sábado, 5 de julho de 2008

Da semana


Achei oportuno afixar o cartoon ao alto, retirado do Inimigo Público de ontem [04-07-2008]. É representativo do Ocidente interesseiro e cujo edifício moral mais pareceu um casebre na forma como lidou com a recondução do Sr. Robert Mugabe ao poder. Em revisão da imprensa da semana, nunca é demais recordar a acção dos vizinhos mais próximos – porque a carapuça da tirania serve a muitos não é, certamente, por ingenuidade que se limitam a pedir "negociações", como se elas fossem possíveis – e dos outros, que, em situação diferente, seguem a mesma linha. Quanto a nós (Ocidente) nem vale a pena falar. Por cá isto foi repugnante.

Felizmente a semana foi bipolar em matéria de política internacional.

5 comentários:

  1. Relacionado com o tema segue o link para uma nova morada da blogosfera, a visitar: http://ha-fogo-na-pradaria.blogspot.com/2008/07/deixaram-de-achar-piada-foi.html

    ResponderEliminar
  2. Boa tarde.

    O seu blogue está nomeado para o Prémio Cegueira Lusa para o melhor blogue do mês de Julho de 2008.

    Cumprimentos,

    José Carreira

    (www.cegueiralusa.com)

    ResponderEliminar
  3. "É representativo do Ocidente interesseiro e cujo edifício moral mais pareceu um casebre na forma como lidou com a recondução do Sr. Robert Mugabe ao poder."

    Eu cá falaria mais da Europa agarrada à sua diplomacia infrutífera.

    Interesseiros são os Chineses neste caso.

    Existem certos individuos com os quais só se pode lidar de uma forma: guerra. Mas nós, cá na Europa, achamos que isso é coisa de Norte-Americanos e de Ingleses, somos muito diplomatas.

    Temos que ver que foi sempre assim e que foram sempre os Norte-Americanos que nos fizeram o trabalho sujo, até dentro das nossas próprias portas (ou não nos lembramos nós da Jugoslávia de Milosevic e, já agora, da I e da II Guerras Mundiais?))

    O Iraque é a nossa bandeira diplomática, que já está a meia haste, por força da mais que provável vitória Norte-Americana a cada dia que passa.

    Enquanto esta Europa ficar traumatizada e agarrada ao seu Anti-Americanismo convulso, do qual o teu adorado Mário Soares é o primeiro da fila, casos como estes ocorreram por todo o Mundo.

    ResponderEliminar
  4. Caro Ricardo,

    Sobre o assunto sabes bem que também sou crítico da (in)acção europeia (http://lodonocais.blogspot.com/2008/04/transio.html).

    E ao criticar o Ocidente, também me reporto ao facto da intervenção militar não se ter materializado. Todavia, não terá sido pelo espírito de anti-americanismo da Europa (de que também não faço apologias) que o Sr. Mugabe fez o que fez. Se os EUA precisassem de apoios europeus para o tal «trabalho sujo», como dizes, não teriam problemas num continente que é, actualmente e na sua maioria, governado por partidos ou coligações liberais, à direita ou de centro-direita. Porque é que desta vez o Zimbabwe passou ao lado dos americanos?! A razão pela qual não posso alterar o trecho que referencias, começa e acaba, justamente, na questão dos interesses que, independentemente de em relações internacionais ninguém dar nada a ninguém, critico por estar à vista de todos que foram eles o principal boicote à instauração de uma democracia e de um estado de Direito no Zimbabwe, com o apoio do exterior.

    Quanto à questão do funcionamento da política externa europeia aguardamos a sua alteração num tratado próximo!

    PS.: Estava convencido que ao dizer admirar Mário Soares tinha deixado salvaguardada a perspectiva ideológica. Estarei enganado!?

    Abraço!

    ResponderEliminar
  5. Claro que não existe ligação directa entre o anti-americanismo e o Mugabe. Mas, convenhamos, que Mugabe tem uma pinta descomunal para fazer aquilo que faz. E ele fá-lo porque sabe que ninguém tem poder ou disponibilidade para o fazer parar.

    A questão do apoio ou não apoio a uma intervenção militar dos EUA no Zimbabué por parte da União Europeia vai muito para além da ideologia. E temos que ver que a direita Europeia não morre de amores pelos Estados Unidos.

    Aliás, para ser franco, ninguém na Europa pode com os Estados Unidos. Somos uns traumatizados, ainda não soubemos engolir a superioridade dos nossos maiores amigos.

    "Porque é que desta vez o Zimbabué passou ao lado dos americanos?!"

    O Zimbabué sempre passará ao lado dos Americanos. Não lhes interessa meterem lá o bedelho. Ainda para mais depois do show que foi a Guerra do Iraque na Europa. A Europa que se desenrasque, pois ela é que tem muitas das culpas.

    ResponderEliminar