quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Avaliação congelada

O ministro da Educação divulgou ontem a mais recente proposta de avaliação de professores. Nuno Crato, matemático experimentado e ex-comentador em assuntos de educação, anunciou, após a sua tomada de posse, a suspensão do modelo de avaliação do governo de José Sócrates. Decisão aplaudida, já que o modelo vigente nos últimos dias do socialismo, manta de retalhos do malogrado projecto de Maria de Lurdes Rodrigues, carecia de uma revisão, sem prejuízo da manutenção de um clima de diálogo com as forças sindicais, com o peso que sabemos que têm no sector da educação.

Por hesitação tecnocrática ou motivo alheio à sua vontade, Nuno Crato vem agora apresentar um projecto que em pouco ou nada altera o modelo herdado de José Sócrates. A bolsa de avaliadores acaba por ir de encontro ao regime de avaliação por pares (incluindo a que é feita pelos directores, relativamente aos professores do 9º escalão), sujeitando o processo às vicissitudes próprias das relações pessoais, o que não aconteceria se os avaliadores fossem provenientes de uma entidade verdadeiramente externa às escolas. A avaliação sobre aulas observadas continuará a ser deixada ao critério do professor avaliado, o que significa que, no caso do professor rejeitar a assistência, o modelo incide sobre um duvidoso relatório de auto-avaliação, como no tempo em que a avaliação contemporizava com a progressão automática. Como esta é prática enterrada (pelo menos na administração directa do Estado), subsistem exigentes quotas para os lugares cimeiros da carreira docente, decisão que o ministério de Crato já fez saber ser irreversível. Na existência de quotas não podemos ver outra coisa senão a confissão de que o processo de avaliação é ineficaz - donde a necessidade de um impedimento à progressão na carreira -, bem como uma verdadeira perversão do mérito como fundamento da avaliação de professores.

Perante o aparente silêncio dos parceiros da coligação governativa - Grupos Parlamentares incluídos -, lamenta-se que fiquem na gaveta as propostas recolhidas pelo PSD e pelo CDS/PP, no tempo em que eram oposição, preconizando um modelo eficaz e justo. A versão que ora se apresenta não é uma coisa nem outra.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

«Portugal não tem dinheiro, ponto final»

Para aqueles que se desforram em críticas à acção do governo nas finanças - relembre-se o episódio Barroso vs. Caeiro - esquecendo o facto da nossa discricionariedade na matéria ser mínima, em virtude do memorando assinado em Maio último, recomenda-se a leitura do editorial de Ribeiro Ferreira, hoje, no i. Pese embora a data de 6 de Setembro, parece-me continuará actualizado no próximo solstício.

domingo, 4 de setembro de 2011

Avante 2011

No stand da Coreia do Norte da Festa vendiam-se bonitas pinturas de paisagens coreanas. Ainda pensei conversar um bocadinho com o senhor que lá estava mas rapidamente o meu instinto de sobrevivência levou-me a dizer apenas: que bonitas, sim senhor.

sábado, 3 de setembro de 2011

Avante 2011

EP's a €30 para o operariado?

Festa patrocinada por uma das maiores empresas privadas nacionais?

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Finalmente, acabaram as férias!

Tem o polémico título a ver com o reinício da temporada oficial de futebol e com o fim desse mês e meio de jogos a feijões e de transferências que nunca chegam a ser.


Com a bola a rolar e como mero adepto (condição que nunca abandonei, mas a que retorno em singelo e com alegria), a minha primeira palavra vai, evidentemente, para a Académica: parece-me que se reforçou bem, a começar no que toca à equipa técnica. Seguindo o exemplo de Domingos, André Villas-Boas (não escondo o orgulho em ter desequilibrado a seu favor, numa escolha que podia ter ido para outro lado) e Jorge Costa (embora com passagem efémera), Pedro Emanuel percebeu a “personalidade” da Briosa e deu-lhe um jogo vistoso. Poderemos ter, por isso, uma boa época, assim os conimbricenses estejam à altura da sua equipa. Tudo isto com um orçamento cada vez menor!... Quanto ao Jamor, o meu sonho prossegue…


Sporting: afinal, Bruno Carvalho, ao invés do que disseram, não era o único demagogo. Entendo que a Direcção actual, com a ânsia de ganhar as eleições, não teve a moderação e o pudor necessários, num ano em que mudaram dirigentes, técnicos e mais de meia equipa. A bagunça nas bancadas vem disto e não de qualquer incapacidade de Domingos Paciência.


Porto: ou me engano muito, ou a coisa não vai correr tão bem, esta época. Não só a equipa está um nada mais fraca, como me parece que Victor Pereira não tem, nem de perto nem de longe, o carisma de alguns dos seus antecessores. Relembro que a estrutura portista requer vozes fortes. Não digo que não ganhem quase tudo a nível nacional, mas não vejo Europa ao fundo do túnel.


Vitória de Guimarães: falo apenas das recentes agressões a atletas, para dizer que já o esperava. Sucessivas direcções do Vitória e legiões de comentadores sempre acharam muita piada ao alegado espírito bairrista e guerreiro das claques vitorianas (que não confundo com o Clube, sublinho), quando era evidente que se tratavam, pelo menos em larga fatia, de grupos de jovens selvagens e com tendências delinquentes que, só mencionando o caso das visitas a Coimbra, sempre acharam muita piada a partirem cadeiras e, nos autocarros, a mostrar as nádegas a mulheres e crianças, rua fora (no fundo, qualquer um gosta de exibir a sua fonte de sabedoria, dirão os mais mordazes…). Para o bem de um grande emblema do nosso futebol, a Direcção acordou, embora tarde e a más horas.


Árbitros: a nossa arbitragem é má, mas isso não deveria surpreender ninguém! Nunca mais se acaba com o secretismo e compadrio das avaliações e (des)promoções, privilegiando quem deixe jogar e quem não tenha dualidade de critérios. A arbitragem portuguesa é timorata, bastando um exemplo clássico: se virado para a sua linha de fundo um defesa se deixar cair ante a proximidade de um avançado contrário, não há árbitro que não marque falta, para não correr o risco de haver um golo discutido. Mas não se enganem os “engenheiros” do futebol, pois a profissionalização só trará poiso para os “amigos”, introduzindo ainda mais dinheiro na equação. Convençamo-nos: o problema é do povo e não de qualquer classe, seja ela a dos políticos ou a dos árbitros.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Ligeiro, mas inteligente; trivial, mas divertido


Transiberiano VII – Irkutsk e Baikal

"Chegamos" hoje a Irkutsk e ao Lago Baikal, no relato que venho fazendo da jornada no Transiberiano.

Sair na esplendorosa estação de Irkutsk é a melhor ideia para explorar o maior lago de água doce do Mundo, o Baikal, que no Inverno gela a ponto de nele se poder andar de carro. São 636km de comprimento e 60 km de água límpida e potável (peixes plantas endémicos asseguram a pureza de um lago que chega a ter mais de 1,6 km de profundidade), alimentados por 366 rios e apenas dando origem a 1 (Angara).








Interessante é, a mais do lago, a visita ao Museu do Baikal,





onde pode ver, além de muitas explicações e espécimes embalsamados, um aquário com as focas mais curiosas que já avistei (para se protegerem do frio, acumulam gordura que as assemelha a bolas com olhos)





e uma pedra ornamental exclusiva daquela região: a púrpura “charoíte” (já que falamos do dito mineral, agradeço a quem conheça uma tradução).





Listvyanka é uma pequena localidade que fornece uma boa base (e boa comida, como o também endémico e saboroso peixe Omul) para explorar o lago e suas lendas,



sendo possível agendar actividades como as experimentadas: passeio de “snowmobile” pelas florestas siberianas (ou no lago)



e passeio de trenó puxado por cães (confesso que depois de alguns voos involuntários, troquei o lugar de condutor pelo de burguês, sentando-me).





Já Irkutsk é uma das mais elegantes cidades russas, repleta de magníficos edifícios do século XIX. Creio, aliás, que a isso não será alheio ter a cidade sido local de muitos “Dezembristas” condenados ao exílio, já que se tratava de um grupo de aristocratas de propensão liberal que para aí foi enviado (falamos da Sibéria, relembro), depois de um golpe falhado contra o Czar Nicolau I. A Casa-Museu Volkonsky é um bom local para os conhecer melhor.






O Museu Regional



e a Galeria de Arte


são também escolhas de regalar a vista, sendo que junto ao primeiro se ergue a estátua ao Czar Alexandre III, o tal que deu o tiro de partida para a construção deste imponente trajecto ferroviário.


Como em toda a Rússia, a cidade tem igrejas deslumbrantes como, designadamente, a Igreja do Salvador e a Catedral Bogoyavlensky





e, para contrariar a devoção, pode sempre passear pelas avenidas Karl Marx




e Lenine…



Típicas da região são as casas de madeira trabalhada e, na maioria dos casos, pintadas de verde (longevidade e juventude), azul (esperança) e branco (purificação).







Como experiência capitalista recomendo a loja de recordações do Hotel Angara onde pode encontrar postais, moedas e notas dos tempos czaristas e soviéticos e até um samovar, se já lá tiverem colocado outro…


Nota vinte para esta etapa, como diria o Professor Marcelo.

sábado, 27 de agosto de 2011

Descobri hoje, e através da SIC Notícias, que o tio Louçã ainda é vivo. E mantém-se igual a si próprio.

(cobertura em directo e na totalidade do discurso do líder coordenador no comício de Santa Maria da Feira)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Pontos de vista


Li na edição on-line do Diário AS BEIRAS (com o qual colaboro há quase 17 anos!!!...) e com atenção o último artigo da Eurodeputada do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, cuja inteligência se não contesta.


Porém, as palavras da nossa revolucionária representante no âmago do monstro capitalista de Bruxelas/Estrasburgo são a mais eloquente explicação para a queda estilo montanha russa (para o caso de pertencer à ala marxista-leninista) ou o golpe de picareta (se for do sector trotskista, presumindo e esperando que não lhe chegue o afecto ao maoísmo) que o BE levou nas últimas eleições e sintoma das razões pelas quais a nossa Deputada, que respeito, terá muitas dificuldades em ser reeleita (por erosão partidária anunciada).


Diz a Deputada Marisa Matias que se não pode tolerar o apelo ao consenso que o Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, fez aos sindicatos, na Festa do Pontal. As razões, se bem entendi o proletário euro-diktat, são de duas sortes: é contranatural pedir consenso aos sindicatos e é intolerável pedir aos sacrificados que aceitem mais ónus.


Vamos, então, por partes, como também propõe Marisa Matias: para tal, basto-me com a ideia de que a noção do sindicado permanente e necessariamente oposto a tudo o que seja dimanado de um governo é anacrónica e responsável pela ineficiência e desgaste das forças sindicais existentes. Ninguém no PSD defenderá que os sindicatos se calem, mas é legítimo esperar que se pautem por critérios de análise objectiva e parece-me atrevido reclamar que a razoabilidade seja utensílio mental proibido a um activista sindical. Entendo que seria mais coerente dizer que, no dia em que os sindicatos trocarem a cartilha ideológica por uma negociação sensata e com horizontes avistáveis, os partidos extremistas (PCP e BE) ganharão espaço ainda maior na prateleira das curiosidades ideológicas do passado.


O segundo agravo da Eurodeputada para com as palavras do nosso Premier tem a ver, por seu turno e como mencionei, com o facto de, alegadamente, Passos Coelho querer que o condenado aplauda a pena (palavras minhas). Descontando o aroma a Dostoiévski do texto que ora comento, até poderia concordar que os sectores da sociedade (classes, diria Marisa Matias, presumo) mais afectados são os do costume e que a situação de muitos portugueses atinge proporções dramáticas e que só sente realmente que as vive. Contudo, perde o pé quando vê nisso um atentado deliberado contra os trabalhadores; por motivos já discutidos, as medidas impostas são incontornáveis e só um governante louco teria gosto em castigar o seu próprio povo e, no limite, em pôr em causa a sua base eleitoral de apoio.


Marisa Matias é inteligente e, permita-se o silogismo abreviado, sabe que só o monóculo trotskista permite uma visão assim.

Uma interessante história sobre a História


Divertido e um regresso à adolescência


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Como é que estão as coisas por lá?

De regresso à etapa africana da vida, trago as primeiras impressões de Portugal, de há um ano e tal a esta parte (incluindo a excelente despedida que a Académica me proporcionou na Marinha Grande, na véspera de partir). Já por cá, a pergunta repete-se: “como estão as coisas em Portugal?”.

Com franqueza não sei se esperam uma resposta muito ilustrada, mas fico sensibilizado com o patriotismo e atribuo a pergunta à calma que emana dos noticiários nacionais da RTP Internacional (do pouco de bom que têm as sua emissões, a meu ver), sobretudo quando comparados com as imagens recebidas de Inglaterra, Grécia ou mesmo Espanha.

Cá por mim apenas consigo ter pinceladas impressionistas e angústias quase surrealistas sobre o nosso País.

Assim, em primeiro lugar, espanta-me a comparação do preço das coisas com os cortes salariais e com o aumento (apesar do ligeiro decréscimo do último indicador) do desemprego; dois indícios desgarrados: não imaginava que um bilhete de cinema (acesso à cultura, portanto) custasse mais de seis euros, e não sonhava que o litro de gasolina 98 pudesse rondar o euro e oitenta cêntimos numa auto-estrada (quase dois euros!!!)…

Por outro lado, nos saldos das marcas de média/alta qualidade vi uma abundância de escolha que não era comum em tempos idos, e constatei que os restaurantes da mesma gama tinham bastantes mesas disponíveis (em muitos casos incluindo a que eu próprio não ocupei).

Contudo, confesso que mais do que notas esparsas desta sorte, trouxe uma preocupação de monta maior: ao ver que as fatwas da Troika incluem a venda das participações do Estado em empresas estratégicas (TAP, REN, EDP e outras), fico a pensar o que faremos da próxima vez que o País estiver com a corda ao pescoço (algo que é cíclico na nossa História)… Nacionalizamos?! Bem sei que o Governo não tem qualquer remédio, mas não deixo de entender que alguma presença em certos sectores poderia ser estratégica e/ou lucrativa e de me perguntar se os Estados francês, alemão e italiano não conservam posições empresariais que obrigam os seus congéneres alienar (confesso, neste ponto, a minha real ignorância).

A somar a isto vem o assunto que temos discutido nestas páginas e que se prende com o facto de sermos incipientes nas exportações e não nos especializarmos em nichos produtivos de qualidade. Enquanto povo bastamo-nos com a invenção da Via Verde e a gestação do CR7, achando que não há quem nos iguale e deixando essa maçada que é o trabalho árduo para os trouxas do Norte da Europa, que não saem à noite e que não se riem nem perdem uma hora no café quando estão nos seus empregos. Sermos ricos e desenvolvidos envolve suor e nós, gente de fado e boa bola, vemo-nos idiossincraticamente como um povo perfumado.

Vamos ver o que muda até à próxima visita à Pátria.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Não a mandem calar

Daniela Ruah é uma mulher bonita com cabeça, coisa que às vezes escasseia no actual cenário da representação. E além de dar cartas lá fora e de ter passado de estrela nacional a internacional, continua a honrar Portugal. Confirme-se nesta entrevista à Esquire, onde fala de Portugal e dos portugueses com brio. Vale a pena ler (e não é só pela produção fotográfica).

sábado, 6 de agosto de 2011

A prova dos nove

Creio que a deputada J. Barata Lopes jamais imaginaria tamanha publicidade e atenção por parte dos media em tão pouco tempo de Parlamento.
A sua curiosidade está-lhe a valer tinta, imagens televisivas e caracteres jornalísticos, o que não é necessariamente mau para os seus lados.
E tudo isto porquê? Porque o presidente da emergência médica garantia que o tempo médio de resposta não ultrapassava os 5 segundos nas chamadas para o 112 e a deputada, curiosa, resolveu indagar, verificando que uma chamada feita por alguém cujas semelhanças apontam para a sombra do Lucky Luke, foi atendida, imagine-se, nuns "dantescos" 15 segundos.
Em suma, por 9 segundos a jovem deputada é a mulher do momento no Parlamento português. E assim vai a política portuguesa...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O Colapso e a escolha impossível

Que a civilização ocidental estava entre o maduro e o podre era coisa que já se sabia e que não é de hoje… Nas últimas décadas, criámos as raízes da nossa própria implosão, embora seja de dizer que não considero esta dado como adquirido, já que o ser humano tem tido a capacidade de se reinventar…

No fundo, a meu ver, tudo redunda na noção de conhecimento avançado orientado para o hedonismo; senão vejamos: teorias várias falam daquilo a que Sartori chamou “Homo Videns”, um retrocesso em relação ao Homo Sapiens causado pelo “embrutecimento” do ser humano ao ser exposto a doses massivas de televisão e, em geral, da cultura de passividade difundida pelos novos modos tecnológicos de comunicação. O que se pede ao moderno “consumidor” de informação e de entretenimento é que esteja sossegado, que não medite em demasia sobre o que vê e lê (algo que seria, aliás, impossível face à torrente de dados que nos entram “olhos adentro”), algo que, por seu turno, conduz, progressivamente, à perda da capacidade de abstracção (o tal extra que tornava o Homo Sapiens o zénite da evolução humana).

Por outro lado, o modo como nos banqueteamos trouxe doenças novas e, sobretudo, às novas gerações, que começam bem cedo a ter problemas como obesidade e diabetes.

Mais ainda, as novas formas de prazer, do desporto à intimidade, buscam, cada vez mais, os conceitos de “radical” e “extremo”. Seja saltar de pontes, descer de canoa rios com correntes fortes, trepar arranha-céus e escarpas, tornar a antiga traição num estímulo mutuamente encorajado ou, em geral, degenerar para práticas eticamente inaceitáveis em tempos não muito distantes (do consumo público de drogas à complacência com novas formas de servidão), tudo redunda na noção de prazer a qualquer custo, de satisfação absoluta, de direito avesso a dever, de não deixar para daqui a pouco o que pode acontecer já (esqueça a lentidão do “não deixar para amanhã o que podes fazer hoje), de ter mais do que a maçada de ser…

E com tudo isto deixámos o mercado ir longe demais e julgámos que compraríamos tudo e toda a gente (vem-me à cabeça a frase dos Deolinda: “que mundo tão parvo, onde para ser escravo é preciso estudar”). Sacrificámos às noções de eficácia e eficiência a capacidade de idealizar e a imprevisibilidade humanas (percebi-o bem quando, no fim de um processo criativo que fora um êxito, me disseram que faltou o ganho de “gestão do projecto”; no fundo é isso: o que era homem, hoje é projecto, algo que achava coutada da engenharia e da arquitectura). Hoje – e como o sabemos!... – levam-se países à falência e ao “lixo” com base em folhas de calcula, quando antigamente se morria por uma bandeira.

No fim de contas, a coisa nem andaria mal se víssemos alternativas… Todavia, olha-se para grande parte dos países islâmicos e confrontamo-nos com coisas que banimos há séculos. Viramo-nos para o Oriente e onde há crescimento, há ausência de certos direitos humanos e políticos de que não queremos abdicar.

Em suma, o problema é de civilização e não vejo classe política à sua altura.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ainda sobre... o "junk" português

Se dúvidas existissem sobre a possibilidade de contágio grego e português aos restantes países da Zona Euro, estas ficaram dissipadas a semana passada após o violentíssimo ataque europeu ao “junk” português imposto pela Moody’s.

Numa economia globalizada em que um espirro de qualquer um destes países pode expelir ventosidades com impacto suficiente para abanar a Europa e a sua moeda, a empreitada que é avaliar a capacidade dos Estados pagarem as suas dívidas, determinando assim os juros que irão pagar não faz muito sentido que seja entregue a agências “manhosas” e de uma só nacionalidade, que por acaso até tem a sua moeda em competição com a europeia.

Apesar do “junk”, os últimos dias até trouxeram alguns sinais positivos, e o principal será mesmo a redobrada atenção europeia às futuras notações da Moody’s, Fitch e Standart & Poors. Deixar esta gatunagem do rating à solta é perigoso e já nem será preciso ver o “Inside Job” para percebermos que estes senhores das terras do Tio Sam são o maior logro deste início do século XXI.

E não sou eu que o digo, é o próprio Senado norte-americano que em Abril tornou público um relatório onde dizem (tradução minha) que estas “figurinhas” andaram a “vender” ratings máximos (AAA) a produtos tóxicos dos amigos para conquistarem quota de mercado, desencadeando assim uma crise financeira que é (para já) a mais grave de uma geração.

Faz-me espécie que, mesmo depois do ocorrido em 2008, estas três “eminências” ainda sejam levadas a sério, controlando cerca de 95% do mercado financeiro mundial. Lembremo-nos do triplo (AAA) ao Lehman Brothers e à Islândia antes da falência, a título de exemplo.

Tampouco percebo o estado de excepção decretado pelo BCE após o “downgrade” da Moody’s a Portugal no que toca à exigência de um rating mínimo para emprestar dinheiro, o que já antes tinham feito à Grécia e à Irlanda! É que se estes senhores não servem para avaliar o rating dos periféricos porque hão-se servir para avaliar o dos países que constituem o núcleo central da Europa?

E confesso-vos a minha apreensão com “receitas rápidas”. Isto a propósito da chuva de apelos à criação de uma agência de notação europeia. Não estando em causa a sua necessidade, importa cuidar da sua imparcialidade e isenção, senão arriscamo-nos a ver políticos darem notações às suas próprias políticas e ainda pode vir a ser “pior a emenda que o soneto”.

Para já e nós por cá não nos inquietemos em demasia até porque só voltamos aos mercados em 2013. Até lá preocupemo-nos em cumprir o acordado com a Troika e porque não, perguntar à Europa se, em vez de atirar dinheiro aos aflitos, não estaria disponível para uma emissão de dívida conjunta, como forma de diminuir a importância deste tipo de agências.

Os alemães e os restantes países do núcleo central irão torcer o nariz, obviamente, porque os prejudica e favorece os periféricos, mas quem disse que o projecto europeu não tem os seus custos?

terça-feira, 12 de julho de 2011

Guerra das divisas

Em 2008 tive oportunidade de defender uma moção temática em Congresso do PSD. Recordo-me com tanto carinho o apoio do Gonçalo Capitão minutos antes a dar dicas preciosas e da Dulce a tirar fotos guapíssimas de um momento cuja preparação foi tão irracional que nem correu assim tão mal.

O ideal

Recordo-me especialmente neste momento, pois toda a lógica daquela moção W "Portugal Internacional" assentava numa premissa implícita: a federalização na Europa e consequente uniformização das leis nacionais, assentes numa Constituição Europeia em que o direito supranacional assume primazia nas relações inter-estaduais. Logo em 2008, e na discussão do Tratado de Lisboa, vieram os puritanos falar nos conceitos de soberania e auto-determinação como se fosse proposto amputar direitos adquiridos pelos seus cidadãos. A UE não soube mostrar-se como o caminho para a maior prosperidade de todos nós europeus e chutou para canto.

O contexto

Veio a crise do subprime e o abanão dos mercados. Veio dinheiro à barda para os Estados-membros. Vieram à tona as dificuldades de financiamento de algumas economias europeias depois de injectarem capital no seu sistema doméstico. Os desequilíbrios nas contas públicas. E a necessidade de agir.
Juntando a estes factos a crescente valorização do euro face ao dólar e uma questão que data de 2002 (a moeda de referência nos mercados) poder-se-ia prever que os EUA necessitariam de equilibrar o peso da sua divisa internacionalmente. Se a determinada altura lhes era favorável ter uma moeda em desvalorização para potenciar exportações, em algum momento a correcção deveria ser feita.

O rating

Em 2008 trabalhei na AIG, a seguradora que esteve em risco de falir. Até então, a sua cotação na Standart & Poors era de AAA+, baseada sobretudo em dois factores: os dividendos na participação de resultados e o facto de muitos milhões de americanos aí colocarem as suas poupanças. A ilusão da solidez. Pois não contava para a agência de rating o negócio de leasing de aviões (???) que a companhia detinha mal parado há meses e meses a fio nem os produtos estruturados vendidos na perspectiva de evolução positiva dos mercados ad aeternum...

O político

As lógicas continuam a ser as do jogo de bilhar, com cada estado a sacudir as suas responsabilidades. Li, não me recordo bem onde, algo que faz todo o sentido: aterrando um alien na Europa, qual o sentido a dar a um conjunto de países que embora numa união económica e monetária, nos dizem "Eu não sou igual à grécia", "sou muito melhor que portugal", "olha a itália, aqueles é que não querem trabalhar"...?
Quem se tem distinguido neste jogo do empurra é Sarkozy, que ameniza os ímpetos populista alemães e finlandeses e lança os motes: ignorar as agências de rating, pressionar os bancos europeus a alargar o prazo da dívida grega, manter a liderança do FMI no domínio europeu.
Quem tem desiludido, e muito é Durão Barroso. Grandes líderes afirmam-se na adversidade e este é o momento de fazer avançar a europa. Se as inseguranças são resultado da excelente relação mantida com a américa não podemos esquecer uma ou outra ideia centrais: os americanos não esperam pela europa na altura de negociar internacionalmente; o escoamento dos produtos europeus é feito no mercado interno e há uma grande margem de progressão para áfria e ásia; os mercados emergentes são os BRIC's; muitas das bases geoestratégicas americanas são gentilmente cedidas por países europeus; não era má ideia negociar bens energéticos em euros.

As referências

Este impasse europeu faz-me lembrar da inércia de Neville Chamberlain no início da primeira grande guerra. Tanto se poderia ter evitado não fosse a crença naîf de que o poderio militar alemão e as recorrentes referências ao aumento naval dos germânicos não passavam de orgulho bacoco.
Lembra também o funcionamento da ONU: actuação em palcos de guerra quando o genocídio já está garantido.

É altura de levantar a Velha Europa. É altura de largar o fato de burocrata mais que sensato (e cobarde) e avançar em força, a bem de todos nós cidadãos europeus. É altura de legislar horizontalmente, estabelecer metas comuns, ter uma política fiscal europeia, incutir a força de um bloco regional no novo mapa político mundial. É altura para nos deixarem de tomar por parvos. É altura de nos deixarmos de tretas e fazermos política a sério.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

No jobs for the boys

Esta mudança é necessária e pode significar uma viragem muito positiva no funcionamento da Administração. Oxalá o governo aproveite a sua legitimidade e resista à oposição partidária que a atitude implicará. Que não lhe falte a coragem (para não ser igual aos outros).

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Más notícias


Hoje em dia quase tenho receio de escutar noticiários. Um bom exemplo justificativo foi, numa destas manhãs, a escandalosa medida da agência de rating Moody’s que, coincidência do diabo, na véspera da contracção de um empréstimo por Portugal aumenta, desmesurada e acintosamente, o risco de incumprimentos por parte do nosso País.


A negociata é clara e creio que as declarações de Passos Coelho e Durão Barroso deveriam ter sido ainda mais duras: o que se passa é que, como ainda há gente (muita e muito rica) que dá ouvidos a estes vampiros das agências, subindo o juro cobrado a Portugal em função da nossa alegada falta de fiabilidade, ganham os amigalhaços especuladores que vivem disto. Que se dane o facto de se estar a atirar para o desemprego (mais juros é igual a mais dificuldades para o Estado, o que, por sua vez, vai levar a mais “tareia” sobre cada um de nós)! Pouco importa a falência de centenas de empresas! E que ninguém sinta remorsos por emporcalhar indevidamente o nome de uma Nação a caminho dos 900 anos de independência!... O que é relevante é que estas sanguessugas possam alimentar os parasitas especuladores que, por seu turno, gastarão boas maquias nestes Deus ex machina do rating.


Eu, que não sou ninguém, bem ando a escrever (aqui e noutras paragens) e a dizer (quando tinha actividade partidária), há anos, que estamos a deixar o mercado ir longe demais! O que faz de mim um social-democrata ou um reformista é precisamente o facto de acreditar no mercado temperado pelo papel regulador do Estado. Ora, numa economia globalizada será às instituições internacionais que cumprirá preservar algum poder e não deixar andar a matilha raivosa à solta.


Mais me choca o que se passa se pensar que este Governo tem agido de modo a conter a gula do Estado, pedindo, ao mesmo passo, sacrifícios adicionais e graúdos aos portugueses. Acresce que o próprio Povo Português tem dado uma lição de enorme compreensão e civismo, não se assistindo aos tumultos da Grécia e de Espanha, ou tão pouco aos de tantas outras cidades de outros países europeus, onde se vê violência a cada medida mais penalizadora.


Não nos iludamos: o que está em perigo não é só o futuro de países como Portugal ou sequer da União Europeia!... Se ninguém puser travão a esta sangria provocada pela especulação, o que as pessoas começarão a questionar (compreensivelmente) será a própria validade do regime democrático. Já tivemos na Europa os demagogos que hoje criticamos na América Latina, no Médio Oriente e na Ásia; a continuarmos assim, um dia destes voltaremos ao tema…


Por cá, convinha que Seguro e Assis não pusessem a campanha do PS à frente de Portugal, pois criticas ao imposto extraordinário como as que fizeram são gasolina no fogo. Talvez seja de deixarem o circo para extrema-esquerda, que é boa nisso.

O poder do dinheiro

Uns vão para deputado (Doc. Milk), outros tornam-se tubarões da indústria e do comércio... Veja por que é que o Lodo podia ser um blogue rico!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Passos seguros

Entrando no tema, tem o título não a ver com o próximo Secretário-Geral do PS (parece-me seguro que seja Seguro), mas sim com os primeiros passos de Passos (Coelho) no Governo e com as suas opções políticas.

Desde logo, louva-se o recato com que se construí a aliança com o CDS e com que foi elencado o novo executivo, sempre comunicado em primeira mão ao Presidente da República.

Louvo ainda a escolha de Assunção Esteves para Presidente da Assembleia da República, embora não pelo simples facto de se tratar de uma mulher; quando me opus ao sistema de quotas, de cujo mérito ainda duvido, foi por entender que a competência deve ser premiada sem olhar a raça, sexo ou credo. Elogio a sua eleição por se tratar de uma política séria e de uma jurista brilhante.

Em terceiro lugar, creio que Passos Coelho soube combinar a inclusão de membros partidários com independentes, numa mistura de sensibilidade política com mais-valia técnica. Designadamente, entendo que “posicionou bem no terreno” os elementos mais políticos, com destaque para o papel coordenador de Miguel Relvas, alma da máquina que levou Passos Coelho à presidência do PSD, primeiro, e do Governo, depois.

Dito isto, paro a marcha da prosa para uma ressalva: pode ser perigoso o elogio exacerbado dos independentes. Certo que é bom ter gente consciente da “vida real”, mas políticos foram, são e serão precisos para uma orientação estratégica e ideológica. Nefasto, como alertam vários estudiosos, seria o “governo dos técnicos”. Espero, por isso, que se não cavalgue a onda da demagogia tanto neste aspecto, como em atoardas menores como a de um alegado excesso de secretários de Estado. A dimensão das reivindicações a um Estado (ainda) Providência obrigam a cobrir vários pelouros, sendo que a diminuição do número de ministros teria sempre que ser compensada.

Verei com atenção particular o que ocorre em duas secretarias de estado: em primeiro lugar, a da Cultura, que deixando de ser ministério ficou, e bem, sobre orientação do Primeiro-Ministro, tal como sucedeu com Santana Lopes e Cavaco Silva. Como a Cultura (erradamente, a meu ver) é alvo fácil de cortes em tempos de crise, espero que a independência de Francisco José Viegas não se traduza em menor poder reivindicativo. Dada a sensibilidade de Passos Coelho creio que tal não acontecerá.

Depois, vejo com entusiasmo a nomeação de Paulo Júlio para Secretário de Estado da Administração Local. Como dirigente partidário e autarca sempre foi um político de mão cheia, pelo que tenho poucas dúvidas sobre o seu sucesso futuro. A ver vamos…

Pedro Pinto e Roger Federer

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A RTP no Túnel

Não me metendo sequer no delicado assunto "Angélico Vieira", questiono, todavia, a prioridade noticiosa que, de há dois dias a esta parte, a RTP (depois dizem que temem a privatização, em relação à qual, diga-se, sou um pouco céptico) vem dando às queixas dos empresários da hotelaria e restauração da zona de Amarante.

Dizem os empresários que a suspensão das obras no Túnel do Marão os prejudicou, porque os operários deixaram de comer nos restaurantes e os engenheiros de arrendar os quartos.

Salvo o devido respeito, a reclamação parece um nadinha idiota, pois a obra e as receitas seriam sempre temporárias. Acresce que, não acreditando eu que se não acabe a a dita, ganharão no futuro o que não ganham agora, apenas se verificando a partição dos lucros.

Bem mais idiota me parece, contudo, andarmos há dois dias a ver extensas reportagens sobre o assunto, sem que, como é hábito hodierno, haja um jornalista capaz de questionar inteligentemente as coisas sem sentido que ouve.

Uma nova «cultura»...

Há um ano atrás dei com esta calinada na língua portuguesa na Nacional 1, algures entre a Batalha e S. Jorge. Um ano depois, parece que ninguém se preocupou em corrigir a coisa. É o nascer de uma nova «cultura»!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Muito bem feito, dentro do género "Super Heróis"

Nota: quando estrear em Portugal, não saia da sala antes de um primeiro período de aparente fim do filme! Há uma cena extra que lança a eventual sequela.

Sempre em forma!

A origem

Para quem quiser perceber a origem do título de uma moção que levei ao Congresso de Coimbra do PSD e do nome deste blogue, eis a nova versão para escutar :)

Ligados à máquina

Poucas horas antes da votação sobre o novo pacote de austeridade imposto aos gregos o país está em estado de sítio, com milhares de pessoas na rua em direcção à Praça Syntagma, onde fica situado o parlamento.

Convenhamos que os gregos não foram muito sérios na gestão das suas contas públicas, algo pelo qual estão a pagar, e bem.

As suas empresas fecham diariamente e a um ritmo avassalador sem serem dadas quaisquer indemnizações aos seus trabalhadores e aquelas que se vão aguentando vêm-se obrigadas a diminuir salários, em muitos casos para metade.

No plano económico e tendo por base as informações que nos vão chegando, conclui-se que a Grécia hoje não é um país pobre, mas sim em miséria.

Na vertente psicológica os relatos também não deixam ninguém indiferente. Um relatório oficial publicado recentemente pela Associação Psiquiátrica Grega mostra que 30% da população está a passar por uma situação patológica de depressão!

No meio de tudo isto vamos ouvindo e lendo que a UE/FMI irá injectar, a troco de mais austeridade, novas maquias nos cofres gregos.

Mas estas ajudas da UE/FMI não são de borla. São pagas com bons “spreads”. É certo que retiram a Grécia dos “maléficos” mercados durante 3 anos, mas após este período ficará com uma dívida pública de cerca de 150% do seu PIB!

Enquanto tudo isto se vai passando no “berço da democracia” vamos ouvindo e lendo palavrões técnicos como os “defaults”, “haircuts”, “yields”, “reprofilings” que poucos percebem mas muitos falam.

Esta eurocrise mudou a Grécia de forma dramática em apenas um ano e ameaça a União Monetária.

Aliás, segundo alguns especialistas já seria de esperar, porque não há União Monetária sem União Política.

Até lá os chamados periféricos com a Grécia à cabeça vão estando reféns dos países credores do núcleo central da Europa.

Mas o núcleo central da Europa sabe que não tem solução senão ajudar, sob pena de ver alguns dos seus bancos cheios de títulos públicos gregos estoirarem. Ganharam muito com o euro, mas ainda tem muitos créditos a receber.

O núcleo central da Europa sabe que as dívidas dos países periféricos estão nas mãos dos países desenvolvidos.

O núcleo central da Europa sabe que não são só as dívidas, o déficit dos periféricos também são o superavit dos mais desenvolvidos.

O núcleo central da Europa sabe que temos uma Europa dos ricos, e uma Europa dos pobres, e que normalmente quem é o rico, manda.

O núcleo central da Europa sabe que se a EU/FMI continuar a assistir a Grécia esta irá perdendo a sua soberania.

O núcleo central da Europa sabe que a alavanca para a tal União Política que se fala poderá ser uma continuada assistência à Grécia, para começar, diminuindo paulatinamente a soberania do seu governo.

O núcleo central da Europa se não sabe devia saber que este é um problema global e não resolúvel país a país, sob pena de andarmos no futuro a percorrer as peças do dominó.

Nós por cá, neste rectângulo a sul, sabemos que para diminuir a dívida não basta reduzir despesa. É preciso crescer. Isto porque se a obsessão com a redução do défice comprometer a actividade economia, a dívida tenderá a aumentar ainda mais.

Portanto, para não nos vermos gregos a solução é gastar menos e melhor. Mas acima de tudo, crescer, crescer, crescer...

terça-feira, 28 de junho de 2011

Novo Governo atento ao "Lodo"

Foi em Maio, que o "Lodo" defendeu uma alteração do modelo fiscal das autarquias locais. As razões foram a elevada dependência que hoje existe nas suas receitas por parte da construção e do imobiliário. Link

Pelos vistos o novo Governo esteve atento. Link

segunda-feira, 27 de junho de 2011

"A minha alma está parva..."

Acreditem ou não, esta inquérito está na página on line do JN:Será possível a uma semana da tomada de posse (ainda nem sabemos quem são os secretários de estado) e director do JN já quer saber se o governo dura a legislatura inteira????


Ver para acreditar neste link

terça-feira, 14 de junho de 2011

Fraco, fraquinho, fraquíssimo...

Bom filme!

Gostei muito

Balanço e contas

Não era preciso ser mago para prever, como fiz, o que iria acontecer no dia 5 de Junho.



Começo por observações laterais para dizer, em primeiro lugar, que a jornalista da Rádio Renascença que fez a pergunta sobre o eventual (res)surgimento de processos judiciais contra Sócrates deveria ser internamente castigada, para defender o bom nome da emissora! As razões?! Ou impreparação (leia-se ignorância) ou calúnia.



Das duas, uma: ou afirmava claramente que os processos (Face Oculta, Freeport, etc...) tinham sido encobertos pelo desempenho cargo de Primeiro-Ministro (que ficaria rico com a indemnização que iria receber, presume-se) ou percebia que não pode insinuar coisas destas (a tal incompetência).



E escusam as boas gentes laranjas de ficarem contentes, pois este tipo de coisas vindas da comunicação social recai sobre qualquer figura pública, independentemente da "cor". O problema é deontológico e tem a ver com o fim do jornalismo de “escola” (e mais não digo…) e com a dessacralização excessiva da política. O poder ainda não caiu na rua, mas já foi prensado nas rotativas, depreciado nas ondas hertzianas e caricaturado nos noticiários.



Depois, registo o tremendo trambolhão que o Bloco de Esquerda deu, ficando com metade dos deputados que tinha (ao perder o Prof. Pureza perdeu, talvez, o mais sensato) e, sobretudo, com metade dos deputados do PCP, o que representa uma goleada nesta “liga dos últimos”. A lanterna vermelha mudou de mãos…



Finalmente, numa opinião pessoal, as pessoas perceberam o embuste e penalizaram o trotskismo aburguesado em desfavor do marxismo genuíno, embora anacrónico. E Louçã deixou cair a máscara na noite eleitoral, ao anunciar que não se demite. Até Daniel Oliveira entendia, na SIC N, que tal era inevitável...



Em terceiro lugar, não sendo de prever dramas de maior nas negociações entre PSD e CDS, o problema é fixar a altura da fasquia do sucesso governativo. A meu ver, tal pode medir-se situando a aprovação no cumprimento atempado e bem sucedido das metas da troika, fixando-se o louvor e distinção na eventualidade de se anteciparem essas metas.



Convenhamos que, sendo a situação grave e incómoda, vale a favor de quem governa a possibilidade de transferir parte do odioso para instituições estrangeiras (abertura que, todavia, penso que Passos Coelho não usará, dada a sua integridade rígida). Creio até que o mesmo acordo, que menciono implicitamente, será um obstáculo a qualquer laivo de acutilância por parte do PS que, ademais de tudo o resto, assinou o documento.



Por falar em PS e a fechar, creio que Assis é mais consistente, mas que Seguro é mais “vendável” eleitoralmente. Inteligente foi, mais uma vez, António Costa que, ao abrigo de um compromisso real e sério com a Câmara de Lisboa, percebeu que o próximo líder socialista dificilmente virá a governar.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

como resolver um problema [à portuguesa]

(recebido por email)

Vaticínio

Se tivesse que apostar, diria que o PSD vai mesmo ganhar as eleições no próximo domingo. As razões são, a meu ver, as mais diversas:


1. Pedro Passos Coelho fez uma campanha serena, recusando estilos que não eram o seu e para os quais, aposto também, tentaram empurrá-lo. Conhecendo-o há mais de vinte anos, posso crer que a sua “teimosia” terá vindo em seu auxílio. Passos Coelho trouxe uma brisa de boas ideias e de sinceridade, num furacão de crises, acusações recíprocas entre os partidos maiores e de insanas candidaturas de partidos marginais, cujos candidatos melhor fariam em ir trabalhar.


2. José Sócrates não fez tudo errado, como alguns querem dizer. Porém, seis anos de governação num Estado de viabilidade dúbia e numa crise global só não destroem completamente pessoas com uma auto-estima férrea como o nosso Premier. O PS que se convença que só mesmo Sócrates daria tanta luta, num contexto tão difícil… Guterres, por exemplo, teria fugido há muito, e Seguro nem sequer teria sido reeleito.


3. A alternância (em certos casos parece mais alterne…) tem ciclos cada vez mais curtos. Não só a voragem mediática faz com que tudo (mesmo governos) “passe de moda” mais depressa, como os problemas criados pelo excesso de poder do aspecto financeiro empurram para a rendição políticos (todos) incapazes de tornarem uma pequena economia num grande maná financeiro (ou vice-versa), visto que as regras do jogo estão feitas à medida dos grandes.


4. Como escreveu Marcelo Rebelo de Sousa em 1991, “o CDS é um partido pequeno porque não tem votos e não tem votos porque é um partido pequeno” (cito de cor). Por muito que, merecidamente, Portas (é mesmo ele, não se iludam os militantes do PP) eleve o partido para patamares perdidos na história, só a implosão do PSD os elevaria à condição de challangers. A mim já me basta o facto de, final e aparentemente, o eleitorado ter percebido o que (não vale) o Bloco de Esquerda… Tudo isto, mais uma vez, aponta para uma vitória social-democrata.


5. Mais perigoso é o facto de essa mesma vitória ser marginalmente ditada por eleitorado que vota “apenas” porque está cansado do actual inquilino de São Bento… Há os militantes que votam com entusiasmo, mas creio que a nossa política se rege em fatia demasiadamente larga pela ideia de que há que mudar só para ir rodando os protagonistas da desgraça anunciada. Tirando Passos Coelho e mais meia-dúzia de nomes (re)conhecidos (a era dos barões morre a 5 de Junho, note-se), ficam jovens turcos; “doutores” que sabem recitar normativo europeu e interpretar as bolsas de valores e “engenheiros” que conhecem as “Conferências TED” e que sabem aplicar a inovação às campanhas, mas a quem “ideal social” diz tanto como farinha “Pensal” e a quem o livre pensamento causa urticária e dá direito ao ostracismo.