terça-feira, 8 de novembro de 2005

Homens providenciais

São lapsos inofensivos de um jornal de qualidade, o "Público", mas não deixa de ser curioso imaginar a concretização das notícias tal como nos chegam:

1 - "PSD aprova apoio a Cavaco por 'unanimidade e aclamação' " (30/10)

Sendo que "amanhã [31 de Outubro, entenda-se], Cavaco desloca-se à sede de candidatura de Cavaco, para lhe manifestar o apoio formal".

Imagino o austero Professor a trocar, sucessivamente, de lado da mesa e, no fim, a apertar a mão direita com a esquerda. Convenhamos que iria melhor com a vaidade do dr. Soares...

2 - "Nino Vieira pretende criar em Bissau um Governo de Unidade Nacional" (31/10)

Depois de outras informações sobre a democracia guineense, ficamos a saber, sobre o actual Presidente, que "depois de ter sido derrubado em 1999 por uma parte das Forças Armadas, Nino Vieira foi afastado do partido que até então controlava, e só conseguiu este ano regressar ao poder graças ao apoio do Partido da Renovação Social (PRS), de Kumba Iálá, e do Partido Unido Social-Democrata (PUSD), de Kumba Ialá".

A mais de porem Kumba, um dia depois (a notícia tem mais 24 horas do que a anterior), a tentar aumentar a ubiquidade de Cavaco, creio que exageram no pluralismo que atribuem ao sistema de partidos da Guiné-Bissau...

sexta-feira, 4 de novembro de 2005

Estar acordado

Nem mesmo o dr. Soares pode permanecer no registo de hecatombe, a todo o instante...
Na mesma entrevista à VISÃO, acometido de um momento de lucidez à antiga, Soares responde a contento:
VISÃO: "Houve pessoas ligadas a Manuel Alegre que o acusaram de 'traição' a um amigo..." (...) "Inês Pedrosa, por exemplo...".
Soares: "Não ouvi. O Eduardo Prado Coelho sim. Mas o Prado Coelho não tem autoridade para falar em traição. Tem um percurso tão sinuoso, do ponto de vista político...".
BINGO!!! É, de facto, das mais lamentáveis figuras do panorama pseudo-cultural português.

"É triste ver este homem"...

Apesar de citar a letra da banda sonora de um filme com final trágico, não é ao "guerreiro menino" que me reporto, mas sim ao dr. Soares, que deveria ter sido preservado, um pouco (salvas as devidas distâncias, porque as circunstâncias são diversas) como sucedeu com Sottomayor Cardia, quando lhe passou pela cabeça o avanço para Belém.

A "tara" por Cavaco é excessiva, ridícula e apouca um homem com um percurso, goste-se ou não, singular.

Anteontem, na TVI, era o facto de não saber falar e de, quando o faz, só debitar Economia.

Ontem, a entrevista à VISÃO trouxe mais umas pérolas:

a) "Estou aqui para discutir as minhas ideias convosco. Se vai pôr toda a ênfase em Cavaco Silva, está a fazer uma entrevista falhada"
(...)
"Mas ainda não saímos do professor Cavaco... É uma obsessão vossa!"
(...)
Porém:
"(perguntado sobre se tem apoiantes de direita) Tenho, mas sabe por que é que me apoiam? Porque não gostam de Cavaco Silva".

E a obsessão é dos outros!... Ainda bem que as pessoas se revêm, sobretudo, nas ideias...

E, já agora, quem falou numa candidatura para evitar um passeio de Cavaco Silva na Avenida da Liberdade?



b) VISÃO: "Porque escolheu (...) Cunha Vaz, que Ferro Rodrigues processou por difamação..."?
Soares: "Quanto à empresa de Cunha Vaz, sou testemunha, nesse processo, a favor de Ferro Rodrigues, por quem tenho muita estima e de quem sou amigo. Cunha Vaz está apenas lá [candidatura] como profissional".

E se não tivésse estima e amizade?! Ainda bem que não é também testemunha de Jeová, porque era mais grave, dado o envolvido...



c) VISÃO: "A decisão de levar até ao fim a sua candidatura é mesmo definitiva?".

Voltando à introdução do post, e salvaguardo o devido respeito pelo dr. Soares, não estranhará ele por que é que estão sempre a fazer-lhe esta pergunta?! Será que imaginam que há uma cabala "geronticida"?

Vai ser dramático, até Janeiro, olhem o que vos digo...

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Sobrinho de seu tio

Ontem, no "Frente-a-frente" da SIC-Notícias, entre Narana Coissoró e Alfredo Barroso, este último, sobrinho de seu tio (Mário Soares, entenda-se) procurou beliscar a candidatura de Cavaco Silva da forma mais lunática possível.

Como bem sublinhara o "senador" do CDS, os apoiantes de Soares haviam perdido o argumento do "vazio de ideias", agora que o ex-primeiro-ministro apresentara o programa.

Não desarmando, e provavelmente não se sentindo com bagagem para questionar as causas defendidas, Alfredo Barroso decide tentar provar a "falta de transparência" de Cavaco Silva.

Como?! Revelando a um País que, por certo, imaginaria atónito e escandalizado, que, há uns meses, quando procuravam uma sede para o tio Mário, lhes haviam dito que o edifício desejado estava reservado para o prof. Cavaco Silva!!!

Gravíssimo, de facto...

Perder o fio à meada três vezes, numa conferência de imprensa, é normal...

Não saber onde para o diploma do referendo sobre o aborto, sendo-se candidato a Presidente, é naturalíssimo...

Agora, reservar um edifício sem adiantar que se é candidato (soubesse-o ou não com toda a certeza, na altura) é que não!!!

Cavaco, a ver pela óptica do sobrinho Alfredo, é um perigo para Portugal, pois ocultou uma reserva de um prédio e, logo, que era candidato, antes da data em que o revelou.

Sinceramente...

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

Que tal esquecer-se das assinaturas?

Eis que, ontem, o dr. Soares deu ares da sua graça, mas foram, de facto só ares...
O cargo a que se propõe não é o de presidente de uma qualquer associação filatélica, salvo o devido respeito, e, por isso, nas faltas mais graves temos mesmo de marcar grandes penalidades.
Assim, como pode o candidato, depois de menosprezar a superioridade atribuída a Cavaco Silva em matéria de conhecimentos de finanças públicas, usando uma citação de Fernando Pessoa sobre Jesus Cristo ("mais do que isto, é Jesus Cristo, que não sabia nada de finanças, nem consta que tivesse biblioteca”), apresentar como bandeira a consolidação das finanças e lembrar com laivos de superioridade a sua alegada preponderância na matéria, durante os seus governos?!
Mas, a meu ver, mais grave ainda é o facto de desconhecer o estado processual do referendo ao aborto aprovado por PS e BE. A mais de ser uma questão actual e noticiada até à exaustão, é um tema magno da sociedade e para o próximo mandato presidencial.
Ora, propondo-se o dr. Soares a um 3º mandato, não vale a invocação de mero lapso para desculpar o facto de, na sessão de apresentação do programa, desconhecer que o dr. Sampaio já enviou a questão para o Tribunal Constitucional, há algum tempo.

terça-feira, 25 de outubro de 2005

Irmãos daltónicos

A meu ver, temos de começar a pensar no que se procurará num Presidente, em 2006.

Assim, a dinâmica dos sistemas políticos, a menos que se olhe pelo lado mais estático de alguns constitucionalistas, obriga, em cada tempo, a ler as circunstâncias políticas.

Ora, hoje, o que temos é uma predominância socialista nos mais diversos orgãos do Estado, o que leva a que, mesmo quando o Governo tenha fair-play suficiente para desejar um olhar crítico e construtivo (reconheço essa qualidade a alguns dos nossos governantes), não encontre eco em titulares de instituições que, mesmo inconscientemente, se lembrarão de quem os nomeou e, em muitos casos, de quem poderá reconduzi-los. É o perigo da mesma cor...

Acresce que, mesmo que todos conservassem o cúmulo da sua lucidez, não cola a ideia de que Jesus Cristo nada sabia de finanças, com a qual o dr. Soares procurou um momento de graça e de show off literário; que me perdoem a heresia, mas, hoje em dia, até ELE teria um MBA.

Graças à parte, a ideia é a de que, num mundo globalizado (goste-se ou não da ideia, é um facto), o enquadramento de um País já não pode fazer-se com tertúlias num canal de televisão por cabo (como fazia o dr. Soares) ou com tiradas poéticas e proféticas, dentro ou fora do “quadrado” (alusão a conto do poeta-candidato), e com recordações, de certo meritórias, de lutas anti-fascistas. Os conhecimentos do prof. Cavaco Silva são preciosos para que, entendendo o que o País necessita e o peixe que vão tentar vender-lhe, possa dizer ao Primeiro-Ministro o que pode passar ou chumbar em Belém, e até apoiar publicamente o Governo quando, como creio haver já exemplos dados por José Sócrates e seus pares, o mereça, dada a dificuldade e inevitabilidade de muitas reformas.

Assim tivesse o dr. Soares entendido a presidência, e mais se teria feito, entre 1985 e 1995.

Irmãos Dalton

Estamos fritos!
Os portugueses habituaram-se a ver no “senhor Presidente” o último baluarte de respeitabilidade da classe política, algo para que concorrem amplamente a sua eleição por sufrágio directo, universal e secreto, a natureza unipessoal do cargo e as suas “funções de Estado”.

Todavia, em cinco candidatos com base de apoio partidária (a conversa da emergência a partir da sociedade civil é muito bonita, mas já em 2001 não havia quem riscasse sem estar apoiado pela partidocracia) é preocupante e lamentável ver quatro quintos da banda a tocar um requiem, desde logo pelos motivos do parágrafo anterior; ou seja, é de temer quando quatro candidatos a Chefe de Estado – Soares, Alegre, Jerónimo e Louçã – proferiram já declarações em que reconhecem como bom motivo programático impedir a eleição de Cavaco Silva.

Para se perceber também o lado burlesco, era como se um candidato à presidência do Benfica dissesse que o objectivo primeiro da época era evitar que o Sporting ganhasse, como se um candidato a Secretário-Geral da ONU se propusesse encarnar os princípios da organização, começando por dizer que queria derrotar o concorrente de outro país, ou como se entrássemos no autocarro para deixar de fora o tipo que vem a seguir na fila…

Se fosse Cavaco a proferir uma pérola destas, a cruxificação na praça pública, precedida de esquartejamento mediático, seria a mais leve pena a esperar.
Importava que os candidatos garbosamente auto-designados de esquerda (o velho maniqueísmo de volta) começassem a pré-campanha positiva, sob pena de tornarem Cavaco numa espécie de candidato solitário, mais rápido a ser eleito do que a sua própria sombra.

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

We are the champions

Dias da Cunha (Presidente demissionário do Sporting) apoia Mário Soares.

Eduardo Prado Coelho (ex-mentor de Carrilho) apoia Alegre.

É só vencedores...

Templo da Diana

Não haverá hipótese de Diana Pereira (a supermodel coimbrã) enveredar por uma carreira política e regressar ao burgo?
Não o digo pelos sobejamente conhecidos detalhes artísticos da sua anatomia, mas sim pela agradável surpresa que tive ao ler a sua entrevista à revista “Sábado”.
Pés assentes na terra, rejeição de drogas (comuns no mundo da moda) e de adereços afins, visão altruísta das relações sociais e naturalidade (em contraste com o estilo ensaiado de muito partisan) fazem falta e fariam da "minha" Cidade o verdadeiro “templo da Diana”.
Esperemos que, também na política de Coimbra, a moda seja "passageira" (para parafrasear Rui Reininho).

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

Espelho meu

Creio que o problema de algum descrédito que os cidadãos atribuem à candidatura do dr. Mário Soares nem tem bem a ver com factos objectivos.
Eu nunca o apreciei, mas os que nutrem simpatia por ele têm de viver com a comparação do que já foi e do que (não) poderá vir a ser.

quinta-feira, 13 de outubro de 2005

Autárquicas VII

Se Pinto da Costa for o F.C.Porto, então o FCP também perdeu eleições, tal o volume de bílis anti-Rio que lançou o "Papa" das Antas.
A verdade é que separar política e futebol é imperioso (eu gosto de ambos), e a malta lá vai percebendo isso...

Autárquicas VI

Sendo que até simpatizo com os populares, é incontornável o desvanecimento do CDS como partido autárquico. De nada servirá invocar os mandatos obtidos em coligação, pois a marca CDS-PP "vende" inequivocamente menos no mercado eleitoral, quando vista isoladamente.

A ideia de desvanecimento do CDS (um partido de direita moderada e democrática) em nada me alegra, até pelo que abre de espaço a extremismo, numa altura em que as tensões sociais recrudescem, no mundo ocidental.

Autárquicas V

Conclui-se que o Bloco de Esquerda é Louçã e Louçã é o Bloco de Esquerda. Se assim não fosse não era a ele que um partido colectivista recorreria em todo e qualquer desafio nacional (foi assim nas legislativas, será assim nas presidenciais). E, se assim não fosse, não teria o BE ficado tão abaixo das suas expectativas, quando teve que diversificar rostos, como aconteceu nas autárquicas.
Façam o exercício de imaginar na liderança Luís Fazenda, Fernando Rosas, João Teixeira Lopes ou Ana Drago e perceberão que, com o cansaço que Louçã inevitavelmente gerará, o BE não irá além de um partido de protesto radical, em sufrágios nacionais (oxalá o PS nunca precise deles para nada, ou estaremos, aí sim, bem arranjados).

Autárquicas IV

Carmona Rodrigues é, como já afirmara, um gentleman. A forma como não deixou de lembrar o seu antecessor e como creditou a vitória também a Marques Mendes denota o justo equilíbrio que consegue entre a afabilidade e a competência.
Parabéns também ao António Proa que, em devido tempo, bem disse que deveria permanecer no elenco.

Autárquicas III

E por falar no dr. Mário Soares, a violação da lei eleitoral que perpetrou ao apelar no voto no filho, em pleno dia de votação, coloca-nos perante um dilema: ou infringiu claramente a lei - e, aí, não sei como pode querer ser o Mais Alto Magistrado da Nação - ou não se apercebeu da falta grave - e, nesse caso, também não sei como pode querer ser o Mais Alto... (já sabem o resto)!
No entanto, não se enganem: o PS tem apurado instinto de sobrevivência e já percebeu que só com Sócrates tem possibilidade de continuar na corrida. Por isso, a militância votará Mário Soares aos 81 como aos 150 anos.

Autárquicas II

José Sócrates esteve digno. Felicitou o principal vencedor, depois de uma campanha na qual se não furtou a aparecer ao lado de muitos dos seus. E se 9 de Outubro marca o pior resultado autárquico, desde 1985, não pode esquecer-se que 20 de Fevereiro sublinha o maior sucesso em legislativas. Ainda faltam 4 anos, olhem o que vos digo...

E mais: se dizem que certas vitórias derivam da personalização da política, realçando a figura a de vencedores e/ou perdedores (vejam-se, por exemplo, os casos de Felgueiras, Oeiras, Gondomar ou Lisboa), então não pode dizer-se que, em grande parte, se trata de uma punição ao Governo. A leitura equilibrada, a meu ver, é a que tem um pouco de cada uma destas "teorias".

A única "má-boa" notícia para Sócrates foi a derrota de Carrilho. Se aquele que chegou a ser rotulado de "grande ordinário" tem ganho, teriamos um mandato de prepotência intelectual e de sede de protagonismo, usando a edilidade como trampolim, bem ao jeito do exemplo parisiense em que parece inspirar-se.

Creio que foi Jorge Coelho quem disse que o PS deveria escolher melhor os seus candidatos, e disse bem. As escolhas para Lisboa, Porto, Sintra e Coimbra (apenas para amostra) não eram a meu ver, os mais adequadas para cativar o eleitorado, por razões várias.

Por exemplo, no caso de Sintra, nem é que se diga de João Soares o que se diz de Carrilho, mas o facto é que, nos moldes actuais. Bem sei que em política não há "para sempre" (se assim fosse, há muito que eu estaria mumificado), mas João Soares precisa bem de repensar a sua imagem, já que a sequência Lisboa-PS-Sintra (3 grandes derrotas em 4 anos) pode passar de currículo a rótulo. Definitivamente, no casting actual, não devia tentar seguir o ofício de seu pai...

Autárquicas I

Arrumadas as eleições autárquicas, segue-se para a vitória de Cavaco Silva, em 2006.
Porém, antes disso, e deixando a análise clássica para os experts, ficam alguns apontamentos sobre a noite de 9 de Outubro de 2005:

O grande vencedor é, evidentemente, o PSD e o seu Presidente, Marques Mendes. Apostou pessoalmente em Carmona (arredando Santana Lopes que, ao que afirmou ao Diário Económico, nem queria ser candidato), Isabel Damasceno e Élio Maia (Aveiro), e ganhou. Enfrentou Valentim Loureiro e Isaltino Morais e, mercê da dimensão da vitória global, não perdeu com o sucesso destes (embora continue a chamar a atenção para o facto de se mostrar que a "credibilização" de que fala não é, contas feitas, o afastamento de dois ou três militantes).
Marques Mendes tem o PSD "na mão", e mais terá ainda com o previsível sucesso de Cavaco Silva. Se quiser mesmo a eleição directa do presidente do PSD, o pós-presidenciais é a altura adequada para um "passeio imperial".
Apostas feitas, desconfio que, ao contrário de palpites que escutei, que será mesmo ele o challanger de Sócrates, em 2009.

PIDE Resort

E por falar na Áustria, até eles lidam bem com a barbárie nazi, a avaliar pela pedagógica exposição do Museu Militar, em Viena.
Se a nossa PIDE não foi sequer um décimo da Gestapo, por que não havemos de assumir toda a nossa História e preservar a sede da polícia da II República para que jamais se esqueça?!
Não concordo com a ideia de um condomínio de luxo, sublinho.

Omnipotência

Bem sei que não é um crime de lesa Pátria, mas, anos depois de ter ouvido falar de Bratislava como capital da Eslovénia, a Visão de hoje, a propósito de reservas de combustíveis fósseis, fala na Austrália e exibe a bandeira austríaca.
Que um cidadão comum se engane... Mas os omnipotentes média...


segunda-feira, 3 de outubro de 2005

All you need is love

Soares diz que votaria Alegre na 2ª volta das presidenciais (porque sempre votou à esquerda).
Alegre diz que o faria por Soares.
Ou seja...