Embora com a
devida moderação, não havia como não romper o silêncio sobre a vida política
portuguesa.
Estando ainda “a
bola a correr”, o que aqui se diga pode ficar desactualizado ao minuto.
Todavia, algumas observações (repito, não tão acutilantes como desejaria) posso
já fazer:
1 – À distância,
fico com a impressão de que nunca se criou uma relação de confiança pessoal ou
sequer de empatia entre Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. Se é certo, como
dizia um rival que tive na JSD, que “não precisamos de ser amigos para trabalharmos
juntos”, a verdade é que, em não raras ocasiões, um bom entendimento ajuda.
Na minha modesta
opinião, havia que ter posto em lugares charneira pessoas que pudessem fazer
pontes e limar arestas entre os dois partidos. Fico, ao invés, com a sensação
de que cada uma das forças coligadas nomeou os seus como se de uma sociedade
por acções se tratasse.
Talvez Mourinho
pudesse, melhor que eu, falar sobre a importância do espírito de equipa, mesmo
pelo lado negativo da sua ausência, se pensarmos na experiência em Madrid…
Em todo o caso,
a ser verdade o que se ouve, mais vale tarde do que nunca.
2 – Dizem as
“últimas” que o CDS poderá negociar a manutenção na coligação, com alterações
no elenco. A esse respeito, admitamos que o seu líder podia ter razão ao
desejar maior grau de informação sobre as nomeações para a equipa. Todavia,
voltamos ao mesmo ponto: será que o mesmo grau de consulta existiu nas
nomeações dos titulares das pastas que cabiam àquele partido (para além da
necessária e constitucional informação ao Primeiro-Ministro)?
O que foi mal
calculado – beneficio da dúvida concedido, sem o que as palavras teriam que ser
mais amargas – foi o efeito de uma decisão que, ainda que eventualmente
profícua na defesa da auto-estima pessoal e colectiva (CDS), teve uma série de
efeitos imediatos devastadores, com consequências que chegaram ao plano
internacional.
“Que farias tu?”
– perguntariam alguns leitores. Nestas coisas da política, creio que o País
está sempre primeiro. Por muitas eventuais tropelias com que nos dificultem a
vida, os objectivos do mandato conferido têm que estar primeiro (a uma escala
ínfima, sei o que é ter um grupo interno a sabotar – e estou certo que nem por
sombras se passou algo assim na coligação – e não desmobilizar até completar a
missão). Por outras palavras, mesmo que admitamos que Portas tinha razões de
queixa, creio que, inquestionável patriota que é e sempre foi, deveria ter
sopesado melhor os resultados da sua consternação e, talvez, aumentado a sua
capacidade de sofrimento ou, em alternativa, lograr os mesmos resultados
através de uma negociação discreta.
Em suma e em
matéria de cenários, creio que a manutenção renegociada da coligação é o
cenário preferível (tacticamente, até para António José Seguro), seguindo-se
nas opções defensáveis um eventual elenco resultante de esforços presidenciais
(os governos de iniciativa presidencial estão fora do seu alcance), embora não
acredite que tal encaixe no perfil do nosso Presidente. Os custos de um acto
eleitoral iriam muito além da organização do escrutínio.






