quinta-feira, 29 de junho de 2006

Pense se quiser


A República Popular da China está na moda.
A mais da persistêncai da sua imensa população, a ideia "um país, dois sistemas" fez com que a nomenklatura chinesa, além de evitar o risco de desabamento à maneira da URSS, deslocasse o país para o "eixo do bem" ou, pelo menos, escapasse ao risco de andar fora dos eixos.
Assim, com a industrialização em curso e a abertura dos mercados, esperam-se novidades nefastas para as economias ocidentais.
A questão é que o sistema de relações internacionais obriga a esquecer questões que têm a ver com direitos humanos (o mesmo se passa em relação a quase todos os países fora da União Europeia, EUA incluídos).
Daí que valesse a pena que tivésse mais destaque um "quadradinho" que li na imprensa, que dizia que o motor de busca "Google" foi bloqueado pelas autoridades de Pequim, que apenas desejam ver os chineses a aceder ao "Google.cn", versão sujeita a escrutínio oficial (vulgo, censura).
Para além do óbvio, o que fica patente é a falta de apetite dos nossos jornalistas (parte deles, pelo menos) para explicar e analisar factos, limitando-se a "papaguear" as súmulas das agência notícias.

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Sentido figurado

Parece que o mayor de Viseu é figura nos tablóides.
Que o comentário não lhe correu nada bem, parece-me óbvio, agora convém também ter a noção do contexto de cada região, se bem que isso não justifique tudo. Incitar ao apedrejamento de quem quer que seja, mesmo que o sentido seja figurado, ainda para mais alguém com as responsabilidades conhecidas, ultrapassa claramente o conservadorismo imperante. Se formos por aí, os limites da razoabilidade acabam por ser postos em causa. Os políticos têm de se aperceber que as suas opiniões e afirmações têm repercussões, provocam reacções de terceiros. Devido à força dos cargos que ocupam há sempre danos adjacentes aos deslizes cometidos em termos de terminologia.
O “sentido figurado” e o “não sei, mas ouvi dizer que…”, a título de exemplo, são expressões a ter em atenção, em caso de utilização. A imagem dos eleitos em democracia representativa, muitas vezes é, a imagem da própria democracia.

Laranja a votos, em Coimbra

Depois da candidatura de Horácio Pina Prata, diz-se que o “império contra-ataca” (espero que o George Lucas me desculpe o plágio), pelo que da “linha dura” da Comissão Política Concelhia de Coimbra do PSD poderá emergir um challanger.

Em si, sem apreciar o conhecido e o desconhecido, a oferta diversificada beneficia sempre o consumidor (entenda-se, o militante). Pina Prata já não alcançará o pote de ouro (lista única) que se encontraria no fim do arco-íris político que se preparava para federar, o que também impedirá as bandeiras de conveniência que têm ondulado no céu do PSD de Coimbra, como se todos fossem amigos, de há muito a esta parte.

A verdade, como sempre disse, é que a reconquista de edilidade unificara, por boas ou más razões (não sou nem psicanalista, nem polícia), pessoas que sempre se haviam defrontado, e que ao menor sinal de perestroika a divisão dos despojos seria possível.

Entre os rumores de que Carlos Encarnação poderia estar “noutra” e o facto de o mayor ter preocupações que cheguem com o belíssimo trabalho que tem feito na cidade (nota do autor: esta afirmação é desprovida de ironia!), seria de esperar que as velhas alianças se recompusessem, e nem a antecipação tacticamente bem pensada por Pina Prata parece ter podido evitar o inevitável: à boa maneira de Richelieu, o poder é, nos grandes partidos, um fim em si, pelo que, nem que seja só por isso, na ausência de tutela, os exércitos perfilam-se.

Escrevo o texto presente sem ponta de pretensão, já que bem sei que, tirando esta tribuna livre do BEIRAS (falo por mim), a livre reflexão, por cá, costuma pagar-se em desterro. Todavia, não desisto de gostar do PSD e ainda mais de Coimbra e de Portugal, pelo que creio que há questões que o candidato assumido e o outro que me dizem que há de ser assumido deviam explicar, se não achassem uma maçada excessiva:

1. Entendendo eu que o PSD pouco pauta o debate político de Coimbra, descansando, a este respeito, à sombra do justo protagonismo do mayor, muito gostaria de saber como tencionam os candidatos revitalizar o debate interno, no partido. Espero que não repitam as banalidades do costume sobre grupos e conselhos de reflexão, que são sempre uma boa maneira de “arquivar” os “arrogantes” que ousam importunar com umas ideias livres quem carrega o fardo de decidir.

2. Também não seria mau sabermos qual o conceito estratégico de cidade defendido pelos eventuais presidentes concelhios. Liderança nacional na ciência? Centros de excelência ou misto de formação e absorção de recursos humanos para uma mais deliberada evolução do tecido industrial que é algo incipiente, olhando o todo do País? Cidade de cultura? Qual cultura: elitista, de massas, ou “subsidio-dependente” (aquela de que gostam o Bloco e os amigos)? Que modelo de evolução urbanística? Tudo isto? Nada disto?

3. E como seleccionarão os candidatos, agora que a democracia directa se instalou, mesmo na eleição do presidente da comissão política nacional? Será que põem a jogo os nomes de vereadores e deputados do nº2 em diante (já que os cabeças de lista me parecem uma escolha a reservar para a liderança nacional)? E o perfil que apresentarão à assembleia concelhia continuará a ser a trivialidade e o albergue espanhol (onde cabe até o falecido urso de relva que foi imolado pelo fogo, à beira-rio) que tem sido?

4. Depois, também daria alvíssaras se me explicassem com coerência e exequibilidade como tencionam fazer com que o PSD de Coimbra recupera a importância nacional que já teve. Se não fosse o esforço persistente de Carlos Encarnação, Fátima Ramos e Jaime Soares, poderíamos mesmo ir a um congresso nacional sem nos lembrarmos do distrito…

5. Por fim, confesso-me curioso para saber como se quebrará – se é que há o menor interesse nisso – o ambiente de “sociedade por quotas” que me parece imperar, com os shares de votos a ditarem a lei do PSD de Coimbra.
Em suma, entendo que com uma presidência de Prata ou outra qualquer, do que o PSD de Coimbra carece é de ideias de ouro…

terça-feira, 27 de junho de 2006

Código Do Silva

Li na imprensa do fim-de-semana (salvo erro, na "Sábado") que consultado sobre leituras a rejeitar, Augusto Santos Silva (Ministro dos Assuntos Parlamentares, e ex-Ministro da Educação e da Cultura) lança uma fatwa contra Dan Brown (autor, entre outros, do "Código Da Vinci"), cujos livros apelida de literatura light.
De facto, importa reconhecer que os livros não são um primor, e que a linha de concepção se repete, ao longo das três primeiras obras. A primeira ainda surpreende, a segunda passa com nota mínima pela mudança de cenário, a terceira enfada.
Porém, o que subjaz às afirmações de A.S.Silva é mais do que uma mera a constatação deste facto. Na verdade, regressa o elitismo cultural de um certo sector do PS; o mesmo sector que vê com horror a batalha de PSD e CDS (2002-2005) pela democratização da cultura, apelidando de "pimba" quem procure generalizar a fruição do nosso património mais valioso.
Lê, exclusivamente, livros de existencialistas? Apenas contempla os pintores suprematistas? Gosta daquele teatro impregnado de referências filosóficas em proporção oposta às cinco pessoas da plateia? Se sim, cuidado, pois pode acabar a assessorar a linha socialista que (ainda) domina a cultura...

terça-feira, 13 de junho de 2006

A recusa

Já aqui tinha dito que considerava “ridícula” esta história da avaliação dos docentes, em comment ao post do Gonçalo: “Tácticas do laranjal”.
Pelo que li ontem, a Associação de Pais da Escola 2,3 Inês de Castro, em Coimbra, recusou avaliar os professores!
Os argumentos, se bem que resumidos, parecem-me interessantes.

“Consideramos a avaliação dos docentes um assunto muito sério.”
“ A proposta da Ministra não é para levar a sério.”
“… este episódio da avaliação dos professores mais não faz do que desautorizar os professores perante a comunidade estudantil, minando a credibilidade da escola pública.”
“ Os pais e encarregados de educação têm, fundamentalmente, contacto com a escola no seu conjunto, o seu funcionamento em termos gerais e não no particular, já que são utilizadores por interposta pessoa, que são os seus educandos.”

terça-feira, 6 de junho de 2006

Um "bafo"


Julgo ser sensato este volte face na responsabilização dos proprietários dos restaurantes, hotéis, bares e discotecas quando um seu cliente puxe de um cigarro. No entanto discordo no que toca à manutenção da medida principal da lei, que é a proibição de fumar em todos os estabelecimentos.
Esta ideia de delimitação do país de norte a sul, como área não fumadora, não me parece o caminho certo para atingir resultados, para mais quando sabemos que, em muitos casos, nomeadamente junto da faixa etária mais jovem, o fruto proibido acaba sempre por ser o mais apetecido.

Sinceramente, concordo com os responsáveis dos estabelecimentos de hotelaria e restauração, quando dizem que o modelo a seguir seja o Espanhol, onde cabe aos proprietários a decisão de se fumar ou não no seu “estaminé”, devendo estes serem uniformes relativamente à totalidade do espaço e não segmentá-lo em zona de fumadores e não fumadores. A informação do critério escolhido deve ser visível, logo à entrada.

Em vez do Governo andar com trocas e baldrocas neste assunto, o conselho aqui do Je, é um aumento avassalador do preço do tabaco! Em vez de se andar a aumentar 5 e 10 cêntimos por maço de tempos a tempos, aumente-se 5€ o maço a ver se o consumo não desce drásticamente!
Eu, pelo menos, na qualidade de fumador confesso, não estaria virado para a sustentação um vício que, para além de ser extremamente prejudicial para a minha boa forma física (que já esteve bem melhor!), sacasse 7,60€ diários às minhas economias.

Sem medos… se há coragem para aumentar impostos e fechar maternidades, porque não para aumentar o preço da nicotina em 5€ o pack de 20 cigarros…

Nota: li há uns tempos, nem sei bem onde, que as tabaqueiras numa estratégia comercial com vista a diminuir o preço de venda ao público, face a elevados preços, presumo que nos “States”, diminuíam os maços de 20 cigarros para um número inferior, tornando-se mais acessíveis. Caso esta minha dissertação fosse colocada em prática, as tabaqueiras, provavelmente, iriam enveredar por esse mesmo caminho, à falta de melhor rumo, embora saibamos que dinheiro e imaginação não lhes faltam.

sexta-feira, 2 de junho de 2006

A 1º vez é muito importante

Cavaco Silva uso o veto político.
Sendo eu um céptico em relação à prerrogativa constitucional usada, creio que, já que existe, foi invocada de forma soberba!!!
O Presidente vetou, e bem, o diploma sobre as quotas femininas.
Já a 8 de Março (cfr. post) me opusera. As razões mantêm-se, pelo que deixo o aplauso.

Abaixo de ...


O PSD apresentou, na Assembleia da República, um projecto de resolução para que o dia 6 de Junho passe a ser o Dia Nacional do Cão.
Ora bem, vamos a contas:
1 - Boa ideia, porque...
a) Mais de 7000 cidadãos subscreveram uma petição nesse sentido, e a democracia directa está a pegar.
b) O cão é mesmo um animal útil, a muitíssimos títulos.
c) Denota sensibilidade.
2 - Má ideia, porque...
a) Quando não percebemos as grandes ideias do PSD noutras matérias (por exemplo, a segurança social) ou a Comissão Europeia não as entende (por exemplo, quanto à utilização de fundos comunitários para despedimentos), pode pensar-se que andamos (sou o militante nº 11969) a descurar os alvos essenciais.
Nota: se a culpa da pouca notoriedade das nossas outras propostas for a comunicação social, apenas há que o demonstrar aos portugueses, com dados.
b) Há muito "cão" bípede que não será homenageado.
c) Se a moda pega, ai de nós quando os donos de gatos, pássaros, peixes e iguanas começarem a demonstrar o papel relevante daqueles...
d) Quando largarmos o domínio do irracional: e se houver petições para o dia nacional do quadro técnico sem viatura de serviço? E para o funcionário com o messenger bloqueado pela empresa?
E para os lares com empregadas filipinas?
Como noutros casos, impressiona mais o momento do que a medida em si...

quarta-feira, 31 de maio de 2006

Show de bola


A marca é um activo das empresas, sendo esta, nos dias que correm, um sinónimo de permanência no mercado, tal é a concorrência feroz em todos os domínios de actividade. Facilita o reconhecimento o que, por sua vez, favorece a fidelização por parte dos consumidores.
Em Portugal, como não podia deixar de ser, e honra seja feita aos profissionais da área, o marketing tem-se desenvolvido a olhos vistos e com qualidade reconhecida. Veja-se o exemplo da Frize, que antes a “água com gás era só para quem estava maldisposto” e graças a uma excelente campanha de marketing (inclusive premiando o seu responsável de marketing como o marketeer do ano), hoje a água com gás atinge segmentos de mercado nada comparáveis com os de há pouquíssimos anos atrás.

Perante o acontecimento e o seu mediatismo, todos os marketeers desdobram-se em esforços, no sentido de ver as marcas que representam associadas ao Mundial da Alemanha. Campanhas de marketing associadas ao conclave futebolístico abundam nesta época, sejam promoções, lançamento de novos produtos, jogadores tornados em líderes de opinião para atingir determinados targets, ou mesmo promessas de devolução total dos bens adquiridos caso “a nossa selecção” saia de terras alemãs com o desejado “caneco”. Os marketeers estudam cada vez mais o comportamento dos consumidores, aperfeiçoam técnicas de comunicação, tentam penetrar em novos mercados.

Mudando de flanco, de marketing percebe Scolari. Brasuca de comportamento sisudo, refilão, cara de poucos amigos, impulsivo, que muda quase meia equipa após o primeiro jogo no euro2004, que organiza um estágio pré mundial no Alentejo a temperaturas nada condizentes com as que vai encontrar na Alemanha, que convida Cabo Verde e Luxemburgo para os jogos que antecedem o primeiro jogo no Mundial e que, mesmo assim, consegue unir e pôr a saltitar o coração lusitano de todos nós é obra! Não está ao alcance de qualquer alma mortal!!!...

PS: Quem me dera que o Feira Nova, com a sua promoção “quando a selecção ganha, o feira nova é que paga”, desse à malta que lá anda às compras, vales de desconto de 100% do valor lá gasto…

terça-feira, 30 de maio de 2006

Amnésia


A situação em Timor-Leste, começando por coisas verdadeiramente sérias, tem tudo para ser, pelas más razões, um caso de estudo.

Antes da independência falei e escrevi sobre Timor, até ao ponto de alguns correligionários (alguns dos quais com funções de relevo e que, agora, “enchem a boca” com as gentes timorenses) satirizarem, mas logo sublinhei, quando as notícias começaram a ganhar cores alegres, que o mais fácil seria, de então em diante, esquecer Timor.

E assim se viveram os últimos tempos, com o espírito de quem se livrou de um peso na consciência ou de quem “já deu para esse peditório”.

A somar ao “nacional-porreirismo”, as restrições orçamentais e a proximidade de potências como a Austrália e a Indonésia foram atenuando a “moda” de 1999, excepto no que diz respeito ao brio dos cooperantes e forças de segurança, por um lado, e ao afecto que os timorenses têm por nós, por outro lado.

Nisto, esquecemo-nos de ancestrais divisões étnicas, familiares e políticas que percorrem o jovem País. Ainda há cerca de 30 anos, vizinhos matavam-se uns aos outros, algo que foi agravado durante a ocupação indonésia, em certos casos.

Tudo isto se joga, agora, mormente se pensarmos que o governo é dominado por elementos que estiveram exilados em Moçambique (a tendência mais à esquerda); também esta clivagem - a do local de exílio – serve para ler a política timorense, acreditem ou não. Esta predominância gerará, sem dúvida, rivalidades que agora ressurgem e que geram a união em torno do Presidente da República.

Ou seja, com excepção dos diplomatas, creio que, de facto, nos esquecemos de Timor, o que, como sempre acontece quando se procura aligeirar os problemas, sempre se paga, e com juros.
Sobre as medidas a tomar, reconheço humildemente que me faltam habilitações para a prescrição, mas o que sei é que Timor é e será uma questão premente da nossa política externa, durante muitos e (espero eu) bons anos. Resta saber se estamos dispostos aos sacrifícios inerentes. Entendo que, olhando o passivo histórico e o activo cultural e estratégico, é uma causa a abraçar.

sexta-feira, 26 de maio de 2006

Tácticas do laranjal


Não tenho os números exactos, mas já ouvi, na TSF, que o PS está 12% à frente do PSD, que, por sua vez, desce 0,5%.
Além disso, embora menos relevante, o líder do PSD continua com menos popularidade que o homólogo socialista.
Ora bem, embora se não deva governar pela popularidade - ser Primeiro-Ministro não é o mesmo que ser Miss Simpatia - só galvanizando se mobilizarão os portugueses para as medidas a tomar, invertendo a tendência de degradação da imagem dos políticos.
As cifras "barométricas" arrepiam ainda mais se pensarmos que o Governo, entre outras "prendas", aumentou impostos e os combustíveis, tornou mais difícil o acesso a pensões de vária sorte e ordenou o encerramento de maternidades e escolas, a mais de ter enfrentado os mais diversos grupos sócio-profissionais (entre outros, professores, médicos, agricultores, policias e, desde hoje, farmacêuticos).
No meio disto era supor uma de duas coisas: ou o PS andaria ao nível do PEV ou da Nova Democracia, ou as medidas, sendo boas (se as sondagens traduzirem reconhecimento), mereceriam um aplauso, de quando em vez (como hoje fez o dr. Marques Mendes, com elevado sentido de Estado, sobre a liberalização das farmácias, não deixando de discordar sobre os genéricos).
Em suma, há é que meditar sobre o assunto, e foi isso que procurei suscitar no Congresso.
Em vez de perceberem o contributo, alguns fundamentalistas bem próximos do Presidente do PSD, ao que me dizem alguns amigos, preferiram comentários alarves, pondo em causa a lealdade da intervenção.
Com eles posso eu bem... O que não sei é até quando os portugueses vão poder com a actual maneira de fazer política.

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Passar ao lado

Com os anos em atraso do costume, o happy slapping chegou até nós, numa escola de Braga.
No fundo, este é o passatempo de adolescentes (regra geral) que humilham terceiros, enquanto um outro filma o acontecimento para posterior divulgação via Net ou telemóvel.
É estupido e reflecte bem a brutalização a que chegam as sociedades ocidentais, nos dias de hoje.
Todavia, continua sem se ir à raiz do problema, a qual não está na liberdade de escolha, agora recuperada para o debate político.

terça-feira, 23 de maio de 2006

Parece-me desigual...

Esta luta de Carrilho contra o resto do Mundo!

enfim... haja paciência.

...

Já assisti a alguns congressos: uns “in locco”, mais ainda via televisão.
No “antes” congressos, a mensagem é repetitiva: está em causa a discussão política, a reorganização interna, a legitimação do líder e órgãos eleitos, a necessidade de novas conquistas, o debate de ideias que visam o melhoramento da qualidade de vida e anseios de um país agora e sempre sedento de novas políticas, associadas a um evoluir constante dos tempos.
“Pós” congressos, para o líder e direcções eleitas, o conclave corre sempre bem. Houve debate interno, apresentaram-se propostas de futuro, o Partido sai unido, renovou-se com vista aos novos desafios.

Não sou mesmo nada daqueles que entendem que os militantes devam ser fiéis seguidores do que ali foi protelado, sendo quase doutrina. Obviamente, que ao sentido crítico que deve estar presente, deve ser aliado um respeito e seguimento inerente à condição de partidários, quando o somos. O que me parece óbvio é que os partidos e os seus líderes devem estar preparados para estes julgamentos, não os devem encarar como destrutivos, independentemente dos seus números eleitos serem superiores aos noventa pontos percentuais.

Não me parecem nada fáceis os dois anos que se avizinham para o PSD. Olhando para os eleitos, sem colocar em causa os seus valores individuais, a renovação deveria ter sido mais acentuada. Não mexer em equipa ganhadora, como foi apregoado por uns, só me parece viável quando essa equipa tem, junto da sociedade civil, indicadores altos de notoriedade e de compreensão do que dali é apregoado, o que sinceramente não me parece ser o caso. Recordo-me que Alberto João Jardim, quando confrontado com a renovação de que se falava num determinado Congresso respondeu, que não via ali uma renovação, mas sim uma rotatividade de lugares e de cadeiras, onde as personagens eram sempre as mesmas. O que me deixa fulo no meio disto tudo é que, sinceramente e pelo que conheço, quadros de valor no PSD é o que felizmente abunda. E onde é que eles estão? Esquecidos, sujeitos a humores e vontades de quem cola e não desgruda do poder, quais fitas isoladoras da nova geração.

domingo, 21 de maio de 2006

"Sarah"


Embalado pelo fenómeno criado à volta da obra de Dan Brown, que mais não fosse por uma questão de curiosidade, ontem peregrinei ao cinema.
As minhas bases católicas são precárias. Penitencio-me reconhecendo que o meu pensamento na existência de um ser superior, apenas tem cor quando uma ajuda divina vem a jeito, mas não sou descrente. Acredito no que de bom o catolicismo tem, na mensagem de paz e de solidariedade que tenta transmitir, irrito-me quando os seus “dignos” representantes não se modernizam, não se apercebendo que a evolução da sociedade a todos toca, mesmo à Igreja, por muito conservadorismo que esteja na sua génese.

Parece-me estapafúrdia a onda de cepticismo ao seguimento da fé cristã que o “código” impulsiona, isto porque, já tem sido dito e redito, nada do que Dan Brown apresenta é novo. Mais não se trata de um romance/policial, não uma obra teológica. Um conjunto de ideias parciais baseadas em teorias, excepcionalmente apresentadas, embora de veracidade duvidosa, discutível nos dias de hoje e seguramente para todo o sempre.
O “Código Da Vinci”, tal como tudo o que tem mão humana é falível, não se torna doutrina apenas porque o número de curiosos seja elevado, sendo apenas uma forma diferente de interpretar a história.
Sinceramente, gostei do filme e a ser verdade que tenha mesmo existido a tal “Sarah” (descendente de Jesus Cristo e de Maria Madalena), a minha fé não será minimamente abalada, até porque esta história do celibato, sempre me pareceu mais um capricho ideológico da Igreja, que vai contra a natureza humana, dando depois azo a situações desprestigiantes sobejamente conhecidas.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Quando a sociedade trabalha mais...

É certo que foi iniciativa de um sector profissional com alta capacidade de mobilização, mas isso não tira interresse ao facto de o Parlamento ter aprovado, ontem, uma iniciativa legislativa proposta por cidadãos (no caso, arquitectos).
Resta saber, uma vez que a aspiração (a reserva de competência para assinar projectos de arquitectura) tinha 33 anos, o que andaram a fazer os grupos parlamentares, visto que, estando todos mais ou menos de acordo, nenhum partido mexeu uma palha.

Gente de bem

Informou-nos a RTP1, hoje pela manhã, de que Portugal lidera o ranking europeu de furtos em lojas de retalho, apenas "ameaçado" no prestigiad galardão pela República Checa, pela Eslováquia e pela Hungria.
Esperemos que a Albânia adira rapidamente à UE, para ver se isto dá mais luta.

O PSD pensa que...

A Procuradora-Geral Adjunta do Ministério Público, Maria José Morgado, era citada pelo Diário de Notícias (edição de ontem) como detendo a opinião de que pouco se fazia, em Portugal, no domínio do combate à corrupção em meios políticos, aproveitando ainda para sublinhar as suas reservas quanto à eventual interferência do poder político no trabalho da Polícia Judiciária, por via da nomeação dos seus dirigentes.
Sobre isto o PSD pensa que:
1 - está certo
2 - está errado
3 - não está certo, nem errado
4 - todas as anteriores
5 - nenhuma das anteriores
Se souber a resposta, remeta um comentário e habilite-se ao lugar de membro deste blog (temos que reconhecer quem sabe mais do que nós).

quarta-feira, 17 de maio de 2006

Cardápio

O próximo congresso do PSD, a ocorrer neste fim-de-semana, promete baixos níveis de adrenalina, excepto no que tocar a fazer listas ao conselho nacional.

Marques Mendes foi eleito a solo, mas com boa participação, e a margem de demarcação será curta.
Creio (alma poética, a minha), por isso, que será um bom momento para afinar o método, tendo em vista três anos de difícil oposição. A minha agenda seria, assim, quadripartida:

1º “Comunicação”: o PSD tem, rapidamente, que reflectir sobre as razões de vogar atrás nas sondagens, depois de eleger um líder de estilo diametralmente oposto ao anterior, de vencer duas eleições (autárquicas e presidenciais), e estando face a um governo que (também) aumentou impostos, que diminuiu as pensões (ou, pelo menos, a facilidade de as obter), que promete fechar maternidades (por muito ponderosas que pareçam ser as razões), que ficou ligado a “n” aumentos dos combustíveis e que, last but not least, com maior ou menos adequação, tem interpelado vários sectores sociais, com alto grau de crispação.
Aqui chegados, ou o PSD culpa genérica e acriticamente a comunicação social (havendo que encontrar quem faça o papel de Manuel Maria Carrilho) ou encontra uma formula para comunicar que seja atractiva sem cair no simplismo apelativo que requerem muitas das mentes adormecidas pela ”cultura” da televisão, tão característica dos tempos actuais.

2º “Renovação”: quando surgem novas figuras, mormente no domínio da reflexão política, há sempre um qualquer gabinete de estudos ou estrutura honorífica afim para onde “empandeirar” os incómodos pensadores, tantas vezes denegridos com o rótulo de “intelectual”.
O mais comum é que se não perturbem os “accionistas” que se vão revezando nos lugares, de maneira a que sejam, em bom rigor, os mesmos, há mais de vinte anos.
A renovação é Belzebu para os partidos portugueses, dado que, entre a geração fundadora e a que agora começa a discutir o partido, existe uma outra que, aproveitando as oportunidades de participação do pós 25 de Abril, se profissionalizou tacitamente, estando pouco atreita a sair de jogo, e “ameaçando”, dada a idade que tem em média, mais vinte ou vinte e cinco anos de “sacrifícios” pelo povo.

3º “Esperar para ver”: outro ponto a repensar pode bem ser a cautela (vulgo, credibilidade) com que se faz politica, na oposição.
Estando o País com alto grau de ingovernabilidade, os partidos que almejam o poder têm optado por não elevar demasiadamente as expectativas, procurando esperar até que os governos percam o poder.
O problema é que, com tamanho decréscimo de expectativas, a capacidade de, uma vez no poder, mobilizar os portugueses para os esforços a fazer torna-se quase nula. As pessoas passarão a escolher por notas carismáticas ou por descrédito do executivo.

4º “Ideal social”: por fim, entendo que deveria o PSD reflectir não apenas no plano táctico (ou seja, medida a medida ou, no máximo, a quatro anos), mas também no plano estratégico e prospectivo.
A previsível, e mil vezes anunciada, falência da segurança social, o encerramento de unidades de saúde com argumentos económicos, a saturação do meio ambiente, a escassez de recursos fósseis, a proliferação de armamento nuclear, entre outras, são questões que afectarão, sem dúvida, os filhos e netos de muitos dos actuais lideres partidários, sem que se lhes vejam soluções corajosas e pouco raladas com resultados eleitorais imediatos.

Estes são, em suma, pontos que me pareceriam decisivos para elevar a bitola da nossa politica.