terça-feira, 29 de agosto de 2006

Well done

Boa escolha, o tema abordado por Marques Mendes no regresso á arena política, após a época de banhos. A forma é que continua a ser pouco cativante, como já aqui anteriormente escrevi. Mas relativamente a isso, um dia destes voltaremos…
Todos sabemos que a economia Portuguesa é constituída essencialmente por PME’s, que asseguram uma enorme fatia do emprego em Portugal.
Ao que parece, Mendes está ciente da sua (PME’s) crucial importância para o desenvolvimento económico do País e que não pode haver política de emprego, sem a criação de um clima favorável para as PME’s.
Parece-me que entrámos a jogar bem. Vamos ver é se os resultados aparecem!

Hot town, summer in the city

Vai quente a polémica sobre a Universidade de Verão do PSD (já foi da JSD, já...) no blog do meu amigo Luís Cirilo...

AIDS 2006 - Time to Deliver


Depois de ter participado no XVI Congresso Internacional sobre SIDA na cidade de Toronto, Canadá, nos passados dias 13 a 18 de Agosto, fiquei com um misto de sentimentos: entre a esperança e a apreensão.
O VIH e Síndrome de Imunodeficiência Adquirida afectam actualmente cerca de (pelo menos!) 40 milhões de pessoas em todo o mundo... Logo, é um problema que continua actual e a exigir uma atenção especial de todos os quadrantes da sociedade global: económica, científica, política, social, religiosa, etc…

Dito isto, passo a transmitir-vos algumas das ideias que trago de Toronto:
- Fundações como as dos Multimilionários Bill e Melinda Gates ou do Ex-Presidente Americano Bill Clinton têm-se mostrado como importantes catalizadores da investigação científica… o que tem como contraface o facto de a comunidade científica ficar refém da prioridades estratégicas de multimilionários e ex-políticos…
- Em termos terapêuticos, ficou comprovado que a esperança da terapêutica quádrupla não traz qualquer vantagem comparativamente com o esquema terapêutico triplo actualmente considerado como mais eficaz (Highly Active Anti-Retroviral Therapy - HAART).
- Ainda tem de haver longo debate sobre questões como a confidencialidade do estado clínico e os testes diagnósticos de execução rápida…
- Os esforços mundiais para assegurar o acesso universal e gratuito à terapêutica HAART tem alcançado impressionantes resultados; isto apesar de nos Estados Unidos da América ainda haver 9 estados que ainda não aprovaram a distribuição gratuita desta terapêutica aos doentes (!!!). Para efeitos comparativos: em Portugal a distribuição é universal e gratuita.
- Sem detrimento do ponto anterior, verifica-se que a distribuição universal da terapêutica anti-retroviral é inútil sem que sejam tomadas medidas sérias no campo da prevenção. Deixo-vos uma nota para reflexão: Por cada doente ao qual conseguimos que chegue a terapêutica anti-retrovial, 10 pessoas são infectadas com o VIH.
- No campo da prevenção, este congresso reforçou algumas ideias antigas mas também nos sensibilizou para novos conceitos e esperanças:
-- A regra do ABC (A – Abstinence, B – Be faithful, C – Use condoms) é importante mas claramente insuficiente, sobretudo porque depende do parceiro, e não apenas da pessoa em causa. Para além do mais, há países no mundo onde a mulher não tem direitos e é obrigada a seguir uma vida com comportamentos de risco – logo o ABC não é uma opção. No entanto, há um consenso: Preservativos salvam vidas. Ponto.
-- A troca de seringas e as salas de injecção assistida para toxicodependentes (vulgarizadas como “salas de chuto”) têm-se revelado, segundo os estudos apresentados, como um meio eficaz para minorar a transmissão do vírus e para aproximar os toxicodependentes aos profissionais de saúde e, consequentemente, aos programas de reabilitação. No entanto, foram transmitidos alguns problemas, sobretudo relacionados com a localização destas salas, e a tendência para criar nichos muito localizados ao invés de se planear e executar estratégias numa escala global. O debate deve prosseguir…
-- A esperada “vacina” continua longe de ser uma realidade mas alguns avanços foram conquistados… neste aspecto, aguardam-se novidades em breve tendo em conta a aposta da Fundação William J. Clinton nesta matéria…
-- Por fim, a Fundação Bill and Melinda Gates, através de uma doação de 500 milhões de US dólares devem assegurar a conclusão dos estudos, já em estadios avançados (e com resultados promissores!), sobre os Microbicidas (creme ou gel de aplicação tópica a nível da vagina e que poderá bloquear a transmissão do vírus). “Empowerment” da mulher… algo que nunca antes foi possível! Aguardamos, esperançosos, novidades. A confirmar-se a eficácia dos microbicidas, o caminho será o de juntar em mecanismos de prevenção únicos, tecnologias que assegurem o bloqueio à transmissão não só do HIV mas também outras DST.

Agora, resta-nos aplicar os novos conhecimentos, ficarmos atentos às novidades que devem surgir em breve e continuar a trabalhar em prol de um mundo saudável e livre deste terrível flagelo que já nos roubou milhões de vidas humanas ao longo dos últimos 25 anos…

Par de bandarilhas

Há dois dias, vi uma reportagem televisiva em que se apurava que o interesse dos não autóctones pelas festas de Barrancos diminuira abrubtamente, desde a legalização das lides com touros de morte (com visível gáudio dos barranquenhos, assim devolvidos à sua intimidade).
É inegável que o nosso povo tem incontáveis virtudes. Porém, também não fique aquém da verdade dizer-se que entre os nossos mais tremendos defeitos se contam a inveja e o voyeurismo.
Neste caso, comprova-se que os milhares de pessoas que se deslocavam a Barrancos e que acabavam por fazer pouca da lei e da Guarda Nacional Republicana, bem vistas as coisas, faziam-no com o comprazimento de quem viola uma lei impunemente e de quem desfruta de prazeres proibidos.

Em rigor, quase ninguém se deslocava ao Alentejo por afeição a um modo de toureio vetado, em Portugal.
Porquê este gosto pelo contornar da lei (como neste caso), pela desgraça alheia, pelo cobiçar do que não se tem?!
Veremos os dados finais das festas, mas não me custa acreditar que os vaticínios estejam correctos.

Ainda na silly season


As surpresas podem vir de qualquer lado, mesmo do soberbo e funcional motor de busca de cinema da Super Bock, o "Cinematron".
Efectivamente, e sem mais, o "lodo" deixa-vos com a ficha e a sinopse do último filme com Jackie Chan, actualmente em exibição:

"Título original: San wa
Realização: Tong Stanley
Com: Hee-seon Kim, Jackie Chan, Leung Tony
Argumento: Tong Stanley
Género: Acção/Aventura
Classificação: 12 anos
País: China
Duração: 118 min
Ano: 2005

Sinopse:
Jackie Chan é Jack, um arqueólogo e jornalista contemporâneo que investiga um mito àcerca de um antigo imperador que tinha a capacidade de levitar. Mas é também um personagem um general de outros tempos, sempre leal ao imperador apesar de apixonado por uma das suas concubinas..."
Portanto, Jackie Chan está o quê?!
Nota do Autor: aproveite, pois em Setembro acaba a palermice...

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Alta voltagem

Sem querer ser herege, bem sei que o Pai era carpinteiro, mas afixar este dístico sobre Jesus no quadro eléctrico de um restaurante, parece excessivo.
Em todo o caso, fica a dica...

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Deve ser do calor...

Há dias, quando todos os partidos com assento parlamentar à excepção do PSD reagiram, no próprio dia da reunião com o Governo, à hipótese do envio de forças militares portuguesas, pensei que o facto do meu partido não se pronunciar de imediato se devia à ponderação de uma exposição especialmente filigranada em homenagem ao melindre envolvido e ao facto de ser uma área de Estado, na qual o consenso entre os dois maiores partidos tem sido regra.
Sou dos que entende (já o escrevi) que a pressão dos media para obter reacções imediatas é um dos factores de erosão da qualidade da política ocidental.
Todavia, ontem à noite, escutando um noticiário radiofónico, apercebi-me de que em relação ao Plano Nacional contra a Droga e as Toxicodependências o mesmo voltou a verificar-se: CDS, BE e PCP teceram os primeiros considerandos sobre a matéria (e o "lodo" também lá chegará) e não havia sido possível contactar pessoa alguma do PSD, o que, para quem esteja familiarizado com o jargão político, quer dizer que. quiçá porque há muita gente de férias (o que é justo, embora sublinhe que nos outros partidos há gente de turno), não houve uma alma social-democrata que se prestasse a dizer algo sobre um tema que considero fulcral, na área social.
Ora, se reagira na hora pode ser nefasto, não perceber que os media aceleraram o tempo político é perigoso.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Reserva da nação




Gonçalo Capitão está mesmo no banco...

Inverno na Universidade de Verão

Li com a religiosidade do costume o blog do meu querido amigo Luís Cirilo, tendo deparado com um post sobre a Universidade de Verão que, por empenho passado, me despertou a atenção.
Com as devidas adaptações, reproduzo no "Lodo" o que por lá jardinei, começando por lembrar que a primeira UV (que era, efectivamente, da JSD) foi no tempo do Jorge Moreira da Silva, tendo a iniciativa seguido com as presidências do Pedro Duarte.
Na altura era uma actividade de "jotas" para "jotas" e servia para formar quadros que, depois, eram chamados a ajudar, fosse na revisão do Projecto Político para a Juventude Portuguesa (PPJP), fosse nas várias equipas de formação da JSD, fosse ainda na constituição futuros elencos dirigentes. Era, no fundo, uma espécie de "cantera" ou academia.
Apesar de a organização ser exclusivamente da JSD - e, por isso, não havia dinheiro para a duração actual - não deixaram de estar presentes personalidades como Marcelo Rebelo de Sousa, Freitas do Amaral, Lucas Pires, Santana Lopes, António Capucho, Luís Marques Mendes, Luís Filipe Menezes, Pedro Roseta, Paulo Portas, Pedro Passos Coelho, os, então, embaixadores dos E.U.A. e da Croácia, um conselheiro da embaixada da Rússia, entre tantas outras estrelas.
A meu ver, o Jorge Nuno Sá, enquanto presidente, entre outros, cometeu o erro magno de alienar uma das mais vistosas bandeiras da JSD ao PSD, que sempre se vira "obrigado" a ajudar uma iniciativa que já tinha "marca", mesmo que a não dominava (sempre vi a autonomia da "Jota" como um fim em si e o melhor contributo possível para o Partido).
Depois do "take-over", o que se passou é normal (também o sei, porque ajudei nas duas primeiras e não excluo auxiliar na próxima UV, a quarta), vendo o PSD a oportunidade de se libertar do anacrónico modelo dos comícios, para marcar o regresso de férias.
Em linguagem de futebol, diria que, já que o Jorge Nuno vendeu o passe, então ainda bem que o Carlos Coelho é o titular, já que é uma espécie de Petit a organizar.
Os tempos mudam e a actual direcção da JSD sabe melhor do que eu as novas bandeiras a inventar, mas algo há em que não há volta a dar: a Universidade de Verão é, hoje, uma actividade do PSD, por muito que os laços afectivos do Carlos Coelho o levem a envolver a sua estrutura juvenil na organização, conferindo-lhe grande latitude de opinião.
Não sendo necessariamente pior, é e será diferente.

Quem o Cadir?!

A maior parte dos nossos amigos, com toda a certeza, já esqueceu o quanto se massacrou Durão Barroso, por ter como amigos um magnata português e outro grego.
Se esqueceu fez muito bem, pois em ambos os casos presenciámos exercícios demagógicos bem ao gosto das esquerdas portuguesa e europeia...
Porém, ontem, quando deambulava por uma rua de Lisboa, deparei com o estabelecimento acima ilustrado e logo me veio à ideia a hipótese de, à falta de melhor atoarda, o Bloco de Esquerda propor uma comissão de inquérito para descobrir quem é o Cadir....

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Não há loja que resista

O número de grandes superfícies, e citando aqui o exemplo de Coimbra que é donde tenho maior conhecimento, teve um crescimento significativo no presente ano. Até compreendo alguns dos críticos, quando dizem que se está a estragar o comércio, embora convém referir que as causas, ao que me parece, não se limitam ao erguer de mais muros comerciais.
Os centros comerciais mais antigos, grandes críticos, em vez de lutar contra o Dolce Vita ou Forúm, preferem ter horários de baixa e feriados condizentes com os da função pública. A inovação que se pede e é necessária ao ramo está estagnada, o sentimento de derrota está patente nas montras e a hora de fecho é a mesma que o terminus do horário de laboração normal.
Não se pense que sou alheio aos argumentos e inconsciente das dificuldades. Estou antes, a fazer uma chamada de atenção. Com a forte concorrência, e praticando horários de baixa (a título de exemplo: cerca de 80% das lojas do Girasolum estão fechadas, pós jantar!), só restam as críticas à edilidade!
Seguramente que o cerne do problema não é apenas o horário de abertura e fecho, mas os comerciantes podiam dar o exemplo.
Os comerciantes desses centros ou os seus acérrimos defensores, poderão dizer que não vale a pena ter as portas abertas até tarde, que financeiramente, não compensa! Parece-me errado. O abrir de portas, não só transmite uma imagem positiva, como aumenta os níveis confiança junto do consumidor da loja e posteriormente, do próprio centro comercial.
Ou muito me engano, ou nesse ramo, e por uma questão de sobrevivência, as atitudes devem ser tomadas em conjunto e não em separado, o que equivale dizer: se forem apenas dois ou três a dar o exemplo, fica tudo, ou quase tudo na mesma!
E por aqui me fico, para não dizerem que sou um tipo insensível…

Curiosidade

A 12 de Agosto de 1981, a IBM lançou o seu primeiro computador pessoal, o IBM 5150.

Antes:
16 KB de memória; Disquete de sistema operativo (DOS); Placa gráfica a 16 cores; até duas drives de disquetes de 5 ¼”, com 160 KB de capacidade; preço: 1565 a 6300 dólares.

Agora:
Cem mil vezes mais rápidos; fazem numa hora operações que demorariam 12 a 15 anos; custo dos mais baratos: 299 a 890 dólares!

Portugal:
43% dos agregados familiares têm PC.

Previsão:
Dentro de 10 anos, a velocidade será cem vezes superior à actual!

Projecção:
1300 milhões de unidades serão vendidas entre 2006 e 2010!

Sem comentários

A edição de hoje d' A BOLA dá-nos mais uma magnífica e liberal novidade sobre o nosso atletismo:

"Patrícia Mamona com recorde nos Mundiais de juniores
A portuguesa Patrícia Mamona estabeleceu, esta quinta-feira, novo recorde nacional júnior e sub-23 do triplo-salto, ao registar 13,37 metros na final da especialidade dos Campeonatos do Mundo de atletismo, a decorrer em Pequim.

A marca, contudo, valeu apenas à atleta do JOMA o quarto posto na final, a pouco mais de 60 centímetros do último lugar do pódio.A estónia Kaire Leibak conquistou a medalha de ouro, com 14,43 metros, melhor marca mundial júnior do ano, a chinesa Li Sha a de prata e a ucraniana Liliya Kulyk ficou, então, com a de bronze, registando 14,01 metros".
Abençoada menina, diz o "Lodo"...

Paradoxos II

Por vezes dou comigo receoso por estar a desenvolver matizes hobbesianos (refiro-me ao "Leviatã" de Thomas Hobbes e à noção de que há que moderar o "homem lobo do homem"), sobretudo quando, de tempos a tempos, desconfio da eficácia "ressocializadora" da nossa filosofia criminal/penal.

Sou, por isso, adepto do endurecimento das penas, com um reforço da componente ético-retributiva que acompanhe o declínio de valores do mundo ocidental; não tanto com o espírito da Lei de Talião (leia-se, "olho por olho, dente por dente"), mas mais com o espírito de que se não vai a bem, vai a mal...
Contudo, tendo tido responsabilidades políticas e formação jurídica, creio que nunca esta maneira de visionar a ordem pública e a justiça deve ser desenvolvida no calor das situações concretas, sob pena de redundar em miserável populismo.
Ora, não sei por estar acossado pelos cadeados que lhe vêm de Portas e dos trincos que o seguem (muitos dos quais meus amigos, sublinho), Ribeiro e Castro, homem que até tenho por ponderado, veio, no meio do braseiro dos incêndios, propor o agravamento da moldura penal para os incendiários, assim aferrolhando um debate sobre o tema, que devia ser saudável.
Em abstracto até nem me choca a ideia: creio que a punição dos delitos deve acompanhar a valoração social dos mesmos.
Ainda estou mais certo de que a maioria dos portugueses que escutaram o premier popular aplaudiram a aspersão de gasolina no fogo, bem ao jeito da frase que se ouve repetidas vezes: "era apanhá-los, atá-los a uma árvore e deixá-los arder"...
O paradoxo é que Ribeiro e Castro foi eleito com críticas ao estilo de Portas (que, ainda assim, não me lembro de ter ido tão longe) e agora resvala para o mais desbagrado populismo, pedindo sangue no meio de uma hemorragia.
Fotografia surripiada no sítio da CONFAGRI, sendo da autoria de Manuel Vieira (parabéns do "lodo").

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Paradoxos I

Muito me entreteve ver, a propósito das chamadas quotas de mulheres nas listas, algumas forças de esquerda e algumas feministas a empunharem as bandeiras da defesa da dignidade da mulher - algo que, a meu ver, só sai diminuído com as ditas quotas, como veremos.

Propalar exemplos do bom resultado que deram no Norte da Europa e esquecer que somos um País latino é autismo de mau gosto. Porém, cá estaremos para ver que tipo de pessoas ocupará as quotas e qual será a próxima alegada minoria a reclamar igual guarida.

Todavia, o alvo deste post é outro: acompanhei com interesse as últimas etapas da Volta a Portugal e pude verificar que se mantém o hábito dos vencedores (da etapa, do prémio disto, do prémio daquilo...) serem beijocados por duas beldades escolhidas a preceito.

Sendo que me parece algo de inofensivo, os defensores de quotas, se querem ser coerentes (duvido que queiram, em muitos casos, mais do que serem populistas ou "popularuchos"), têm duas saídas: ou defendem que também há que ter homens a beijar os ciclistas (irra!!!), ou devem revoltar-se com o uso absolutamente instrumentalizador que é feito da imagem física das jovens contratadas para o dito ósculo.

E, já agora, por que não uma cruzada contra a maioria da publicidade, que se limita a atiçar a cupidez?! Talvez porque não dê votos na respectiva "quinta"...
A fotografia foi gentilmente "fanada" ao Correio da Manhã e é de Paulo Cunha da Lusa. Bela fotografia, by the way...

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

SAP - Serviço de Atentimento "P'ró Povo"

O ministro da Saúde, Correia Campos, afirmou em entrevista ao Jornal de Notícias deste domingo que: «nunca vou a um SAP, nem nunca irei!». Responsável pela saúde diz que vai antes à urgência do hospital.

Questionado sobre o que faria se tivesse um problema de saúde durante a noite o ministro respondeu: «Vou directo à urgência do hospital ou a uma urgência qualificada como tal. Nunca vou a SAP, nem nunca irei!» e explica porquê: «Porque não têm condições de qualidade. Têm um médico e um enfermeiro e conferem uma falsa sensação de segurança. Nenhum deles devia funcionar assim!».

Será que podemos recorrer aos serviços de «outro» Ministério da Saúde? É que este vai dando uma falsa sensação de segurança... e nenhum Ministério devia funcionar assim!

Razões por que houve Páscoa mais cedo

Volto atrás no tempo, para comentar brevemente o desenlace das eleições concelhias do PSD de Coimbra, que terminaram, como aliás previra, subliminarmente, aqui no "lodo", com a vitória de Carlos Páscoa.
Sobre o caso há a dizer que o novel presidente tem capacidades e currículo para o cargo, sendo de destacar a coragem com que abraça os reptos: primeiro, uma estóica batalha autárquica contra um edil que trocara o PSD pelo PS, em Soure. Depois, a ida a votos para a concelhia de Coimbra.
Nesta sua mais recente decisão houve quem estranhasse o facto de trocar Soure por Coimbra e o acusasse de estar a fazer um “frete” ao mayor de Coimbra que, assim, cobria com ouro (o da vitória) a ousadia de Prata (Horácio Pina…). A verdade é que Páscoa arriscou e ficou mesmo com as amêndoas, sendo isso que fica para a história.
Porém, não nos iludamos: como dissera neste blog, e como relembrou o co-autor Ricardo Cândido, até então, só Tolkien vencera o “Senhor dos Anéis”, querendo com isto dizer que, por muito que houvesse sido dito entre portas, Carlos Encarnação não permitiria que o PSD de Coimbra vogasse longe do seu radar. O xadrez partidário é mesmo assim, e o nosso mayor, homem culto que é, leu Richelieu, até nas entrelinhas.
Dirão que é má língua da minha parte, mas aposto 10 contra 1 como a aparição (mais do que legítima e natural, sublinho) na lista, como nº2 (creio) de Páscoa, de um militante de seu nome Nuno Encarnação está longíssimo de ser coincidência. Todavia, a verdade também é só uma: candeia que vai à frente alumia duas vezes, e Páscoa tem a liderança, pelo menos, por dois anos.
Já Pina Prata, a meu ver, perde, em larga medida, por culpa própria. Desde logo, por ter feito do consenso um fim em si. Fundamental, nestas andanças, é ter ideias claras sobre o rumo a seguir e as causas a abraçar, e lutar por elas como se fosse o último combate de uma vida.

Quando, ao invés, se procura timoratamente não agitar as águas, o mais provável, sempre que se não detêm os tais anéis (o centro do poder político é sempre a autarquia, quando as colorações partidárias coincidem; nem é preciso estudar em Coimbra para saber isto…), é o naufrágio. Quem é Vice-Presidente da Câmara ou pede licença e aceita o ascendente ou, por muitas e delicadas vénias que receba, provavelmente, verá que o “império contra-ataca”…

Quando Horácio Pina Prata., alguém com quem se simpatiza facilmente, decidiu avançar e se propôs um projecto autónomo teria ganho mais em assumir a ruptura, cativando novas simpatias e gerando novas ideias, do que seguir a ancestral política dos paninhos quentes.

Acrescento ainda que, na era da imagem e da comunicação, até na propaganda enviada aos militantes, Páscoa foi, de longe, mais feliz.

Este é um resultado facílimo de explicar, sendo que quem quiser arrebatar o ceptro, em 2008 (véspera de eleições legislativas e autárquicas, anote-se) terá muito que fazer (quer no domínio ideológico, quer no domínio da filiação), pois Carlos Páscoa não despertará jamais o capital de antipatia e de anonimato de quem o antecedeu, já que é outro o seu modus faciendi.

Correndo o risco de me repetir, não obstante, sublinho que, a mais da pascal presidência, há hossanas a cantar à sabedoria antiga que continua a dar cartas, na Praça 8 de Maio.

Para vencer o “Senhor dos Anéis” ainda e só Tolkien, por ora…
Nota do Autor: esta do "Senhor dos Anéis" é só para entendedores, alerto.

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Parabéns!!! Já lá vão 10 anos...

"Gentleman, Goldfrapp, The Prodigy, Daft Punk, Zero 7, Afrika Bambaataa, Seu Jorge, Los de Abajo, Marcelo D2, Madness e Macaco são alguns dos nomes confirmados na 10.ª edição do Festival do Sudoeste. Em ano de festas as expectativas são as melhores."
in O Primeiro de Janeiro

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Boas notícias


Não falo pelo lado pessoal, pois não devemos regozijar-nos com o sofrimento de qualquer ser humano, por muito facínora que seja.
Todavia, este primeiro aperitivo de uma Cuba pós-Fidel dá esperança a uma população - a que não teve a sorte de desembarcar em Miami - que tem sido vítima de uma anacrónica e miserável experiência comunista, com contornos de devaneio pessoal e de narcisismo.
Não se enganem os cultores da aura pseudo-romântica do comparsa de Che: depois dele, o regime não durará muito...
O que também pode pensar-se é um meio de evitar que a "nova" Havana venha a ser o recreio (reparem no eufemismo...) americano, que era com Fulgêncio Baptista, ainda que, uma vez abertas as comportas da liberdade, sejam de esperar tempos de excesso.
Nota final para repara a condescendência com que os media continuam a tratar o tirano. A mesma que não tiveram para com Pinochet...
Em todo o caso, mesmo quando não imparciais, são boas notícias.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Porque há quem apenas leia as conclusões...


Enquanto Deputado da Assembleia Metropolitana de Lisboa, concordo em absoluto com o conteúdo exposto no Parecer elaborado e votado por este órgão sobre o Programa Nacional de Política de Ordenamento do Território (PNOT). Destaco os motivos da minha concordância, apresentando para esse efeito alguns excertos do referido parecer:
- Os prazos de discussão pública definidos pelo Governo são claramente insatisfatórios caso haja verdadeiro interesse num debate participado em torno de um dos mais importantes documentos estratégicos nacionais, que deverá definir a visão para o futuro de Portugal a 20 anos.
- Os compromissos assumidos no PNPOT não são claros e o Governo baralhou políticas instrumentais com política estratégicas, o que acontece pois o plano carece de uma linha de rumo nitidamente definida.
- Não são evidentes as medidas de instrumentalização do Programa (PNPOT), ou seja, desconhece-se como é que o Governo pretende aplicar as medidas propostas no terreno.
- Não são identificados os meios de financiamento que irão assegurar a implementação do PNPOT! Nem uma mera perspectiva económico-financeira é apresentada pelo Governo.
- Desconhece-se em absoluto o papel que irão ter os Municípios, as Juntas Metropolitanas e demais estruturas de âmbito local ou regional.
- O Governo não define a evolução do mapa administrativo regional nem o seu futuro modelo de gestão.
- O Governo ignora o posicionamento de Portugal numa perspectiva Ibérica e Europeia.
- O Governo ignora a vocação Atlântica de Portugal no mundo globalizado.
- O Governo ignorou, na elaboração do PNPOT, a Estratégia Europeia de Protecção do Solo e as recomendações da Agenda 21.
- O Governo pouco ou nada inova ao tentar definir um novo mapa de Portugal, limitando-se a aceitar o actual modelo perspectivando-se assim um ainda maior agravamento das assimetrias políticas, económicas e sociais entre as diferentes regiões do nosso País.
- O Governo ignorou por completo a reivindicação dos Municípios da Grande Área Metropolitana de Lisboa de se criar, de uma vez por todas, uma Autoridade Metropolitana de Transportes.
- Por fim, como causa ou consequência desta enorme confusão de medidas e propostas apresentadas no PNPOT, o Governo foi incapaz de hierarquizar as medidas ou sequer definir o que pretende para o nosso País depois de 2013!
No entanto, apesar da minha concordância com o conteúdo do parecer aprovado pela AML, abstive-me no momento da votação (ao contrário dos restantes deputados, tendo estes votado todos favoravelmente) pois considero que as considerações finais do documento aprovado são incoerentes com o que atrás referi. Não posso aceitar que, como vem referido nas considerações finais, "o elenco de objectivos, medidas e directrizes para os instrumentos de gestão territorial é globalmente aceitável."! O Plano Nacional de Política de Ordenamento do Território tem de ser todo ele revisto e as medidas de instrumentalização e de financiamento francamente definidos. O Governo tem ainda obrigação de definir qual a sua visão para Portugal para além de 2013 e definir uma estratégia que assegure o crescimento e desenvolvimento sustentável do nosso País na Europa e no Mundo.
O Plano apresentado pelo Governo do PM Sócrates não serve. Disso, estamos todos de acordo.

O Farol orienta o regresso a casa...

Farol de Santa Marta, Cascais

domingo, 23 de julho de 2006

Vá-se lá entender…

Opiniões divergentes são o que mais há, aqui no burgo lusitano!

A Associação de Municípios considera “indispensável” a presença de autarcas na administração de empresas municipais, enquanto que o Governo não quer acumulação de funções.
A discussão parece condenada a considerações baseadas em vontades imediatas dos autarcas por um lado, e do outro a busca e promoção (esta é daquelas posições que aumentam o share!) da transparência dos agentes políticos, com patrocínio governamental.

Veremos nos próximos tempos qual o sumo a ser espremido, num tema que, urge discutir...

quarta-feira, 19 de julho de 2006

Bem me pareceu

"A onda de calor que terminou segunda-feira foi a maior dos últimos 65 anos em Portugal, pela sua extensão espacial e temporal, informou hoje o Instituto de Meteorologia."


Não andei por cá nos últimos 65 anos para aferir a veracidade! Mas pelo menos nos últimos 28, nunca vi nada assim. Já irritava!!!

Nota: foto fanada à lusa.

sábado, 15 de julho de 2006

Páscoa de ouro

“Um boletim de voto tem mais força que um tiro de espingarda”

Abraham Lincoln


Até hoje, continua a ser só Tolkien a vencer “o Senhor dos Anéis”...

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Valha-nos 2009

Não sendo eu um expert no léxico de Camões, Marques Mendes, durante o debate da Nação, voltou a atacar o nosso premier com a história da Propaganda, na qual, acusou Mendes, Sócrates é muito bom!
Além de me parecer que Mendes deveria enveredar por outro caminho, nomeadamente rever a forma e os protagonistas com que o PSD tem brindado os portugueses, as minhas leituras fazem-me crer que existem diferenças entre Propaganda e Marketing Político.
A Propaganda aplica um carácter coercivo, visa o domínio da opinião pública e a sua mensagem é doutrina.
Já o Marketing Político, assume uma comunicação estratégica com os eleitores, cria métodos, técnicas inspiradas na mercadotécnica comercial. Aliás, há autores que defendem que não existem diferenças entre o marketing comercial e o marketing político. Defendem que, na sua essência, existe uma grande semelhança, uma vez que, têm em comum todas as características principais: competição; persuasão e o uso dos media como instrumentos essenciais, de comunicação.
Pessoalmente, não concordo, visto que parece-me mais difícil obter o perfil dos eleitores que dos consumidores. Estes últimos seguem um determinado padrão de consumo, enquanto que em política, os acontecimentos resultam muitas vezes de imprevisíveis.

Remato o post, parecendo-me que devemos elogiar os adversários, ver o que eles têm de bom mas sempre com o intuito de os suplantar e não como atitude de resignação. Se para tal for necessário mudar a estratégia, que assim seja. Caso contrário, em 2009 não vamos lá.

quinta-feira, 13 de julho de 2006

A boda de Prata

Creio que Pina Prata não vê hipotecadas as hipóteses de vencer as eleições concelhias de Coimbra (PSD), por ter sido exonerado do cargo de Vice-Presidente da Câmara; Portugal adora vítimas, além do mais...
Porém, talvez agora veja que o medo de irritar o establishment redundou nisto: não só não foi tão inovador quanto poderia ter sido, como, mesmo vencendo, tem pela frente 2 anos infernais.
Até hoje, só Tolkien venceu "o Senhor dos Anéis"...

quarta-feira, 12 de julho de 2006

Beija-me na boca e chama-me Tarzan!!!

Alguém podia fazer a fineza de explicar ao cavalheiro (?!) que preside à Federação Portuguesa de Futebol que o Engº Sócrates não precisa da ajuda dele, visto que já lidera destacado as sondagens, com o seu PS?...
Já nem discuto a razoabilidade do pedido de isenção de IRS no prémio de 50.000€ a receber pelos jogadores da Selecção, que muito nos orgulharam. Atendendo ao momento do País, ao facto de se tratar de um "extra" e não serem muitos os portugueses que recebem isso num ano inteiro, estava-se mesm0 a adivinhar o niet do Governo.
O que me espanta é a "balda" que Madaíl deu ao Executivo, permitindo-lhe brilhar, ao aparecer (e bem, sublinho) como agente de equidade.
A mais do que se possa dizer, a verdade é que nem o ex-deputado do PSD (Madaíl, himself) ajuda Marques Mendes...

terça-feira, 11 de julho de 2006

Um grande artista



Um grande espectáculo, protagonizado por um excelente artista (Ney Matogrosso), no Páteo das Escolas, na Universidade de Coimbra.

Num futuro, caso haja oportunidade, a não perder…

sábado, 8 de julho de 2006

Paridade, episódio segundo!

O anunciado contra ataque socialista ao primeiro veto de Cavaco Silva foi aprovado esta semana.
Por mim, e não querendo ser repetitivo, visto que os argumentos base que me levam a ser contra já foram escalpelizados, fico a aguardar expectante a resposta presidencial.
Entretanto, segundo o Expresso, a maioria das mulheres é contra a Lei da Paridade! Será que tem algo a ver com o argumento de alguns dos seus defensores, que afirmam que no futuro esta discriminação positiva poderá reverter a favor dos homens?
Eu cá fico na minha; segmentar listas partidárias com base em critérios como o sexo, raça, religião, credo, sociais, etários, ou outro qualquer que não seja a mais valia do(a) personagem política: não obrigado!

Embalado pelo incentivo

Embalado pelo último Conselho Nacional da JSD, hoje, apetece-me dedicar umas breves linhas, visto que o assunto dá pano para muitas mangas, ao (IAJ) Incentivo ao Arrendamento Jovem.
Fazer com que os jovens se inclinem mais para o arrendamento é uma tarefa que, nos dias que correm aqui para as bandas lusitanas não me parece tarefa fácil. Primeiro é preciso combater o sentimento ou a necessidade de posse que impera, muito graças à pouca diferença de euros entre ambas as modalidades.
Os incentivos devem complementar a mobilidade laboral normal nestas idades. Ou seja, contemplar o não preenchimento de toda a burocracia inicial, caso se mude de emprego e consequentemente de cidade, em busca de melhores condições. Não cessar o contrato, mas sim ajustá-lo a uma nova realidade, caso o inquilino arrende outra habitação por motivos profissionais.
Outra situação a ser abolida, a meu ver, é a declaração de IRS, caso os jovens se encontrem nos primeiros meses de laboração e não tenham atingido o terminus do ano civil. Talvez um recibo de renda, como situação provisória.
A idade máxima de acesso não me parece mal (30 anos), apenas a sua cessação no caso de se tratar de um casal, visto que prevê a sua cessação se algum dos cônjuges atingir as 30 primaveras. Quiçá aumentar um pouco este limite, digo eu!
O valor máximo do incentivo não me parece mal (249,40€/mensais), embora talvez se devesse ter em consideração a área geográfica, visto que os valores de arrendamento são díspares de cidade para cidade.
Importante também no tema é a fiscalização. No ligeiro conhecimento que disponho, oiço dizer, que muitos jovens beneficiam do subsídio para a colocação de familiares nas habitações. Ora, sem uma máquina fiscalizadora permanente, este é daqueles incentivos que caem em descrédito.

Em jeito de conclusão, fica aqui manifestada a vontade do “Je”, para que o tema não seja visto apenas como uma despesa, mas sim como um investimento de futuro. Ajudar a implementação dos jovens no mercado de trabalho, podendo estes no futuro, retribuir ao Estado o apoio que lhes foi concedido.

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Ideia faustosa

A propósito da despropositada intervenção de um eurodeputado polaco sobre os méritos de Salazar e Franco (se fosse um balanço histórico objectivo ainda podiamos pensar no caso; mas não era...), Fausto Correia (que tenho em boa conta), do PS, proferiu comentários bem interessantes, que o DN de hoje reproduz:
"Para o deputado socialista, ouvir intervenções como as de Marian Giertych é 'um preço que a democracia tem de pagar': 'ouvir as asneiras que alguns eleitos pela democracia atentam contra a democracia.' "
Concordo! Porém, voltamos a uma questão lateral, mas simbólica, da nossa Constituição: por que se proíbem partidos fascistas? Se está certo, não acham que uma ou duas das associações que se têm manifestado encaixam na descrição? E por que é que só se proíbe a extrema direita e não a extrema esquerda, em bloco ou individualmente?...

O perigo da direita

Muito receou a esquerda com a eleição de um Presidente de direita.
Todavia, a mais de Cavaco Silva ter começado pelas questões sociais (que a esquerda julgava serem região demarcada), a confiança na sociedade civil (algo que a esquerda olha com desconfiança, raras vezes dispensando o paternalismo do Estado) começa a dar frutos.
Independentemente dos resultados concretos, é de louvar a iniciativa de um grupo de empresários que, na sequência do "Roteiro para a Inclusão", resolveu constituir uma associação sem fins lucrativos, para combater o abandono escolar.
As vantagens são óbvias, mas a novidade é a cultura da responsabilidade cívica; algo que converte a libertinagem em liberdade, portanto...

60% é muito bom...

Um resultado de 60% em eleições legislativas é muito bom resultado!
Pena para o PSD é que seja a soma de duas sondagens. Há uns dias, a sondagem TSF/DN dava 28% de intenções de voto, e soube-se, hoje, que a consulta da RR/SIC/Expresso aponta para fartos 32% (com o PS a manter a maioria absoluta).
Continuo na minha: por muito que os media não apreciem particularmente o PSD, será mesmo possível alegar uma conspiração gigantesca?!
Não sendo, que explicação pode dar-se sem ser presente ao Conselho de Jurisdição?

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Resta-nos OPELar aos santos...

O mais recente drama em torno do putativo encerramento da fábrica da Opel, na Azambuja, com o qual relaciono o mais recente impasse (a memória hodierna é curta, bem sei) vivido na Autoeuropa, traz à colação recentes índices sobre a alegada baixa produtividade dos trabalhadores portugueses.

Diz a Opel (General Motors) que sai mais caro produzir em Portugal do que em Espanha, imagina-se. E, factores de produção e impostos à parte, são mais do que muitas as suspeitas sobre o brio e zelo da nossa mão-de-obra. Basta lembrar que, no caso da fábrica de Palmela, enquanto os próprios trabalhadores alemães (creio que não falamos, em bom rigor, do terceiro mundo) aceitavam recuar nos salários, aprovando cortes, ou seja, perdendo um pouco para que se não perdesse tudo, os seus congéneres lusos lutavam por aumentos e pela manutenção de horas extraordinárias remuneradas regiamente (a imprensa falou, em 2005, de valores que podiam ir até aos 200%, aos sábados, e aos 500%, aos domingos).

Vendo bem, a mentalidade é mesma dos tempos em que havia o ouro do Brasil: enquanto estiver a dar, que se danem as agruras. Isto é, pensar o dia de hoje é bem mais relevante do que acautelar o futuro (próprio e dos sucessores), já que sempre nos desenvencilhámos, desde D. Afonso Henriques…

Claro que, a este ponto da prosa, posso ser acusado de insensibilidade. Far-me-ão ver que o poder de compra alemão comporta cortes, ao passo que, em Portugal, muitas famílias não suportam sequer um aumento de vinte euros na prestação da casa.

Porém, mesmo aqui, não excluindo que haja situações verdadeiramente dramáticas, não sei se um mercado de arrendamento mais atractivo não acabaria com a mania de sermos proprietários (embora tal faça sentido, se olharmos à pouca diferença que ainda existe entre os dispêndios da compra e do arrendamento) e um combate ao consumismo não dariam frutos.
Neste último capítulo, acho notável que estejamos nos lugares cimeiros das estatísticas sobre o número de telemóveis por habitante, que se vendam tantos plasmas e LCD (já vi gente com menos posses mais bem artilhada, a este respeito, do que eu que ainda me vou contentando com os clássicos televisores), que as agências de viagens esfreguem as mãos e que os carros saiam tão bem dos stands… Tudo graças ao miraculoso crédito e às sãs discípulas, as “indolores” prestações, sejam da banca ou da verdadeira agiotagem que se faz no crédito instantâneo pelo telefone.

Deveria haver mais pedagogia em todos estes domínios. Seria possível trabalhar menos horas, se produzíssemos mais e com mais espírito de grupo, nas horas laborais. Não seria preciso abrir ATL às 8h30 e depois das 17h30, se os progenitores (assim menos presentes na educação dos filhos) trabalhassem com afinco de japonês. Não faria diferença proteger o posto de trabalho, aceitando congelamento de salários, se não se derretesse dinheiro em coisas que só na publicidade são essenciais.
E por aqui me fico, antes que me torne um tipo de esquerda…

quarta-feira, 5 de julho de 2006

A prisão da cultura



Um dos pontos em que Carlos Encarnação pode deixar uma marca na autarquia (a ver vamos no que dá a candidatura a capital europeia da cultura, e se assim se acabam ou constroem algumas valências culturais) é na solução a dar aos terrenos da penitenciária.
Residências para estudantes, como já ouvi, cheira-me a primeiro passo para urbanizar, o que seria saturante. Aquela zona ficaria horrível com mais habitação, comércio e/ou serviços.
Cá por mim, combinar zonas verdes com a utilização cultural de um edifício sui generis – devidamente complementada, por exemplo, com uma fundação – resultaria numa possível e saudável rivalidade com Serralves e a Gulbenkian, se a ideia for mesmo darmos cartas na cultura.

Entretanto, fui já acusado de ingenuidade, pois há quem deduza que a deslocalização da penitenciária de Coimbra tem a ver precisamente com a angariação de receitas para um Estado falido.
Até pode ser... Porém, creio que uma das vantagens da democracia ainda é a possibilidade de criar opinião pública que, nos tempos que correm, pode influir na decisão política, com relevância crescente.

terça-feira, 4 de julho de 2006

Questão de “timing”

As incompatibilidades entre a bola e a política fizeram com que a FIFA suspendesse a Grécia, de todas as actividades desportivas ligadas à instituição.
Parece consensual a distinção que deve haver entre os dois mundos (menos para os gregos, ao que parece!). Agora o que não me parece consensual é o timing! Será que a FIFA não podia ter proibido (futebolisticamente falando) os gregos de sair da Grécia mais cedo? Não digo muito mais cedo, mas em 2004 não me parecia mal! Faria com que muito português não tivesse ficado grego.

quinta-feira, 29 de junho de 2006

Pense se quiser


A República Popular da China está na moda.
A mais da persistêncai da sua imensa população, a ideia "um país, dois sistemas" fez com que a nomenklatura chinesa, além de evitar o risco de desabamento à maneira da URSS, deslocasse o país para o "eixo do bem" ou, pelo menos, escapasse ao risco de andar fora dos eixos.
Assim, com a industrialização em curso e a abertura dos mercados, esperam-se novidades nefastas para as economias ocidentais.
A questão é que o sistema de relações internacionais obriga a esquecer questões que têm a ver com direitos humanos (o mesmo se passa em relação a quase todos os países fora da União Europeia, EUA incluídos).
Daí que valesse a pena que tivésse mais destaque um "quadradinho" que li na imprensa, que dizia que o motor de busca "Google" foi bloqueado pelas autoridades de Pequim, que apenas desejam ver os chineses a aceder ao "Google.cn", versão sujeita a escrutínio oficial (vulgo, censura).
Para além do óbvio, o que fica patente é a falta de apetite dos nossos jornalistas (parte deles, pelo menos) para explicar e analisar factos, limitando-se a "papaguear" as súmulas das agência notícias.

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Sentido figurado

Parece que o mayor de Viseu é figura nos tablóides.
Que o comentário não lhe correu nada bem, parece-me óbvio, agora convém também ter a noção do contexto de cada região, se bem que isso não justifique tudo. Incitar ao apedrejamento de quem quer que seja, mesmo que o sentido seja figurado, ainda para mais alguém com as responsabilidades conhecidas, ultrapassa claramente o conservadorismo imperante. Se formos por aí, os limites da razoabilidade acabam por ser postos em causa. Os políticos têm de se aperceber que as suas opiniões e afirmações têm repercussões, provocam reacções de terceiros. Devido à força dos cargos que ocupam há sempre danos adjacentes aos deslizes cometidos em termos de terminologia.
O “sentido figurado” e o “não sei, mas ouvi dizer que…”, a título de exemplo, são expressões a ter em atenção, em caso de utilização. A imagem dos eleitos em democracia representativa, muitas vezes é, a imagem da própria democracia.

Laranja a votos, em Coimbra

Depois da candidatura de Horácio Pina Prata, diz-se que o “império contra-ataca” (espero que o George Lucas me desculpe o plágio), pelo que da “linha dura” da Comissão Política Concelhia de Coimbra do PSD poderá emergir um challanger.

Em si, sem apreciar o conhecido e o desconhecido, a oferta diversificada beneficia sempre o consumidor (entenda-se, o militante). Pina Prata já não alcançará o pote de ouro (lista única) que se encontraria no fim do arco-íris político que se preparava para federar, o que também impedirá as bandeiras de conveniência que têm ondulado no céu do PSD de Coimbra, como se todos fossem amigos, de há muito a esta parte.

A verdade, como sempre disse, é que a reconquista de edilidade unificara, por boas ou más razões (não sou nem psicanalista, nem polícia), pessoas que sempre se haviam defrontado, e que ao menor sinal de perestroika a divisão dos despojos seria possível.

Entre os rumores de que Carlos Encarnação poderia estar “noutra” e o facto de o mayor ter preocupações que cheguem com o belíssimo trabalho que tem feito na cidade (nota do autor: esta afirmação é desprovida de ironia!), seria de esperar que as velhas alianças se recompusessem, e nem a antecipação tacticamente bem pensada por Pina Prata parece ter podido evitar o inevitável: à boa maneira de Richelieu, o poder é, nos grandes partidos, um fim em si, pelo que, nem que seja só por isso, na ausência de tutela, os exércitos perfilam-se.

Escrevo o texto presente sem ponta de pretensão, já que bem sei que, tirando esta tribuna livre do BEIRAS (falo por mim), a livre reflexão, por cá, costuma pagar-se em desterro. Todavia, não desisto de gostar do PSD e ainda mais de Coimbra e de Portugal, pelo que creio que há questões que o candidato assumido e o outro que me dizem que há de ser assumido deviam explicar, se não achassem uma maçada excessiva:

1. Entendendo eu que o PSD pouco pauta o debate político de Coimbra, descansando, a este respeito, à sombra do justo protagonismo do mayor, muito gostaria de saber como tencionam os candidatos revitalizar o debate interno, no partido. Espero que não repitam as banalidades do costume sobre grupos e conselhos de reflexão, que são sempre uma boa maneira de “arquivar” os “arrogantes” que ousam importunar com umas ideias livres quem carrega o fardo de decidir.

2. Também não seria mau sabermos qual o conceito estratégico de cidade defendido pelos eventuais presidentes concelhios. Liderança nacional na ciência? Centros de excelência ou misto de formação e absorção de recursos humanos para uma mais deliberada evolução do tecido industrial que é algo incipiente, olhando o todo do País? Cidade de cultura? Qual cultura: elitista, de massas, ou “subsidio-dependente” (aquela de que gostam o Bloco e os amigos)? Que modelo de evolução urbanística? Tudo isto? Nada disto?

3. E como seleccionarão os candidatos, agora que a democracia directa se instalou, mesmo na eleição do presidente da comissão política nacional? Será que põem a jogo os nomes de vereadores e deputados do nº2 em diante (já que os cabeças de lista me parecem uma escolha a reservar para a liderança nacional)? E o perfil que apresentarão à assembleia concelhia continuará a ser a trivialidade e o albergue espanhol (onde cabe até o falecido urso de relva que foi imolado pelo fogo, à beira-rio) que tem sido?

4. Depois, também daria alvíssaras se me explicassem com coerência e exequibilidade como tencionam fazer com que o PSD de Coimbra recupera a importância nacional que já teve. Se não fosse o esforço persistente de Carlos Encarnação, Fátima Ramos e Jaime Soares, poderíamos mesmo ir a um congresso nacional sem nos lembrarmos do distrito…

5. Por fim, confesso-me curioso para saber como se quebrará – se é que há o menor interesse nisso – o ambiente de “sociedade por quotas” que me parece imperar, com os shares de votos a ditarem a lei do PSD de Coimbra.
Em suma, entendo que com uma presidência de Prata ou outra qualquer, do que o PSD de Coimbra carece é de ideias de ouro…

terça-feira, 27 de junho de 2006

Código Do Silva

Li na imprensa do fim-de-semana (salvo erro, na "Sábado") que consultado sobre leituras a rejeitar, Augusto Santos Silva (Ministro dos Assuntos Parlamentares, e ex-Ministro da Educação e da Cultura) lança uma fatwa contra Dan Brown (autor, entre outros, do "Código Da Vinci"), cujos livros apelida de literatura light.
De facto, importa reconhecer que os livros não são um primor, e que a linha de concepção se repete, ao longo das três primeiras obras. A primeira ainda surpreende, a segunda passa com nota mínima pela mudança de cenário, a terceira enfada.
Porém, o que subjaz às afirmações de A.S.Silva é mais do que uma mera a constatação deste facto. Na verdade, regressa o elitismo cultural de um certo sector do PS; o mesmo sector que vê com horror a batalha de PSD e CDS (2002-2005) pela democratização da cultura, apelidando de "pimba" quem procure generalizar a fruição do nosso património mais valioso.
Lê, exclusivamente, livros de existencialistas? Apenas contempla os pintores suprematistas? Gosta daquele teatro impregnado de referências filosóficas em proporção oposta às cinco pessoas da plateia? Se sim, cuidado, pois pode acabar a assessorar a linha socialista que (ainda) domina a cultura...

terça-feira, 13 de junho de 2006

A recusa

Já aqui tinha dito que considerava “ridícula” esta história da avaliação dos docentes, em comment ao post do Gonçalo: “Tácticas do laranjal”.
Pelo que li ontem, a Associação de Pais da Escola 2,3 Inês de Castro, em Coimbra, recusou avaliar os professores!
Os argumentos, se bem que resumidos, parecem-me interessantes.

“Consideramos a avaliação dos docentes um assunto muito sério.”
“ A proposta da Ministra não é para levar a sério.”
“… este episódio da avaliação dos professores mais não faz do que desautorizar os professores perante a comunidade estudantil, minando a credibilidade da escola pública.”
“ Os pais e encarregados de educação têm, fundamentalmente, contacto com a escola no seu conjunto, o seu funcionamento em termos gerais e não no particular, já que são utilizadores por interposta pessoa, que são os seus educandos.”

terça-feira, 6 de junho de 2006

Um "bafo"


Julgo ser sensato este volte face na responsabilização dos proprietários dos restaurantes, hotéis, bares e discotecas quando um seu cliente puxe de um cigarro. No entanto discordo no que toca à manutenção da medida principal da lei, que é a proibição de fumar em todos os estabelecimentos.
Esta ideia de delimitação do país de norte a sul, como área não fumadora, não me parece o caminho certo para atingir resultados, para mais quando sabemos que, em muitos casos, nomeadamente junto da faixa etária mais jovem, o fruto proibido acaba sempre por ser o mais apetecido.

Sinceramente, concordo com os responsáveis dos estabelecimentos de hotelaria e restauração, quando dizem que o modelo a seguir seja o Espanhol, onde cabe aos proprietários a decisão de se fumar ou não no seu “estaminé”, devendo estes serem uniformes relativamente à totalidade do espaço e não segmentá-lo em zona de fumadores e não fumadores. A informação do critério escolhido deve ser visível, logo à entrada.

Em vez do Governo andar com trocas e baldrocas neste assunto, o conselho aqui do Je, é um aumento avassalador do preço do tabaco! Em vez de se andar a aumentar 5 e 10 cêntimos por maço de tempos a tempos, aumente-se 5€ o maço a ver se o consumo não desce drásticamente!
Eu, pelo menos, na qualidade de fumador confesso, não estaria virado para a sustentação um vício que, para além de ser extremamente prejudicial para a minha boa forma física (que já esteve bem melhor!), sacasse 7,60€ diários às minhas economias.

Sem medos… se há coragem para aumentar impostos e fechar maternidades, porque não para aumentar o preço da nicotina em 5€ o pack de 20 cigarros…

Nota: li há uns tempos, nem sei bem onde, que as tabaqueiras numa estratégia comercial com vista a diminuir o preço de venda ao público, face a elevados preços, presumo que nos “States”, diminuíam os maços de 20 cigarros para um número inferior, tornando-se mais acessíveis. Caso esta minha dissertação fosse colocada em prática, as tabaqueiras, provavelmente, iriam enveredar por esse mesmo caminho, à falta de melhor rumo, embora saibamos que dinheiro e imaginação não lhes faltam.

sexta-feira, 2 de junho de 2006

A 1º vez é muito importante

Cavaco Silva uso o veto político.
Sendo eu um céptico em relação à prerrogativa constitucional usada, creio que, já que existe, foi invocada de forma soberba!!!
O Presidente vetou, e bem, o diploma sobre as quotas femininas.
Já a 8 de Março (cfr. post) me opusera. As razões mantêm-se, pelo que deixo o aplauso.

Abaixo de ...


O PSD apresentou, na Assembleia da República, um projecto de resolução para que o dia 6 de Junho passe a ser o Dia Nacional do Cão.
Ora bem, vamos a contas:
1 - Boa ideia, porque...
a) Mais de 7000 cidadãos subscreveram uma petição nesse sentido, e a democracia directa está a pegar.
b) O cão é mesmo um animal útil, a muitíssimos títulos.
c) Denota sensibilidade.
2 - Má ideia, porque...
a) Quando não percebemos as grandes ideias do PSD noutras matérias (por exemplo, a segurança social) ou a Comissão Europeia não as entende (por exemplo, quanto à utilização de fundos comunitários para despedimentos), pode pensar-se que andamos (sou o militante nº 11969) a descurar os alvos essenciais.
Nota: se a culpa da pouca notoriedade das nossas outras propostas for a comunicação social, apenas há que o demonstrar aos portugueses, com dados.
b) Há muito "cão" bípede que não será homenageado.
c) Se a moda pega, ai de nós quando os donos de gatos, pássaros, peixes e iguanas começarem a demonstrar o papel relevante daqueles...
d) Quando largarmos o domínio do irracional: e se houver petições para o dia nacional do quadro técnico sem viatura de serviço? E para o funcionário com o messenger bloqueado pela empresa?
E para os lares com empregadas filipinas?
Como noutros casos, impressiona mais o momento do que a medida em si...

quarta-feira, 31 de maio de 2006

Show de bola


A marca é um activo das empresas, sendo esta, nos dias que correm, um sinónimo de permanência no mercado, tal é a concorrência feroz em todos os domínios de actividade. Facilita o reconhecimento o que, por sua vez, favorece a fidelização por parte dos consumidores.
Em Portugal, como não podia deixar de ser, e honra seja feita aos profissionais da área, o marketing tem-se desenvolvido a olhos vistos e com qualidade reconhecida. Veja-se o exemplo da Frize, que antes a “água com gás era só para quem estava maldisposto” e graças a uma excelente campanha de marketing (inclusive premiando o seu responsável de marketing como o marketeer do ano), hoje a água com gás atinge segmentos de mercado nada comparáveis com os de há pouquíssimos anos atrás.

Perante o acontecimento e o seu mediatismo, todos os marketeers desdobram-se em esforços, no sentido de ver as marcas que representam associadas ao Mundial da Alemanha. Campanhas de marketing associadas ao conclave futebolístico abundam nesta época, sejam promoções, lançamento de novos produtos, jogadores tornados em líderes de opinião para atingir determinados targets, ou mesmo promessas de devolução total dos bens adquiridos caso “a nossa selecção” saia de terras alemãs com o desejado “caneco”. Os marketeers estudam cada vez mais o comportamento dos consumidores, aperfeiçoam técnicas de comunicação, tentam penetrar em novos mercados.

Mudando de flanco, de marketing percebe Scolari. Brasuca de comportamento sisudo, refilão, cara de poucos amigos, impulsivo, que muda quase meia equipa após o primeiro jogo no euro2004, que organiza um estágio pré mundial no Alentejo a temperaturas nada condizentes com as que vai encontrar na Alemanha, que convida Cabo Verde e Luxemburgo para os jogos que antecedem o primeiro jogo no Mundial e que, mesmo assim, consegue unir e pôr a saltitar o coração lusitano de todos nós é obra! Não está ao alcance de qualquer alma mortal!!!...

PS: Quem me dera que o Feira Nova, com a sua promoção “quando a selecção ganha, o feira nova é que paga”, desse à malta que lá anda às compras, vales de desconto de 100% do valor lá gasto…

terça-feira, 30 de maio de 2006

Amnésia


A situação em Timor-Leste, começando por coisas verdadeiramente sérias, tem tudo para ser, pelas más razões, um caso de estudo.

Antes da independência falei e escrevi sobre Timor, até ao ponto de alguns correligionários (alguns dos quais com funções de relevo e que, agora, “enchem a boca” com as gentes timorenses) satirizarem, mas logo sublinhei, quando as notícias começaram a ganhar cores alegres, que o mais fácil seria, de então em diante, esquecer Timor.

E assim se viveram os últimos tempos, com o espírito de quem se livrou de um peso na consciência ou de quem “já deu para esse peditório”.

A somar ao “nacional-porreirismo”, as restrições orçamentais e a proximidade de potências como a Austrália e a Indonésia foram atenuando a “moda” de 1999, excepto no que diz respeito ao brio dos cooperantes e forças de segurança, por um lado, e ao afecto que os timorenses têm por nós, por outro lado.

Nisto, esquecemo-nos de ancestrais divisões étnicas, familiares e políticas que percorrem o jovem País. Ainda há cerca de 30 anos, vizinhos matavam-se uns aos outros, algo que foi agravado durante a ocupação indonésia, em certos casos.

Tudo isto se joga, agora, mormente se pensarmos que o governo é dominado por elementos que estiveram exilados em Moçambique (a tendência mais à esquerda); também esta clivagem - a do local de exílio – serve para ler a política timorense, acreditem ou não. Esta predominância gerará, sem dúvida, rivalidades que agora ressurgem e que geram a união em torno do Presidente da República.

Ou seja, com excepção dos diplomatas, creio que, de facto, nos esquecemos de Timor, o que, como sempre acontece quando se procura aligeirar os problemas, sempre se paga, e com juros.
Sobre as medidas a tomar, reconheço humildemente que me faltam habilitações para a prescrição, mas o que sei é que Timor é e será uma questão premente da nossa política externa, durante muitos e (espero eu) bons anos. Resta saber se estamos dispostos aos sacrifícios inerentes. Entendo que, olhando o passivo histórico e o activo cultural e estratégico, é uma causa a abraçar.

sexta-feira, 26 de maio de 2006

Tácticas do laranjal


Não tenho os números exactos, mas já ouvi, na TSF, que o PS está 12% à frente do PSD, que, por sua vez, desce 0,5%.
Além disso, embora menos relevante, o líder do PSD continua com menos popularidade que o homólogo socialista.
Ora bem, embora se não deva governar pela popularidade - ser Primeiro-Ministro não é o mesmo que ser Miss Simpatia - só galvanizando se mobilizarão os portugueses para as medidas a tomar, invertendo a tendência de degradação da imagem dos políticos.
As cifras "barométricas" arrepiam ainda mais se pensarmos que o Governo, entre outras "prendas", aumentou impostos e os combustíveis, tornou mais difícil o acesso a pensões de vária sorte e ordenou o encerramento de maternidades e escolas, a mais de ter enfrentado os mais diversos grupos sócio-profissionais (entre outros, professores, médicos, agricultores, policias e, desde hoje, farmacêuticos).
No meio disto era supor uma de duas coisas: ou o PS andaria ao nível do PEV ou da Nova Democracia, ou as medidas, sendo boas (se as sondagens traduzirem reconhecimento), mereceriam um aplauso, de quando em vez (como hoje fez o dr. Marques Mendes, com elevado sentido de Estado, sobre a liberalização das farmácias, não deixando de discordar sobre os genéricos).
Em suma, há é que meditar sobre o assunto, e foi isso que procurei suscitar no Congresso.
Em vez de perceberem o contributo, alguns fundamentalistas bem próximos do Presidente do PSD, ao que me dizem alguns amigos, preferiram comentários alarves, pondo em causa a lealdade da intervenção.
Com eles posso eu bem... O que não sei é até quando os portugueses vão poder com a actual maneira de fazer política.

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Passar ao lado

Com os anos em atraso do costume, o happy slapping chegou até nós, numa escola de Braga.
No fundo, este é o passatempo de adolescentes (regra geral) que humilham terceiros, enquanto um outro filma o acontecimento para posterior divulgação via Net ou telemóvel.
É estupido e reflecte bem a brutalização a que chegam as sociedades ocidentais, nos dias de hoje.
Todavia, continua sem se ir à raiz do problema, a qual não está na liberdade de escolha, agora recuperada para o debate político.

terça-feira, 23 de maio de 2006

Parece-me desigual...

Esta luta de Carrilho contra o resto do Mundo!

enfim... haja paciência.

...

Já assisti a alguns congressos: uns “in locco”, mais ainda via televisão.
No “antes” congressos, a mensagem é repetitiva: está em causa a discussão política, a reorganização interna, a legitimação do líder e órgãos eleitos, a necessidade de novas conquistas, o debate de ideias que visam o melhoramento da qualidade de vida e anseios de um país agora e sempre sedento de novas políticas, associadas a um evoluir constante dos tempos.
“Pós” congressos, para o líder e direcções eleitas, o conclave corre sempre bem. Houve debate interno, apresentaram-se propostas de futuro, o Partido sai unido, renovou-se com vista aos novos desafios.

Não sou mesmo nada daqueles que entendem que os militantes devam ser fiéis seguidores do que ali foi protelado, sendo quase doutrina. Obviamente, que ao sentido crítico que deve estar presente, deve ser aliado um respeito e seguimento inerente à condição de partidários, quando o somos. O que me parece óbvio é que os partidos e os seus líderes devem estar preparados para estes julgamentos, não os devem encarar como destrutivos, independentemente dos seus números eleitos serem superiores aos noventa pontos percentuais.

Não me parecem nada fáceis os dois anos que se avizinham para o PSD. Olhando para os eleitos, sem colocar em causa os seus valores individuais, a renovação deveria ter sido mais acentuada. Não mexer em equipa ganhadora, como foi apregoado por uns, só me parece viável quando essa equipa tem, junto da sociedade civil, indicadores altos de notoriedade e de compreensão do que dali é apregoado, o que sinceramente não me parece ser o caso. Recordo-me que Alberto João Jardim, quando confrontado com a renovação de que se falava num determinado Congresso respondeu, que não via ali uma renovação, mas sim uma rotatividade de lugares e de cadeiras, onde as personagens eram sempre as mesmas. O que me deixa fulo no meio disto tudo é que, sinceramente e pelo que conheço, quadros de valor no PSD é o que felizmente abunda. E onde é que eles estão? Esquecidos, sujeitos a humores e vontades de quem cola e não desgruda do poder, quais fitas isoladoras da nova geração.

domingo, 21 de maio de 2006

"Sarah"


Embalado pelo fenómeno criado à volta da obra de Dan Brown, que mais não fosse por uma questão de curiosidade, ontem peregrinei ao cinema.
As minhas bases católicas são precárias. Penitencio-me reconhecendo que o meu pensamento na existência de um ser superior, apenas tem cor quando uma ajuda divina vem a jeito, mas não sou descrente. Acredito no que de bom o catolicismo tem, na mensagem de paz e de solidariedade que tenta transmitir, irrito-me quando os seus “dignos” representantes não se modernizam, não se apercebendo que a evolução da sociedade a todos toca, mesmo à Igreja, por muito conservadorismo que esteja na sua génese.

Parece-me estapafúrdia a onda de cepticismo ao seguimento da fé cristã que o “código” impulsiona, isto porque, já tem sido dito e redito, nada do que Dan Brown apresenta é novo. Mais não se trata de um romance/policial, não uma obra teológica. Um conjunto de ideias parciais baseadas em teorias, excepcionalmente apresentadas, embora de veracidade duvidosa, discutível nos dias de hoje e seguramente para todo o sempre.
O “Código Da Vinci”, tal como tudo o que tem mão humana é falível, não se torna doutrina apenas porque o número de curiosos seja elevado, sendo apenas uma forma diferente de interpretar a história.
Sinceramente, gostei do filme e a ser verdade que tenha mesmo existido a tal “Sarah” (descendente de Jesus Cristo e de Maria Madalena), a minha fé não será minimamente abalada, até porque esta história do celibato, sempre me pareceu mais um capricho ideológico da Igreja, que vai contra a natureza humana, dando depois azo a situações desprestigiantes sobejamente conhecidas.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Quando a sociedade trabalha mais...

É certo que foi iniciativa de um sector profissional com alta capacidade de mobilização, mas isso não tira interresse ao facto de o Parlamento ter aprovado, ontem, uma iniciativa legislativa proposta por cidadãos (no caso, arquitectos).
Resta saber, uma vez que a aspiração (a reserva de competência para assinar projectos de arquitectura) tinha 33 anos, o que andaram a fazer os grupos parlamentares, visto que, estando todos mais ou menos de acordo, nenhum partido mexeu uma palha.

Gente de bem

Informou-nos a RTP1, hoje pela manhã, de que Portugal lidera o ranking europeu de furtos em lojas de retalho, apenas "ameaçado" no prestigiad galardão pela República Checa, pela Eslováquia e pela Hungria.
Esperemos que a Albânia adira rapidamente à UE, para ver se isto dá mais luta.

O PSD pensa que...

A Procuradora-Geral Adjunta do Ministério Público, Maria José Morgado, era citada pelo Diário de Notícias (edição de ontem) como detendo a opinião de que pouco se fazia, em Portugal, no domínio do combate à corrupção em meios políticos, aproveitando ainda para sublinhar as suas reservas quanto à eventual interferência do poder político no trabalho da Polícia Judiciária, por via da nomeação dos seus dirigentes.
Sobre isto o PSD pensa que:
1 - está certo
2 - está errado
3 - não está certo, nem errado
4 - todas as anteriores
5 - nenhuma das anteriores
Se souber a resposta, remeta um comentário e habilite-se ao lugar de membro deste blog (temos que reconhecer quem sabe mais do que nós).

quarta-feira, 17 de maio de 2006

Cardápio

O próximo congresso do PSD, a ocorrer neste fim-de-semana, promete baixos níveis de adrenalina, excepto no que tocar a fazer listas ao conselho nacional.

Marques Mendes foi eleito a solo, mas com boa participação, e a margem de demarcação será curta.
Creio (alma poética, a minha), por isso, que será um bom momento para afinar o método, tendo em vista três anos de difícil oposição. A minha agenda seria, assim, quadripartida:

1º “Comunicação”: o PSD tem, rapidamente, que reflectir sobre as razões de vogar atrás nas sondagens, depois de eleger um líder de estilo diametralmente oposto ao anterior, de vencer duas eleições (autárquicas e presidenciais), e estando face a um governo que (também) aumentou impostos, que diminuiu as pensões (ou, pelo menos, a facilidade de as obter), que promete fechar maternidades (por muito ponderosas que pareçam ser as razões), que ficou ligado a “n” aumentos dos combustíveis e que, last but not least, com maior ou menos adequação, tem interpelado vários sectores sociais, com alto grau de crispação.
Aqui chegados, ou o PSD culpa genérica e acriticamente a comunicação social (havendo que encontrar quem faça o papel de Manuel Maria Carrilho) ou encontra uma formula para comunicar que seja atractiva sem cair no simplismo apelativo que requerem muitas das mentes adormecidas pela ”cultura” da televisão, tão característica dos tempos actuais.

2º “Renovação”: quando surgem novas figuras, mormente no domínio da reflexão política, há sempre um qualquer gabinete de estudos ou estrutura honorífica afim para onde “empandeirar” os incómodos pensadores, tantas vezes denegridos com o rótulo de “intelectual”.
O mais comum é que se não perturbem os “accionistas” que se vão revezando nos lugares, de maneira a que sejam, em bom rigor, os mesmos, há mais de vinte anos.
A renovação é Belzebu para os partidos portugueses, dado que, entre a geração fundadora e a que agora começa a discutir o partido, existe uma outra que, aproveitando as oportunidades de participação do pós 25 de Abril, se profissionalizou tacitamente, estando pouco atreita a sair de jogo, e “ameaçando”, dada a idade que tem em média, mais vinte ou vinte e cinco anos de “sacrifícios” pelo povo.

3º “Esperar para ver”: outro ponto a repensar pode bem ser a cautela (vulgo, credibilidade) com que se faz politica, na oposição.
Estando o País com alto grau de ingovernabilidade, os partidos que almejam o poder têm optado por não elevar demasiadamente as expectativas, procurando esperar até que os governos percam o poder.
O problema é que, com tamanho decréscimo de expectativas, a capacidade de, uma vez no poder, mobilizar os portugueses para os esforços a fazer torna-se quase nula. As pessoas passarão a escolher por notas carismáticas ou por descrédito do executivo.

4º “Ideal social”: por fim, entendo que deveria o PSD reflectir não apenas no plano táctico (ou seja, medida a medida ou, no máximo, a quatro anos), mas também no plano estratégico e prospectivo.
A previsível, e mil vezes anunciada, falência da segurança social, o encerramento de unidades de saúde com argumentos económicos, a saturação do meio ambiente, a escassez de recursos fósseis, a proliferação de armamento nuclear, entre outras, são questões que afectarão, sem dúvida, os filhos e netos de muitos dos actuais lideres partidários, sem que se lhes vejam soluções corajosas e pouco raladas com resultados eleitorais imediatos.

Estes são, em suma, pontos que me pareceriam decisivos para elevar a bitola da nossa politica.

terça-feira, 9 de maio de 2006

Olha se a moda pega...

Todos somos conhecedores do fervor patriota dos argentinos em matéria de futebol.
Não é seguramente e apenas, um “problema” do país do tango, o facto de, em tempos de mundial de futebol, nomeadamente quando a selecção nacional dos respectivos países joga, muita “malta” se baldar aos seus afazeres.
Parece-me inovadora a medida do ministro da educação argentino e o seu programa: “Uma televisão na escola”, que visa combater as gazetas dos estudantes às aulas, colocando uma televisão em cada sala de aula. O objectivo é o de impedir que, no dia dos jogos, os estudantes não decidam ir para outras bandas e mandem os professores leccionarem para as paredes.
A medida parece-me caricata. Aos docentes argentinos não agrada nada, antevendo dias perdidos, em que terão de gerir várias emoções antagónicas.

Já viram se a moda pega?

segunda-feira, 8 de maio de 2006

Haja Coração!

Parece sina da Briosa deixar para o fim o que podia e devia ter sido resolvido bem antes. Com o orçamento, equipa de futebol e massa associativa que tem, há credos que podiam muito bem ser evitados. Irritante mesmo, é que aliado à fortuna no jogo de ontem contra o Marítimo, temos o treinador, a horas do derradeiro jogo, proferir que se fosse para encher o estádio, o sofrimento era amenizado!
Valeu-nos um Joeano em forma, que apesar de muitos meses sentado na poltrona dos esquecidos, lá nos deu uma ajuda (e que ajuda) nesta etapa final.
Espero, sinceramente, que para a próxima batalha desportiva, o sofrimento se revista de outras aspirações, condizentes com a grandeza reconhecida à nossa (minha e de mais uns quantos milhões) Briosa.

Virando para outro flanco, outra paixão, lá se realizaram as primeiras directas no PSD. Confesso-me há muito adepto deste método de eleição do líder. Não só o defendo para o PSD, como também para a JSD, se bem que neste último caso, parece-me algo para o qual a estrutura ainda não se encontra minimamente preparada.
As eleições parecem ter corrido bem, a votação no líder reeleito foi expressiva, apesar de uma abstenção elevada, mas justificada, devido à falta de “opponnents”. Contudo, nesta eleição, retira-se que uma eventual candidatura de um qualquer militante que queira ir a votos não se afigura nada fácil! Sem apoios de base, tal torna-se mesmo impossível, veja-se o caso do Dr. Pereira Coelho (Zé Beto), que apesar de não ser um militante desconhecido no partido, não conseguiu ir avante com as intenções de uma candidatura.
Mas, as novidades, não só foram o método de eleição, mas também a questão do pagamento das quotas. Já se fazia tarde, combater o pagamento de quotas em catadupa. Esta decisão da CPN em atribuir de forma aleatória os códigos de pagamento das quotas, atribuídas antecipadamente via postal, já urgia e só peca por tardia.
Finda a etapa eleitoral interna, compete agora a Marques Mendes, tornar o partido mais apelativo, conseguir fazer passar uma mensagem de rigor e reorganização interna, complementá-la com ideias e propostas que saciem os intentos da sociedade civil, utilizar métodos e técnicas de comunicação expressivas, baseadas na experiência adquirida ao longo dos anos, rodeando-se de quadros políticos competentes.
Não aparenta ser tarefa fácil, combater um governo com um líder forte, munido de uma máquina de Marketing Político jamais vista em Portugal.
Que o tempo e desgaste inerentes à governação, aliados a um PSD forte, com Marques Mendes ao leme, nos façam sonhar que em 2009 é possível.

Na cama com os políticos



Tomei nota de uma notícia difundida, há dias, pelos media, que dizia que o Governo tencionava penalizar os cidadãos que decidissem não procriar, discriminando positivamente os que mais dessem cumprimento aos mandamentos bíblicos, por seu turno.

Antes de mais, admito que a notícia seja lacónica, cumprindo aprofundar (salvo-seja) o tema.

Todavia, esta é uma área onde admito uma nuance ideológica (ou, em linguagem de esquerda, a minha deriva neoliberal): não creio que o Estado deva ir para a cama com os cidadãos, por muito que seja a solidariedade a nortear o exercício (salvo-seja II).

Bem sei que a pirâmide etária está a inverter-se (salvo-seja III), pondo em risco a sustentabilidade da segurança social, mas penso que é violentar (salvo-seja IV) o livre arbítrio de cada pessoa impor a obrigação de procriar.

Admitamos que alguém entende que não tem especial vocação paternal/maternal: será boa ideia sujeitar o nascituro a gente displicente? Será de admitir que se contrariem modos de vida não necessariamente egoístas?

Creio que outro tipo de situações deverá também ser acautelado; ou seja, quem não tenha filhos por razões médicas terá que ir a uma repartição exibir um estigmatizante atestado?

Opto pelo "wait and see", mas, por razões ideológicas, discordo da ideia de penalizar quem não se torna gente de família, nada tendo a opor a que se beneficie quem escolha pôr mais cadeiras à mesa.

Forma de estar na vida

Mais um ano na Superliga...

quinta-feira, 4 de maio de 2006

"Habituem-se!"

"A consulta das Bases de Dados do DRE não dispensa a consulta do D.R. original".
Está no site do Diário da República, e é pouco "simplex"!!!
Para parafrasear um ilustre parlamentar socialista, os jornalistas da República é bom que se habituem.

Obikwelo

Se há biografia política que daria best-seller, essa seria (pelo menos, no PSD e alguns sectores de outros partidos e grémios) a de José Alberto Pereira Coelho, o "nosso" Zé Beto...
Misturando-se lenda e realidade, muitas são já as peripécias que animam o imaginário de amigos e conhecidos desta figura grada do mundo laranja, que não deixa quem quer que seja indiferente.
Algumas coisas têm que lhe ser reconhecidas: perseverança (quando entrei para o PSD, ZB já lá estava, desde a I República), coragem (para alguns tem outro nome, mas é inegável) e militância.
Para lá disto, a lista de assinaturas, a avaliar pelo que se lê nos media, é, no mínimo, polémica. E a verdade é que mesmo que, feitas à sua margem, as irregularidades serão sempre associadas ao líder da oposição interna em exercício...
Porém, ZB disse à TSF que ainda está na corrida (alegadamente, não foi notificado)!
Corra, dr. Mendes! Corra!...
Nota: foto gentilmente cedida por "O Politicopata".

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Liga Bet and Lose

Lê-se no Diário de Notícias, edição de hoje, que "O CDS, por Mota Soares, mostrou-se também satisfeito, realçando que na votação da Lei da Paridade 'o PS é que não tinha deputados suficientes para assegurar a sua passagem' ".
O assunto base do artigo é a decisão de não suspender o sistema de votação electrónica, questão que, aliás, me pareceu sempre bizantina e ilusória em relação ao que deviamos estar a discutir.
Agora, das duas, uma: ou o meu caro amigo Luís Pedro está a insinuar maldosamente ou é verdade o que ele afirma. Em ambos os casos, há medidas a tomar pela qualidade da nossa democracia.
Olhando para trás, medidas é mesmo a única coisa que nos arriscamos a não ver. Vai uma apostinha?

terça-feira, 2 de maio de 2006

Tangerina (edição revista e aumentada)

Embora a rejeição pelo Conselho de Jurisdição da candidatura de Pereira Coelho, mantenho, no essencial as palavaras que, hoje, vêm publicadas no Diários "As Beiras", pois continuo a entender que o processo de eleição directa do líder do PSD veio confirmar um dos receios que acalentava: o de que os meios viessem a ditar muito do que seja a compita eleitoral.

É evidente que os curricula de Luis Marques Mendes e de José Alberto Pereira Coelho seriam sempre bem diferentes, com esmagadora vantagem para o primeiro, no que toca a cargos partidários e de Estado.

Porém, com as devidas voltas à pista de avanço, normalmente, haveria interesse em mais debates nas circunscrições partidárias e nos media ou, pelo menos, mais tempo de antena para o único challanger, pelo menos, enquanto o foi. Mas nem intenções disso se vsilumbraram
A verdade é que na sociedade mediática, duas afirmações são possíveis e compagináveis: em primeiro lugar, em relação aos media, mais vale cair em graça do que ser engraçado. Quero com isto dizer que se já se é mediático desfrutar-se-á de uma exposição muito maior do que sendo um concorrente quase anónimo para o grande público, quando, se calhar, até podia dar-se uma compensação de sentido inverso.

Em segundo lugar, quem também tenha máquina (leia-se, financiamento, staff, estruturas locais) do seu lado tem outro suplemento não menosprezável, sendo que um mecanismo estimável de democracia directa acaba por ser relativizado pela “cor do dinheiro”.
Não que entenda, note-se, que a candidatura do dr. Pereira Coelho seria um ataque viável ao actual premier laranja; não sei mesmo se, desde o início, terá sido essa a intenção genuína do candidato. Porém, em termos abstractos, creio que podem extrair-se algumas ilações para embates futuros.

Sem invocar as mesmas razões de transparência (que não me parece estar em causa no PSD, salvo melhor opinião) que motivaram a alteração do financiamento dos partidos políticos, creio que a igualdade entre todos os militantes seria mais bem acautelada se a todos os que formalizassem a candidatura fosse assegurado um patamar mínimo de apoio, embora nunca sob forma pecuniária pura.

Dito isto, e falando sobre os ausentes, pode ser que o calculismo que ditou que muitos dos críticos não “fossem a jogo” – bem vistas as coisas, vêm aí três áridos anos de oposição a José Sócrates – venha a sair caro. A análise não é original, mas também eu constato que se há homem “nado e criado” no PSD, esse homem é Marques Mendes.

Tendo dedicado ao partido muito (muitíssimo mesmo) do seu tempo, o actual Presidente conhece bem os locais e as pessoas, não sendo de esperar que baixe a guarda, até 2008.

Feitas as contas, os que não marcaram terreno agora poderão vir a lamentar a abstinência, uma vez que Marques Mendes, com a sua reconhecida sagacidade, tudo fará para sedimentar a sua posição, assim o ajude também uma eventual derrapagem da popularidade do Executivo.

Neste aspecto, Pereira Coelho (o “nosso” Zé Beto) entreviu uma deixa eventualmente irrepetível e tentou o seu momento de glória.

Francamente, preocupa-me bem mais a renúncia de alguns adeptos da surdina (não falo dos opositores óbvios que, por o serem, não falam em surdina) que, por vezes, parecem trocar a conquista de uma laranja por um gomo de tangerina.