terça-feira, 10 de outubro de 2006

Dar a táctica

Pedindo perdão pelo momento de narcisismo imagético, é nesta semana que os academistas do "lodo" (que se saiba, eu e o Ricardo Cândido, ao lado do mister Manuel Machado, na foto) mostram o apoio incondicional à Briosa, que tem tido um arranque difícil.
Escusando-me de enaltecer o academismo enquanto forma de estar na vida, é nos dias complicados que preparamos o paladar para os momentos saborosos que sempre se seguem ao trabalho de quem sabe o que faz; entre outros, Manuel Machado e o capitão Pedro Roma são desses!...
A ver vamos se a praxe começa já em Paços de Ferreira, neste fim-de-semana.
Nota: a fotografia, tirada em Vitoria (País Basco), no jogo de apresentação do Alavés, em que a Académica foi o clube convidado, foi uma simpática oferta do academista (o maior elogio possível em "gonçalês") João Santana.

Edição revista e aumentada

A propósito de dois textos prévios, continuamos a ver o que se passa:

  1. No caso norte-coreano, a realidade evolui para a condenação internacional, com os paninhos quentes chineses que previramos. Declarações anónimas proferidas em Pequim e atribuidas a um alto dignitário de Pyongyang dão conta de uma ameaça de uso de arma atómica se houver aplauso para a mão pesada proposta por Washington. Cá por mim, entendo que a elasticidade da estupidez terminará no ponto actual, já que o fito de mater o regime ditatorial (a Coreia do Norte não tem, nem podia ter, objectivos expansionistas) deixará de fazer sentido se o País for arrasado.
  2. Já no que aos posts sobre prostituição diz respeito, registe-se que o assunto merece a atenção do Presidente da República, no seu "Roteiro para a Inclusão". Sublinha-se a resistência ao sensacionalismo, procurando destacar os aspectos positivos na abordagem do fenómeno (seria bem mais fácil um "número de circo", na rua... Mas, enfim, o soarismo já lá vai...).

sábado, 7 de outubro de 2006

Who cares?


Cada vez mais nos deparamos com constantes apelos à consciência ambiental de cada um. Já é mais que sabido (ou deveria ser) que a protecção do ambiente está nas nossas mãos, e que todos nós devemos contribuir para um mundo melhor. Para tal não é preciso muito esforço. Basta começar com gestos simples como separar o lixo e colocá-lo em ecopontos, reutilizar os sacos das compras, poupar energia (ex: não deixar a TV em stand-by nem deixar as luzes ligadas desnecessariamente), enfim…pequenos gestos que muitas vezes só não fazemos por preguiça ou falta de atenção. De facto nem todos têm em conta estas pequenas atitudes pró-ambientais, mas creio que grande parte das pessoas reconhece a sua importância e admite que o deveria fazer, principalmente os jovens.

Qual não foi o meu espanto hoje, quando ao falar sobre o ambiente com os meus alunos de 16 anos me deparei com as mais absurdas reacções. “Eu? Reciclar? Dá muito trabalho!”; “Não há ecopontos à porta de casa, acha que vou andar com os sacos na mão até ao próximo ecoponto?”; “É «stôra», já viu o que era eu levantar-me da cama para tirar a TV do stand-by? Não faltava mais nada!” De facto fiquei estupefacta com as declarações da turma que nem depois de um empenhado discurso de sensibilização para as questões ambientais mudaram de opinião. Dizia uma aluna: “Proteger o ambiente para quê? Posso morrer amanhã, não vale a pena o trabalho.” Pergunto-me: são estes os jovens do futuro?
Apesar de existirem várias turmas como esta, decerto não representarão a maioria das turmas de adolescentes deste país. Assim espero, pois se os jovens não se preocuparem com o mundo em que vivem o que será do seu futuro?

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

The "Collor" of money

A somar às notícias mais debatidas, designadamente sobre a realização de uma segunda volta para escolher o Chefe de Estado, outro escrutínio simultâneo, além-mar, trouxe uma novidade de monta: Fernando Collor de Mello, ex-Presidente do Brasil (1990-92), voltou à política activa, eleito que foi senador por Alagoas, de onde partira do cargo de governador à conquista do Planalto, numa campanha entusiasmante e mediática.

Refrescando a memória, Collor viu o seu mandato como alvo de cassação pelas duas câmaras do Congresso, na sequência de um escândalo de corrupção que atingiu toda a sua esfera próxima, Primeira Dama e secretária incluídas. Na altura, ficou célebre o empresário PC (Paulo César) Farias que, ao que se demonstrou, financiava aquele por intermédio de depósitos em contas abertas para o efeito pela colaboradora presidencial.

O caso ganha ainda mais interesse ao recuperarmos uma das bandeiras eleitorais que levaram o político neoliberal a Brasília: a moralização da vida política (além do controlo da, então, galopante inflação).

Aliás, numa campanha magistralmente orientada para os media, ficaram célebres tiradas como o "vamos caçar marajás", que simbolizava uma guerra sem quartel aos privilégios injustificados da minoria abastada. Houve mesmo quem dissesse que a Rede Globo teve um papel de patrocínio oficioso da bem sucedida candidatura, que chegou a incluir momentos épicos como uma marcha debaixo de chuva abundante, que Collor insistiu em fazer, apesar de desaconselhado, e à qual viriam a juntar-se centenas de pessoas, à medida que a caminhada progredia.

O outro extremo do populismo de Fernando Collor é, como está bem de ver, o autismo dos conselheiros de Lula da Silva, que o afastaram dos debates televisivos, na recente primeira volta da campanha presidencial, facto que é, agora, reconhecido como eventual causa da necessidade de uma segunda volta.

Retomando o fio à meada, e provando que a memória pode ser curta (não é só por lá…), e embora modesto, eis um regresso de um ícone político brasileiro da década de noventa. E vendo bem, não é caso único, pois também Paulo Maluf (ex-mayor de São Paulo), já previamente detido e indiciado, foi eleito para a Câmara dos Deputados.

Por outro lado, o próprio Lula da Silva viu o seu staff encolher como camisola de algodão em máquina com programa de temperatura elevada, precisamente por casos sortidos de escandaleira.

Contudo, mais do que pensarmos que se trata de uma moda brasileira, devemos apenas sublinhar que, se já hoje é uma das economias potencialmente mais pujantes do mundo, o Brasil só terá a ganhar se eliminar esta chaga da sua vida pública.

Por cá* , preocupa-me que o "pacto para a justiça" não tenha abordado o tema. É certo, como li, que mais do que legislar, há que aplicar o normativo já existente (pena é que a preocupação de eficácia normativa se não estenda a outras leis feitas ou a fazer), mas também ninguém me convence de que o aspecto simbólico não é muito relevante; contam os sinais que o poder político envia, no caso, aos prevaricadores. Ter escolhido um lugar de destaque para a nossa "caça aos marajás" seria bom, sobretudo num meio político-empresarial-futebolístico em que me parece que nem toda a gente (aprecie o eufemismo, por favor) consegue explicar tudo o que tem, à luz dos rendimentos declarados.

Sem caça às bruxas, também aqui seria pedagógico dar à justiça gente que responda a algumas das perguntas que a vox populi faz, há muito tempo...

*Sem querer acusar o Presidente da República de plágio :) e sem desejar provar o que quer que seja, sublinho que este post corresponde a um artigo publicado no Diário "As Beiras" (Coimbra), a 4 de Outubro.

terça-feira, 3 de outubro de 2006

A pronúncia do Norte


A Coreia do Norte anunciou que vai realizar um teste nuclear, em data não especificada.

Cá para nós, que ninguém nos lê, estou em crer que é mais uma ameaça, a que não será estranha a ciumeira que deve estar a causar a quase certeza da eleição de um sul-coreano para secretário-geral da ONU.
Porém, mimos como este e como o recente lançamento do míssil Taepodong 2, não obstante ter explodido poucos segundos depois do lançamento, devem fazer-nos pensar sobre a estratégia de Pyongyang que, como parece óbvio, decidiu contrariar a sua obsolescência convencional pela dissuasão nuclear.
Este tem sido o rumo do regime de Kim Jong-il, desde os alvores da década de 90, e nem mesmo a insistente oferta do restante grupo dos 6 (que inclui, a mais da Coreia do Norte, a Coreia do Sul, os EUA, o Japão, a China e a Rússia) parece poder (ou querer, no caso chinês, digo eu) convencer o herdeiro do "Grande Líder" a trocar atómos por dinheiro.
Ao mesmo tempo que reforça a defesa, Pyongyang consolida o poder interno, lançando as maiores dúvidas sobre um parto sem dor de um qualquer regime que não seja aquele que vigora.
Baralhando e voltando a dar, as minhas ideias são estas:
  • não vale a pena sonhar com mudanças nesta ponta do "eixo do mal", a breve trecho.
  • não há qualquer vantagem do regime norte-coreano em desencadear um ataque (excepto, como é óvio, em auto-defesa), mesmo quando vier a ter poder efectivo para tal.
  • vamos ter que aturar muitas mais chantagens e birras, porque, ainda assim, não compensa correr o risco de encostar à parede Kim Jong-il e as forças armadas que fazem a festa a norte do paralelo 38.

Solução?! Além de manter a pachorra do costume, sonhar com o dia em que Pequim tenha interesse em proceder a obras na casa do vizinho e rezar para que dê certo, nessa altura...

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Desenvolvimento paulatino

“Falámos do desenvolvimento paulatino. Eu disse que cada qual resolve por si a questão de fazer o bem ou o mal, sem esperar que a humanidade chegue à solução deste problema pela via do desenvolvimento paulatino. Além disso, este tipo de desenvolvimento é uma espada de dois gumes. Paralelamente ao desenvolvimento paulatino das ideias humanistas, observa-se também o crescimento gradual de ideias de outro género. Já não existe a servidão da gleba, em compensação cresce o capitalismo. E, no auge das ideias da libertação, a maioria continua a alimentar, a vestir e a defender a minoria (…) continuando ela própria faminta, despida e indefesa. Este sistema convive perfeitamente com quaisquer correntes e ideologias, porque a arte da escravidão também de cultiva paulatinamente. (…) Entre nós, ideias são ideias, mas se pudéssemos, mesmo hoje em dia (…), encarregar também os operários dos nossos processos fisiológicos mais desagradáveis, fá-lo-íamos, e de certeza que o justificaríamos dizendo que se as melhores pessoas, pensadores e grandes cientistas, gastassem o seu tempo precioso nesses processos o progresso correria um sério perigo”*.
O texto é um clássico, mas as ideias são quase pós-modernas, tal a actualidade das palavras.
Sou um adepto da economia de mercado - creio que temos aqui o melhor ponto de encontro de vontades - com a intervenção reguladora do Estado; creio que também é isso que faz de mim um social-democrata in the portuguese way.
Porém, pergunto-me várias vezes se não estamos a ir longe demais, tal o grau de consumo supérfluo e de endividamento draconiado. Já o tenho dito, mas repito: chegamos ao ponto em que ganha corpo o receio da criação de autênticos direitos de propriedade sobre sujeitos.
Além disso, emagrece para perto da anorexia a classe média, extremando-se as disparidades sociais.
Falta, a meu ver, uma atitude mais pedagógica por parte dos políticos mais conceituados.
Como canta Rui Reininho na música "Cais" (a mesma de onde nasceu a ideia para o nome deste blog): "se o mercado impera, e vais sempre longe demais/ muito cuidado, quando escorregas sempre cais" (cito de cor).

*Tchékhov, Anton, “A minha vida”, in “Contos de Tchékhov”, vol. V, pp. 222-3, Lisboa, Relógio D’Água Editores, Maio de 2006.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Provavelmente, a melhor equipa do mundo

Se há erros geniais, a SportTv foi autora de um, no passado fim-de-semana (entretanto, já rectificado).
De facto, não escondendo o seu provável e natural entusiasmo com a equipa do Barcelona, o responsável pela publicidade daquele canal desportivo conseguiu pôr o clube da cidade condal a jogar, no mesmo dia e à mesma hora, em Bremen, na Alemanha, e em Sófia, na Bulgária. Tal só estará ao alcance, pensa o "lodo", da melhor equipa do mundo!
Quem me dera que a minha Briosa se pudesse dar a estes luxos...

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Serviço de Estrangeiras sem Fronteiras

Há dias, inseri um pequeno texto sobre o domínio da prostituição.

Mais tarde, vi um noticiário em que se dizia que o Governo tem um texto legal em mente, que penaliza os clientes, se souberem que a(o) prostituta(o) foi vítima de tráfico de seres humanos.
Bem podem dizer que a penalização da prática é apenas um efeito colateral da regulação deste último tipo legal.
Contudo, a meu ver, duas questões se levantam (salvo-seja...): por um lado (salvo-seja II), fica por regulamentar a grande parte da actividade em causa. Podia até seguir-se o interessante caminho (salvo erro, em vigor na Suécia) de criminalizar o utente, mas, nesse caso, deveria penalizar-se qualquer solicitação daquele serviço.
Por outro lado (salvo-seja III), não é preciso ser um expert para imaginar que não seja de esperar que o cliente passe a encetar a abordagem com uma frase do género "desculpe, a menina foi traficada?" ou mesmo com uma solicitação do estilo "fazia a fineza de mostrar o seu passaporte e respectivo visto?"... E mesmo que a hipótese seja de admitir, não me parece normal que venham a obter-se respostas como "sim, vim num camião sob coacção e a minha família está correntemente ameaçada, mas passemos ao preço." ou "concerteza, estou cá, por três meses, em turismo; venha ao meu hotel para confirmar!"...
Francamente, parece mais um controlo de imigração em outsourcing. Já se me disserem que a medida é meramente dissuasora (ninguém deve apreciar depor num processo crime sobre este assunto, por muitas que sejam as hipóteses de arquivamento ou absolvição), ainda vá...
No entanto, até ter força de lei, fica o benefício da dúvida para o diploma.

Finalmente Alegre...


Um ano e um dia depois do anúncio da sua candidatura a Belém, Alegre formaliza o seu MIC com Cavaco e Jaime Gama ausentes no estrangeiro, o que faz com que o poeta seja (temporariamente, graças a deus!!!) a figura máxima do Estado Português em Território Nacional.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Falar em grande

"O Diabo passou ontem por aqui, este lugar ainda cheira a enxofre".
Hugo Chavez sobre George W. Bush, na Assembleia Geral da ONU.
Fonte: edição on-line do DN (hoje).

Show me the Money!

O nosso Ministro da Saúde tem uma tarefa árdua nas mãos: Salvar o Sistema Nacional de Saúde (SNS).

Pessoalmente considero que é um dos maiores conhecedores da realidade e dos problemas do SNS. É teimoso? É. Cometeu erros? Muitos. Mas quem é Ministro, ou melhor, quem toma decisões está destinado a errar aqui e ali. O importante é o balanço final… Apesar de faltar muito até ao final do presente mandato deste Governo, até ao momento a actuação do Ministro tem sido globalmente positiva (francamente mais positiva que no tempo do outro Eng… sim, o Gut… Gut… Guterres. Até custa dizer o nome e já estou com urticária!).

Dito isto, permitam que eu analise uma proposta que se encontra actualmente em discussão. Pretende o actual Ministro que determinados serviços assistenciais de saúde totalmente gratuitos para o utente passem a ser abrangidas pelas políticas de taxas moderadoras.

Na prática, o doente irá passar a pagar uma taxa moderadora em caso de internamento em enfermaria ou cirurgia em ambulatório.

Se por um lado as taxas devem servir para ajudar a colmatar o enorme défice financeiro que afecta a área da saúde, por outro lado tem tido um papel dissuasor da vinda de cidadãos ao Serviço de Urgência quando realmente não se trata de uma urgência médica… Será que ser internado ou ser submetido a uma intervenção cirúrgica é uma opção? Ou não será antes uma necessidade e, conquanto, um dever do SNS prestar este serviço ao doente? Será justo querer diminuir o valor na coluna das despesas à custa do doente que não tem outra opção senão entregar-se ao SNS?

Não tomo uma posição definitiva sobre esta matéria pois ainda não foram divulgadas os pormenores da proposta de lei, baseando-me apenas no que tem sido publicado pela comunicação social. Serve este post apenas como alerta… certamente que mais haverá a dizer sobre este tema. Até lá, opinem! Inté!

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Acabou-se o Papa doce

Quando a violência de muitos fundamentalistas se tornava sangrentamente monótona (tal era a falta de desculpas suculentas), eis que um discurso de Bento XVI é aproveitado para causa dos mais selvagens efeitos, que chegam já, alegadamente, ao assassinato de uma religiosa sexagenária, nesse santuário de moderação e tolerância que é a Somália.
Por cá, desde filmes como a “Última tentação de Cristo” (e outros mais ousados ainda) a caricaturas e anedotas, tudo pode dizer-se com a sanção máxima de ser rotulado de imbecil, desrespeitoso ou reles.

Em face disto – ou seja, desta cultura de tolerância e liberdade – bem podem chamar-me xenófobo os que entenderem como tal a minha ideia de que, de facto, a civilização ocidental está, neste aspecto, a anos-luz de muitos regimes e organizações islâmicas. Notem bem: não uso de uma sinédoque; não se trata de tomar a nuvem por Juno, mas tão só de usar termos comparativos médios.
E é por isso que, mesmo sem entrar nos significados mais recônditos do discurso papal na Universidade de Ratisbona (nem sequer me sinto habilitado, confesso), começo pela tese, em que acredito, de que, mesmo que o Papa tivesse proferido uma catilinária contra o Islão, na pior das hipóteses, isso legitimaria resposta em medida maior e recalcada, mas sempre no âmbito de protestos pacíficos.
Ora, provando que há regimes que terão como único momento digno de apontamento o dia em que forem derrubados, as reacções vão do Qatar ao Irão, onde o líder religioso supremo (falando mal e depressa, o chefe do impagável Ahmadinejad), ayatollah Ali Khamenei, aproveitou para misturar o citado discurso académico com as caricaturas de Maomé, publicadas na Dinamarca, assim incitando a mais ódio contra o Ocidente. A meu ver, tal instrumentalização só pode ter como fim em vista a justificação de regimes que, mesmo quando têm recursos naturais, preferem manter o povo de mão estendida e o menos “globalizado” possível.
Creio mesmo que a substância do discurso de Ratzinger não deveria suscitar grande apreensão: de facto, fé sem razão dá asneira (ligue a televisão…) e, efectivamente, há quadrantes do mundo muçulmano onde a fé tem sido manipulada para justificar a guerra, que tantos inocentes já ceifou, de Israel aos E.U.A., de Madrid a Londres, do Cairo a Bali, e por aí fora…
Acresce que, como escrevi anteriormente, o Islão (parte sonora dele, pelo menos) escolheu envolver-se num jihadismo redutor, que o arredou da cabeça do pelotão do progresso científico, onde foi líder, em séculos (muito) passados.
Poderia Bento XVI ter usado outra citação, que não a de Manuel II, imperador bizantino? Talvez, sobretudo se nos lembrarmos de que o Papa “não nasceu ontem” e de que está familiarizado com a sociedade mediatizada. Porém, se há coisa que temos de bom no Ocidente é o direito ao disparate, com as inerentes consequências em justa proporção, sendo que nem chego a achar que as palavras do Sumo Pontífice tenham sido disparatadas.
Quiçá pudesse ter chegado ao mesmo ponto sem acicatar gente, que bem se sabe que aproveita qualquer justificação para inflamar o ódio, como disse, com a utilização instrumental dos media, a dois níveis: por um lado, sem esforço, apoiando-se na impreparação de muitos jornalistas, já que não só o saber decai de densidade, na universidade de hoje, como os patrões da comunicação social, algumas vezes, preferem contratar barato, em vez de premiar e fidelizar o jornalismo de escola.
Por outro lado, com a noção de que a difusão da mensagem política/social/religiosa é, actualmente, global e instantânea, pelo que, não há volta a dar-lhe: há que medir bem o que se diz, mormente quando se está debaixo dos holofotes. Se até eu, confesso, na modéstia de alguns discursos que fui proferindo, ao longo de anos, percebi que era diferente o modo de expressão (não necessariamente a essência, sublinho) consoante houvesse ou não eco mediático do que havia para afirmar, que dizer de um experientíssimo Bento XVI ?…
Em suma e apesar disso, goste-se ou não de Bento XVI e dos seus discursos, está para vir quem me convença da adequação da fúria islâmica (onde ela se manifesta, já que há um Islão pacífico, que cumpre louvar, e de que é exemplo a comunidade portuguesa). No meio de tudo isto, um dado positivo: ao apelar à moderação das reacções muçulmanas, talvez a Comissão Europeia permita ter esperança de que a União tenha deixado de se envergonhar cada vez que se fala na herança judaico-cristã do projecto europeu. Tal assunção não significa que se enjeitem outras culturas, mas tão somente prestar homenagem a um legado decisivo para o que somos hoje. Wishful thinking?! Talvez…

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Uma candidatura conveniente

Fui daqueles que, em 2000, desejei a eleição de Al Gore como Presidente dos E.U.A. (tendo, inclusive, feito downloads do seu programa eleitoral e dos seus discursos, ainda hoje actuais).
Dada a relevância daquela grande democracia, creio que o mundo seria, nos dias que correm, um lugar melhor para se viver.
Visto o filme/documentário "Uma verdade inconveniente" e os seus constantes apelos à mobilização cívica (na boa tradição anglo-saxónica), escuso-me de analisar a sua relevância, algo que foi e será muito mais bem feito por especialistas da área científica e, por que não, do sector cinematográfico.
O que queria contar-vos é que, em certas passagens biográficas, fica-nos a sensação que não estará de parte (antes pelo contrário) uma recandidatura à Casa Branca.
Seria um momento feliz para o sistema de relações internacionais, digo eu...

O nosso fatum

É assinado hoje o protocolo entre Bruce Bastin e o Ministério da Cultura e a CML que vai trazer para Portugal oito mil registos fonográficos de fado por um milhão e cem mil euros. Apesar de na colecção se encontrarem algumas raridades, a maior parte é constituída por discos vulgares. Mas como em Portugal as coisas se fazem à pressa, assim que o sr. Bastin disse que tinha a colecção o MC comprometeu-se a comprá-la, só depois foram enviadas equipas técnicas...

Sirva de consolo que efectivamente existem algumas peças preciosas que vão tornar a Portugal e que esta compra pode ter um efeito muito positivo no projecto de Candidatura do Fado à Convenção para a Salvaguarda do Património Imaterial da Humanidade (UNESCO).

O espólio vai ficar no Museu da Música, mas vai ser estudado e catalogado pelo Museu do Fado.

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Juntaram-se os três à esquina

Realiza-se, hoje, em Brasília, um encontro entre os Presidentes do Brasil e da África do Sul, e o Primeiro-Ministro da Índia.
À partida, parece algo banal mencionar a cimeira, que visa dar força e relevância económica a uma aliança que formaram, há três anos.
Contudo, pondo os óculos de leitura política, vários são os factos que, topicamente, podemos apontar:
  • Trata-se de três potências emergentes do mundo actual, com relevância só suplantada - para além dos crónicos E.U.A., U.E. e Japão - pela China e pela Rússia, a meu ver.
  • São países que reivindicam um lugar permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (para horror da Argentina e do Paquistão, por exemplo). Não digo que sejam os candidatos ideais, mas, de facto, fica por perceber, hoje em dia, a hegemonia das potências vencedoras da II Guerra Mundial naquele clube de elite.
  • Eis mais um eixo que se forma para contornar a antiga (já lá vão uns séculos) e decrépita supremacia ocidental (EUA & UE, entenda-se), à semelhança do regabofe que se vai instalando no resto da América Latina.
  • Quem achar que isto não é relevante, veja melhor: basta mencionar que se trata de nações riquíssimas em recursos naturais e que, por exemplo, a Índia tem a maior classe média do mundo, está no pelotão da frente de sectores como a electrónica e a informática, domina a língua inglesa e é uma democracia.
  • A África de Sul é líder, no continente africano, só se antevendo novidades adicionais, a breve trecho e por aquelas paragens, da Líbia.
  • O Brasil tem papel preponderante em iniciativas de integração na América do Sul, como o Mercosul, a que preside nesta altura.
  • É uma pena que não se lhe atribua, de uma vez por todas, a liderança de facto da CPLP, o que aumentaria geometricamente a importância da organização e, consequentemente, a nossa força junto da UE, de quem dependemos excessivamente, em meu entender.

Em suma, creio que há muitas dependências a combater em Portugal; a que nos liga quase exclusivamente à União Europeia é mais uma.

Não me entendam mal: a União Europeia foi a salvação de Portugal, que sem ela seria uma outra Albânia. Porém, fomos do oito do pós 25 de Abril ao oitenta "euro-histérico" de muita da actual (falta de) classe política.

Estou em crer que ainda seriamos mais escutados na União, se diversificássemos os nossos pólos geopolíticos.

Não ver boi disto

Cá para mim, o "Engenheiro do penta" não tem unhas para semelhante guitarra...

Fica o aviso do "lodo" à nação benfiquista.

Já ouviram falar da Pateira?


A Pateira de Fermentelos (concelho de Águeda) é simplesmente a maior lagoa natural da Península Ibérica. Carinhosamente conhecida como a «Lagoa Adormecida», a Pateira tem uma vasta riqueza de fauna e flora. Até agora parece tudo bem, mas esta pérola da natureza há muito que vem perdendo o seu brilho.

Como se não bastassem as sucessivas descargas que durante anos poluíram a Pateira (se é que não continuam a poluir), deparamo-nos agora com a praga dos jacintos que vai matando tudo o que de bom existe na lagoa. Provavelmente desconhecida para grande parte da população portuguesa, a Pateira é contudo conhecida por todos os que passaram pelos sucessivos governos deste país. De facto o actual PM José Sócrates não é excepção, mas de certo já caiu no esquecimento a visita que fez a Fermentelos enquanto Ministro do Ambiente.

Não o censuro, pois com tantos «choques tecnológicos» e «simplex» a memória não dá para tudo. Só espero que a memória do actual Presidente da Câmara de Águeda não esteja tão ocupada, pois parte da sua vitória nas últimas eleições deveu-se à grande promessa eleitoral de encontrar uma solução para a Lagoa Adormecida.

Infelizmente uma Junta de Freguesia como a de Fermentelos sente-se impotente para resolver o problema por si só, pois num país em crise o dinheiro não nasce das árvores e sem apoios não se vai a lado nenhum.

Como fermentelense, e porque a esperança é a última a morrer, quero continuar a acreditar que a Pateira não vai adormecer de vez.

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Mais um chumbo!




Apesar das paixões, dos empenhos e dos discursos, continuamos atrasadíssimos no que toca à educação. Segundo o relatório Education at a Glance 2006, da OCDE, somos o povo que menos tempo passa na escola. Não, não é por aprendermos mais depressa. É que, e. g., da população entre os 25 e os 34 anos só 40% acabaram o ensino secundário!



Temos de acabar com as mudanças anuais de programas, com as alterações sistemáticas dos exames e provas globais e, terminantemente, com o facilitismo que se instalou também nas nossas escolas.


Um país que não pensa é um país que não cresce!

terça-feira, 12 de setembro de 2006

O efeito da crise sobre os saldos

Alertado por um amigo, li o anexo à mensagem de correio electrónico, que visava sublinhar o quão fundo (salvo-seja) já chegou a crise, no nosso País. A notícia é do meu estimadíssimo (a final de contas, já lá vão quase 12 anos de artigos...) Diário "As Beiras", na sua edição de 7 de Setembro:

"Figueira da Foz - Crise obriga prostitutas a fazerem “saldos”
'Quando a crise chega ao prostíbulo, é porque o país está mesmo mal', fala a voz da experiência. As coisas não podiam estar pior, havendo quem já corte nas refeições e faça 'saldos'.Os anúncios publicados nos jornais diários da região são cada vez mais 'picantes' e apelativos. Porém, e não obstante a concorrência estar a diminuir - há cerca de 20 prostitutas na cidade com anúncio nos periódicos -, a clientela é cada vez menos. As representantes da profissão mais antiga do mundo na cidade apontam o dedo à crise económica.'Até ao início deste ano, bastava–me ter o anúncio num jornal. A dada altura, não sabia se havia de atender o telemóvel ou os clientes, tantas eram as solicitações. Agora, tenho anúncios em dois jornais e o telefone toca cada vez menos', conta 'Lara', vamos chamar–lhe assim, prostituta brasileira. E sintetiza: 'Quando a crise chega ao prostíbulo, é porque o país está mesmo mal'."
Rendimento social de inserção?
Subsídio de desemprego?
Programa "Convívio na hora"?
A brincar que o digamos, duas coisas são certas: por um lado, isto está mesmo mau. Por outro lado, para as profissionais em causa só não solução porque continuamos a fingir que a prostituição não existe, tal qual como ainda se faz em relação a muitas vertentes da toxicodependência.

Minaram o Obikwelu

Todos nos recordamos do candidato a candidato Presidente do PSD, Dr. José Alberto Pereira Coelho.
Relativamente à sua demissão de Presidente do Conselho de Administração do Hospital Psiquiátrico do Sobral Cid, em Coimbra, aconselho o artigo de opinião do socialista “europeu” Fausto Correia.

Apanha-bolas resolveu

Em Portugal lembro-me de pelo menos de um caso polémico em que o protagonista era um apanha-bolas e não um qualquer dirigente, comentador, jogador ou árbitro. Se a memória não me falha era um tal de “Bambo” que jogava na União de Leiria e que atirou um apanha-bolas madeirense ao chão visto que este estava a demorar em retribuir-lhe a bola de jogo. Não me recordo do desfecho, mas dizia-se que o tal “Bambo” iria ser suspenso!
Agora no nosso País irmão, relativamente a apanha-bolas, o “forrodobó” é muito mais interessante!
No Grupo 3 da Taça da Federação Paulista de Futebol, num jogo entre o Santacruzense e o Atlético de Sorocaba, após um remate às malhas laterais de um jogador do Santacruzense, o apanha-bolas “matador”, aproveitando o facto de a árbitra (olha o Petit fazer o que fez este fim de semana a uma árbitra, arriscava-se a ser acusado de assédio!), uma senhora com o nome de Sílvia Regina de Oliveira, estar de costas, empurrou a bola para dentro da baliza!
Pasme-se que o árbitro auxiliar, vulgo bandeirinha, validou o golo, induzindo a Sra. Dona Regina em erro!!!
A direcção do Sorocaba, à boa moda do Gil Vicente cá do burgo, promete ir até às últimas instâncias.
A Federação de Futebol do Estado de S. Paulo, diz que legalmente, nada pode fazer porque o golo está registado no relatório oficial entregue pela árbitra no final da partida.
De referir que o jogo acabou empatado a um golo e o Sorocaba perdeu a liderança do campeonato

Olha quem fala também

De Santana Lopes (seguimos, mais uma vez, o DN), ainda sobre pactos, lê-se que "o antigo primeiro-ministro diz que o elogio 'não é só por uma questão de coerência', mas sobretudo porque já esteve no passado empenhado num pacto do mesmo género. 'A 10 de Agosto de 2004 fiz a apresentação de um pacto na Justiça(...)' ".
Voltou...

Triste Manuel...

Que o Ricardo Leite, aqui no "lodo", se interrogue sobre a eventualidade de um bloco central é justo, e é para isso mesmo que serve este blog.
Já que Manuel Alegre, que defraudou milhares de seguidores ao provar que a aventura presidencial foi um dos seus muitos exercícios de narcisismo (veja-se a irrelevância política do seu MIC - Movimento Intervenção e Cidadania), venha vociferar contra essa hipótese, sabe a pouco, sobretudo se nos lembrarmos de que a última vez que ouvimos falar do Deputado foi a propósito de uma reforma recebida (algo de acessório, portanto).
Do Poeta de Águeda diz o DN, na sua edição de hoje, que "desagradado com a insistência de Cavaco Silva em pôr o Governo e o PSD a "fazerem a meias" a reforma da Segurança Social, Alegre dispara: 'Dá a impressão que o Presidente da República está interessado em influenciar a governação através da reconstituição do bloco central por ele inspirado e dirigido'.
Se isto não é a necessidade de fazer uma prova de vida, então mais valia remeter-se ao grau de actividade do MIC: zero!

sábado, 9 de setembro de 2006

«Bloco Central» na Justiça


"O acordo entre o PS e PSD para a Justiça, ontem assinado no Parlamento, prevê que os grupos parlamentares daqueles partidos votem favoravelmente, na generalidade, as iniciativas legislativas relativas à revisão dos Códigos Penal e do Processo Penal."
in O Primeiro de Janeiro
Será o primeiro passo no sentido do BLOCO CENTRAL em 2009?

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Os amigos e as ocasiões






O Ministro dos Negócios Estrangeiros vai, hoje, ao Parlamento, explicar os voos da CIA e da Força Aérea Israelita, que passaram pela base das Lajes.

Vejamos alguns pontos que se me oferecem comentar sobre este assunto:

O que mais me preocupa é saber até que ponto estão a fazer gato-sapato da nossa soberania; isto é, gostaria de apurar se os governos responsáveis pelos aviões que por ali passaram tinham ou não de nos passar cartucho ou se, tendo passado, é uma informação que deve ser mantida confidencial (algo que me parece razoável).


Os media actuais, achando-se mais legitimados do que o poder político, não têm a lealdade de explicar à opinião pública que a política externa e a política de defesa são áreas nas quais o segredo pode, desde que proporcional e excepcional, justificar-se.


Depois, há que optar: ou temos aliados, ou não. A verdade é que, num conflito contra movimentos terroristas que assassinam inocentes, sem qualquer respeito por qualquer princípio de humanidade, e Estados de Direito e democracias como os E.U.A. e Israel, a minha escolha é por estes últimos.


Não me parece que seja atropelo sequer comparável ao dos criminosos da Al Qaeda e do Hezbollah transportar clandestinamente prisioneiros para centros de detenção, onde, mercê da natureza quase incontrolável do fenómeno terrorista, estarão sujeitos a procedimentos menos ortodoxos, mas, ainda assim, muitíssimo mais humanos do que os que os interrogados usaram contra homens, mulheres e crianças inocentes. Como é óbvio, menos ainda me horroriza que se transporte material bélico, seja ele ofenseivo, defensivo, não ofensivo ou qualquer outra palermice que lhe queiram chamar. É para um exército democraticamente supervisionado (veja-se que Israel abriu um inquérito sobre a actuação das suas forças armadas, algo que só deve existir no Hezbollah quando o criminoso não consegue suicidar-se ou matar em número suficiente...) e não para semear o horror entre civis, como as armas que a Síria e o Irão fornecem ao chamado Partido de Deus.


Claro está que um processo como o de Guantanamo só é sustentável enquanto for excepcional, temporário e não envolva tortura ou qualquer outro apoucamento sádico do ser humano. Ainda assim, se estiver em causa salvar "n" vidas inocentes, concedo que há que admitir alguma latitude no "diálogo". Mesmo aqui, repare-se que os E.U.A. ordenaram, de imediato, inquéritos aos infames casos da prisão de Abu Grhaib, no Iraque.


Por mim, face à barbárie de certos canalhas, do Médio Oriente à Chechénia, não hesito em tomar partido.


Como não nascemos ontem, recomenda-se atenção para o previsível e apalhaçado comportamento de alguns deputados, como os do Bloco de Esquerda...

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Low Profile

Paul Cézanne (Colecção Rau)
Apesar de vivermos na era mediática ainda há quem escolha ser low profile.

É o caso de Gustav Rau, o jovem de Estugarda que além de médico foi filantropo e colecionador de obras de arte. Quando em 1970 Rau herda a fortuna do pai decide dar-lhe um destino pouco habitual: constrói um hospital em Bukavu, no Congo, onde fica a exercer medicina e passa a deslocar-se à Europa ou a New York duas vezes por ano para comprar obras de arte. Sempre discreto, poucas histórias há a contar sobre ele. Mesmo assim, em pouco mais de 30 anos adquiriu cerca de 800 peças entre pintura, escultura e mobiliário.

Quando morreu, em 2002, não deixou nenhuma fundação para perpetuar o seu nome, mas ofereceu toda a colecção à UNICEF alemã com algumas condições:
  • Devia ser feita uma selecção das peças para serem mostradas em todo o mundo
  • Ao fim de 25 anos a UNICEF alemã poderá vender a colecção, no seu todo ou em partes, para financiar o seu trabalho de assistência humanitária.

É esta selecção, cerca de 100 peças de pintura, que está à nossa disposição nas Janelas Verdes até 17 deste mês. E a colecção não desilude. Nâo tanto pelos grandes artistas: Fra Angélico, El Greco, Canaletto, Monet, Manet, Renoir, Cézanne, Degas como pela amabilidade que perpassa pela colecção. Amabilidade que espelha certamente o coração do homem que a reuniu.

The show must go on

Faria hoje 60 anos a mais notável voz da história do rock.
A opinião é pessoalíssima, mas creio que todos me acompanharão no reconhecimento de que Freddie Mercury era um cantor e uma personalidade impar.
Desde a amplitude da sua voz, às melodias que criou a solo e para os Queen, passando pela sua inegável cultura artística, e terminando no modo deliberadamente louco como decidiu viver (e deixar de viver, acrescento), recordamo-nos de uma série de pormenores que, ainda hoje, nos levam a comprar com gosto um qualquer disco com a sua voz, a menos que, como eu, já tenhamos todos na colecção...

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Fala quem sabe

Da "globoesfericamente" famosa Universidade de Verão do PSD retive, entre outras coisas, a interessante palestra de Miguel Monjardino que, como era de esperar, incidiu muito sobre o estado de coisas no Médio Oriente. Citando de cor e sem o mesmo engenho, há pontos que me parecem de ponderar:
  • ocorre, no Médio Oriente, a transição para líderes que exacerbam os sentimentos religiosos e que cada vez mais se comportarão como Ahmadinejad.
  • a religião será ponto determinante no choque de perspectivas (de civilizações, segundo Huntington), como provam, a contrario, os fracassos dos regimes laicos de base muçulmana (acrescento eu, a propósito, que a União Europeia devia gerir com pinças e urgência os casos da Bósnia-Herzegovina, da Albânia e da Turquia).
  • o Líbano, sendo um caso claro de actuação procuração de milícias extremistas, não terá paz a breve trecho, ficando por perceber os custos que as opiniões públicas europeias aceitam pagar (poucos, digo eu) por um protagonismo diplomático não muito lógico, na óptica muitos eleitores. Lembre-se ainda que o ocaso da influência predominante da geopolítica europeia se deu, em meados do século XX, não muito longe, no Canal de Suez.
  • o Irão e, sobretudo, o Paquistão (a chave do que se passa no Afeganistão, por exemplo) são os grandes problemas, no imediato. A lembrar que o segundo já tem armas nucleares e tem muito mais instabilidade interna do que a antiga Pérsia.
  • os Estados islâmicos (para evitar reportar-me à própria civilização), nas últimas décadas, não produziram uma só inovação (científica, cultural ou outra) de relevo para o futuro da humanidade. Relembro que, no passado, das partidas muçulmanas do globo vieram incontáveis avanços.
  • o Médio Oriente vai dar-nos muitas e grandes dores de cabeça, nos anos vindouros.

Se bem sumariei e adornei, há sempre que destacar os actores sociais que realmente acrescentam à nossa capacidade de perspectiva ou, pelo menos, de prospectiva. Miguel Monjardino é um desses casos; oxalá alguma força política consiga persuadi-lo a emprestar o seu saber à administração da res publica.

Com a endogamia partidária actual, confesso-me céptico.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Quem ri por último

Termina, amanhã, a saga de "O Independente", cujas páginas fui seguindo, mesmo quando repudiava o jornalismo que por lá se fazia.

Foi, que me lembre, o primeiro projecto português a adoptar um estilo de denúncia e uma linha editorial agressiva, com uns toques (e uns tiques) de Libération.
Às suas mãos foram cruxificados, por exemplo, Cavaco Silva, Miguel Cadilhe e Leonor Beleza (que foi alvo da mais infame e cruel campanha pessoal que vi, em vários anos de atenção à vida política). Neste último caso, sou testemunha da superioridade ética de quem, a bem do País e do seu (nosso) PSD, soube afastar ressentimentos e conviver, na mesma maioria, com a alma mater do atentado pessoal e político de que foi alvo (talvez uma das únicas vezes na vida em que concordei com Mário Soares, que saiu em sua defesa), para além, como é óbvio, do currículo invejável, que deveria nortear muito aspirante a político.
Se, por vezes, se leram bons textos e se soltaram alguns risos com o Indy, globalmente não ficam saudades.
Nota do Autor: fotografia "fanada" em "Entre Mares e Planuras".

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Quo Vadis JSD is back!

Após uma longa ausência, o Quo Vadis JSD está de volta!

O artigo da reentré: Partidodependência

Seringadas

Hoje discute-se a troca autorizada de seringas nas prisões portuguesas. Os ministros da Saúde, da Justiça e dos Assuntos Parlamentares tiraram o dia para decidir se devem transformar ou não os estabelecimentos prisionais em mega salas de chuto. Eu pergunto: e dedicarem-se a eliminar a droga das prisões, não?

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Well done

Boa escolha, o tema abordado por Marques Mendes no regresso á arena política, após a época de banhos. A forma é que continua a ser pouco cativante, como já aqui anteriormente escrevi. Mas relativamente a isso, um dia destes voltaremos…
Todos sabemos que a economia Portuguesa é constituída essencialmente por PME’s, que asseguram uma enorme fatia do emprego em Portugal.
Ao que parece, Mendes está ciente da sua (PME’s) crucial importância para o desenvolvimento económico do País e que não pode haver política de emprego, sem a criação de um clima favorável para as PME’s.
Parece-me que entrámos a jogar bem. Vamos ver é se os resultados aparecem!

Hot town, summer in the city

Vai quente a polémica sobre a Universidade de Verão do PSD (já foi da JSD, já...) no blog do meu amigo Luís Cirilo...

AIDS 2006 - Time to Deliver


Depois de ter participado no XVI Congresso Internacional sobre SIDA na cidade de Toronto, Canadá, nos passados dias 13 a 18 de Agosto, fiquei com um misto de sentimentos: entre a esperança e a apreensão.
O VIH e Síndrome de Imunodeficiência Adquirida afectam actualmente cerca de (pelo menos!) 40 milhões de pessoas em todo o mundo... Logo, é um problema que continua actual e a exigir uma atenção especial de todos os quadrantes da sociedade global: económica, científica, política, social, religiosa, etc…

Dito isto, passo a transmitir-vos algumas das ideias que trago de Toronto:
- Fundações como as dos Multimilionários Bill e Melinda Gates ou do Ex-Presidente Americano Bill Clinton têm-se mostrado como importantes catalizadores da investigação científica… o que tem como contraface o facto de a comunidade científica ficar refém da prioridades estratégicas de multimilionários e ex-políticos…
- Em termos terapêuticos, ficou comprovado que a esperança da terapêutica quádrupla não traz qualquer vantagem comparativamente com o esquema terapêutico triplo actualmente considerado como mais eficaz (Highly Active Anti-Retroviral Therapy - HAART).
- Ainda tem de haver longo debate sobre questões como a confidencialidade do estado clínico e os testes diagnósticos de execução rápida…
- Os esforços mundiais para assegurar o acesso universal e gratuito à terapêutica HAART tem alcançado impressionantes resultados; isto apesar de nos Estados Unidos da América ainda haver 9 estados que ainda não aprovaram a distribuição gratuita desta terapêutica aos doentes (!!!). Para efeitos comparativos: em Portugal a distribuição é universal e gratuita.
- Sem detrimento do ponto anterior, verifica-se que a distribuição universal da terapêutica anti-retroviral é inútil sem que sejam tomadas medidas sérias no campo da prevenção. Deixo-vos uma nota para reflexão: Por cada doente ao qual conseguimos que chegue a terapêutica anti-retrovial, 10 pessoas são infectadas com o VIH.
- No campo da prevenção, este congresso reforçou algumas ideias antigas mas também nos sensibilizou para novos conceitos e esperanças:
-- A regra do ABC (A – Abstinence, B – Be faithful, C – Use condoms) é importante mas claramente insuficiente, sobretudo porque depende do parceiro, e não apenas da pessoa em causa. Para além do mais, há países no mundo onde a mulher não tem direitos e é obrigada a seguir uma vida com comportamentos de risco – logo o ABC não é uma opção. No entanto, há um consenso: Preservativos salvam vidas. Ponto.
-- A troca de seringas e as salas de injecção assistida para toxicodependentes (vulgarizadas como “salas de chuto”) têm-se revelado, segundo os estudos apresentados, como um meio eficaz para minorar a transmissão do vírus e para aproximar os toxicodependentes aos profissionais de saúde e, consequentemente, aos programas de reabilitação. No entanto, foram transmitidos alguns problemas, sobretudo relacionados com a localização destas salas, e a tendência para criar nichos muito localizados ao invés de se planear e executar estratégias numa escala global. O debate deve prosseguir…
-- A esperada “vacina” continua longe de ser uma realidade mas alguns avanços foram conquistados… neste aspecto, aguardam-se novidades em breve tendo em conta a aposta da Fundação William J. Clinton nesta matéria…
-- Por fim, a Fundação Bill and Melinda Gates, através de uma doação de 500 milhões de US dólares devem assegurar a conclusão dos estudos, já em estadios avançados (e com resultados promissores!), sobre os Microbicidas (creme ou gel de aplicação tópica a nível da vagina e que poderá bloquear a transmissão do vírus). “Empowerment” da mulher… algo que nunca antes foi possível! Aguardamos, esperançosos, novidades. A confirmar-se a eficácia dos microbicidas, o caminho será o de juntar em mecanismos de prevenção únicos, tecnologias que assegurem o bloqueio à transmissão não só do HIV mas também outras DST.

Agora, resta-nos aplicar os novos conhecimentos, ficarmos atentos às novidades que devem surgir em breve e continuar a trabalhar em prol de um mundo saudável e livre deste terrível flagelo que já nos roubou milhões de vidas humanas ao longo dos últimos 25 anos…

Par de bandarilhas

Há dois dias, vi uma reportagem televisiva em que se apurava que o interesse dos não autóctones pelas festas de Barrancos diminuira abrubtamente, desde a legalização das lides com touros de morte (com visível gáudio dos barranquenhos, assim devolvidos à sua intimidade).
É inegável que o nosso povo tem incontáveis virtudes. Porém, também não fique aquém da verdade dizer-se que entre os nossos mais tremendos defeitos se contam a inveja e o voyeurismo.
Neste caso, comprova-se que os milhares de pessoas que se deslocavam a Barrancos e que acabavam por fazer pouca da lei e da Guarda Nacional Republicana, bem vistas as coisas, faziam-no com o comprazimento de quem viola uma lei impunemente e de quem desfruta de prazeres proibidos.

Em rigor, quase ninguém se deslocava ao Alentejo por afeição a um modo de toureio vetado, em Portugal.
Porquê este gosto pelo contornar da lei (como neste caso), pela desgraça alheia, pelo cobiçar do que não se tem?!
Veremos os dados finais das festas, mas não me custa acreditar que os vaticínios estejam correctos.

Ainda na silly season


As surpresas podem vir de qualquer lado, mesmo do soberbo e funcional motor de busca de cinema da Super Bock, o "Cinematron".
Efectivamente, e sem mais, o "lodo" deixa-vos com a ficha e a sinopse do último filme com Jackie Chan, actualmente em exibição:

"Título original: San wa
Realização: Tong Stanley
Com: Hee-seon Kim, Jackie Chan, Leung Tony
Argumento: Tong Stanley
Género: Acção/Aventura
Classificação: 12 anos
País: China
Duração: 118 min
Ano: 2005

Sinopse:
Jackie Chan é Jack, um arqueólogo e jornalista contemporâneo que investiga um mito àcerca de um antigo imperador que tinha a capacidade de levitar. Mas é também um personagem um general de outros tempos, sempre leal ao imperador apesar de apixonado por uma das suas concubinas..."
Portanto, Jackie Chan está o quê?!
Nota do Autor: aproveite, pois em Setembro acaba a palermice...

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Alta voltagem

Sem querer ser herege, bem sei que o Pai era carpinteiro, mas afixar este dístico sobre Jesus no quadro eléctrico de um restaurante, parece excessivo.
Em todo o caso, fica a dica...

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Deve ser do calor...

Há dias, quando todos os partidos com assento parlamentar à excepção do PSD reagiram, no próprio dia da reunião com o Governo, à hipótese do envio de forças militares portuguesas, pensei que o facto do meu partido não se pronunciar de imediato se devia à ponderação de uma exposição especialmente filigranada em homenagem ao melindre envolvido e ao facto de ser uma área de Estado, na qual o consenso entre os dois maiores partidos tem sido regra.
Sou dos que entende (já o escrevi) que a pressão dos media para obter reacções imediatas é um dos factores de erosão da qualidade da política ocidental.
Todavia, ontem à noite, escutando um noticiário radiofónico, apercebi-me de que em relação ao Plano Nacional contra a Droga e as Toxicodependências o mesmo voltou a verificar-se: CDS, BE e PCP teceram os primeiros considerandos sobre a matéria (e o "lodo" também lá chegará) e não havia sido possível contactar pessoa alguma do PSD, o que, para quem esteja familiarizado com o jargão político, quer dizer que. quiçá porque há muita gente de férias (o que é justo, embora sublinhe que nos outros partidos há gente de turno), não houve uma alma social-democrata que se prestasse a dizer algo sobre um tema que considero fulcral, na área social.
Ora, se reagira na hora pode ser nefasto, não perceber que os media aceleraram o tempo político é perigoso.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Reserva da nação




Gonçalo Capitão está mesmo no banco...

Inverno na Universidade de Verão

Li com a religiosidade do costume o blog do meu querido amigo Luís Cirilo, tendo deparado com um post sobre a Universidade de Verão que, por empenho passado, me despertou a atenção.
Com as devidas adaptações, reproduzo no "Lodo" o que por lá jardinei, começando por lembrar que a primeira UV (que era, efectivamente, da JSD) foi no tempo do Jorge Moreira da Silva, tendo a iniciativa seguido com as presidências do Pedro Duarte.
Na altura era uma actividade de "jotas" para "jotas" e servia para formar quadros que, depois, eram chamados a ajudar, fosse na revisão do Projecto Político para a Juventude Portuguesa (PPJP), fosse nas várias equipas de formação da JSD, fosse ainda na constituição futuros elencos dirigentes. Era, no fundo, uma espécie de "cantera" ou academia.
Apesar de a organização ser exclusivamente da JSD - e, por isso, não havia dinheiro para a duração actual - não deixaram de estar presentes personalidades como Marcelo Rebelo de Sousa, Freitas do Amaral, Lucas Pires, Santana Lopes, António Capucho, Luís Marques Mendes, Luís Filipe Menezes, Pedro Roseta, Paulo Portas, Pedro Passos Coelho, os, então, embaixadores dos E.U.A. e da Croácia, um conselheiro da embaixada da Rússia, entre tantas outras estrelas.
A meu ver, o Jorge Nuno Sá, enquanto presidente, entre outros, cometeu o erro magno de alienar uma das mais vistosas bandeiras da JSD ao PSD, que sempre se vira "obrigado" a ajudar uma iniciativa que já tinha "marca", mesmo que a não dominava (sempre vi a autonomia da "Jota" como um fim em si e o melhor contributo possível para o Partido).
Depois do "take-over", o que se passou é normal (também o sei, porque ajudei nas duas primeiras e não excluo auxiliar na próxima UV, a quarta), vendo o PSD a oportunidade de se libertar do anacrónico modelo dos comícios, para marcar o regresso de férias.
Em linguagem de futebol, diria que, já que o Jorge Nuno vendeu o passe, então ainda bem que o Carlos Coelho é o titular, já que é uma espécie de Petit a organizar.
Os tempos mudam e a actual direcção da JSD sabe melhor do que eu as novas bandeiras a inventar, mas algo há em que não há volta a dar: a Universidade de Verão é, hoje, uma actividade do PSD, por muito que os laços afectivos do Carlos Coelho o levem a envolver a sua estrutura juvenil na organização, conferindo-lhe grande latitude de opinião.
Não sendo necessariamente pior, é e será diferente.

Quem o Cadir?!

A maior parte dos nossos amigos, com toda a certeza, já esqueceu o quanto se massacrou Durão Barroso, por ter como amigos um magnata português e outro grego.
Se esqueceu fez muito bem, pois em ambos os casos presenciámos exercícios demagógicos bem ao gosto das esquerdas portuguesa e europeia...
Porém, ontem, quando deambulava por uma rua de Lisboa, deparei com o estabelecimento acima ilustrado e logo me veio à ideia a hipótese de, à falta de melhor atoarda, o Bloco de Esquerda propor uma comissão de inquérito para descobrir quem é o Cadir....

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Não há loja que resista

O número de grandes superfícies, e citando aqui o exemplo de Coimbra que é donde tenho maior conhecimento, teve um crescimento significativo no presente ano. Até compreendo alguns dos críticos, quando dizem que se está a estragar o comércio, embora convém referir que as causas, ao que me parece, não se limitam ao erguer de mais muros comerciais.
Os centros comerciais mais antigos, grandes críticos, em vez de lutar contra o Dolce Vita ou Forúm, preferem ter horários de baixa e feriados condizentes com os da função pública. A inovação que se pede e é necessária ao ramo está estagnada, o sentimento de derrota está patente nas montras e a hora de fecho é a mesma que o terminus do horário de laboração normal.
Não se pense que sou alheio aos argumentos e inconsciente das dificuldades. Estou antes, a fazer uma chamada de atenção. Com a forte concorrência, e praticando horários de baixa (a título de exemplo: cerca de 80% das lojas do Girasolum estão fechadas, pós jantar!), só restam as críticas à edilidade!
Seguramente que o cerne do problema não é apenas o horário de abertura e fecho, mas os comerciantes podiam dar o exemplo.
Os comerciantes desses centros ou os seus acérrimos defensores, poderão dizer que não vale a pena ter as portas abertas até tarde, que financeiramente, não compensa! Parece-me errado. O abrir de portas, não só transmite uma imagem positiva, como aumenta os níveis confiança junto do consumidor da loja e posteriormente, do próprio centro comercial.
Ou muito me engano, ou nesse ramo, e por uma questão de sobrevivência, as atitudes devem ser tomadas em conjunto e não em separado, o que equivale dizer: se forem apenas dois ou três a dar o exemplo, fica tudo, ou quase tudo na mesma!
E por aqui me fico, para não dizerem que sou um tipo insensível…

Curiosidade

A 12 de Agosto de 1981, a IBM lançou o seu primeiro computador pessoal, o IBM 5150.

Antes:
16 KB de memória; Disquete de sistema operativo (DOS); Placa gráfica a 16 cores; até duas drives de disquetes de 5 ¼”, com 160 KB de capacidade; preço: 1565 a 6300 dólares.

Agora:
Cem mil vezes mais rápidos; fazem numa hora operações que demorariam 12 a 15 anos; custo dos mais baratos: 299 a 890 dólares!

Portugal:
43% dos agregados familiares têm PC.

Previsão:
Dentro de 10 anos, a velocidade será cem vezes superior à actual!

Projecção:
1300 milhões de unidades serão vendidas entre 2006 e 2010!

Sem comentários

A edição de hoje d' A BOLA dá-nos mais uma magnífica e liberal novidade sobre o nosso atletismo:

"Patrícia Mamona com recorde nos Mundiais de juniores
A portuguesa Patrícia Mamona estabeleceu, esta quinta-feira, novo recorde nacional júnior e sub-23 do triplo-salto, ao registar 13,37 metros na final da especialidade dos Campeonatos do Mundo de atletismo, a decorrer em Pequim.

A marca, contudo, valeu apenas à atleta do JOMA o quarto posto na final, a pouco mais de 60 centímetros do último lugar do pódio.A estónia Kaire Leibak conquistou a medalha de ouro, com 14,43 metros, melhor marca mundial júnior do ano, a chinesa Li Sha a de prata e a ucraniana Liliya Kulyk ficou, então, com a de bronze, registando 14,01 metros".
Abençoada menina, diz o "Lodo"...

Paradoxos II

Por vezes dou comigo receoso por estar a desenvolver matizes hobbesianos (refiro-me ao "Leviatã" de Thomas Hobbes e à noção de que há que moderar o "homem lobo do homem"), sobretudo quando, de tempos a tempos, desconfio da eficácia "ressocializadora" da nossa filosofia criminal/penal.

Sou, por isso, adepto do endurecimento das penas, com um reforço da componente ético-retributiva que acompanhe o declínio de valores do mundo ocidental; não tanto com o espírito da Lei de Talião (leia-se, "olho por olho, dente por dente"), mas mais com o espírito de que se não vai a bem, vai a mal...
Contudo, tendo tido responsabilidades políticas e formação jurídica, creio que nunca esta maneira de visionar a ordem pública e a justiça deve ser desenvolvida no calor das situações concretas, sob pena de redundar em miserável populismo.
Ora, não sei por estar acossado pelos cadeados que lhe vêm de Portas e dos trincos que o seguem (muitos dos quais meus amigos, sublinho), Ribeiro e Castro, homem que até tenho por ponderado, veio, no meio do braseiro dos incêndios, propor o agravamento da moldura penal para os incendiários, assim aferrolhando um debate sobre o tema, que devia ser saudável.
Em abstracto até nem me choca a ideia: creio que a punição dos delitos deve acompanhar a valoração social dos mesmos.
Ainda estou mais certo de que a maioria dos portugueses que escutaram o premier popular aplaudiram a aspersão de gasolina no fogo, bem ao jeito da frase que se ouve repetidas vezes: "era apanhá-los, atá-los a uma árvore e deixá-los arder"...
O paradoxo é que Ribeiro e Castro foi eleito com críticas ao estilo de Portas (que, ainda assim, não me lembro de ter ido tão longe) e agora resvala para o mais desbagrado populismo, pedindo sangue no meio de uma hemorragia.
Fotografia surripiada no sítio da CONFAGRI, sendo da autoria de Manuel Vieira (parabéns do "lodo").

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Paradoxos I

Muito me entreteve ver, a propósito das chamadas quotas de mulheres nas listas, algumas forças de esquerda e algumas feministas a empunharem as bandeiras da defesa da dignidade da mulher - algo que, a meu ver, só sai diminuído com as ditas quotas, como veremos.

Propalar exemplos do bom resultado que deram no Norte da Europa e esquecer que somos um País latino é autismo de mau gosto. Porém, cá estaremos para ver que tipo de pessoas ocupará as quotas e qual será a próxima alegada minoria a reclamar igual guarida.

Todavia, o alvo deste post é outro: acompanhei com interesse as últimas etapas da Volta a Portugal e pude verificar que se mantém o hábito dos vencedores (da etapa, do prémio disto, do prémio daquilo...) serem beijocados por duas beldades escolhidas a preceito.

Sendo que me parece algo de inofensivo, os defensores de quotas, se querem ser coerentes (duvido que queiram, em muitos casos, mais do que serem populistas ou "popularuchos"), têm duas saídas: ou defendem que também há que ter homens a beijar os ciclistas (irra!!!), ou devem revoltar-se com o uso absolutamente instrumentalizador que é feito da imagem física das jovens contratadas para o dito ósculo.

E, já agora, por que não uma cruzada contra a maioria da publicidade, que se limita a atiçar a cupidez?! Talvez porque não dê votos na respectiva "quinta"...
A fotografia foi gentilmente "fanada" ao Correio da Manhã e é de Paulo Cunha da Lusa. Bela fotografia, by the way...

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

SAP - Serviço de Atentimento "P'ró Povo"

O ministro da Saúde, Correia Campos, afirmou em entrevista ao Jornal de Notícias deste domingo que: «nunca vou a um SAP, nem nunca irei!». Responsável pela saúde diz que vai antes à urgência do hospital.

Questionado sobre o que faria se tivesse um problema de saúde durante a noite o ministro respondeu: «Vou directo à urgência do hospital ou a uma urgência qualificada como tal. Nunca vou a SAP, nem nunca irei!» e explica porquê: «Porque não têm condições de qualidade. Têm um médico e um enfermeiro e conferem uma falsa sensação de segurança. Nenhum deles devia funcionar assim!».

Será que podemos recorrer aos serviços de «outro» Ministério da Saúde? É que este vai dando uma falsa sensação de segurança... e nenhum Ministério devia funcionar assim!

Razões por que houve Páscoa mais cedo

Volto atrás no tempo, para comentar brevemente o desenlace das eleições concelhias do PSD de Coimbra, que terminaram, como aliás previra, subliminarmente, aqui no "lodo", com a vitória de Carlos Páscoa.
Sobre o caso há a dizer que o novel presidente tem capacidades e currículo para o cargo, sendo de destacar a coragem com que abraça os reptos: primeiro, uma estóica batalha autárquica contra um edil que trocara o PSD pelo PS, em Soure. Depois, a ida a votos para a concelhia de Coimbra.
Nesta sua mais recente decisão houve quem estranhasse o facto de trocar Soure por Coimbra e o acusasse de estar a fazer um “frete” ao mayor de Coimbra que, assim, cobria com ouro (o da vitória) a ousadia de Prata (Horácio Pina…). A verdade é que Páscoa arriscou e ficou mesmo com as amêndoas, sendo isso que fica para a história.
Porém, não nos iludamos: como dissera neste blog, e como relembrou o co-autor Ricardo Cândido, até então, só Tolkien vencera o “Senhor dos Anéis”, querendo com isto dizer que, por muito que houvesse sido dito entre portas, Carlos Encarnação não permitiria que o PSD de Coimbra vogasse longe do seu radar. O xadrez partidário é mesmo assim, e o nosso mayor, homem culto que é, leu Richelieu, até nas entrelinhas.
Dirão que é má língua da minha parte, mas aposto 10 contra 1 como a aparição (mais do que legítima e natural, sublinho) na lista, como nº2 (creio) de Páscoa, de um militante de seu nome Nuno Encarnação está longíssimo de ser coincidência. Todavia, a verdade também é só uma: candeia que vai à frente alumia duas vezes, e Páscoa tem a liderança, pelo menos, por dois anos.
Já Pina Prata, a meu ver, perde, em larga medida, por culpa própria. Desde logo, por ter feito do consenso um fim em si. Fundamental, nestas andanças, é ter ideias claras sobre o rumo a seguir e as causas a abraçar, e lutar por elas como se fosse o último combate de uma vida.

Quando, ao invés, se procura timoratamente não agitar as águas, o mais provável, sempre que se não detêm os tais anéis (o centro do poder político é sempre a autarquia, quando as colorações partidárias coincidem; nem é preciso estudar em Coimbra para saber isto…), é o naufrágio. Quem é Vice-Presidente da Câmara ou pede licença e aceita o ascendente ou, por muitas e delicadas vénias que receba, provavelmente, verá que o “império contra-ataca”…

Quando Horácio Pina Prata., alguém com quem se simpatiza facilmente, decidiu avançar e se propôs um projecto autónomo teria ganho mais em assumir a ruptura, cativando novas simpatias e gerando novas ideias, do que seguir a ancestral política dos paninhos quentes.

Acrescento ainda que, na era da imagem e da comunicação, até na propaganda enviada aos militantes, Páscoa foi, de longe, mais feliz.

Este é um resultado facílimo de explicar, sendo que quem quiser arrebatar o ceptro, em 2008 (véspera de eleições legislativas e autárquicas, anote-se) terá muito que fazer (quer no domínio ideológico, quer no domínio da filiação), pois Carlos Páscoa não despertará jamais o capital de antipatia e de anonimato de quem o antecedeu, já que é outro o seu modus faciendi.

Correndo o risco de me repetir, não obstante, sublinho que, a mais da pascal presidência, há hossanas a cantar à sabedoria antiga que continua a dar cartas, na Praça 8 de Maio.

Para vencer o “Senhor dos Anéis” ainda e só Tolkien, por ora…
Nota do Autor: esta do "Senhor dos Anéis" é só para entendedores, alerto.

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Parabéns!!! Já lá vão 10 anos...

"Gentleman, Goldfrapp, The Prodigy, Daft Punk, Zero 7, Afrika Bambaataa, Seu Jorge, Los de Abajo, Marcelo D2, Madness e Macaco são alguns dos nomes confirmados na 10.ª edição do Festival do Sudoeste. Em ano de festas as expectativas são as melhores."
in O Primeiro de Janeiro

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Boas notícias


Não falo pelo lado pessoal, pois não devemos regozijar-nos com o sofrimento de qualquer ser humano, por muito facínora que seja.
Todavia, este primeiro aperitivo de uma Cuba pós-Fidel dá esperança a uma população - a que não teve a sorte de desembarcar em Miami - que tem sido vítima de uma anacrónica e miserável experiência comunista, com contornos de devaneio pessoal e de narcisismo.
Não se enganem os cultores da aura pseudo-romântica do comparsa de Che: depois dele, o regime não durará muito...
O que também pode pensar-se é um meio de evitar que a "nova" Havana venha a ser o recreio (reparem no eufemismo...) americano, que era com Fulgêncio Baptista, ainda que, uma vez abertas as comportas da liberdade, sejam de esperar tempos de excesso.
Nota final para repara a condescendência com que os media continuam a tratar o tirano. A mesma que não tiveram para com Pinochet...
Em todo o caso, mesmo quando não imparciais, são boas notícias.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Porque há quem apenas leia as conclusões...


Enquanto Deputado da Assembleia Metropolitana de Lisboa, concordo em absoluto com o conteúdo exposto no Parecer elaborado e votado por este órgão sobre o Programa Nacional de Política de Ordenamento do Território (PNOT). Destaco os motivos da minha concordância, apresentando para esse efeito alguns excertos do referido parecer:
- Os prazos de discussão pública definidos pelo Governo são claramente insatisfatórios caso haja verdadeiro interesse num debate participado em torno de um dos mais importantes documentos estratégicos nacionais, que deverá definir a visão para o futuro de Portugal a 20 anos.
- Os compromissos assumidos no PNPOT não são claros e o Governo baralhou políticas instrumentais com política estratégicas, o que acontece pois o plano carece de uma linha de rumo nitidamente definida.
- Não são evidentes as medidas de instrumentalização do Programa (PNPOT), ou seja, desconhece-se como é que o Governo pretende aplicar as medidas propostas no terreno.
- Não são identificados os meios de financiamento que irão assegurar a implementação do PNPOT! Nem uma mera perspectiva económico-financeira é apresentada pelo Governo.
- Desconhece-se em absoluto o papel que irão ter os Municípios, as Juntas Metropolitanas e demais estruturas de âmbito local ou regional.
- O Governo não define a evolução do mapa administrativo regional nem o seu futuro modelo de gestão.
- O Governo ignora o posicionamento de Portugal numa perspectiva Ibérica e Europeia.
- O Governo ignora a vocação Atlântica de Portugal no mundo globalizado.
- O Governo ignorou, na elaboração do PNPOT, a Estratégia Europeia de Protecção do Solo e as recomendações da Agenda 21.
- O Governo pouco ou nada inova ao tentar definir um novo mapa de Portugal, limitando-se a aceitar o actual modelo perspectivando-se assim um ainda maior agravamento das assimetrias políticas, económicas e sociais entre as diferentes regiões do nosso País.
- O Governo ignorou por completo a reivindicação dos Municípios da Grande Área Metropolitana de Lisboa de se criar, de uma vez por todas, uma Autoridade Metropolitana de Transportes.
- Por fim, como causa ou consequência desta enorme confusão de medidas e propostas apresentadas no PNPOT, o Governo foi incapaz de hierarquizar as medidas ou sequer definir o que pretende para o nosso País depois de 2013!
No entanto, apesar da minha concordância com o conteúdo do parecer aprovado pela AML, abstive-me no momento da votação (ao contrário dos restantes deputados, tendo estes votado todos favoravelmente) pois considero que as considerações finais do documento aprovado são incoerentes com o que atrás referi. Não posso aceitar que, como vem referido nas considerações finais, "o elenco de objectivos, medidas e directrizes para os instrumentos de gestão territorial é globalmente aceitável."! O Plano Nacional de Política de Ordenamento do Território tem de ser todo ele revisto e as medidas de instrumentalização e de financiamento francamente definidos. O Governo tem ainda obrigação de definir qual a sua visão para Portugal para além de 2013 e definir uma estratégia que assegure o crescimento e desenvolvimento sustentável do nosso País na Europa e no Mundo.
O Plano apresentado pelo Governo do PM Sócrates não serve. Disso, estamos todos de acordo.

O Farol orienta o regresso a casa...

Farol de Santa Marta, Cascais

domingo, 23 de julho de 2006

Vá-se lá entender…

Opiniões divergentes são o que mais há, aqui no burgo lusitano!

A Associação de Municípios considera “indispensável” a presença de autarcas na administração de empresas municipais, enquanto que o Governo não quer acumulação de funções.
A discussão parece condenada a considerações baseadas em vontades imediatas dos autarcas por um lado, e do outro a busca e promoção (esta é daquelas posições que aumentam o share!) da transparência dos agentes políticos, com patrocínio governamental.

Veremos nos próximos tempos qual o sumo a ser espremido, num tema que, urge discutir...

quarta-feira, 19 de julho de 2006

Bem me pareceu

"A onda de calor que terminou segunda-feira foi a maior dos últimos 65 anos em Portugal, pela sua extensão espacial e temporal, informou hoje o Instituto de Meteorologia."


Não andei por cá nos últimos 65 anos para aferir a veracidade! Mas pelo menos nos últimos 28, nunca vi nada assim. Já irritava!!!

Nota: foto fanada à lusa.

sábado, 15 de julho de 2006

Páscoa de ouro

“Um boletim de voto tem mais força que um tiro de espingarda”

Abraham Lincoln


Até hoje, continua a ser só Tolkien a vencer “o Senhor dos Anéis”...

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Valha-nos 2009

Não sendo eu um expert no léxico de Camões, Marques Mendes, durante o debate da Nação, voltou a atacar o nosso premier com a história da Propaganda, na qual, acusou Mendes, Sócrates é muito bom!
Além de me parecer que Mendes deveria enveredar por outro caminho, nomeadamente rever a forma e os protagonistas com que o PSD tem brindado os portugueses, as minhas leituras fazem-me crer que existem diferenças entre Propaganda e Marketing Político.
A Propaganda aplica um carácter coercivo, visa o domínio da opinião pública e a sua mensagem é doutrina.
Já o Marketing Político, assume uma comunicação estratégica com os eleitores, cria métodos, técnicas inspiradas na mercadotécnica comercial. Aliás, há autores que defendem que não existem diferenças entre o marketing comercial e o marketing político. Defendem que, na sua essência, existe uma grande semelhança, uma vez que, têm em comum todas as características principais: competição; persuasão e o uso dos media como instrumentos essenciais, de comunicação.
Pessoalmente, não concordo, visto que parece-me mais difícil obter o perfil dos eleitores que dos consumidores. Estes últimos seguem um determinado padrão de consumo, enquanto que em política, os acontecimentos resultam muitas vezes de imprevisíveis.

Remato o post, parecendo-me que devemos elogiar os adversários, ver o que eles têm de bom mas sempre com o intuito de os suplantar e não como atitude de resignação. Se para tal for necessário mudar a estratégia, que assim seja. Caso contrário, em 2009 não vamos lá.

quinta-feira, 13 de julho de 2006

A boda de Prata

Creio que Pina Prata não vê hipotecadas as hipóteses de vencer as eleições concelhias de Coimbra (PSD), por ter sido exonerado do cargo de Vice-Presidente da Câmara; Portugal adora vítimas, além do mais...
Porém, talvez agora veja que o medo de irritar o establishment redundou nisto: não só não foi tão inovador quanto poderia ter sido, como, mesmo vencendo, tem pela frente 2 anos infernais.
Até hoje, só Tolkien venceu "o Senhor dos Anéis"...

quarta-feira, 12 de julho de 2006

Beija-me na boca e chama-me Tarzan!!!

Alguém podia fazer a fineza de explicar ao cavalheiro (?!) que preside à Federação Portuguesa de Futebol que o Engº Sócrates não precisa da ajuda dele, visto que já lidera destacado as sondagens, com o seu PS?...
Já nem discuto a razoabilidade do pedido de isenção de IRS no prémio de 50.000€ a receber pelos jogadores da Selecção, que muito nos orgulharam. Atendendo ao momento do País, ao facto de se tratar de um "extra" e não serem muitos os portugueses que recebem isso num ano inteiro, estava-se mesm0 a adivinhar o niet do Governo.
O que me espanta é a "balda" que Madaíl deu ao Executivo, permitindo-lhe brilhar, ao aparecer (e bem, sublinho) como agente de equidade.
A mais do que se possa dizer, a verdade é que nem o ex-deputado do PSD (Madaíl, himself) ajuda Marques Mendes...

terça-feira, 11 de julho de 2006

Um grande artista



Um grande espectáculo, protagonizado por um excelente artista (Ney Matogrosso), no Páteo das Escolas, na Universidade de Coimbra.

Num futuro, caso haja oportunidade, a não perder…

sábado, 8 de julho de 2006

Paridade, episódio segundo!

O anunciado contra ataque socialista ao primeiro veto de Cavaco Silva foi aprovado esta semana.
Por mim, e não querendo ser repetitivo, visto que os argumentos base que me levam a ser contra já foram escalpelizados, fico a aguardar expectante a resposta presidencial.
Entretanto, segundo o Expresso, a maioria das mulheres é contra a Lei da Paridade! Será que tem algo a ver com o argumento de alguns dos seus defensores, que afirmam que no futuro esta discriminação positiva poderá reverter a favor dos homens?
Eu cá fico na minha; segmentar listas partidárias com base em critérios como o sexo, raça, religião, credo, sociais, etários, ou outro qualquer que não seja a mais valia do(a) personagem política: não obrigado!

Embalado pelo incentivo

Embalado pelo último Conselho Nacional da JSD, hoje, apetece-me dedicar umas breves linhas, visto que o assunto dá pano para muitas mangas, ao (IAJ) Incentivo ao Arrendamento Jovem.
Fazer com que os jovens se inclinem mais para o arrendamento é uma tarefa que, nos dias que correm aqui para as bandas lusitanas não me parece tarefa fácil. Primeiro é preciso combater o sentimento ou a necessidade de posse que impera, muito graças à pouca diferença de euros entre ambas as modalidades.
Os incentivos devem complementar a mobilidade laboral normal nestas idades. Ou seja, contemplar o não preenchimento de toda a burocracia inicial, caso se mude de emprego e consequentemente de cidade, em busca de melhores condições. Não cessar o contrato, mas sim ajustá-lo a uma nova realidade, caso o inquilino arrende outra habitação por motivos profissionais.
Outra situação a ser abolida, a meu ver, é a declaração de IRS, caso os jovens se encontrem nos primeiros meses de laboração e não tenham atingido o terminus do ano civil. Talvez um recibo de renda, como situação provisória.
A idade máxima de acesso não me parece mal (30 anos), apenas a sua cessação no caso de se tratar de um casal, visto que prevê a sua cessação se algum dos cônjuges atingir as 30 primaveras. Quiçá aumentar um pouco este limite, digo eu!
O valor máximo do incentivo não me parece mal (249,40€/mensais), embora talvez se devesse ter em consideração a área geográfica, visto que os valores de arrendamento são díspares de cidade para cidade.
Importante também no tema é a fiscalização. No ligeiro conhecimento que disponho, oiço dizer, que muitos jovens beneficiam do subsídio para a colocação de familiares nas habitações. Ora, sem uma máquina fiscalizadora permanente, este é daqueles incentivos que caem em descrédito.

Em jeito de conclusão, fica aqui manifestada a vontade do “Je”, para que o tema não seja visto apenas como uma despesa, mas sim como um investimento de futuro. Ajudar a implementação dos jovens no mercado de trabalho, podendo estes no futuro, retribuir ao Estado o apoio que lhes foi concedido.

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Ideia faustosa

A propósito da despropositada intervenção de um eurodeputado polaco sobre os méritos de Salazar e Franco (se fosse um balanço histórico objectivo ainda podiamos pensar no caso; mas não era...), Fausto Correia (que tenho em boa conta), do PS, proferiu comentários bem interessantes, que o DN de hoje reproduz:
"Para o deputado socialista, ouvir intervenções como as de Marian Giertych é 'um preço que a democracia tem de pagar': 'ouvir as asneiras que alguns eleitos pela democracia atentam contra a democracia.' "
Concordo! Porém, voltamos a uma questão lateral, mas simbólica, da nossa Constituição: por que se proíbem partidos fascistas? Se está certo, não acham que uma ou duas das associações que se têm manifestado encaixam na descrição? E por que é que só se proíbe a extrema direita e não a extrema esquerda, em bloco ou individualmente?...

O perigo da direita

Muito receou a esquerda com a eleição de um Presidente de direita.
Todavia, a mais de Cavaco Silva ter começado pelas questões sociais (que a esquerda julgava serem região demarcada), a confiança na sociedade civil (algo que a esquerda olha com desconfiança, raras vezes dispensando o paternalismo do Estado) começa a dar frutos.
Independentemente dos resultados concretos, é de louvar a iniciativa de um grupo de empresários que, na sequência do "Roteiro para a Inclusão", resolveu constituir uma associação sem fins lucrativos, para combater o abandono escolar.
As vantagens são óbvias, mas a novidade é a cultura da responsabilidade cívica; algo que converte a libertinagem em liberdade, portanto...