Sobre estas iniciativas, quero deixar apenas algumas notas:
- O direito à manifestação pacífica, consagrado constitucionalmente, não significa que seja viável sairmos de casa para gritar umas palavras de ordem contra não sei bem o quê (saberão as excelências?) a cada quinze dias;
- A sustentabilidade do sindicato, do movimento ou da organização ou comité seja ele qual for, é também colocada em causa dado que consequentemente e manif após manif vai perdendo boas oportunidades para fundamentar quaisquer que sejam as suas reivindicações;
- De qualquer modo, os cartazes estão giros;
- No que respeita a Portugal, o governo PSD/CDS-PP foi eleito há pouco mais de 100 dias, com apoio expresso da maioria dos portugueses;
- O mesmo governo reforça a sua legitimidade, conforme podem suas excelências confirmar;
- As medidas tomadas desde então estão consagradas no compromisso europeu para garantir o equilíbrio das contas públicas;
- O memorando da troika foi conhecido antes de o povo (este mesmo povo que muitos dos que vão na Grande Marcha referem como a sua maior preocupação) ter colocado o voto nas urnas;
- O apelo aos "camaradas do SIS" no anúncio publicado no Arrastão faz-me lembrar uma vez mais a mania da apropriação que muitos sentem quando as forças de Estado mostram algum descontentamento face à sua situação corporativa.
A bem da saúde da nossa democracia, haja sensatez.
Excelente análise!
ResponderEliminarNo momento em que as forças políticas dominantes, da direita como da esquerda, estão de acordo para comprimir maciçamente as despesas publicas e os salários em nome do reembolso da divida, a acção dos sindicatos demonstra-se impossível.
ResponderEliminarA ilusão unitária do sindicalismo reunido resulta da escorregadela visível da Confederação Europeia dos Sindicatos que renuncia a combater frontalmente o capitalismo. E sabe-se porquê ! A greve não parece ser absolutamente o bom caminho, numa situação muito difícil para o poder de compra e o emprego !
E as organizações sentem bem que as classes dominantes estão
determinadas a prosseguir as políticas e as medidas que conduziram à crise actual.
Por outro lado, os sindicatos têm também a sua clientela, para retomar a sua imagem em relação ao Bispo de Lisboa! Para o momento têm que manifestar ! Só que, esta clientela , tem muitas razoes validas para voltar à carga, um dia, quando as coisas piorarem.
E elas piorarão ! E o facto de terem votado desta vez pela direita , não os afectará!
Senão vejamos os Italianos, que votaram maciçamente pelo Berlusconni e que hoje pedem a sua demissão! O espectáculo da Itália é deprimente.
O desemprego, a pobreza, a precariedade da juventude, os graves recuos sociais, os planos de rigor, a factura apresentada aos assalariados e aos povos depois de termos salvado os bancos, virão a ser argumentos poderosos nas mãos dos sindicatos se a situação não melhorar rapidamente.
Freitas Pereira
Concordo com a tua análise...
ResponderEliminarAliás, a rotatividade é coisa que não se vê nos dirigente sindicalistas deste país - pelo menos nos mais graúdos!!! Fico com dúvidas se as constantes manifs são reais ou formas de eles se manterem por lá...