quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Não adormeci!!!

Ver a TVI, hoje à noite, foi um teste aos meus valores patrióticos e partidários!...

Começou com um jogo aborrecido da Selecção, de que se aproveitou a vitória pela margem mínima.

Continuou com um debate pachorrento e cinzento entre Manuela Ferreira Leite, que se saldou (mesmo com um auto-golo nas taxas dos impostos) por uma sonolenta supremacia da primeira. A dado passo (designadamente, na hegemónica fatia dedicada à Economia) parecia uma conversa entre a austera directora da escola e um teimoso membro da associação de estudantes.

No meio da seca generalizada, aplaudem-se com uma só palma as duas vitórias...

Primeiro estranha-se, depois entranha-se


Soava o hino nacional no estádio em Budapeste e só meia dúzia dos jogadores em campo davam ares de saber "A Portuguesa" de cor e salteado. Os luso-brasileiros Liedson, Deco e Pepe mantinham-se hirtos e de dentes cerrados. A sua chamada à Selecção das Quinas deu muito que falar, tendo havido quem dissesse que está em marcha uma descaracterização da selecção nacional. Certo é que se primeiro estranhamos, logo entranhamos. A inclusão destes três na equipa portuguesa tem vindo a revelar-se positiva, sendo que os dois únicos golos marcados nos dois últimos jogos têm o carimbo de Liedson e Pepe, respectivamente. Dois golos decisivos, que a inexistirem teriam já condenado a esperança de Portugal chegar ao Mundial 2010. E isto é o que realmente importa. Digam o que disserem.

Ter memória não é ser amnésico

Juro que queria escrever sobre a pré-campanha em curso, mas ou por falta de imaginação, ou porque a coisa roça mesmo o óbvio, não tenho muito a dizer a não ser que tudo me tem parecido natural e óbvio. Assim sendo, veremos se a campanha propriamente dita desequilibra as contas para PS ou PSD; em termos de apostas “totobolísticas”, para já, jogue com uma tripla…

Em função da modorra política supra descrita, deixo-vos umas breves linhas sobre um apontamento de fim-de-semana, no qual, entre outras coisas, pude, finalmente, visitar o Vale dos Caídos, em Espanha.

O monumento em si mesmo imponente fica perto de Madrid e visava perpetuar a vitória de Francisco Franco e seus apoiantes na Guerra Civil Espanhola, embora sob a capa nacionalista que levou a que por ali estejam sepultados tanto nacionalistas como republicanos. Afirma-se, no entanto, que muitos prisioneiros da ala derrotada (a republicana) terão feito o trabalho pesado (muito pesado, se pensarmos que a extensíssima basílica foi escavada em rocha).

Deixando de lado considerações artísticas (vale a pena), cobram lugar de destaque os túmulos de Francisco Franco e de José Antonio Primo de Rivera, filho do autocrata com o mesmo apelido, fundador da Falange (dínamo da propaganda nacionalista) e mártir dos nacionalistas (morreria com 33 anos).

Com esse facto em mente, em 2007, o Congresso espanhol aprovaria, depois de insistente trabalho de José Luis Zapatero (Presidente do Governo), a Ley de la Memoria História (ou La Ley por la que se reconocen y amplían derechos y se establecen medidas en favor de quienes padecieron persecución o violencia durante la Guerra Civil y la Dictadura), que deu ao lugar um cunho exclusivamente religioso, proibindo qualquer uso político (algo que era comum, até há uns anos e designadamente, nos aniversários da morte de J.A. Primo de Rivera.

Perguntará o leitor, por esta altura, se estou a tentar fazer uma imitação barata de um dos programas do Prof. José António Saraiva. A resposta é um humilde “não”!
O meu ponto é bem diverso e tem a ver com a maneira com que Espanha sempre conseguiu lidar com o seu passado, a espaços, bem mais sangrento do que o nosso. A transição para a democracia foi pacífica e preparada por Franco, o Rei Juan Carlos reina incontestadamente, apesar de protegido e “indigitado” pelo primeiro, e não houve qualquer histeria de apagar nomes ou de fingir que as coisas não aconteceram.

Por cá, há uma ponte com o nome de uma revolução que nada teve a ver com a sua construção (a Ponte Salazar passou a Ponte 25 de Abril), é um “ai Jesus” cada vez que a população de Santa Comba-Dão fala numa estátua ou baptiza uma praça e nada existe que aborde descomplexadamente e com rigor histórico os defeitos (em maioria) e os méritos do Estado Novo.

Desconfio que a maioria da classe política nem saberia explicar aos filhos o que se passou… E, no entanto, o cultivo da ignorância é o pasto dos fantasmas… Ou já se esqueceram da eleição do Doutor Salazar como o primeiro entre “Os Grandes Portugueses”, na RTP?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Há lodo no Avante!

A ideia não é nova, mas para o Lodo é como se fosse! No passado fim-de-semana (4-6 de Setembro), os colaboradores Diogo Gaspar e João Morgado formaram uma delegação à 33ª Festa do Avante. Partilhe-se o testemunho!

Passado o Pragal já se identificam, na carruagem, os companheiros da luta. Destino: Foros da Amora, onde um autocarro faz o transporte (devidamente subsidiado) até à Quinta da Atalaia. A instalação no parque de campismo não escapa à burokracia. Mas o que importa? Estamos na festa onde todos são iguais. O dress kode uniformizado das camaradas é prova disso.

A noite cai e com ela A Carvalhesa! No Palco 25 de Abril, imagens de Trás-os-Montes ao Algarve pairam nos ecrãs. Punhos cerrados, bandeiras no ar e o povo a dançar... diz que é uma espécie de ritual. Pouco depois chegará a primeira edição da Grande Gala de Ópera, tido como o momento mais significativo desta Sexta-Feira (dia 4). E é uma sessão de luxo: confirme-o o reportório, à atenção dos especialistas da casa. Mas nem só as obras (não encenadas) justificam a assistência. Aqui não há plateia, nem camarotes e muito menos “galinheiro” – haverá sala mais democrática? Além disso, atestamos a boa complementaridade que parece existir entre a marijuana e as melhores árias – enfim, como nunca pôde sentir em São Carlos!

Finda a sessão e antes que o recinto feche, arranjamos tempo para uma ida à Área Internacional. Lá se encontram unidos os partidos comunistas de todo o mundo. É, por isso, uma boa oportunidade para conhecer a gastronomia da luta. A saber: FRETILIM – 1 euro vale uma espetada e o tradicional molho sassate –; Associação Portuguesa de Amizade e Cooperação Iúri Gagárin (Antiga Associação Portugal-URSS) – a Ração Kocmoc é um expoente do Internacionalismo Gastronómico: 3 cl de vodka russa acompanham a fatia de pão preto com uma rodela de pepino –; Associação Partido Comunista de Cuba – aconselham-se os mojitos, com trave a hortelã de um qualquer campo colectivizado.


E por falar em colectivização, já é Sábado (dia 5) e o leitor pode acompanhar o pequeno-almoço com a apresentação do livro A reforma agrária é necessária, de António Gervásio, com a chancela das Edições Avante. E já que aqui estamos, continuemos para o Pavilhão Central. Das três exposições patentes a mostra 35 anos da Revolução, Abril de novo para Portugal com futuro «valoriza a luta e a resistência ao fascismo – quando aliás muitos o querem branquear» (assim reza o programa). E continua «Quando muitos dos visitantes da Festa já nasceram depois de 1974, aqui ficará uma oportunidade […] para revisitar a nossa história» – pena que a maioria da audiência passe em muito a idade da revolução. Uma camarada mais velha emociona-se.

Diz-nos uma militante não identificada que já acompanha o Avante! desde os tempos da FIL. Alto da Ajuda, depois. E a seguir participou no peditório dos 150 mil contos que (em 1990) compraram a Atalaia, na altura ainda com um palacete e zona agrícola. Fala de uma ida à União Soviética (em 1978), de onde saiu triste com a corrupção, visível aos olhos de qualquer um - «Não foi para aquilo que tinha vindo o Aurora». Ainda assim não esconde as saudades da força do bloco comunista: tempos em que «a Área Internacional da Festa era o dobro e nunca faltava marisco». Burguesice, dizemos nós! Ficam algumas máximas: «os cubanos exportam saúde, os americanos exportam armas»; «a falta de crítica cá dentro é uma invenção da comunicação social», «o BE pode andar à vontade, desde que não roube as medidas aos outros e vá para os jornais anunciar»; «se quiser aderir à verdadeira causa humana e justa, já sabe…».

Domingo (dia 6). No Palco da Solidariedade realiza-se o debate Capitalismo, repressão e militarismo. Depois do comício com Jerónimo de Sousa e transmitidas por esta ordem Avante, Camarada, A Internacional, o Hino de Portugal e A Carvalhesa, segue-se o jantar nos pavilhões do Alentejo. As filas levam-nos a optar pelo Bar de Portalegre e, consequentemente, pela bifana em pão caseiro (pago com cartão multibanco). Sentamo-nos em mesa familiar – «ó filho, faz um favor ao pai, vai ali àquele camarada pedir a mostarda» – enquanto as cantigas da Brigada 14 de Janeiro (de Elvas), já enchem o ouvido: «Ao preço a que estão as casas quem aluga tem uma mina / Ai, ai, minha barraca clandestina!». Trocamos os alentejanos por uma Teresa Salgueiro em versão popular. Local: Pavilhão 1º de Maio. Para a despedida ficará David Fonseca, e uma passagem inevitável pelo Bar da Marinha Grande.

E a delegação voltará, camaradas (quinquenalmente).

Expropriada. Na placa pode lêr-se «Devolvam os meus ténis, ok?»
Komércio tradicional. Uma montra bem alinhada.

Brinde do COMECON. Ideal para depois da Ração Cokmoc.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Só tenho duas palavras: ge nial!!!

No MOTELx (Festival Internacional de Cinema de Terror, de Lisboa) assisti a uma apresentação do vanguardista e brilhante filme "A Dança dos Paroxismos" (1929/30) de Jorge Brum do Canto. Delicioso...

E por falar em delícia, a banda sonora composta e tocada por Paulo Furtado (The Legendary Tiger Man) e Rita Red Shoes deu o toque de arte final.

Uma receita a explorar, como já vira fazer em "Alexandre Nevsky" e "Aurora".

Movimentos Cívicos: uma faca de dois gumes


O País tem vindo a assistir, nestes últimos anos, a um saudável fenómeno democrático: a proliferação de movimentos cívicos. Emergiram no contexto de dois referendos portugueses, em redor dos quais tiveram um papel activo que nunca antes se lhes havia permitido. Se até aí o seu impacto na sociedade civil era esporádico e cingia-se ao plano local, hoje o cenário é bem diferente, pese embora os principais mediadores entre a sociedade e o Estado continuem a ser os partidos políticos.

Não obstante, o inegável peso dos movimentos de cidadãos no palco político conduziu a uma revisão constitucional no ano de 1997 que passou a permitir que estes tipo de movimentos pudesse concorrer a todos os órgãos do poder local (até então apenas podiam aspirar às juntas e assembleias de freguesia). A importância desta conquista tem-se traduzido no crescente número de candidaturas não partidárias às eleições autárquicas. Compare-se o número de candidaturas independentes às Câmaras deste país nos últimos anos: se em 2001 se registaram vinte e uma, em 2005 foram vinte sete e, neste ano de 2009, serão cinquenta. Por terras de Cister (leia-se: Alcobaça) as autárquicas que se avizinham contam com quinze candidaturas independentes num universo de dezoito freguesias e uma só Câmara.

É certo que se alguns destes movimentos nascem pela mão daqueles que (aversos ou não à militância partidária) pretendem colocar-se ao serviço do bem comum, outros surgem tão só para permitir que autarcas que entraram em cisão com o seu partido concorram em eleições autárquicas. E é pela mão deste movimentos que autarcas como Fátima Felgueiras e Isaltino Morais (entre outros maus exemplos) se perpetuam no poder. Por isso digo que os movimentos cívicos são como uma faca de dois gumes. A sua génese pode ter estar impregnada de boas intenções, mas há quem a degenere e deles se sirva para colocar em marcha os seus (pouco nobres) interesses.

Ainda que efémeros, - regra geral surgem para um fim que se alcança ou se frustra numa certa data, nas urnas - os movimentos de cidadãos de carácter eleitoral são talvez os mais expressivos. Há depois aqueles que, tendo em vista o bem comum, nascem para junto dos órgãos actuantes reivindicar determinadas medidas. Contudo, parece que o clima pré-eleitoral é fértil ao florescer de movimentos cívicos que surgem à toa, à procura de um protagonismo a construir à sombra de uma qualquer reivindicação. São grupos de interesse com intenções de duvidoso altruísmo e, algumas, a meu ver, bem disparatadas.

Atente-se, a este propósito, ao movimento que, na passada semana, ressurgiu a defender a transferência da freguesia de São Martinho do Porto para o concelho das Caldas. Escudam-se na distância entre aquela Vila e a sede do concelho e alegam falta de atenção por parte do edil alcobacense. Quanta ingratidão!

Frequentei o Ensino Básico em São Martinho do Porto e veraneei ali desde sempre, pelo que bem sei o que foi - e aquilo que é hoje - aquela vila. Evoluiu sem que quem a governa a deixasse cair num processo de descaracterização, o que já por si é louvável. Mas parece que ainda assim a melhoria das acessibilidades e das infra-estruturas, a requalificação da Marginal, a manutenção do fluxo turístico, a aposta cultural (obviamente sazonal) e tudo quanto este município tem investido na bonita Vila de São Martinho não é reconhecido por duas dezenas dos seus habitantes. É consabido que a freguesia precisa de mais, mas que freguesia deste país se pode arrogar “plenamente satisfeita” consigo mesma?

Quanto ao argumento “proximidade”, que seria deste país se todas as franjas dos concelhos se lembrassem de andar a saltitar de concelho em concelho ao sabor das conveniências? Em Bragança, há freguesias que distam a 40 km da sede de concelho e nunca ouvi nenhuma delas clamar pela integração numa qualquer cidade fronteiriça de Espanha.

Apele-se ao bom senso. E, sobretudo, relembre-se que a cidadania é uma conquista demasiado nobre para ser usada ao desbarato. Os movimentos cívicos podem ser uma excelente plataforma para que o comum cidadão contribua para a melhoria da qualidade de vida da sua terra mas, tal como nalguns processos eleitorais, não se recorra a eles com a leviandade e a cobiça que inquinam a democracia.

* também publicado na edição de 3 Setembro do jornal «Região de Cister»;

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

3-2

Pelo que ouço e leio, creio que não produzirei doutrina maioritária, mas penso que o debate de ontem foi ganho por José Sócrates, com escassa vantagem.

Desde logo, creio ser injusta a crítica que aponta a ausência de propostas. Mormente o Primeiro-Ministro foi, tanto quanto o castrador esquema do debate (que parece querer meter o Rossio na Betesga) o permitiu, apontando algumas linhas de futuro, que aliás já se conheciam da entrevista a Judite de Sousa, na véspera; 1-0.

No plano da economia e finanças, Sócrates marcou o seu distanciamento ideológico (nisso foram ambos muito claros, permitindo distinguir as diferentes ideologias em confronto) e ainda teve arte e engenho para golpear Paulo Portas por alegadadas falhas do Governo de coligação (2002/05) , mesmo no sagrado terreno centrista das pequenas e médias empresas; 2-0.

Já no início do tema social, creio que o Líder do CDS lançou um bom contra-ataque, alertando para medidas penalizadoras tomadas pelo Governo do PS: aumento da idade da reforma, aumento do prazo para os jovens receberem o subsídio de desemprego e o escândalo (palavras minhas) do rendimento social de inserção (vulgo, rendimento mínimo). Teve ainda ensejo de salientar a magreza comparativa do aumento das pensões feito pelo PS, quando comparado com o do consulado de Bagão Félix; 2-1.

Foi preciso aguardar o início do tema da segurança para ver um auto-golo... Paulo Portas, em vez de "jogar o joker" num dos temas que o celebrizou, exigiu voltar atrás, quebrando as regras do debate, bem como perdendo tempo precioso (ficou mais a exaltação do que outra coisa) e a compostura ("vá interrogar os seus camaradas" fica mal ao, regra geral, cortês Portas); 3-1.

No entanto, seria neste terreno que Paulo Portas ainda reduziria a desvantagem (que seria se não tivesse perdido tempo a voltar a um tema em que até não estivera mal...), demonstrando a pobreza dos meios atribuídos ao combate à criminalidade.

Resultado Final: 3-2
Árbitro (Constança Cunha e Sá): amorfo.
Comentário final: provavelmente um dos debates mais interessantes, se olharmos aos protagonistas e à sua arte no uso da palavra.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Cada macaca no seu galho


Não restam dúvidas, o PS é o maior. Pelo menos, o maior na contratação de Mandatárias. Depois do peso pesado "Carolina Patrocínio", a lista socialista do Seixal não esteve por menos e garantiu como mandatária da juventude a senhora da foto*, de seu nome Filipa de Castro.

Primeiro considerando: mandatária da JUVENTUDE?! É consabido que a senhora faz maratonas entre cabeleireiro - discoteca - spa - vernissage - manicure - centro comercial - sessão fotográfica - etc, mas o facto de não lhe faltar energia para tão afadigosa vida confere-lhe a faculdade de encaixar no posto de juventude? Se o candidato à Câmara fosse um sexagenário, ainda se compreendia. Mas não, Samuel Cruz é um tipo novo, com ar de quem deixou a casa dos pais faz dias.

Agora mais a sério: que tendência é esta de escolher mandatárias através de um-dó-li-tá às capas das revistas cor-de-rosa?! Que contributo pode dar alguém que chegou à ribalta graças ao posto "ex-mulher do futebolista Beto"?! E que credibilidade se pode esperar de uma mulher que desde o mediático divórcio nada mais fez que posar para revistas de duvidosa qualidade?

Muito me apraz ver mulheres envolvidas na política. Se forem bonitas, tanto melhor. Sucede que mais importante que isso é que saibam ao que vão, que estejam por vontade própria, despojadas de interesses. O que não é, seguramente, o caso desta jovem...

* não imaginam a trabalheira que foi descobrir uma foto em que a senhora aparecesse com mais que uma peça de roupa...

Febre alta

Veio a lume o facto de haver alguma polémica sobre as despesas de deslocação do Bastonário da Ordem dos Médicos, nas suas viagens a Madrid.

Parece que o nosso Dr. Pedro Nunes é (ou foi, em acumulação) conselheiro de um seguradora espanhola. O púdico doutor veio já falar de "difamação" e, diz-se na televisão, terá passado um cheque em branco para devolver tudo o que (e diz que, a ser algo, é pouco) tenha recebido por "erro".

Até aqui, tudo bem! Sinto até algum rubor nas faces por ter duvido do honorável médico...

Mas será só isto?!... Naaaaaa....

Lendo o "Público" (o problema é que muita gente se queda pelo televisionado), sente-se a necessidade de carregar na tecla pause ou até mesmo na de rewind! Parece que o Dr. Nunes era conselheiro da AMA (a dita seguradora), onde a Ordem dos Médicos fez o seguro de responsabilidade civil dos profissionais por si tutelados! Ora, mesmo que se não prove que tal avença é uma contrapartida, manda o pudor que se separem águas!

E como um mal nunca vem só, segundo o mesmo jornal, a entidade oficial que tutela os seguros em Espanha já mandou o nosso "ofendido" devolver mais de cem mil euros de ajudas alegadamente indevidas.

Dada a origem eventual da maleita, neste caso, é melhor não ir à farmácia, Sôtor!...

O que pôde arranjar-se

Quando terminou a prestação do Eng. Sócrates na "Grande Entrevista" de ontem, fiquei com uma dúvida: bastará ser um político competente (a meu ver, é-o) e comunicar bem ou atingimos o grau mais elevado de saturação em relação aos políticos portugueses?

Vamos por partes: creio que a entrevista, no cômputo geral, correu bem a José Sócrates. Com a boa presença que o distingue, conseguiu explorar todas as falhas usualmente atribuídas a Manuela Ferreira Leite; da célebre tirada em que disse que as grandes obras públicas só dariam emprego a cabo verdianos e ucrânianos áquela outra em que falou da suspensão da democracia por seis meses, sem olvidar a alegada contradição entre a reclamação de exclusividade dos candidatos feita pelo PSD (na altura das eleições para o Parlamento Europeia e visando Edite Estrela e Elisa Ferreira) e o facto de o cabeça de lista pela Madeira ser, como sempre, Alberto João Jardim, que jamais assumiu o lugar. De permeio, nem sequer se esqueceu de "envenenar", devolvendo as acusações de "asfixia democrática" ante a exclusão das listas do nome de Passos Coelho.

Ou seja, na "finta" esteve bem.

Já quanto ao resto, procurou cavar o fosso na interpretação do papel do Estado, seja nas obras públicas, seja nas questões cívicas (divórcio e casamento homossexual), seja ainda na segurança social. A diferença parece, aqui, clara entre PS e PSD.

Todavia, continuo a perguntar-me se a dureza destes quatro anos ainda deixa disponibilidade aos portugueses para escutarem o nosso Premier... Seguramente não o ouvirão os professores, a quem o Primeiro-Ministro dirigiu um lamento pelo facto de o Governo não ter usado de maior "delicadeza" na comunicação de medidas que continua a defender...

Parece que falta um epílogo... Não se ouviu uma medida galvanizadora ou algo que nos faça crer que vamos ser um País dos mais bem sucedidos da Europa. Parece que os nosso líderes (o PSD não faz melhor, neste particular) abandonaram o ideal social e a esperança de não sermos mais os remediados da União...

Foi o que pôde arranjar-se, calculo...

Nova história com a qualidade de sempre

Campanhas e piranhas

Há muito que nos habituámos a ver as campanhas eleitorais como um lodaçal em que partidos e candidatos trocam acusações, mostram rostos conhecidos (e mentes ausentes, se nos lembrarmos de Carolina Patrocínio…) e fazem promessas que ou simples e descaradamente não cumprem, culpando o Governo de outro partido que o os tenha antecedido, ou nem sonharam cumprir, porque nunca governarão (PCP) ou porque sabotar é a sua forma de estar na vida (BE).

É, por isso, com simpatia que vejo a decisão tomada pelo PSD de acabar com os comícios, caravanas e brindes. A mais do atentado ao desenvolvimento sustentável, as canetas, sacos e aventais com que os partidos soterravam os transeuntes constituíam pura intoxicação, não acreditando eu que um só voto tenha mudado em função de uma dessas ofertas (mau fora) ou sequer que uma delas tenha servido ao seu detentor como imprescindível lembrete para o dia eleitoral.

Numa altura em que as fontes de informação excedem em muito aquelas que estavam disponíveis acerca de quinze anos (quando fui, pela primeira vez, candidato à Assembleia da República), não faz sentido complementar imagens televisivas e documentos disponíveis na Internet com uma parafernália de objectos, regra geral de qualidade lamentável.

A única dúvida que ainda paira no meu pensamento prende-se com o grau de genuinidade da decisão de acabar com os comícios. Não será uma forma encapotada de disfarçar a falta de capacidade de mobilização dos partidos portugueses?!

Bem sei que as pessoas estão mais comodistas e que podem escutar as palavras daqueles que lhes pedem o voto na televisão, na rádio ou na Internet, sem saírem do conforto do lar!... Porém, também sei que os comícios eram uma ocasião magna para escutar de fio a pavio as propostas e as ideias (estou a ser benevolente, bem sei…) das mais conhecidas personalidades da freguesia, concelho ou mesmo do País. Aliás, se fossem inúteis, fica por perceber por que é que, por exemplo, o PSD afirma não realizar comícios, mas promete sessões em auditórios! Isto se não houver daquelas jantaradas de lombo assado, em que as mesas ajudam a preencher o chão dos pavilhões…

O meu ponto é simples: bem podem os partidos portugueses propor o fim dos comícios e brindes (PSD), o fim dos cartazes gigantescos na via pública (CDS) ou dar-nos fruta sem caroços (se o PS der o Ministério da Educação à empregada de Carolina Patrocínio, como é da mais elementar justiça), pois o essencial reside na credibilidade que lhes é atribuída e na fiabilidade das suas propostas.

Fazer figura de “santinho(a)” não ajuda, enquanto os eleitores persistirem em ver a maioria dos candidatos como um cardume de piranhas à espera do seu naco de poder. E nem se diga que os eleitores é que não se interessam (que o diga a, para mim, triste subida do Bloco de Esquerda que, para vergonha pessoal, está à beira de eleger um deputado por Coimbra)… E não se tente passar a ideia de que jamais haverá mobilização de massas, nos dias de hoje; a campanha de Obama prova o contrário…

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Os Cinco

Com a rentrée, voltamos à apreciação aos cartazes eleitorais que tanta rotunda e cruzamento decoram por este país fora. O da foto acima é o mais recente cartaz do MMS, partido que ousou pegar nos actuais rostos dos cinco principais partidos políticos e mandá-los para a célebre Conchichina*. Repudiam assim aquilo a que chamam a "velha política portuguesa" e falam em "Mudar portugal". Sucede que as aspirações dos MMS'ianos ficar-se-ão pelos cartazes, uma vez que o próximo PM sairá, inevitavelmente, de entre aqueles cinco...

* Podiam ter recorrido ao dicionário, uma vez que se escreve "Cochinchina", não "Conchichina" - confirme-se aqui.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Palpites VII

Há algum tempo, perguntámos aos leitores que não se importam de "clicar" se entendiam que Jorge Jesus era o treinador ideal para o Benfica. Os resultados mostraram que 87% dos votantes (14) entendiam que sim, como eu próprio, aliás.

Embore não aprecie o estilo pessoal do senhor (se calhar porque não posso comer pastilhas elásticas...), sempre achei que, embora estudando o futebol como qualquer treinador, estariamos em presença do último intuitivo do futebol português (por oposição à escola "científica", entre outros, de Mourinho e Queiroz).
O homem transpira futebol e vive o espectáculo como ele deve ser vivido: com paixão.

Outro facto inegável é que a equipa jogo melhor do que na época passada e que as vedetas estão "na linha". A contrario, conclui-se que Quique Flores era mais um modelo de revista social e um bom argumento para os suspiros de muitas senhoras.

Porém, a derrota de ontem com o Poltava é um sinal de mortalidade e de que um campeonato "limpo" nunca está ganho à partida.

Oxalá as desgraças inevitáveis estejam reservadas para os jogos com a Briosa!

Um voto que vale a pena

Sabe o leitor que costuma tolerar a minha prosa que sou um céptico em relação à possibilidade de regeneração da classe política portuguesa e ao surgimento de uma sólida cultura cívica, em Portugal.

A minha mais recente passagem política, aliás, ainda mais me assustou, ao constatar o nascimento de uma espécie de “cientologia” política, que tudo resolve com folhas de cálculo, listagens e sem alma. Não caindo no erro de generalizar – há boa gente na política – creio que não é à toa que dou comigo aos 38 anos a devorar, com sofreguidão e religiosamente, a acidez vertida nas palavras de Vasco Pulido Valente…

Mas, por hoje, falemos de um dos bons exemplos: ao invés do que sucede noutros concelhos, em que o exercício do poder autárquico dá azo ao sectarismo mais cruel, em Penela um jovem autarca refrescou a maneira de exercer o cargo de Presidente da Câmara, reunindo competências, chamando autarquias vizinhas bem como os que, de entre os melhores, se mostraram disponíveis para colaborar, e adoptando a humildade que só assiste aos mais inteligentes como cartão de visita; falo do meu ilustre amigo Paulo Júlio.

A meu ver, a excelência do seu cunho político comprova a necessidade de ter “berço” (não enquanto sinónimo de riqueza, mas sim enquanto espelho de uma educação e de valores que se aprendem em casa), pois já enquanto líder juvenil (foi Presidente da JSD de Penela) sempre soube separar o combate político do respeito pessoal que se deve mesmo àqueles cujas ideias não sufragamos. Acresce que, em lugar de ficar à espera das migalhas da política de carreira, o Paulo completou os seus estudos e tornou-se um profissional de mão cheia, só interrompendo um promissor percurso no mundo empresarial pelo tocante amor que tem pela sua terra, Penela.

E se podia ter repousado à sombra da estima que granjeia entre os seus, bem ao contrário, optou por fazer uma obra de excelência, mudando para melhor o seu concelho. Desde logo, percebeu a importância estratégica da Cultura, oferecendo cinema e teatro aos penelenses e sessões de literatura às crianças, no auditório que inaugurou. Concomitantemente, com arrojo, soube aproveitar a oportunidade perdida por Alcobaça, atraindo um impressionante presépio que anima e divulga Penela, pelo Natal.

E poderíamos continuar a desfiar o rosário das coisas boas que fez por Penela: do fomento da prática desportiva ao incentivo a novos projectos empresariais; da divulgação da marca Penela associada aos produtos regionais à estimulação dos projectos turísticos; da reformulação da Carta Educativa à visão estratégica de planear o futuro, elaborando a Carta Social do Concelho… Em suma, o Paulo Júlio pensou, agregou e fez!

Votar no PSD em Penela, mais do que um dever cívico, deve ser um motivo de orgulho.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Gajo de Gabarito V

Sean Connery faz 79 anos, no dia de hoje.

A meu ver, falamos de um dos mais brilhantes actores de sempre do cinema.

Como esquecer a sua actuação como James Bond ou outros filmes que foram marcando sucessivas gerações?! Por mim, lembro ainda Highlander - Duelo Imortal (com uma não menos imorredoira banda sonora dos Queen), Caça ao Outubro Vermelho (a fotografia pertence a esse desempenho), O Rochedo e Descobrir Forrester, entre outros.

Que o tempo conserve este escocês, como conserva o uísque das mesmas paragens!

Regular

A velha maneira americana dar um lado romântico aos criminosos mais conhecidos...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

"Fácil de entender"

Procurando evitar melindres, não resisto a um primeiro relance sobre alguma polémica que se tem gerado em torno das listas do PSD à Assembleia da República.

Começo por alguns aspectos da lista de Coimbra, para destacar a excelência dos dois primeiros nomes. Paulo Mota Pinto e Pedro Saraiva, a mais de docentes de craveira, são personalidades que sempre viram a política como uma missão nobre que justificou que, a espaços, dessem algum do seu tempo à causa pública. Para além disso, tratamos de pessoas que jamais renegaram o Partido Social Democrata como a sua “casa ideológica”, enquanto outros, por conveniência do momento, acompanharam os momentos de oposição de uma discrição táctica ilucidativa. Em suma, falamos de duas escolhas acertadas e de pessoas que, seguramente, não vão para o Parlamento em busca de emprego ou de oportunidade de negócio.

Com o que fica dito e em consequência, sublinho ainda a injustiça de algum jornalismo pouco esclarecido que fala da presença de “filhos de seus pais” nas listas do PSD. No caso de Paulo Mota Pinto, a ressalva devia ser imediatamente feito pelos pseudo-jornalistas que procuram meter tudo no mesmo saco: sendo filho do Prof. Mota Pinto (algo de que o próprio muito se orgulhará e com toda a propriedade), o Paulo (sei que ele me perdoará a informalidade) tem um percurso intelectual, profissional e cívico (desde logo e até na Académica) que fala por si e é justo título para qualquer cargo público. O mesmo não poderei dizer de todos os demais exemplos debatidos, mas seria quase “profano” misturar o regozijo que aqui exprimo com detalhes típicos dos aparelhos partidários.

Outro dos casos quer tem feito a delícia dos jornais tem a ver com a lista de Lisboa, designadamente, no que toca à inclusão dos nomes de Helena Lopes da Costa e de António Preto, a braços com processos judiciais, e à exclusão dos nomes indicados pela Comissão Política Distrital (estão colocados do 17º lugar para baixo, sendo que o próprio colocado nesse lugar, lugar oblige, já se demarcou das críticas de quem o indicou, solidarizando-se com a Líder nacional). Começando pelo primeiro aspecto – os nomes controversos – sou, por princípio, favorável à presunção da inocência atá ao trânsito em julgado da sentença. Tal não quer, porém, dizer que os próprios não devessem ponderar se, a bem da credibilização da política, não seria benéfico fazerem uma pausa voluntária até ao esclarecimento cabal dos assuntos que os afectam e, mais do que isso, se não deveriam pensar se, ao desejarem integrar as listas, não estarão a prejudicar a votação no Partido de que gostam e em que militam. Repito: a sua inclusão é lícita e as pessoas em causa são indubitáveis militantes do PSD, sendo que respeito a decisão pessoal, apesar de não estar seguro da sua bondade intrínseca.Justificar completamente

Já o caso muda de figura se virmos os dois assuntos – os dois nomes e a exclusão dos nomes da Distrital lisboeta – pelo lado da decisão de Manuela Ferreira Leite. Neste prisma a decisão é natural e “fácil de entender” (como cantam Sónia Tavares e os The Gift): equilíbrios partidários e nada mais. Mesmo a nossa “Dama de Ferro” tem que fazer alianças; António Preto “levou-a” ao poder, há anos, em Lisboa e a actual Distrital de Lisboa, apesar de intitucionalmente leal, apoiou maioritariamente Passos Coelho. Assim, a exclusão de Passos Coelho e dos nomes da Distrital é uma opção táctica que enjeita a alternativa maquiavélica, que se traduziria em manter os “inimigos” dentro de portas para melhor os controlar. Esta leitura é, aliás, a mesma que explica a aliança não escrita com Santana Lopes, que recebe a candidatura em Lisboa e vê os seus seguidores permanecer na Assembleia da República; desta sorte, Manuela Ferreira Leite encosta a ala de Passos Coelho às cordas.

É mesmo “fácil de entender”, acreditem...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Onde pára a polícia?


Parece que há meia dúzia de dias as autoridades acordaram para o consumo de droga nos festivais de verão, tendo então apreendido avultadas quantidades de estupefacientes no Sudoeste (Zambujeira) e no Freedom Festival (Elvas). E que tal trazer até à Capital aqueles comandos da GNR? É que ao contrário dos lisboetas, aqueles dão provas de serem mais actuantes nesta matéria (contrariando muito aquela ideia de que os alentejanos são preguiçosos..!).

Passo a explicar: Numa das ruas mais emblemáticas desta cidade, Rua Augusta, vende-se droga a cada esquina, sem que alguém se maçe com isso. Há dezenas de homens com mau aspecto (facilmente identificáveis) a abordar jovens, particularmente os turistas. À luz do dia, sem medos ou preocupações, uma vez que os polícias nos seus segways parecem estar a milhas da realidade.

Numa rua por onde passa diariamente uma imensidão de turistas, a imagem que se dá do país é esta. E o problema não é de agora. Já há uns anos um grupo de amigos italianos me dizia que nunca tinha visto tal coisa numa zona nobre de uma cidade. É preocupante, é vergonhoso e é um sinal claro da incúria das autoridades. O que não se percebe, uma vez que estes marginais estão mesmo ali de baixo do nariz da polícia. Volta não volta vangloriam-se de desmantelar redes, mas apanhar os tipos que com a venda ao consumidor sustentam essas mesmas redes, é que não. Vá se lá entender.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Como combater a abstenção IV

Parece que a silly season veio mesmo para ficar... O PS então, delirou por completo. Então não é que convidaram esta moça para Mandatária da Juventude da recandidatura de José Sócrates?!! À primeira vista juventude é coisa que tem para dar e vender e atributos parecem não lhe faltar, mas na verdade a Carolina Patrocínio nunca se lhe viu uma opinião sobre actualidade, um contributo cívico ou coisa que o valha. Experimentem googlar a apresentadora de televisão e comprovem que o discurso passa sempre por filhos, tv, bikinis, casamento, praia, festas e por aí fora. Se googlarem imagens, a coisa não melhora. (Okay, depende dos pontos de vista.) Dirão alguns que uma mandatária é sempre uma mandatária, não serve para coisa alguma, nem discurso se lhe pede, só precisa de estar lá para a foto e meia dúzia de beijinhos. Sucede que Patrocínio nem para isso serve. Noticiava o DN que no dia da apresentação do programa eleitoral a menina rejeitou as chamadas aos assessores do Secretário Geral do PS e acabou por desligar o telemóvel para que não fosse incomodada na noite algarvia. Ora aí está um exemplo de responsabilidade para os mais jovens, esses que desta feita vão dar tréguas à abstenção e votar em massa no partido sexy (não o CDS...). Se eu fosse a Dr.ª Manuela começava já a tratar de garantir a Luciana Abreu...
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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Quase uma brincadeira

Ele são decisões estranhas, ele são autarcas para a prisão.
Sacos azuis e um sem número de outras destrezas prezadas pelas populações!

A minha proposta para nos safarmos da infâmia:

Vamos trocar as placas de identificação para baralhar os turistas, tapar o nariz e mergulhar estes próximos tempos para mantermos alguma sanidade mental. E mudar a cor da bandeira nacional para azul.

Eu cá vou trocar a imprensa pela Máxima, Cosmopolitan, Vogue e aprender a conjugar os sapatos com as malas. Sempre se aprende algo com utilidade

Reforço de um pequeno núcleo

Parece que Manuela Ferreira Leite recusou a indicação da distrital de Vila Real para que Pedro Passos Coelho fosse o cabeça de lista local às legislativas, receando criar cisões no grupo parlamentar laranja. 3 Julho
Hoje, passado um mês, veio rejeitar liminarmente esta possibilidade.

Ângelo Correia já veio lamentar a decisão, questionando onde está a representatividade dos social-democratas que se revêm na linha de PPC. Eu subscrevo e pergunto:

Mais vale manter intocável este núcleo palaciano do que unir todo um partido?
Preferimos ter H. Lopes da Costa e António Preto (da mala) a defender os interesses dos portugueses?

Haverá algo aqui que eu não estou a perceber ou é apenas um sintoma da silly season?

Inocente declarado

Ao recorrer da sentença que o condena a 7 anos de prisão efectiva, o ainda presidente da câmara de Oeiras deverá pretender arrastar a sua cidade até fundo dum poço que é o seu, parece-me.

São sete anos de cadeia, de choldra, a ver o mundo aos quadradinhos e a partilhar a cela com outro indivíduo que não vê uma mulher com frequência... Não é uma multa, uma pulseira ou o controlo do chip bancário para ver que $ mais vai parar à conta do sobrinho. Não é uma pena suspensa. Trata-se de uma condenação dura para crimes económicos e políticos (abuso de poder é um crime político, a meu ver). E não me parece que se tenha feito aplicar esta medida com base numa aproveitação político-mediática ou em provas inconclusivas como o visado nos tentou passar.

Isaltino Morais não tem grande coisa a perder por agora. E vai debater-se até às últimas consequências que a sua animosidade alcançar, sem considerar o bem-estar e o legado que deixa em Oeiras para os seus cidadãos. Não.

(Recordo-me hoje, mais do que nunca, da batalha travada há quatro anos por Marques Mendes para afastar das lideranças de concelhias e candidaturas dirigentes do PSD que se envolvessem em engenharias pouco claras. Recordo-me também do orgulho que tive do meu então líder, quando este retirou a confiança política a Carmona Rodrigues - que custou a câmara de Lisboa e alguns lugares apetecíveis pelos nossos boys, e numa segunda fase, também o seu lugar no partido.)

A ver vamos como ficará Oeiras depois do naufrágio do seu comandante.

Um bom homem nem sempre se vê pela grandiosidade que nos faz alcançar, mas algumas vezes pela honra que nos faz sentir.

Revolucionários e contrabandistas

Passo esta semana na tórrida Baleizão, terra da qual tenho meia costela e que conheço desde sempre.
Por aqui todos os votos são do PCP. Não por ideologia (vá-se perguntar qual é a teoria dominante deste partido...) mas por duas razões:
Baleizão é a terra da Catarina Eufémia, moça que nos seus vinte e poucos anos foi morta numa acção de reivindicação com o filho nos braços e grávida (diz-se) qual ousou pedir ao guarda um pedaço de pão.
Catarina era comunista, esta nossa mártir.

Venho a descobrir aos poucos (nas saídas da noite ao café do 'Vete' e entre uns jogos de bilhar na sociedade cultural) que a população de Baleizão tem tido ao longo das últimas três décadas histórias de contrabando e de tráfico de narcóticos (e talvez caramelos do Rosal de la Frontera, quem sabe...) histórias estas que venho a confirmar pelo número de residentes com as cinco marquinhas pretas tatuadas na mão.
Venho a magicar numa realidade algo complexa. Aqui não há comunistas, antes pessoas que estão bem do lado de fora e para quem um PREC constante vem sempre a calhar.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Pela boca morre o peixe (e o pescador...)

Nazaré, 1977

Este país já viveu da pesca e da agricultura e nesse tempo não havia assomos de vergonha por sermos grandes no sector primário, que se diz primário também porque é fundamental, porque é a base de qualquer economia. Contudo, nas últimas décadas viveu-se uma redução drástica da população nesse sector, com os portugueses a abandonarem as actividades primárias por um sem fim de motivos, sobretudo, a tosca ideia de que a modernização de um país se mede pela aposta nos investimentos em áreas ditas de ponta e não tanta na dedicação e fomento de ofícios ditos menores. Esta megalomania tem vindo a prejudicar-nos e os sucessivos governos pouco ou nada fazem para que se inverta a situação. Bem podem os pescadores fazer greve ou os agricultores juntarem-se em manifs, que o Ministério está-se bem nas tintas, conformados que estão com a ideia de que a pesca e a agricultura são os parentes pobres da economia nacional e nada por eles cumpre fazer.

No que respeita à pesca, numa recente reportagem televisiva pude ver como as gentes dela (sobre)vivem, tendo constatado um sector em declínio, onde os pescadores vendem o produto final de 36h de faina a preços miseráveis, sendo que a nós, consumidor, nos chega a preços exorbitantes. Enquanto na lota a sardinha se vendia a 80 cêntimos e, dividido o lucro, dava pouco mais que 5€ a cada um dos pescadores (alguns com 80 e muitos anos de vida), no mercado a sardinha vendia-se a 5€ e as famílias queixavam-se (e bem).

Regulação, fiscalização e reestruturação são coisas que não passam pela cabeça do Sr. Ministro que, nessa mesma reportagem surgia completamente a leste da realidade do país. Quando a jornalista o confrontou com o facto de 200 das 400 familias de pescadores da Caparica passarem fome nos dias de hoje, o Sr. Ministro insistiu em falar de fundos que por descuro nunca se chegam a ver - daí que lhe caia como uma luva a denominação de "Ministro da oportunidade perdida" que Paulo Portas lhe dedicou - e, inacreditável, teve a leviandade de sugerir que essas famílias recorressem a programas para apoio à abertura de negócios sazonais, estilo barracas de gelados e afins. Resumindo, o Sr. Ministro quer pôr gente que não tem que comer a investir..!

Igualmente chocante foi ver uma cadeia de hipermercados a reconhecer, sem qualquer pudor, que na altura dos Santos Populares comprou 150 toneladas de sardinhas a nuestros hermanos ao preço de 2 €/k porque, voilá, a Docapesca fechou nesses dias. É de facto surpreendente como estas coisas (não) funcionam neste país. Como um Ministro continua a mandar areia aos olhos dos portugueses, mostrando que desconhece por completo a situação que se vive no mar e nas lotas e menosprezando um sector que encontra neste país todas as condições naturais para poder ser uma referência a nível europeu. É vergonhoso que numa situação de crise se importem produtos de fora quando se poderia ser auto-sustentável em tanta coisa. E por fim, é ridículo que perante tamanha desgraça a única resposta eu um governo saiba dar passe por linhas de crédito.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Há Lodo em Angola


Dois membros da Lodo SAD (eu próprio e o senhor Gaspar das Colmeias-Diogo) estão de partida para uma mega reportagem a partir de Angola. Vamos reportar a partir de Luanda e do Luau uma "cidade" a 1300km da capital na fronteira com o Congo. Prometemos amplas discrições da cultura, da geografia do país e claro de tudo o acharmos pitoresco. Começamos a explorar já amanhã, até lá.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Como combater a abstenção III

Quando Manuel Alegre veio recentemente defender a possibilidade de candidaturas independentes às legislativas, confesso que foi esta a primeira imagem que se me assomou de um Governo eleito em tais condições. E vai daí, talvez nem fosse assim tão mau. Até porque eles em tempos já experimentaram pisar o campo político e, reconheça-se, é logicamente impossível ser-se mais fedorento que o actual Governo.

Actual, mas monótono

Regular

terça-feira, 28 de julho de 2009

Não cobiçarás a mulher do próximo

"[Joana Amaral Dias] deveria já ter vindo a público esclarecer tudo o que há para esclarecer (...) Não o ter feito ainda, com o avolumar de suspeitas dos últimos dias, está tornar o seu silêncio ensurdecedor"
[Editorial da edição de hoje do Diário de Notícias]

O mesmo PS que aprovou a Lei da Paridade é o mesmo PS que anda por aí a bajular as mulheres dos outros*, tal é o desespero. E bem à semelhança dos relacionamentos amorosos, um affair nem sempre corre bem, arrisca-se a ser desvendado em menos de nada e depois, depois é o filme de sempre, o traído a pedir explicações, o amante a negar que cortejou a moça, a moça a encolher-se perante tamanha vergonha.

Joana Amaral Dias já se havia aproximado da facção socialista em tempos idos, uma vez mandatária da candidatura presidencial de Mário Soares. Louçã não terá gostado e o certo é que três anos depois afastou-a da direcção do Bloco. E vai daí José Sócrates pensou que era uma óptima oportunidade para galantear a ex-deputada bloquista. Parece que levou um não, mas na lei do bom senso e da sensibilidade partidária a tentativa também é punível.

Já dizia o décimo mandamento do Velho Testamento qualquer coisa como «não cobiçarás a mulher do teu próximo», mas Sócrates parece mais dado às filosofias que à religião e moral. Não obstante, a lição serve para os dois, já que a tentação só se tornou mais irresistível porque Louçã menosprezou uma militante de calibre, tornando-a assim mais cobiçável aos olhos dos outros.


* deixo à V. consideração a inclusão neste epíteto de Miguel Vale de Almeida, defensor LGBT outrora ligado ao Bloco e hoje candidato à AR nas listas do PS ;

terça-feira, 14 de julho de 2009

A tinta que uma morte faz correr

No passado dia 25 a morte de Michael Jackson interrompeu as emissões das televisões de todo o mundo e, sem que alguém o esperasse, viveu-se de perto o desaparecimento do cantor. Nunca a morte de uma celebridade teve tamanha cobertura mediática. Nesse plano, pode até cair-se na tentação de compará-la à da princesa Diana de Gales, mas essa ocorreu há mais de uma década e aí as tecnologias ainda estavam a milhas de chegar onde chegam hoje.

Não se estranhe por isso que o súbito desaparecimento do Rei da Pop tenha tido a maior cobertura da história da internet e um impacto por todo o mundo que não é fácil de estimar. Por cá, sabe-se que Michael Jackson foi a personalidade não fictícia mais pesquisada pelos portugueses no primeiro semestre de 2009, com 84 mil cibernautas a digitar o nome do músico nos motores de busca.

Na tv, os noticiosos de todo o mundo seguiram até à exaustão as reacções de Hollywood, dos fãs e de um sem fim de personalidades - como o Presidente Obama ou até Nelson Mandela - que se pronunciaram com emoção sobre a morte do músico. Recuperaram-se do baú entrevistas com Michael Jackson que vieram ocupar horários nobre usualmente dedicados à ficção. Os canais de música dedicaram horas e horas de videoclips dos tempos áureos do cantor e as vendas dos seus discos dispararam: no Reino Unido seis deles ocupam o Top 10 de vendas e em Portugal o cenário não diverge muito, com três discos nos seis primeiros.

Sucede que, no entretanto, vem-se caindo no exagero e corre-se até o risco de ridicularizar o desaparecimento do músico com tanta notícia supérflua. As polémicas começam logo com as especulações em torno das razões da sua morte, deixadas em branco na respectiva certidão de óbito, sendo que até que a autópsia seja conclusiva, tudo se dirá. Valha-lhes a imaginação.

Inevitável foi também o tema do testamento, um mistério desvendado para desgraça de seu pai, que se viu excluído da herança. E vai daí parece que se lembrou de acautelar a vida, anunciando que vai reunir os netos e formar uma nova banda à semelhança dos Jackson 5. E claro, já cá faltavam as ex-mulheres, essas que vêm à tona sempre que uma celebridade tem um fim trágico. E lá veio uma delas revelar que o pobre Michael não era o pai de Prince e Paris. E a imprensa, sempre atenta, a dar-lhes voz.

A mesma imprensa que, incansável, deu-se ainda ao trabalho de nos revelar que a mãe do Rei da Pop foi ao cabeleireiro antes do funeral do filho, imagine-se! No entretanto disputavam-se entradas para a cerimónia fúnebre e os fãs sorteados lá abanavam os ingressos na mão com um sorriso nos lábios. O showneral, mais festa que outra coisa, teve direito a cantorias e muitos óculos escuros, um espectáculo que as nossas prezadas tv's transmitiram em directo. Tudo muito bonito. Só Mariah Carey veio pedir desculpas pela sua performance, que disse ter sido medíocre. Estávamos todos ainda a pensar nisso, darling... Do que ninguém se lembrou foi dos milhões que custou a cerimónia, milhões esses que sairão do bolso do contribuinte. Parece que a procissão ainda vai no adro...

Mas se julga que não há mais tema de conversa em torno de cantor, atente ao que se segue: numa reportagem feita pela CNN em Neverland, para o programa Larry King Live, há quem diga que pelos corredores da casa andava o fantasma do cantor. Já o "The Sun" publicou uma fotografia de um carro onde o seu dono afirma ver reflectida a imagem de Jackson. E no Brasil, circula uma foto de um tabuleiro de carne assada cujos restos formaram o seu rosto. Sim, isso mesmo, um tabuleiro de carne assada!

Enfim, parece que vale tudo. Benditos os media deste século XXI que nos trazem a informação a uma velocidade que nunca antes se pensara. O problema é que o mediatismo da coisa conduz ao exagero, ao ridículo e até à desinformação. A imprensa bebe tudo quanto jorra sobre a vida e a morte do cantor, sem pingo de critério. Falta um filtro, falta sensibilidade e falta bom senso. E assim se transforma a morte de uma estrela num folhetim sem fim à vista. Muita tinta já correu e muita tinta irá correr.

sábado, 11 de julho de 2009

As causas do nosso atraso

Numa reunião havida num órgão regional da Administração Central, para justificar o facto de, há mais de um mês, ter em sua posse um processo de interesse comum, sem que tivesse lido uma linha, antes da dita, pude ouvir um dirigente intermédio da identidade em causa proferir a seguinte pérola:

"Pois é... O tempo passa e as coisas são assim!..."

E ainda vai ter uma boa avaliação, não me admiro...

Quem sopra assim não é gago

O CoolJazzFest mantém alta a bitola!

Este ano, começámos com Joshua Redman, um saxofonista de um talento impressionante, que, com o seu trio, empolgou a assistência que, na Cidadela de Cascais, aguentou o frio que deu ares da sua graça, graças ao calor que brota da sua música e da que, não sendo da sua lavra, interpreta sempre com um cunho pessoal.

A ouvir e ler aqui e além.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Idiota e repugnante


Se Borat passava no exame com algumas reprimendas, as poucas partes engraçadas de "Bruno", o mais recente filme de Sacha Baren Cohen, perdem-se em cenas cretinas e nojentas que ofendem hetero e homossexuais, estou seguro (na sessão que vi, cinco pessoas sairam da sala... E eram 50% da sala!).

Não creiam que a minha repugnãncia tem a ver com o tema da homossexualidade; "Milk" é um bom filme e eu disse-o. É mesmo a estupidez de um filme de piada fácil e brejeira que me incomoda...

Se não sabe o que há-de fazer ao dinheiro, vá jantar fora ou dê-o aos bombeiros!

Altíssimo nível

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Abençoada alma lusa

Para quem tema que a globalização esteja a desvituar a nossa alma lusa, a "Vivenda Rodrigues", na Cela Nova (terra de "Dulsalves Dassela"), é um porto de abrigo. Estamos salvos!!!

Gajo de Gabarito IV


"No hay nada más eficaz para corromper la palabra 'honor' que ponerla en boca de un político: una ministra de Educación, un ministro de Economía, un presidente de Gobierno. Pasados, presentes o futuros, todos ellos, sean cuales fueren sus partidos e ideologías. Igualados en la misma desvergüenza."


Arturo Pérez-Reverte, in XLSemanal, 29 de Março a 4 de Abril

terça-feira, 7 de julho de 2009

Portugal 1 - Espanha 0

80 mil espanhóis a curvar-se diante de um português.
[confessem lá que não rebolaram de orgulho...]

Leituras cistercienses

Não há dúvida de que a decisão de lanchar na Benedita (concelho de Alcobaça) pode revelar-se frutuosa.

De facto, o repasto até deixou a desejar, mas a imprensa gratuita excedeu os meus mais delirantes sonhos!

Embora editado em Rio Maior, o semanário "Volta e Meia 2", títula sem rodeios "Região Alcobaça - Nazaré".

Vejamos, então, o que os conterrâneos de Dulce Alves lêem... A começar, a primeira página oferece-nos 6 anedotas e 7 anúncios. Passo a citar a segunda (sem correcção ortográfica para que possa apreciar o nível deste concorrente do Expresso):

"Cão que chupa?!
Ia Asdrubal no seu carro quando rapara numa placa.
'Cão que chupa pau a 1000m' - fica intrigado mas continua a sua viagem.
Mais à frente vê uma nova placa
- ' Cão chupa pau a 10m'.
Pára o carro e vai ver o que se passa. Ao bater a porta aparece um homem:
Asdrubal: É aqui que o cao chupa o pau?
Homem: É sim senhor.
Asdrubal: Tenho que pagar alguma coisa?
Homem: 50 euros.
Então o homem chama pelo seu cão.
Homem,: Rex, Rex anda cá...
Aparece um caniche.
Homem: Rex chupa o pau ao moço.
E Rex nada...
O homem ajoelha-se e diz para o rex:
Vê lá se aprendes... é a última vez que te ensino".

Ao longo das seis literárias páginas (que fariam corar de modéstia Miguel Sousa Tavares, Vasco Pulido Valente, António Barreto ou outra ilustre pena), podemos ainda aprender com mais 14 anedotas (20 no total), uma notícia sobre os contadores da água, uma adaptação de um conto dos irmão Grimm (a página 3 é infantil), a previsão astrológica para o signo Gémeos, alguns passatempos, 3 pensamentos subordinados ao tema "Amor" e 3 provérbios. Anúncios, com os já referidos, chegam aos 31.

Correndo o risco de habituar mal os nossos leitores, que não estão habituados a tanta qualidade e que podem passar a ler apenas o jornal sub judice, cá vai outra:

"Assaltantes
Três ladrões vão assaltar um banco.
Quando chegam à primeira caixa encontram iogurtes. Dizem uns para os outros: "Iogurtes"? Resolvem comê-los. Nasegunda caixa encontrara mais iogurtes. Muito espantados comeram-nos de novo. Na terceira caixaencontraram mais iogurtes diz um para o outro:" (estou a citar literalmente) "- Vai la´fora e vê qual é o nome deste banco para nunca mais o virmos assaltar!
- É banco... de esperma".

Havia mais e melhor, mas sossobra-me a coragem...

Quando à publicidade, também ela oferece motivos de regalo, a começar pela "Danceteria Dom Pirata", em Porto de Mós, que oferece "Noites de Kizomba", às quartas-feira, e "Ladys Nigth" (continuo a citar literalmente), presume-se que na mesma noite... Depois, por que não trajar-se a rigor na "Cindy Jovem" para depois deleitar-se com um repasto régio no "Snack-Bar/Cafetaria Franganito 2", em Alcobaça?! Contudo, a meu ver e dado o teor do periódico, a mais útil passagem publicitária tem mesmo a ver com a "Agência Funerária Alcobacense, Lda.", que anúncia um muito tranquilizador "Auto Fúnebre próprio", não vá o cliente temer o ir à boleia!...

Em suma, alcobacenses e nazarenos não podem queixar-se pois é farta a informação com a qual podem animar a sua vida cívica.

Curiosa metáfora sobre extremos

Bem representado, um enredo improvável faz pensar sobre os malefícios da civilização e o erro do isolamento. A ver...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

All that jazz...

Terminou ontem mais uma edição do Estoril Jazz, e terminou muitíssimo bem! Christian McBride (o cavalheiro da direita) com o seu quinteto deu um espectáculo pleno de boa música e de interacção com o público. Aos 37 anos e descendente de uma linhagem de baixistas, McBride já tocou com os nomes grandes do Jazz contemporâneo, sendo um dos nomes grandes do presente e do futuro do género musical.

Já na sexta-feira, o saxofonista oriundo do free jazz David Murray (à esquerda na imagem) com o seu "Black Saint Quartet" fizera vibrar uma plateia que, sem lotar totalmente o Centro de Congressos do Estoril, estava repleta de apreciadores e conhecedores (creio mesmo que, igualmente rendido, era o mais leigo dos presentes).

Cultura de qualidade, num cartaz que já merecera o nosso aplauso.

Como combater a abstenção II

Já diz o ditado que depois da tempestade vem a bonança. Em 2007 o furacão Katrina devastou a cidade de Nova Orleães e desde então o trabalho de reconstrução da cidade tem sido intenso. À frente da construção de centenas de habitações esteve a incansável Make it right Foundation, fundada por Brad Pitt. O actor mantém uma estreita relação com a cidade desde 1980, altura em que ali foi rodada Entrevista com o Vampiro e agora há quem o queira ver como Mayor da maior cidade do Louisiana. Dizem que há 13 razões para eleger Pitt. (Treze?!!!) Sortudos, hein..! Nós por cá continuamos na senda dos Isaltinos, dos Moita Flores, dos Narcisos Miranda. Não aprendemos com as Europeias. Depois queixem-se das taxas de abstenção e do desinteresse dos portugueses pela política. Pudera!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Touro de morte

Finalmente, Cristiano Ronaldo, Paula Rego, Manoel de Oliveira e Saramago têm rival na luta pela divulgação do nome pátrio além fronteiras.

De facto, ao dirigir o taurino gesto a Bernardino Soares, Manuel Pinho, impossibilitado que estava de cortar orelhas e rabo, despiu o traje de luces e deixou-se projectar para o galarim dos media internacionais. Efectivamente ("gosto de aparências", cantariam os GNR), a fazer fé da edição electrónica do "Público", a fama da faena parlamentar de Pinho já ecoa em Espanha, França, Brasil, Macau e até na Rússia (agência noticiosa da Sibéria incluída), onde os nacionais devem ter vertido uma lágrima de saudade ao recordarem a mais do que certa alma mater do gesto ministerial, Boris Ieltsin.

Convenhamos que a história nem é nova, como recorda a sibilina nota do Diogo (vulgo, Senhor Gaspar, das Colmeias); há anos, o então Premier (Cavaco Silva) luso demitira o seu Ministro do Ambiente, Carlos Borrego, após uma inenarrável anedota sobre a reciclagem de cadáveres de hemodialisados (recordando, falamos da presença de alumínio na água utilizada para o tratamento de doentes, num hospital português). Contudo, Manuel Pinho tinha obrigação acrescida de cuidar da postura, pois nos quase vinte anos que medeiam as duas situações, a mediatização da acção pública foi avassaladora e conhecida.

E nem se diga que Pinho "não era político"... Todo o "ocupante" de um cargo na política, no mundo empresarial ou no futebol sabe que, neste mediático e mediatizado século XXI, há que "ser e parecer", como de resto era exigido à cara-metade do imperador...
Sobre a adequação da demissão do autor da inusitada fosquinha já muito se escreveu e quase tudo parece de sufragar. Procuro, por isso, tirar algumas ilações paralelas: em primeiro lugar, continua a parecer surreal como um Ministro que havia liderado políticas de aplauso quase unânime (maxime no caso das energias renováveis) "desgraça" um percurso político com uma parvoíce que só a um cachopo se aturaria e, mesmo aí, sem escapar à galheta da ordem...

Depois, cimenta-se no meu espírito a ideia de que, hoje em dia, quem queira ter um lugar com alguma exposição pública, designadamente em funções de Estado, tem de vencer o preconceito e, salvo honrosas excepções, sujeitar-se à aprendizagem da "arte" de comunicar.

Em terceiro lugar, involuntariamente, Pinho roubou a Sócrates a oportunidade de ganhar um debate, que até estava a correr-lhe de feição; para o confirmar basta ver a prioridade noticiosa: o chifres ministeriais (salvo seja) sempre com honras de destaque. Se os portugueses já pareciam pouco afoites a emprestar ao Governo os seus tímpanos, a coisa parece ter entrado em espiral descendente.

Por fim, parece-me justificada a indignação dos deputados. A Assembleia da República deve ser o relicário da nossa democracia (a par com a Presidência que, no nosso sistema político, tem palavra a dizer) e é incompatível com partes gagas...Porém, escusam agora muitos dos nossos parlamentares de tentar passar por virgens vestais! Só quem nunca tenha ouvido as "bocas" que alguns vociferam e o ócio a que outros se entregam é que pode agora achar que a pureza emergiu na reacção de ontem. Convenhamos: Manuel Pinho deu barraca e muitos cavalgaram a onda.

De saída, não resisto ao sadismo: já que vai a banhos, por que não uma boa leitura?... Talvez um livro de Américo Guerreiro de Sousa...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

No princípio era a crise

acabada, depois vieram os sapatos italianos. Pelo meio, o país competitivivo em termos de custos e os inevitáveis mergulhos. Por fim a célebre troca de acusações com Paulo Rangel, em que, num aceso momento politiqueiro, publicitou uma quase esquecida marca de papas. Enquanto a blogosfera vai fervendo, cabe aqui a questão: será Pinho um ser predestinado para o disparate?

Despromovido com justa causa!

MUDE



Lisboa ganhou um espaço muito interessante com a abertura do novo museu do design e da moda. A colecção permanente é bastante diversificada e a exposição sobre cartazes políticos é uma delícia para quem gosta da temática.

Uma nota final para o edifício, é fantástico o contraste entre as peças do museu e o estado em bruto das instalações. Ainda que a situação seja temporária esta particularidade diferencia o museu pela positiva.

Cegos somos nós!

Se na semana transacta disse que ambos os partidos portugueses de governo (PSD e PS) tinham culpas no cartório quanto à miserável aposta na Cultura (nas excepções conhecidas conto apenas os consulados de Pedro Santana Lopes e Manuel Maria Carrilho, mercê das personalidades fortes em apreço), dou comigo a ser repetitivo no que à Justiça concerne.

Vem isto a propósito de uma alocução radiofónica do prestigiado jornalista Nicolau Santos, que ontem ouvi comentar a celeridade e exemplaridade da condenação de Bernard Madoff (a pena é de suaves 150 anos…). Mencionava Nicolau Santos que a acusação do financeiro - que lesara milhares de pessoas e instituições com um esquema piramidal, em que o investidor era remunerado apenas com base no dinheiro de novas entradas de capital e não com qualquer lucro averbado por esta Dona Branca galáctica (era uma questão de tempo até dar asneira, como deu) – tinha meia dúzia de páginas e fora célere (pouco mais de seis meses, sublinho).

Deste ponto partia o jornalista e parto eu para uma comparação óbvia com o sistema judicial português! Dirão os nossos mais ilustres penalistas que o nosso sistema dá mais garantias a quem se senta no banco dos réus, que é mais ressocializador e uma data de frases de inquestionável elegância jurídica, mas de cada vez mais abissal esquizofrenia social… As siglas e nomes que entretém jornalistas e cidadãos são mais do que muitas: aeroporto de Macau, BPN, BPP, Bragaparques, Herdade da Vagem Fresca, Freeport, Apito Dourado e por aí fora…

A diferença para os EUA é que os únicos processos que os portugueses têm a sensação de ser rápidos, em Portugal, são aqueles em que, regra geral, a opinião pública não aplaude o veredicto ou não sabe o que pensar sobre o mesmo: falamos da condenação da mãe de Joana (e respectivas suspeitas de agressão policial) e das tutelas das pequenas Esmeralda Porto (retirada aos pais afectivos e entregue ao pai biológico) e Alexandra (devolvida com a mãe a uma Rússia que desconhecia, até no idioma).

Nem se tente dizer, advirto, que cedo ao argumento populista ao mencionar a relação entre a aprovação popular e o funcionamento da Justiça, pois se esta não deve vogar segundo o desejo de acerto de contas das massas, também o Direito feito não pode dissociar-se da consciência ético-jurídica de cada época. E é aqui que cravo os dois pés no chão e não cedo: os crimes financeiros e/ou relacionados com agentes políticos são mais valorizados negativamente nos dias de hoje e, tanto quanto pode saber-se, são mais frequentes, o que exigiria mão firme e lesta!

Mas nada disso!... Por cá continuamos na modorra das arguições sem fim, da naftalina dos processos com dezenas de volumes e milhares de páginas, do oportunismo político de quem não têm nódoas recentes, do vampirismo jornalístico… Enfim, da impunidade ditada, na pior das hipóteses, pela prescrição.

Cegos continuam os políticos que não vêem a noite cair sobre a Democracia e os cidadãos que, iludidos pelo que podem comprar, não regurgitam tudo isto!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Ligações Perigosas

Um bom exercício sobre o 4º poder.

Coco Avant Chanel

Uma história interessante com uma interpretação que não desilude.

Qualidade

No Berço da Nação com o Rei (ninho)

Para um seguidor incondicional como eu foi grande a expectativa que me levou a num "solo" de condução ir de Coimbra a Guimarães para ver o Rei... Ninho.

A mais da admiração que tenho por um cantor incontornável da pop portuguesa, movia-me a vontade de ver e ouvir ao vivo e na íntegra (julgava eu) o seu álbum de estreia, sem a escolta policial do costume (leia-se, os GNR).

E eis que pude assistir a um espectáculo que soube a pouco; o cantor haveria de explicar a limitação a cerca de 75 minutos de cantoria face à curta extensão do repertório próprio. Talvez por isso recuperou temas como "Spanish Bombs" dos Clash, "Anarchy in the UK" dos Sex Pistols, "Space Oddity" de David Bowie, "Sympathy for the Devil" dos Rolling Stones, "Riders on the Storm" dos Doors e "Heartbreak Hotel" de Elvis Presley, lembrando o interessante espectáculo a que assisti no São Luiz.

Do que a "Companhia das Índias" diz respeito, fica o regalo de escutar "Morremos a Rir" em dose dupla, "Dr. Optimista" e "Laika Virgem", mas faltaram à chamada "Lados B" e "Turbina e Moça" (a menos que a ascese me tenha toldado os tímpanos, o que não creio...).

De uma ou de outra forma, valeu a pena, pois a voz de Reininho está "limpa", como há muito não estava, e a sua actuação é sempre de um mimetismo cativante.

Palavra final para o Centro Cultural Vila Flor (que desconhecia): magníficas e modernas instalações, bem enquadradas na envolvente apalaçada e com boa organização, como demonstra a excelente folha de sala (com texto de João Gobern, no verso), que aqui se reproduz .