Mostrar mensagens com a etiqueta Sonhar com Ladrões. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sonhar com Ladrões. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A farsa II

Já não bastava a areia movediça que o tema encerra, pelos vistos, precisávamos ainda que o ex-ministro Capoulas Santos viesse animar-nos com um colorido corso de carnavalescas asneiras. Diz o senhor que a oposição deveria apresentar uma moção de censura, tal a indignação mostrada em face do alegado esquema para, via PT, começar uma guerra relâmpago que culminaria no controlo governamental da comunicação social.

Desde logo, é bom que se diga que do dito esquema, para já, nada prova o envolvimento do Governo; creio até que o “carnaval” de notícias que nos soterram prova bem que o Governo não tem mão nos jornalistas. Porém, o que sabemos sobre dois administradores da Portugal Telecom já justificava uma ida para o olho da rua, que mais não seja, por conduta imprópria. Acresce que, deste modo, se manifestava a clara intenção de cavar um fosso para assuntos desta sorte, por parte do Executivo.

Mas voltando ao despautério de Capoulas Santos, creio que o dirigente socialista faria melhor em ajudar o PS a governar e a tirar-nos da crise, já que presumo que tenha sido essa a razão da vitória eleitoral que averbaram. Já bem bastam as miseráveis arbitragens do nosso futebol e o constante assinalar de pretensas faltas perante descaradas simulações, para vir agora um político com truques de algibeira pensar que a “malta” é parva. Dito isto interrogo-me genuína e, se calhar, ingenuamente: será que Capoulas Santos acha que não se percebe a desastrada tentativa de calar a oposição?! Sabendo, como sabe, que ninguém ficaria com o ónus de agravar a situação do País (por razões táctico-eleitorais, mas também por sincero patriotismo), a insinuação é a de que ou a oposição avança para xeque-mate ou abandona o jogo, calando-se.

Artimanha básica, meu caro senhor… Há, no mínimo, dois caminhos que passam pelo meio desse fantasioso “beco do tudo ou nada”: o primeiro é o Governo declarar, sem mais novidades à sexta-feira, que nada tem a ver com o assunto, pondo, na passada, os representantes sem mandato na ordem.

O outro passa por Belém... Nada me tira da cabeça que Cavaco Silva adoraria ter o País em boa situação económica, a reeleição garantida e um PSD que já constituísse uma alternativa credível (será que é desta???). Pois, mas eu também adorava ganhar o Euromilhões e que a Académica vencesse o campeonato. Esse não é, contudo, o Portugal que, de facto, existe. Cavaco Silva responderá em 2011 pela atitude (activa ou passiva) que agora tomar. Espero, sinceramente, que a razão lhe assista!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A farsa

Depois de termos pensado um pouco sobre o que quereria dizer o episódio de alegada censura em torno de um artigo de Mário Crespo, eis que o “Sol” – que me aparece como uma fusão de “Tal & Qual” com “Independente” – nos revela escutas “laterais” do processo “Face Oculta” (o tal das sucatas), nas quais Armando Vara, Paulo Penedos e um administrador da PT, supostamente, debatem um plano de José Sócrates para adquirir o grupo detentor da TVI (através daquela empresa de telecomunicações, onde o Estado detém uma posição privilegiada) e, assim, silenciar noticiários adversos.

Ora bem, a primeira coisa que se me oferece dizer é que estamos atolados em processos e suspeitas. Mal vai um país que, a mais de estar em mau estado no que ao nível de vida respeita, ainda vive sem respeito e sem sentido.

Depois, em sede de abordagem política, creio que os partidos da oposição só podem mesmo acreditar que todos “nascemos ontem”. Vale isto por dizer que só mesmo em delírio ou ataque agudo de toleima podem os demais partidos pensar que a coisa se resolve com uma declinação da tradicional dicotomia “céu versus inferno”... Seria assim estilo “o Sócrates é mau”, mas todos nós (leia-se, PSD, CDS, PCP, BE e o inútil PEV) “somos bons e redentores”. Como se diz na América: “for God’s sake” (em bom português podemos sempre bascular entre um salvífico “pelo amor de Deus” ou um zoófilo “vão dar banho ao cão…).

A verdade é, senhoras e senhores, meninas e meninos, que se poderá ter passado pelos corredores do PS a ideia de amainar as noites televisivas de sexta-feira (o que, sendo verdade, é assunto sério) não menos se poderá dizer que o súbito ataque de pudor da oposição e subsequentes projectos de audições em sede de Comissão Parlamentar de Ética (parece ter ficado de fora a ideia de uma comissão de inquérito) também são fruto da sede de exposição mediática; resta saber se a dita o medo de que depressa se acabe o pluralismo informativo ou mesmo a tradicional ideia de que “apareço, logo existo”. Vou pela última hipótese…

De uma ou de outra, que vos não resta dúvida de que os “auditados” vão repartir-se entre o “sim, fomos muito pressionados” e o “não, não sentimos nada disso”…

Se não acreditam na minha acidez analítica, a ver vamos se não serão as “vedetas” de cada grupo parlamentar a protagonizar as inquirições. Ou julgava que seriam os anónimos deputados que fazem quórum na Comissão que iriam ter a sua hipótese de mandar beijinhos lá para casa?! Nada disso! Já quando eu passei por São Bento, sempre que o assunto envolvia câmaras de televisão lá vinha o estado-maior (lembro-me, por exemplo, da demissão do Ministro Pedro Lynce). A única excepção que me ocorre ocorreu aquando da saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI; aí, suponho eu que devido ao incómodo, não havia ninguém com vagar para questionar Pais do Amaral (então, patrão da TVI e restante grupo).

Nesta fase, o que se perde é a capacidade de separar o que é judicial (e que deve ter o seu curso nos tribunais, doa a quem doer) e o que é carnaval…

E continuamos entretidos pela saga justiceira dos partidos, rezando para que nos façam esquecer de que, lá para Março (creio eu), os juros do crédito à habitação voltam a subir. De todo o modo, os bancos não se esquecerão…

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Mares encrespados

Um dos assuntos do dia (a não publicação de um artigo de Mário Crespo, no Jornal de Notícias), em si mesmo, não é novo… Estou seguro de que o Amigo Leitor já se lembrou de mais duas ou três situações desta sorte (como, por exemplo, a que lançou para a ribalta um discreto assessor presidencial), sendo altura de passar aos corolários de que me julgo capaz…

Em primeiro lugar - parece óbvio, mas vale a pena recordá-lo – tal turbulência mostra, cristalinamente, a força e a relevância dos media. Não são ingénuas as vozes que começaram a falar, de há anos a esta parte, num novo poder quase insindicável, que faz e desfaz vidas e carreiras (isto sem falar dos blogues, onde se desgraçam reputações, sem fundamento).

Depois, é preciso não esquecer que as próprias vedetas mediáticas estão bem cônscias da sua relevância e que estamos no país em que qualquer avançado (no futebol ou na vida pública) sabe que atirando-se para o chão ao menor “bafo” do adversário, haverá, com certeza, penálti.

No entanto, seria simplista subsumir o caso do artigo de Mário Crespo (disponível, designadamente, no sítio do Instituto Sá Carneiro) a estes comentários genéricos. A meu ver (visto que a minha Avó me proibiu de escrever “na minha óptica”…), a análise requer duas passadas: a primeira para sublinhar que o Director do JN invocou, como razão da não publicação, o facto de tratar-se de um artigo baseado em conversas escutadas num restaurante (que dariam azo a contraditório; seria um caso de “diz que disse”) e relatadas via correio electrónico (fonte rejeitada, pelos vistos).

Ora bem, cumpre dizer que muito me espantaria se o JN (o segundo diário mais lido em Portugal) se atemorizasse com a ira eventual do Primeiro-Ministro, embora já tenha visto de tudo... Por um lado, são várias as crónicas contundentes de Mário Crespo que já publicara naquele jornal (muitas visando José Sócrates) e, por outro lado, creio que haveria, caso assim fosse, um caso de temor reverencial patológico da parte do Director do JN, Pereira Leite.

Contudo, se, ao invés do que fica dito, algo se demonstrar, não apenas seria o regime democrático que estaria em causa, como existe uma instituição a quem incumbiria o dever de agir: o Presidente da República. Na minha opinião, por bem menos, o Presidente Sampaio ofereceu “um bilhete de ida” ao Dr. Santana Lopes.

O segundo aspecto do “caso” Mário Crespo que gostaria de olhar tem a ver com o facto de me parecer que mencionar “gente que ouviu o Primeiro-Ministro” como fonte é um eufemismo, sobretudo se considerarmos que, alegadamente, José Sócrates terá proferido os irados comentários em conversa com o director de programas da SIC, onde trabalha Mário Crespo. A grande questão é separar o desabafo da pressão, algo que só o interlocutor poderá fazer (isto deixando de lado aquilo que pode ter sido uma imprudência do Primeiro-Ministro, mormente tendo em conta os casos mais recentes, como o de Manuela Moura Guedes e outros).

Concluindo, uma certeza tenho eu: esta permanente torrente de suspeições e de confusões envolvendo media, partidos e Governo não deve ajudar nem à participação dos cidadãos, nem aos ratings da República e coisas do género. Torna-se cansativo e desanimador ver a vida a piorar e os políticos e jornalistas a servirem-nos intrigas como alimento!...