segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Os Cinco

Com a rentrée, voltamos à apreciação aos cartazes eleitorais que tanta rotunda e cruzamento decoram por este país fora. O da foto acima é o mais recente cartaz do MMS, partido que ousou pegar nos actuais rostos dos cinco principais partidos políticos e mandá-los para a célebre Conchichina*. Repudiam assim aquilo a que chamam a "velha política portuguesa" e falam em "Mudar portugal". Sucede que as aspirações dos MMS'ianos ficar-se-ão pelos cartazes, uma vez que o próximo PM sairá, inevitavelmente, de entre aqueles cinco...

* Podiam ter recorrido ao dicionário, uma vez que se escreve "Cochinchina", não "Conchichina" - confirme-se aqui.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Palpites VII

Há algum tempo, perguntámos aos leitores que não se importam de "clicar" se entendiam que Jorge Jesus era o treinador ideal para o Benfica. Os resultados mostraram que 87% dos votantes (14) entendiam que sim, como eu próprio, aliás.

Embore não aprecie o estilo pessoal do senhor (se calhar porque não posso comer pastilhas elásticas...), sempre achei que, embora estudando o futebol como qualquer treinador, estariamos em presença do último intuitivo do futebol português (por oposição à escola "científica", entre outros, de Mourinho e Queiroz).
O homem transpira futebol e vive o espectáculo como ele deve ser vivido: com paixão.

Outro facto inegável é que a equipa jogo melhor do que na época passada e que as vedetas estão "na linha". A contrario, conclui-se que Quique Flores era mais um modelo de revista social e um bom argumento para os suspiros de muitas senhoras.

Porém, a derrota de ontem com o Poltava é um sinal de mortalidade e de que um campeonato "limpo" nunca está ganho à partida.

Oxalá as desgraças inevitáveis estejam reservadas para os jogos com a Briosa!

Um voto que vale a pena

Sabe o leitor que costuma tolerar a minha prosa que sou um céptico em relação à possibilidade de regeneração da classe política portuguesa e ao surgimento de uma sólida cultura cívica, em Portugal.

A minha mais recente passagem política, aliás, ainda mais me assustou, ao constatar o nascimento de uma espécie de “cientologia” política, que tudo resolve com folhas de cálculo, listagens e sem alma. Não caindo no erro de generalizar – há boa gente na política – creio que não é à toa que dou comigo aos 38 anos a devorar, com sofreguidão e religiosamente, a acidez vertida nas palavras de Vasco Pulido Valente…

Mas, por hoje, falemos de um dos bons exemplos: ao invés do que sucede noutros concelhos, em que o exercício do poder autárquico dá azo ao sectarismo mais cruel, em Penela um jovem autarca refrescou a maneira de exercer o cargo de Presidente da Câmara, reunindo competências, chamando autarquias vizinhas bem como os que, de entre os melhores, se mostraram disponíveis para colaborar, e adoptando a humildade que só assiste aos mais inteligentes como cartão de visita; falo do meu ilustre amigo Paulo Júlio.

A meu ver, a excelência do seu cunho político comprova a necessidade de ter “berço” (não enquanto sinónimo de riqueza, mas sim enquanto espelho de uma educação e de valores que se aprendem em casa), pois já enquanto líder juvenil (foi Presidente da JSD de Penela) sempre soube separar o combate político do respeito pessoal que se deve mesmo àqueles cujas ideias não sufragamos. Acresce que, em lugar de ficar à espera das migalhas da política de carreira, o Paulo completou os seus estudos e tornou-se um profissional de mão cheia, só interrompendo um promissor percurso no mundo empresarial pelo tocante amor que tem pela sua terra, Penela.

E se podia ter repousado à sombra da estima que granjeia entre os seus, bem ao contrário, optou por fazer uma obra de excelência, mudando para melhor o seu concelho. Desde logo, percebeu a importância estratégica da Cultura, oferecendo cinema e teatro aos penelenses e sessões de literatura às crianças, no auditório que inaugurou. Concomitantemente, com arrojo, soube aproveitar a oportunidade perdida por Alcobaça, atraindo um impressionante presépio que anima e divulga Penela, pelo Natal.

E poderíamos continuar a desfiar o rosário das coisas boas que fez por Penela: do fomento da prática desportiva ao incentivo a novos projectos empresariais; da divulgação da marca Penela associada aos produtos regionais à estimulação dos projectos turísticos; da reformulação da Carta Educativa à visão estratégica de planear o futuro, elaborando a Carta Social do Concelho… Em suma, o Paulo Júlio pensou, agregou e fez!

Votar no PSD em Penela, mais do que um dever cívico, deve ser um motivo de orgulho.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Gajo de Gabarito V

Sean Connery faz 79 anos, no dia de hoje.

A meu ver, falamos de um dos mais brilhantes actores de sempre do cinema.

Como esquecer a sua actuação como James Bond ou outros filmes que foram marcando sucessivas gerações?! Por mim, lembro ainda Highlander - Duelo Imortal (com uma não menos imorredoira banda sonora dos Queen), Caça ao Outubro Vermelho (a fotografia pertence a esse desempenho), O Rochedo e Descobrir Forrester, entre outros.

Que o tempo conserve este escocês, como conserva o uísque das mesmas paragens!

Regular

A velha maneira americana dar um lado romântico aos criminosos mais conhecidos...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

"Fácil de entender"

Procurando evitar melindres, não resisto a um primeiro relance sobre alguma polémica que se tem gerado em torno das listas do PSD à Assembleia da República.

Começo por alguns aspectos da lista de Coimbra, para destacar a excelência dos dois primeiros nomes. Paulo Mota Pinto e Pedro Saraiva, a mais de docentes de craveira, são personalidades que sempre viram a política como uma missão nobre que justificou que, a espaços, dessem algum do seu tempo à causa pública. Para além disso, tratamos de pessoas que jamais renegaram o Partido Social Democrata como a sua “casa ideológica”, enquanto outros, por conveniência do momento, acompanharam os momentos de oposição de uma discrição táctica ilucidativa. Em suma, falamos de duas escolhas acertadas e de pessoas que, seguramente, não vão para o Parlamento em busca de emprego ou de oportunidade de negócio.

Com o que fica dito e em consequência, sublinho ainda a injustiça de algum jornalismo pouco esclarecido que fala da presença de “filhos de seus pais” nas listas do PSD. No caso de Paulo Mota Pinto, a ressalva devia ser imediatamente feito pelos pseudo-jornalistas que procuram meter tudo no mesmo saco: sendo filho do Prof. Mota Pinto (algo de que o próprio muito se orgulhará e com toda a propriedade), o Paulo (sei que ele me perdoará a informalidade) tem um percurso intelectual, profissional e cívico (desde logo e até na Académica) que fala por si e é justo título para qualquer cargo público. O mesmo não poderei dizer de todos os demais exemplos debatidos, mas seria quase “profano” misturar o regozijo que aqui exprimo com detalhes típicos dos aparelhos partidários.

Outro dos casos quer tem feito a delícia dos jornais tem a ver com a lista de Lisboa, designadamente, no que toca à inclusão dos nomes de Helena Lopes da Costa e de António Preto, a braços com processos judiciais, e à exclusão dos nomes indicados pela Comissão Política Distrital (estão colocados do 17º lugar para baixo, sendo que o próprio colocado nesse lugar, lugar oblige, já se demarcou das críticas de quem o indicou, solidarizando-se com a Líder nacional). Começando pelo primeiro aspecto – os nomes controversos – sou, por princípio, favorável à presunção da inocência atá ao trânsito em julgado da sentença. Tal não quer, porém, dizer que os próprios não devessem ponderar se, a bem da credibilização da política, não seria benéfico fazerem uma pausa voluntária até ao esclarecimento cabal dos assuntos que os afectam e, mais do que isso, se não deveriam pensar se, ao desejarem integrar as listas, não estarão a prejudicar a votação no Partido de que gostam e em que militam. Repito: a sua inclusão é lícita e as pessoas em causa são indubitáveis militantes do PSD, sendo que respeito a decisão pessoal, apesar de não estar seguro da sua bondade intrínseca.Justificar completamente

Já o caso muda de figura se virmos os dois assuntos – os dois nomes e a exclusão dos nomes da Distrital lisboeta – pelo lado da decisão de Manuela Ferreira Leite. Neste prisma a decisão é natural e “fácil de entender” (como cantam Sónia Tavares e os The Gift): equilíbrios partidários e nada mais. Mesmo a nossa “Dama de Ferro” tem que fazer alianças; António Preto “levou-a” ao poder, há anos, em Lisboa e a actual Distrital de Lisboa, apesar de intitucionalmente leal, apoiou maioritariamente Passos Coelho. Assim, a exclusão de Passos Coelho e dos nomes da Distrital é uma opção táctica que enjeita a alternativa maquiavélica, que se traduziria em manter os “inimigos” dentro de portas para melhor os controlar. Esta leitura é, aliás, a mesma que explica a aliança não escrita com Santana Lopes, que recebe a candidatura em Lisboa e vê os seus seguidores permanecer na Assembleia da República; desta sorte, Manuela Ferreira Leite encosta a ala de Passos Coelho às cordas.

É mesmo “fácil de entender”, acreditem...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Onde pára a polícia?


Parece que há meia dúzia de dias as autoridades acordaram para o consumo de droga nos festivais de verão, tendo então apreendido avultadas quantidades de estupefacientes no Sudoeste (Zambujeira) e no Freedom Festival (Elvas). E que tal trazer até à Capital aqueles comandos da GNR? É que ao contrário dos lisboetas, aqueles dão provas de serem mais actuantes nesta matéria (contrariando muito aquela ideia de que os alentejanos são preguiçosos..!).

Passo a explicar: Numa das ruas mais emblemáticas desta cidade, Rua Augusta, vende-se droga a cada esquina, sem que alguém se maçe com isso. Há dezenas de homens com mau aspecto (facilmente identificáveis) a abordar jovens, particularmente os turistas. À luz do dia, sem medos ou preocupações, uma vez que os polícias nos seus segways parecem estar a milhas da realidade.

Numa rua por onde passa diariamente uma imensidão de turistas, a imagem que se dá do país é esta. E o problema não é de agora. Já há uns anos um grupo de amigos italianos me dizia que nunca tinha visto tal coisa numa zona nobre de uma cidade. É preocupante, é vergonhoso e é um sinal claro da incúria das autoridades. O que não se percebe, uma vez que estes marginais estão mesmo ali de baixo do nariz da polícia. Volta não volta vangloriam-se de desmantelar redes, mas apanhar os tipos que com a venda ao consumidor sustentam essas mesmas redes, é que não. Vá se lá entender.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Como combater a abstenção IV

Parece que a silly season veio mesmo para ficar... O PS então, delirou por completo. Então não é que convidaram esta moça para Mandatária da Juventude da recandidatura de José Sócrates?!! À primeira vista juventude é coisa que tem para dar e vender e atributos parecem não lhe faltar, mas na verdade a Carolina Patrocínio nunca se lhe viu uma opinião sobre actualidade, um contributo cívico ou coisa que o valha. Experimentem googlar a apresentadora de televisão e comprovem que o discurso passa sempre por filhos, tv, bikinis, casamento, praia, festas e por aí fora. Se googlarem imagens, a coisa não melhora. (Okay, depende dos pontos de vista.) Dirão alguns que uma mandatária é sempre uma mandatária, não serve para coisa alguma, nem discurso se lhe pede, só precisa de estar lá para a foto e meia dúzia de beijinhos. Sucede que Patrocínio nem para isso serve. Noticiava o DN que no dia da apresentação do programa eleitoral a menina rejeitou as chamadas aos assessores do Secretário Geral do PS e acabou por desligar o telemóvel para que não fosse incomodada na noite algarvia. Ora aí está um exemplo de responsabilidade para os mais jovens, esses que desta feita vão dar tréguas à abstenção e votar em massa no partido sexy (não o CDS...). Se eu fosse a Dr.ª Manuela começava já a tratar de garantir a Luciana Abreu...
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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Quase uma brincadeira

Ele são decisões estranhas, ele são autarcas para a prisão.
Sacos azuis e um sem número de outras destrezas prezadas pelas populações!

A minha proposta para nos safarmos da infâmia:

Vamos trocar as placas de identificação para baralhar os turistas, tapar o nariz e mergulhar estes próximos tempos para mantermos alguma sanidade mental. E mudar a cor da bandeira nacional para azul.

Eu cá vou trocar a imprensa pela Máxima, Cosmopolitan, Vogue e aprender a conjugar os sapatos com as malas. Sempre se aprende algo com utilidade

Reforço de um pequeno núcleo

Parece que Manuela Ferreira Leite recusou a indicação da distrital de Vila Real para que Pedro Passos Coelho fosse o cabeça de lista local às legislativas, receando criar cisões no grupo parlamentar laranja. 3 Julho
Hoje, passado um mês, veio rejeitar liminarmente esta possibilidade.

Ângelo Correia já veio lamentar a decisão, questionando onde está a representatividade dos social-democratas que se revêm na linha de PPC. Eu subscrevo e pergunto:

Mais vale manter intocável este núcleo palaciano do que unir todo um partido?
Preferimos ter H. Lopes da Costa e António Preto (da mala) a defender os interesses dos portugueses?

Haverá algo aqui que eu não estou a perceber ou é apenas um sintoma da silly season?

Inocente declarado

Ao recorrer da sentença que o condena a 7 anos de prisão efectiva, o ainda presidente da câmara de Oeiras deverá pretender arrastar a sua cidade até fundo dum poço que é o seu, parece-me.

São sete anos de cadeia, de choldra, a ver o mundo aos quadradinhos e a partilhar a cela com outro indivíduo que não vê uma mulher com frequência... Não é uma multa, uma pulseira ou o controlo do chip bancário para ver que $ mais vai parar à conta do sobrinho. Não é uma pena suspensa. Trata-se de uma condenação dura para crimes económicos e políticos (abuso de poder é um crime político, a meu ver). E não me parece que se tenha feito aplicar esta medida com base numa aproveitação político-mediática ou em provas inconclusivas como o visado nos tentou passar.

Isaltino Morais não tem grande coisa a perder por agora. E vai debater-se até às últimas consequências que a sua animosidade alcançar, sem considerar o bem-estar e o legado que deixa em Oeiras para os seus cidadãos. Não.

(Recordo-me hoje, mais do que nunca, da batalha travada há quatro anos por Marques Mendes para afastar das lideranças de concelhias e candidaturas dirigentes do PSD que se envolvessem em engenharias pouco claras. Recordo-me também do orgulho que tive do meu então líder, quando este retirou a confiança política a Carmona Rodrigues - que custou a câmara de Lisboa e alguns lugares apetecíveis pelos nossos boys, e numa segunda fase, também o seu lugar no partido.)

A ver vamos como ficará Oeiras depois do naufrágio do seu comandante.

Um bom homem nem sempre se vê pela grandiosidade que nos faz alcançar, mas algumas vezes pela honra que nos faz sentir.

Revolucionários e contrabandistas

Passo esta semana na tórrida Baleizão, terra da qual tenho meia costela e que conheço desde sempre.
Por aqui todos os votos são do PCP. Não por ideologia (vá-se perguntar qual é a teoria dominante deste partido...) mas por duas razões:
Baleizão é a terra da Catarina Eufémia, moça que nos seus vinte e poucos anos foi morta numa acção de reivindicação com o filho nos braços e grávida (diz-se) qual ousou pedir ao guarda um pedaço de pão.
Catarina era comunista, esta nossa mártir.

Venho a descobrir aos poucos (nas saídas da noite ao café do 'Vete' e entre uns jogos de bilhar na sociedade cultural) que a população de Baleizão tem tido ao longo das últimas três décadas histórias de contrabando e de tráfico de narcóticos (e talvez caramelos do Rosal de la Frontera, quem sabe...) histórias estas que venho a confirmar pelo número de residentes com as cinco marquinhas pretas tatuadas na mão.
Venho a magicar numa realidade algo complexa. Aqui não há comunistas, antes pessoas que estão bem do lado de fora e para quem um PREC constante vem sempre a calhar.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Pela boca morre o peixe (e o pescador...)

Nazaré, 1977

Este país já viveu da pesca e da agricultura e nesse tempo não havia assomos de vergonha por sermos grandes no sector primário, que se diz primário também porque é fundamental, porque é a base de qualquer economia. Contudo, nas últimas décadas viveu-se uma redução drástica da população nesse sector, com os portugueses a abandonarem as actividades primárias por um sem fim de motivos, sobretudo, a tosca ideia de que a modernização de um país se mede pela aposta nos investimentos em áreas ditas de ponta e não tanta na dedicação e fomento de ofícios ditos menores. Esta megalomania tem vindo a prejudicar-nos e os sucessivos governos pouco ou nada fazem para que se inverta a situação. Bem podem os pescadores fazer greve ou os agricultores juntarem-se em manifs, que o Ministério está-se bem nas tintas, conformados que estão com a ideia de que a pesca e a agricultura são os parentes pobres da economia nacional e nada por eles cumpre fazer.

No que respeita à pesca, numa recente reportagem televisiva pude ver como as gentes dela (sobre)vivem, tendo constatado um sector em declínio, onde os pescadores vendem o produto final de 36h de faina a preços miseráveis, sendo que a nós, consumidor, nos chega a preços exorbitantes. Enquanto na lota a sardinha se vendia a 80 cêntimos e, dividido o lucro, dava pouco mais que 5€ a cada um dos pescadores (alguns com 80 e muitos anos de vida), no mercado a sardinha vendia-se a 5€ e as famílias queixavam-se (e bem).

Regulação, fiscalização e reestruturação são coisas que não passam pela cabeça do Sr. Ministro que, nessa mesma reportagem surgia completamente a leste da realidade do país. Quando a jornalista o confrontou com o facto de 200 das 400 familias de pescadores da Caparica passarem fome nos dias de hoje, o Sr. Ministro insistiu em falar de fundos que por descuro nunca se chegam a ver - daí que lhe caia como uma luva a denominação de "Ministro da oportunidade perdida" que Paulo Portas lhe dedicou - e, inacreditável, teve a leviandade de sugerir que essas famílias recorressem a programas para apoio à abertura de negócios sazonais, estilo barracas de gelados e afins. Resumindo, o Sr. Ministro quer pôr gente que não tem que comer a investir..!

Igualmente chocante foi ver uma cadeia de hipermercados a reconhecer, sem qualquer pudor, que na altura dos Santos Populares comprou 150 toneladas de sardinhas a nuestros hermanos ao preço de 2 €/k porque, voilá, a Docapesca fechou nesses dias. É de facto surpreendente como estas coisas (não) funcionam neste país. Como um Ministro continua a mandar areia aos olhos dos portugueses, mostrando que desconhece por completo a situação que se vive no mar e nas lotas e menosprezando um sector que encontra neste país todas as condições naturais para poder ser uma referência a nível europeu. É vergonhoso que numa situação de crise se importem produtos de fora quando se poderia ser auto-sustentável em tanta coisa. E por fim, é ridículo que perante tamanha desgraça a única resposta eu um governo saiba dar passe por linhas de crédito.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Há Lodo em Angola


Dois membros da Lodo SAD (eu próprio e o senhor Gaspar das Colmeias-Diogo) estão de partida para uma mega reportagem a partir de Angola. Vamos reportar a partir de Luanda e do Luau uma "cidade" a 1300km da capital na fronteira com o Congo. Prometemos amplas discrições da cultura, da geografia do país e claro de tudo o acharmos pitoresco. Começamos a explorar já amanhã, até lá.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Como combater a abstenção III

Quando Manuel Alegre veio recentemente defender a possibilidade de candidaturas independentes às legislativas, confesso que foi esta a primeira imagem que se me assomou de um Governo eleito em tais condições. E vai daí, talvez nem fosse assim tão mau. Até porque eles em tempos já experimentaram pisar o campo político e, reconheça-se, é logicamente impossível ser-se mais fedorento que o actual Governo.

Actual, mas monótono

Regular

terça-feira, 28 de julho de 2009

Não cobiçarás a mulher do próximo

"[Joana Amaral Dias] deveria já ter vindo a público esclarecer tudo o que há para esclarecer (...) Não o ter feito ainda, com o avolumar de suspeitas dos últimos dias, está tornar o seu silêncio ensurdecedor"
[Editorial da edição de hoje do Diário de Notícias]

O mesmo PS que aprovou a Lei da Paridade é o mesmo PS que anda por aí a bajular as mulheres dos outros*, tal é o desespero. E bem à semelhança dos relacionamentos amorosos, um affair nem sempre corre bem, arrisca-se a ser desvendado em menos de nada e depois, depois é o filme de sempre, o traído a pedir explicações, o amante a negar que cortejou a moça, a moça a encolher-se perante tamanha vergonha.

Joana Amaral Dias já se havia aproximado da facção socialista em tempos idos, uma vez mandatária da candidatura presidencial de Mário Soares. Louçã não terá gostado e o certo é que três anos depois afastou-a da direcção do Bloco. E vai daí José Sócrates pensou que era uma óptima oportunidade para galantear a ex-deputada bloquista. Parece que levou um não, mas na lei do bom senso e da sensibilidade partidária a tentativa também é punível.

Já dizia o décimo mandamento do Velho Testamento qualquer coisa como «não cobiçarás a mulher do teu próximo», mas Sócrates parece mais dado às filosofias que à religião e moral. Não obstante, a lição serve para os dois, já que a tentação só se tornou mais irresistível porque Louçã menosprezou uma militante de calibre, tornando-a assim mais cobiçável aos olhos dos outros.


* deixo à V. consideração a inclusão neste epíteto de Miguel Vale de Almeida, defensor LGBT outrora ligado ao Bloco e hoje candidato à AR nas listas do PS ;

terça-feira, 14 de julho de 2009

A tinta que uma morte faz correr

No passado dia 25 a morte de Michael Jackson interrompeu as emissões das televisões de todo o mundo e, sem que alguém o esperasse, viveu-se de perto o desaparecimento do cantor. Nunca a morte de uma celebridade teve tamanha cobertura mediática. Nesse plano, pode até cair-se na tentação de compará-la à da princesa Diana de Gales, mas essa ocorreu há mais de uma década e aí as tecnologias ainda estavam a milhas de chegar onde chegam hoje.

Não se estranhe por isso que o súbito desaparecimento do Rei da Pop tenha tido a maior cobertura da história da internet e um impacto por todo o mundo que não é fácil de estimar. Por cá, sabe-se que Michael Jackson foi a personalidade não fictícia mais pesquisada pelos portugueses no primeiro semestre de 2009, com 84 mil cibernautas a digitar o nome do músico nos motores de busca.

Na tv, os noticiosos de todo o mundo seguiram até à exaustão as reacções de Hollywood, dos fãs e de um sem fim de personalidades - como o Presidente Obama ou até Nelson Mandela - que se pronunciaram com emoção sobre a morte do músico. Recuperaram-se do baú entrevistas com Michael Jackson que vieram ocupar horários nobre usualmente dedicados à ficção. Os canais de música dedicaram horas e horas de videoclips dos tempos áureos do cantor e as vendas dos seus discos dispararam: no Reino Unido seis deles ocupam o Top 10 de vendas e em Portugal o cenário não diverge muito, com três discos nos seis primeiros.

Sucede que, no entretanto, vem-se caindo no exagero e corre-se até o risco de ridicularizar o desaparecimento do músico com tanta notícia supérflua. As polémicas começam logo com as especulações em torno das razões da sua morte, deixadas em branco na respectiva certidão de óbito, sendo que até que a autópsia seja conclusiva, tudo se dirá. Valha-lhes a imaginação.

Inevitável foi também o tema do testamento, um mistério desvendado para desgraça de seu pai, que se viu excluído da herança. E vai daí parece que se lembrou de acautelar a vida, anunciando que vai reunir os netos e formar uma nova banda à semelhança dos Jackson 5. E claro, já cá faltavam as ex-mulheres, essas que vêm à tona sempre que uma celebridade tem um fim trágico. E lá veio uma delas revelar que o pobre Michael não era o pai de Prince e Paris. E a imprensa, sempre atenta, a dar-lhes voz.

A mesma imprensa que, incansável, deu-se ainda ao trabalho de nos revelar que a mãe do Rei da Pop foi ao cabeleireiro antes do funeral do filho, imagine-se! No entretanto disputavam-se entradas para a cerimónia fúnebre e os fãs sorteados lá abanavam os ingressos na mão com um sorriso nos lábios. O showneral, mais festa que outra coisa, teve direito a cantorias e muitos óculos escuros, um espectáculo que as nossas prezadas tv's transmitiram em directo. Tudo muito bonito. Só Mariah Carey veio pedir desculpas pela sua performance, que disse ter sido medíocre. Estávamos todos ainda a pensar nisso, darling... Do que ninguém se lembrou foi dos milhões que custou a cerimónia, milhões esses que sairão do bolso do contribuinte. Parece que a procissão ainda vai no adro...

Mas se julga que não há mais tema de conversa em torno de cantor, atente ao que se segue: numa reportagem feita pela CNN em Neverland, para o programa Larry King Live, há quem diga que pelos corredores da casa andava o fantasma do cantor. Já o "The Sun" publicou uma fotografia de um carro onde o seu dono afirma ver reflectida a imagem de Jackson. E no Brasil, circula uma foto de um tabuleiro de carne assada cujos restos formaram o seu rosto. Sim, isso mesmo, um tabuleiro de carne assada!

Enfim, parece que vale tudo. Benditos os media deste século XXI que nos trazem a informação a uma velocidade que nunca antes se pensara. O problema é que o mediatismo da coisa conduz ao exagero, ao ridículo e até à desinformação. A imprensa bebe tudo quanto jorra sobre a vida e a morte do cantor, sem pingo de critério. Falta um filtro, falta sensibilidade e falta bom senso. E assim se transforma a morte de uma estrela num folhetim sem fim à vista. Muita tinta já correu e muita tinta irá correr.

sábado, 11 de julho de 2009

As causas do nosso atraso

Numa reunião havida num órgão regional da Administração Central, para justificar o facto de, há mais de um mês, ter em sua posse um processo de interesse comum, sem que tivesse lido uma linha, antes da dita, pude ouvir um dirigente intermédio da identidade em causa proferir a seguinte pérola:

"Pois é... O tempo passa e as coisas são assim!..."

E ainda vai ter uma boa avaliação, não me admiro...