sábado, 9 de maio de 2009

Lodo, SAD nas Conferências do Estoril II


[Diogo, João Morgado e Prof. Aranda da Silva]




[Dulce e Maria João, ao intervalo]



[ João Pedro e o Abade de Priscos]


[Gonçalo num frente-a-frente com o osso duro de roer (leia-se: Prof. Tariq Ramadan)]



[Gonçalo vs. Sir Tony Blair]

Uma Nota sobre Manuel Aranda da Silva

Manuel Aranda da Silva é um homem com um percurso notável que por si só justificaria a minha admiração. Depois ter desempenhado funções como ministro do comércio no governo de Moçambique (nos anos 80), ingressou numa carreira nas Nações Unidas onde leva já um longo percurso associado à coordenação da ajuda humanitária em Angola, na Somália e no Sudão e ao Programa Alimentar Mundial. Ainda assim, teve uma atitude para comigo que dificilmente esquecerei e que me faz nutrir por ele uma admiração ainda maior.

Durante o painel de sexta-feira à tarde, relacionado com os recursos energéticos, tive a oportunidade de questionar os intervenientes (entre eles Manuel Aranda da Silva), sobre o facto de as populações dos países exportadores de petróleo não beneficiarem da riqueza gerada por esta "matéria-prima", o que associei aos elevados níveis de corrupção que persistem nestes países, ao mesmo tempo que coloquei em causa a actuação dos países ocidentais face a este problema (impera na maioria das vezes o pragmatismo em detrimento da preocupação com o bem-estar destas sociedades).

Em resposta à minha questão Aranda da Silva alertou-me para não associar de forma tão linear a corrupção aos países em desenvolvimento (PED), e para a responsabilidade dos países desenvolvidos neste fenómeno. Apesar de não ignorar que os países ocidentais são em grande parte responsáveis por esta situação e simultâneamente os que mais beneficiam dela, admito que a forma como coloquei a questão deixou transparecer alguma insensibilidade relativamente a este ponto, que de algum modo é inerente a qualquer ocidental.

No final da conferência Aranda da Silva teve a gentileza de vir falar comigo, dizer-me que tinha compreendido a intenção da minha questão, mas que considerava que deveria ficar clara a quota parte de responsabilidade dos países ocidentais neste problema e o erro implícito que subsiste na associação generalizada da corrupção aos PED. Conseguiu surpreender-me ainda mais quando, com uma sinceridade da qual não consigo duvidar, referiu que saiu do governo moçambicano com pouco mais de 150 euros no bolso, numa situação bastante diferente de muitos dos seus colegas. Percebe-se porque é que Mocambique constitui hoje em dia um exemplo de governação em África, o exemplo deste homem perdurou.

Despediu-se deixando a promessa de escrever um livro sobre a temática, expondo claramente as ligações obscuras entre empresas, governantes e instituições ocidentais e a corrupção em África. Espero ansiosamente pela possibilidade de o ler.

Provavelmente não reencontrarei este notável senhor, de qualquer forma demonstro deste modo o meu profundo agradecimento pela amabilidade e o exemplo.

Aznar numa [ou duas!] frases


João Morgado: «Sou um filho cansado da Globalização.»

Diogo: «A Globalização é algo que não volta atrás.»

Dulce: «A arte de governar não consiste em dizer frequentemente "Sim", antes em saber dizer tranquilamente "Não".»

«A Globalização tem um saldo mais positivo que negativo. E isso convida-nos a aprofundar este fenómeno.»

«Acredito na aliança dos civilizados, a que repeita as regras, a tolerância, o Estado de Direito, que não utiliza terrorismo, que não coloca bombas nas torres gémeas ou em Madrid, que compartilha valores de tolerância.»

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Tony Blair numa [ou duas!] frase[s]


Dulce: « (...) a Globalização é um conceito muito mais significante e relevante. É literalmente: Mudar o Mundo.»

«Para terem uma ideia das minhas previsões sobre o Mundo, há 18 meses atrás o meu filho perguntou-me que carreira profissional o aconselhava a seguir e eu respondi: Banca."

«O séc. XX foi o século das ideologias, dos rótulos "direita e esquerda". O século XXI oscila entre a abertura e a clausura de espiríto.»

João Morgado: «Problemas globais requerem soluções e alianças globais.»

«Os vencedores não são aqueles que comentam, são aqueles que fazem.»

Diogo Gaspar: «As várias religiões seguidas no Mundo não devem ser motivo de divergência, mas sim de convergência»

«As alianças políticas devem ser feitas com aqueles com quem partilhamos valores: apoiar ou fazer alianças políticas com ditaduras [para obter supremacia] é imprudente»

Tânia Morais: «For how long do you think I´m in politics? Of course I´m not gonna answer your question...» (quando questionado sobre se haveria diferenças na forma como geriu a Grã-Bretanha se durante o seu mandato o Presidente dos EUA fosse Barack Obama e não G. W. Bush)

A conferência mais esperada do dia

Iniciar-se-á daqui a momentos a conferência com Tony Blair, o rosto do partido trabalhista britânico da última década (1997/2007) e o culminar de uma das melhores estratégias de reconstrução partidária e comunicação política que os trabalhistas orquestraram já desde a década de 70.

Apresentado por Nuno Rogeiro, estamos perante um dos homens mais influentes do Mundo, reconhecido como estrela Pop - lembre-se a interpretação de Hugh Grant em Love Actually - europeísta convicto e um optimista.

Diz que é um dos melhores oradores do Mundo, aguardemos as suas palavras.

Críticas com Pimenta*

Eloquente e entusiástico – foi assim que, no painel Recursos & Sustentabilidade, Carlos Pimenta expôs a sua intervenção. Preocupado, sobretudo, com o desperdício das energias e com o recurso à água, Pimenta arregaçou as mangas com a vontade de quem quer resgatar o globo de um mal sistémico. Criticou a falta de mobilização, sobretudo da classe política, mais preocupada, segundo diz, com autoestradas e esse tipo de «manias». Colhendo, mais que uma vez, os aplausos da assistência, assim se evidenciou com os apelos à classe política, à sociedade civil, mas também (como homem dos dias de hoje que é) com uma certa crença na faculty e no empowerement...!

*o título contou com a colaboração do co-repórter João Morgado.

Do cajú

No âmbito das Conferências do Estoril, foi ontem entregue o Prémio Bolsa de Investigação '09, cabendo o primeiro lugar ao autor do projecto «Segurança alimentar e comércio mundial - o caso da monocultura de cajú na Guiné-Bissau».
Vendo a foto acima começamos a perceber quem tira partido desta investigação...

As Conferências do Estoril e o elogio das expressões compridas


Leopoldo Guimarães: [...] relativamente aos Países em Desevolvimento (PED)...eu digo PED, mas nem concordo muito com este termo...em gosto de chamar-lhes países culturalmente mais ricos que o Ocidente, mas economicamente mais deprimidos!

Judite de Sousa: Essa expressão não é nada televisiva!

LD: Pois não, mas fica a ideia...

Stiglitz: Prognósticos só no fim do jogo


Se House (da mítica série) é tido como o melhor homem para diagnosticar doenças infecciosas, Stiglitz provou ser o melhor homem para diagnosticar as causas da Crise.

Falou da falta de ética que pautou o funcionamento dos mercados financeiros e da ingenuidade dos que caíram nas suas malhas. "There was a global market for fools, half of them were europeans", falando da comercialização internacional de títulos associados ao subprime.

Fez também referência aos antecedentes relativos às políticas da administração Bush. Medidas como a redução da carga fiscal para as classes com maiores rendimentos, algo que supostamente funcionaria como um incentivo à produtividade e empreendorismo destas pessoas, funcionou no sentido inverso. Gerou-se uma espécie de redistribuição invertida do rendimento, das classes mais baixas para as classes mais altas, levando como consequência a uma corrida desenfreada ao crédito fácil por parte do último grupo.

Não terminou sem antes enunciar aquelas que considera serem as melhores saídas para a Crise. Advogou que os estímulos estatais deveriam ser mais abrangentes e melhor estruturados, pôs em causa a redução da carga fiscal da classe média, que em época de Crise não se traduz em mais consumo, mas em mais poupança, incentivando ainda o apoio aos países em desenvolvimento que podem funcionar como motores de um novo desenvolvimento, faltando-lhes no entanto os meios.

A melhor conclusão que podemos retirar das declarações do Nobel da Economia é que parece irracional que uma Crise como a actual tenha eclodido, quando os seus sintomas eram tão claros.

por João Morgado, gentilmente dactilografado por Dulce Alves :)

É verdade, temos concorrência...


... mas é da boa!

A par da Lodo SAD, também o 31 da Armada está a fazer a cobertura - a la blogger - das Conferências do Estoril. Claro que o 31, de cuja equipa também faz parte o nosso Capitão, não é novato nestas coisas... - eu pelo menos já os conheço destas andanças, particularmente, de reportagens feitas em congressos partidários. Acresce, cumpre dizer, que dispõem de outro tipo de meios (vídeo) e de acessos aos bastidores, coisas de que aqui os cinco destacados colaboradores do Lodo não usufruem, mercê da modéstia da instituição que representamos. Também por isso, vale a pena espreitar o 31 e ver as Conferências do Estoril sob outros prismas.

Lodo, SAD nas Conferências do Estoril I

[ João Pedro Cruz, Tânia Morais e João Morgado]

[João Pedro Cruz, Tânia Morais, Diogo Nogueira Gaspar, Dulce, João Morgado]

[Tânia e Dulce]


[João Pedro, João Morgado, Gonçalo Capitão e Diogo Gaspar]

Globalização também é isto


Um chinês (Shi Yinhong), um norte-americano (Robert Hunter), um inglês (David Held), dois portugueses (Àlvaro de Vasconcelos e Judite de Sousa), um russo (Yegor Gaidar), uma indiana (Radha Kumar) e um egípcio (Samir Amin) num mesmo palco, a debater aquilo que nos aproxima e tudo quanto ainda (bem ou mal) nos separa.

Tendências

A julgar pelos pescoços dos conferencistas e oradores, a gravata lilás (as mesmas que o tio de José Sócrates usa, veja-se aqui) estão na moda. Ontem foi o nosso colaborador João Pedro e uns tantos conferencistas, hoje foi António Carrapatoso e Carlos Zorrinho que coincidiram na cor. Bonito...

Omnipres(id)ente

Não tem voz nestas Conferências, nem está fisicamente presente, mas é o personagem político que tem acompanhado todos os painéis ao longo destes dois dias. Todos falam em Barack Obama, uns com mais esperança e paixão que outros, mas todos com a certeza de que o Presidente dos EUA muito pode (e tem) a fazer na construção de uma aldeia global mais equilibrada e sustentável.

Exclusivo LODO: Soares tem apoiantes nas Conferências do Estoril





Diz com frequência o nosso Mui Digmo. Administrador que, quem dorme sonecas onde não deve está a «apoiar Mário Soares». Pois bem, por essa ordem de raciocínio e a julgar pelas fotos supra, tanto o ex-primeiro ministro russo, Yegor Gaidar, como o nosso (salvo-seja) D. Duarte Pio de Bragança apoiam, declaradamente, Soares. Fizeram-no enquanto decorria um painel por demais interessante, onde se debatia animadamente as diferentes visões sobre os desafios que a globalização oferece, razão pela qual não pudémos deixar de aqui puxar as orelhas aos dois senhores. A julgar pela prestação, não tarda nada estão são convidados para membros da Associação dos Amigos da Sesta, a par de Soares.

A «verde» Daryl Hannah

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Fernando Henrique Cardoso numa [ou duas!] frases


Tânia: "E se estavam vendendo tulipas a 15.000 florins... Ora, uma tulipa não vale tanto..." (sobriedade e à vontade na explicação da especulação financeira desde o século XVII)

João Pedro: "O que espero do próximo Presidente dos EUA é que restabeleça a atitude/respeito moral dos EUA para o mundo".

Dulce: "O coração do Capitalismo não é a fábrica, é o Banco."

Diogo: "Os EUA impuseram o Dólar que não tem ouro, mas tem tudo o resto - hegemonia política, força militar - e nós vamos nessa!"
"Neste mundo multipolar a Rússia mete cartas na mesa, a América Latina também, o Oriente Islâmico também e da Europa estamos à espera que meta qualquer coisa."

João Morgado: "A economia resolve-se na política, não por si só."

O LODO nas Conferências do Estoril


Começam hoje mesmo e o Lodo vai lá estar. A par da presença obrigatória e com certeza ofegante de dois seus colaboradores que nos últimos dois anos se dedicaram de corpo e alma à iniciativa - o Gonçalo e o Manuel -, a marca do LODO prossegue com um nortenho que propositadamente desce até à Costa do Estoril - o Senhor Enginheiro João Pedro -, com um futuro Stiglitz ainda por descobrir - o João Morgado - e dois precoces especialistas em Relações Internacionais e Ciência Política - a Tânia e o Diogo. Três dias de painéis de luxo para ouvir e reflectir, com direito a relato no Lodo tecido a cinco mãos!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Arriscar em tempo de Crise

Há dias ouvi Luís Filipe Reis, membro do Conselho Geral do Jornal Público, confirmar num programa de rádio que aquele diário ponderou, muito recentemente, pôr fim à sua edição impressa, subsistindo apenas a versão online.

Pois bem, hoje mesmo fiquei a saber que amanhã sai um novo jornal denominado tão só de «i», dirigido à classe alta (?) e a leitores exigentes - como se não os houvesse nos demais estratos sociais... Adiante. O que me faz uma certa confusão é o lançamento de mais um jornal impresso quando a tendência é particularmente negativa para os jornais em papel. Excepção aos gratuitos que proliferam..., a indústria dos jornais já não tem a procura que teve outrora, culpa das tecnologias e da crise económica.

No início do ano a consultora Deloitte dizia já que, a julgar pelas suas contas, "em 2009 cerca de uma em cada dez publicações impressas podem ser obrigadas a reduzir periocidade, terminá-la ou encerrar totalmente". E não tardou muito até que o francês Libération anunciasse um plano de corte de custos, e que o norte americano LA Times e o inglês Financial Times dessem conta de um número relevante de despedimentos.

Longe de mim estar a vaticinar o futuro da nova publicação. Louvo-lhes o arrojo, dado o contexto, mas parece-me que se tivessem concentrado energias e capital num modelo de comunicação mais inovador o sucesso seria mais certo. Ou talvez não.... Esperar para ver.

Louvável foi a medida de Monsieur Sarkozy, em França, onde o Estado concedeu apoios à imprensa escrita e digital através de publicação de publicidade institucional, cientes da necessidade que há em manter viva esta indústria, crucial que é o seu papel na formação da opinião pública nas sociedades democráticas.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Palminhas!

O Correio de Amanhã deste dia do trabalhador traz-nos uma notícia sobre uma curiosa greve:

"Milhares de quenianas decidiram fazer greve de sexo em protesto contra as divisões entre o primeiro-ministro, Raila Odinga, e o presidente, Mwai Kibaki, que, segundo as mulheres, estão mais preocupados com questões de protocolo e precedência do que com os problemas reais do país.
A mulher do Chefe de Governo já veio a público dizer que apoia esta greve."

Queria expressar a minha solidariedade com o Chefe de Estado queniano e com os demais cidadãos daquela potência africana que se vêem confrontados com esta súbita impotência.

Creio que esta greve pode sair cara às agitadoras que agoram sonegam um bem essencial:
  1. Como flutuará a facturação das "casas da especialidade"?
  2. Que salubridade passarão a ter certas dependências das casas?
  3. Qual o grau de consumo eléctrico por sobreaquecimento dos aparelhos de DVD?
  4. E os gastos em calicida?

Enfim, um pouco de bodybuilding nunca fez mal...

Ficção com algum interesse lúdico

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Conferências do Estoril



Resposta: Debatem a globalização, fazendo jus ao mote das Conferências do Estoril: "Desafios globais, respostas locais".

A iniciativa decorre já na próxima semana e o Lodo vai marcar presença, prometendo-se desde já uma espécie de reportagem, procurando verter aqui o sumo que por ali se vai espremer.

O Estoril pretende afirmar-se como pólo internacional de reflexão sobre os desafios da globalização e, nesse sentido, traz até Portugal um luxuoso painel de oradores na sua 1ª edição, cuja monitorização e organização conta - cumpre aqui dizer - com o imensurável empenho de dois dos nossos colaboradores.

sábado, 25 de abril de 2009

De Cláudio a Nero, melodiosamente

Assinante incurável que sou das temporadas líricas do São Carlos, tive no passado dia 21 um momento de excepcional conteúdo lúdico.

Com composição de George Friedrich Händel e libreto de Vincenzo Grimani, Agrippina mistura história e ficção com os deliciosos sons do período barroco (aquele cravo...). As vozes estiveram, também elas e na opinião de um apreciador sem pretensões de ser perito, à altura.

Desta vez, houve um extra de destacar, a provar que os portugueses podem fazer Cultura de qualidade sem serem incompreensíveis ou grosseiros: "O Velório de Cláudio ou A Representação Bufa de Personagens Históricas”, uma encomenda do TNSC ao compositor Nuno Côrte-Real, com libreto de José Luis Peixoto, na melhor tradição da ópera bufa, pese embora com a "originalidade" de se tratar de um intermezzo colocado no ínicio do espectáculo por razões técnicas.

Perdoo, assim, ao Director Artístico do São Carlos, Christoph Dammann, o mau gosto de ter voltado a chamar Karoline Gruber para encenar "Salome" (a ópera anterior), depois da horrível experiência de "Das Märchen" de Emmanuel Nunes, sobre a qual tenho a dizer exactamente o contrário do que disse da obra de Nuno Côrte-Real, que era agresiva e incompreensível.

O que já não esqueço é a crítica de Jorge Calado no "Expresso"... O crítico mais teria a ganhar em fazer jus ao apelido e meter a viola ao saco. Se o vómito tivesse tradução ortográfica satisfatória, seria isso que Calado faria, tal a maneira como asperge bílis sobre a apresentação em causa. Sendo que a opinião é livre, a arrogância, a intolerância e até a grosseria com que escreve é a razão pela qual certas formas de manifestação cultural se encontram longe da democratização. Querendo dar nas vistas e justificar o espaço no semanário, Calado escreve como se cada espectador tivesse que ser um melómano. Lamentável...

Voz Kent em noite amena

Por sugestão alheia (a culpada que se acuse) fui até às Caldas da Rainha, na passada quinta-feira, para ouvir jazz pela voz de Stacey Kent e do quateto que a acompanha, onde pontifica o saxofonista Jim Tomlinson, seu marido.

Visando apresentar o seu último álbum, "Breakfast on the Morning Tram", Stacey conta com a preciosa inspiração de Tomlinson e do renomado escritor Kazuo Ishiguro.

Depois foi só reclinar-me numa das confortáveis poltronas do auditório e ouvir originais, apontamentos da chanson e alguns êxitos da bossa nova.

A repetir.

Cheeseburger

Realmente, em tempo de crise a imaginação dos centros comerciais não pára de surpreender as almas menos endinheiradas!...

Neste caso, em Oeiras, basta que compre o seu hamburger, pois o sabor a queijo é-lhe dado por um dos demais utentes (atente no espaço debaixo da cadeira...), numa versão foodshare, que replica sem vergonha a ideia galpshare...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Encontros caninos

Pois é... Nessa localidade que já deu ao mundo nomes ilustres como Dulsalves Dassela (aka Dulce Alves, da Cela) há um programa original para os seus sábados!

Tipo esquema de "acompanhantes", combina uma hora e pode tosquiar o seu canídeo.

Mas note bem: tem que combinar hora e só pode ser ao sábado! Fora destas condições, desenrasque-se!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Estupidez decotada

Uma das mais recentes risotas da vida pública nacional tem a ver com as normas de conduta relativas ao vestuário das funcionárias da nova Loja do Cidadão de Faro, que foram diligentemente expendidas por algum(a) inábil mas diligente serviçal, numa acção de formação especialmente agendada para tão inaudita mostra de falta de bom senso.

Segundo o que pode ler-se, as proibições abrangiam decotes exagerados, saias curtas, perfumes agressivos, peças em ganga, saltos altos e roupa interior escura…

Porém, para que não me interpretem mal, vamos por partes: obviamente que, defendendo eu que haja regras, também advogo que haja bom senso na sua formulação.

Seria ridículo, se uma funcionária se apresentasse de blusa escura ou opaca, exigir uma vista prévia às intimidades da senhora, que poderiam passar, vá-se lá saber, por nem sequer ostentar resguardo (escuro ou claro), total ou parcialmente. Acresce que me parece excessivo o simples exame de transparência, no caso de uma das atrevidas servidoras públicas se fazer guarnecer de trapos exteriores claros. O mesmo digo do uso de saltos altos, que seria insano vetar, dado ser o cúmulo limitar o serviço de atendimento ao público a maiores de 1,70m ou fiscalizar o uso de sabrinas ou outro calçado raso… Talvez por isso estas duas proibições tenham sido negadas, de forma peremptória, pela Agência para a Modernização Administrativa.

Também terá sido uma ideia de jerico se, mesmo que o contingente inicial só abranja cidadãs, não se previram normas similares para os cavalheiros que ali prestem ou venham a prestar serviço; falo, por exemplo, do uso de casaco e da proibição de sapatilhas. Dito de outro modo, será um apalermado labéu contra as mulheres, se não houver razão bastante para se não proibirem palitos ao canto da boca, pelos de fora da camisa ou sovacos suados aos homens.

E claro está que a União de Sindicatos do Algarve, aproveitando para fazer uma prova de vida e justificar as quotizações que pede, aproveitou para um foguetório à conta do tema, fazendo crer que defende algo de essencial, quando faria melhor em pedir formação a sério para os funcionários.

Indo, contudo, mais fundo, mais do que uma saia ou um decote, o que está em jogo é o complexo do “é proibido proibir” que o 25 de Abril instalou no nosso malfadado espírito latino e que fez que se confundisse a defesa do bom senso com uma luta contra um fantasma de fascismo em que ninguém se reconhece.

Servem estes episódios para sindicatos, Bloco de Esquerda e algumas figuras sem pouso certo continuarem a explorar, com demagogia, o desamparo de muitos. Todavia, mesmo os que não tenho nessa conta, como é o caso de Helena Roseta, parecem ter-se deixado contaminar pela desorientação destes tempos cinzentos; basta ler o “Público” de 14 de Abril para a “ouvir” dizer que “o 25 de Abril acabou por ser também uma libertação no tocante ao vestuário”… Como?!... Exigir aprumo é ser adepto do Estado Novo?! Quererá a Sra. Arquitecta ser atendida por uma funcionária que lhe mostre a roupa interior (dado o decote) ou que mastigue pastilha elástica? Já bem basta os museus – constatei-o no Museu do Chiado – estarem na vergonhosa situação a que este Ministro os deixou chegar, tendo que socorrer-se de voluntários (gente de louvar, sublinho) a quem não dão uma farda ou um fato à altura do espaço… Que se comecem a ver calças de ganga na assistência do São Carlos, já me vou habituando, mas os seus funcionários continuam a trajar impecavelmente.

A meu ver é compatível a exigência de rigor sem cruzar a fronteira da liberdade individual. Os que pensam em contrário foram alguns dos que, se calhar, estiveram na primeira fila do facilistismo instalado no ensino e que faz com que, mais do que exigir conhecimentos, haja a preocupação de não “traumatizar”. No fundo, instala-se uma mentalidade à luz da qual exigir civismo é adorar o fascismo… Claro que a defesa de normas comportamentais ficam de rastos, quando a razoabilidade também perde roupagem, como poderá ter sucedido em Faro…

O que falhou na capital algarvia foi o bom senso de um qualquer formador, que podia ter passado a mesma mensagem de forma mais hábil, não a “desnudando” ao ponto de deixar crescer a chalaça demagógica de libertários que do caos querem fazer o seu poder.

O cinema brasileiro em alta, mesmo indo de autocarro

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Lá na terra chamam a isto «miúfa»


Faz hoje uma semana que José Sócrates fez (na companhia de Mª de Lurdes Rodrigues) um périplo pelas escolas do Norte do país, com a pompa e circunstância do costume. Pormenor: fê-lo na véspera do regresso às aulas, quando os recreios e as salas de aula ainda estavam às moscas e os miúdos a gozar o último dia de férias de Páscoa.

Mais valia ludibriar os espectadores com "fogo de vista", i.e., à semelhança de outrora, pagar uns trocos a meia dúzia de garotos com pedigree - escolhidos ao dedo em casting - para desfilar com grandes sorrisos e dar um enquadramento simpático à visita dos senhores governantes.

Desta feita, não se lhes tendo ocorrido tal ideia, revelaram ao país que o critério da agenda para os assuntos escolares é a ausência de alunos e professores, nada mais, nada menos, que os principais personagens (e vítimas) desta rocambolesca novela que é a Educação em Portugal.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Coisas que não consigo compreender


Por que é que anda tudo embevecido com este pássaro azul de seu nome Twitter (chilro, em português), que até é - reconheça-se - amoroso? Já não bastava o big brother em que vivemos, onde com a ajuda das novas tecnologias tudo se sabe sobre nós e sobre os passos que damos, e agora a vontade de expor a privacidade parte dos próprios.

O repto deste serviço é "What are you doing?" e os usuários, do indivíduo comum à celebridade, não se acanham nas respostas. Em 140 caracteres podem revelar ao mundo que estão a assoar o nariz enquanto o semáforo não cai para verde, no escritório a mandar o chefe a um determinado sítio, a lavar os dentes na casa de banho da vizinha do 3º Dt ou coisas de semelhante relevância.

E não vale a pena vir com o argumento do "até é útil na partilha de informação e na discussão de temas de interesse" porque não vejo que conteúdo possa ser debatido nuns míseros 140 caracteres.

O mais curioso é que grande parte dos twitter addicts são pessoas famosas, as mesmas que passam a vidinha a queixar-se de intromissões na sua vida privada e abusos dos paparazzi. No fundo, parece-me que não resistiram a mais um veículo condutor de dramas pessoais, paixões, emoções e sentimentos vários que sabem despertar e acicatar a curiosidade e interesse daqueles que os admiram.

Afinal de contas, todos nos queixamos da invasão que por vezes ocorre no nosso espacinho e todos suspiramos num tom saudosista pelo recato "do antigamente", mas não resistimos a dar uso a um instrumento que não tem outro propósito senão apregoar aos sete ventos aquilo que estamos a fazer a cada momento. Vá-se lá perceber...

Eu, como não compreendo, contento-me com o velhinho blogger, onde partilho com moderação aquilo que considero ser partilhável com outros (conhecidos ou nem tanto...) e onde discuto sem limites de caracteres aquilo que bem me aprouver.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Mais biografia elegantemente romanceada pelo próprio

Segunda parte com base nas memórias do próprio Che. A primeira fala de Cuba e do nascimento do mito, esta leva-nos à Bolívia e à queda do dito. Em ambos os casos a parcialidade do relato é evidente. Não deixam, todavia, de ser filmes interessantes...

domingo, 12 de abril de 2009

Viva a Coreia do Norte!

Sei que sou de matriz pessimista! Talvez por isso devore, desde os tempos de “O Independente”, as crónicas de Vasco Pulido Valente.

Porém, a mais da crise económica (com a qual já convivemos qual cônjuge a quem não temos dinheiro para comprar a sua parte da casa da morada de família; ou seja, com resignação), as notícias do dia não apelam a estado de espírito mais ufano.

De facto, pasma-se-me a alma ao ouvir que, dado o elevado índice de corrupção das autoridades administrativas, há crianças que, dotadas de documentação oficial baseada em dados falsos, são traficadas do Iraque, com legitimidade aparente, para municiar redes ilegais de pedofilia, adopção e tráfico de órgãos. Indo mais longe vemos que Portugal é um dos destino prováveis de algumas das 15 crianças que são esbulhadas da sua meninice, a cada mês que passa, a par de países como a Jordânia, a Síria, a Turquia, Irlanda, Reino Unido e Suíça…

Consultando notícias com mais dias podemos ver que, mais a Norte, Canadá, EUA, Noruega, Dinamarca e Rússia disputam já com avidez as riquezas minerais depositadas no fundo do Árctico, não escondendo a gula com que olham o degelo. Ou seja, que se danem as espécies que se vão extinguindo, os ecossistemas que se perdem, a subida do nível dos mares e todas as desgraças previsíveis. O que importa é que esta rapaziada divida já o maná que estará ao dispor, logo que se acabe com essas minudências que se chamam ursos polares ou futuro das próximas gerações.

Ao nível individual, vamos lendo sobre tiroteios em escolas e instituições públicas e ataques suicidas (no Paquistão, diga-se, a coisa banaliza-se) , por esse Mundo fora, e até sobre uma cidadã britânica, que se popularizou nos reality shows (Big Brother, creio) que decidiu vender os direitos de transmissão da sua morte (devida a um cancro), para deixar dinheiro aos filhos. Se o desiderato é nobre, o enredo de tão real novela foi macabro e não sei como se justifica o dinheiro gasto por cadeias de televisão (a SIC também exibiu um programa sobre esta via sacra), já que, mesmo falando de estações privadas, se utilizou o espectro público para difundir algo que está longe de ser pedagógico ou lúdico e que apela ao mais básico do ser humano.

Pelo meio, bancos a falir, políticos a serem acusados de corrupção ou de coisas piores (o ex-Presidente de Israel tem no rol de acusação até violação) e uma panóplia de sintomas que me fazem pensar que estamos todos doentes!...

Falam com indignação do lançamento pela Coreia do Norte de um míssil Taepodong-2?!… No limite, se isto batesse tudo certo, o protesto era adequado face à demência do regime de Pyongyang. Todavia, bem vistas as coisas, pode ser que rebentem com “isto” mais depressa, já que a forma lenta com arruinamos a Terra já pede uma qualquer forma de eutanásia.

Mãe querida, mãe querida... demais...

Ainda no "Público" de 11 de Abril, leio que um tribunal austríaco condenou a pena de multa uma mãe de 73 anos por telefonar ao seu filho (adulto).

Que os austríacos não são o cúmulo da candura todos sabemos, mas maçar uma atenciosa progenitora que tem o cuidado de saber do filho, em alguns casos, 49 (quarenta e nove) vezes ao dia?!...

Há filhos muito ingratos!

Sessões de perder o fôlego

No "Público" de ontem podia ler-se que a gestão da água será alvo de debate público entre vizinhos ibéricos.

Isto se os participantes não esgotarem o fôlego a lerem o nome que deram às sessões em que os convidam a falar sobre o assunto, que se consubstancia na pequena frase que se segue: "Jornadas Luso-Espanholas de Participação Pública sobre as Questões Significativas das Gestão da Água (QSIGA) para os Planos de Gestão de Região Hidrográfica (PGRH)"...

Diria que começa mal um debate sobre água que seca qualquer boca...

Nem sem estranha nem se entranha (vê-se)

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Candidatura sem... candidata

Estão aí à porta as autárquicas e a agitação já se faz sentir. Perfilam-se candidatos, definem-se estratégias, apresentam-se candidaturas, umas com pompa e circunstância outras sem... candidatos!

Passo a explicar: aqui para os lados do Oeste, numa autarquia por ora liderada pela social-democrata Isabel Damasceno - cuja recandidatura muita tinta tem feito correr - uma outra Isabel (Gonçalves, actual vereadora do CDS-PP) alinha-se na corrida à Câmara Municipal de Leiria, desta feita sem o pano de fundo do partido democrata-cristão.

Até aqui, nada a apontar. Sucede que a apresentação da candidatura pelo MILEI (Movimento Independente por Leiria) pelo qual vai concorrer, decorreu na passada terça-feira sem a presença da própria - segundo o Região de Leiria. Porquê? Resposta simples: "Está de férias."

O único comentário que se me oferece é o seguinte: "E tirar férias da política, não?" A julgar pela prioridade e seriedade com que encara o futuro da região e dos leirienses...

Bom espectáculo

A Grande Ópera de Kazan tem qualidade e a obra de Verdi nem se fala...

Porém, fica a nota para aquilo que penso ser a fraca acústica do "actual" Coliseu lisboeta e para a tristeza que é, ao invés do que sucede no São Carlos, assistir a uma ópera não legendada.

Como sala de espectáculos, pior só o Campo Pequeno, onde a avareza e a ganância ditaram filas onde um azarado com mais de 1,70m não se consegue sentar comodamente.

Quando ser bom é mau ou a história de uma visão para a Cultura

Confesso que gosto muito da programação cultural do Cine-Teatro de Alcobaça e faço aqui, com atraso, a homenagem devida a Gonçalves Sapinho - ilustre Edil, meu amigo e, no mínimo, homem que teve a grandeza de autorizar a dita panóplia cultural - e a Rui Morais, que prova que as juventudes partidárias não são apenas alfobres de carreiristas (acusação injusta, em grande parte), antes produzindo também actores cívicos de nível superior. Pena é que ao PSD local tenha faltado o arrojo de inovar na constituição da candidatura autárquica…

No chamado "dia dos namorados", a experiência proposta pelo CTA era rever a mítica película de Murnau - datada de 1927, marcou o início do percurso “hollywoodesco” do realizador, vencendo três Óscares, na primeira edição do galardão).

O Filme conta uma história de amor campestre, cuja subsistência é ameaçada pelas tentações da urbe (personificadas, claro está, numa mulher da cidade), compondo uma metáfora que, já desligada da dicotomia campo-cidade, ainda colhe sentido na destruição dos afectos pelo consumismo e pela ascensão do “ter” sobre o “ser”.
O que ainda tornou este serã mais aliciante (do que pode contar-se...) foi o facto de a banda sonora ser tocada ao vivo, a lembrar a memorável exibição (em 2002, creio) de "Alexandr Nevskiy" de Eisenstein, com a música de Prokofiev tocada pela Orquestra do Teatro Nacional de São Carlos.

Momentos Paulistas VII

Ainda de São Paulo trago esta memória de arte contemporânea. Trata-se de uma instalação sita no Museu de Arte Moderna, no Parque do Ibirapuera (responsabilidade do eterno Niemeyer).
Impressiona pelo jogo de reflexos que quase desequilibra o visitante. Curioso...

Biography Channel em versão maxi

segunda-feira, 6 de abril de 2009

[O nosso] Eça às voltas no túmulo...

"O aluno só deveria ser apresentado à obra de Machado de Assis, Graciliano Ramos, Eça de Queiroz, José de Alencar e outros grandes mestres da literatura brasileira depois de passar por autores mais atuais."

Custa a acreditar, mas no Brasil há um jornalista e apresentador de televisão que está convicto que o ilustre Eça de Queirós é um autor brasileiro. Corrijo, um grande mestre da literatura brasileira.

O senhor, de nome António Carlos Macedo, até podia estar com a melhor das intenções quando numa crónica no jornal "Zero Hora" recomendou aos pedagogos que no plano de leitura das crianças fossem introduzindo paulatinamente autores de grandes clássicos.

Contudo, ele próprio é que deveria começar a folhear uns livritos (já agora do ilustre Eça, porque não?) para se inteirar de quem é quem nas literaturas lusófonas...

De olhos postos... ... no Parlamento!

Não, não é inveja ao melhor estilo feminino. A sério que, enquanto cidadã e enquanto mulher, muito me apraz ver o nosso Parlamento polvilhado aqui e ali de deputadas, cada uma delas com o seu estilo próprio, sendo que aprumo e elegância só lhes fica bem (o mesmo se dirá quanto aos nossos deputados, pois claro...).

Não obstante, a coisa torna-se preocupante quando a atenção do Parlamento se concentra na beleza feminina e se escapa à medida que discursam as senhoras deputadas, como é quase inegável que acontece na foto acima.

Inegável também é que Marta Rebelo é bonita - pelo menos mais bonita que José Vera Jardim, cujo assento veio substituir na AR - sendo que a deputada já por mais de uma vez veio dizer que a sua beleza e a sua juventude têm-lhe sido prejudiciais no mundo político. A julgar pela sua ascensão, ninguém diria.

Sinceramente, esta crescente tendência de justificar um certo tipo de depreciação ao trabalho político de uma mulher pelo seu género e pelo seu físico,"não pega". Ainda que se possa reconhecer que este é um meio ainda dominado por homens e por alguns preconceitos, não creio que Marta Rebelo venha sendo menos merecedora de respeito profissional por ser uma jovem mulher bonita.

O problema de Marta reside, parece-me, com o facto de a jovem deputada não vir deixando a melhor impressão na sua incursão pela Assembleia da República. A assiduidade deixa a desejar - 36 faltas nas últimas duas sessões legislativas - e o trabalho mostrado idem idem aspas aspas. Provavelmente na foto em apreço estaria a apresentar o seu voto de congratulação pela eleição de Cristiano Ronaldo como melhor futebolista do Mundo ou a congratular-se pelos resultados da política de desenvolvimento do Governo, já que a sua intervenção parlamentar a pouco mais se resume. Junta-se a isto uma excessiva exposição pública da sua pessoa na imprensa nacional. Da Caras à capa de uma revista LGBT, de presença constante no suplemento Vidas do Correio da Manhã à produção para a Pública e às páginas centrais da Única, nada lhe parece escapar.

Enfim, o trabalho extremosamente desenvolvido com a comunicação social contrasta com a ausência de trabalho no parlamento e a deputada do PS é por isso - e não pela sua juventude e/ou beleza - frequentemente criticada pelos cidadãos mais atentos, que vão escrutinando o exercício do seu cargo. O expoente máximo disso foi o que por aí veiculou a propósito da sua opinião sobre aquele episódio das faltas dos deputados na AR numa qualquer sexta-feira, tendo então argumentado que "a questão das faltas dos deputados (...) é política com 'p' pequenino"...

Pese embora seja de reconhecer que subsistem alguns preconceitos, não vejo que uma mulher bonita não possa ser uma deputada séria, capaz e exemplar. A beleza ou a fealdade não podem nem devem servir de desculpa a um trabalho parlamentar mais ou menos fértil, a uma postura mais ou menos escrupulosa.

Veja-se o o caso de Ana Drago, Joana Amaral Dias e Ana Zita Gomes, rostos jovens e bonitos de diferentes espectros partidários que marcaram positiva presença no Parlamento, sendo que cá fora se souberam mostrar moderadas na exposição pública, embora dela não se tenham privado para fazer passar as suas mensagens.

Ou atente-se ao excelente exemplo de Teresa Caeiro, deputada pelo CDS-PP que ao longo desta legislatura vem mostrando empenho e apresentando trabalho, dignificando o papel que lhe foi confiado pelos eleitores, sem qualquer pudor por abraçar (e ganhar!) causas de pendor feminino - veja-se o papel que tem tido na luta contra a violência doméstica, a vitória da comparticipação da vacina do colo do útero e a causa das medidas de apoio a casais inférteis, entre um sem fim de outras matérias com que vem trabalhando e enaltecendo o papel de deputada à AR.

Em suma, que não se duvide em momento algum que há muito a ganhar com a presença feminina naquele órgão de soberania, sendo que é possível que se captem as atenções dos portugueses e dos demais deputados pelo conteúdo da intervenção, pela honra e respeito com que se abraça aquele cargo e não tanto pelo tamanho e corte da saia que se traja.
* foto de Orlando Almeida

domingo, 5 de abril de 2009

Fazer da morte um espectáculo


Foi ontem a enterrar Jade Goody, a britânica que esteve nas bocas do mundo por ter vendido a órgãos de comunicação social os direitos de transmissão dos últimos dias da sua vida, em plena luta contra um cancro.

E foi precisamente ontem que a SIC exibiu as imagens que resultaram desse negócio que Jade garantiu ter sido celebrado para poder garantir o futuro dos seus filhos.

Por mero acaso, mercê de um zapping, dei de caras com o programa (adormeci, felizmente, ao intervalo...), no qual vi uma mulher doente a sorrir disparatadamente para as câmaras, a impingir sessões fotográficas aos filhos, a dissertar sobre a orientação sexual da mãe, a mentir aos pequenos sobre o paradeiro do companheiro, a garantir que venceria o cancro (mesmo quando já sabia que era fatal) porque "o Mundo precisa de Jade Goody".

Tudo aquilo me pareceu um espectáculo deprimente, cujo consumo só nos pode tornar desumanos. Não pude, pelo exposto, simpatizar com a senhora. Não posso, por tudo o resto, deixar de me enojar pela mórbida mediatização da sua doença e da sua morte. Por muito que me tentem convencer de que aqui os fins justificam os meios...

Aliás, toda a história de vida da senhora é deprimente. Vivia apenas e só da sua exposição mediática, à sombra de Big Brothers, tendo-se revelado xenófoba, pouco dada à inteligência, insolente e exibicionista. E não se bastando com isso, mediatiza a sua doença, a sua dor, a sua luta, os seus últimos dias em troca de uns trocos para os tablóides sensacionalistas que levam pelo mundo foram imagens da mulher que, vá-se lá entender, casava às portas da morte com um moço detido por crime e aumentava a sua presença mediática à medida que o cancro a fulminava.

Já não bastava isto e acresce que, à boleia destas celebridades toscas e foscas há políticos que aproveitam para agradar à populaça, como o fez Gordon Brown, enaltecendo a nobreza de Jade e condicionando o funeral desta por razões de agenda.

Pior, a tal nobreza da jovem concedeu-lhe o cognome de "nova princesa do povo", uma usurpação pela qual os britânicos deveriam ter vergonha.

Por tudo o exposto e por mais que tente, não consigo compreender esta fixação do Mundo - e em especial da Grã-Bretanha - pela vida e pela morte de Jane Goody, que eu julgava - chamem-me insensível - que a qualquer um dos nós só poderia inspirar dó...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Baixo custo, alto desempenho

Se gosta de Mickey Rourke, é para ver.

Deu-lhe para isto...

Depois de Million Dollar Baby, Eastwood volta, com enquadramento diverso (desta vez temos o racismo e a delinquência étnica) a mostrar um velho empedernido que se suaviza e que, afinal, tem sentimentos... Não lhe faz mal à vista, mas não é essencial.

Filosófico em demasia para o género