
Gostava de dizer-vos que acho que Santana Lopes venceu José Sócrates, no debate do Orçamento de Estado para 2008, mas não consigo...
José Sócrates falou de um país maravilhoso que nem Lewis Carrol conseguiu imaginar com "Alice no País das Maravilhas".
Ora as "Alices" que nos governam dizem que caiu a despesa pública, que se reduziu a dívida pública, que saímos do défice excessivo sem receitas extraordinárias, que cresceram as exportações, etc, etc, etc...
E pergunto eu: por que é que os portugueses não sentem um aumento da sua qualidade de vida? Por que vivem as famílias afogadas em prestações (sem pedagogia política)? Por que aumenta o fosso entre ricos e pobres (Portugal tem números negros na Europa a 27)?
E, já agora, por que não perguntou Santana Lopes sobre isto?
Ou então, à semelhança de Paulo Portas, por que razão não atacou o Orçamento propriamente dito, nas suas medidas?
A minha opinião é que Pedro Santana Lopes caiu na mais previsível das armadilhas, quando respondeu ao truque de ilusionismo vulgar do Primeiro-Ministro, que o responsabilizou pelo passado para, com a sua arte e na resposta áquele, lhe lembrar que os portugueses o julgaram fragorosamente - com tempo ainda para satirizar a culpabilização que Santana faz dos inimigos do PSD, da oposição e do Presidente da República (à data, Jorge Sampaio). Como dizia, errou o ex-lider do PSD ao gastar grande parte do seu tempo a auto-justificar-se...
Sócrates teve ainda tempo, como previra noutro
texto, para fazer intriga, explorando alegadas divergências entre Luís Filipe Menezes (questões concretas feitas ontem, via media) e o seu lider parlamentar que, segundo o
Premier, não fez as perguntas sugeridas pelo presidente do PSD.
Sendo que, tirando uma ou outra boa medida, o discurso de Sócrates podia ser transformado em queijo suiço, fiquei com um grande melão...
Nota: foto DN