"Com uma infinda tristeza choro convosco a perda de tantos colegas", assim se exprimiu o presidente da firma Lonmin Pic, sediada em Londres, evocando o assassinato de 34 mineiros grevistas da mina de platina de Marikana. Lágrimas de crocodilo, na realidade!
Sida, tuberculose e outras doenças pulmonares profissionais, salários de miséria, etc., e a polícia atira nas costas! E os patrões que choram!
Os mineiros faziam greve não somente para reclamar melhores salários mas, também, contra um sistema de exploração insuportável.
Lonmin, que jura agir com honestidade, transparência e respeito, utiliza uma grande parte da mão de obra de subcontratantes das comunidades afastadas da mina, exercendo chantagem contra os trabalhadores, excitando uns contra os outros. Aliás, o trabalho precário seria a causa de numerosos acidentes de trabalho nesta mina, não esquecendo as condições sanitárias deploráveis e os estragos ambientais provocados pelos resíduos da mina.
A água é confiscada aos habitantes, que só podem utilizá-la durante a noite e ainda por cima, poluída.
Assim, quando 3 000 mineiros decidem de bloquear a mina, fazendo greve, os tribunais declaram-na ilegal, e lançam um ultimato aos grevistas: ou voltar ao trabalho ou despedimento. Ultimato final para 34, que foram assassinados e 78 feridos, dos quais muitos nas costas! Quatro dias mais tarde, os 28 000 trabalhadores voltaram ao trabalho. A ordem tinha sido restabelecida. Tudo é calmo! Os mortos foram enterrados.
A Lonmin, a Impala Platinum Holding e a Anglo American Platinum, três multinacionais proprietárias da mina, estão satisfeitas!
O cenário estando assim plantado, a mina de Marikana evoca exactamente o quê? 80% da produção mundial de platina, utilizada sobretudo na produção de tubos de escape catalíticos para a industria automóvel.
O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, ordenou uma comissão de inquérito! O resultado é previsível: os mandantes são de peso e nada mudará nas condições de trabalho dos mineiros de Marikana.
Por curiosidade, dei uma vista de olhos pelo "site" da Lonmin: a galeria das fotos dos colaboradores dirigentes,( com os olhos ainda enxutos!) são todos (excepto dois) bem brancos e "so british"!
Quando vi na televisão a polícia negra e branca da África do Sul, abater com armas automáticas estes pobres "colegas" do presidente da Lonmin, pensei que se o apartheid politico foi extirpado pela luta longa e dura da ANC, o apartheid económico persiste.
Razão pela qual a juventude da ANC, desafiando as instâncias superiores do partido, pede a nacionalização das minas.
Claro que este problema vai muito mais longe que a África do Sul. Ele é emblemático dum apartheid global, a través do qual as poderosas elites económicas e financeiras se apoderam da riqueza produzida com o trabalho e os recursos do mundo inteiro, excluindo a larga maioria do planeta dos benefícios respectivos.
E quando alguém se levanta contra um tal poder, as armas apontam sob o manto da legalidade!
Assim vai o mundo, e tendo lido há dias que os Americanos, protegidos pela lei HR 3422 do Congresso, vão utilizar o material bélico retirado do Afeganistão e do Iraque para o utilizar na caça aos Mexicanos que procuram entrar nos Estados Unidos, fugindo às "maquilladoras" para obterem salários mais elevados, o muro do apartheid do Rio Grande verá cada vez mais de corpos estendidos no solo a alguns metros do Eldorado!
Como se chamava aquela ceifeira do Alentejo, assassinada pela GNR ,( às ordens dum sistema nefasto), abatida por causa de greve?
Freitas Pereira
Ilustre Amigo
ResponderEliminarEste País tem, de facto, coisas que não estão certas. Imagine que li um jornal onde se anunciam abortos a partir do equivalente a 7€ (imagine as condições...)!...
Peço apenas que modere o seu entusiasmo sobre o ANC e sobre a sua juventude. As minhas funções impedem-me de dizer mais, para já. Porém, um dia voltaremos ao tema.
Um abraço
Caro Amigo
ResponderEliminarPeço desculpa, mas quando escrevi o meu "post" nao pensei na sua posiçao particular. Compreendo e espero me perdoe a "gaffe". Um abraço.
Freitas Pereira