Já visitei a exposição que evoca os 150 anos passados sobre o nascimento de Columbano Bordalo Pinheiro, patente no Museu do Chiado/Museu Nacional de Arte Contemporânea, até 27 de Maio.segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
Não há "mas" nem "talvez"!...
Já visitei a exposição que evoca os 150 anos passados sobre o nascimento de Columbano Bordalo Pinheiro, patente no Museu do Chiado/Museu Nacional de Arte Contemporânea, até 27 de Maio.É da idade...
"And the Oscar goes to..."
“Prognósticos, só depois do jogo”.
A edição deste ano prima por diversidade, diz-se.
Mas de facto, as escolhas são eclécticas nas 24 categorias.
“Da loucura de um ditador do Uganda à frieza da rainha de Inglaterra, da perturbação de uma ama mexicana ao estoicismo de um militar japonês, da solidão de uma rapariga espanhola à voracidade de um traficante sul- africano, as longas-metragens candidatas, além da categoria de Melhor Filme Estrangeiro, misturam emoções que ignoram fronteiras.”
Destaque, a meu ver, para os filmes de forte componente ideológica (Babel, Cartas de Iwo Jima, etc.). E claro, este é inquestionavelmente o ano dos mexicanos - dez nomeações. Desta “nouvelle vague mexicana” Iñarritu e Guillermo del Toro verão, seguramente, o seu trabalho sair reconhecido.
"Babel", pese embora as críticas de muitos, parece que resistirá e levará a estatueta dourada para casa...
Os favoritos passam ainda, na categoria de melhor actriz, por Helen Mirren, pelo seu desempenho em "A Rainha". Quanto ao melhor actor, Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia) é apontado como potencial vencedor.
Almodovar parece ser o ausente. O recente "Volver" não marca grande presença, exceptuando a sua musa (Penélope Cruz) nomeada para melhor actriz.
Btw, como é sabido, há muito quem questione as escolhas da Academia. E até quem diga que os Óscares às vezes premeiam a estupidez.
Talvez por isso, a par de Scorsese, Kirk Douglas, Orson Welles, Stanley Kubrick, Hitchcock ou Burton nunca ganharam a famosa estatueta.
Esperar para ver.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
Carta a "Bella"
Dulce:Quando li o teu último post pensei em comentar. Porém a lista de ideias começou a avolumar-se e optei por manter o diálogo aqui, no salão nobre do "lodo".
Sendo um assunto da ordem do dia, não me surpreendi com o que li na edição de ontem do The Daily Telegraph que me ofereceram no avião. Escrevia-se por lá, a propósito do relatório da ONU que inclui as crianças dos países desenvolvidos entre as mais infelizes, que a precoce "sexualização" das crianças (sobretudo das meninas) é uma das causas dessa infelicidade, sobretudo se pensarmos que temos meninas de 5 anos em frente à MTV equacionando se têm ou não um visual sexy...
Segundo a American Psychological Association, citada pelo jornal, esta introdução de padrões sexuais tão precocemente é fonte de problemas de saúde mental variados, de distúrbios alimentares (eis o cerne do teu texto) e de depressão.
E bem sabemos a força da indústria publicitária, sobretudo no que toca às crianças. Um dos casos mais polémicos é a Bratz Doll que torna a Barbie num exemplo de virtudes, dada a pouca mas ousada roupa com que é possível tapar algo do seu corpo.
Mais acrescenta o jornal britânico que a Asda foi alvo de polémica por comercializar lingerie de renda preta para meninas de 9 anos, incluindo uma espécie de wonder-bra, destinado a aumentar a volumetria do peito das infantas... Já a Next optou por vender t-shirts com a frase "So many boys, so little time" ("Tantos rapazes, tão pouco tempo") a menores de 6 anos...
E como se não bastasse a festa, citam-se ainda dois exemplos de revistas juvenis: a Sugar que tinha artigos sobre a "maquilhagem mais sexy" e "adolescentes que vendem o corpo pelo estrelato", e a CosmoGirl que respondia a uma carta de Alexis (14 anos de idade), dando-lhe conselhos sobre masturbação (neste caso a autora do artigo sublinha que o saco de gomas Haribo que vem como brinde desmente eventuais alegações de que a revista se destina a adolescentes mais velhas).
Aqui chegados, que dizer "Bella"?!...
Desde logo, que as novas tecnologias, em si, não são boas nem más, dependendo do uso que se lhes dê (continuo na minha, como vês). No caso da anorexia, que salientaste, foram os media que lançaram o alarme e que, com a sua força, estão a conseguir a "contra-revolução" pelos estilistas, organizadores de eventos e opinião pública.
Em segundo lugar, que vale a pena pensar o lugar que o dinheiro e o mito do sucesso profissional tomaram nas nossas vidas. Deixou de privilegiar-se o tempo para educar pessoalmente os mais novos, para acompanhar os seus gostos e emitir opinião sobre eles. A meu ver isso é essencial, mais do que resisitir de forma autista à introdução de novos meios de comunicação e novas necessidades de consumo.
Creio, como deixas entender a propósito do dia dos namorados, no teu blog pessoal, que mesmo as relações de afecto estão, hoje em dia, materializadas.
Direitos de propriedade sobre sujeitos, é o que estamos a criar, "Bella"... E dá-me tanta pena ver um partido como o PSD, que se gaba de ser humanista, não reflectir sobre isto com os militantes, chegando ao ponto de encomendar uma proposta de revisão do seu programa numa espécie de outsourcing intelectual....
Anorexia, liberalismo selvagem, falta de afecto, tu escolhes o nome que mais se adeque, em teu entender, ao lado escuro do tempo que corre...
G
domingo, 18 de fevereiro de 2007
Magreza, a quanto obrigas
A recente morte de uma manequim uruguaia cuja irmã também faleceu recentemente enquanto desfilava, veio acicatar esta questão dos tempos modernos que se prende com a obsessão pelo corpo e pela estética, relembrando os riscos que se correm nesta tentativa de encontrar a suposta perfeição fisíca.Não é para mais. Na sociedade actual o culto dos corpos 86-60-86 (ou mais recentemente “corpos Danone”) é promocionado pelos meios de comunicação, pela publicidade, internet ( é incrível o número de páginas que incitam à anorexia/bulimia e ainda mais nacreditável o seu conteúdo...) – e até por celebridades e ídolos contemporâneos.
Outra medida que me parece igualmente louvável e que também ocorreu por terras de nuestros hermanos foi a adopção de tamanhos uniformes na confecção de roupa. Deste modo, marcas como Mango, Zara e El Corte Inglés comprometem-se a “homogeneizar” os tamanhos de roupa para que os consumidores não oscilem tanto de número, facto que os poderá levar a crer que estão mais gordos. Outra exigência é que se substitua os manequins das lojas por outros que tenham pelo menos o número 38.
Claro está que este é um processo complexo e gradual, mas não deixa de ser uma tentativa de combater estas doenças que podem ser facilmente evitáveis.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
Foi feitiço?!
Já conhece o sinuoso mundo da música há dez anos, mas o devido reconhecimento parece que só chegou em finais de 2006. Ocupou o primeiro lugar dos top's de venda nacionais durante um largo período, foi destronado pelo "Rei Tony" e pelos quatro moçoilos da novela interminável do quarto canal (4Taste), mas voltou ao número um nos últimos dias.
"Acústico", gravado no Teatro Académico Gil Vicente, na sua cidade natal, Coimbra, já arrecadou a sétima platina.
Fenómeno estranho, este que ocorreu com André Sardet.
Dez anos a viver para a música, alguns êxitos inolvidáveis ("O azul do céu" e o "Frágil" de Jorge Palma na sua serena voz) e muitos dias amargos depois, o cantor é brindado com este êxito tardio. Diz o ditado popular que "antes tarde, que nunca".
Mas o percurso humilde e de extrema dedicação que foi o de André Sardet poderia ter tido um «final» menos "platinado". O cantor confessou que chegou a pensar em desistir, mas resistiu a este complicado mundo da música portuguesa, agravado pela falta de ajuda de uma rádio cada vez mais sectorizada e competitiva.
Feitiço ou não, num país onde os fenómenos musicais estão restritos a carinhas larocas e vozes de duvidosa qualidade - gente lançada quase que "a pontapé" da ficção para a realidade - André Sardet veio dar um novo alento à boa música portuguesa. E que venham mais dez!
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007
Chantagem"zinha"
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
Alguém que os ilumine, por favor...
O termo "apagão" parece estar na moda.Já não bastava o famoso e escandaloso «Apagão do Brasil», ou aquele em 2000 provocado por cegonhas (!!) que deixou meio Portugal à luz de velas.
Hoje o "apagão" é outro. E, imagine-se, convocado.
Como forma de alertar para as graves consequências das alterações climáticas, a organização francesa "Aliança pelo Planeta" apela a um apagão geral pelas 18h55 de hoje.
França e Espanha são dois dos países que prometem aderir em peso a este apagar de luzes durante cinco minutos.
Por cá, o Ministério do Ambiente não aderiu à proposta. Haja alguém com bom senso...
Ao invés de pedir aos cidadãos uma coisa tão simples quanto inútil como apagar as luzes durante cinco minutos numa qualquer quinta feira de fevereiro, os governos, associações e demais, deviam de levar a cabo campanhas de sensibilização eficazes, que se traduzissem na inversão do comportamento despesista e inconsequente da maioria dos cidadãos de hoje.
Estes gestos simbólicos ficam sempre bem, mas na realidade estão longe de ter qualquer eficácia... Neste preciso caso, até parece é que vão trazer alguns problemas, uma vez que a alteração repentina de consumo de energia corre o sério risco de provocar problemas na rede eléctrica.
segunda-feira, 29 de janeiro de 2007
sábado, 27 de janeiro de 2007
Eh pá, a casa de morada de família não!!!
Li no "Fugas" (in "Público) de hoje que o Castelo de Bran, no município de Brasov (Roménia), pode estar em vias de se tornar propriedade de acesso vedado.sexta-feira, 26 de janeiro de 2007
terça-feira, 23 de janeiro de 2007
As nossas razões*
Contudo, no referendo de dia 11, votarei a favor da despenalização. Essencialmente, porque reconheço que, seja este acto mais ou menos negativo, mais ou menos condenável, é um acto de índole privada, que tem que ver com os princípios e convicções éticas, morais, políticas e/ou religiosas de cada um. E sendo um acto privado, (que só à mulher - e respectivo companheiro - que o leva a cabo diz respeito), que não afecta nenhum direito de terceiro, o seu comportamento não deve ser penalmente punível, até porque isso põe em causa a sua autodeterminação, a liberdade individual e o direito à privacidade.
Depois, porque mais aterrador que ter noção do que representa o acto de abortar e da taxa de incidência dessa prática neste país... é ter noção do submundo que a ela está associada. Das caves, das garagens e dos locais sombrios onde os lobbys da prática de aborto recebem milhares de mulheres portuguesas e remediam o seu "problema" de forma clandestina, insegura e ilegal. E aí, o que poderia ser somente um problema de consciência e moralidade... passa a ser um grave problema de saúde pública que, inevitavelmente, diz respeito a todos.
A despenalização não é a solução, é certo. Mas torna este mal "menor". Contudo, seja ou não aprovada no próximo dia 11, importa lembrar a quem de direito que urgem políticas eficazes de planeamento familiar e uma educação sexual acessível e sem clichés, baseada na transmissão de valores e na comunicação sem tabus. Sem isto, a despenalização da IVG, a luta contra o aborto e tudo o mais, não faz qualquer sentido. ".
Gonçalo Capitão (SIM)
Todavia, a verdade é que devem ser raros os casos de mulheres que queiram fazer um aborto e o não façam, ficando apenas por saber o grau de dignidade humana e a segurança com que o fazem, o que depende dos recursos financeiros e informativos que possuem.
Por isso, sou favorável à despenalização da IVG, mas apenas na base de um plano de contingência que vise enfrentar o flagelo do aborto clandestino.
Paralelamente, creio que devemos seguir por um caminho de prevenção sério e sem hipocrisias, como as que alimentam alguns sectores sociais que levantam supostos pudores, sonegam informação (evitando uma política de saúde sexual e reprodutiva digna desse nome) e ainda têm distintíssima lata de se opor à despenalização do aborto.
O ponto ideal seria aquele em que ninguém tivesse de fazer um aborto, fosse por ter meios para criar um filho, por não haver mais gravidezes não desejadas ou por existir um sistema de acolhimento e adopção condigno. Mas, até lá...".
"O referendo sobre a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG). O assunto é em si demasiado importante para se divagar sobre ele.Talvez neste referendo a minha irreverência me aconselhe a defender o "Sim"… mas a minha consciência irá sempre apontar para o "Não"… Para justificar a minha posição (pessoal) sobre este assunto, focarei neste texto apenas 3pontos: actuação, clandestinidade e futuro…
Em 98, no último referendo sobre a despenalização do IVG, tive dúvidas. Estas inquietaram-me antes da votação. Mas esta agitação mental, tornou-se pior após a votação. Julgo que caímos (o Estado) num vazio no que respeita à interpretação dos resultados e na passagem do "papel para a acção". Não era este o resultado prático que as pessoas que votaram "Não" pretendiam. Mesmo assim entendo, que a solução não estava no voto do "Sim".
Também acho que é uma falsa questão achar que com a despenalização da IVG, se inviabilizam os "abortos clandestinos"… talvez este facto fosse mais claro para a opinião pública, se o partido do governo o esclarecesse e não quisesse a todo o custo a vitória do "Sim".
Caso vença o "Sim", podemos cair no "absurdo" de a IVG começar a ser considerada como mais um "elemento contraceptivo". Se este cenário é demasiado recente para ser considerado real, então e no futuro?... e o inicio da "guerra" da concorrência e das clínicas privadas? E os lucros?
Não pretendo tratar este assunto como do domínio político. Julgo tratar-se de uma questão pessoal… e não tenho intenção de fazer "campanha" pela posição que vou tomar.
Vou votar no NÃO e dedico o meu voto ao meu filho João de 6 meses.".
2. Sou contra a lei vigente.
3. Sou contra a lei proposta no referendo.
4. Por isso, voto NÃO.
1. Sou contra a realização do referendo por dois motivos fundamentais:
- Primeiro porque radicaliza as posições (senão veja-se o slogan do partido socialista: “Abstenção = Prisão”!!!);
- Segundo porque é relativamente consensual na sociedade Portuguesa que ninguém quer ver uma mulher condenada a pena de prisão por ter interrompido voluntariamente a sua gravidez. Logo, nessa medida, competia ao partido do Governo e com maioria na Assembleia da República, entenda-se o Partido Socialista, a missão de proceder a essa mudança na lei na própria Assembleia da República, evitando um referendo inútil que apenas servirá para atrasar uma efectiva resolução do problema vigente.
2. Sou contra a lei vigente por vários motivos:
- Primeiro, a lei actual prevê pena de prisão para a mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiro, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar. Como já referi, a pena de prisão não faz sentido e não preciso do resultado do referendo para tomar consciência disso mesmo;
- Segundo, a Lei vigente consagra situações em que a interrupção da gravidez não é punível. No entanto, na prática (no terreno!), são dramáticas as dificuldades encontradas ao tentar obter o atestado médico que certifique a verificação dessas mesmas circunstâncias; Esta realidade surge sobretudo quando está em causa a interrupção da gravidez por indicação terapêutica, na medida em que a lei não enumera de forma clara quais são esses critérios clínicos. Um exemplo: Uma mulher com uma insuficiência renal crónica grave tem um risco de 5% de vir a perder a sua restante função renal caso leve a gravidez a termo. Deve esta situação ser considerada suficiente para interromper a gravidez? À luz da lei actual, a resposta é sim. No entanto, na prática, poucos serão os médicos dispostos a atestar esta situação pelo receio de, um dia, a interpretação da história clínica poder ser diferente em tribunal. Urge, portanto, proceder a uma criteriosa identificação das situações clínicas a considerar, sempre à luz dos conhecimentos actuais. Para as eventuais situações que não sejam enunciadas numa reformulação da lei, deveria ser consagrada a possibilidade da criação de uma junta médica que, judicialmente, tenha o poder de determinar que se possa realizar uma interrupção da gravidez por indicação terapêutica.
- Terceiro, a lei actual não consagra de forma clara os critérios de saúde mental em que, à luz da lei, se pode realizar a interrupção da gravidez (referindo-se apenas à interrupção não punível caso seja o “único meio de remover o perigo de morte ou de grave e irreversível lesão… para a saúde… psíquica da mulher grávida”). Também neste aspecto, a clarificação dos critérios clínicos é uma necessidade para assegurar a aplicação prática da lei.
3. No entanto, apesar das deficiências da actual lei, sou fervorosamente contra a lei que se propõe para esta matéria, caso vença o “sim” no referendo do próximo dia 11. Sou contra a proposta de lei porque, caso venha a ser aplicada na prática:
- Primeiro, uma mulher que interrompa a gravidez às 10 semanas e um dia continua a estar sujeita a uma pena de prisão.
- Segundo, uma mulher que interrompa a gravidez, mesmo antes das 10 semanas (!), continua a estar sujeita a uma pena de prisão caso se realize num estabelecimento de saúde que não seja legalmente autorizado.
- Por fim, o argumento das questões económicas tem sido muitas vezes evocado por quem entende que o aborto deva ser liberalizado. Será que quem usa este argumento compreende aquilo que está a pedir ao Estado Português? Ao invés de exigirem que o estado apoie financeiramente uma política de natalidade, ou seja, que dêem as ditas condições para que a mãe possa ter o desejado filho, estão a pedir que o estado financie a prática do aborto como método alternativo (!!!). Não aceito que o governo se demita das suas responsabilidades, ainda por cima coarctando a liberdade das mulheres em situação precária.
4. Dito isto, o voto no NÃO é o único capaz de gerar as condições que assegurem a resolução prática da problemática legal em torno do aborto, por via de uma reforma da lei actual, tendo em conta os aspectos acima referidos. Qualquer outro caminho dará origem a um cenário que não resolve os problemas de base e que será sempre, a posteriori, de difícil resolução, senão mesmo irreversível.
O aborto não é uma decisão primária face a uma gravidez indesejada, mas sim a última oportunidade de resolução dessa situação. Não creio, como muitos por aí pregam, que com a despenalização este será banalizado, porque, como sabemos, fazer um aborto não é a mesma coisa que devolver um artigo no supermercado.
No entanto, o que aqui está em causa é a revogação de um artigo do Código Penal. Os partidários do NÃO entendem que quem interrompe uma gravidez (independentemente do motivo) deve ser penalizado.
A verdade é que, toda a gente sabe que são feitos abortos e estes até são socialmente bem aceites. Se assim não fosse, não haveria uma passividade generalizada das autoridades competentes.
A vitória do NÃO é um incentivo ao crescimento de um mercado de abortos clandestinos, onde condições mínimas de higiene e salubridade estarão apenas ao alcance de alguns e o maior ou menos risco de vida da mulher dependerá da economia familiar. Sendo este um problema transversal a toda a sociedade, convém não escamotear que as classes sociais mais baixas são as mais afectadas.
Face à interpelação a que seremos sujeitos, se as mulheres que pratiquem um aborto devem ser penalmente responsabilizadas, eu digo que não, e é por isso mesmo que votarei SIM no referendo.".
Porque há vida desde a concepção. Sabes que aos 20 dias o coração já bate? E que entre a 8.ª e a 9.ª semana o coração está formado, realizando as suas funções definitivas?
Porque o aborto não é solução. Porque é que o Estado não apoia as mães que querem ter os filhos? Numa sondagem realizada pelo Centro de Sondagens da Universidade Católica a 5 de Dezembro de 2006, à pergunta "Se estivesse grávida e atravessasse um momento de dificuldade ou dúvida sobre a sua gravidez ou maternidade, desejaria..." 75,6% das mulheres entrevistadas respondeu que desejaria ser ajudada e apoiada a manter a gravidez e poder ter o bebé contra apenas 13,5% que preferia ser livre para abortar sem que tal fosse considerado crime! O Estado nada faz para apoiar as mulheres que querem ser mães. Nos últimos meses inclusive reduziu os apoios às instituições que se dedicam a essa tarefa. Instituições essas, maioritariamente ligadas à Igreja Católica, e/ou sustentadas através do voluntariado. Fica aqui um rol de mais de 50 instituições que apoiam as mães e os bebés: http://www.vidascomvida.org/index.php?option=com_wrapper&Itemid=36
O que está em causa é um valor fundamental, superior a carreiras académicas, manutenção do status quo ou condições socio-económicas. Trata-se da Civilização, da Humanidade, da VIDA!".
Momentos de glória
Depois disto, resta-me acrescentar que há muito tempo não estava tão perto de um problema cardíaco...
* A Briosa acabou com 9 jogadores em campo.
segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
sexta-feira, 19 de janeiro de 2007
Venha o próximo...

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
Serão os portugueses estúpidos?
Ainda sobre o programa "Os Grandes Portugueses", para o bem e para o mal, António de Oliveira Salazar foi reconhecido como um deles e, ainda para mais, um dos 10 "maiores" portugueses.P: Como é que o "menino", que não era nascido quando Salazar morreu, pode ser tão benevolente?
R: Também o não era à data do óbito de D. Afonso Henriques, Vasco da Gama, Teófilo Braga ou Humberto Delgado...
P: Falou em Humberto Delgado porque não condena as torturas e assassinatos do Estado Novo?
R: Não! Condeno todos os excessos e atrocidades.
P: Então como pode condescender?
R: Não se trata de condescender. A verdade é que o quero dizer é que não pode diabolizar-se Salazar, pois, contextualizando, ver-se-á que, sobretudo até meados da década de 40, desempenhou papel patriótico, designadamente, pondo fim à bandalheira política e económica da I República, acabando com um intolerável anti-clericalismo e mantendo-nos fora da II Grande Guerra. Ou seja, tendo feito muito de errado (lamento sobretudo os sofrimentos humanos e a restrição da liberdade), não fez só asneiras, ao invés do que tenta vender-nos a esquerda mais propagandística.
P: É um salazarista?
R: Não. Acho, aliás, cretino que se seja algo em relação a fenómenos datados.
P: E fascista?
R: Pela mesma razão, não. Depois, porque não concordo com a ideologia. Em terceiro lugar, aproveito para esclarecer a imbecil ladaínha do PCP e do BE, dizendo que, em Portugal, é impróprio dizer-se, no sentido do modelo, que houve fascismo (esta é, pelo menos, a minha análise). Houve corporativismo de Estado.
P: É um "inimigo" da Revolução de Abril?
R: Não. Creio que foi muito positiva. Porém, no seu decurso houve excessos brutais e foi delapidado o Estado. Sublinho o papel de Sá Carneiro e o facto de, a meu ver, se assinalar o período em que Mário Soares foi verdadeiramente útil para a política nacional.
A justiça tarda, mas não falha
No apuramento dos dez finalistas do programa "Os Grandes Portugueses" (RTP), Álvaro Cunhal, depois de morto, ganhou uma votação a Mário Soares (que se quedou pelo 12º lugar, apesar de ser o 1º de entre os vivos - se pode dizer-se que é esse o seu estado, depois da última eleição presidencial).segunda-feira, 15 de janeiro de 2007
Homens com sorte - o ocaso de um "grande ordinário"
A mim nunca me enganou, mas ainda houve muitos lisboetas que votaram em Manuel Maria Carrilho (relembro, a.k.a. o "grande ordinário", na expressão do mayor alfacinha) para a Câmara Municipal.sexta-feira, 12 de janeiro de 2007
Bacorada
- Fundou, mas tem vergonha de dizer à malta.
- Fundou, mas era só a brincar.
- Fundou e fugiu.
- Fundou, mas regressou ao passado e já não fundou.
- Imita Mário Soares e decidiu ser tudo menos socialista.
- Fundou, mas não funda mais.
- Todas as anteriores.
Cole a sua resposta num comentário e habilite-se a ganhar a qualidade de ex-fundador do "lodo".
quinta-feira, 11 de janeiro de 2007
quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
Inteligente, mas parcial
- Nem todos os actos criminosos atribuídos a muçulmanos geram acusações imediatas de terrorismo
- Nem todos os mexicanos são discriminados nos E.U.A.
- Nem todos os meninos ricos desenvolvem comportamentos desviantes
- Nem todos os "diferentes" são marginalizados
Em todo o caso, fica um bem urdido alerta contra algumas das fobias dos nossos tempos.
Não, não é ficção brasileira...(antes fosse!)
No "país irmão" uma decisão judicial levou ao bloquear do site Youtube em território brasileiro enquanto este portal não remover completamente um polémico vídeo protagonizado por Daniela Cicarelli - a manequim de segunda categoria que após o "casamento-flash" com Ronaldo se tornou numa modelo requisitada e também apresentadora da MTV... - e o seu namorado.
Desde hoje que as operadoras de telecomunicações do país estão a interditar o acesso ao maior portal de partilha de vídeo. Tudo porque nele foi colocado um vídeo em que Daniela Cicarelli e o seu actual namorado protagonizam cenas escaldantes.
Resultado: o vídeo, que foi exibido num talk show de duvidosa qualidade na espanhola Tele5, depressa chegou ao Youtube e aí atingiu recordes de visitas. Perante isto, os dois "visados" recorreram à "justiça" (não, aqui as aspas não estão a mais...) brasileira.
Sob o meu (sempre modesto) ponto de vista, a decisão proferida hoje pelo Tribunal, além de absurda, roça a "censura". A justiça brasileira censura um site cuja relevância mundial é inquestionável para supostamente "proteger" a "privacidade" de dois pseudo-famosos...
Não leva em conta que os dois agiram de livre vontade num lugar público e que são pessoas dotadas de capacidade racional para entenderem as consequências de tal exposição. Bem vistas as coisas, os ditos passaram a vítimas, qual passe de magia. E ao invés de serem acusados de atentado ao pudor, acto osbsceno ou qualquer coisa do género vêm exigir, a par de chorudas indemnizações, o bloqueio do portal de vídeos mais famoso do Mundo.
Não restam dúvidas de que esta decisão excede os limites do razoável e ofende o princípio da proporcionalidade. A liberdade de informação é posta em causa porque dois inconsequentes não têm noção do que é a privacidade para as suas práticas sexuais!... Além disso é, claramente, uma medida ineficaz porque o dito vídeo foi retirado do Youtube mas circula por toda a internet (eu própria fiz uma simples pesquisa e em 30 segundos pude aceder e visionar o tal vídeo numa página independente do Youtube.... )
Lamentável este episódio da Justiça brasileira...
Num país em que grassa a criminalidade e outras problemáticas sociais cuja gravidade é inquestionável... a Justiça dá-se ao luxo de julgar questões rídiculas como esta (e pior que isso, de proferir sentenças absurdas... ...) em vez de se ocupar com quem - e com o que - deve.
terça-feira, 9 de janeiro de 2007
IVG - a sondagem
segunda-feira, 8 de janeiro de 2007
Desemprego Médico: O Início de uma Nova Era
Temos vindo a assistir, através de notícias veiculadas pelos mais diversos órgãos da Comunicação Social, a mais um episódio lamentável oriundo do Ministério da Saúde.Quase mil médicos recém-licenciados encontram-se actualmente no desemprego por incompetência da Secretaria-geral do Ministério da Saúde ao não os colocar, contrariando seu compromisso para com estes jovens colegas, nos mais diversos serviços hospitalares a partir do dia 1 de Janeiro de 2007.
"Calinada"
sexta-feira, 5 de janeiro de 2007
Que nojo!...

"Esse assunto eu não comento..."
“Esse assunto eu não comento…” foi a frase que mais se ouviu na entrevista realizada por Judite de Sousa ao ex-presidente da república, dr. Jorge Sampaio.Na “grande” entrevista de ontem, era forte a expectativa por parte dos que normalmente acompanham estas coisas da política, em perceber o ponto de vista de Jorge Sampaio sobre alguns assuntos:
Afinal aconselhou ou não a ida de Durão Barroso para a presidência da comissão europeia? O fez no exercício das suas funções para ter um português em tão destacado cargo europeu???
O que lhe faltou para não tomar posição sobre a situação “pantanosa” que o país seguia durante os governos de António Guterres, onde o ministro o ambiente era José Sócrates? Afinal o que pensa sobre as SCUT’s?... e a nova lei das finanças locais?
Como resume o seu mandato de 10 anos, onde o país conheceu quatro governos e onde três destes não terminaram o seu mandato?
Mas acima de tudo, porque razão alterou a sua posição entre Julho e Novembro de 2004 relativamente ao XVI governo?
… E o que entende por legitimidade politica de uma maioria parlamentar na Assembleia da República para exercer as suas funções???
Qual a força das sondagens nas suas decisões como Presidente da República???
Percebeu-se que Jorge Sampaio recebeu muitos telefonemas por causa da sua decisão em Julho de 2004… também se percebeu que nada fez para viabilizar a ida de Durão Barroso… isto é, até fez, mas depois desfez!!!
Durante os governos de Guterres, a sua fidelidade socialista “obrigou-o” a motivar o país para o desastre estratégico de politicas populistas com scut’s e rendimentos mínimos… politicas que apelavam ao conformismo social e à estagnação da iniciativa profissional…
Segui a entrevista com algum interesse para tentar perceber o episódio em 2004 relativo à dissolução da assembleia da república. Mas devo confessar que continuo sem perceber a explicação deste ex-presidente sobre este assunto!!!
No resumo da entrevista ficou o facto de que Jorge Sampaio, ainda não fala com o seu amigo Ferro Rodrigues, dá umas aulas para tentar explicar o ser exercício (ou falta dele) como Presidente da Republica e faz uns “biscates” em colóquios e conferências…
Ficou o consolo de que Jorge Sampaio não pensa em volta à vida politica activa… “Valha-nos isso!!!”!!!
quinta-feira, 4 de janeiro de 2007
Democracia directa
É em alturas destas que recupero a fé na democracia directa, pese embora a decisão seja dos súbditos de Sua Majestade, cujo o grau de civismo sempre foi superior.quarta-feira, 3 de janeiro de 2007
Ainda não cometeu um crime

A sopa dos pobres e o cozinheiro rico
Surfando na Net, deparei com a seguinte notícia: "El presidente de Venezuela, Hugo Chávez, envió varios regalos, entre ellos, las obras completas del libertador Simón Bolívar, al líder cubano, Fidel Castro, con motivo del 48 aniversario de la revolución"terça-feira, 2 de janeiro de 2007
Pagava p'ra ver
A música que serve de título a este post é da concorrência (Paulo Gonzo) e nem está em causa a qualidade artística de André Sardet (que é inequívoca), mas aposto convosco que este não entrará em palco para o concerto de Coimbra com a camisola que envergou no espectáculo de Guimarães (a do Vitória* local)...sexta-feira, 29 de dezembro de 2006
quarta-feira, 27 de dezembro de 2006
Ah, ganda Pai Natal !...
Uma das notícias do dia (que podem ver, por exemplo, no Diário de Notícias) é a de que os portugueses gastaram, nos primeiros 25 dias de Dezembro, o equivalente a 994€ por segundo. Assim mesmo, sem vírgula no número... Quase mil euros ou duzentos contos, portanto.Reflexão óbvia: as pessoas queixam-se da crise, mas não têm o menor bom senso no que toca ao consumo.
Reflexão menos imediata: creio que a (in)cultura mediática entorpeceu fatalmente o espírito crítico das pessoas, que já pouco raciocinam sobre o que é essencial e sobre o sentimento que pode fazer de um presente de valor simbólico uma jóia de marajá.
O consumismo infrene que é induzido pela florescente indústria publicitária está a levar-nos para além do saudável. O que está na moda hoje, já não está na próxima semana (vale dos telemóveis à roupa e das consolas de jogos aos automóveis) e comprar o "último grito" é quase uma necessidade biológica, produzindo-se uma sensação psicológica de menoridade em quem não tem o que já há na escola ou no emprego.
Daí o sucesso das siglas do momento, sejam elas Cofidis, Capital Mais ou outra, esquecendo-se o feliz comprador que, seja com estas empresas ou com um banco tradicional, tudo haverá de ser pago e com juros.
Aqui fazia falta pedagogia explícita pelos políticos. Mas saberão eles do que falamos? Será que não estão, também eles, "contagiados"?
domingo, 24 de dezembro de 2006
Socooooooooorro!!!
Daí a uma jornalista considerar a mesma uma fonte credível para fundar a informação (?!) que passa aos portugueses...
quinta-feira, 21 de dezembro de 2006
Reuniões de elite
Falo do preço que pagaremos, sem apelo nem agravo, por mantermos grande parte da classe política actual.
E nem se pense que falo por despeito ou eivado de súbito assomo de arrogância. Bem ao invés, falo procurando assestar baterias contra o comodismo de muito cidadão bem colocado na vida empresarial, profissional liberal ou académica que prefere o cifrão ou o artigo nos media a meter pés ao caminho. A lógica que subjaz a esta censura não é a de que todos temos de gostar de política, mas sim a ideia de Cícero de que o mal-estar social não desculpa o absentismo, antes clamando por envolvimento.
E é assim, largando o acessório, que explico a razão de ciência do que comecei por dizer: arrepiei-me de morte com o conselho nacional do PSD, no último fim-de-semana.
De facto, julgando eu que as intervenções de Cavaco Silva, Luís Filipe Menezes, Rui Rio e Nuno Morais Sarmento haviam “feito a festa, atirado os foguetes e apanhado as canas”, guardado estava o bocado.
Enquanto o engº Sócrates se passeia por toda e qualquer sondagem, e perante um confrangedor esforço do dr. Marques Mendes para ser escutado a propósito das razões de Estado, os mais diversos fidalgos (nem atribuo títulos, pois creio que os barões já se retiraram) do PSD entretiveram-se com uma questão crucial para o nosso futuro enquanto Estado-nação: saber se pode ou não criticar-se o líder do partido nos media e se isso é ou não fazer o “jogo da oposição” (dúvida de tal modo existencial que nem o dr. Mendes resistiu a filosofar a este pretexto)…
Se os meus amigos imaginassem os nomes consagrados da actual elite laranja que consumiram horas da sessão partidária a debater se deve ou não criticar-se o presidente, e em que sitio se deve dizer tudo e qualquer coisa, veriam que, por vezes, a realidade é pior do que o pesadelo.
segunda-feira, 18 de dezembro de 2006
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
Mitologia britânica
Ao que vi na RTP, as autoridades britânicas deram por concluídas as investigações sobre a morte de Diana Spencer, a Princesa de Gales, não tendo detectado indícios de atentado ou conspiração, no que vieram corroborar os resultados obtidos pelas suas congéneres francesas.E o veredicto é...
terça-feira, 12 de dezembro de 2006
Adiós Pinochet

No meu entender, não se celebra a morte de ninguém, muito menos por razões ideológicas. Ainda assim, é lamentável que Pinochet tenha morrido sem sentencias, apesar das numerosas acusações judiciais que sobre ele pendiam.
Dezassete anos de regime dictatorial e sanguinário não deviam de ficar impunes.
domingo, 10 de dezembro de 2006
Compras de Natal


Obviamente que não pretendo insultar qualquer um dos autores ou sequer os seus apreciadores ao colocar lado a lado os fenómenos editoriais mais recentes, que são "Percepções e Realidade" do Dr. Pedro Santana Lopes e "Eu Carolina" da Srª Dª (ah, pois é...) Carolina Salgado.
sexta-feira, 8 de dezembro de 2006
Ninguém gosta de mim...
Decididamente, depois das sondagens, da entrevista de Cavaco Silva e do comício de Menezes, só faltava a Marques Mendes a entrevista de Rui Rio, ontem.quinta-feira, 7 de dezembro de 2006
O que não vem nos lucros
terça-feira, 5 de dezembro de 2006
Sem pena nem agravo
segunda-feira, 4 de dezembro de 2006
26 anos depois

Vinte seis anos depois, duas teses contraditórias, muitas comissões de inquérito pelo meio e até um filme... as dúvidas e as suspeitas quanto ao caso "Camarate" continuam por esclarecer.
Nos últimos tempos, confissões inesperadas, a injustiça da prescrição do processo (em Setembro último) e até a possibilidade de criar um regime especial face a essa prescrição voltaram a mediatizar este caso.
Enfim, o rol de qualidades era, indiscutivelmente, vasto. Talvez por isso, e ainda que fosse respeitado pelos políticos contemporâneos, o seu percurso político terminou mais cedo do que seria de esperar. Afinal, a grandeza de Sá Carneiro ofuscava e incomodava os "demais".
domingo, 3 de dezembro de 2006
Adeus, ó pá!
O pintor Mário Silva, cujo talendo se não questiona, afirma ter levado a cabo a sua última exposição em Portugal, alegando "perseguição fiscal".Honestamente, já vi golpes mediáticos mais bem encenados, sendo que me parece burlesco que alguém consagrado precise de um tratamento fiscal especial, em altura de crise.
Imaginemos que ridículo seria se, para pagar menos impostos, José Miguel Júdice, Manuel Antunes, Simão Sabrosa ou Siza Vieira, também eles nomes grandes das suas artes, anuciassem, como fez o pintor, que iriam "exilar-se em Espanha"*...
Fazem falta os que cá estão, sempre ouvi dizer. Mas, já que vai, não podia levar de vez José Saramago (se bem me lembro o escritor prometeu o mesmo, se Cavaco Silva ganhasse, o que, da última vez que verifiquei, aconteceu mesmo...)???
* À atenção da nossa correspondente em Sevilha, Dulce Alves.
Desta vez, tem razão, Sotôr!
Como a "realidade", por vezes, dá com a "percepção", entendo que Santana Lopes tem alguma razão ao lamentar a "figurinha" que se vai fazendo na edilidade alfacinha.De facto, depois da "guerra de alecrim e manjerona" entre PSD e CDS, o facto é que a polémica subsiste, desde logo, sobre o corredor que o Ministro Carmona reservara para o TGV e no qual o Mayor Carmona Rodrigues licenciou, ainda que condicionalmente, uma urbanização.
Depois, acresce que, efectivamente, as obras mais emblemáticas continuam a ser as lançadas/adjudicadas pelo Menino Guerreiro, sendo que a jóia da coroa (a que prometia pôr Lisboa na moda para os turistas de carteira recheada) parece estar a ser arrastada para o esquecimento; falo do projecto de Frank Gehry, naturalmente...
Para ser coerente e corajoso, restam duas alternativas a Carmona: ou denuncia a gestão do mais recente autor de best-sellers, ou convence-nos da bondade do seu próprio consulado.
Que sorte a oposição ser liderada por Carrilho (a.k.a. "o Grande Ordinário", segundo o léxico do Edil)!...
sábado, 2 de dezembro de 2006
Cretinos
O título nada tem a ver com a minha impressão sobre o filme, que vi ontem.Trata-se, a meu ver, de um excelente e intenso filme, na linha dos bons filmes de Scorsese, com actores de alto gabarito.
O título?!... Bem isso tem mesmo a ver com a frequência da sala. Assentei arraiais nas Twin Towers, fugindo ao inferno do Colombo (o outro multiplex próximo do local onde me refúgio em Lisboa, e onde vou amiúde), cansado que estou de pipocas pelo chão e mastigadas com a mandíbula inferior a bater nos sapatos, telemóveis atendidos durante o filme e mesmo menus da MacDonald's (sim, foi durante o filme do 007!...), e até porque ía apanhar o metro de seguida, rumo ao Estádio de Alvalade.
Pois bem, apesar da aparência chique, não faltaram as pipocas pelo chão e um infante de não mas de 6 anos a ver um filme violento, de que apenas percebia os tiros e agresões (como pude ir escutando)... Mais espantará se vos disser que era uma famelga com a mania de que é "bem" (algo que os portugueses adquirem sempre que têm umas massas ou que desempenham certos cargos ou funções).
Moral da história (entronca noutros posts): de qulaquer lado da suposta pirâmide social, há muito civismo a palmilhar para que o nosso desenvolvimento económico chegue a ter importância...














