como vergonhosamente ocorreu no Congresso de Torres Vedras - que as social-democratas conquistem respeito e visibilidade (muito menos lugares...) dentro da estrutura.

O que é imperioso é deixar abertas as portas à sua espontânea adesão e perceber o quão valoroso pode ser o contributo das mulheres no plano político-partidário. E não é preciso ir muito longe para constatar que já há muito quem o tenha percebido: basta pôr os olhos no PP espanhol, que também reuniu em congresso este fim de semana e no qual Rajoy, reconduzido, não hesitou em chamar mulheres para o coadjuvarem, integrando cargos de relevo como o é o de secretária-geral.

sábado, 21 de junho de 2008

A debutante

No XXXI Congresso Nacional do PSD,a nossa Tânia Morais subiu ao púlpito para apresentar e defender a proposta temática "Portugal (Inter)Nacional", da sua inteira responsabilidade e que veio a ser merecida e expressivamente aprovada pelos congressistas.
Começou por focar o papel de Portugal no processo de construção europeia e alertou o partido para a urgência em marcar a diferença neste plano, em claro contraponto com os erros que Sócrates e o seu Governo insistem em cometer no plano das Relações Internacionais.
Prosseguiu, destemida e incisiva, dando exemplos certeiros: a rendição do Engenheiro a Chavez aquando da recente deslocação à Venezuela; a desastrosa visita de Manuel Pinho à China e o caso da insensibilidade do governo (e de toda a Europa, exceptuando a França) perante a catástrofe da Birmânia.
Não tardou em recolher a simpatia dos presentes com a sua determinação e serenidade, mas sobretudo, pela ousadia em levar ao conclave laranja uma temática que é indevidamente desprezada, brilhando naquele que foi o seu debute.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Mário Soares conversa com Hugo Chavez

Há quem se sinta muito incomodado cada vez que vê Mário Soares em programas de televisão. A mim também sempre me aborreceram As Tardes da Júlia… o dr. Soares, que muitos dizem já não aturar, séra sempre um nome central da democracia neste país e, ideologia à parte, concordando ou não com o que diz, considero que posso aprender qualquer coisa ouvindo-o (admitindo desde já que o distanciamento geracional ajude...). O anterior programa em que Soares participou na RTP – O Caminho Faz-se Caminhando, de Clara Ferreira Alves – onde sobressaia o discurso informal do ex-Presidente, a primar pela riqueza das histórias partilhadas, foi seguramente um testemunho interessante sobre o antes e o após-Democracia para o conhecimento das novas gerações.

Esta é uma posição de princípio.

Na estreia da segunda temporada de Conversas de Mário Soares (quarta-feira passada), foi Hugo Chavez o entrevistado.

Chavez precisa da Europa. Diz que "a Europa é uma das mães da América Latina" e apela, como tal, à intensificação das relações entre as duas regiões continentais.

Gostaria de dizer que Chavez está com algum azar, numa Europa em que os partidos da esquerda andam a sofrer de doença crónica.

Mas não há dúvida de que Portugal - e o PS - parece(m) dar-lhe amparo...

E, chegados ao fim, Chavez termina o programa a dizer que é contra às FARC. Apetece perguntar, como sugere uma amiga, se os malandros já não lhe passam recibos, sr. Presidente!

PS.: Lula da Silva e Santiago Carrilho são os homens que se seguem.

Lê-se

“Por que não mudar o título dos telejornais para telejornais desportivos? É que deixaram de ter notícias.”
José Pacheco Pereira in Sábado
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Por uma vez na vida concordo consigo, sr. Professor..!

Geração à rasca

Lia-se num qualquer diário de ontem qualquer coisa como: "Alunos consideraram fácil o exame nacional de português". Curiosa que sou, fui espreitar o site do Ministério da Educação (GAVE) dedicado aos exames nacionais e, de facto, deparei-me com uma prova bastante acessível.
Para começar, os textos escolhidos para aquela foram analisados nas aulas e os alunos sabiam-no de antemão, pelo que se restringiram a essa frutífera e pedagógica estratégia de decorar o manual. Ainda assim, houve a gentileza de colocar notas de rodapé com definições - que aquele português dos textos é buéda erudito..! E, para rematar, havia um grupo com respostas de escolha múltipla - parece que hoje em dia é no jogo das cruzinhas, qual totobola, que se exercita o português..!
Naquilo que se supõe ser um instrumento de avaliação, nem vestígios de desafio intelectual, nem uma ponta de estímulo ao raciocínio e espontânea aplicação dos conhecimentos adquiridos pelo aluno.
Soa, de facto, a facilitismo. E não sou apenas eu que o digo: peritos, associações ligadas ao Ensino e os próprios professores consideram o mesmo e apontam o dedo à Sra. Ministra, mãe destas estratégias que só servem para ajudar as estatísticas a projectar o país para os patamares onde se encontram os grandes da Europa, numa espécie de autoconvencimento - um bocadinho como no futebol. Aparentemente até somos bons, mas quando chega a hora da verdade...
É precisamente isso que temo em relação às novas gerações. Quando as classificações saírem, os alunos dos exames 'fáceis' darão pulos de alegria, as boas notas ajudarão as estatísticas e a Ministra festejará o sucesso das suas medidas.
Não obstante, todos sabemos que embalar estes jovens e dar-lhes palmadinhas nas costas não se coaduna com um ensino de excelência e em nada contribui para o seu futuro. Todos sabemos que um sistema facilitista implica tornar as próximas gerações mais medíocres que as actuais.
Estamos a promover uma geração que mais tarde não saberá lidar com a realidade, que habituada ao fácil não vai saber superar o difícil. Uma geração que hoje se vai safando mas que mais tarde se vai ver à rasca. Na verdade, reconheçamos: à mercê do facilitismo, "caminhamos para o abismo da ignorância", como bem escreve Carlos Fiolhais na edição de hoje do Público.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Quando o silêncio vale ouro...


Vital Moreira qualificou aqui - e bem - de "ruidoso" o silêncio do PSD (leia-se: MFL) na passada semana, quando o caos se instalou no país e só não teve consequências mais drásticas porque nos deixámos embalar pelas vitórias da nossa Selecção.

Depois de uma fase em que o PSD não soube medir as palavras - com episódios tão lamentáveis como o de Rui Gomes da Silva sobre Fernanda Câncio ou o de Ribau Esteves e a imaginária reunião com a Autoridade Reguladora das Contas - o PSD de agora, que se arroga arauto da mudança laranja, fecha-se em copas e remete-se ao silêncio.

Meus senhores: nem oito, nem oitenta. A comunicação é coisa intrínseca à política e, com ou sem agências de comunicação, os partidos têm obrigatoriedade de marcar agenda, pautando-se por uma gestão sábia da palavra, sendo que a recente história governativa do nosso país tem provado que o segredo está no equilíbrio.

Porventura naquela que foi a mais indigesta das semanas que o Governo de Sócrates 'gramou', o país esperava pela reacção da Oposição e... nada. Absolutamente nada.

Entretanto, MFL já veio justificar o 'seu' silêncio e saiu-se com esta pérola sexista: "As mulheres não pensam em política 24h por dia". Aqui sim, o silêncio seria ouro...

A Dra. Manuela Ferreira Leite esquece-se é que os políticos, indepedentemente do género, não podem perder oportunidades de ouro para juntar a sua voz à voz do povo e puxar merecidamente as orelhas ao Sr. Engenheiro, mormente, quando se acaba de ser eleito e se tem no horizonte as legislativas de 2009.

Vícios & Paixões

Tentar pensar sobre futebol é um exercício que convoca Dali, Ernst, Bresson, Miró e outros artistas para o plantel, dado o surrealismo do exercício, quando não mesmo um reforço de origem suprematista como Kandinsky…

Vinte e dois tipos atrás de uma bola e a malta à espera de alguém que a meta entre três cilindros de ferro.

Jogadores que passam mais moda do que bolas e cujo cabelo envergonha, por manifesta modéstia, a minha árvore de Natal.

Uma equipa de quatro sujeitos que, decida o que decidir, recebe honras vitalícias da ordem da gatunagem.

E milhares de pessoas a pagar muitos euros por noventa minutos de duração de uma espécie de espectáculo e metade de jogo realmente jogado.

Ordenados que não consigo ler por terem tantos algarismos, mas que pagariam a viagem ao resto do Mundo que não conheço.

Dirigentes sem graça (sim, pode ser o meu caso, se quiserem…) e suspeitas à escolha do freguês.
Treinadores que mandam atravessar o autocarro em frente à baliza, para somarem um de três pontos e conservarem a cabeça acima do pescoço.

Milhões em material promocional (vulgo, merchandising).

Meia dúzia de fintas engraçadas e quatro dezenas de faltas feias e desleais.

Pancadaria quase tribal por causa de não se apoiar os onze que vestem de uma cor e se preferir os que vestem de outra.

Canais televisivos para isto e estações de rádio para mais disto.

Três jornais diários sobre o pontapé na bola e milhares de treinadores de bancada em canais que não eram bem para tratar do assunto.

Que raio! O futebol não faz muito sentido…

Mas eu adoro futebol!

Sigo a Académica nos jogos em Coimbra e fora de portas (escapa-me a Madeira porque o meu porquinho-mealheiro é anoréctico).

Não perco um suspiro da Selecção Nacional.

Adoro ver as Ligas portuguesa, espanhola, italiana e inglesa…

Já vi jogos de futebol em países como Albânia, Ucrânia, Rússia, Itália, Turquia e Grécia.

Fiz dezenas de colecções de cromos e perdoei com dificuldade à minha mãe e/ou à minha avó (a culpa não foi apurada, em sede de julgamento familiar) terem remetido para o lixo esses nacos de literatura ilustrada do mais alto coturno.

Definho nos tempos de veraneio, quando não há jogos.

Imagino a próxima alteração saída do banco de suplentes.

Tento perceber o desenho táctico da equipa, mesmo quando já andam todos aos papéis.

Vibro com as manifestações de solidariedade entre os tipos que defendem as minhas cores.
Aplaudo as jogadas do arco-da-velha.

Irrito-me com árbitros incompetentes ou “ladrões”.

Chateio-me se a Catarina (compincha de copo e de cruz e amiga de sempre) se atrasa.

Aborreço-me quando o Mário João (idem) começa armado em segundo doutorado português em futebol, logo após o ora jubilado Gabriel Alves.

É uma seca quando chove.

É um balde de água fria, quando torramos ao Sol e perdemos.

É lindo vibrar com os golos.

Adoro futebol! Temos que ser campeões da Europa e quero ver a Académica no Jamor!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

É a Cultura, estúpido!

Roubei a epígrafe à denominação das tertúlias que outrora tinham lugar no São Luiz porque o que me leva a escrever este post é a indignação que se me aflorou na passada quinta-feira, quando constatei, de novo, o quão menosprezada é Cultura neste nosso país. Bem sei que já devia estar habituada... mas há sempre quem nos volte a relembrar que a ela tudo (mas mesmo tudo!!) se pode sobrepôr.

Decorreu nas últimas duas semanas a 78ª Feira do Livro de Lisboa. Esta edição chegou a estar em causa mas lá tiveram juízo e ultrapassaram as muitas tricas entre as partes envolvidas, terminando assim com o folhetim que se gerou à volta daquilo que deveria tão somente ser uma iniciativa cultural mas que se tornou numa iniciativa subordinada ao factor comercial.

Estive lá numa visita relâmpago na primeira semana e planeei um regresso mais demorado pelo recinto na passada quinta-feira, véspera de feriado cá pela Capital. Visitei nesse mesmo dia o site oficial para confirmar os horários e para saber com que programa cultural e sessões de autógrafos podia contar.

Pois bem, chegada ao recinto no final de uma tarde de trabalho e desejosa de me perder por entre aquele infinito universo de livros, começo gradualmente a aperceber-me do corropio dos vendedores, a arrumar, a fazer contas ao lucro e a fechar as barraquinhas! Sem qualquer aviso, a APEL achou por bem encerrar a feira às 21h, com o agrave de ser véspera de feriado. Uma Feira do Livro dependente dos Santos Populares, portanto.

Pergunto-me: de que mais dependerá uma feira do livro? Do futebol?! Não estive lá nos dias em que a nossa selecção jogou, mas se alguém me disser que fecharam as barraquinhas para assistir aos jogos, não me admiraria! É que ali não faltava nem o ecrã gigante (!!), uma verdadeira heresia naquele lugar que eu tomava como uma espécie de templo do conhecimento.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Ó Anibal, dá lá uma medalhinha ao senhor...

Quando julgava já ter lido tudo, eis que o dr. Pedro Santana Lopes prova o quão limitada é a minha imaginação. Cá por mim, se não recebesse um galardão e mesmo que houvesse injustiça, não dava parte de fraco, mas cada um é como cada qual e o dr. Santana Lopes, sem dúvida, é único.
Já agora atente na gramática (não digo onde).

Lê-se

"Um das notas mais intrigantes a propósito da "greve" selvagem dos camionistas é o comprometedor silêncio do PSD, suposto líder da oposição e candidato ao Governo. Nada sobre o protesto, nada sobre os seus excessos violentos, nada sobre a ilegalidade que campeia nas estradas de Portugal. Só que nestas circunstâncias, o silêncio é cúmplice."

Vital Moreira, 'Ruidoso Silêncio' no Causa Nossa

O preço dos valores

Sou daqueles que entende que Luiz Felipe Scolari fez um trabalho soberbo na Selecção Portuguesa.

Bons jogos, bom balneário e, sobretudo, brilhante estratégia de empolgamento do povo português.

Todavia, detesto quando os moralistas metem a pata na poça; é que, a mais de achar pouco oportuno que divulgue o contrato com o Chelsea em pleno EURO 2008, lembro-me que, há anos e no decurso de outro torneio (não me lembro se no EURO 2004 ou no FIFA 2006), Scolari rejeitou ir para o Benfica, porque alguém divulgara a notícia durante a competição...

Nada me tira da cabeça que nenhum desse pudor se teria visto, se Vieira tivesse o mealheiro de Abramovich...

A vida é assim... Ponha um preço na sua ética e faça o favor de ser feliz, amigo leitor!...

terça-feira, 10 de junho de 2008

BE e PCP mostram a sua Raça

Gostaria de ouvir o BE e o PCP falar sobre Cuba, Irão, Myannmar e Coreia do Norte, a título de exemplo. Ao invés, temos o intelectualismo literário da ex-URSS a proferir estas alarvidades sobre o Presidente da República: “recuperou terminologia racista e segregadora do Estado Novo”.

A conotação tendenciosa que o PCP e o BE querem impor é descabida. Isto não é fazer política, é politiquice. É por estas e por outras que há cada vez mais descontentamento face aos partidos políticos.

Tanta mesquinhez...

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Tirania a dobrar

Enquanto a fome grassa no Zimbabwe e a crise agudiza, Mugabe foi até Roma passear na cimeira da FAO. A hipocrisia da coisa em si já revolta, mas Mugabe e a sua Grace não se ficam por aqui. Para a viagem o casal levantou do Banco Central do seu país a módica quantia de 50.845 euros. A estadia fez-se numa suite de 890 euros diários e enquanto Mugabe ouvia o discurso (ou será: fazia orelhas de mouco?) sobre a fome no mundo, Grace foi às compras nas lojas dos grandes costureiros. Já não bastava a tirania do marido e a esposa revela-se ainda mais desumana: “só calço Salvatore Ferragamo porque tenho os pés muito estreitos”. Repugnante, no mínimo!

Observação

Portugal e comunidades ainda faziam a festa, na ressaca da primeira (de muitas, esperamos nós) vitória da selecção nacional. Emissões televisivas repetiam-se em perguntas, respostas, gritos, gestos e imagens. Na televisão pública foi o clássico Fado, protagonizado por Amália, a ocupar a tarde domingueira. Num fim-de-semana tão televisivamente português, só ficou mesmo a faltar Fátima…

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Lembrete

Juízinho, pá!

Que a candidatura de um negro à presidência dos EUA é histórica, é!

Que Obama tem um estilo que todos entendem, que mobiliza e que promete uma liderança mundial mais conciliatória e arrojada, tem.

O problema é que, de Collor de Melo a Berlusconi, estes rasgos de esperança e inovação nem sempre acabam bem.

Resta a esperança de que, sendo eleito (a ver vamos):

  • Privilegie mais o multilateralismo e pare de chatear os russos gratuitamente.
  • Se tiver que fazer a guerra, pense no dia seguinte.
  • Combata o terrorismo com a humanidade possível, sem ter que convidar os detidos para um café, obviamente...
  • Cumpra o que alega serem as suas preocupações ambientais e bem rápido.
  • Em suma, seja um tipo estudioso, decidido e decente.

Espremendo os resultados

Sem esconder que apoiei Pedro Passos Coelho, não considero incompatível regozijar-me com a vitória de Manuela Ferreira Leite, sem que com isso espere indulgências ou qualquer lugar para mim, para um filho (que não tenho, ao que sei) ou afilhado (desculpa, Luís…).

Antes de mais, seria idiota pôr em causa a folha de serviços da Presidente eleita, a sua dedicação ao País e ao partido ou sequer a clareza e o mérito da sua vitória. Chega de mau perder e de autofagia no PSD!... Não há desculpa para, a um ano e pouco de eleições, haver birras de meninos mais ou menos guerreiros ou de outros que tenham medo de não arrajar lugar nos comboios eleitorais.

Depois, fica a curiosidade de falarmos da primeira mulher a liderar um partido nacional, sem que para isso tenha necessitado de quotas!... À atenção de todas as senhoras que, em vez de apostarem no mérito da participação, se reúnem em jantares à espera da boleia da Lei (da qual duvido, por muito boas que sejam as premissas). Acresce que poderemos vir a ter, pela primeira vez, uma senhora eleita para o cargo de Primeiro-Ministro, já que a eng.ª Maria de Lurdes Pintassilgo foi-o por convite presidencial (sem que isso belisque o seu mérito, diga-se).

Mas, curiosidades de almanaque e beijocas no querubim recém-nascido (o neto) parte, manda a acutilância política que se pergunte se vamos ter mais da política e das soluções clássicas que nos governam desde o 25 de Abril. Se o hirto sentido de Estado de Sá Carneiro, Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite (enquanto ministra) foram cruciais para nos consolidar como pátria, fica a saber a pouco quando nos perguntamos como emocionar e motivar a Nação para um esforço de desenvolvimento que depende muito mais das pessoas e da cultura cívica que dos Estados que, por esse mundo, encontram na globalização e no mercado absoluto os limites de caducidade. Dito de outra forma, entendo que a malta não come "Brent" nem respira "consolidação das contas públicas", como tenho dito.

O truque pode estar em associar à sabedoria, credibilidade e austeridade da nova líder quadros com provas profissionais e cívicas que respeitem processos éticos, mas inovem nas soluções substantivas, devolvendo ao partido e a Portugal a noção de um ideal social, de um sonho, de um paradigma novo de desenvolvimento e de amparo social. No fundo, fazer com que nos emocionemos não apenas quando 23 valentes rapazes vão para um torneio do pontapé na bola (no mesmo sentido, cfr. Drª Dulce Alves).

Do que estou certo é de que há que cerrar fileiras na concepção de uma alternativa credível ao actual Governo, causando-me urticária as análises que tenho ouvido e que dizem que Ferreira Leite não venceu, porque os votos de Passos Coelho e Santana Lopes, se somados, são mais. Ou isto mudou muito ou, que eu saiba, quem vence ainda é quem fica em primeiro lugar, não havendo coligações em eleições uninominais. Mas se calhar sou eu que já esqueci a ciência política em que me encartaram como mestre…

Para Pedro Passos Coelho fica a certeza de uma campanha fresca de ideias, sedutora de postura e aliciante para uma sequela. Entendo que o tempo que queda por diante poderia ser aproveitado para saltar as baias da máquina de votos que teve que montar (nunca desprezando esse capital), para separar “a boa da má moeda” (como se diz no Palácio de Belém, a nova Meca da liderança laranja) e para, humildemente, analisar as críticas construtivas que foram feitas, designadamente quanto à consistência das opiniões e das medidas propostas e respectiva carga persuasiva. Por mim, sinto-me contente com o voto que dei a Pedro Passos Coelho, de quem espero leal cooperação para com a liderança, pelo menos, até ao fim dos embates eleitorais de 2009, o que não choca com o desiderato anunciado de concorrer, democratica e frontalmente, ao conselho nacional com uma lista, como me parece ter assumido.

Quanto a Pedro Santana Lopes, lá cantava o “menino guerreiro” que “um homem também chora”… Após tantos e tão surpreendentes renascimentos, já só me resta aguardar ansiosamente onde é que o James Bond do PSD vai fazer o próximo “filme”, pois se a derrota de 2005 não lhe deu sugestão para harakiri, não será o terceiro lugar no PSD que o leva a cortar os pulsos da militância. Reconhecido o mérito de um dos mais curiosos curricula da política lusa, apenas resta lamentar a forma como não soube “combater” (como costuma dizer), designadamente quando se referiu à inexperiência e às derrotas (Câmara da Amadora e PSD de Lisboa) de Passos Coelho. Algo que ainda espanta mais dito pelo mesmo cidadão que, no Congresso de Viseu (que o opôs a Durão Barroso e Marques Mendes), disse a Durão (após a graça falhada deste sobre Zandinga e Gabriel Alves): “olha, Zé Manel: nunca se deve pisar quem perde! É uma lição que te fica para a vida”… Ao Zé Manel até pode ter aproveitado a lição, já a Santana…

De uma ou de outra forma, se ainda percebo o PSD, o que o carisma de Ferreira Leite não conseguir fazer, caberá à esperança de um lugar nas listas de 2009: ajudar a acalmar muitos dos tribunos de ocasião que dominam a atoarda social-democrata e que, regra geral, apenas esperam o seu quinhão de notoriedade.
Oxalá também haja espaço para pensar política a sério!...
Nota: edição revista e aumentada de um texto publicado no "31 da Armada".

Um mau português

Caso raro: entrevistado em directo (a propósito da inauguração, no concelho, de dois CIRVER - centros integrados de reciclagem. valorização e eliminação de resíduos perigosos), o Presidente da Câmara da Chamusca é tratado pela repórter por "doutor...".
Antes mesmo que a jovem jornalista continuasse, ouve-se em fundo: "eu não sou doutor!".

Saúda-se a honestidade, num país de hábitos de novo-riquismo, em que são às dezenas os que, não tendo qualquer grau académico, se deixam passar por "doutores" e afins e os que, tendo um grau qualquer, exigem que o mesmo figure nos cartões de débito e em tudo e mais alguma coisa.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Por um Mundo melhor?!

"Por um mundo melhor" é o mote daquele que se auto-intitula o maior festival de música do Mundo - Rock in Rio. EU FUI e, música à parte, não gostei. Demasiada confusão, demasiado ruído entre concertos - oriundo dos mil e um stands que se dedicavam a tudo menos à música-, comportamentos excessivos e falta de civismo até mais não. Se aquilo é local para concentrar esforços por um mundo melhor... garanto que jamais voltarei a dizer mal do mundo em que vivemos.

O evento diz-se preocupado com questões sociais e nesta terceira edição portuguesa focou a sua responsabilidade social no Ambiente. Pura estratégia, quer-me parecer. Num evento tão ambicioso e vanguardista, nada vi de inovador quanto à preservação do meio ambiente. Absolutamente nada. Lá estavam os habituais contentores de lixo estilo eco-ponto e ponto final. Também houve promoção da utilização de transportes públicos para acesso ao recinto mas cabe sublinhar que a rede dísponivel era deveras diminuta: no caso do Metro, com apenas 4 estações abertas...

Ao que sei, o mais significativo que levaram a cabo com o intuito de preservar o meio ambiente foi a instalação de painéis fotovoltaicos que forneceram electricidade ao palco principal. É já um primeiro passo significativo, mas... e o resto?!

Ficaram-se por aí e perdeu-se a excelente oportunidade de alertar o cidadão comum para a necessidade de mudança de atitudes face ao descalabro do Planeta Terra... A única mensagem alusiva ao tema passava no ecrã gigante entre os concertos e resumia-se a uma fraquinha sugestão de Gisele Bündchen (não havia alguém mais credível?!) no que toca a preservar o ambiente. Curioso, é que nessas alturas o som baixava alguns décibeis e o público acabava por fixar-se noutras mensagens subliminares que a super modelo, inevitavelmente, transmite.

De resto, de Mundo Melhor não vi qualquer indício. Bem pelo contrário: aos poucos destruía-se o coberto verde da Bela Vista e a cidade do rock transformava-se numa selva que não lembra a ninguém, mergulhada em lixo. Bem sei que eram milhares de pessoas, mas os contentores mantinham-se vazios... A ajudar "à festa", o desperdício que é todo aquele merchandising distribuído e que no fundo não serve para absolutamente nada senão para poluir: plumas, cabeleiras, sacos e saquinhos, insufláveis, chapéuzinhos, papelinhos, etc.

Para terminar, a cereja no topo do bolo: o evento promete que determinada percentagem das receitas reverte a favor de organismos que estejam ligados à causa que dá mote a cada uma das edições, no presente caso relativos à preservação do meio ambiente. Este gesto parecer-me-ia louvável - e compensaria tudo o que poderia ter sido feito, e não foi, durante o evento- não fosse uma fonte segura garantir-me que a parcela a atribuir-lhes é uma ninharia que deveria envergonhar a própria organização...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Contágio

Leio no Correio da Manhã, edição de hoje, que Ribau Esteves, Secretário-Geral cessante e apoiante de Santana Lopes (eis a explicação?!), está empenhado numa boa passagem de pasta. Senão, vejamos:
"Sobre a transferência de dossiês, Ribau Esteves confessa-se tranquilo. 'O relatório de gestão que integra um caderno sobre o congresso está pronto desde o dia 31 de Maio [anteontem, dia da eleição]', diz. O documento, que, segundo descreveu, 'é profundo, tem 40 centímetros de altura e contém matérias delicadas', será entregue a Manuela Ferreira Leite. 'Quero que saiba que partido tem nas mãos', referiu Ribau Esteves".
"Profundo"?!... "40 centímetros de altura"?!... "Matérias delicadas"?!...
Se tivesse ganho percebia a pouca sobriedade das palavras, mas assim...
Apetece perguntar: e qual o comprimento? E vem escrito dos dois lados? Quantos furos? Ou é encadernado a quente?
Já não via nada assim desde que, na "Canção de Lisboa", ao fazer a oral, Vasco Santana cita a editora, o tipo de encadernação e tudo o mais... Mas esse tinha graça...

É que só podem estar a gozar..!

Há dias o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações lançou uma campanha para incentivar o uso de transportes públicos com o lema "Goze a viagem". Requisitaram um afamado actor, dispuseram de autocarros limpinhos e de carruagens de metro vazias e... voilá: um spot atractivo a promover os transportes públicos e as suas infinitas vantagens.
Agora, o Governo - que detém participações maioritárias numa série de transportes públicos - está a ponderar mais um aumento dos passes...
Em que é que ficamos?! Gasta-se na publicidade para promover uma atitude e logo depois tomam-se medidas para desmotivar?!
Que V. Exas. Srs. Governantes percebam uma coisa: andar de transportes públicos já é, por si só, um suplício. Andar de transportes públicos pagos ao preço do ouro é deveras angustiante.

Argumento interessante


Nota: o filme não contém qualquer sátira à candidatura de Pedro Santana Lopes, apesar do título...

domingo, 1 de junho de 2008

Sabia que...

  1. Manuela Ferreira Leite é a primeira mulher a presidir ao PSD e que não precisou de quotas?
  2. Manuela Ferreira Leite pode ser a primeira mulher a ocupar o cargo de Primeiro-Ministro, ganhando esse direito depois de vencer eleições legislativas? É que Maria de Lurdes Pintassilgo foi Primeiro-Ministro por convite do Presidente da República (digo-o sem qualquer desprimor, sublinho).

Vence Manuela Ferreira Leite


Confirmou-se por volta das 20h de ontem. 37,67% dos votos davam a vitória a Manuela Ferreira Leite, que se fazia seguir de Pedro Passos Coelho, com 31,07%.

Não havia, nestas eleições, candidatos de sonho. Em Passos Coelho atestamos a sua determinação e boa imagem, uma forte capacidade de mobilização, uma vontade de ruptura e de resgate do partido do bloco central. É indelicado chamar-lhe aprendiz de Sócrates, mas não deixo de considerar que é complicado dar o futuro de agora a alguém sem passado. Não coloco toda a validade de um candidato no seu currículo, mas dada a importância desta escolha, a experiência era um ponto importante, fosse para a vitória ou para a derrota. Foi, por isso, falacioso o argumento de campanha de que, com Passos Coelho, só se debateria o futuro e ninguém lhe poderia pedir justificações sobre o passado. Seguidamente seria natural que a sua proposta de viragem à direita não agradasse a todos e que o seu liberalismo misturado com preocupações sociais soasse a mal cozido. Fora isto, PPC esteve à altura e agradou também pela sua visão não conservadora da vida social, outra marca de diferença dos outros candidatos.

Da vencedora confesso que não mais espero do que o finalizar das querelas internas no partido, uma linha de orientação com sustento e conteúdo, uma oposição. Com o seu estilo anti populista acabou por dar sinais de algum comprometimento ao não se manifestar sobre algumas matérias, fugindo às respostas concretas – jogou, por isso, mais no escuro e isso deve ser assinalado. Posto isto MFL acabou por, apesar do que implica dizê-lo, potenciar o seu perfil sobre as propostas para o país. Perfil esse, que valendo o que vale, enquanto dirigente política ou cidadã, se transformou no capital político da vitória.

Balanço final das directas – foi um exercício intenso, que não sofreu do mesmo alheamento das de Setembro último. Trouxe alguma reflexão sobre o país e a governação. Os portugueses seguiram com atenção um debate que também foi o das ideias. E para o PSD, abriu-se um caminho de esperança. Importante é, agora, MFL aceitar a colaboração de Pedro Passos Coelho. Um resultado de 31% pode significar a continuidade das querelas e da desunião. Se Leite não o fizer coloca em cheque a unidade do partido, aquilo que, verdadeiramente, os eleitores e militantes desejam com estas eleições.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Afinal havia outro...

Sem desprimor do nosso Capitão e tendo em conta a paralisação por tempo indeterminado do sector das pescas, ei-lo, o nosso Salvador.

Dor de cabeça

O Governo bem pode preparar-se para um fim de semana merecidamente intranquilo. É o que se adivinha: depois da agitação na Saúde e Educação, agora é a vez dos consumidores protestarem a escalada do preço dos combustíveis com um boicote às gasolineiras nos dias 1, 2 e 3. Os pescadores ficam em terra por tempo indeterminado e os agricultores prometem juntar-se aos protestos. Mesmo já tendo recuperado da gripe, sugiro ao nosso PM que continue em insistir no Melhoral. Vai ser cá uma dor de cabeça...

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Efeito Passos Coelho

A temática da falta de confiança da sociedade civil na classe política não é de hoje e tem causas várias. Por um lado temos, em alguns casos, comportamentos pouco dignos de agentes da classe, desadequados aos cargos que ocupam, pelo outro, o desgaste que provoca o aparecimento das mesmas caras à frente dos partidos, onde as renovações pós congressos mais não são do que rotatividade de cadeiras.

Para agravar ainda mais esse descrédito associam-se crises financeiras constantes para as quais os políticos dizem não ter solução, vigorando a proclamação da praxe, falando do “cinto” e da “tanga”. Mas enquanto isso, os salários não aumentam, o desemprego e o preço dos bens essenciais sobem e o que se ganha é pouco para fazer face às despesas correntes (nem falo de poupança)...

Alheio a tudo isto parece estar o Eng. Sócrates, expelindo diariamente propaganda política, onde no seu país das fantasias tudo está bem: estamos no bom caminho, o Governo por si liderado está a tomar as medidas correctas e devemos ter confiança no futuro... Mas todos nós questionamos: “Ó Eng. se estamos tão bem, porque nos sentimos tão mal?”

Face ao contexto dos últimos tempos, qual tem sido o papel do PSD? Discutir líderes e tipos de liderança.

Tenho imenso respeito e admiração pela Dra. Manuela Ferreira Leite, como já aqui referi, mas qual foi o seu papel nestes últimos meses? Como auxiliou Marques Mendes, candidato que mereceu o seu voto no último conclave e que liderou o partido? De Luís Filipe Menezes nem vale a pena falar... Mais: se o problema principal que afecta Portugal neste momento é social, que concordo, então quais foram as propostas que fez nesta matéria?

Não quero ir às urnas escolher mais um líder para o curto prazo, como tem acontecido. O próximo(a) tem que ter visão estratégia, deve ter condições para unir o partido e ser eleito para vários anos... de poder. Em suma, por muito injusto que possa estar a ser para com MFL, prefiro um candidato “sem pecados” e com uma grande margem de progressão à sua frente.

Por isso mesmo, votarei em Pedro Passos Coelho.

Coisas verdadeiramente importantes II


Mesmo que os dons não lhe chegassem para prever a detenção, faltou-lhe perspicácia: já havia quem lhe tivesse dado o recado. Agora, à falta de Bambo, temos o Professor Karamba. Com facilidades de pagamento, que estes profissionais são gente sensível que se compadece com os portugueses que atravessam dificuldades económicas...

PS - espero bem que esta brincadeirinha de ocasião não nos dê direito a um qualquer quebranto...

Quem brinca com o fogo...


"Qualquer dia também tenho de ir apagar o fogo do PSD, que aquilo está tudo a arder". Quem o disse foi, pasme-se, Rui Rio. Saiu-se com esta graçola impertinente numa visita a um qualquer quartel de Bombeiros e agora arrisca-se a deixar de cair nas boas graças de muitos militantes social-democratas.

Não é motivo para questionar o seu valor e o seu reconhecido prestígio junto da sociedade civil, mas que o que disse é de uma imensa leviandade e irresponsabilidade, lá isso é. Fosse outro o contexto e até poderia soar a inofensivo. Agora dizê-lo num acto público e oficial e sabendo-se envolto em comunicação social, é grave e não espelha qualquer respeito por aquele que é o seu partido. Ademais, vindo dele, que nos últimos tempos foi incitado a vestir a farda e, qual soldado da paz, assegurar a salvação do PSD.

Rio hesitou e acabou por negar-se a cumprir tal missão. Onde nunca hesita, como tantos outros, é na hora de lançar achas à fogueira. Depois, quando a chama vai alta e são chamados a intervir, recuam. Se os nossos bombeiros fossem assim, Portugal "já era".

28 de Maio

Ontem foi dia 28 de Maio.
Dita a evidência, relembro que falamos do dia em que, em 1926, em Braga, o General Gomes da Costa lidera um movimento militar que poria fim ai Governo do Partido Democrático, assim estabelecendo o início do que viria a ser, na realidade, fim da I República.

Leia-se com o “olho esquerdo” ou com o “olho direito”, creio que os compêndios de história reconhecem, mais ou menos unanimemente, que falamos de um período (aquele que vinha de 5 de Outubro de 1910) que permitira altos índices de inflação e, logicamente, de desvalorização da moeda, intolerância religiosa, convulsões sócio-laborais, instabilidade política (o ano 1920 conheceu 8 governos…) e até de assassinatos políticos (veja-se o dia 19 de Outubro de 1921, por exemplo, sem citar o assassinato de Sidónio Pais).

Quem lesse a “Seara Nova”, em 1924, podia ver apelos à ditadura, como menciona José Hermano Saraiva (in”História Concisa de Portugal”, Publicações Europa-América).

O resto, sabemo-lo bem; a 27 de Abril de 1928 era convidado, com o fito de sanear as finanças públicas, o Professor de Coimbra, António de Oliveira Salazar que, a 5 de Julho de 1932, ascendia a Presidente do Conselho. Com o virar do calendário, uma nova Constituição assinalava o nascimento do Estado Novo.

Volvidos 82 anos sobre o golpe militar e tudo o que dele decorreu, o que herdámos e em que nos tornámos?

Da I República se conservámos o bulício intelectual e opinativo, também mantivemos alguns anátemas. Começo pelo nosso crónico problema com as contas públicas: é insuportável que andemos, há anos, obcecados com o défice, o “despesismo” e a clara falência do nosso Estado Social. E o problema é que, como povo estúpido que somos, ainda não aprendemos a alimentar-nos de conceitos como “despesa pública”, a pôr no depósito do carro “receitas extraordinárias” ou a pagar a escola ou o hospital com “carga fiscal”… Continuamos, barbaramente a precisar de dinheiro cada vez mais rarefeito no nosso mealheiro para comer, vestir e viver…

Acresce que, retirada a carga religiosa, não nos tornámos tão tolerantes quanto isso… Culpe-se o “capitalismo selvagem” que nos converte em peões de um jogo em que são poucos os ricos, que ganham cada vez mais (só a Letónia tem maior disparidade entre ricos e pobres, na União Europeia!) ou Luís Filipe Vieira (que mantém sombrios os alegados seis milhões de seguidores do “Dínamo” da Luz – perdoe-se a evocação soviética…), o facto é que da estrada aos tiroteios nocturnos seguimos divididos, sem que a classe política veja o “estrago” da Nação, em vez de perder tempo com inócuos debates sobre um putativo estado de uma crescentemente quimérica nação.

E dos tempos do “Senhor Professor”?! Ultrapassada a vergonha imposta pelo 25 de Abril, as editoras inundam o mercado, a terra natal quer evocar o seu filho mais célebre com a recuperação para museu da sua casa e, de além-túmulo, o próprio estadista ganha o concurso da RTP “Os Grandes Portugueses”, em 2007.

Tenho dito que me pareceu estúpido – e veio a provar-se a minha razão – que se falasse em ressurgimento do “salazarismo”.

Todavia, só mesmo a nossa autista classe política pôde achar que não havia recado algum naquela votação… No meu modesto parecer, creio que muitos dos votantes disseram que, em tempo de crise (ou não é desta sorte o nosso?!), Estado sólido e em paz, comida na mesa e ordem pública são bens de primeira necessidade. E nem vale a pena lembrar a penúria e ignorância em que muitos viveram esses tempos. É um tempo em que se olha para o umbigo e se deseja – hoje sem o respaldo da economia de subsistência que disfarçava a miséria de muitas famílias – uma esperança de solução, ainda que por isso se ceda algum poder de intervir em face de modelos mais autoritários de liderança.

Sem o lastro cívico dos britânicos (que se mobilizam enquanto sociedade) olhamos em busca de um “Paizinho” que nos oriente, ainda que ralhe. E assim vamos, curtos de Educação e nulos de Cultura. Vibramos com a selecção de futebol e chorámos por Timor, mas “depois do adeus”, procuramos um D. Sebastião ou um qualquer salvador, pois descremos de uma política que generalizamos nos tons cinza, ao ponto de acharmos que todo o político que mexe é corrupto ou aceita “cunhas”.

O facto é que nem todos conseguem explicar o novo emprego ou a recente fortuna e que muito poucos têm ideias que mobilizem os portugueses para um desígnio patriótico.

Data sombria, esta em que as nuvens pairam sobre um país ainda com escassa renovação de elites. E já começa a “uivar” o vento de mudança – General Garcia Leandro, Presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, falou mesmo em risco de implosão social….
Nota: fotografia do General Gomes da Costa. O texto foi pré-publicado no "31 da Armada".

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Decadência

Segundo o "Relatório de Estabilidade Financeira de 2007" do Banco de Portugal, a situação da nossa Nação é dramática e só tem piorado, sobretudo se olharmos às promessas de sucessivos líderes partidários que dizem que com eles sairemos da cauda da União Europeia... A menos que a UE tenha a cauda cortada, dificilmente vejo algo atrás de nós...

Olhado o documento do BP, pode ler-se que:
  • As dívidas de particulares ascenderam a 129% do rendimento disponível anual, atingindo 91% do Produto Interno Bruto.

  • A taxa de poupança dos portugueses - olhada pela fatia do rendimento disponível - ficou pelos 7,9% (5,5 % do PIB), só encontrando par nos sombrios anos 60.

  • A taxa de endividamento das empresas, por seu turno, chegou aos 114% do PIB, sendo a taxa de poupança de 4,3% do mesmo indicador de medida.

Ou seja, pese embora muitas das dívidas dos particulares sejam de longo prazo, devemos mais do que aquilo que ganhamos! Não nos sobra nada de jeito, ao fim do mês!

Temos o 2º maior fosso entre os que ganham muito e os que ganham pouco na União Europeia!

Os nossos políticos não resolvem nada, desde meados dos anos 40 do século passado!

E ninguém vê (excepto o Instituto Nacional de Estatística nos seus estudos) que a solução para a nossa pobreza é a qualificação dos portugueses (90% dos pobres tem, no máximo, o 3º anos do ensino básico; ou seja, a 3ª classe).Aliás, não sei o que é a que a nossa miserável classe política precisa para aplicar o tridente que nos tira da lama:

  1. Aposta forte na Educação, com exigência, rigor e mérito.
  2. Nichos de especialização (clusters) em que façamos melhor e mais barato do que os outros, de preferência em sectores de ponta.
  3. Fiscalidade aliciante.

E será preciso muito para se entender que só com estas medidas em conjunto é que nos livramos da ruína para que resvalamos, ano após ano?...

Nota: a fonte deste texto é a edição de hoje do Diário de Notícias.

O apocalipse segundo Ribau

O autodenominado "único preso político de Portugal" e Secretário-Geral cessante do PSD, Ribau Esteves, declarou que apoia Santana Lopes, porque é "o mais próximo do verdadeiro Portugal"*.

Teremos futuro enquanto Pátria?
* Cfr. Diário de Notícias, de hoje.

Coisas verdadeiramente importantes

O Professor Bambo, vidente que resolve problemas de "família, amor, trabalho, herança complicações com filhos e mau-olhado", foi detido pela PSP do Porto, para interrogatório com base em suspeita de crimes de extorsão e, em um dos casos, de violação.
Como se atrevem?!... Um benemérito que resolve problemas tão sérios detido?!... Andam dezenas de tipos a falar de défice, que ninguém sabe o que é, e um senhor que partilha connosco dons únicos e que educa crianças (filhos), nos enriquece (herança), serra as hastes (problemas de amor) e encanta por nós (idem), entre outras coisas que realmente nos lixam o dia a dia é incomodado e vê casas e "consultórios" (ah ah ah) devassados?!
Só podia mesmo ser a PSP do Porto! A mesma que, há anos, bateu nos angélicos adeptos do Manchester United e que tinha (tem?!) um agente que disse na tv que "preferia ser corno a ser do Benfica" (confesso que, ainda assim, preferia o SLB...).
Todavia, subsistem-me algumas dúvidas filosóficas:
  • Os dons não chegaram para prever a detenção?
  • Quem me diz agora qual o próximo presidente do PSD? Terei que ver o que "está escrito nas estrelas"?
  • Será que a PSP vai levar com um mau-olhado?
  • A extorsão não é um problema de resolver problemas de "herança" e de "trabalho"?

Mais a sério: o que valia a pena era as pessoas com responsabilidade pensarem no estado de necessidade em que está a nossa sociedade para que milhares de concidadãos encham os bolsos destes sujeitos!

Lê-se

"Os militantes do PSD têm este fim de semana a responsabilidade de não olhar apenas para as directas como uma disputa interna, mas sim como um processo de renovação da actividade política em Portugal, de afirmação de uma identidade própria ao seu partido, que o diferencie do PS de forma clara.
A questão não é simples: o êxito futuro do PSD depende de uma escolha que provoque mudanças, que afirme a diferença e que seja capaz de atrair aliados e alargar o campo de influência partidário. Por isso, eu que não sou filiado em nenhum partido, baseado no que é a história de cada candidato e nas propostas que agora apresentam, acho que a escolha de Pedro Passos Coelho é a que melhor pode contribuir para que o PSD tenha um papel activo e dinâmico na renovação do sistema político e partidário e para que possa contribuir para tirar o país do impasse onde nos encontramos. Na realidade, PPC é o único que traça um caminho diferente e essa é a sua grande vantagem. E esse caminho, outra vantagem, não passa pelo Bloco Central."


Manuel Falcão, na Esquina do Rio, em "Por que é que as directas do PSD interessam a todos?"

O meu voto, porque…


Porque é mulher. *

Porque é credível.

Porque é corajosa.

Porque é determinada.

Porque acredita na vitória em 2009.

Porque decidiu “incomodar-se”, em vez de se acomodar.

Porque não tem medo de dizer a verdade, mesmo que com isso nem sempre cative os Portugueses, logo...votos.

Porque me identifico em vários aspectos com a sua atitude e forma de estar na política.

Porque vejo nela a capacidade de voltar a unir o (que está) partido, contemplando a unidade na diversidade.

Porque pode levar os Portugueses a confiar novamente no PSD, como alternativa ao poder.

Porque acredito que pode abrir caminho a um futuro de renovação e dinamismo no PSD e em PORTUGAL, futuro este que (no meu "mundo ideal") deverá passar por um trabalho conjunto com pessoas como Pedro Passos Coelho.

Eis o porquê dos 12,5% na sondagem do Lodo!

* obviamente este argumento só é válido porque, aliado a todos os outros, pode marcar a diferença pela positiva =)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

O golpe continua

No Zimbabwe, a ansiada transição ainda não se deu e aumentam as dúvidas quanto à possibilidade de Tsvangirai vir a chefiar o governo. Depois das eleições de Março, Mugabe lá conseguiu forçar uma segunda volta e prepara-se para forjar os resultados desta. Enquanto aguarda pelo abrir das urnas – a 27 de Junho - entretém-se a perseguir os seus opositores, a ameaçar embaixadores e a fazer preparativos para a sua vitória (leia-se: política de repressão e manipulação que culminará num possível golpe de Estado Militar, evitando a eleição do líder da Oposição). Aliás, Mugabe recomeçou ontem a sua campanha dando-se ao luxo de afirmar: “Posso assegurar-lhes que está tudo preparado para a segunda volta das eleições e que ganharemos”. (Infelizmente) Não duvidamos.
*Ilustração by Leo Martins

Pudera..!

Manuela Ferreira Leite é a favorita do PS – lê-se. Em nada surpreende esta manchete de jornal. Numa estratégia para influenciar o eleitorado laranja, os socialistas apontam a Dama de Ferro como a adversária ideal de Sócrates no combate de 2009. É clarividente que se trata de jogo político de um PS que teme – e bem – a chegada de Pedro Passos Coelho à liderança do PSD.

Na política a novidade traduz-se muita vezes em vantagem. Pedro Passos Coelho é um rosto novo para muitos dos portugueses e pode ser visto como um arauto de mudança. Aqui Manuela Ferreira Leite parte em desvantagem, pois dela e dos que a rodeiam todos sabemos o que esperar e caso ganhe as directas tornar-se-á tarefa árdua superar as expectativas dos portugueses.

Depois, sem desprimor do seu mérito e capacidade, a verdade é que a candidata à São Caetano à Lapa não colhe grande simpatia dos portugueses, mercê – creio - de medidas governativas impopulares que outrora levou a cabo. Já Pedro Passos Coelho conquista a cada dia o povo português. A propósito, tive recentemente a oportunidade de registar a popularidade crescente e a simpatia genuína e mútua entre PPC e os portugueses e garanto-vos que é absolutamente singular. Sócrates que se cuide..!

Compreende-se assim o porquê de termos um PS a opinar sobre as eleições do PSD... Aliás, estou desconfiada que no próximo dia 31 muitos dos socialistas gostariam de poder desdobrar-se em dois e votar nestas directas do PSD...

domingo, 25 de maio de 2008

Felicidade pura

O Teatro São Luiz teve, a meu ver, uma ideia genial ao, gizando o mote "Vinte Canções de Amor e um Poema Desesperado", convocar, por dois dias cada um, Maria João (que aprecio), Rui Reininho (que venero) e Pedro Abrunhosa (cujo trabalho me não seduz, embora o respeite).
Como está bem de ver, Rui Reininho foi a minha escolha (e o bilhete um dos mais gostosos presentes de aniversário recebidos)!...

E aí esteve ele, versátil, mimético, culto, dialogante e ensimesmado, claustrofóbico e agorofóbico, grave e agudo, pop e chanson, magnífico e soberbo!...

Música?! De todo o tipo. Destaco as viagens por David Bowie (Space Oddity), Lou Reed (Perfect Day), Japan (Nightporter), Rolling Stones (Sympathy For The Devil), entre tantos outros nomes que polvilharam adolescências e "adultices", ao longo dos tempos.
Porém, só o Rei Ninho se atreveria a evocar Doce (Bem Bom) e 10cc (I'm not in love)...

Os Tony's deste Portugal podem vender mais, mas ninguém oferece mais e/ou melhor arte!

sábado, 24 de maio de 2008

Calem esta tipa

Ainda não tinha assistido ao regresso de Manuela Moura Guedes à televisão, pelo simples facto que evito o telejornal da TVI, não gosto, é sensacionalista, cor-de-rosa e com peças jornalísticas onde o principal objectivo é o de fazer chorar as pedras da calçada.

Por força do debate entre os candidatos a líder do PSD tive que sintonizar a TVI e deixem-me que vos diga que fiquei revoltado com a moderação do debate. Aquela senhora foi claramente parcial, arrogante e gesticulava de forma desadequada ao questionar os candidatos.

Ontem (e quase sempre), esta ex-deputada Popular que andou, à época, a fazer analogia política com “tachos” de cozinha foi uma jornalista propagandista. Tentou dominar a opinião pública e a dos militantes do PSD tendo uma acção coerciva para com dois dos candidatos: Patinha Antão e Pedro Passos Coelho, sendo no caso do segundo, inqualificável.

Provavelmente pensará que a sua mensagem é doutrina. Outros, como eu, consideram-na ridícula.

"Pega um pega geral, também vai pegar você"

Tendo tido a oportunidade de assistir à ante-estreia daquele que me dizem ser o mais visto e o mais pirateado filme da história do cinema brasileiro, não resisto a dizer o que penso de tão polémica película.
Em primeiro lugar, creio que o filme - que aborda a actividade do BOPE (Batalhão de Operações Especiais) do Rio de Janeiro - está muito bem realizado e representado.
Depois, creio que a violência que percorre todo o enredo e que pode chocar os mais susceptíveis é fruto da proximidade do guião à realidade do combate ao crime no Rio de Janeiro.
Porém, onde podemos entornar o caldo é quando vos disser que acho louvável o que vi e o que investiguei sobre a acção dos "Caveiras".
Poderá dizer-se: violência puxa violência e há vítimas inocentes. Pois sim... A verdade é que os políticos tardam em apostar nas soluções menos bélicas, como se fez, por exemplo, em São Paulo, onde a criminalidade se encontra contida. Ao que sei, nesta sedutora cidade, a mais de forte policiamento (bem notório), houve um esforço de eliminação das favelas e sua substituição por habitação social.
Estas medidas, a par de aposta na escolarização e num sistema de assistência social universal e de uma política de emprego eficaz podem ser a óbvia chave da solução para um país que transborda de recursos naturais e, logo, de riqueza.
Enquanto nada disso acontece, como combater o reinado de bandos terroristas que se apoderam de favelas do tamanho de cidades portuguesas? A solução é esperar que a droga e as armas se cansem dos donos? Ou será deixar que os corpos de polícia regular, minados que estão pela corrupção, façam da derrota destes impérios do mal o seu voto de ano novo para 2058?
É claro que há excessos, como só poderia haver quando legiões de cobardes se escondem entre civis e os usam como fantoches... É certo que são homens que têm que fechar o coração a certo tipo de sensibilidade, quando lhes pedem que entrem em mundos labirínticos onde a morte os espreita a cada dobrar de esquina... Mas de tal maneira a sua acção é meritória que grupos de operações especiais de todo o mundo pedem para aprender as tácticas de combate ao crime urbano do BOPE.
Sei que, mais uma vez. a opinião da esquerda a soldo dirá que isto é terrorismo de Estado, sem olhar ao elo mais fraco - os milhares de brasileiros governados pela lei de terror dos "comandos" - e ao risco que correm os "bopes" desse mundo para que mesmo os palhaços libertários e anarquistas que lhes cospem na honra possam dormir em paz...
Não obstante, com os meus ou com os seus "óculos", veja o filme!

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Poderia ser em Manuela Ferreira Leite

Após uma época em que tanto Marques Mendes como Luís Filipe Menezes não conseguiram atrair para junto de si uma imagem de vitória e um capital de esperança para o PSD tendo em vista o conclave de 2009 com o Eng. Sócrates, surge-nos agora uma oferta diversificada.

Inicialmente cumpre manifestar o meu agrado pela diversidade na oferta actual, não esquecendo no entanto que a mesma deveria ter sido mais recheada há uns meses atrás, porque se tal tivesse acontecido não teríamos dado um avanço de oito meses ao Eng. Sócrates.

Muitos com responsabilidades de se assumirem como alternativa nas últimas eleições internas não o fizerem, deixando andar o desgastado Marques Mendes que salvo algum milagre de Fátima nos levaria quase de certeza a uma derrota em 2009. No entanto, indo ao encontro do que já aqui escrevi, desenganem-se os que ao abrigo deste argumento julgam que se os tais notáveis não tivessem dificultado a vida a Menezes este poderia sonhar com S. Bento.

Mas como se diz: “um ano em política é uma eternidade”, e se há bem pouco tempo o cenário de derrota em 2009 era o mais preconizado entre os social-democratas, temos assistido nos últimos dias a uma inversão desse sentimento, a um partido mobilizado e moralizado em torno das suas candidaturas.

Neste momento considero que temos dois candidatos que podem levar o PSD à vitória: Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho, ambos com formas e conteúdos diferentes, é um facto, mas detentores de um capital de confiança junto da sociedade civil que nenhum dos últimos três líderes teve, nem soube alcançar.

Não teria pejo nenhum em votar na Dra. Manuela Ferreira Leite. É uma mulher a quem ninguém fica indiferente, detentora do conhecimento indispensável sobre as pastas da governação e quais as medidas necessárias para levar o barco a bom porto, com uma imagem de credibilidade junto dos portugueses que soube angariar fruto de decisões que apesar de impopulares, necessárias.

Mais acredito na possibilidade de vitória de Manuela Ferreira Leite em 2009 (caso vença as primárias laranja) quando vejo a inteligente escolha que teve ao direccionar a sua mensagem para o lado social, associando a imagem da mulher que gosta de ter contas consolidadas à de humanista, dando a entender que é perfeitamente possível conciliar ambas as vertentes, algo que Sócrates manifestamente nunca conseguiu. E não tenhamos dúvidas que os portugueses estão com indicadores de auto-estima baixíssimos...

Por agora fico-me com algumas das razões que me levariam a votar em Manuela Ferreira Leite, nos próximos dias direi porque votarei em Pedro Passos Coelho.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Lê-se

"Quem observa diariamente o mundo dos blogs, como eu faço, não pode concordar com o Presidente da República: gente interessada com a politica, é o que não falta. Como escrevia Gonçalo Capitão no blog Ainda Há Lodo no Cais, talvez a solução para a preocupação de Cavaco passe por aqui: «é tempo de envolver no projecto da casa quem vai ter que a habitar...». Gonçalo falava do PSD, eu alargo a ideia ao país e à politica que o rege."

by Pedro Rolo Duarte na sua "Janela Indiscreta"

Sondagem LODO - Eleições PSD

Sondado o universo dos militantes do PSD e associados da Lodo, S.A.D. (8 em 10*) que podem votar nas eleições directas, eis os resultados:
1 - Pedro Passos Coelho - 75 % (6 votos)
2 - Manuela Ferreira Leite - 12,5 % (1 voto)
3 - Pedro Santana Lopes - 12,5 % (1 voto)
*Se votassem os demais, a drª Manuela Ferreira Leite passaria a deter 3 votos, pelo que passariam as percentagens respectivamente para 60%; 30% e 10%.

Lê-se

"Passos Coelho é o denominador comum da rejeição de Ferreira Leite e de Santana Lopes e não tem verdadeiramente apoios por convicção."

in Semanário, edição de hoje, pág. 10
_
Gostava de perceber como pode um jornalista inferir tamanha imbecilidade. Juro que gostava.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Grandes Portugueses


Cannes estendeu este ano a passadeira vermelha a Portugal. Manoel de Oliveira traz a tão merecida Palma de Ouro. Durão Barroso esteve presente para assinalar o Dia do Cinema Europeu. João Bénard da Costa, presidente da Cinemateca Portuguesa também marcou presença. E o 'nosso' Nobel atravessou a fronteira a propósito do filme "Blindness", adaptação à 7ª arte do seu "Ensaio sobre a Cegueira". Goste-se ou não dos senhores, o certo é que se tratam de personalidades a deixar a marca "Portugal" no mítico festival de cinema.
Foto AFP

Paços para Coelho II - Epílogo

Se na semana transacta expliquei por que não apoiava os outros dois candidatos “a sério”, digo-vos hoje as razões pelas quais voto em Pedro Passos Coelho para líder do PSD.

A primeira razão é, aliás, exactamente essa: mais do que um presidente, elegerei um líder, já que o candidato da minha preferência detém todas as características que preconizo para o comando de um barco em riscos de naufrágio (falemos do PSD ou, subsequentemente, de Portugal): inteligência, militância sem olhar a lugares (eis a abordagem positiva ao que Santana Lopes converteu em enxovalho ao adversário), humildade (Passos Coelho vai a todo o lado, fala e debate com todos e jamais se arvora em salvador da pátria) e elevação. Detenho-me um pouco mais sobre este ponto último, para sublinhar o quão digna tem sido a campanha de Pedro Passos Coelho que a desconsiderações sobre a sua idade e sobre a sua alegada inexperiência tem reagido com moderação e cavalheirismo e que tem sempre uma palavra de respeito por todo e qualquer adversário ou apoiante de outra candidatura. É um pouco desta serenidade e deste fair-play democrático que faz falta ao debate interno social-democrata, não falando já no bem que faria à estratégia de comunicação do Primeiro-Ministro, José Sócrates.


Depois, acredito que Pedro Passos Coelho, ao debruçar-se, como tem feito, sobre o próprio Estado que temos (ou não temos), demonstra que se preocupa com algo que é uma das magnas questões para o nosso futuro enquanto país: o “estrago” do Estado social.


Como já escrevi noutras ocasiões, sucessivos governos vêm, desde o 25 de Abril, procurando iludir-nos ao fingir que é possível, num pequeno país como o nosso, manter um Estado pesado e ineficiente. Os exemplos que suportam o que digo são mais que muitos, começando na Saúde, onde encerram urgências e maternidades, com que isso importa de natalidade em Espanha e na nossa rede viária e sem que se veja real motivo que não a falta de meios.


Depois, há a Segurança Social, em que se tentam remendos para que a falência seja o mais tardia e nunca num governo em funções na altura das medidas paliativas.


E que dizer da Educação, em que se mascara com razões pedagógicas (aqui e além verdadeiras, reconheço) o encerramento de escolas do 1º ciclo, quando sabemos que é a penúria que dita a socialização com meninos de outras escolas? A mesma socialização que sofre tratos de polé quando se corta o financiamento aos centros de ocupação de tempos livres que não integram o sistema público... Ponto de coerência?! Falta de dinheiro, pois claro…


E podíamos continuar o rosário de lamentações com o vergonhoso subfinanciamento da Cultura – sem perceber o seu valor essencial para protecção da nossa identidade nacional – ou com a indigência da Defesa, que nos leva a pedir empréstimo de blindados para missões no estrangeiro e a comprar dois submarinos, desconsiderando as regras navais que fixam em três o número para a sua operação eficaz, a mais de ficar por saber a sua capacidade de intimidar qualquer adversário minimamente dotado de meios navais.


Percebendo que há que reformar e emagrecer o Estado, tenho ainda a esperança de que Pedro Passos Coelho acabe com o relativismo ético que herdámos do 25 de Abril e que faz com que se tenha fugido como o diabo da cruz da crucial distinção entre o que está certo e o que está errado. Actualmente, ao invés, qualquer opinião é boa, apenas por ser veiculada, caldo de cultura que faz com tenhamos uma baixa qualificação de recursos humanos, já que o sistema educativo fica sem argumentos de disciplina e rigor, centra-se no pavor de traumatizar os jovens e ensina pouco porque se convencionou que estudar tem de ser tão agradável como comer gelado de baunilha…


Em 1991, ouvi uma entrevista a Pedro Passos Coelho, em que este dizia que é preciso explicar às pessoas o que se quer fazer com o seu voto antes de lho pedir. Entendo que, em 2008, é exactamente isso que tem feito, e bem.


Em suma, penso que, não existindo regra estatutária alguma que impeça a vitória de Passos Coelho neste momento, é desculpa de mau pagador dizer-se que “ainda não é o seu tempo”. Por que não?! Para mim, como ele afirma, “o futuro é agora” e passa por Pedro Passos Coelho.

"eh, posso fumar???" - é tão simples perguntar...



A credibilidade de Sócrates já teve melhores dias. Este episódio do cigarro, deixa fumo no ar sobre a forma e o jeito com que o PM encara as decisões que o seu governo promove para o país…


A dança entre o problema e a solução, até parecem simples para José Sócrates:
“Fumei no avião. Não podia. Apanharam-me… agora vou deixar de fumar…”


Para além deste refrão, o PM fala à comunicação social a gracejar sobre a agitação que tamanha má atitude provocou na política nacional…


De facto num ponto estamos de acordo… existem muitas outras coisas relevantes e graves no país para a oposição comentar, em vez de perder tempo com os cigarritos que o sr. engenheiro (?) fuma em pleno voo para a Venezuela…


Em suma, releve-se o facto de ficar demonstrado o carácter do PM com esta atitude… e sobre isto, julgo estar tudo dito...


Sócrates, afirma sobre o assunto que “lamenta” (termo recalcado do seu vocabulário)…
Em resposta: “Nós é que lamentamos sr. engenheiro, por isto e muito mais… “

Momentos Paulistas IV

É mesmo na Praça da Sé, em frente ao dito templo... Não sei se também fazem a barba.

Telenovela dobrada



Espero não vir muito atrasada nesta consideração. Ando aqui a matutar nisto há uns dias e pronto, cá está:

Pior do que o cigarro no voo para a Venezuela não terá sido a participação do nosso PM na telenovela do seu irmão Chavez? Epá, é que assinar meia dúzia de acordos económicos em plena paródia propagandista é muito baixo mesmo. Ultrapassa o domínio da apregoada real politik de Sócrates.

Xiça, dois socialistas, um deles defensor da democracia participativa que corta os pés a quem tem voz (encerramento dos media privados que não dizem "Olé Chá(vez)!" por exemplo) e outro da ala... vá lá, supostamente mais audaz ao centro português a congratularem-se pela cooperação entre países amigos. A minha alma está parva. Então mas e a UE? E a CPLP? E Espanha? Sei lá... A quantos quilómetros está a Venezuela de Portugal? Hã?

"Investimento estrangeiro em Portugal cai 50%" CALMA! Vêm aí os venezuelanos safar a malta.

Há coisas que não entendo.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Não havia necessidade


Com ou sem razão, era dispensável o ataque feroz de Menezes a Manuela Ferreira Leite na entrevista que o líder demissionário laranja deu ao Jornal de Notícias de ontem. Pelo timing e pelo tom impiedoso mas, sobretudo, por uma certa incongruência - eu, pelo menos, ainda tenho memória de ver Menezes, em pleno Congresso, bafejar de elogios Manuela Ferreira Leite, convidando-a inclusive a assumir de novo a presidência da Mesa do conclave laranja...

Está melhorzinho, senhor Engenheiro?!

A prova de que o ridículo não mata é o que se tem passado na política nacional, nos dias mais recentes.

Enquanto o PSD continua num processo de auto-esfrangalhamento, José Sócrates já nem se dá ao trabalho de mencionar o maior partido da oposição. De facto, anteontem, ao falar numa sessão de esclarecimento do PS, em Braga, e pese embora o debate sobre questões laborais seja, tradicional e erradamente, polarizado à esquerda, a verdade é que o Primeiro-Ministro já nem se deu ao trabalho de enfrentar senão os partidos à esquerda do PS.

Mas mais surreal ainda me parece o resto da agenda que o Premier tem pautado, seja porque fumou e vai deixar de o fazer, seja porque apanhou uma gripe e passou no hospital para tomar antibiótico e analgésicos.

Será que só temos trivialidades para debater? Que comunicação social temos para, depois de, no passado, terem noticiado uma sesta do PM Santana Lopes, se afoitar a saber deste tipo de coisas fúteis?!...

Ao que o PSD deixou que isto chegasse!...

Limito-me a desejar que o próximo contratempo não seja do foro gastro-intestinal, pois temo o detalhe das notícias que teremos de gramar...

sábado, 17 de maio de 2008

Tomara o Real...

Pois é... Tivera o Real Madrid olheiros assim e mais celebraria.
Depois da Marta Rocha na JSD de Felgueiras, a LODO, S.A.D. celebra a eleição do Ricardo Leite como Presidente da Comissão Política Concelhia de Cascais do PSD, nesse histórico dia de 9 de Maio.
Prometemos aos associados, fornecedores, clientes e amigos mais notícias destas, em breve.