quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Intimidade Real

Circula hoje nas notícias que o Real Madrid vai lançar uma linha de lingerie, em 2010.

Estou a imaginar a quantidade de adeptos do Barcelona e do Atlético de Madrid que comprarão roupa íntima para as mulheres aí encontrando desculpa legítima para práticas mais violentas nas respectivas alcovas.

Se houver roupa interior para homem, creio que a preferência daqueles rivais dos merengues recairá nas peças com o logótipo à retaguarda...

The LODO Files: Ainda há lodo no Cais… do Sodré

(uma reportagem de Diogo Nogueira Gaspar, Gonçalo Capitão e João Morgado)

A noite prometia… Teria início uma série de reportagens de alto risco – e, por que não, de alto coturno – do Lodo.

O destino era um clássico da decadência lisboeta: o mítico Cais do Sodré que, em tempos idos, apaziguara as ânsias dos marinheiros e, mais recentemente, continuara a animar os transeuntes, fosse na aromatização das fossas nasais, fosse por proporcionar “amor” a preço de saldo (pelo menos, assim rezam os relatos e o deixa adivinhar um mero relance).

A exigência da empreitada pedia reforço estomacal, o que foi acautelado com o Corpo de Intervenção do Lodo razoavelmente amesendado, num restaurante de rodízio ao Chiado. Enquanto a picanha tombava ensanguentada e indefesa nos pratos dos comensais, as mentes divagavam por outra espécie de rodízio, sem sangue, mas, para os apreciadores, com suor…

O mito a afrontar era a noite do Cais do Sodré. Pensando no alívio dos marinheiros de outrora, a comitiva saciava a fome de comer com carnes bem mais inertes, embora, mercê da decadência daquele ancoradouro de muitas pulsões sexuais, se adivinhasse que a tarifa fosse idêntica.

A visita onde tantos haviam regurgitado era preparada com o afinco de quem a mais não se dispunha do que a uma eructação de aplauso gastronómico. O mesmo aplauso que merecia um circunstante que decidira jantar sem tirar os óculos de sol, mas que compensava o facto de não nos permitir contemplar o seu olhar, franqueando-nos o acesso à cor das sua meias, tal a maneira como escancarava as mandíbulas à medida que molares, caninos e incisivos estraçalhavam a presa que jazia em seu prato.

Porém, as reflexões de hesitação eram, sucessivamente, esbofeteadas por mais uma fatia de picanha ou uma coxinha de frango, e lá se desvaneceram perenemente até ao desembarque nesse ancoradouro de opróbrio…

Como isto da sonoridade também acrescenta melodia à vida, começámos pela Rua Nova do Carvalho, bem longe portanto do (carvalho) mais velho… A animação era esfusiante e contagiante, como se podia constatar pela forma denodada como uma profissional liberal dormitava, encostada a uma caixa de electricidade. Principiávamos, ali, a questionar a genuinidade da propaganda da EDP sobre as energias renováveis, tal a baixa potência da mofada prestadora de cuidados intensivos.

Contudo, cedo mudaria a maré e prestes seria reconhecido o nosso estatuto de guerreiros da noite, nada mais nada menos, quando o porteiro do Viking, reputada casa da especialidade, nos dirige um temerário “Faxavor, Senhores… Podem dar um olhinho, se agradar”. Certos de que cada um dá de si o que quiser, pareceu-nos de pôr o convite em banho-maria; banho, aliás, que fazia falta a cerca de 110% dos que, a mais dos nossos seres, por ali cirandavam.

De ego cheio pela nossa entrada triunfal, o nosso valente Diogo embarcou nas expressões sinfónicas e decidiu que “damos todas as nossas ideias e depois… compila-se”!... Receosos de abordar a última parte da sugestão, os demais circunstantes vogavam ao sabor da dúvida que reinava sobre os destinatários da quermesse de ideias… Nós?... As simpáticas senhoras de barriga encostada ao balcão?... Confesso que sonhei ver o Diogo a encetar um debate filosófico com uma “tataraneta” ao quadrado de Maria Madalena…

Havia, não obstante, que superar o choque e cruzar novos mares! À falta de melhor, atravessámos a rua, mesmo a tempo de ouvir o final de conversa de um visivelmente satisfeito cliente como um curadora de sotaque adocicadamente transatlântico… Concomitantemente, o porteiro (o imenso Jaime) do não menos nórdico “Copenhaga” sufragava o alegre desmontar da tenda (salvo seja) com um assaz parlamentar “muito bem”!

Mesmo ao lado do templo do prazer, uma loja, pudicamente encerrada àquela hora, exibia na montra, entre outras coisas, estátuas de santos!!! Assim como que a convidar ao arrependimento, depois da luxúria. Eis um bom exemplo da boa complementaridade gerada pela economia de mercado.

Contudo, estava na altura de entrar, mesmo sem fatos anti-sépticos!... O espectáculo cumpriu a contento. Bem amesendados procurávamos o sol que ditava o uso de óculos escuros por um cidadão que exibia os seus dotes de dançarino, na evocativa maison dinamarquesa. Não foi, porém, preciso muito até que nos apercebêssemos de que deveria tratar-se de uma publicidade a uma qualquer marca de cachorros quentes, já que o nosso desabotoado companheiro de copo e de cruz não tardou a ser guarnecido em cada uma das suas fachadas por duas anafadas prestadoras de serviços.

Entre o balcão e as mesas, mais três deusas da genuflexão barata mostravam como não apenas a Ponte sobrevivera aos tempos do Senhor Professor e que estavam bem melhor connosco (salvo seja) do que no lar da Misericórdia.

Todavia, a curiosidade científica do nosso corpo expedicionário clamava por novos achados e chegava a altura de “descolar” (pelo menos, era esse o nosso receio) as retaguardas dos estafados assentos.

À porta continuava a jorrar a cornucópia de acontecimentos: o porteiro voltava com um exótico transportador de um chapéu de coco, arfando depois de uma aparente e gorada perseguição digna de deixar nas covas Sonny e Crockett e de os fazer estrelas de uma próxima sequela de Miami Vice. Vem o mistério a desvendar-se por via de prova testemunhal dos próprios; sucede que ”agora quem paga é ali a Maria”!... Mas como uma desgraça nunca vem só, “fodem-me os CD todos”! – confesso que nunca me tinha ocorrido, inclusive dada a exiguidade do furo, mas parece que, interpretada a coisa a letra, a crise já gerou novos rivais para as nossas colegas de circunstância…

Nisto, um táxi carregado de turistas – olimpicamente ludibriados por alguém que não deve ter comissão nas bôites com nomes de animais, que amparam os cavalheiros nas noites solitárias da nossa Capital – despeja os ditos a nossos pés, mesmo a tempo de ouvirmos o imenso Jaime “escarrar” um profundo “comme on, my friends”! Seguros de que Jaime não ficava sozinho, continuámos a caçada.

Era mesmo o momento azado para pegar o Viking pelos cornos! No balcão era servido, ao tempo da nossa entrada, um fetiche: uma das hospedeiras da noite era massajada por outra, sem descarrilar, já que o comboio haveria de alargar-se a um circunstante que passou a massajar a generosa massagista, supra mencionada. Quem disse que o bem não atrai o bem?!

Sucede que a terceira carruagem da composição não era versada em itinerários, já que haveria de confundir as origens escandinavas do nosso abrigo com os saloons do Texas, ao pôr, categoricamente, o pé em cima do balcão.

Quereria marcar terreno em relação ao atleta que se aproximaria com uma camisola do Sporting?! Outros campeonatos para o outrora glorioso leão, bem se viu… No entanto, vitória é vitória e o jovem lá se agarrou a outra taça que estava em exposição… Dito de outra maneira, a massajada saiu da sua posição de locomotiva e decidiu atrelar-se à bochecha do leonino circunstante, quiçá em busca de uma palmada numa qualquer outra bochecha…

Tudo isto e muito mais entre “Mal acostumado” de Júlio Iglesias e “Big in Japan” dos Alphaville, perante um repetido encolher de ombros do careca de serviço, numa mesa das redondezas.

Enquanto a Sport Tv passava a Copa Libertadores, uma generosa senhora “daquelas” aborda-nos com um simpático e turístico “querem ir?”. Ficou por perceber a má cara que revelou perante a nossa recusa… Por que diabo haveríamos de ir àquela hora para a América Latina?! Ou pensaria ela que a Copa Libertadores decorria em Sacavém?! De todo o modo, o autocarro devia ser grande, porque perguntou aos três se “queríamos ir”!...

O despeito era tal, porém, que não levantou ferros sem nos perguntar se éramos “namorados”… Ao som da voz de Freddie Mercury a pergunta podia ser dúbia, mas viria Tina Turner lembrar-lhe quem era “The Best”! Não ofende quem quer, parecia quer dizer “Miss Hot Legs”.

Seguramente enviada pela ONU como força de interposição ainda chegaria Eva que arrasaria a pequena pista, libertando-se dos exíguos paramentos e comprovando com a sua progressiva ausência o tiro certeiro de Sir Isaac Newton sobre a lei da gravidade… O trabalho que deve dar recolher todas aquelas formas de volta a um posicionamento razoável… Anestesiava-nos “Cocaine” de Eric Clapton...

E entre as mesas, numa homenagem ainda em vida, um cidadão submerso em larga camada etílica simulava passos à maneira de Michael Jackson, dividindo o olhar entre a televisão e o chão, imune à volúpia da sereia que se agitava a seu lado. A mesma imunidade que devotaria, aliás à reentrada da stripper, mesmo que ela parecesse sufragar as palavras dos Kiss e lhe insinuasse um clássico “I was made for loving you”.

Era chegada a hora de levantar arraiais – a melhor coisa para se levantar, por ali… - pois a certeza científica estava adquirida: quando a vida parecer mal encaminhada, vá ao Cais, pois verá que pode sempre piorar!

Nota: pensámos em voltar ao Cais, para fazer umas fotografias condignas. Porém, concluímos que estas raridades tiradas com um telemóvel oculto fazem outra justiça à noite que por lá passámos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Urbanismo helvético

Os eleitores suiços decidiram em referendo proibir os minaretes das mesquitas muçulmanas, embora não os templos em si.
Vamos aos dados do problema:
  1. 1 - As sondagens diziam o contrário (ou seja, que a proposta seria rejeitada).

2 - A decisão tem valor constitucional.

3 - Presume-se que por cautela e diplomacia, no mundo ocidental os minaretes não cumprem a sua função original, que é a de chamar os fiéis para a oração.

4 - Das 180 mesquitas suiças apenas 4 têm minaretes.

Perante isto confesso que estou num impasse analítico.

Por um lado, consegue entender-se alguma islamofobia em virtude das actividades criminosas de muitos extremistas contra ocidentais, por cá e nos seus países.

Por outro lado, convenhamos que alguma da comunidade islâmica que reside na Europa resiste à integração no modus vivendi de quem os abriga. E nem me venham com a ladaínha de esquerda das diferenças culturais... Se um de nós for, por exemplo, para o Irão, a Arábia Saudita ou o Iémen e não seguir o código de conduta local está, no mínimo, frito!

O reverso da medalha, porém, consiste no facto de esta conduta só exacerbar os extremistas e enfraquecer os moderados que lutam por uma convivência pacífica.

Depois, acresce que uma decisão destas faz recear pela segurança dos cidadãos (já nem falo dos templos) ocidentais no mundo islâmico, fazendo perigar qualquer tentativa de aproximação de base ecuménica.

Por fim, deve dizer-se que os suiços nunca foram conhecidos pela sua tolerância, excepto quanto a depósitos bancários, sobre os quais não consta que sejam muito esquisitos...

Nota: a fotografia foi tirado por mim e pertence à mesquita de Dushanbe, no Tajiquistão.

Operação quê?

Oito detidos em "Operação Paella"

A imaginação das nossas autoridades policiais não pára de nos surpreender. Se bem que, pese embora a ligação do caso à vizinha Espanha, lamento que tenham preterido uma portuguesíssima Açorda de Marisco por um prato espanhol...

Excelente

Déjà vu com bons efeitos especiais

A nossa ajuda para a taxa de natalidade dos vizinhos

Se há feriado que sempre achei relevante foi o da Restauração da Independência!

Creio que, por muita amizade recíproca que deva cultivar-se, somos diferentes (para o bem e para o mal) dos nuestros hermanos e assim deveriamos continuar, embora cooperando, sob pena de aviltarmos o sangue, suor e lágrimas de inúmeras gerações de portugueses.

Por isso, leio com apreensão, no Público de hoje, que muitas algumas das grávidas alentejanas forçadas pelo Ministro Correia de Campos a ir ter as crianças em Espanha optam já pela dupla nacionalidade dos rebentos, por acharem que para estudos e trabalho pode convir-lhes crescerem espanholas.

Se isto não revolta, extinga-se o País! Ah, e que diz o PSD sobre isto, agora que o assunto já não é "do momento"?! Uma ajudinha: nada!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Força, Prof. !

Está (muito) mal de saúde o ex-treinador da Briosa, Manuel Machado. Espero que vença mais esta difícil jornada.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A coragem de uns e a cobardia de outros


De que serve a bravura dos portugueses que comandam a fragata portuguesa que actua contra a pirataria nos mares da Somália? Impedem alguns ataques, é certo. Mas e depois? Limitam-se a identificar os homens, que mais não estão permitidos a fazer. Detenção, julgamento e condenação são verbos que não se podem aplicar a estes criminosos impunes.

Actualmente há mais de uma dezena de barcos e centenas tripulantes retidos por piratas nos mares do planeta, mas parece que os nossos governantes julgam que a proliferação desta pirataria do séc. XXI é pura ficção, ao velho estilo do Capitão Hook. Pelo menos, à excepção do Secretário Geral da ONU, ainda não dei por mais ninguém de semelhante influência que tivesse vindo a público clamar por soluções reais que acabem com este vazio jurídico.

E enquanto uns brincam ao Peter Pan, os piratas somális continuam as suas incursões pelos mares do Índico, sequestram a seu bel-prazer, pedem resgates que lhes rendem milhões (esta semana o governo espanhol pagou quase 3 milhões de euros pela libertação de um pesqueiro) e gozam descontraídamente de uns dias de festa.

Isto, porque ainda ninguém arranjou coragem para providenciar um quadro jurídico que regule este fenómeno e um quadro de poder estadual regional capaz de lhe fazer frente. Valha-nos a bravura daqueles que em missão vão fazendo o que podem pela segurança marítima!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Indecente

Os fins podiam até ser os mais nobres, mas os meios deixam a desejar. No 50º aniversário da boneca mais famosa de sempre, a Sotheby's levou a leilão uma série de objectos do universo "Barbie", cujos fundos se destinaram a angariar fundos para uma ONG dedicada às crianças.

Sucede que entre os objectos leiloados, estava uma Barbie de burka. Uma das quinhentas que já foram postas à venda mundo fora. A artista italiana que teve esta brilhante ideia alega que a boneca simboliza a diversidade da cultura e da condição da mulher no mundo e que a criou "com o intuito de provocar as ocidentais, que se dizem livres mas não são verdadeiramente livres, vendem o seu corpo e a sua imagem".

Alguém pode dizer a esta senhora que o que realmente a devia incomodar é a (falta de) liberdade das mulheres islâmicas que estão confinadas à burka e à submissão masculina? E que é por demais vergonhoso que se recorra à polémica para vender mais? E que isto é assunto demasiado sério para ser misturado com a indústria de brinquedos?! Já agora, expliquem-lhe também que este tipo de provocação não só não livra as muçulmanas daquelas vestes como apenas acicata o clima entre o Mundo Islâmico e o Ocidente.

Ridiculum Vitae


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Aliviar para malhar

[clicar sobre a imagem para aumentar]

Está desvendado o segredo de Augusto Santos Silva para "malhar na direita", no Governo anterior. Nada como a leveza do ser...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Mandriões

Segundo a edição de hoje do Público, "Debate sobre Tratado de Lisboa acaba com AR a meia casa".

Ora bem... A mais de ser dever dos deputados acompanhar mesmo os debates que não correspondem a temas discutidas nas suas comissões, tratava-se de um documento essencial para a construção europeia e que, ainda por cima, foi assinado na nossa Capital. Há algum tempo isto seria motivo de orgulho...

Isto para além de eu achar que a maioria dos deputados não deve saber patavina sobre a União Europeia e o seu ordenamento jurídico...

Mais lugares à mesa

Diz-se que voltaremos a discutir a regionalização, lá para 2011.

No acto de discutir não vejo problema; apesar de tudo, já lá vão mais de dez anos.

O que posso adiantar é que continuo céptico em relação ao processo em si, já que, num Estado pejado de suspeitas de corrupção e servido por uma classe política medíocre, aposto como tem tudo para dar asneira.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Abaixo de cão

Realmente, a TVI devia dedicar-se à escandaleira, aos programas de coscuvilhice e às novelas, algo em que parece ter sucesso.

Como disse, no desporto são absolutamente incompetentes!

Depois de um apuramento categórico, em vez de acompanharem os festejos portugueses e a reacção dos bósnios, a TVI conspurcou o momento com anúncios e mais anúncios. Uma vergonha...

África nossa

Noventa e quatro minutos depois, Portugal está, merecidamente, no Campeonato do Mundo de 2010. Para o ano é rumar a África de Sul e acreditar que é possível brilhar e... ganhar! A última década trouxe muitas alegrias à selecção, desde o Mundial 2002, para o qual fomos qualificados e onde tivemos um bom desempenho, seguindo-se o Europeu de 2004, no qual a selecção das Quinas foi anfitreã e vice-campeã. Em 2006 ficámo-nos pela semi-final e em 2008 pelos quartos de final. Oxalá o continente africano seja uma espécie de amuleto e tenhamos, por fim, uma palavra a dizer no mundo do futebol.

Selvagens II

De cabeça perdida, choveram objectos para o relvado,

Esta gente devia dar melhor imagem a uma Europa que andou por lá a dar o corpo ás balas sérvias.

Já está!

Grande Meireles! Imenso Nani! Inteligente Liedson!

Ceguinho

A permanência de Duda em campo recomenda uma operação às cataratas de Queiroz.

A 45 minutos de África

Nunca um zero a zero me pareceu tão pouco nulo.

Começou o medo do árbitro

Falta sobre Pepe, junto à nossa área. Podia ter sido feio. Porém, quando foi ao contrário, marcou uma falta inexistente.

Depois foi uma falta sobre Liedson, que acabou em lançamento para a Bósnia.

E Duda continua a pôr os nossos nervos em franja.

Teimoso que nem uma mula

Queiroz é mesmo de manias...

Insiste em Duda, com Miguel Veloso no banco. Até Paulo Ferreira na esquerda faria melhor...

Valham-nos Pepe, Bruno Alves e Ricardo Carvalho.

Selvagens

Acabo de ouvir um estádio a vaiar o hino português...

E pensar que, na Luz, respeitámos o hino bósnio...

E pensar que costumo achar que o povo português é parco em civismo...

Pelo menos vi o Pepe a cantar o nosso (e dele) hino!

Vamos a eles!

PS desvia atenções da crise


Natal sob suspeita

Tal é a paranóia em torno da corrupção, que estou a ver muito neto, neste Natal, a acusar os avós perante o Dr. Pinto Monteiro, se o presente for um cheque ou dinheiro vivo…

Creio que, com culpa das magistraturas, estamos a induzir nos cidadãos um sentimento de putrefacção política e social inaceitável. Dito de outro modo e à maneira popular, das duas, uma: ou estamos perante uma vaga de corrupção sem precedentes, ou o caso ainda é pior e teremos que decidir entre uma inaceitável incompetência e um lodoso (exacto, não quis dizer doloso…) calculismo por parte das magistraturas.

Vamos por partes, todavia… Se optarmos pela primeira hipótese (e, com franqueza, acho que a resposta certa envolve um misto das duas), nada há de novo. Apenas se verifica que os políticos e os empresários, a mais da escala maior em que transaccionam, não são melhores do que o seu povo, pois dele emanam. E, aqui, tenho que repetir que me parece que se não estivéssemos na União Europeia, estaríamos a gerir um caos auto-subsistente como o que vi, há anos, na Albânia; sem desprimor para o valente povo do País das Águias, costumo dizer que somos “albaneses com dinheiro”, e mesmo este é cada vez mais escasso.

De resto, é o fado que se conhece: agimos de forma egoísta, desejamos a desgraça dos bem sucedidos, invejamos o vizinho e vivemos mais ocupados a tentar contornar a lei do que a pensar na bondade ínsita no seu cumprimento, designadamente dobrando uma nota à laia de gorjeta ou oferecendo algo mais em jeito de suborno. Isto, claro está, sem mencionar que somos o País onde a cunha é uma instituição. Assim sendo, como podemos esperar, no paraíso da esperteza saloia, que os nossos políticos e os nossos empresários não bebam desta fonte centenária?!

Contudo, e eis a segunda hipótese, no mais recente caso mediático - “Face Oculta” – não deixa de ser estranha a forma como, depois de uma investigação exemplarmente sigilosa pela Polícia Judiciária, se começam a divulgar a conta-gotas informações que lançam suspeitas sobre o Primeiro-Ministro. Sendo do PSD, estou à vontade para dizer que o cheiro a esturro sai por duas frestas: por um lado, não se entende este desejo de que o caso arda em lume brando, canalizando a informação em penosas e morosas prestações. Por outro lado, cientes de que a lei obriga à intervenção do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, a hierarquizada (o adjectivo está aqui propositadamente!) magistratura do Ministério Público não só não contém as fugas de informação, como não as pune eficazmente; aliás, não as pune de forma alguma…

Não fora eu achar que ainda não estamos nesse grau de mesquinhez e pareceria que estamos a caminho de uma variação perigosa da democracia, para a qual alguns teóricos já alertaram: a república dos juízes e dos media.

Seja como for, cuidado com os presentes de Natal e, sobretudo, não fale deles ao telefone…

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Que porcaria!

Acabo de ver a vitória de Portugal sobre a Grécia, em selecções de sub-21, na TVI.

Se já tendo a não simpatizar com o canal, a coisa agudizou-se com os comentários ao jogo. Fernando Correia, que até é um jornalista prestigiado e experiente, passou o jogo sem ir mencionando idade, clube e outros dados dos jogadores (algo útil, sobretudo quando falamos em jogadores mais jovens e, logo, menos conhecidos) e optou, isso sim, por passar o jogo com graçolas palermas, algo em que foi acompanhado por Cláudia Lopes, a jornalista de campo.

E eu que julgava que José Augusto Marques, jornalista da SIC, fazia maus comentários...

Seja como for, o horror continua a ter Rui Santos (também da SIC) como sinónimo!

Gripe laranja

Continuando o meu “diagnóstico” pessoal (mais um pouco e teremos que escrever “autópsia”…) sobre o PSD, entendo que há dois pólos claros de responsabilidade: a “corrupção activa” e a “corrupção passiva” (para usar termos da nossa triste moda…) da missão de um partido político democrático e a venda a pataco da ideologia social-democrata (para o efeito poderia tratar-se de qualquer outra, aliás).

Do lado activo, destaco dois focos de infecção: por um lado, a já debatida conversão das distritais e concelhias em sociedades anónimas de votos, com distribuição de cadeiras proporcional aos votos cacicados. Contudo, aqui chegados, não me interpretem mal: sei bem que as vitórias, mesmo as de figuras conceituadas, sempre se fizeram com a inclusão de caciques nas campanhas e com a mobilização em massa de grupos de militantes. O que contesto é o atraso na forma – Obama utilizou as novas tecnologias como meio de quebrar os custos de intermediação e de dar mais poder a cada apoiante, individualmente considerado – e o soldo que hoje é devido a estes “fantasmas” cujo nome nem se chega a saber, mesmo quando se arrastam pelo Parlamento, pelas câmaras municipais ou por quaisquer outros “abrigos” de luxo. Ganhar a liderança do PSD é, hoje e quase só, uma questão de regateio.

Por outro lado, contesto também o relativo aroma a naftalina que exala a presença de algum baronato. Sempre entendi que as elites do PSD eram preciosas e que o sucesso do partido vinha, em larga medida, do seu propalado interclassismo. Aprendi muito com nomes consagrados da política e da academia e ainda hoje agradeço esse privilégio, de que muitas das gerações mais recentes não desfrutaram, mercê da agonia da vida e do debate interno que percorriam as sedes partidárias até à segunda metade dos anos noventa.

Todavia, entendo que muitas das verdadeiras elites já se retiraram de cena, permanecendo um misto de algumas que assumem um papel de “senhorias” do partido e de pessoas que pretendem tomar os lugares que, entretanto, vagaram no camarote laranja. O maior problema é que toda esta gente – que continua a ter o seu relevo, já que condeno qualquer forma de populismo – terá que perceber que, guardando os ensinamentos de Sá Carneiro e a saudade do sucesso de Cavaco Silva, os tempos são outros, os temas em debate mudaram, a vida das pessoas está submetida a uma forma de ditadura bem mais opressiva e imperceptível do que a do Estado Novo (falo da voragem financeira e da vertigem consumista actuais) e a próprio receptor da mensagem política mudou, enquanto ser humano (a concentração e o interesse são menores e forma de comunicar pelos media tem que ser cirúrgica).

Resta falar da responsabilidade dos próprios militantes e simpatizantes, algo a que voltarei.

sábado, 14 de novembro de 2009

Episódio da vida real

Numa festa de anos, a fazer conversa com o filho de 5 anos de um conhecido:

[Eu] -Então e já tens um Magalhães?
[Miguel] - Não..
[Eu] - Mas sabes o que é, não sabes?
[Miguel] - Sei. É o computador que o Sócrates dá aos meninos.
[Eu] ??????!!!!!!!!!!!!!
*foto daqui

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ele há mulheres exigentes..!

Em 2005, José Sócrates tornou-se, aos 47 anos, Primeiro Ministro de Portugal. Em 2009, repetiu o feito. E se em 2008 havia sido eleito pelo El Mundo como o sexto homem mais elegante do Mundo (numa lista de 20, da qual constava Brad Pitt e outros que tais), já este ano liderou a tabela do concurso do Correio da Manhã denominado "Sexy 20 Platina" (!!!), colhendo elogios de celebridades e arrecandou o primeiríssimo lugar.
Também neste mesmo ano tornou-se público que o nosso PM se veste na mais cara loja de Beverly Hills, constando o seu nome na montra da dita, mesmo ao lado de Putin, Spielberg, Al Pacino e Robert de Niro. Acresce a isto que, aos 52 anos, pratica jogging como ninguém e, segundo os ditos populares, "está aí para as curvas".
Posto tudo isto, dá para acreditar que há uma mulher que se sente ofendida por ser considerada a namorada do nosso PM?!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Mercado Imobiliário de Topo na Europa Resiliente à Crise!

The european "high-end" real estate market has been fairly resilient to the present financial crisis. Below follows a description of the most expensive properties in Europe showing evidence that the High-End Real Estate market has shown to be fairly steady in the recent financial crisis.

Top 5 countries: description of the most expensive Properties:

1. Monaco
SEA SIDE PLAZA
Cost of apartments: from 50 000 to 130 000 euro/m2

Multistorey building situated in prestigious region of Monaco (Fontvielle) was built in 1993.
Today is fully restored.
Advantages:
- Underground parking
- Panoramic sea and park view
- Proximity to helicopter landing ground
Disadvantages:
- Necessity of opening an account in one of Monaco banks to get an estate purchase permission.

2. France
Boulevard de la Croisette, 104
Cost of apartments: From 34 500 to 40 500 euro/m2.

9 - storey building situated in one of the most well-known streets in Cannes - Boulevard de la Croisette.
Advantages:
- Panoramic sea view from big terraces
- 24/7 security
- Underground parking
Disadvantages:
- Rather plain Architecture and indoor decorations

3. Denmark
Tuborg Boulevard 15.2.th
Cost of apartments: From 9 500 to 14 000 euro/m2

The complex of two 6 - storey buildings was built in 2008 in the most picturesque region of Copenhagen – Tuborg Harbour.
Advantages:
- Due to good location of one of the residence buildings each flat overlooks the sea.
- Comfortable yachts’ and cutters' mooring
Disadvantages:
- Slight remoteness from the beach
- No panoramic view due to the buildings built too close to each other

4. Spain
LAGUNA DE BANUS
Cost of apartments: From 7 000 to 13 500 euro/m2

Blocks of apartments and mini-villas make up a luxurious 5 – star complex situated in the most prestigious Spanish resort – Puerto Banus.
Advantages:
- Sea and pool view from all the apartments
- Several outdoor and indoor pools situated in the complex area
- Vast green territory under security control
- Gym, sauna, 24/7 security
Disadvantages:
- Absence of panoramic sea view from most apartments due to rather small dwelling height and large size of park territory

5. Russia
Millennium Tower
Cost of apartments: From 6 000 to 15 500 euro/m2

Built in 2008 this luxurious dwelling complex that is situated in an isolated area provides both apartments and 2- storey penthouses. Advantages:
- Sea view from all the flats
- Own fitness centre and bathing complex
- Own beach and pool with water slopes
- Ultramodern outdoor decoration: Belgian glass of different shades is used
- Infrastructure and winter resort in transport accessibility
Disadvantages:
- Even during crisis prices stayed practically the same due to pre-made expectations of the infrastructure development before the Olympic Games 2014 in Sochi.

Não havia necessidade

A declarada guerra entre a Federação Portuguesa de Futebol e o Real Madrid, em torno da estrela maior do futebol mundial, o «nosso» Ronaldo, era desnecessária e só vem acicatar as relações entre espanhóis e portugueses. Pior ainda, estão a pôr o rapaz entre a espada e a parede, numa situação que lhe é naturalmente desconfortável, só provocada porque a alguns falta bom senso.

A meu ver, essa escassez de bom sendo atacou a FPF, que está a ser pouco razoável. Se é consabido que o jogador (há muito) não está em condições de jogar e se ao organismo de futebol foi até dada a possibilidade de ir lá comprová-lo pelos seus próprios meios (ao que sei os espanhóis a isso os convidaram), não faz sentido que se tenha insistido na convocatória de Cristiano Ronaldo e que se arme todo este circo à volta de um jogo e de um jogador. Bem disse um dos senhores do Clube madrileño que nada é mais importante para um jogador de futebol que representar o seu próprio país na selecção. Se Ronaldo não o faz, é porque não pode.

Bem sei que está muito "em jogo", mas a Selecção até já provou que respira (mesmo) sem ele. E é claro que todos nós gostaríamos de poder vê-lo a pisar o relvado na Luz, já no sábado. Não sendo possível, deviam concentrar as energias nos que vão estar em campo, porque são esses quem vão ditar o destino de Portugal no Mundial de 2010.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Gajo de Gabarito VI

Se apoiei a sua escolha desde o primeiro momento, mais orgulhoso fico no dia de hoje.

E nem falo do facto de André Villas-Boas ter mudado o futebol da Académica para (visivelmente) melhor.

Refiro-me, sobretudo, ao carácter que o jovem técnico revela, mesmo tratando-se da sua primeira experiência a solo.

Tem isto a ver com o que pode ler-se no Diário Digital e que, por ser eloquente, transcrevo na íntegra:

" 'Sou indiferente a esses comentários. Não estou aqui para alimentar os vossos rumores ou o mercado de treinadores. Estou totalmente imbuído no projecto da Académica.', sentenciou Villas-Boas, em declarações reproduzidas pelo site Mais Futebol.
O técnico que trouxe uma nova imagem ao futebol dos estudantes e que está a começar agora o seu percurso enquanto treinador principal defendeu ainda que 'a histeria que se tem formado à volta da equipa tem sido produzida pelos jornalistas, quando estão, para além de mim, 28 jogadores unidos em torno de um objectivo. Estão a exagerar no protagonismo dado ao treinador, esquecendo que são os atletas que transportam as ideias para dentro de campo. Não sou um novo messias, que faz tudo por si só.' "

Sei que os resultados também contam (e como contam...), mas é gente desta massa que faz falta ao futebol e, por que não, à sociedade portuguesa.

De ir às lágrimas

Este sábado tive a felicidade de ver mais uma brilhante exposição organizada pelo Museu Thyssen-Bornemisza, em Madrid.

"Lágrimas de Eros" aborda, com elegãncia, a relação entre a sexualidade e o impulso de morte ou, como se diz na introdução à mesma, entre Eros e Tánatos (as personificações de ambos na mitologia grega).

Num caminho de sabedoria, percorremos doze temas onde a arte reproduziu a tensão entre ambos: Nascimento de Vénus, Eva e a serpente, Esfinges e sereias, Tentações de Santo António, O Martírio de São Sebastião, Andrómeda acorrentada, O beijo, Apólo e Jacinto, Endymion, Cleópatra e Ofélia, Madalena penitente e Caçadores de cabeças.

De entre as muitas e magníficas obras, destaco (de forma puramente subjectiva) as da autoria de John Currin, Salvador Dalí, Edvard Munch, Andy Warhol, Giambattista Tiepolo, Sam Taylor-Wood (uma instalação em vídeo com David Beckham), Tom Hunter e Antonio Canova.

Tem até 31 de Janeiro de 2010 e, mesmo sem o TGV do Eng, Sócrates, é mesmo ali ao lado. Vá por mim, porque não se arrepende.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Tranquilidade

É o que sinto, agora que o treinador do Sporting Clube de Portugal se demitiu. Um alívio, um verdadeiro alívio. Não sei se o é para os adeptos, jogadores e dirigentes. Mas para mim, não haja dúvida que o efeito foi semelhante a um Prozac "naqueles dias". E não julguem que tal se deve a questões clubísticas. Trata-se de uma questão de saúde. É que cada vez que ouvia aquele homem a falar atacava-me um nervoso miudinho, daqueles que não mata, mas mói!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Dois bifes para Saramago

Com a propensão com que anda para as questões biblícas (e para a asneira), José Saramago haveria de apreciar o talho onde consegui comprar dois bifes e, na passada, invocar o Diabo, através do seu número: 666...

Devia beber chá por uma palhinha!


Há algum tempo, com alguns amigos decidi tomar algo, ali para as bandas do Chiado, não longe do São Carlos.

Pois haveria de ser mesmo aí que algo de pouco clássico sucederia... Tendo querido repartir o meu chá, descobri que a segunda chávena (para o mesmo chá) custa 0,20€ !!!

Vão roubar para a estrada!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

David vs. Golias

Em Junho passado denunciei por aqui os repugnantes e preocupantes conteúdos da novela juvenil da SIC, "Rebelde Way", tendo depois disso optado por fazer queixa junto da ERC. Ao que parece, não fui a única a insurgir-me e ainda bem que assim foi.

Face às participações, aquele organismo visionou os episódios, analisou os quatro eixos problemáticos da série que foram expostos pelos denunciantes - Linguagem, Sexualidade, Consumo de Álcool e Violência - apreciou-os à luz da Lei da Televisão e considerou que "foram recolhidos elementos suficientes para sustentar que o denunciado ultrapassou os limites à liberdade de programação, por terem sido transmitidos conteúdos que são susceptíveis de influir negativamente na formação da personalidade de crianças e adolescentes".

O resultado? A 16 de Setembro passado, a ERC deliberou instar o terceiro canal a abster-se de promover representações da adolescência relativamente a questões fracturantes sem a devida problematização e enquadramento pedagógico e instaurou-lhe um processo contra-ordenacional, que pode culminar numa coima entre 20 mil a 150 mil euros.

Eis a prova de que pugnar por uma causa está ao alcance de qualquer um de nós. E a prova de que mesmo um grande operador de televisão não é grande o suficiente para poder esmagar os limites de programação, numa ânsia desenfreada por conquistar a audiência juvenil, sem que seja punido por isso.

Felizmente, tendem a proliferar organismos junto dos quais podemos recorrer quando nos deparamos com situações que nos indignam, mesmo quando não nos tocam directamente, como era o caso. É, sobretudo, uma questão de consciência. Uma opção entre encolher os ombros e conformarmo-nos com o que nos impingem ou usar dos meios que temos à disposição - à semelhança de David e da sua fisga - para pôr na ordem os gigantes que julgamos invencíveis.

*Ler Deliberação 28-CONT-TV/2009 na íntegra, na Secção "Conteúdos";

Política barata

Não é segredo que considero o Bloco de Esqueda um alfobre de demagogia, mas até eu sou surpreendido, de quando em vez, pelo quão longe consegue ir a falácia.

No último fim-de-semana ouvi, na rádio, o deputado João Semedo a defender a extensão do subsídio de desemprego a todo aquele, sem excepção, que perca o emprego. Eis uma medida simpática e insustentável; ou seja, demagogia...

Mas por que estou eu surpreendido, perguntarão... Porque a coisa não ficou por aqui. Quando os jornalistas perguntaram ao demagogo de serviço quanto custaria aos cofres públicos tal medida, o Deputado disse que não sabia!...

Os eleitores do BE que "brinquem" aos votos e um dia arrependem-se...

Falta de nível

Entendo que o Sporing de Braga ganhou bem ao Benfica. Porém, a prova de que as bravas gentes minhotas ainda não têm estofo para ver o o clube da Cidade dos Arcebispos sagrar-se campeão começa na organização dos jogos em casa.

Digo-o porque mais importante ainda do que saber perder é saber ganhar. Acho inqualificável que, no fim da vitória sobre o SLB (diria fosse qual fosse o oponente, sublinho), tenha sido difundida pela instalação sonora do estádio música de tourada, para que os adeptos gritassem "olés" de permeio.

Grito, aliás, que se repetiu constantemente, após o segundo golo, o que configura uma humilhação escusada para com um adversário (ainda por cima, com um historial infinitamente mais recheado de sucessos)... Não me esqueço, ao censurar este tipo de alarvidades, de rememorar a nobreza do gesto de José Mourinho, há uns anos. Perdia a minha Académica por 4 a 1, no Estádio do Dragão, quando a claque (Super Dragões) encetou uma vaga de gritos semelhantes. De imediato, o Special One se levantou do banco acenando à entusiasmada tribo para que parasse com tal grosseria, o que aconteceu.

Tudo isto, no fundo, para afirmar que é mesmo muito importante saber ganhar!... Algo, diga-se, que também podia ser ensinado ao treinador benfiquista, Jorge Jesus...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Idade da pedra

Se entendia, há algum tempo, que o PSD passava pela sua Idade Média – ou seja, a sua “longa noite de mil anos – a análise de fenómenos internos mais recentes faz-me temer bem pior, olhando cada novo simulacro de facção como uma caverna de onde se espera que saia mais um beligerante com enorme desejo de amassar a caixa craniana do opositor mais próximo…

Deixando de lado as alegorias, comecemos exactamente por aqui: o PSD vive, hoje, de facções. O problema é que, em tempos idos (até meados dos anos 90, diria eu), cada grupo não só era suficientemente vasto para ser representativo, como era liderado por figuras com um percurso reconhecido e servidas por “generais” a quem também se reconhecia craveira para liderar “exércitos”. Acresce que as clivagens era ditadas por divergências ideológicas relativamente bem identificadas - creio que o último estertor disto se sentiu na “batalha” do Coliseu, em 1995, que envolveu Fernando Nogueira, Durão Barroso e Santana Lopes. Aliás, mesmo antes, em Coimbra (e presumo que no resto do país laranja), ser “nogueirista” ou “loureirista” (Dias Loureiro) era um “Grand Canyon” que apartava uma escolha social-democrata de uma opção liberal.

O problema actual reside exactamente no oposto. Assiste-se, nos dias que correm, à implantação de um modelo afegão dentro do PSD; há várias “tribos” (muitas…) e estas são lideradas por projectos eminentemente pessoais e por acólitos que já se banqueteiam em algumas sinecuras ou que, pelo menos, têm a esperança de trinchar um pouco do peru, no próximo Natal (que é como quem diz, num próximo executivo camarário, governamental ou em qualquer gabinete).

Razão tem, por isso, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa quando tenta impor um modelo minimamente federador, recusando mesmo o tentador apelo que lhe tem sido dirigido por várias individualidades dignas de crédito, sob pena de, aceitando, se tornar no candidato da “guarda de honra” de Durão Barroso que, a meu ver e com argúcia, tenta, a todo o custo, segurar posições internas a pensar em 2016, altura em que o seu líder já terá voltado de Bruxelas e em que poderá ver em Belém um bom (e, por que não, merecido) final de carreira política. Não digo que daí venha mal ao mundo, mas sublinho que não será assim que se contraria a decadência já iniciada e a ruína eminente da representatividade eleitoral do PSD.

Basta que o CDS institucionalize os ganhos obtidos – passando a ser menos dependente do carisma de Paulo Portas – e que o PS seja inteligente na gestão das sensibilidades de centro-esquerda, nos próximos anos, e o PSD ver-se-á, a meu ver, espartilhado numa franja com tecto máximo de 30% de votos que lhe ditará o fim da sua histórica condição de opção individualizada de governo. Basta ver que nos últimos quinze anos apenas três (e pouco) foram de governo social-democrata e, ainda assim, em coligação com o CDS.

Voltaremos ao tema, esperando eu estar redondamente enganado…

Mais uma alegoria sobre a tensão ética vs.ciência (bonzinho)

Um pouco de burlesco a mais, mas interessante

O inesgotável filão da NYPD (razoável)

Páginas cativantes

Bem escrito, bem traduzido e interessante.

domingo, 1 de novembro de 2009

"Judite de Sousa - A Vida é um Minuto"

Motivado pela leitura da entrevista que Dan Brown concedeu à Revista Única do Expresso, fui este Sábado à Bertrand do Dolce Vita, em Coimbra, com o intuito de comprar o seu novo livro: “O Símbolo Perdido”. Todavia, olhando para as estantes, decidi acrescentar outro à lista de compras, o da jornalista “Judite de Sousa – A Vida é um Minuto”. O preço é convidativo (12€) e o interesse suscitado pela mediatização do mesmo ajudaram. É a típica compra por impulso.

O livro não do género “calhamaço”. Li-o em poucas horas. Não custa passar de folha em folha. A escrita é simples, assertiva e não entra em "rodriguinhos". Nele, a autora aborda a importância da comunicação política. Faz um rewind histórico sobre alguns dos temas quentes, alguns à escala global, outros mais “caseiros”. Desde o caso Freeport, à importância e pressões dos comentários semanais de António Vitorino e Marcelo Rebelo de Sousa, o estilo comunicativo de alguns dos nossos principais políticos, as palavras do Poder, a ascensão política de Lula da Silva e Barak Obama, entre outros... Enfim, temas que são do domínio de todos.

Mas vai mais longe. Mostra um pouco do seu olhar de lince enquanto jornalista face à comunicação política adoptada por alguns políticos em vários casos altamente mediatizados, indo um pouco mais além que o habitual conservadorismo que impera na esmagadora maioria dos elementos da sua classe.

Não é um trabalho científico. Aliás, nota-se que não houve grande trabalho de investigação. No entanto, creio que fica um "manual" que poderá ajudar alguns políticos a comunicar de forma mais assertiva na arena política.

f…

Então pá?!?!? Já não sabes escrever coisas musicais com vocábulos e metáforas para animar a malta???
Pois é… ironia do destino! Andaste a dizer tão mal da malta da política que agora vieste cá parar…
Sabes, ainda sou do tempo de acompanhar as tuas actuações ao vivo na televisão. Lembro-me como se fosse ontem.
Estava em casa a ver a sic quando foi interrompida a emissão à meia-noite… o jornalista dizia: “estamos em directo da actuação ao vivo do Pedro Abrunhosa e bandemónio…!” Foi uma actuação lá prós lados do “deserto” – como diz o teu camarada Lino. E tu, no auge da tua carreira, por entre as músicas sempre com uma mensagem ética e responsável para dares aos jovens portugueses.
Aliás, naquela altura (e foi por isso que estavas na televisão) a tua mensagem era a de convenceres toda a gente para não pagar as portagens da ponte 25 de Abril!...
De facto, o país precisa é de pessoas na política com sentido ético apurado como o teu…
PA, decidi escrever assim este post… “cool”… para que percebas, no “teu meio artístico”, a mensagem de entusiasmo de te ter na política!

“Se a política podia viver sem ti… podia, mas não era a mesma coisa…”
Já agora… esquece os óculos! Isso são coisas que só ficam bem ao Bono e ele paga portagens…
(*) - foto da net de autor desconhecido...

domingo, 25 de outubro de 2009

Uma aventura no Ministério da Educação

O astuto Primeiro-Ministro escolheu a dedo o seu Governo, com especial atenção a uma das pastas mais massacradas na legislatura passada. A Educação fica agora a cargo de uma cara já conhecida e figura muito apreciada pelas gerações de 70/80, que então liam de fio a pavio a colecção "Uma Aventura" e, com sorte, ainda tinham direito à visita das autoras à sua escola. Para além do que conhece por ser professora, as incursões que Isabel Alçada já faz há quase três décadas e a proximidade que teve com alunos e professores de muitas escolas deste país dão-lhe uma ideia daquilo que a espera. Conhece de gingeira os queixumes dos professores e as carências dos alunos e está agora em posição de atender a essas causas e de lutar por um melhor ensino. É uma grande e inusitada aventura, mas a escritora goza de um apreço que muito dificilmente perderá, mesmo que nem tudo corra pelo melhor. E é por isso que cumpre tirar a cartola a José Sócrates. Escolheu alguém cujo perfil profissional não deixa dúvidas de que se apropria ao cargo e cujo perfil pessoal cai bem na generalidade dos portugueses. Oxalá Isabel Alçada não venha a desiludir-nos.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Dignificar a advocacia

No site da Ordem dos Advogados convidam-se os 'colegas' a lançar sugestões para uma campanha comercial "com vista a dignificar e salientar a importância do exercício da advocacia na defesa do Estado de Direito e da cidadania".

Bem pode a Ordem promover campanhas, pretendendo publicitar e dignificar o exercício da advocacia junto da sociedade portuguesa, que o povo português dificilmente deixa de franzir o sobrolho perante um causídico. É triste para quem enverga a toga mas, bem vistas as coisas, é compreensível que se tenha em tão má consideração esta classe profissional.

O problema começa desde logo na proliferação dos cursos de Direito nas privadas, bem como no numerus clausus arrepiante das clássicas. Quanto à formação, melhor ou pior, é certo que os licenciados em Direito saem com enormes carências técnicas e, não raras vezes, é-lhes vedada a possibilidade de as treinar convenientemente nos estágios. Isto não os impede de se tornarem excelentes advogados, mas dá-lhes o rótulo de «tipos que só servem para oficiosas».

E depois, há os que sabendo não ter vocação, insistem na advocacia mesmo tendo noção de que não passarão de advogados medíocres. É com esses que os portugueses esbarram muitas vezes, com tipos que envergam o título de advogado como se de uma insígnia se tratasse, com tipos que menosprezam clientes, que perdem casos por incúria, que esquecem os escrúpulos e prestam um mau serviço ao clientes, à Justiça e ao país.

São estes que mancham o profissionalismo de todos os outros que não encaixam nesse lamentável perfil (vão sendo poucos...) e são estes os responsáveis pela pouca consideração que a sociedade tem para com esta classe. Embora seja de louvar o esforço da Ordem, isto não vai lá com campanhas.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Um serão de excelência

Tive o prazer de assistir, no âmbito do DocLisboa 2009, à exibição do excelente "Futebol de Causas", da autoria de Ricardo Martins.

Nele se retrata o cariz sui generis de Académica de Coimbra e a sua permanente relação com as causas estudantis e cívicas da década de 60, sem esquecer a referência à mítica final da Taça, de 1969.

Ocasião para rever as duas crises académicas, a eclosão do 25 de Abril e a passagem pela fase "Clube Académico de Coimbra", ditada pela decisão da extrema-esquerda de extinguir a secção de futebol da Associação Académica de Coimbra. Um paradoxo se olharmos à luta que as equipas da A.A.C. tinham travado pela democracia...

É uma obra a rever na RTP e a adquirir em DVD a que apenas deixo um reparo, pese embora com respeito pela liberdade criativa do autor: quando se diz que, mesmo depois de em 84 ter voltado a denominar-se Académica (agora enquanto organismo autónomo da A.A.C.), o nosso futebol nunca voltou a ser o mesmo, falta explicar que tal é impossível pela conversão do futebol em geral numa indústria, onde, apesar de tudo, entendo que a Académica ainda é bem diferente.

Dinheiro bem gasto


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Sem emenda

Desgraçadamente, não creio que o PSD tenha emenda…

Apesar das mentes mais criativas do (meu) grémio laranja tenham gritado vitória em face do maior número de câmaras municipais averbado pelo PSD, o facto é que “voaram” 27 daquelas autarquias para o Partido Socialista, num cenário em que o PSD jamais deveria perder terreno, antes sendo de aproveitar a oportunidade gerada pelo descontentamento popular para reforçar posições e conquistar novas praças-fortes. Porém, depois de “conseguir” a obra-prima de perder as eleições legislativas, já era de esperar mais um auto-golo…

Comecemos no meu distrito de Coimbra. Primeira nota saliente é a perda de duas das quatro cidades para o PS - Figueira da Foz e Oliveira do Hospital – por causa de lamentáveis lutas internas do partido; ou seja, mais uma vez, os “donos” do PSD preferem pôr o seu umbigo e a sua ganância à frente dos interesses dos concelhos e suas populações. Parece-me até que já vi isto em algumas listas de deputados… E Penacova, que “só sabia” votar laranja?!

E mesmo a vitória em Coimbra, ante o resultado do PS, deve-se em grande parte ao carisma de Carlos Encarnação e à lucidez que teve, pela primeira vez, na aposta para a Cultura, restando saber se o Edil se empenhará na busca de um candidato forte para 2013, não só do seu ponto de vista, como na óptica da receptividade junto do nosso muito específico eleitorado.

Contudo, num plano extra-distrital, as razões para abrir a boca de pasmo são aos molhos, pois se compensa trocar Faro por Tavira e se é bom ganhar Felgueiras, ficam por explicar as escandalosas (não do ponto de vista da escolha popular, mas sim da gestão partidária, sublinho) derrotas em Leiria, Barcelos, Trofa, Vila Nova de Ourém (nem Nossa Senhora de Fátima nos valeu…) e, como disse, Figueira da Foz.

No fundo, creio que se trata do reflexo da calamidade autofágica que assola as hostes sociais-democratas, desde o fim do chamado “cavaquismo” (sendo que o seu mentor, de quando em vez, não se esquece de ajudar à festa). Problema decorrente terá lugar daqui a quatro anos, pois com as guerras fratricidas de muitos e a política de terra queimada de outros tantos que não preparam sucessores que vão além do “lambe-botismo”, creio que o PSD terá um mínimo de 83 problemas para resolver; tantos quanto os autarcas que atingem o máximo legal de mandatos consecutivos…

Em suma, meia vitória para o PSD, meia vitória para o PS e uma deliciosa e estrondosa derrota para o Bloco de Esquerda.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Rio, Rio, Rio [Rio para não chorar]

Eu até fiquei momentaneamente feliz quando o comissário (brasileiro, por sinal) anunciou em pleno vôo que o Rio foi a cidade eleita para acolher os Jogos Olímpicos de 2016. As outras concorrentes eram de peso (Tóquio, Madrid e Chicago) mas ainda assim o país-irmão levou a melhor, conseguindo que aquele gigantesco evento desportivo se estreasse na América do Sul e, pela primeira vez, num país de língua portuguesa.

E depois, depois lembrei-me que a Cidade Maravilhosa não é assim tão maravilhosa. Há favelas que florescem como cogumelos, criminalidade a rodos, miséria recôndita, prostituição a la carte, corrupção infiltrada por tudo quanto é sítio. E por muito que o BOPE actue, amuralhem as favelas e se abra caça a tudo e todos, não vejo que assim, do pé para a mão, seja possível tornar a cidade carioca num lugar mais visitável.

Por muito que soe a redutor, parece-me que o Brasil e seus governantes deviam ter outra espécie de prioridades. Estimam-se gastos de milhões em torno de um só evento desportivo (cuja pertinência e grandeza jamais poria em causa), mas que me parece despropositado num país que tem enormes carências, nas quais se devia concentrar toda a atenção, empenho, e claro, todos os reais.

Tenho para mim que os Olímpicos nestas circunstâncias só enchem olho a locais e forasteiros, são mais do mesmo para entreter as massas e tudo quanto se venha a fazer naquela cidade não é mais do que varrer o pó para debaixo do tapete.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O lato conceito de «vitória»

A julgar pelas manchetes da imprensa de hoje e pelo que leio pela blogosfera fora, devo ser das poucas que considera que o PSD perdeu as eleições de ontem. Sei bem que arrecadou mais Câmaras que o PS, que conquistou Faro e que "arrumou" com Fátima Felgueiras, mas que dizer das derrotas em bastiões como Barcelos, Leiria e Figueira? Já para não falar da derrota na Capital, ainda que renhida, reconheça-se. No total, o PS 'roubou' 27 (sim, vinte sete) Câmaras ao PSD. E chamam a isto "vitória"?

E que dizer dos resultados a nu? Sozinho, o PS arrecadou 131 Câmaras, contra 117 do PSD nas mesmas condições (sem coligações). Quanto a Juntas de Freguesia, o partido do Governo venceu em1580 contra 1525 do PSD.

Um partido como o PSD, que tinha nas eleições autárquicas uma espécie de bálsamo quando as demais batalhas eleitorais não corriam pelo melhor (como sucedeu nas últimas legislativas) viu-se ontem fragilizado e logrou números sintomáticos do estado de desacreditação em que se encontra. Não estou em crer que isso se deva única e exclusivamente à sua líder. Bem pelo contrário, tenho para mim que o problema do PSD é centrípeto. Parte das células concelhias e distritais e vai atacando, paulatinamente, em direcção ao centro. Temo-nos concentrado em "lavar a cara", mas isto não se resolve com a eleição de um novo líder, desenganem-se os mais ingénuos.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Um bem-haja à função pública (grunf!)

Juro que bem tento não cair no cliché de dizer mal dos funcionários públicos só "porque sim". Até porque tenho uma irmã que trabalha (e muito) numa autarquia deste país e não vê meio de lhe ser reconhecido o mérito que tem e a entrega exemplar com que todos os dias (úteis e não úteis) se dedica ao seu trabalho. Adiante. Dizia eu que bem me esforço por não cair na generalização de criticar a função pública e de usá-la como bode expiatório só porque, como a generalidade dos portugueses, me sinto mal servida pelo Estado.

Sucede que esse meu esforço cai por terra sempre que tenho que lidar com essa estranha espécie que são os funcionários públicos. Por força do meu trabalho, vejo-me algumas vezes levada a ajudar clientes em assuntos que lhes cabiam a eles resolver mas que não conseguem, por falta de diligência dos funcionários do Estado e, sobretudo, porque lhes faltam algumas armas que se mostram necessárias usar com aquela gente.

Há dias, tentei estabelecer contacto com Direcção-Geral das Alfândegas e estive cerca de uma hora em espera, porque os sucessivos interlocutores alegavam sempre "que não era com eles" e passavam a chamada uns aos outros, sem réstia de consideração. Cheguei a falar com a mesma pessoa duas vezes e - nada que me surpreendesse - levei com um "então mas eu não lhe disse já que isso não era comigo?". Às tantas, quando lá encontraram a pessoa "certa" (que ali é a mesma coisa que dar com uma agulha no palheiro) e me deram o respectivo contacto, atende-me uma senhora cujos bons modos escasseavam e cuja mensagem foi suficientemente esclarecedora: "Agora estamos a almoçar, seja o que for, só depois das duas".

Ontem o cenário não foi muito diferente. Estive 40 minutos em espera para falar com determinado departamento da Câmara de Lisboa, para meu desespero e da telefonista que tentava, sem sucesso, passar o telefone às "técnicas que estão cheias de trabalho ao telefone". Até podia ser verdade, mas chegada a hora de me atenderem só sabiam dizer que "não era com elas", mesmo quando lhes relembrei que no anúncio do Diário da República era aquele exacto contacto o que se indicava para eventuais esclarecimentos. Até que me exigem a "coisa" por escrito, meu deus, que burocracia! Um email sem resposta (mesmo tendo rogado resposta rápida uma vez que o prazo da coisa assim o exigia) e uma tarde passada a ligar para lá, até que percebi que ainda nem sequer tinham lido o email e, tal era a fúria com que estava, lá coagi uma senhora a dar-me um número de telefone de alguém que me garantiu saber ajudar. Claro que tudo isso foi em vão, porque o senhor, mesmo sendo Director de Departamento ou raio que era, não sabia patavina! Ainda estou em choque, a perguntar-me que raio faz aquela gente, que nem sabe aquilo que exige aos munícipes!

Pois bem, não há volta a dar, a imagem depreciativa que tenho dos funcionários públicos teima em piorar de dia para dia e, razões, como bem vêem, não me faltam para isso. E assim dou por mim a desejar que tudo neste país fosse privatizado! Pronto, já um pouco mais calma concluo que bastaria aplicar as regras do privado no sector público e já seria um grande avanço...

Irra, que não há meio deste povo aprender!




"Luta renhida em Marco de Canaveses"

Já se viu que não é pela Justiça que se afastam os políticos acusados em processos criminais de concorrer, de novo, às eleições autárquicas. Também já se concluiu que tais personagens políticos não devem muito ao bom senso e, de novo e com o maior dos à-vontades, passam um pano sobre as aleivosias cometidas nos seus mandatos. E como se tudo isso já não bastasse, este povo continua a idolatrar (e a eleger!) esta espécie de autarcas que teima em reinar até mais não, com a falta de escrúpulos que lhes é costumeira e sem pingo de decência.

Isaltino Morais, Fátima Felgueiras, Avelino Ferreira Torres, Valentim Loureiro, Mesquita Machado e demais (maus) exemplos, todos eles me provocam náuseas. Esta minha aversão não é nova, já aqui havia dado sinais dela. Mas quem me deixa à beira de um ataque de nervos é mesmo o povo que os elege, os eleitores insensatos que de quatro em quatro anos dão poder a quem não os respeita, a quem deles se serve sem pudor, a quem os compra com obra de encher o olho. A sério que não consigo perceber como é que aquela gente não aprende. A célebre frase de Tocqueville cada vez faz mais sentido: «cada povo tem os governantes que merece».

Barack Obama: Prémio Nobel da Paz 2009


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Loucura no deserto


Daquelas coisas que valem a pena...


Tarantino vintage

Já sabiamos

Visto que o não pude fazer na semana passada, gostaria partilhar algumas ideias sobre os resultados eleitorais para a Assembleia da República.

Assim, dadas a crise mundial que ocorreu (e ainda vai pairando), a contestação gigantesca que lhe moveram alguns sectores (professores e magistrados à mistura) e as polémicas em que procuraram envolver o seu nome (justa ou injustamente, decidirá quem é competente para o efeito), o resultado de dia 27 de Setembro é uma vitória para José Sócrates. Embora seja votante e tradicional eleitor do PSD, sempre achei, aliás, que a coisa não estava bem encaminhada... Eu e 40% dos 42 votantes na nossa sondagem eleitoral, apesar de se tratar, reconheça-se, de um blogue editado e lido por uma maioria de povo laranja...

O problema é que, pelos mesmíssimos factos que fui coligindo, esta era uma eleição que o PSD não podia perder, sendo fraco contento dizer que o PS ficou sem a maioria absoluta. Mesmo assim, restaria ainda saber se o feito de lha retirar pertence ao PSD...

A opção pela “não campanha” (nada prometer para nada incumprir) sempre me pareceu pouco perceptível e o tradicional clima fratricida do PSD fez o resto. O mais grave é que cresce o número de caciques internos que prefere ser rei de coisa nenhuma do que príncipe num reino de opulência, o que gera a dinâmica do “quanto pior, melhor”.
Essa propensão para a desgraça, acumulada com o descrédito mais genérico nos dois partidos crónicos de governo, tem, a meu ver, outra consequência: os resultados do CDS, PCP e BE mostram que a tendência para a bipolarização foi sustida, se não mesmo invertida. Temos, neste momento, cerca de 30% dos votos atribuídos a 3 partidos que podem vir a ganhar crescente potencial coligativo (algo que só o CDS tem, de forma isolada); dito de outro modo e estando ainda longe desse cenário, podemos caminhar para um fraccionamento crescente do sistema de partidos e para a erosão do espaço das duas maiores agremiações políticas.

Penso mesmo que, sendo o CDS liderado com a forma astuta que tem imperado (moderando o conservadorismo com medidas liberais e aproximação ao eleitorado urbano), o PSD pode vir, mais cedo do que tarde, a perceber que os partidos não são (longe disso) eternos. Basta que o grémio laranja continue a espremer líderes e a dividir ainda mais os gomos de uma laranja algo mirrada pela pouca exposição ao poder.
Como terceiro apontamento, sublinho que o eleitorado provou, embora não em medida larga, a sua sapiência ao moderar as expectativas do Bloco de Esquerda, que não só ficou em quarto lugar, como não elegeu deputados suficientes para chantagear politicamente o PS, como deixara perceber durante a campanha. Creio que teve vencimento a ideia de que o insulto, a maledicência e a inveja (algo que é estimulado em cada simulacro de trotskismo dos discursos do BE) não formam uma ideologia de governo.

Estaríamos, em conclusão, perante um cenário que reforçaria o papel do Presidente da República, não fora a forma infeliz como, em minha opinião, conduziu o dossier das alegadas escutas em Belém. E, neste caso, creio que, mais uma vez (eu fiz as campanhas de Fernando Nogueira e de Santana Lopes), o PSD que o projectou sai dorido das suas mãos.

Nota final para as autárquicas para saudar antecipadamente a natural vitória de Carlos Encarnação, que me renovou a esperança de bons ventos, se for verdade que a Professora Maria José Azevedo Santos será a responsável pela Cultura. Finalmente!...