sexta-feira, 7 de julho de 2006
60% é muito bom...
quinta-feira, 6 de julho de 2006
Resta-nos OPELar aos santos...
Diz a Opel (General Motors) que sai mais caro produzir em Portugal do que em Espanha, imagina-se. E, factores de produção e impostos à parte, são mais do que muitas as suspeitas sobre o brio e zelo da nossa mão-de-obra. Basta lembrar que, no caso da fábrica de Palmela, enquanto os próprios trabalhadores alemães (creio que não falamos, em bom rigor, do terceiro mundo) aceitavam recuar nos salários, aprovando cortes, ou seja, perdendo um pouco para que se não perdesse tudo, os seus congéneres lusos lutavam por aumentos e pela manutenção de horas extraordinárias remuneradas regiamente (a imprensa falou, em 2005, de valores que podiam ir até aos 200%, aos sábados, e aos 500%, aos domingos).
Vendo bem, a mentalidade é mesma dos tempos em que havia o ouro do Brasil: enquanto estiver a dar, que se danem as agruras. Isto é, pensar o dia de hoje é bem mais relevante do que acautelar o futuro (próprio e dos sucessores), já que sempre nos desenvencilhámos, desde D. Afonso Henriques…
Claro que, a este ponto da prosa, posso ser acusado de insensibilidade. Far-me-ão ver que o poder de compra alemão comporta cortes, ao passo que, em Portugal, muitas famílias não suportam sequer um aumento de vinte euros na prestação da casa.
Porém, mesmo aqui, não excluindo que haja situações verdadeiramente dramáticas, não sei se um mercado de arrendamento mais atractivo não acabaria com a mania de sermos proprietários (embora tal faça sentido, se olharmos à pouca diferença que ainda existe entre os dispêndios da compra e do arrendamento) e um combate ao consumismo não dariam frutos.
Deveria haver mais pedagogia em todos estes domínios. Seria possível trabalhar menos horas, se produzíssemos mais e com mais espírito de grupo, nas horas laborais. Não seria preciso abrir ATL às 8h30 e depois das 17h30, se os progenitores (assim menos presentes na educação dos filhos) trabalhassem com afinco de japonês. Não faria diferença proteger o posto de trabalho, aceitando congelamento de salários, se não se derretesse dinheiro em coisas que só na publicidade são essenciais.
quarta-feira, 5 de julho de 2006
A prisão da cultura

Entretanto, fui já acusado de ingenuidade, pois há quem deduza que a deslocalização da penitenciária de Coimbra tem a ver precisamente com a angariação de receitas para um Estado falido.
terça-feira, 4 de julho de 2006
Questão de “timing”
Parece consensual a distinção que deve haver entre os dois mundos (menos para os gregos, ao que parece!). Agora o que não me parece consensual é o timing! Será que a FIFA não podia ter proibido (futebolisticamente falando) os gregos de sair da Grécia mais cedo? Não digo muito mais cedo, mas em 2004 não me parecia mal! Faria com que muito português não tivesse ficado grego.
quinta-feira, 29 de junho de 2006
Pense se quiser

quarta-feira, 28 de junho de 2006
Sentido figurado
Que o comentário não lhe correu nada bem, parece-me óbvio, agora convém também ter a noção do contexto de cada região, se bem que isso não justifique tudo. Incitar ao apedrejamento de quem quer que seja, mesmo que o sentido seja figurado, ainda para mais alguém com as responsabilidades conhecidas, ultrapassa claramente o conservadorismo imperante. Se formos por aí, os limites da razoabilidade acabam por ser postos em causa. Os políticos têm de se aperceber que as suas opiniões e afirmações têm repercussões, provocam reacções de terceiros. Devido à força dos cargos que ocupam há sempre danos adjacentes aos deslizes cometidos em termos de terminologia.
O “sentido figurado” e o “não sei, mas ouvi dizer que…”, a título de exemplo, são expressões a ter em atenção, em caso de utilização. A imagem dos eleitos em democracia representativa, muitas vezes é, a imagem da própria democracia.
Laranja a votos, em Coimbra
Em si, sem apreciar o conhecido e o desconhecido, a oferta diversificada beneficia sempre o consumidor (entenda-se, o militante). Pina Prata já não alcançará o pote de ouro (lista única) que se encontraria no fim do arco-íris político que se preparava para federar, o que também impedirá as bandeiras de conveniência que têm ondulado no céu do PSD de Coimbra, como se todos fossem amigos, de há muito a esta parte.
A verdade, como sempre disse, é que a reconquista de edilidade unificara, por boas ou más razões (não sou nem psicanalista, nem polícia), pessoas que sempre se haviam defrontado, e que ao menor sinal de perestroika a divisão dos despojos seria possível.
Entre os rumores de que Carlos Encarnação poderia estar “noutra” e o facto de o mayor ter preocupações que cheguem com o belíssimo trabalho que tem feito na cidade (nota do autor: esta afirmação é desprovida de ironia!), seria de esperar que as velhas alianças se recompusessem, e nem a antecipação tacticamente bem pensada por Pina Prata parece ter podido evitar o inevitável: à boa maneira de Richelieu, o poder é, nos grandes partidos, um fim em si, pelo que, nem que seja só por isso, na ausência de tutela, os exércitos perfilam-se.
Escrevo o texto presente sem ponta de pretensão, já que bem sei que, tirando esta tribuna livre do BEIRAS (falo por mim), a livre reflexão, por cá, costuma pagar-se em desterro. Todavia, não desisto de gostar do PSD e ainda mais de Coimbra e de Portugal, pelo que creio que há questões que o candidato assumido e o outro que me dizem que há de ser assumido deviam explicar, se não achassem uma maçada excessiva:
1. Entendendo eu que o PSD pouco pauta o debate político de Coimbra, descansando, a este respeito, à sombra do justo protagonismo do mayor, muito gostaria de saber como tencionam os candidatos revitalizar o debate interno, no partido. Espero que não repitam as banalidades do costume sobre grupos e conselhos de reflexão, que são sempre uma boa maneira de “arquivar” os “arrogantes” que ousam importunar com umas ideias livres quem carrega o fardo de decidir.
2. Também não seria mau sabermos qual o conceito estratégico de cidade defendido pelos eventuais presidentes concelhios. Liderança nacional na ciência? Centros de excelência ou misto de formação e absorção de recursos humanos para uma mais deliberada evolução do tecido industrial que é algo incipiente, olhando o todo do País? Cidade de cultura? Qual cultura: elitista, de massas, ou “subsidio-dependente” (aquela de que gostam o Bloco e os amigos)? Que modelo de evolução urbanística? Tudo isto? Nada disto?
3. E como seleccionarão os candidatos, agora que a democracia directa se instalou, mesmo na eleição do presidente da comissão política nacional? Será que põem a jogo os nomes de vereadores e deputados do nº2 em diante (já que os cabeças de lista me parecem uma escolha a reservar para a liderança nacional)? E o perfil que apresentarão à assembleia concelhia continuará a ser a trivialidade e o albergue espanhol (onde cabe até o falecido urso de relva que foi imolado pelo fogo, à beira-rio) que tem sido?
4. Depois, também daria alvíssaras se me explicassem com coerência e exequibilidade como tencionam fazer com que o PSD de Coimbra recupera a importância nacional que já teve. Se não fosse o esforço persistente de Carlos Encarnação, Fátima Ramos e Jaime Soares, poderíamos mesmo ir a um congresso nacional sem nos lembrarmos do distrito…
5. Por fim, confesso-me curioso para saber como se quebrará – se é que há o menor interesse nisso – o ambiente de “sociedade por quotas” que me parece imperar, com os shares de votos a ditarem a lei do PSD de Coimbra.
terça-feira, 27 de junho de 2006
Código Do Silva
terça-feira, 13 de junho de 2006
A recusa
Pelo que li ontem, a Associação de Pais da Escola 2,3 Inês de Castro, em Coimbra, recusou avaliar os professores!
Os argumentos, se bem que resumidos, parecem-me interessantes.
“Consideramos a avaliação dos docentes um assunto muito sério.”
“ A proposta da Ministra não é para levar a sério.”
“… este episódio da avaliação dos professores mais não faz do que desautorizar os professores perante a comunidade estudantil, minando a credibilidade da escola pública.”
“ Os pais e encarregados de educação têm, fundamentalmente, contacto com a escola no seu conjunto, o seu funcionamento em termos gerais e não no particular, já que são utilizadores por interposta pessoa, que são os seus educandos.”
terça-feira, 6 de junho de 2006
Um "bafo"

Esta ideia de delimitação do país de norte a sul, como área não fumadora, não me parece o caminho certo para atingir resultados, para mais quando sabemos que, em muitos casos, nomeadamente junto da faixa etária mais jovem, o fruto proibido acaba sempre por ser o mais apetecido.
Sinceramente, concordo com os responsáveis dos estabelecimentos de hotelaria e restauração, quando dizem que o modelo a seguir seja o Espanhol, onde cabe aos proprietários a decisão de se fumar ou não no seu “estaminé”, devendo estes serem uniformes relativamente à totalidade do espaço e não segmentá-lo em zona de fumadores e não fumadores. A informação do critério escolhido deve ser visível, logo à entrada.
Em vez do Governo andar com trocas e baldrocas neste assunto, o conselho aqui do Je, é um aumento avassalador do preço do tabaco! Em vez de se andar a aumentar 5 e 10 cêntimos por maço de tempos a tempos, aumente-se 5€ o maço a ver se o consumo não desce drásticamente!
Eu, pelo menos, na qualidade de fumador confesso, não estaria virado para a sustentação um vício que, para além de ser extremamente prejudicial para a minha boa forma física (que já esteve bem melhor!), sacasse 7,60€ diários às minhas economias.
Sem medos… se há coragem para aumentar impostos e fechar maternidades, porque não para aumentar o preço da nicotina em 5€ o pack de 20 cigarros…
Nota: li há uns tempos, nem sei bem onde, que as tabaqueiras numa estratégia comercial com vista a diminuir o preço de venda ao público, face a elevados preços, presumo que nos “States”, diminuíam os maços de 20 cigarros para um número inferior, tornando-se mais acessíveis. Caso esta minha dissertação fosse colocada em prática, as tabaqueiras, provavelmente, iriam enveredar por esse mesmo caminho, à falta de melhor rumo, embora saibamos que dinheiro e imaginação não lhes faltam.
sexta-feira, 2 de junho de 2006
A 1º vez é muito importante
Abaixo de ...

O PSD apresentou, na Assembleia da República, um projecto de resolução para que o dia 6 de Junho passe a ser o Dia Nacional do Cão.
quarta-feira, 31 de maio de 2006
Show de bola
A marca é um activo das empresas, sendo esta, nos dias que correm, um sinónimo de permanência no mercado, tal é a concorrência feroz em todos os domínios de actividade. Facilita o reconhecimento o que, por sua vez, favorece a fidelização por parte dos consumidores.
Em Portugal, como não podia deixar de ser, e honra seja feita aos profissionais da área, o marketing tem-se desenvolvido a olhos vistos e com qualidade reconhecida. Veja-se o exemplo da Frize, que antes a “água com gás era só para quem estava maldisposto” e graças a uma excelente campanha de marketing (inclusive premiando o seu responsável de marketing como o marketeer do ano), hoje a água com gás atinge segmentos de mercado nada comparáveis com os de há pouquíssimos anos atrás.
Perante o acontecimento e o seu mediatismo, todos os marketeers desdobram-se em esforços, no sentido de ver as marcas que representam associadas ao Mundial da Alemanha. Campanhas de marketing associadas ao conclave futebolístico abundam nesta época, sejam promoções, lançamento de novos produtos, jogadores tornados em líderes de opinião para atingir determinados targets, ou mesmo promessas de devolução total dos bens adquiridos caso “a nossa selecção” saia de terras alemãs com o desejado “caneco”. Os marketeers estudam cada vez mais o comportamento dos consumidores, aperfeiçoam técnicas de comunicação, tentam penetrar em novos mercados.
Mudando de flanco, de marketing percebe Scolari. Brasuca de comportamento sisudo, refilão, cara de poucos amigos, impulsivo, que muda quase meia equipa após o primeiro jogo no euro2004, que organiza um estágio pré mundial no Alentejo a temperaturas nada condizentes com as que vai encontrar na Alemanha, que convida Cabo Verde e Luxemburgo para os jogos que antecedem o primeiro jogo no Mundial e que, mesmo assim, consegue unir e pôr a saltitar o coração lusitano de todos nós é obra! Não está ao alcance de qualquer alma mortal!!!...
PS: Quem me dera que o Feira Nova, com a sua promoção “quando a selecção ganha, o feira nova é que paga”, desse à malta que lá anda às compras, vales de desconto de 100% do valor lá gasto…
terça-feira, 30 de maio de 2006
Amnésia

A situação em Timor-Leste, começando por coisas verdadeiramente sérias, tem tudo para ser, pelas más razões, um caso de estudo.
Antes da independência falei e escrevi sobre Timor, até ao ponto de alguns correligionários (alguns dos quais com funções de relevo e que, agora, “enchem a boca” com as gentes timorenses) satirizarem, mas logo sublinhei, quando as notícias começaram a ganhar cores alegres, que o mais fácil seria, de então em diante, esquecer Timor.
E assim se viveram os últimos tempos, com o espírito de quem se livrou de um peso na consciência ou de quem “já deu para esse peditório”.
A somar ao “nacional-porreirismo”, as restrições orçamentais e a proximidade de potências como a Austrália e a Indonésia foram atenuando a “moda” de 1999, excepto no que diz respeito ao brio dos cooperantes e forças de segurança, por um lado, e ao afecto que os timorenses têm por nós, por outro lado.
Nisto, esquecemo-nos de ancestrais divisões étnicas, familiares e políticas que percorrem o jovem País. Ainda há cerca de 30 anos, vizinhos matavam-se uns aos outros, algo que foi agravado durante a ocupação indonésia, em certos casos.
Tudo isto se joga, agora, mormente se pensarmos que o governo é dominado por elementos que estiveram exilados em Moçambique (a tendência mais à esquerda); também esta clivagem - a do local de exílio – serve para ler a política timorense, acreditem ou não. Esta predominância gerará, sem dúvida, rivalidades que agora ressurgem e que geram a união em torno do Presidente da República.
Ou seja, com excepção dos diplomatas, creio que, de facto, nos esquecemos de Timor, o que, como sempre acontece quando se procura aligeirar os problemas, sempre se paga, e com juros.
Sobre as medidas a tomar, reconheço humildemente que me faltam habilitações para a prescrição, mas o que sei é que Timor é e será uma questão premente da nossa política externa, durante muitos e (espero eu) bons anos. Resta saber se estamos dispostos aos sacrifícios inerentes. Entendo que, olhando o passivo histórico e o activo cultural e estratégico, é uma causa a abraçar.
sexta-feira, 26 de maio de 2006
Tácticas do laranjal

quarta-feira, 24 de maio de 2006
Passar ao lado
terça-feira, 23 de maio de 2006
...
No “antes” congressos, a mensagem é repetitiva: está em causa a discussão política, a reorganização interna, a legitimação do líder e órgãos eleitos, a necessidade de novas conquistas, o debate de ideias que visam o melhoramento da qualidade de vida e anseios de um país agora e sempre sedento de novas políticas, associadas a um evoluir constante dos tempos.
“Pós” congressos, para o líder e direcções eleitas, o conclave corre sempre bem. Houve debate interno, apresentaram-se propostas de futuro, o Partido sai unido, renovou-se com vista aos novos desafios.
Não sou mesmo nada daqueles que entendem que os militantes devam ser fiéis seguidores do que ali foi protelado, sendo quase doutrina. Obviamente, que ao sentido crítico que deve estar presente, deve ser aliado um respeito e seguimento inerente à condição de partidários, quando o somos. O que me parece óbvio é que os partidos e os seus líderes devem estar preparados para estes julgamentos, não os devem encarar como destrutivos, independentemente dos seus números eleitos serem superiores aos noventa pontos percentuais.
Não me parecem nada fáceis os dois anos que se avizinham para o PSD. Olhando para os eleitos, sem colocar em causa os seus valores individuais, a renovação deveria ter sido mais acentuada. Não mexer em equipa ganhadora, como foi apregoado por uns, só me parece viável quando essa equipa tem, junto da sociedade civil, indicadores altos de notoriedade e de compreensão do que dali é apregoado, o que sinceramente não me parece ser o caso. Recordo-me que Alberto João Jardim, quando confrontado com a renovação de que se falava num determinado Congresso respondeu, que não via ali uma renovação, mas sim uma rotatividade de lugares e de cadeiras, onde as personagens eram sempre as mesmas. O que me deixa fulo no meio disto tudo é que, sinceramente e pelo que conheço, quadros de valor no PSD é o que felizmente abunda. E onde é que eles estão? Esquecidos, sujeitos a humores e vontades de quem cola e não desgruda do poder, quais fitas isoladoras da nova geração.
segunda-feira, 22 de maio de 2006
domingo, 21 de maio de 2006
"Sarah"

As minhas bases católicas são precárias. Penitencio-me reconhecendo que o meu pensamento na existência de um ser superior, apenas tem cor quando uma ajuda divina vem a jeito, mas não sou descrente. Acredito no que de bom o catolicismo tem, na mensagem de paz e de solidariedade que tenta transmitir, irrito-me quando os seus “dignos” representantes não se modernizam, não se apercebendo que a evolução da sociedade a todos toca, mesmo à Igreja, por muito conservadorismo que esteja na sua génese.
Parece-me estapafúrdia a onda de cepticismo ao seguimento da fé cristã que o “código” impulsiona, isto porque, já tem sido dito e redito, nada do que Dan Brown apresenta é novo. Mais não se trata de um romance/policial, não uma obra teológica. Um conjunto de ideias parciais baseadas em teorias, excepcionalmente apresentadas, embora de veracidade duvidosa, discutível nos dias de hoje e seguramente para todo o sempre.
O “Código Da Vinci”, tal como tudo o que tem mão humana é falível, não se torna doutrina apenas porque o número de curiosos seja elevado, sendo apenas uma forma diferente de interpretar a história.
Sinceramente, gostei do filme e a ser verdade que tenha mesmo existido a tal “Sarah” (descendente de Jesus Cristo e de Maria Madalena), a minha fé não será minimamente abalada, até porque esta história do celibato, sempre me pareceu mais um capricho ideológico da Igreja, que vai contra a natureza humana, dando depois azo a situações desprestigiantes sobejamente conhecidas.
sexta-feira, 19 de maio de 2006
Quando a sociedade trabalha mais...
Gente de bem
O PSD pensa que...
quarta-feira, 17 de maio de 2006
Cardápio
Marques Mendes foi eleito a solo, mas com boa participação, e a margem de demarcação será curta.
Creio (alma poética, a minha), por isso, que será um bom momento para afinar o método, tendo em vista três anos de difícil oposição. A minha agenda seria, assim, quadripartida:
1º “Comunicação”: o PSD tem, rapidamente, que reflectir sobre as razões de vogar atrás nas sondagens, depois de eleger um líder de estilo diametralmente oposto ao anterior, de vencer duas eleições (autárquicas e presidenciais), e estando face a um governo que (também) aumentou impostos, que diminuiu as pensões (ou, pelo menos, a facilidade de as obter), que promete fechar maternidades (por muito ponderosas que pareçam ser as razões), que ficou ligado a “n” aumentos dos combustíveis e que, last but not least, com maior ou menos adequação, tem interpelado vários sectores sociais, com alto grau de crispação.
Aqui chegados, ou o PSD culpa genérica e acriticamente a comunicação social (havendo que encontrar quem faça o papel de Manuel Maria Carrilho) ou encontra uma formula para comunicar que seja atractiva sem cair no simplismo apelativo que requerem muitas das mentes adormecidas pela ”cultura” da televisão, tão característica dos tempos actuais.
2º “Renovação”: quando surgem novas figuras, mormente no domínio da reflexão política, há sempre um qualquer gabinete de estudos ou estrutura honorífica afim para onde “empandeirar” os incómodos pensadores, tantas vezes denegridos com o rótulo de “intelectual”.
O mais comum é que se não perturbem os “accionistas” que se vão revezando nos lugares, de maneira a que sejam, em bom rigor, os mesmos, há mais de vinte anos.
A renovação é Belzebu para os partidos portugueses, dado que, entre a geração fundadora e a que agora começa a discutir o partido, existe uma outra que, aproveitando as oportunidades de participação do pós 25 de Abril, se profissionalizou tacitamente, estando pouco atreita a sair de jogo, e “ameaçando”, dada a idade que tem em média, mais vinte ou vinte e cinco anos de “sacrifícios” pelo povo.
3º “Esperar para ver”: outro ponto a repensar pode bem ser a cautela (vulgo, credibilidade) com que se faz politica, na oposição.
Estando o País com alto grau de ingovernabilidade, os partidos que almejam o poder têm optado por não elevar demasiadamente as expectativas, procurando esperar até que os governos percam o poder.
O problema é que, com tamanho decréscimo de expectativas, a capacidade de, uma vez no poder, mobilizar os portugueses para os esforços a fazer torna-se quase nula. As pessoas passarão a escolher por notas carismáticas ou por descrédito do executivo.
4º “Ideal social”: por fim, entendo que deveria o PSD reflectir não apenas no plano táctico (ou seja, medida a medida ou, no máximo, a quatro anos), mas também no plano estratégico e prospectivo.
A previsível, e mil vezes anunciada, falência da segurança social, o encerramento de unidades de saúde com argumentos económicos, a saturação do meio ambiente, a escassez de recursos fósseis, a proliferação de armamento nuclear, entre outras, são questões que afectarão, sem dúvida, os filhos e netos de muitos dos actuais lideres partidários, sem que se lhes vejam soluções corajosas e pouco raladas com resultados eleitorais imediatos.
Estes são, em suma, pontos que me pareceriam decisivos para elevar a bitola da nossa politica.
terça-feira, 9 de maio de 2006
Olha se a moda pega...
Não é seguramente e apenas, um “problema” do país do tango, o facto de, em tempos de mundial de futebol, nomeadamente quando a selecção nacional dos respectivos países joga, muita “malta” se baldar aos seus afazeres.
Parece-me inovadora a medida do ministro da educação argentino e o seu programa: “Uma televisão na escola”, que visa combater as gazetas dos estudantes às aulas, colocando uma televisão em cada sala de aula. O objectivo é o de impedir que, no dia dos jogos, os estudantes não decidam ir para outras bandas e mandem os professores leccionarem para as paredes.
A medida parece-me caricata. Aos docentes argentinos não agrada nada, antevendo dias perdidos, em que terão de gerir várias emoções antagónicas.
Já viram se a moda pega?
segunda-feira, 8 de maio de 2006
Haja Coração!
Valeu-nos um Joeano em forma, que apesar de muitos meses sentado na poltrona dos esquecidos, lá nos deu uma ajuda (e que ajuda) nesta etapa final.
Espero, sinceramente, que para a próxima batalha desportiva, o sofrimento se revista de outras aspirações, condizentes com a grandeza reconhecida à nossa (minha e de mais uns quantos milhões) Briosa.
Virando para outro flanco, outra paixão, lá se realizaram as primeiras directas no PSD. Confesso-me há muito adepto deste método de eleição do líder. Não só o defendo para o PSD, como também para a JSD, se bem que neste último caso, parece-me algo para o qual a estrutura ainda não se encontra minimamente preparada.
As eleições parecem ter corrido bem, a votação no líder reeleito foi expressiva, apesar de uma abstenção elevada, mas justificada, devido à falta de “opponnents”. Contudo, nesta eleição, retira-se que uma eventual candidatura de um qualquer militante que queira ir a votos não se afigura nada fácil! Sem apoios de base, tal torna-se mesmo impossível, veja-se o caso do Dr. Pereira Coelho (Zé Beto), que apesar de não ser um militante desconhecido no partido, não conseguiu ir avante com as intenções de uma candidatura.
Mas, as novidades, não só foram o método de eleição, mas também a questão do pagamento das quotas. Já se fazia tarde, combater o pagamento de quotas em catadupa. Esta decisão da CPN em atribuir de forma aleatória os códigos de pagamento das quotas, atribuídas antecipadamente via postal, já urgia e só peca por tardia.
Finda a etapa eleitoral interna, compete agora a Marques Mendes, tornar o partido mais apelativo, conseguir fazer passar uma mensagem de rigor e reorganização interna, complementá-la com ideias e propostas que saciem os intentos da sociedade civil, utilizar métodos e técnicas de comunicação expressivas, baseadas na experiência adquirida ao longo dos anos, rodeando-se de quadros políticos competentes.
Não aparenta ser tarefa fácil, combater um governo com um líder forte, munido de uma máquina de Marketing Político jamais vista em Portugal.
Que o tempo e desgaste inerentes à governação, aliados a um PSD forte, com Marques Mendes ao leme, nos façam sonhar que em 2009 é possível.
Na cama com os políticos

Tomei nota de uma notícia difundida, há dias, pelos media, que dizia que o Governo tencionava penalizar os cidadãos que decidissem não procriar, discriminando positivamente os que mais dessem cumprimento aos mandamentos bíblicos, por seu turno.
Antes de mais, admito que a notícia seja lacónica, cumprindo aprofundar (salvo-seja) o tema.
Todavia, esta é uma área onde admito uma nuance ideológica (ou, em linguagem de esquerda, a minha deriva neoliberal): não creio que o Estado deva ir para a cama com os cidadãos, por muito que seja a solidariedade a nortear o exercício (salvo-seja II).
Bem sei que a pirâmide etária está a inverter-se (salvo-seja III), pondo em risco a sustentabilidade da segurança social, mas penso que é violentar (salvo-seja IV) o livre arbítrio de cada pessoa impor a obrigação de procriar.
Admitamos que alguém entende que não tem especial vocação paternal/maternal: será boa ideia sujeitar o nascituro a gente displicente? Será de admitir que se contrariem modos de vida não necessariamente egoístas?
Creio que outro tipo de situações deverá também ser acautelado; ou seja, quem não tenha filhos por razões médicas terá que ir a uma repartição exibir um estigmatizante atestado?
Opto pelo "wait and see", mas, por razões ideológicas, discordo da ideia de penalizar quem não se torna gente de família, nada tendo a opor a que se beneficie quem escolha pôr mais cadeiras à mesa.
quinta-feira, 4 de maio de 2006
"Habituem-se!"
Obikwelo
Se há biografia política que daria best-seller, essa seria (pelo menos, no PSD e alguns sectores de outros partidos e grémios) a de José Alberto Pereira Coelho, o "nosso" Zé Beto...quarta-feira, 3 de maio de 2006
Liga Bet and Lose
terça-feira, 2 de maio de 2006
Tangerina (edição revista e aumentada)
É evidente que os curricula de Luis Marques Mendes e de José Alberto Pereira Coelho seriam sempre bem diferentes, com esmagadora vantagem para o primeiro, no que toca a cargos partidários e de Estado.
Porém, com as devidas voltas à pista de avanço, normalmente, haveria interesse em mais debates nas circunscrições partidárias e nos media ou, pelo menos, mais tempo de antena para o único challanger, pelo menos, enquanto o foi. Mas nem intenções disso se vsilumbraram
A verdade é que na sociedade mediática, duas afirmações são possíveis e compagináveis: em primeiro lugar, em relação aos media, mais vale cair em graça do que ser engraçado. Quero com isto dizer que se já se é mediático desfrutar-se-á de uma exposição muito maior do que sendo um concorrente quase anónimo para o grande público, quando, se calhar, até podia dar-se uma compensação de sentido inverso.
Em segundo lugar, quem também tenha máquina (leia-se, financiamento, staff, estruturas locais) do seu lado tem outro suplemento não menosprezável, sendo que um mecanismo estimável de democracia directa acaba por ser relativizado pela “cor do dinheiro”.
Não que entenda, note-se, que a candidatura do dr. Pereira Coelho seria um ataque viável ao actual premier laranja; não sei mesmo se, desde o início, terá sido essa a intenção genuína do candidato. Porém, em termos abstractos, creio que podem extrair-se algumas ilações para embates futuros.
Sem invocar as mesmas razões de transparência (que não me parece estar em causa no PSD, salvo melhor opinião) que motivaram a alteração do financiamento dos partidos políticos, creio que a igualdade entre todos os militantes seria mais bem acautelada se a todos os que formalizassem a candidatura fosse assegurado um patamar mínimo de apoio, embora nunca sob forma pecuniária pura.
Dito isto, e falando sobre os ausentes, pode ser que o calculismo que ditou que muitos dos críticos não “fossem a jogo” – bem vistas as coisas, vêm aí três áridos anos de oposição a José Sócrates – venha a sair caro. A análise não é original, mas também eu constato que se há homem “nado e criado” no PSD, esse homem é Marques Mendes.
Tendo dedicado ao partido muito (muitíssimo mesmo) do seu tempo, o actual Presidente conhece bem os locais e as pessoas, não sendo de esperar que baixe a guarda, até 2008.
Feitas as contas, os que não marcaram terreno agora poderão vir a lamentar a abstinência, uma vez que Marques Mendes, com a sua reconhecida sagacidade, tudo fará para sedimentar a sua posição, assim o ajude também uma eventual derrapagem da popularidade do Executivo.
Neste aspecto, Pereira Coelho (o “nosso” Zé Beto) entreviu uma deixa eventualmente irrepetível e tentou o seu momento de glória.
Francamente, preocupa-me bem mais a renúncia de alguns adeptos da surdina (não falo dos opositores óbvios que, por o serem, não falam em surdina) que, por vezes, parecem trocar a conquista de uma laranja por um gomo de tangerina.
quinta-feira, 27 de abril de 2006
E agora?
Confesso que nunca me encheram as medidas as justificações dadas nos casos de Gondomar e de Oeiras. Se o motivo do não apoio autárquico foi verdadeiramente o que foi noticiado na altura, Leiria não devia ter ficado de fora, por uma questão de coerência da própria medida.
A opção política das altas esferas da nossa social-democracia, não só foi incompreendida aqui por este vosso amigo, como agora e pelo que parece, vou ter que ouvir (e bem, digo eu!) as lamentações do Major.
PS: a fazer fé na comunicação social e no próprio, parece que o Dr. José Alberto Pereira Coelho sempre vai avançar para a liderança! Espero, sinceramente, que a candidatura venha fortalecer o debate político e não aferir a “situação psiquiátrica” do PSD.
quarta-feira, 26 de abril de 2006
Indústria de cosméticos
terça-feira, 25 de abril de 2006
Pois, está claro!
Ao nome “gestor público”, na sociedade civil, está nos dias que correm, associado um ordenado milionário. Dizer-se à boca cheia e para eleitor ouvir que os gestores de dinheiros públicos incompetentes vão ser responsabilizados cai bem, é bonito e a “malta” gosta de ouvir. Agora, importante é que a lei seja muito bem elaborada (devem ser todas, digo eu!), que não deixe margens para dúvidas, que não contemple casos omissos e que, a ir em frente, uma das suas utilidades não seja a arma de arremesso político e público.
Relativamente aos limites da responsabilidade, aí existirão seguramente muitas dúvidas. Uma futura responsabilização pela totalidade do gasto público danoso não só me parece utópica, como exagerada. Veja-se a título de exemplo a Casa da Música, no Porto, em que a derrapagem foi avassaladora.
Palerma
Como se não bastasse a mercenária transferência para o Benfica, dias depois de ter dado uma entrevista à SIC em que falava do peso que era envergar a camisola da Briosa, o jogo de ontem provou a sua falta de nível e de estatura humana e cívica.
Ao comemorar o segundo golo do Braga com provocações à Mancha Negra, João Tomás esqueceu que, por muito provocado que tivésse sido (e sentando-me, como sempre, junto da Mancha, não vi nada de extraordinário), a sua profissão é exemplo cívico para muitos jovens e menos jovens, e que um dos riscos é mesmo o de ser o alvo das emoções à solta (que o diga Samuel Eto'o, do Barcelona, que ía perdendo a calma, e bem, com insultos racistas).
Neste caso, toda a ira de Coimbra se justifica perante o beijo de Judas que, há anos, nos deu, mas, de qualquer modo, a Académica acabou por ganhar em classe com a sua partida.
domingo, 23 de abril de 2006
D.J. Telespectador
Quando vou a um bar e a música é má (segundo o meu critério de avaliação), dedico-me ao balcão (moderadamente, pois está claro!), ponho a conversa em dia, ou então, pura e simplesmente, vou para outras paragens. Ou seja, não tenho grandes hipóteses de mudar de som, pelo menos naquele espaço. Se estiver a ver televisão e o programa não me interessar, mudo de canal.
A diferença é que num tenho possibilidades de escolha, enquanto que noutro, a opção é mesmo o retiro voluntário!
Digo isto, porque o que me chateia é que a maioria dos consumidores televisivos portugueses são maus D.J.’s, e os editores televisivos (salve excepções) são péssimos!
A demonstrá-lo está a ascensão meteórica de jovens estrelas televisivas, muitos com inegáveis qualidades estéticas, mas com poucas “artes” de representação. Não obstante, e porque a exigência da audiência não parece exigir mais, responsáveis televisivos disputam-nos no sentido de aumentar “share” e cativar públicos.
Em causa, parece estar sobretudo a exploração dos nossos instintos mais básicos: o gosto pelo sangue, a apetência pelo sexo e a curiosidade como idiossincrasia do ser humano. Sobretudo no que concerne a este último aspecto, isto é, o voyeurismo, confesso que abomino a utilização da vida pessoal em certos programas televisivos. Providenciar uma namorada ao Zé Maria, verificar o grau de fidelidade de um casal, fechar pessoas numa casa, quinta ou raio que o valha onde o principal ponto de interesse é a possibilidade de romance, etc, são exemplos. Há pessoas para tudo, editores para muito mais!
Recentemente, assistimos ao exacerbar desta exploração com o aproveitamento da morte de uma jovem estrela televisiva para cativar audiências. Inclusive, foi divulgado pela imprensa, que foi pedido dinheiro a outra estação televisiva para passar imagens do seu trabalho em vida, com o intuito de noticiar a sua morte! Fez-se directos do cortejo fúnebre, entrevistaram-se alguns dos presentes!
Parece-me urgente manusear o telecomando ao estilo de um Carl Cox nos discos de Vynil e fazer ver a alguns responsáveis televisivos que o “exagero” não compensa.
sexta-feira, 21 de abril de 2006
Pormenores
Num destes dias em conversa com um amigo e tendo este tema como pano de discussão, uma curiosidade resgatou-me: “num funcionário normal, que não seja quadro superior e trabalhe directamente com pelo menos dois Licenciados (Mestres e/ou Prof. Doutores) quanto tempo útil do seu tempo de laboração gasta com a utilização das insígnias (vulgo títulos)?”
Vamos supor que há apenas o cumprimento de chegada e o de partida, ou seja: “Bom Dia, Dr.” e “Até amanhã, Dr”., e que em cada um desses cumprimentos é gasto um segundo, o que perfaz um total de 4 segundos/dia.
Multiplicando os 4 segundos diários por 6 dias de trabalho (exceptua-se o domingo), dá um total de 24 segundos semanais, que por sua vez multiplicados pelas quatro semanas que têm um mês, dá o módico número de 96 segundos/mês. Estes mesmos 96 segundos, multiplicados por 12 meses perfazem um total de 1152 segundos anuais! Obviamente, que em toda esta contabilidade há que diminuir os feriados nacionais e as férias. Contabilizando 13 feriados e 22 dias de férias perfaz um total de 35 dias, o que equivalem a 140 que devem ser descontados aos 1152 segundos anuais.
Conclusão: são 1012 os segundos anuais gastos, que convertidos para minutos dá qualquer coisa como 16,87/minutos!
Agora imaginem quantas vezes são ditas as palavras “Sr. Deputado” na Assembleia da República, ou “Sr. Vereador” nas reuniões Camarárias, ou mesmo o “tudo bem ou tás fixe” nas ruas deste nossa pátria lusitana! Ou então aqueles que nós não gostamos mesmo nada: “Serviço não disponível, dirija-se à próxima caixa Multibanco”, ou as filas de espera para meter gasolina (urgente massificar o estudo em energias alternativas!) no carro, etc…
Todos estes pormenores, somados, dão mesmo muito tempo… mas também, que se lixe, “ a vida é feita de pormenores”.
quinta-feira, 20 de abril de 2006
"Por um punhado de dólares"
Eu, que até estive em exclusividade, quando passei por S.Bento, sinto-me à vontade para dizer que, mais uma vez, a extrema-esquerda portuguesa está a usar do mais miserável populismo; ou seja, aquele que se faz debaixo da máscara de uma suposta defesa dos mais desfavorecidos!...
quarta-feira, 19 de abril de 2006
Nota
http://www9.nationalgeographic.com/ngm/gospel/sightsnsounds.html
Estou definitivamente lixado
terça-feira, 18 de abril de 2006
Uma questão de imagem!
John Kennedy foi provavelmente um dos primeiros políticos a aperceber-se da influência da imagem sobre o comportamento dos eleitores! Nas eleições que o opuseram a Nixon, no debate final, jogou com a essência visual do meio escolhido, utilizando maquilhagem, pondo base, pedindo um debate de pé, visto ser mais alto que Nixon, e mais novo, logo, mais resistente, entre outros pormenores.
Já Margaret Tatcher, em 1983, utilizava as cores das cortinas, prevalecendo na essência visual do telespectador uma imagem mais escura para intervenções mais sérias e cores claras para intervenções mais sóbrias.
Digo isto, porque reportando aqui para o burgo nacional, se há algo de que eu tive sempre julgamentos dúbios, é a imagem que se tenta transparecer quando os políticos em épocas eleitorais, vão em caravana (e aqui contra mim falo porque também já fiz número), visitar mercados e feiras! Do ponto de vista prático e interessante para o debate político, nada me ocorre. O que me parece, é que esse tipo de actividade pré – eleitoral tende a desaparecer, tal como foi provado pelo actual PR, que rompeu com essa tradição.
O objectivo real de tais manifestações populistas, é a meu ver com o “número” já gasto, dos candidatos que não temem os “perigos” de enfrentar multidões julgadoras de determinadas políticas. Há situações, em que o “número” até correu bem, veja-se o caso de Eanes.
Na prática, nada de relevante do ponto de vista político acrescenta, nada será decidido nesse mercado ou nessa feira, o discurso já vai ensaiado, a máquina partidária (leia-se mobilização) é posta ao serviço do candidato. A Comunicação Social ávida de momentos de reportagem, nada perde, nem mesmo a peixeira que vende dois chernes ou o homem da fruta que vende 1Kg de maçãs ao candidato.
Com isto, quero dizer, que é preciso mudar a forma de comunicar com o público – alvo. O discurso dever conter matéria de interesse cívico e público, a comunicação política deve assumir um carácter menos “tabuloizado”. Não seria seguramente fácil nos primeiros tempos, mas só privilegiaria uma classe (política) que de gasta, tem mais que os meus primeiros sapatos de couro!
PS: andam por aí uns indivíduos chateados com a vida, anónimos de blogs locais (Coimbra para ser mais específico), que me deram uma óptima sugestão de leitura: “A Redenção de Judas”, de Mega Ferreira, na Visão desta semana. A pretensão intelectual de gente sem rosto torna-se contagiante, neste mundo virtual.
sábado, 15 de abril de 2006
E se afinal "ele" até era dos bons?
Feita a nota introdutória…
Nesta época pascal, a National Geographic vem questionar a alegada traição a Cristo por parte de Judas, o apóstolo “traidor”, baseando-se no seu recém-descoberto evangelho.
O nome Judas sempre esteve associado à perfídia, mudar agora o seu papel é alterar uma pedra basilar da história que nos tem vindo a ser contada desde há dois mil anos. Obviamente, que para a Igreja Católica a remota possibilidade de uma qualquer mudança teológica é assustadora. Alterar o papel de Judas, é assumir que esteve errada durante muito tempo, é por em causa a interpretação dogmática de evangelhos que, convém não esquecer, são histórias escritas por homens, logo falíveis.
Se há algo ao qual a IC sempre nos habituou, foi que reconhecer o erro nunca foi o seu forte, reconhecer que “30 moedas de prata” foram apenas uma manobra de diversão naquela que foi uma das (senão mesmo a…) história mais marcante do Cristianismo, parece-me improvável...
A ser verdade, será que não compete à IC um pedido de desculpas por nos ter andado a enganar durante todo este tempo?
Uma coisa é certa, Judas tem e terá sempre um papel importante no quadro cristão, independentemente da sua actuação ter sido a de cúmplice ou de traidor.
sexta-feira, 14 de abril de 2006
Uff, não estou a pecar!...
O mais irónico é que, neste tipo de temas, a Igreja Católica, cada vez que tem um vislumbre sobre algo que deve ser debatido, como é o caso, ou radicaliza (veja-se a contracepção) ou opta pela via errada de reflexão (como teria sido a de tornar pecado o consumo de media).
O problema é o conteúdo dos media que absorvemos. Está estudado que certa programação televisiva nos retira a capacida reflexiva, que certos jornais nos tornam voyeurs e que alguns sítios na Rede despertam as mais secretas e pouco cívicas pulsões.
Porém, nos media, como noutros fenómenos, tudo se resolve com pedagogia e com o uso que damos aos meios. Era esta orientação que deveria precupar oo Vaticano, e não afirmações generalistas e maniqueístas.
Não é tudo uma luta do bem contra o mal, por muito que a Páscoa inspire certos pensamentos.
Rodapé
Porém, o meu objectivo é que o PSD seja o mais exemplar dos partidos.
Apenas buscando ser perfeito atingirá o grau de excelente.
quinta-feira, 13 de abril de 2006
Não me lixem ainda mais!
Mas é verdade é que do PSD faltaram 50 dos 75 deputados; ou seja, 2/3; isto é, uma maioria qualificada de ausentes.
Não me lixem mais!
É nobre e pedagógico o benefício da dúvida que lhes deu, mas o facto é que, já por causa disto mesmo (quorum, portanto), só excepcionalmente há reuniões de comissões com a sessão plenária a decorrer.
Não me lixem!
terça-feira, 11 de abril de 2006
Mudanças no condomínio
Mais de um ano depois do assoreamento, sem fazer patavina de ideia sobre o número de visitas (hábito a manter), decidi convidar alguns amigos para dar mais cor ao "cais".
É gente cujo share de votos desconheço e que decidi convidar pelas qualidades pessoais, cívicas e políticas.
Como sempre, cada um assinará o que escreve, sem subterfúgios ou anonimato.
Para quem não viu e ouviu, continua a recomendar-se o filme "Há lodo no cais" e a música dos GNR "Cais"; daí vem muito do espírito desta vossa banda.
Medalha e reverso
Do Governo, por seu lado, e como sempre sucede neste País de pouco pão, vêm as normais perturbações entre ministros e ministros, entre ministros e secretários de estado, e entre qualquer uma destas categorias e os media. Não é novo e, estejamos bem seguros disso, não acabará com este elenco.
Acresce, como terceira premissa analítica, que é aceite (e motivo de queixa de quem passa pelos lugares de mando) o facto de os media actuarem como contra-poder, quando não mesmo como poder em si mesmo, buscando legitimidade de sentença não outorgada pela Constituição, nem cruzada pela legitimidade eleitoral.
No caso do Governo de José Sócrates as razões para enfrentar uma comunicação social com animosidade são acrescidas, já que o enquadramento da nova autoridade reguladora levantou um coro infindável de protestos.
Por fim, há ainda que levar em linha de conta as derrotas eleitorais, sem apelo nem agravo, nos embates autárquico e presidência.
Dito isto, abrem-se os jornais, e as sondagens continuam a mostrar o PS à frente do PSD e o engº Sócrates a passear a sua popularidade, sendo que apenas Francisco Louçã (aqui pelo populismo fácil de apontar a doença sem pensar curas viáveis) consegue ombrear com o nosso Premier.
Normalmente, o dilema resolvia-se por uma de duas vias: ou se demonstrava uma imensa cabala mediática (algo que, mesmo que os proprietários dos media aceitassem, jamais contaria, espero eu, com o assentimento dos profissionais da informação), ou se buscava a origem do problema na oposição.
Porém, admitindo que esta pudesse ser uma explicação, olharíamos para o maior partido da oposição e veríamos que ninguém com uma armada suficientemente forte vai disputar o lugar ao dr. Marques Mendes.
E aqui, continuando o ping-pong lógico, pode dizer-se que ainda não é chegado o momento apetecido, o que favorece, de um ponto de vista ético, a posição do actual líder, já que remete a questão para a pura táctica. Mas pode também acusar-se a liderança, como fizeram alguns, de bloquear a corrida pelo lado dos regulamentos de quotas e afins. Neste caso, cumpre demonstrar e reunir poder de revolução.
Nada disso tendo resultado, anuncia-se que o Presidente procurará fazer do seu politburo uma equipa abrangente, federando tendências várias, por via dos seus nomes mais consagrados.
Estes movimentos são circulares, e os próprios protagonistas são os mesmos, mais ou menos, desde a Primeira República.
Não sou dos que busca no PSD todas as causas dos números que as sondagens vão oferecendo, mas penso que há algo de muito estranho em tudo isto.
Não será que a actual nomenklatura portuguesa perdeu a capacidade de se regenerar, trocando as novas adesões críticas pelo agregar de novos seguidores que se querem dóceis e pouco ruidosos?
Tomara eu conhecê-la, mas de certo que há explicação para a apatia actual…
quarta-feira, 5 de abril de 2006
Se eu fosse dos outros II...
terça-feira, 4 de abril de 2006
Um mundo sem pipocas
A propósito de um filme (de certo muito comercial para que mereça aplauso da critica ou atenções de Hollywood) que está em cena, algumas interrogações podem levantar-se sobre a evolução das democracias ocidentais, sobretudo depois do 11 de Setembro, e em face da crescente “islamofobia” e outros temores afins.A película em causa, de uma forma suficientemente “pop” para que seja acessível a todos (a tal democratização da cultura que já faz curso nos EUA, na Grã-Bretanha e até, pasme-se, em França, há alguns anos, e que a nossa esquerda continua a desdenhar, preferindo a “subsidiodependência”), aborda um cenário que, mesmo acreditando eu na durabilidade da democracia, não deixa de convidar, como disse, a algumas reflexões, começando, desde logo, e perante casos como o Irão (exemplo meu), pela ideia de que intervir em nome da democracia requer algumas cautelas. A primeira delas tem a ver com a “exportabilidade” do regime em causa. Escrevem inúmeros académicos que há requisitos, por exemplo cívicos e culturais, para que possamos abrir curso à democracia.
E, mesmo sublinhando que, em tese, a única religião incompatível com a democracia seria o hinduísmo (e, mesmo assim, a Índia é a maior democracia do mundo), mercê do sistema de castas, ficam, em certas partidas do globo, a faltar, entre outros requisitos, um sistema educativo aberto e o acesso a fontes alternativas de informação (pluralidade de media, entenda-se).
Acresce que, nas intervenções que visam o câmbio de regime, é necessário que se planeiem as intervenções tidas por imperiosas (não as tidas por imperiais, que são condenáveis), para que se não volte a verificar o caos social, étnico e religioso do Iraque. Fui dos que concordei com a intervenção, continuo a ver-lhe vantagens, mas não sabia (nem podia saber) que não fora feito um estudo do mosaico social que permitisse acautelar melhor o pós guerra.
Outro risco é o de o “choque de civilizações” popularizado por Huntington passar a realidade sob a forma de islamofobia.
Se é verdade que o ódio, a ignorância e o vilipêndio dos direitos humanos são estandartes de muitos países administrados confessionalmente, o facto é que, a Ocidente, alardeando-se maior grau de civilização, não pode pagar-se na mesma moeda e meter todos os muçulmanos no mesmo saco, fugindo do Corão como Drácula fugia da cruz.
A meu ver, e não sendo sociólogo, o problema é mesmo mais vasto e, dada a ruptura dos sistemas assistenciais das democracias demo-liberais e a insuficiência do mercado para corrigir sozinho as insuficiências que gera, os tempos de crise tendem a voltar os cidadãos contra o “estranho”, seja ele de Leste, de África ou do mundo islâmico (independentemente do país).
E é aqui - exactamente aqui – que pode grassar a mensagem extremista e populista. Com afloramentos em França (Le Pen), em Itália (alguns dos aliados de Berlusconi e Alessandra Mussolini) e em vários outros pontos da Europa, surgem movimentos políticos que culpam os “outros” pelos problemas de que os sistemas políticos e económicos (que são imperfeitos, como todas as construções humanas) padecem, designadamente ao nível das taxas de desemprego.
Os mesmos movimentos que, uma vez conquistado o poder, pedirão mais videovigilância, mais acesso a dados genéticos e mais parafernália tecnológica que permita aos governos ver e ouvir tudo o que se passa na vida de cada um.
Usadas pelas democracias estáveis (como é o caso de Portugal), prerrogativas como instalar câmaras de vigilância em locais públicos, fazer escutas telefónicas fiscalizadas por juízes ou constituir bases de dados genéticos são benéficas e podem melhor a vida democrática.
O Problema é que, a deteriorar-se muito mais o nível da classe política e a agravarem-se os problemas sociais que despontam (em parte por causa da primeira premissa), as ferramentas em causa podem mudar de mãos e, nesse caso, o filme passará a “novela", e os problemas já não poderão ser resolvidos com pipocas...
quarta-feira, 29 de março de 2006
Tá bem, abelha

Lê-se (e vê-se), hoje, no "Record": "Foi involuntário", disse. "Vê-se de forma clara, porque tentei tirar o braço e não tive tempo para o fazer. Creio que o árbitro avaliou bem o lance porque não era penálti", disse.
quarta-feira, 22 de março de 2006
Sérvia tu

Como bem sublinha Kissinger, por ali passaram as linhas de divisão entre impérios romanos, entre alfabetos diferentes, e entre credos distintos.
Acresce que, entre outras refregas, a I Guerra Mundial começou "with a little help from our friends", os sérvios, ante o "olho gordo" do Império Austro-Húngaro.
O problema foram os métodos de Slobo, uma vez que as reivindicações das comunidades sérvias eram de esperar, quer na Bósnia-Herzegovina, quer no Kosovo (onde estão em minoria clara, mas onde as reivindicações nacionalistas sobem de tom, com base histórica).
Fica claro, desde já, que os ditos métodos de Milosevic não têm perdão, e que a sua figura era, por isso, odiosa. Não há causa, por mais legitima que possa parecer aos olhos dos seus defensores, que se justifique com grosseiros atropelos dos direitos humanos.
Porém, há dois pormenores que não são de somenos importância. O primeiro, confirmável nas exéquias fúnebres, é que o nacionalismo sérvio ainda "anda por aí". Aliás, quem visite o Museu Militar, em Belgrado, verá que as salas mais recentes têm a ver com a exposição dedicada aos despojos (fardamentos incluídos) dos soldados da NATO e do UCK (guerrilha muçulmana apoiada pela Albânia) abatidos em combate. O mesmo se diga dos edifícios bombardeados pela Aliança Atlântica que permaneciam, em 2004, propositada e parcialmente destruídos (de tal modo é pensada a atitude que não podem fotografar-se os edifícios).
O segundo prende-se com o facto de permanecerem por apresentar em Haia, que eu saiba, dirigentes croatas de nomeada (tirando o General Gutovina) ou qualquer dirigente ou cabecilha da guerrilha de origem muçulmana.
Espero eu que, neste último caso, não estejamos perante mais um caso da corrente auto-castração da civilização ocidental.
Crimes são crimes, independentemente de qualquer factor de distinção, seja ele a religião, a cor da pele, ou qualquer outro.
Não sendo peremptório, pergunto-me se o "pirata" era só Slobodan Milosevic.
segunda-feira, 20 de março de 2006
Guitarradas
Se eu fosse dos outros...
quinta-feira, 9 de março de 2006
Pó a mais
quarta-feira, 8 de março de 2006
Rezar por 1/3
A cena é clássica nos desenhos animados: a barragem começa a estalar e a personagem tenta suster a passagem da água com a mão...Repete-se agora a cena, em meu entender, com a discussão da paridade, pela qual o Bloco de Esquerda (não conheço ainda a proposta do PS) quer obrigar os partidos a incluir um mínimo de 33,3% (ou seja, 1/3) de mulheres nas listas para a Assembleia da República, Parlamento Europeu e autarquias, não permitindo a sucessão nas mesmas de mais de dois elementos do mesmo sexo, em lugares consecutivos.
A medida não parece muito avisada, mas já parece mais, isso sim, ilusionismo.
Comecemos pela primeira parte: não é avisada, porque, desde logo, estabelece um critério de aferição não equiparado noutros planos. Vários dados internacionais apontam para a crescente supremacia das mulheres em determinados sectores de actividade, dos estudos ao mundo laboral. Estarão os legisladores, um dia destes, dispostos a instituir uma quota masculina?
Por outro lado, mulheres haverá que, por muito mérito que exibam, serão sempre olhadas como “quotas”, se for claro que entraram por esse mecanismo. O mesmo expediente, aliás, de que nunca careceram, por exemplo, Maria de Lurdes Pintassilgo, Leonor Beleza e Manuela Ferreira Leite, entre tantas outras que, mesmo quando não candidatas, chegaram, por exemplo, a cargos ministeriais.
Depois, importa pensar que, se a moda pega, cedo teremos de contemplar a mesma medida em função da orientação sexual, da raça e (por que não?!) do credo.
Por fim, será curioso deslindar o caso de não haver mulheres com perfil em número suficiente (num espectro realista de recrutamento) ou de as haver em número excedentário em relação ao máximo de 66,6% permitido por lei. Em nada me chocaria ver três mulheres qualificadas em lugares sucessivos de uma lista.
Não obstante, o que mais me preocupa é a ilusão de qualidade que possamos estar a criar; o tal estancar de um dique com o indicador…
Creio que, embora sejam coisas de diferente jaez, pode partir-se desta medida para concluir que se resolveu o problema da qualidade da representação, quando o problema, em boa verdade se diga, resulta muito mais da mecânica interna dos partidos do que da lei.
Podemos até exigir 33% de mulheres, 15% de advogados, 8% de professores, 2% de dálmatas ou mesmo a Família Addams, mas, se os partidos continuarem como à data, não haverá garantias de qualidade. Quero com isto dizer que, embora haja candidatos e eleitos de muito boa qualidade, tal é, muitas vezes, fruto do acaso (a parte em que, ao escolher-se determinada pessoa, se acerta no mérito) ou obra de algum “mecenas” político que “atravessa” o seu prestígio e os seus votos internos por alguém de relevo.
Em suma: se existe a ideia de que a imposição de 33,3% de mulheres na lista resolve um problema, faça-se, mas sem que se alimente a ideia de que passaremos, só por isso, a ter elencos de qualidade.
sexta-feira, 3 de março de 2006
Poder Popular

Tá bem:
- O Presidente do PSD e o seu politburo devem ser eleitos em conjunto e directamente, sendo esta última a opção. Seria idiota ter um sujeito a comandar o exército "inimigo" numa batalha que seria, feitas as contas , contra si próprio e imobilizadora do partido. Já nos meus tempos de santanismo o havia dito ao Premier da minha crença de então.
Tá mal:
- A ser verdade, é preciso ver se a intenção de expulsar automaticamente os militantes que concorram contra o PSD não contraria princípios constitucionais. Concordo com a pena, acredito que tenham meditado sobre isto, mas toda a gente tem direito a ser ouvida, por muito evidente que seja o "delito". Antes de serem passados pelas armas, pelo menos, o Gulag.
A ver vamos:
- Há medidas que são irreversíveis na nossa democracia "mediocrática", designadamente, as que tenham a ver com avanços para a democracia directa; ou seja, levantada a hipótese de consagrar o célebre lema "um militante, um voto" (é justo lembrar que, quando Santana Lopes defendeu as directas, até em fascismo se falou...), já não haverá volta a dar-lhe.
O princípio é justo e corresponde a uma formulação do regime democrático que, na sua quinta essência, nunca existiu, nem sequer na Grécia antiga. Agora, as novas tecnologias da informação tornam possível a ideia, como o demonstram ciber-apostolados que podemos ver, por exemplo, em www.vote.com.
Concretamente, se há 30 anos era necessário ir a uma sede ou ter apetência para ler um jornal, para saber das lideranças, hoje basta ligar o televisor ou telemóvel 3G para ver Marque Mendes, Luís Filipe Menezes e as demais figuras da galáxia presidencializável...
A questão é outra: se já a democracia representativa pressupõe uma cidadania muito bem informada, a democracia directa ainda mais. As minhas dúvidas residem aqui; não sei se o debate com os militantes tem sido suficientemente aprofundado
Acresce que, em campanhas de espectro nacional, o dinheiro contará muito mais para se ascender ao plateau das candidaturas (vejam-se as primárias norte-americanas).
Gosto do princípio, não sei bem se aprecio o momento...



