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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Festas felizes

Mais um ano e a Lodo, S.A.D. vem desejar a todos os colaboradores, fornecedores e amigos Festas Felizes e um 2011 com muita massa e pouca crise.

Desejos de Natal e certezas de Ano Novo

É comum, nesta altura, as revistas e os jornais trazerem reportagens de Natal e desejos e previsões de Ano Novo. Globalizado que estou, não fugirei à regra, no mês em que passam dezasseis anos desde que o Beiras cometeu o erro de publicar um artigo meu pela primeira vez…

Sem distinção entre desejos e verdades, cá vai disto: desde logo, nem preciso de copo de cristal (quanto mais da bola…) para antever uma vitória de Cavaco Silva à primeira volta (se calhar até bastava meia volta). Não só se reconhece o perfil de estadista, como se recomenda o economista para visar as ideias luminosas do Primeiro-Ministro (seja ele Sócrates ou Passos Coelho, ou mesmo qualquer outro). Acresce que Alegre tem feito uma campanha triste… Triste pelo tom agressivo, triste pela colagem ao Bloco de Esquerda, triste pelo desânimo das hostes. Resta a expectativa de ver os bodes expiatórios que o Poeta de Águeda arranjará na noite de 23 de Janeiro.

Outra coisa que é certinha é que 2011 será a doer e nem PS nem PSD (caso avance a moção de censura) terão grande margem para repor o que perderão os funcionários públicos. Tenho para mim, como é (bom e mau) hábito dos portugueses, que lá nos acomodaremos com a ideia de vivermos pior e de sermos, cada vez mais, os últimos da Europa (mesmo atrás de países que viveram décadas de ditadura comunista). Se assim não fosse, já haveria distúrbios públicos como há sempre que chega a mostarda ao nariz dos franceses, ingleses ou alemães. Por vezes, fico sem saber se somos cívicos ou mansos…

Na “Terrinha” (a minha Coimbra), fica para ver se o PS ainda existe. Com a saída de Carlos Encarnação e a entrada de Barbosa de Melo, independentemente dos méritos deste último, abre-se uma janela de oportunidade para os socialistas lançarem um candidato carismático para a presidência da Câmara Municipal. É sabido que sai uma personalidade forte e conhecida e que entra alguém com um perfil público menos exuberante e com menor reconhecimento por parte do eleitorado (louva-se a inteligência e a generosidade de Encarnação ao sair agora, por esta mesma razão), mas também não se ignora que maior divisão do que a que existe no PS de Coimbra só mesmo a que separa as duas Coreias.

Ainda por Coimbra, vamos ver no que dá a insólita situação em que se viu a nossa Académica. Depois de um início imperial, “dois vezes cinco são dez” e ficámos sem o Jorge Costa. Sendo os motivos pessoais, nada a dizer; caso contrário seria, a meu ver, um erro de palmatória, pois a Briosa vinha fazendo bons jogos e mesmo em Braga viu-se força e harmonia ofensivas, até que a coisa se tornou desastrosa. Resta esperar que a escolha dos dirigentes em funções seja inspirada pelos bons motivos e não por alguma voz que veja a Académica como qualquer outro clube (infelizmente, embora quase inexistentes, sempre há uma ou outra voz que pensa mais em lucros do que em identidade e resultados). A esse respeito o academismo do Presidente é uma garantia a que dou valor, mormente agora que o caminho para o Jamor (ou, pelo menos, para as meias-finais da Taça) parece bem possível.

Resta-me desejar a todos festas felizes e um 2011 com a coragem necessária para as agruras vindouras, já que este vosso amigo só voltará em finais de Janeiro, depois de enfrentar o Inverno siberiano (o original…).

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Era bom, era...

Aproveitando o último arrazoado do ano, desejo a todos os leitores e colaboradores do LODO um 2010 cheio de saúde, projectos concretizados e, já agora, melhor política, pois bem precisamos…

É normal preencher-se a crónica de fim de ano com desejos grandiosos e proclamações sobre o quão maravilhoso será o ano novo. Pois bem, abusando da minha qualidade de fundador do blogue, dou-me ao luxo (a veteranice tem destas coisas) de optar por um registo mais céptico e de desejar coisas simples, que tornariam os meus dias menos penosos, mas que, ainda assim, suspeito que não serão fáceis de alcançar, sem que daí extraia algum indício de malquerença celestial. Eis 10 desejos para… 2010:
  1. Creio que não equivale a pedir este mundo e o outro desejar que os portugueses deixem de cuspir em locais públicos. Acho que no século XXI já era altura de parar de me encolher sempre que ouço um trejeito de garganta do tipo “puxar a culatra atrás”. É porco e feio, mas é ainda muito comum.
  2. As eternas pipocas no cinema... Não levantam considerandos de higiene, mas faz-me confusão um “croc” quando Scarlett Johansson se prepara para dizer algo – perturba-lhe a entoação, mesmo quando o conteúdo não interessa – ou o barulho de garras a vasculhar no balde, quando Al Pacino ensaia uma das suas tiradas. Como eu anseio que os parceiros do lado se engasguem… Quantas vezes já me apeteceu virar o balde de pipocas pela cabeça do comensal abaixo e enfiar dois sopapos no topo do recipiente…
  3. Creio que deveriam inventar um sistema de corte de dedos médios (sim, os do meio) da mão dos condutores semelhante ao existente para os charutos. Deste modo, embora condenados a viver com cada vez menos civismo nas estradas, acabavam as obscenidades.
  4. Sem sair do trânsito, sigo sem perceber que relação há entre conduzir e limpar o nariz com os dedos. Mas que a há, há… Talvez fosse uma boa altura para outros gestos deselegantes que muitos homens fazem em público; afinal de contas, ao volante não se vislumbra a cintura, mesmo a do mais labrego.
  5. Por falar em condutores, se houvesse uma multa para a quantidade de azeiteiros (sem desprimor para os originais) que ouvem música (geralmente horrível, quando não foleira) aos berros e com a janela aberta, o défice das contas públicas resolver-se-ia num ápice, tornando desnecessária a polémica do código contributivo, até ao ano 3000.
  6. Não fica à beira de perder o juízo quando está num café e a criatura que está a lavar as chávenas e pires faz uma barulheira capaz de chamar a atenção de um morto? Em Coimbra, é o único problema do meu poiso de fim-de-semana.
  7. Outra coisa que me deixa insano é o afivelar de um par de trombas pelas pessoas que me atendem em estabelecimentos comerciais, onde lhes peço o sublime sacrifício de me deixarem gastar o meu dinheiro. Hoje em dia, já não passo sem dizer “de nada” aos que não me agradecem e “desculpe a maçada” aos trombudos puros e duros; como a minha estatura previne aventuras dos grosseiros em causa, adoro as reacções…
  8. O mesmo receituário aplico a outros tipos de fenómenos sociais contemporâneo: a falta de gratidão, quando deixamos passar alguém à nossa frente, ou a indelicadeza das pessoas que acham normal caminharem como se fossem carrinhos de choque. Nestes casos, recomendo um “deixe lá; eu estou cá para isso” ou um simples, mas audível “não tem de quê”!
  9. Odeio graffitis nos transportes públicos e nos edifícios. É sujo, geralmente não tem nada de arte (não são, na realidade, graffitis, mas sim gatafunhos) e dão ar de degradação urbana. A mais de recomendar um banho de imersão em tinta aos meliantes, censura-se o laxismo das empresas e municípios; desleixo atrai desleixo.
  10. O ambiente interno do PSD deveria mudar… Lembro-me à vez de um saloon do Far West ou de uma taberna de piratas, sempre que vejo o regime fratricida e “caciqueiro” que domina muitas das estruturas daquele que já foi (e poderá voltar a ser) um “grande partido grande”…