Confesso que sigo os Ídolos. A fase inicial do programa prende-me porque, nas por vezes entediantes noites de domingo, nada me faz soltar tantas gargalhadas de ir às lágrimas – o ser humano sempre teve a estranha tendência de se entreter à conta das (cómico)tragédias dos outros, e eu não sou excepção. Já esta última fase cativa porque, num registo um bocadinho mais a sério, procura descobrir novos talentos em solo luso. E se é certo que algumas das estrelas que este tipo de concursos lança não são mais do que cadentes, outras há que se tornam referências musicais em Portugal para todos os gostos – recorde-se Sara Tavares, João Pedro Pais, Nuno Norte, etc.
Sucede que o que me leva a escrever estas linhas não é propriamente as actuações dos candidatos, antes as dos membros do júri, que às vezes parecem sentir mais necessidade de dar nas vistas que os próprios concorrentes. É o particular caso do “patrão” do júri, Manuel Moura dos Santos, sobejamente conhecido pela sua sobranceria. O senhor pode ser um expert na matéria, saber avaliar o valor (ou a falta dele) dos moços e das moças como ninguém, mas tem o grave problema de não resistir à maledicência. Sobretudo, quando se trata de música portuguesa. Se há quem no júri esteja constantemente a lamentar que se cante pouco em português (Pedro Boucherie Mendes), Manuel Moura dos Santos têm uma tendência patológica em criticar os artistas portugueses. Na semana passada a polémica surgiu quando apelidou a música dos Anjos de “pop foleiro e azeiteiro” - estou longe de ser fã dos rapazes, mas o que fazem é comparável a bandas famosas como Westlife, Boyzone, etc., a diferença reside apenas na projecção mundial que estes últimos têm, por cantar em inglês. Mas esta antipatia de Moura dos Santos pela música portuguesa, mais pop ou menos pop, mais foleira ou azeiteira, já não é novidade. Há uns tempos torceu o nariz porque o repertório de Rita Guerra foi cantado por meia dúzia de concorrentes. Goste-se mais ou menos, Rita Guerra é uma voz inconfundível e representou o país por várias vezes, razões de sobra para não subestimar a sua valia enquanto cantora. Mas o auge da pedantice daquele membro do júri foi quando atacou o projecto sensação do ano, os Amália Hoje, tendo dito que o seu arranjo para Gaivota é “lamentável, para não dizer pior”.
Lamentável, digo eu, é que um produtor de música em território português tenha em tão má conta o que por cá se produz. É certo que há uma imensidão de artistas portugueses que estão longe de ser motivo de orgulho, mas, reconheça-se, artistas de mau calibre há por todos os cantos. É certo que quantidade (de discos vendidos) não é sinónimo de qualidade, mas não creio que desdenhar a nossa música possa fazer-nos evoluir nesse campo. O que está aqui em causa é, quer-me parecer, este nosso velho complexo de que o que fazemos não presta, de que cantar em português não vende (já cantavam os Clã que “a língua inglesa fica sempre bem / e não atraiçoa ninguém”), de que a música só é vendável em inglês, mesmo que as letras sejam uma nulidade. É a ideia bacoca de que a música dita ligeira não é verdadeiramente música. É ignorar uma realidade inegável: música é o que cada um de nós quiser ouvir. E se há muita gente a ouvir sonoridades tão díspares como Anjos, Rita Guerra e Amália Hoje, é porque há muita gente a considerar que isto é música, boa música. Mesmo que um produtor esbraceje, barafuste e, no seu habitual tom jocoso (e inconsequente), diga que não é.
Sucede que o que me leva a escrever estas linhas não é propriamente as actuações dos candidatos, antes as dos membros do júri, que às vezes parecem sentir mais necessidade de dar nas vistas que os próprios concorrentes. É o particular caso do “patrão” do júri, Manuel Moura dos Santos, sobejamente conhecido pela sua sobranceria. O senhor pode ser um expert na matéria, saber avaliar o valor (ou a falta dele) dos moços e das moças como ninguém, mas tem o grave problema de não resistir à maledicência. Sobretudo, quando se trata de música portuguesa. Se há quem no júri esteja constantemente a lamentar que se cante pouco em português (Pedro Boucherie Mendes), Manuel Moura dos Santos têm uma tendência patológica em criticar os artistas portugueses. Na semana passada a polémica surgiu quando apelidou a música dos Anjos de “pop foleiro e azeiteiro” - estou longe de ser fã dos rapazes, mas o que fazem é comparável a bandas famosas como Westlife, Boyzone, etc., a diferença reside apenas na projecção mundial que estes últimos têm, por cantar em inglês. Mas esta antipatia de Moura dos Santos pela música portuguesa, mais pop ou menos pop, mais foleira ou azeiteira, já não é novidade. Há uns tempos torceu o nariz porque o repertório de Rita Guerra foi cantado por meia dúzia de concorrentes. Goste-se mais ou menos, Rita Guerra é uma voz inconfundível e representou o país por várias vezes, razões de sobra para não subestimar a sua valia enquanto cantora. Mas o auge da pedantice daquele membro do júri foi quando atacou o projecto sensação do ano, os Amália Hoje, tendo dito que o seu arranjo para Gaivota é “lamentável, para não dizer pior”.
Lamentável, digo eu, é que um produtor de música em território português tenha em tão má conta o que por cá se produz. É certo que há uma imensidão de artistas portugueses que estão longe de ser motivo de orgulho, mas, reconheça-se, artistas de mau calibre há por todos os cantos. É certo que quantidade (de discos vendidos) não é sinónimo de qualidade, mas não creio que desdenhar a nossa música possa fazer-nos evoluir nesse campo. O que está aqui em causa é, quer-me parecer, este nosso velho complexo de que o que fazemos não presta, de que cantar em português não vende (já cantavam os Clã que “a língua inglesa fica sempre bem / e não atraiçoa ninguém”), de que a música só é vendável em inglês, mesmo que as letras sejam uma nulidade. É a ideia bacoca de que a música dita ligeira não é verdadeiramente música. É ignorar uma realidade inegável: música é o que cada um de nós quiser ouvir. E se há muita gente a ouvir sonoridades tão díspares como Anjos, Rita Guerra e Amália Hoje, é porque há muita gente a considerar que isto é música, boa música. Mesmo que um produtor esbraceje, barafuste e, no seu habitual tom jocoso (e inconsequente), diga que não é.