quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Alvar

Sou daqueles que acha que há certo tipo de pessoas que, por serem de tão baixa igualha, não merecem qualquer espécie de menção. Um pouco a ideia de que há defuntos tão ruins que não merecem que com eles se gaste mais cera…

O leitor perceberá que me refiro ao treinador do Benfica, Jorge Jesus, para o qual abri uma excepção à regra supra mencionada, de tão alarve que é a criatura.

Antes porém de o fazer, duas notas preliminares: não confundo a instituição Sport Lisboa e Benfica com um ou outro energúmeno que a sirva.

Em segundo lugar, cumpre reconhecer que, no jogo de domingo, a Académica terá jogado um futebol pouco apelativo. Contudo, pego por aqui para escrever a tinta carregada o meu espanto, pois muitos dos que dizem que a Briosa estacionou um autocarro na Luz são os mesmo que acharam Alex Ferguson genial por ter jogadores deitados à frente da bola no jogo em Madrid, na semana passada, e que disseram que Mourinho era um mestre da táctica pela teia defensiva que esquissou quando, há alguns anos, o Inter de Milão dinamitou o ataque do Barcelona, no Nou Camp. E mesmo no caso dos que não apreciaram os mentores destes “estacionamentos de pesados de passageiros”, importa perguntar se queriam que a Académica desafiasse o poderoso SLB desta época, para sair de “blusa cheia” e com uma palmadinha nas costas dos jogadores por terem sido tão bons rapazes?!...

Jogou-se o que se pôde e, eu que não aprecio particularmente Pedro Emanuel, reconheço a inteligente preparação do jogo, olhando a jogadores proporcionados por uma gestão que já mereceu citação de exemplo de “fair-play financeiro” pela UEFA. Estou certo que com o passivo pantagruélico autorizado ao SLB a capacidade de luta seria maior, mas seria menor o orgulho do meu coração “negro”.

Dito isto, vem a prosa à guisa de Édinho (Briosa) ter dito que o ruminante indivíduo que conduz o SLB afirmara que a Briosa não “joga um c……” e que teria que descer de divisão.

Poderíamos encurtar razões, citando o eloquente prof. Manuel Machado: "um vintém é um vintém, um cretino é um cretino".

Porém, a boçalidade de J. Jesus merece mais comentário por ver um idiota que não consegue articular uma frase em português a falar da Associação Académica de Coimbra. Os termos em que o faz sublinham, aliás e fazendo fé no jogador da Briosa, os modos bestiais deste simulacro de cidadão.

Depois vem a questão ética. Um sujeito que, há não muito tempo, dizia que ordenara aos seus jogadores que não atirassem a bola para fora do relvado quando houvesse um adversário tombado e que “o fair-play é uma treta” (não falando sequer na ofensa que a todos faz com as suas idas ao cabeleireiro) não pode pôr em causa a deontologia de um adversário, apenas porque defendeu aguerridamente um nulo que só foi quebrado por um genial árbitro que discerniu qual dos jogadores se agarrava com mais força.

Em suma, há uma divisão à qual só o SLB vai descer: a da imbecilidade, enquanto por lá estiver Jorge Jesus.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Tirar o chapéu a...

Sou daqueles que, de há uns anos a esta parte, nem caio nas boas graças de Miguel Relvas. Creio, por isso, poder dizer com isenção que lhe louvo a resistência e, mais recentemente, o nível elevado com que tem enfrentado alguns momentos que oscilam entre o burlesco e o anti-democrático.

Falo, em primeiro lugar, na elegância com que respondeu às palavras de Francisco José Viegas sobre as facturas e os fiscais. Peço apenas que pensemos todos na escandaleira que os media armariam se fossem declarações de Relvas comentadas por Viegas. Assim, como este é intelectual, tem tudo muita graça...

Depois, falo dos imbecis com pretensões anarquistas que interromperam Relvas, no Clube dos Pensadores, cantando "Grândola, Vila Morena". Se queriam ser eficazes podiam, pelo menos, disfarçar as suas preferências pelo PCP ou pelo BE e evitar insultos (chamaram "fascista" ao Ministro). É tétrico pensar no projecto de sociedade de uma gente que impede debates democráticos e que ignora até o significado daquilo que diz (se Relvas fosse fascista, estariam a cantar num calabouço). Ainda assim, Miguel Relvas fez declarações tolerantes e democráticas.

Chapéu tirado!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Falar depressa e sem paneleirices


Leio em alguma imprensa de hoje que PSD e CDS admitem discutir recuo na lei do aborto e do casamento gay!

Se isto for verdade, é prova que a mediocridade está instalada.

Que pouca vergonha, quanta ignorância... o país a saque, as pessoas sem dinheiro para se alimentarem em condições... e querem discutir paneleirices...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Argo: um filme dentro de outro filme


O mais recente filme de Ben Affleck está nomeado para sete Óscares, mas já arrecadou - até ao momento - quarenta e sete prémios. Argo retrata uma questão diplomática ocorrida em 1979 no Irão pós-revolucionário, quando funcionários da Embaixada norte-americana foram feitos reféns por 444 dias. Excepção feita a um pequeno grupo que, graças à conivência de diplomatas canadianos e a um arriscado (e caricato) plano levado a cabo por um agente da CIA, conseguiu sair do país antes disso.

A missão bem sucedida deixou de estar sujeita a segredo em 1997 e Affleck aproveitou, e bem, para levá-la até ao grande ecrã. Tudo ali me parece exemplar, desde o trabalho cénico e de figurinos usado para nos transportar até ao final dos anos setenta, passando pelo cuidado na abordagem política, pelo intercalar de imagens de época e até no contrabalançar das questões sensíveis com laivos de humor.

De destacar que ali se faz um certo «ajuste de contas» pouco diplomático, pois dá-se a entender que se alguns diplomatas não hesitaram em cooperar, outros a isso se furtaram - ingleses e neozelandeses. Mal o filme estreou, a reacção desses diplomatas (de serviço em Teerão, à época) não se fez esperar. O diplomata britânico, hoje com 86 anos, considera injusta a forma como o filme leva o espectador a essa conclusão, até porque - segundo o próprio - ainda antes da colaboração canadiana, foi junto dele que os americanos encontraram abrigo. Do lado neozelandês, e pese embora o assumido receio de que uma ajuda pusesse em causa as relações económicas entre Irão e Nova Zelândia, Chris Beeby afirma que visitou com frequência o grupo escondido e arrendou uma casa perto daquela para onde pudessem fugir caso necessário...

Acertos à parte, o filme ilustra bem a dimensão do problema e a forma caricata e surpreendente como ele se solucionou e é, digamos, completo do ponto de vista das variadas emoções a que somos sujeitos. A ver vamos se a Academia concorda e premeia, ainda mais, esta obra de Ben Affleck, que além de realizador brilha também como actor. Quanto ao título acima, para o entender... é ver o filme!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O "toma-toma" de Francisco José Viegas


É a notícia do dia: Francisco José Viegas (FJV), Ex-secretário de Estado da Cultura diz que mandará os fiscais da AT "tomar no cú”...

A prosa está no seu blog, num post dirigido a Paulo Núncio, atual secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que veio com a estrambólica ideia de multar quem não pedir fatura.

Como nestas coisas costuma haver sempre uma qualquer declaração da parte do Governo, a réplica coube, imagine-se… a Miguel Relvas (MR)!

Creio que a esmagadora maioria das pessoas concordaria (e concordará) se disser que FJV era do melhor que este Governo tinha… E imagino que essa mesma maioria assinaria uma qualquer missiva a dizer o contrário de MR.

FJV é mais conhecido de todos nós pela literatura, que se dedica com afinco, principalmente a poesia. Aparte as suas qualidades literárias, trata-se de um homem culto, com boas ideias para o país. Só que infelizmente ter boas ideias não é sinónimo de qualquer habilitação para a arena política, nem garante um bom exercício do cargo.

MR é conhecido como o ministro Licenciado-Equivalente... É alvo de chacota e a principal fonte de inspiração aos humoristas nacionais! Todos os dias vamos conhecendo um conjunto de equivalências deste político polivalente. As últimas, imagine-se, estão relacionadas com questões de fé e avançam com a elegibilidade para uma eventual candidatura a sumo pontífice!

Só que o “candidato a candidato” (AKA - MR) ao ministério de Pedro é um soldado ferido em combate e estes, por regra, não ajudam na batalha, antes pelo contrário: atrapalham, são um fardo, provocam incómodo e têm de ser carregados pelos restantes.

Daí a pergunta. Mas porque raio tem de ser MR a responder a FJV!?

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A Júlio o que é de César

Durante muitos dias não soube como abordar a demissão de Paulo Júlio do cargo de Secretário de Estado para a Reforma Administra e, em alternativa, fui lendo o muito que se escreveu.

Tratando-se de um amigo e de um dos mais inteligentes e competentes políticos da minha safra, creio que o tempo de meditação me permite ter uma opinião mais objectiva sobre aquilo que reputo de uma perda de monta para o Governo e para os portugueses.

Antes do articulado justificativo, atalho eventuais tentações de “malandrices de algibeira” a respeito da minha opinião: entendo que qualquer ilegalidade comprovada e transitada em julgado deve ser punida, que mais não seja, em homenagem ao órgão de soberania que é corporizado nos tribunais.

Dito isto, tal não significa que concorde necessariamente com as leis. Venho, aliás, escrevendo e dizendo que me parece que têm sido feitas demasiadas cedências legislativas no sentido da menorização dos agentes políticos; de tal modo que, hoje em dia, podemos concordar que só aceitará o ónus de o ser quem seja dependente da vida partidária ou pessoas com extrema e genuína dedicação à causa pública, dado o constante escrutínio e até enxovalho e o facto de haver salários bem mais tentadores na iniciativa privada, que não impõe o mesmo grau de devassa, inclusive, da vida privada.

Vem isto entroncar na ideia de que muitas das escolhas para lugares dirigentes – relembro que a demissão de Paulo Júlio teve a ver com o alegado favorecimento de um primo em segundo grau num concurso da Câmara de Penela, a que, à data, presidia – são condicionados por critérios de pretensa objectividade que desprezam em absoluto a confiança política que deve existir entre eleitos e dirigentes que têm por missão concretizar um projecto político sufragado nas urnas. Dir-me-ão que as regras dos concursos visam prevenir abusos… Pois bem, mas a meu ver os abusos, a existirem, devem ser castigados, sendo errado partir de um pressuposto generalizado de desconfiança.

Contudo, o Mundo é como é e não como nós queremos que seja, e acabámos por deitar pela borda fora um talento… Mas que fique clara uma dúvida que paira inevitavelmente no ar: será mera coincidência uma notícia velha de anos vir a lume quando Paulo Júlio “pisou alguns calos” com a anunciada fusão de freguesias? Não branqueando um eventual erro passado, fica o convite à meditação.


Nota: foto "emprestada" aqui.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Traição

Continuo esta série de títulos mono-conceptuais com uma palavra forte que me ocorreu ao assistir ao noticiário de um dos canais informativos portugueses. Falo da necessidade de emigrar sentida por muitos jovens qualificados.

Sei bem que já falei disto por estas páginas e também estou cônscio de que não vale a pena dar proporções bíblicas a algo que, infelizmente e com uma ou duas décadas de excepção, foi sempre a sina de um povo pobre e acabrunhado.

Todavia, creio que o fenómeno cobra a sua novidade na natureza da emigração actual, pois falamos de jovens altamente qualificados e a quem foram criadas expectativas por um sistema de ensino gerido pelo Estado.

Bem sei, igualmente, que a expectativa jurídica já não é o que era. Desconhecendo se é por fraca qualidade de alguma legislação, se pela absoluta prevalência da economia sobre a ética política, se por ambas, o facto é que hoje se põe em causa o que ontem era dado como certo. E nem se veja aqui uma crítica encapotada ao Governo a propósito de salários e afins. As medidas têm sido dolorosas, mas acredito no patriotismo que lhes subjaz, quer de quem legisla, quer de quem (os portugueses) as sofre. Falo, isso sim, a título genérico de outras coisas menores, mas que vão polvilhando alguns diplomas.

Não espanta por isso, e eis a razão do interlúdio, que o “contrato social” (também ele uma legítima expectativa) celebrado há décadas com quem estuda no ensino superior esteja em causa num mundo global em que a lógica da grande finança oblitera qualquer desígnio individual e mesmo, não virá o longe o dia, atinente ao ser humano em si considerado (ou seja, para lá da lógica contabilística). A nova religião é o “Excel”, coisa a que, como também já disse e redisse, mesmo os berços dos ideiais da era contemporânea (os partidos) prestam culto.

Se nunca se pôde pedir que um curso universitário garantisse um emprego e se, há muito, sou dos que diz que o numerus clausus deveria ser estratégico, orientando para cursos com saída, a verdade é que quem tirou ou está a tirar um curso superior (por vezes indo à pós-graduação, mestrado ou mesmo doutoramento) tem toda a legitimidade para esperar uma vida profissional adequada às suas habilitações, obviamente, sem desmerecer quem se quedou, por razões diversas, noutros níveis de ensino.

Contudo, estamos já abaixo disto. Quem tem um curso pode não ter emprego sequer num centro de atendimento telefónico (os chamados call centers), como ouvi um jovem testemunhar na referida peça jornalística… E afunda-se-me a alma e quebra-se-me o ânimo quando vejo outra jovem ponderar um lugar de empregada de balcão na Suiça (sem questionar a dignidade do emprego), onde diz poder ganhar mais do que como psicóloga em Portugal.

Sinto que os políticos – mea culpa com certeza, durante o tempo que o fui – não estiveram à altura dos seus jovens, que hoje se dizem traídos…

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Autoridade

Em vários exemplos da vida e conversas sortidas têm-me feito meditar num valor basilar da vida em comum, que me parece em progressiva delapidação; falo da autoridade…
Creio mesmo que, em Portugal, tal depreciação tem uma explicação adicional àquela que me parece global e que discutiremos infra e que tem a ver com o facto de, no passado recente termos vivido uma revolução inspirada pelos ideais libertários (mas nem sempre libertadores) da extrema-esquerda. Cansados da “estabilidade” (leia-se autoritarismo) do Estado Novo, os portugueses deram, na sua maioria, o beneplácito a uma dinâmica política que via na autoridade um símbolo do tempo a que se não queria voltar. As passagens administrativas no ensino e a perseguição, por exemplo, a professores da Universidade de Coimbra, por muito que lhes dêem outra roupagem eventualmente ideológico, foram, a meu ver, uma vingança contra uma ordem que se odiava acriticamente. Basta, em abono desta visão, ver outros fenómenos como as formas colectivistas de organização surgidas em vários domínios e a própria desresponsabilização individual que, a meu ver, a nossa Constituição encerra, em certos domínios. Começou a época do “proibido proibir”.

Acresce a este um factor global: a influência das novas tecnologias, que, ao mesmo passo que nos ligam a pessoas do outro lado do globo, nos isolam (não é incomum ver pessoas numa mesma mesa sem falarem e olhando ecrãs de telemóveis, com a cara azulada ao jeito de um qualquer Avatar (refiro-me, bem entendido ao filme homónimo). Contudo, ao mesmo tempo que nos isolam, permitem-nos o acesso a mil e um conteúdos (com difícil filtragem, o que é, não raras vezes, berço de idiotices) e, concomitantemente, a uma ideia de poderio individual (empowerment, na ciência política anglo-saxónica). Tudo isto faz com que, mormente, os mais jovens se sintam avalizados para minar a auctoritas do mestre ou do “mais velho”, por acreditarem que o que sabem ou julgam saber é verdade porque viram na televisão ou leram na “Net” (conversa esta que dava um livro, sublinho…).

Se não sou adepto do excesso de autoridade, tampouco o sou da sua míngua… E, desgraçadamente, entendo que, em determinados domínios, resvalamos para este último extremo.

Desde logo na relação com as chamadas forças da ordem. Basta lembrarmos as agressões descaradas a agentes da polícia na tristemente célebre manifestação em frente ao Parlamento para vermos algo que nos pareceria intolerável há vinte anos. É, diga-se, essa mesma fragilização que leva a que um policial não consiga evitar um calvário para justificar uma bastonada, ao passo que raros desordeiros ficam sequer em prisão preventiva.

Depois relembro a já citada relação entre jovens e mais velhos. O chamado “respeito pelos cabelos brancos” é visto como obsoleto, gerando situações de descarte de pessoas idosas a quem se não reconhece o valor de aprendizagem da escola da vida. Na melhor das hipóteses pode esperar-se um insolente “isso é a sua opinião”, numa das piores o afrontamento acintoso.

Por fim, a relação docente-discente que, a mais do vandalismo cada vez mais frequente, ignora, hoje em dia, a ideia essencial de que a transmissão do saber pode ser participada, mas não é um exercício democrático.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Tourear a crise com o regresso aos mercados e Leonardo Jardim



Duas notícias marcam a atualidade: o regresso aos mercados e as informações vindas de Atenas sobre Jardim - o conquistador madeirense (não confundir com o Alberto).

Enquanto a primeira se revela pela importância nacional que evidencia, a segunda também tem merecido destaque jornalístico, é que apesar de não ser o campeonato grego não deixa de ser uma conquista portuguesa.

Mas comecemos pelo regresso aos mercados. Mais paulada menos paulada nunca tive grandes dúvidas que iríamos regressar. E desde já vos digo que também não duvido que o ajustamento orçamental será feito. Agora, tenho dúvidas é em saber que país teremos depois de todo este processo.

O regresso, antes do previsto e quando poucos o previam não deixa de ser uma vitória dos portugueses que têm vindo a fazer um esforço desmesurado para endireitar um país que foi deixado em estado comatoso. É verdade que não terá repercussões na carteira dos portugueses a curto prazo, mas o caminho faz-se caminhando e ontem foi dado um passo importante no sentido certo.

É que apesar de todas as virtudes técnicas que a operação acarreta para o financiamento da nossa economia, há outro aspeto muito positivo a realçar, que é o acrescento motivacional que expeliu a um povo descrente, cético e a poucos dias de aferir o real impacto “do brutal aumento de impostos” que as novas tabelas de IRS acarretam.

Quanto a Leonardo Jardim, decidiu viajar para Grécia e dedicar-se à tauromaquia, confiando no que vem sendo dito e escrito. Diz-se que a esposa do chairman do clube grego que paga o ordenado ao Conquistador não terá resistido à farta e esbelta cabeleira do coach insular.

Aparte a estupidez de estragar uma carreira que até prometia sucessos maiores, todo este enredo (acrescentando a crise cravada em todos nós) recorda-me uma história (com algumas adaptações deste vosso criado) de dois amigos, um português e um grego, que foram largados em plena arena numa praça de touros.

Depois, é solto um touro com 500Kg de porte que começa desde logo a correr em direção aos dois aliados, que se põem em fuga pela arena. Pelo caminho surge uma voz vinda do além que consegue perguntar ao português se está a tentar correr mais que o touro, ao que o “portuga” responde que quer é "correr mais que o grego”.

sábado, 19 de janeiro de 2013

As Idades do Mar ::: Gulbenkian



Antes mesmo que o IVA sobre a Cultura aumente - o relatório do FMI que saiu ontem dá indicações para que o imposto sobre eventos culturais seja de 23%, pois considera tratar-se de «bens que não satisfazem as necessidades básicas» -, ide ver, enquanto é tempo, a soberba exposição que está (até dia 27) na Galeria de Exposições Temporárias da Gulbenkian.

Intitulada «As Idades do Mar», esta exposição conta com mais de uma centena de obras de artistas como Monet, Manet, Turner, Paul Klee, Paul Signac, Gustave Courbet, e também de portugueses como José Malhoa, João Vaz, Vieira da Silva e Amadeo Souza-Cardozo. 


É uma espécie de viagem marítima pelos tempos, pois todas as obras que ali se reúnem têm o Mar como elemento fundamental. Estão expostas de acordo com um critério temporal/temático, dividas por isso em vários núcleos: «A Idade dos Mitos» é dedicada às maravilhas e aos demónios do mar, enquanto «A Idade do Poder» retrata o mar como palco de grandes batalhas económicas e políticas, com as potências marítimas europeias em destaque nas telas. Holanda, Inglaterra, França e Portugal à conquista do mar, levando mercadorias, ideias e modos de vida para outras terras.

Por sua vez, «A Idade do Trabalho» desvela-nos representações de cidades portuárias, locais onde a relação mar-homem/trabalho é inevitável.  Já a fúria do Mar e as perdas que encerra encontram-se retratadas nas obras reunidas sob o subtítulo de «A Idade das Tormentas». Por fim, «Da Idade Efémera à Idade Infinita» é composta por telas que se enchem de banhos, pores do sol, pescadores, viagens e todo um quotidiano em redor da paisagem marítima.

Em suma, por apenas 5€ - ou menos se aproveitarem o cupão que vem no jornal Público com a edição de quarta a sábado - podem ver uma das melhores exposições que se tem visto em solo português.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A dinâmica temporal tem destas coisas



Esta imagem das antigas piscinas municipais de Coimbra circula pelo facebook há algumas semanas, somando milhares de likes e centenasde partilhas, tornando-se num verdadeiro caso de sucesso na rede de Zuckerberg.

Aquela zona da cidade sofreu profundas alterações no âmbito da participação no Euro 2004. Presentemente, lá convive o Dolce Vitta com uma zona residencial, estando mais abaixo o novo estádio municipal, que nos endividou por gerações.

Felizmente, os dirigentes políticos da altura tiveram a visão e a inteligência em não cometer o erro de deslocalizar o estádio para a periferia, como fizeram outras cidades, encontrando-se agora a braços com os financiamentos bancários a pagar por um lado, e com a necessidade de alimentar os “elefantes brancos” por outro. Estádios com “rodinhas” ainda não foram engendrados, por isso, esta era das tais decisões onde era imperativo acertar. Não podiam falhar.

Mas a estratégia de rentabilização da zona envolvente também merece realce. Valorizou-se o lazer, promoveu-se a formação e a prática do exercício físico, com boas taxas de ocupação. Foram facultadas novas oportunidades de negócio, constituindo uma ação socio-cultural relevante e atrativa.

Mais importante ainda, deu uma caráter hedonista ao desporto na cidade. Não são distantes os tempos em que para se fazer desporto era preciso pertencer ou estar federado num clube. Presentemente, e particularmente devido ao esforço feitos pelas câmaras municipais (com a comparticipação de fundos comunitários, é certo), a prática do desporto, em várias modalidades, simplesmente pelo lazer ou pelo bem-estar físico tornou-se uma possibilidade ao alcance de todos, em vários municípios.

Mas voltando às antigas piscinas municipais que a fotografia ilustra.

Era muito forte a ligação entre a cidade e aquele espaço, quiçá esteja aí a explicação do “sucesso facebookiano”.

Até há cerca de uma década atrás, altura em que foram demolidas, a cidade toda por lá passou! Julgo não exagerar se disser que meia urbe terá aprendido a nadar naquelas piscinas.

Mas não foi só o aprender a nadar. Ali aconteceram amizades e “paixonetas” de verão. Motivou gazetas à escola para ir dar umas braçadas na piscina olímpica. Foram muitas e para muitos as “tardadas” ao sol e à conversa nas “míticas” bancadas, ou na relva do outro lado. Foram gastos muitos escudos em gelados no bar, ou na “ficha” que nos era dada sempre que guardávamos a roupa nos balneários.

Aquelas piscinas escondiam muita juventude desbravada, daí a nostalgia evidenciada não me surpreender.

Porventura terei ficado surpreendido com alguns comentários à fotografia, especialmente aqueles que aportaram a qualidade do caminho entretanto tomado pela cidade neste domínio.

O caminho, esse, estará ligado à dinâmica temporal, que tem destas coisas.

Mas a saudade será porventura mais acentuada ainda porque há época, tínhamos apenas as antigas piscinas municipais e uma piscina coberta em Celas, com uma capacidade limitada para as necessidades de uma cidade como Coimbra.

De lá para cá houve um caminho que foi trilhado. Atualmente, ao nível de infraestruturas cobertas: continuamos com a piscina de Celas, mas passámos também a ter os Complexos: Olímpico (COP), Rui Abreu (RA) e Luís Lopes daConceição (LLC).

Quanto a piscinas descobertas, construiu-se a da margem esquerda do Mondego. Mas também a do Parque de Campismo e da Quinta de S. Jerónimo, todas espaços públicos de acesso geral.

A nostalgia será natural e confesso ser mais um que a partilha.

Agora, acompanhado o percurso feito nestes últimos 12 anos,queria fazer uma pergunta muito simples ao caro leitor: Ainda quer as antigas piscinas de volta?

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Três momentos

Não sei se o ano (20)13 é de azar, mas será, com certeza, de mal-estar.

Depois de, na minha mais recente deambulação lusa, ter aproveitado para beber sabedoria das palavras de alguns dos mais ilustres e habilitados dos meus amigos, creio que posso sintetizar em três momentos o pensamento daí construído relativamente às apreensões que tenho para 2013.

Assim, o primeiro momento poderá ser denominado como social e situa-se entre o final de Janeiro e o final de Fevereiro, prendendo-se, claro está, com a real percepção que vamos ter do que significa em dinheiro a mudança de escalões do IRS e a sobretaxa a pagar. Curiosa foi a opinião de um dos citados interlocutores que me dizia que a diferença do valor recebido seria, em muitos casos, de poucas dezenas de euros, se tanto. Não fora o lado trágico e até teria achado alguma piada à observação; todavia, o facto é que vinte euros podem significar algumas refeições para pessoas que, em não raros lares, esticam o que não é elástico para pagar dívidas elementares, como são as que dizem respeito a água, luz e gás.

Num segundo momento, não muito mais adiante, este de cariz político e económico, saberemos o que tem a dizer o Tribunal Constitucional sobre a conformidade do Orçamento do Estado ao nosso texto fundamental. E o problema nem será uma eventual discordância jurídica dos Juízes – algo que, a acontecer, tem bastos apoios na comunidade académica, pelo que se lê e ouve – mas sim o que significará um possível “chumbo” em termos políticos – a oposição não deixará passar o ensejo de capitalizar o momento – e, ainda mais, em matéria económica. Quero com isto dizer que se aquele ditar a inconstitucionalidade de alguma ou algumas das questões sub júdice, será mais do que certo que será a já exaurida bolsa dos portugueses a coutada de caça dos milhões que ficarem a faltar.

Aos protestos usuais haverá a somar o facto de o futuro líder da UGT, Carlos Silva, ter já defendido o fim dos acordos com o Governo e patrões, prometendo poucas possibilidades de concertação social, ao invés do que, apesar dos dissensos, tem sucedido com João Proença, o actual Secretário-Geral. Seja ou não desta vez que se juntam CGTP e UGT, o termómetro social vai subir no registo da contestação.

Por fim, aguarda-se com incerteza o momento partidário que se situará, como está bem de ver, nas eleições autárquicas de 2013. Será um eventual desejo de castigar os partidos da maioria (a que não escaparão muitos, apesar das sucessivas demonstrações de que não há, de momento, alternativa à austeridade) mais forte do que o valor dos candidatos? Cá para mim tenho como quase certo uma abstenção enorme, independentemente dos desfechos dos vários sufrágios.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Quanto vai custar o medo em 2013?


Portugal precisa dar uma grande volta, a começar pelo medo instalado, que é transversal e nos leva ao insucesso nacional. No meio de tantas variáveis, estudos e relatórios que ouvimos falar ainda está para vir alguém explicar quanto custa o medo em economia? Uma sociedade dominada pelo medo não investe, não aposta, não se desenvolve.

Todos nós quereríamos governantes do tipo Macgyver, que conseguissem transformar caixões em jet-skis. Porém, à falta deles, era só o que faltava termos políticos que cultivem o medo e provoquem sucessivas avalanches. Isso seria a subversão completa do papel do Estado, onde o sinal que se transmitia era que não valia a pena investir em Portugal.

Vem isto a propósito do polémico relatório do FMI sobre a reorganização do Estado. Pedro Mota Soares, ministro indicado pelo CDS foi dos primeiros a colocar em causa a credibilidade do estudo. António Capucho escreveu no seu facebook que ficou “indignado com o teor”. Carlos Carreiras, alcaide de Cascais veio defender a demissão do Secretário de Estado Carlos Moedas, que entendeu dizer com toda a propriedade que era um trabalho “muito bem feito”.

Já percebemos que o coro de críticas irá muito além. À esquerda haverá naturalmente demagogia política escondida atrás de blocos, de foices e martelos. Mas também falta de comparência do PS, partido que nos levou ao estado caótico em que nos encontramos, naquele que será, porventura, o debate mais importante alguma vez feito na nossa história democrática.

A procissão vai no Adro, ainda muito será escrito e dito, mas desconfio que a montanha voltará a parir um rato. Ninguém quer cortes, está certo! Mas então não podemos ser contraditórios e há que reconhecer que o Estado como o conhecemos está excelente. É o chamado custo de oportunidade, com tudo o que daí advirá.

Até lá, não tenhamos medo de 2013! Sucesso e bom ano a todos.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O Mundo a Alta Velocidade

Como muitos dos meus congéneres, dou uma volta frequentemente na Internet, pelos principais jornais mundiais de língua inglesa, alemã, francesa, italiana e portuguesa, esta ultima por ter sido a minha primeira língua, a da minha Pátria, e as outras por terem sido as que aprendi e utilizei na minha profissão comercial.

Quando viajava, lia logo de manha, no hotel , durante o pequeno almoço, as noticias vindas de longe, uma maneira de me aproximar, em pensamento, da minha casa e dos meus. Em Tokyo, foi no Asahi Shimbun,de língua inglesa, que soube da mini revolução francesa de Maio 1968, e da fuga de De Gaulle para a Alemanha. No meu regresso, a minha firma estava "ocupada" pelo pessoal!

Hoje, não sei se teria tempo para ler tudo o que o mundo proporciona como informação! 

Depois do homo erectos, o homo sapiens e o homo sapiens sapiens, veio a era do homo numericus!

Talvez pareça de mais, mas o salto para a frente da humanidade inteira, foi extraordinário.

Basta olhar como as crianças de 5 anos se servem duma tablete numérica, ou dum iPhone...

Quem não se sentiu envelhecer ao ver os miúdos manipular esta técnica com agilidade e percorrer o ecrã táctil a toda a velocidade!

A maneira como trabalhamos, nos deslocámos, nos encontramos, comunicamos, analisada vinte anos atrás , ter-nos-ia parecido pura ciência ficção! Para o melhor ou para o pior, segundo o carácter de cada um.

Há quem considere, de facto, que a humanidade vive hoje sob a ditadura da tecnologia, escrava dos robots. Quantas vezes se consulta o telefone por dia? 150 vezes segundo um estudo recente! Melhor: Um estudo da universidade de Chicago, Booth Business School, diz-nos que os jovens de 18-25 anos estão mais interessados pelo Facebook ou Twitter que pelo álcool  o sexo ou mesmo o tabaco. E ainda melhor (ou pior !): 3% dos Australianos consultariam o Facebook durante uma relação sexual! Surpreendente!

Estar conectado em permanência, responder imediatamente, estar aqui e ...além .. ao mesmo tempo, tudo isto faz parte dos representantes da nova família dos "e-hominidios".

O cérebro do homo numericus é assim submetido a um fluxo constante de informação que acaba por modificar a sua maneira de pensar. Ele faz zapping sobre as informações, funciona por associação, sintetiza os dados, difunde-os, classifica-os e, o mais das vezes... esquece-os!

Como não tem tempo para esperar, dá o sentimento que não tem tempo para compreender.

Agora, tudo deve ser instantâneo, resumido, mastigado. Os jornais televisivos resumem excessivamente as situações e privilegiam a informação bruta com prejuízo da análise. Uma ideia, um pensamento é transmitido instantaneamente em SMS, deve comportar um máximo de 140 linhas (Twitter), deve fazer "mouche" e deve" buzzar". Senão, ela não existe! 

Os campeões da comunicação politica compreenderam muito bem o sistema. Eles contam sobre o reflexo, mais que sobre a reflexão.

Como nos jogos de vídeo: a rapidez é mais importante que a reflexão! O problema, é que toda esta rapidez, toda esta azáfama que impede a reflexão, é o tempo livre que se vai! Ora o tempo livre, como cada um sabe, é também o da reflexão, da contemplação, da introspecção. Este é um tempo útil para se conhecer e conhecer o mundo que nos envolve.

Tendo dito isto, mesmo se o perigo existe do desenvolvimento dum certo autismo social, de desconexão da realidade, também não há duvida nenhuma que aumentamos a nossa capacidade a tratar a informação. Por isso, vamos lá adaptar-nos, custe o que custar. Não vale a pena, portanto, arrancar-nos os cabelos ( aqueles que os têm !), pensando que as novas tecnologias vão matar o homem!

Não era Sócrates que dizia "O que faz o homem, é a sua grande faculdade de adaptação"? Aproveitando, pois, Internet no seu aspecto mais prático e porque no Natal o nosso espírito se abre à esperança, gostaria de deixar aqui , a todos os meus leitores e amigos, assim como à direcção e aos colaboradores do "LODO" e respectivas famílias, os meus votos dum Bom Natal, a festa da família por excelência, afastando assim por algum tempo, sem os esquecer, os problemas numerosos e preocupantes do momento e o espectro negro do mundo que nos prometem para 2013. 

E que o solstício de Inverno, que começa no próximo dia 21 de Dezembro, não nos traga o fim do mundo, que o Grande Ciclo Temporal Maya teria anunciado! Pela minha parte, como astrónomo amador, vou pegar no meu telescópio para observar, ao pôr do sol, a queda do planeta Vénus no horizonte ocidental e assistir, no leste, à nascença da constelação das Plêiades! 

 J. Freitas Pereira

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O chico esperto do Costa

O alcaide da capital é aquilo a que comummente se chama de chico esperto.

Só que o PSD é mais elegante  no trato, diria! Mas se assim não fosse, podia responder na mesma moeda, desafiando José Sócrates a concorrer contra o licenciado-equivalente.

António Costa não faria nada que não tivesse já feito. Apoiar o engenheiro, de quem foi n.º 2.

Como a democracia vive de alternativa, o resultado do conclave seria uma verdadeira incógnita.