quinta-feira, 7 de maio de 2009

O LODO nas Conferências do Estoril


Começam hoje mesmo e o Lodo vai lá estar. A par da presença obrigatória e com certeza ofegante de dois seus colaboradores que nos últimos dois anos se dedicaram de corpo e alma à iniciativa - o Gonçalo e o Manuel -, a marca do LODO prossegue com um nortenho que propositadamente desce até à Costa do Estoril - o Senhor Enginheiro João Pedro -, com um futuro Stiglitz ainda por descobrir - o João Morgado - e dois precoces especialistas em Relações Internacionais e Ciência Política - a Tânia e o Diogo. Três dias de painéis de luxo para ouvir e reflectir, com direito a relato no Lodo tecido a cinco mãos!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Arriscar em tempo de Crise

Há dias ouvi Luís Filipe Reis, membro do Conselho Geral do Jornal Público, confirmar num programa de rádio que aquele diário ponderou, muito recentemente, pôr fim à sua edição impressa, subsistindo apenas a versão online.

Pois bem, hoje mesmo fiquei a saber que amanhã sai um novo jornal denominado tão só de «i», dirigido à classe alta (?) e a leitores exigentes - como se não os houvesse nos demais estratos sociais... Adiante. O que me faz uma certa confusão é o lançamento de mais um jornal impresso quando a tendência é particularmente negativa para os jornais em papel. Excepção aos gratuitos que proliferam..., a indústria dos jornais já não tem a procura que teve outrora, culpa das tecnologias e da crise económica.

No início do ano a consultora Deloitte dizia já que, a julgar pelas suas contas, "em 2009 cerca de uma em cada dez publicações impressas podem ser obrigadas a reduzir periocidade, terminá-la ou encerrar totalmente". E não tardou muito até que o francês Libération anunciasse um plano de corte de custos, e que o norte americano LA Times e o inglês Financial Times dessem conta de um número relevante de despedimentos.

Longe de mim estar a vaticinar o futuro da nova publicação. Louvo-lhes o arrojo, dado o contexto, mas parece-me que se tivessem concentrado energias e capital num modelo de comunicação mais inovador o sucesso seria mais certo. Ou talvez não.... Esperar para ver.

Louvável foi a medida de Monsieur Sarkozy, em França, onde o Estado concedeu apoios à imprensa escrita e digital através de publicação de publicidade institucional, cientes da necessidade que há em manter viva esta indústria, crucial que é o seu papel na formação da opinião pública nas sociedades democráticas.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Palminhas!

O Correio de Amanhã deste dia do trabalhador traz-nos uma notícia sobre uma curiosa greve:

"Milhares de quenianas decidiram fazer greve de sexo em protesto contra as divisões entre o primeiro-ministro, Raila Odinga, e o presidente, Mwai Kibaki, que, segundo as mulheres, estão mais preocupados com questões de protocolo e precedência do que com os problemas reais do país.
A mulher do Chefe de Governo já veio a público dizer que apoia esta greve."

Queria expressar a minha solidariedade com o Chefe de Estado queniano e com os demais cidadãos daquela potência africana que se vêem confrontados com esta súbita impotência.

Creio que esta greve pode sair cara às agitadoras que agoram sonegam um bem essencial:
  1. Como flutuará a facturação das "casas da especialidade"?
  2. Que salubridade passarão a ter certas dependências das casas?
  3. Qual o grau de consumo eléctrico por sobreaquecimento dos aparelhos de DVD?
  4. E os gastos em calicida?

Enfim, um pouco de bodybuilding nunca fez mal...

Ficção com algum interesse lúdico

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Conferências do Estoril



Resposta: Debatem a globalização, fazendo jus ao mote das Conferências do Estoril: "Desafios globais, respostas locais".

A iniciativa decorre já na próxima semana e o Lodo vai marcar presença, prometendo-se desde já uma espécie de reportagem, procurando verter aqui o sumo que por ali se vai espremer.

O Estoril pretende afirmar-se como pólo internacional de reflexão sobre os desafios da globalização e, nesse sentido, traz até Portugal um luxuoso painel de oradores na sua 1ª edição, cuja monitorização e organização conta - cumpre aqui dizer - com o imensurável empenho de dois dos nossos colaboradores.

sábado, 25 de abril de 2009

De Cláudio a Nero, melodiosamente

Assinante incurável que sou das temporadas líricas do São Carlos, tive no passado dia 21 um momento de excepcional conteúdo lúdico.

Com composição de George Friedrich Händel e libreto de Vincenzo Grimani, Agrippina mistura história e ficção com os deliciosos sons do período barroco (aquele cravo...). As vozes estiveram, também elas e na opinião de um apreciador sem pretensões de ser perito, à altura.

Desta vez, houve um extra de destacar, a provar que os portugueses podem fazer Cultura de qualidade sem serem incompreensíveis ou grosseiros: "O Velório de Cláudio ou A Representação Bufa de Personagens Históricas”, uma encomenda do TNSC ao compositor Nuno Côrte-Real, com libreto de José Luis Peixoto, na melhor tradição da ópera bufa, pese embora com a "originalidade" de se tratar de um intermezzo colocado no ínicio do espectáculo por razões técnicas.

Perdoo, assim, ao Director Artístico do São Carlos, Christoph Dammann, o mau gosto de ter voltado a chamar Karoline Gruber para encenar "Salome" (a ópera anterior), depois da horrível experiência de "Das Märchen" de Emmanuel Nunes, sobre a qual tenho a dizer exactamente o contrário do que disse da obra de Nuno Côrte-Real, que era agresiva e incompreensível.

O que já não esqueço é a crítica de Jorge Calado no "Expresso"... O crítico mais teria a ganhar em fazer jus ao apelido e meter a viola ao saco. Se o vómito tivesse tradução ortográfica satisfatória, seria isso que Calado faria, tal a maneira como asperge bílis sobre a apresentação em causa. Sendo que a opinião é livre, a arrogância, a intolerância e até a grosseria com que escreve é a razão pela qual certas formas de manifestação cultural se encontram longe da democratização. Querendo dar nas vistas e justificar o espaço no semanário, Calado escreve como se cada espectador tivesse que ser um melómano. Lamentável...

Voz Kent em noite amena

Por sugestão alheia (a culpada que se acuse) fui até às Caldas da Rainha, na passada quinta-feira, para ouvir jazz pela voz de Stacey Kent e do quateto que a acompanha, onde pontifica o saxofonista Jim Tomlinson, seu marido.

Visando apresentar o seu último álbum, "Breakfast on the Morning Tram", Stacey conta com a preciosa inspiração de Tomlinson e do renomado escritor Kazuo Ishiguro.

Depois foi só reclinar-me numa das confortáveis poltronas do auditório e ouvir originais, apontamentos da chanson e alguns êxitos da bossa nova.

A repetir.

Cheeseburger

Realmente, em tempo de crise a imaginação dos centros comerciais não pára de surpreender as almas menos endinheiradas!...

Neste caso, em Oeiras, basta que compre o seu hamburger, pois o sabor a queijo é-lhe dado por um dos demais utentes (atente no espaço debaixo da cadeira...), numa versão foodshare, que replica sem vergonha a ideia galpshare...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Encontros caninos

Pois é... Nessa localidade que já deu ao mundo nomes ilustres como Dulsalves Dassela (aka Dulce Alves, da Cela) há um programa original para os seus sábados!

Tipo esquema de "acompanhantes", combina uma hora e pode tosquiar o seu canídeo.

Mas note bem: tem que combinar hora e só pode ser ao sábado! Fora destas condições, desenrasque-se!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Estupidez decotada

Uma das mais recentes risotas da vida pública nacional tem a ver com as normas de conduta relativas ao vestuário das funcionárias da nova Loja do Cidadão de Faro, que foram diligentemente expendidas por algum(a) inábil mas diligente serviçal, numa acção de formação especialmente agendada para tão inaudita mostra de falta de bom senso.

Segundo o que pode ler-se, as proibições abrangiam decotes exagerados, saias curtas, perfumes agressivos, peças em ganga, saltos altos e roupa interior escura…

Porém, para que não me interpretem mal, vamos por partes: obviamente que, defendendo eu que haja regras, também advogo que haja bom senso na sua formulação.

Seria ridículo, se uma funcionária se apresentasse de blusa escura ou opaca, exigir uma vista prévia às intimidades da senhora, que poderiam passar, vá-se lá saber, por nem sequer ostentar resguardo (escuro ou claro), total ou parcialmente. Acresce que me parece excessivo o simples exame de transparência, no caso de uma das atrevidas servidoras públicas se fazer guarnecer de trapos exteriores claros. O mesmo digo do uso de saltos altos, que seria insano vetar, dado ser o cúmulo limitar o serviço de atendimento ao público a maiores de 1,70m ou fiscalizar o uso de sabrinas ou outro calçado raso… Talvez por isso estas duas proibições tenham sido negadas, de forma peremptória, pela Agência para a Modernização Administrativa.

Também terá sido uma ideia de jerico se, mesmo que o contingente inicial só abranja cidadãs, não se previram normas similares para os cavalheiros que ali prestem ou venham a prestar serviço; falo, por exemplo, do uso de casaco e da proibição de sapatilhas. Dito de outro modo, será um apalermado labéu contra as mulheres, se não houver razão bastante para se não proibirem palitos ao canto da boca, pelos de fora da camisa ou sovacos suados aos homens.

E claro está que a União de Sindicatos do Algarve, aproveitando para fazer uma prova de vida e justificar as quotizações que pede, aproveitou para um foguetório à conta do tema, fazendo crer que defende algo de essencial, quando faria melhor em pedir formação a sério para os funcionários.

Indo, contudo, mais fundo, mais do que uma saia ou um decote, o que está em jogo é o complexo do “é proibido proibir” que o 25 de Abril instalou no nosso malfadado espírito latino e que fez que se confundisse a defesa do bom senso com uma luta contra um fantasma de fascismo em que ninguém se reconhece.

Servem estes episódios para sindicatos, Bloco de Esquerda e algumas figuras sem pouso certo continuarem a explorar, com demagogia, o desamparo de muitos. Todavia, mesmo os que não tenho nessa conta, como é o caso de Helena Roseta, parecem ter-se deixado contaminar pela desorientação destes tempos cinzentos; basta ler o “Público” de 14 de Abril para a “ouvir” dizer que “o 25 de Abril acabou por ser também uma libertação no tocante ao vestuário”… Como?!... Exigir aprumo é ser adepto do Estado Novo?! Quererá a Sra. Arquitecta ser atendida por uma funcionária que lhe mostre a roupa interior (dado o decote) ou que mastigue pastilha elástica? Já bem basta os museus – constatei-o no Museu do Chiado – estarem na vergonhosa situação a que este Ministro os deixou chegar, tendo que socorrer-se de voluntários (gente de louvar, sublinho) a quem não dão uma farda ou um fato à altura do espaço… Que se comecem a ver calças de ganga na assistência do São Carlos, já me vou habituando, mas os seus funcionários continuam a trajar impecavelmente.

A meu ver é compatível a exigência de rigor sem cruzar a fronteira da liberdade individual. Os que pensam em contrário foram alguns dos que, se calhar, estiveram na primeira fila do facilistismo instalado no ensino e que faz com que, mais do que exigir conhecimentos, haja a preocupação de não “traumatizar”. No fundo, instala-se uma mentalidade à luz da qual exigir civismo é adorar o fascismo… Claro que a defesa de normas comportamentais ficam de rastos, quando a razoabilidade também perde roupagem, como poderá ter sucedido em Faro…

O que falhou na capital algarvia foi o bom senso de um qualquer formador, que podia ter passado a mesma mensagem de forma mais hábil, não a “desnudando” ao ponto de deixar crescer a chalaça demagógica de libertários que do caos querem fazer o seu poder.

O cinema brasileiro em alta, mesmo indo de autocarro

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Lá na terra chamam a isto «miúfa»


Faz hoje uma semana que José Sócrates fez (na companhia de Mª de Lurdes Rodrigues) um périplo pelas escolas do Norte do país, com a pompa e circunstância do costume. Pormenor: fê-lo na véspera do regresso às aulas, quando os recreios e as salas de aula ainda estavam às moscas e os miúdos a gozar o último dia de férias de Páscoa.

Mais valia ludibriar os espectadores com "fogo de vista", i.e., à semelhança de outrora, pagar uns trocos a meia dúzia de garotos com pedigree - escolhidos ao dedo em casting - para desfilar com grandes sorrisos e dar um enquadramento simpático à visita dos senhores governantes.

Desta feita, não se lhes tendo ocorrido tal ideia, revelaram ao país que o critério da agenda para os assuntos escolares é a ausência de alunos e professores, nada mais, nada menos, que os principais personagens (e vítimas) desta rocambolesca novela que é a Educação em Portugal.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Coisas que não consigo compreender


Por que é que anda tudo embevecido com este pássaro azul de seu nome Twitter (chilro, em português), que até é - reconheça-se - amoroso? Já não bastava o big brother em que vivemos, onde com a ajuda das novas tecnologias tudo se sabe sobre nós e sobre os passos que damos, e agora a vontade de expor a privacidade parte dos próprios.

O repto deste serviço é "What are you doing?" e os usuários, do indivíduo comum à celebridade, não se acanham nas respostas. Em 140 caracteres podem revelar ao mundo que estão a assoar o nariz enquanto o semáforo não cai para verde, no escritório a mandar o chefe a um determinado sítio, a lavar os dentes na casa de banho da vizinha do 3º Dt ou coisas de semelhante relevância.

E não vale a pena vir com o argumento do "até é útil na partilha de informação e na discussão de temas de interesse" porque não vejo que conteúdo possa ser debatido nuns míseros 140 caracteres.

O mais curioso é que grande parte dos twitter addicts são pessoas famosas, as mesmas que passam a vidinha a queixar-se de intromissões na sua vida privada e abusos dos paparazzi. No fundo, parece-me que não resistiram a mais um veículo condutor de dramas pessoais, paixões, emoções e sentimentos vários que sabem despertar e acicatar a curiosidade e interesse daqueles que os admiram.

Afinal de contas, todos nos queixamos da invasão que por vezes ocorre no nosso espacinho e todos suspiramos num tom saudosista pelo recato "do antigamente", mas não resistimos a dar uso a um instrumento que não tem outro propósito senão apregoar aos sete ventos aquilo que estamos a fazer a cada momento. Vá-se lá perceber...

Eu, como não compreendo, contento-me com o velhinho blogger, onde partilho com moderação aquilo que considero ser partilhável com outros (conhecidos ou nem tanto...) e onde discuto sem limites de caracteres aquilo que bem me aprouver.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Mais biografia elegantemente romanceada pelo próprio

Segunda parte com base nas memórias do próprio Che. A primeira fala de Cuba e do nascimento do mito, esta leva-nos à Bolívia e à queda do dito. Em ambos os casos a parcialidade do relato é evidente. Não deixam, todavia, de ser filmes interessantes...

domingo, 12 de abril de 2009

Viva a Coreia do Norte!

Sei que sou de matriz pessimista! Talvez por isso devore, desde os tempos de “O Independente”, as crónicas de Vasco Pulido Valente.

Porém, a mais da crise económica (com a qual já convivemos qual cônjuge a quem não temos dinheiro para comprar a sua parte da casa da morada de família; ou seja, com resignação), as notícias do dia não apelam a estado de espírito mais ufano.

De facto, pasma-se-me a alma ao ouvir que, dado o elevado índice de corrupção das autoridades administrativas, há crianças que, dotadas de documentação oficial baseada em dados falsos, são traficadas do Iraque, com legitimidade aparente, para municiar redes ilegais de pedofilia, adopção e tráfico de órgãos. Indo mais longe vemos que Portugal é um dos destino prováveis de algumas das 15 crianças que são esbulhadas da sua meninice, a cada mês que passa, a par de países como a Jordânia, a Síria, a Turquia, Irlanda, Reino Unido e Suíça…

Consultando notícias com mais dias podemos ver que, mais a Norte, Canadá, EUA, Noruega, Dinamarca e Rússia disputam já com avidez as riquezas minerais depositadas no fundo do Árctico, não escondendo a gula com que olham o degelo. Ou seja, que se danem as espécies que se vão extinguindo, os ecossistemas que se perdem, a subida do nível dos mares e todas as desgraças previsíveis. O que importa é que esta rapaziada divida já o maná que estará ao dispor, logo que se acabe com essas minudências que se chamam ursos polares ou futuro das próximas gerações.

Ao nível individual, vamos lendo sobre tiroteios em escolas e instituições públicas e ataques suicidas (no Paquistão, diga-se, a coisa banaliza-se) , por esse Mundo fora, e até sobre uma cidadã britânica, que se popularizou nos reality shows (Big Brother, creio) que decidiu vender os direitos de transmissão da sua morte (devida a um cancro), para deixar dinheiro aos filhos. Se o desiderato é nobre, o enredo de tão real novela foi macabro e não sei como se justifica o dinheiro gasto por cadeias de televisão (a SIC também exibiu um programa sobre esta via sacra), já que, mesmo falando de estações privadas, se utilizou o espectro público para difundir algo que está longe de ser pedagógico ou lúdico e que apela ao mais básico do ser humano.

Pelo meio, bancos a falir, políticos a serem acusados de corrupção ou de coisas piores (o ex-Presidente de Israel tem no rol de acusação até violação) e uma panóplia de sintomas que me fazem pensar que estamos todos doentes!...

Falam com indignação do lançamento pela Coreia do Norte de um míssil Taepodong-2?!… No limite, se isto batesse tudo certo, o protesto era adequado face à demência do regime de Pyongyang. Todavia, bem vistas as coisas, pode ser que rebentem com “isto” mais depressa, já que a forma lenta com arruinamos a Terra já pede uma qualquer forma de eutanásia.

Mãe querida, mãe querida... demais...

Ainda no "Público" de 11 de Abril, leio que um tribunal austríaco condenou a pena de multa uma mãe de 73 anos por telefonar ao seu filho (adulto).

Que os austríacos não são o cúmulo da candura todos sabemos, mas maçar uma atenciosa progenitora que tem o cuidado de saber do filho, em alguns casos, 49 (quarenta e nove) vezes ao dia?!...

Há filhos muito ingratos!

Sessões de perder o fôlego

No "Público" de ontem podia ler-se que a gestão da água será alvo de debate público entre vizinhos ibéricos.

Isto se os participantes não esgotarem o fôlego a lerem o nome que deram às sessões em que os convidam a falar sobre o assunto, que se consubstancia na pequena frase que se segue: "Jornadas Luso-Espanholas de Participação Pública sobre as Questões Significativas das Gestão da Água (QSIGA) para os Planos de Gestão de Região Hidrográfica (PGRH)"...

Diria que começa mal um debate sobre água que seca qualquer boca...

Nem sem estranha nem se entranha (vê-se)

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Candidatura sem... candidata

Estão aí à porta as autárquicas e a agitação já se faz sentir. Perfilam-se candidatos, definem-se estratégias, apresentam-se candidaturas, umas com pompa e circunstância outras sem... candidatos!

Passo a explicar: aqui para os lados do Oeste, numa autarquia por ora liderada pela social-democrata Isabel Damasceno - cuja recandidatura muita tinta tem feito correr - uma outra Isabel (Gonçalves, actual vereadora do CDS-PP) alinha-se na corrida à Câmara Municipal de Leiria, desta feita sem o pano de fundo do partido democrata-cristão.

Até aqui, nada a apontar. Sucede que a apresentação da candidatura pelo MILEI (Movimento Independente por Leiria) pelo qual vai concorrer, decorreu na passada terça-feira sem a presença da própria - segundo o Região de Leiria. Porquê? Resposta simples: "Está de férias."

O único comentário que se me oferece é o seguinte: "E tirar férias da política, não?" A julgar pela prioridade e seriedade com que encara o futuro da região e dos leirienses...

Bom espectáculo

A Grande Ópera de Kazan tem qualidade e a obra de Verdi nem se fala...

Porém, fica a nota para aquilo que penso ser a fraca acústica do "actual" Coliseu lisboeta e para a tristeza que é, ao invés do que sucede no São Carlos, assistir a uma ópera não legendada.

Como sala de espectáculos, pior só o Campo Pequeno, onde a avareza e a ganância ditaram filas onde um azarado com mais de 1,70m não se consegue sentar comodamente.

Quando ser bom é mau ou a história de uma visão para a Cultura

Confesso que gosto muito da programação cultural do Cine-Teatro de Alcobaça e faço aqui, com atraso, a homenagem devida a Gonçalves Sapinho - ilustre Edil, meu amigo e, no mínimo, homem que teve a grandeza de autorizar a dita panóplia cultural - e a Rui Morais, que prova que as juventudes partidárias não são apenas alfobres de carreiristas (acusação injusta, em grande parte), antes produzindo também actores cívicos de nível superior. Pena é que ao PSD local tenha faltado o arrojo de inovar na constituição da candidatura autárquica…

No chamado "dia dos namorados", a experiência proposta pelo CTA era rever a mítica película de Murnau - datada de 1927, marcou o início do percurso “hollywoodesco” do realizador, vencendo três Óscares, na primeira edição do galardão).

O Filme conta uma história de amor campestre, cuja subsistência é ameaçada pelas tentações da urbe (personificadas, claro está, numa mulher da cidade), compondo uma metáfora que, já desligada da dicotomia campo-cidade, ainda colhe sentido na destruição dos afectos pelo consumismo e pela ascensão do “ter” sobre o “ser”.
O que ainda tornou este serã mais aliciante (do que pode contar-se...) foi o facto de a banda sonora ser tocada ao vivo, a lembrar a memorável exibição (em 2002, creio) de "Alexandr Nevskiy" de Eisenstein, com a música de Prokofiev tocada pela Orquestra do Teatro Nacional de São Carlos.

Momentos Paulistas VII

Ainda de São Paulo trago esta memória de arte contemporânea. Trata-se de uma instalação sita no Museu de Arte Moderna, no Parque do Ibirapuera (responsabilidade do eterno Niemeyer).
Impressiona pelo jogo de reflexos que quase desequilibra o visitante. Curioso...

Biography Channel em versão maxi

segunda-feira, 6 de abril de 2009

[O nosso] Eça às voltas no túmulo...

"O aluno só deveria ser apresentado à obra de Machado de Assis, Graciliano Ramos, Eça de Queiroz, José de Alencar e outros grandes mestres da literatura brasileira depois de passar por autores mais atuais."

Custa a acreditar, mas no Brasil há um jornalista e apresentador de televisão que está convicto que o ilustre Eça de Queirós é um autor brasileiro. Corrijo, um grande mestre da literatura brasileira.

O senhor, de nome António Carlos Macedo, até podia estar com a melhor das intenções quando numa crónica no jornal "Zero Hora" recomendou aos pedagogos que no plano de leitura das crianças fossem introduzindo paulatinamente autores de grandes clássicos.

Contudo, ele próprio é que deveria começar a folhear uns livritos (já agora do ilustre Eça, porque não?) para se inteirar de quem é quem nas literaturas lusófonas...

De olhos postos... ... no Parlamento!

Não, não é inveja ao melhor estilo feminino. A sério que, enquanto cidadã e enquanto mulher, muito me apraz ver o nosso Parlamento polvilhado aqui e ali de deputadas, cada uma delas com o seu estilo próprio, sendo que aprumo e elegância só lhes fica bem (o mesmo se dirá quanto aos nossos deputados, pois claro...).

Não obstante, a coisa torna-se preocupante quando a atenção do Parlamento se concentra na beleza feminina e se escapa à medida que discursam as senhoras deputadas, como é quase inegável que acontece na foto acima.

Inegável também é que Marta Rebelo é bonita - pelo menos mais bonita que José Vera Jardim, cujo assento veio substituir na AR - sendo que a deputada já por mais de uma vez veio dizer que a sua beleza e a sua juventude têm-lhe sido prejudiciais no mundo político. A julgar pela sua ascensão, ninguém diria.

Sinceramente, esta crescente tendência de justificar um certo tipo de depreciação ao trabalho político de uma mulher pelo seu género e pelo seu físico,"não pega". Ainda que se possa reconhecer que este é um meio ainda dominado por homens e por alguns preconceitos, não creio que Marta Rebelo venha sendo menos merecedora de respeito profissional por ser uma jovem mulher bonita.

O problema de Marta reside, parece-me, com o facto de a jovem deputada não vir deixando a melhor impressão na sua incursão pela Assembleia da República. A assiduidade deixa a desejar - 36 faltas nas últimas duas sessões legislativas - e o trabalho mostrado idem idem aspas aspas. Provavelmente na foto em apreço estaria a apresentar o seu voto de congratulação pela eleição de Cristiano Ronaldo como melhor futebolista do Mundo ou a congratular-se pelos resultados da política de desenvolvimento do Governo, já que a sua intervenção parlamentar a pouco mais se resume. Junta-se a isto uma excessiva exposição pública da sua pessoa na imprensa nacional. Da Caras à capa de uma revista LGBT, de presença constante no suplemento Vidas do Correio da Manhã à produção para a Pública e às páginas centrais da Única, nada lhe parece escapar.

Enfim, o trabalho extremosamente desenvolvido com a comunicação social contrasta com a ausência de trabalho no parlamento e a deputada do PS é por isso - e não pela sua juventude e/ou beleza - frequentemente criticada pelos cidadãos mais atentos, que vão escrutinando o exercício do seu cargo. O expoente máximo disso foi o que por aí veiculou a propósito da sua opinião sobre aquele episódio das faltas dos deputados na AR numa qualquer sexta-feira, tendo então argumentado que "a questão das faltas dos deputados (...) é política com 'p' pequenino"...

Pese embora seja de reconhecer que subsistem alguns preconceitos, não vejo que uma mulher bonita não possa ser uma deputada séria, capaz e exemplar. A beleza ou a fealdade não podem nem devem servir de desculpa a um trabalho parlamentar mais ou menos fértil, a uma postura mais ou menos escrupulosa.

Veja-se o o caso de Ana Drago, Joana Amaral Dias e Ana Zita Gomes, rostos jovens e bonitos de diferentes espectros partidários que marcaram positiva presença no Parlamento, sendo que cá fora se souberam mostrar moderadas na exposição pública, embora dela não se tenham privado para fazer passar as suas mensagens.

Ou atente-se ao excelente exemplo de Teresa Caeiro, deputada pelo CDS-PP que ao longo desta legislatura vem mostrando empenho e apresentando trabalho, dignificando o papel que lhe foi confiado pelos eleitores, sem qualquer pudor por abraçar (e ganhar!) causas de pendor feminino - veja-se o papel que tem tido na luta contra a violência doméstica, a vitória da comparticipação da vacina do colo do útero e a causa das medidas de apoio a casais inférteis, entre um sem fim de outras matérias com que vem trabalhando e enaltecendo o papel de deputada à AR.

Em suma, que não se duvide em momento algum que há muito a ganhar com a presença feminina naquele órgão de soberania, sendo que é possível que se captem as atenções dos portugueses e dos demais deputados pelo conteúdo da intervenção, pela honra e respeito com que se abraça aquele cargo e não tanto pelo tamanho e corte da saia que se traja.
* foto de Orlando Almeida

domingo, 5 de abril de 2009

Fazer da morte um espectáculo


Foi ontem a enterrar Jade Goody, a britânica que esteve nas bocas do mundo por ter vendido a órgãos de comunicação social os direitos de transmissão dos últimos dias da sua vida, em plena luta contra um cancro.

E foi precisamente ontem que a SIC exibiu as imagens que resultaram desse negócio que Jade garantiu ter sido celebrado para poder garantir o futuro dos seus filhos.

Por mero acaso, mercê de um zapping, dei de caras com o programa (adormeci, felizmente, ao intervalo...), no qual vi uma mulher doente a sorrir disparatadamente para as câmaras, a impingir sessões fotográficas aos filhos, a dissertar sobre a orientação sexual da mãe, a mentir aos pequenos sobre o paradeiro do companheiro, a garantir que venceria o cancro (mesmo quando já sabia que era fatal) porque "o Mundo precisa de Jade Goody".

Tudo aquilo me pareceu um espectáculo deprimente, cujo consumo só nos pode tornar desumanos. Não pude, pelo exposto, simpatizar com a senhora. Não posso, por tudo o resto, deixar de me enojar pela mórbida mediatização da sua doença e da sua morte. Por muito que me tentem convencer de que aqui os fins justificam os meios...

Aliás, toda a história de vida da senhora é deprimente. Vivia apenas e só da sua exposição mediática, à sombra de Big Brothers, tendo-se revelado xenófoba, pouco dada à inteligência, insolente e exibicionista. E não se bastando com isso, mediatiza a sua doença, a sua dor, a sua luta, os seus últimos dias em troca de uns trocos para os tablóides sensacionalistas que levam pelo mundo foram imagens da mulher que, vá-se lá entender, casava às portas da morte com um moço detido por crime e aumentava a sua presença mediática à medida que o cancro a fulminava.

Já não bastava isto e acresce que, à boleia destas celebridades toscas e foscas há políticos que aproveitam para agradar à populaça, como o fez Gordon Brown, enaltecendo a nobreza de Jade e condicionando o funeral desta por razões de agenda.

Pior, a tal nobreza da jovem concedeu-lhe o cognome de "nova princesa do povo", uma usurpação pela qual os britânicos deveriam ter vergonha.

Por tudo o exposto e por mais que tente, não consigo compreender esta fixação do Mundo - e em especial da Grã-Bretanha - pela vida e pela morte de Jane Goody, que eu julgava - chamem-me insensível - que a qualquer um dos nós só poderia inspirar dó...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Baixo custo, alto desempenho

Se gosta de Mickey Rourke, é para ver.

Deu-lhe para isto...

Depois de Million Dollar Baby, Eastwood volta, com enquadramento diverso (desta vez temos o racismo e a delinquência étnica) a mostrar um velho empedernido que se suaviza e que, afinal, tem sentimentos... Não lhe faz mal à vista, mas não é essencial.

Filosófico em demasia para o género

terça-feira, 31 de março de 2009

P'lo andar da carruagem...

... um dia Carlos Queirós vai ter este aspecto. É que o seleccionador nacional veio dizer que só corta a barba quando a equipa das quinas marcar 2 (logo 2!) golos. A julgar pelos últimos jogos, a promessa pode bem vir a dar nisto.

quinta-feira, 26 de março de 2009

A novela e a vida real

O que é que as telenovelas tem a ver com fertilidade e natalidade? E com divórcios? Enganam-se aqueles que responderam "nada". A penúltima edição da The Economist traz um resumo de um estudo recente que concluiu que no Brasil as novelas tiveram relevante influência no comportamento dos brasileiros. Se foi influência positiva ou negativa, isso já depende dos pontos de vista...

Segundo o estudo, a taxa de fertilidade no Brasil caiu, ao longo das últimas décadas, de 6,3 filhos por mulher para 2,3 no ano 2000. O impacto nos divórcios pode ser menos relevante, mas não deixa de ser espantoso. Se em 1984 ocorriam 3,3 divórcios por cada 100 casamentos, em 2002 essa taxa rondava os 17,7.

Claro que não se pode fazer da Rede Globo o bode expiatório do decréscimo da fertilidade e um considerável aumento nos divórcios, mas o facto é que as telenovelas difundiram estilos de vida mais apetecíveis(ou não...). Em 115 novelas analisadas, 62% das personagens femininas principais não tinham filhos, sendo que 26% eram infiéis. E foi assim que as mulheres emancipadas, as famílias monoparentais, a crítica aos papéis e valores tradicionais, a aspiração à classe média e determinados padrões sociais difundidos nas novelas deram uma "mãozinha" nas mudanças sociológicas.

Isto dá que pensar sobretudo quando atentamos à TV portuguesa que, bem sei, não é pior que as vizinhas espanhola e italiana. Deste lado do Oceano também consumimos muita Rede Globo, e não nos contentando com isso, lançamo-nos em ficção sem qualidade, programas medíocres, violência televisiva, programação que desinforma, que deseduca, que foge aos seus fins.

Há honrosas excepções e sim, há quem faça esforços, veja-se a televisão pública e o trabalho que tem feito com o seu Provedor. Também o quarto canal melhorou a olhos vistos quando desistiu de nos impingir reality shows, fiéis e infiéis e outros tipos de lixo televisivo. Mas, feitas as contas, isso não chega. As novelas e os ocos talk show's ocupam as tardes e as noites das tv's e os portugueses consomem fraco alimento.

Sendo incerto que isso afecte a taxa de natalidade ou os divórcios por cá, certo é que continuamos a menosprozar a influência que a televisão tem em nós, pior, insistimos em não aproveitar as potencialidades da caixinha mágica para educar e (in)formar o nosso povo.

quarta-feira, 25 de março de 2009

O ERRO da Liga...

Se sou suspeito neste assunto (que sou) - Taça da Liga - não consigo perceber se algum dia será possível existir justiça no futebol em Portugal.

Não contestando o vencedor da taça - pois o SLB marcou mais que o SCP - é mais que evidente que o árbitro assinalou uma grande penalidade que não existiu e que teve influência directa no resultado final...

No fim do jogo quem se sente lesado, demonstra-o - "somos livres, somos livres, somos livre de voar... etc"!!!

Se até aqui tudo são factos e sem objecção possível, o que não consigo perceber são os "mais que possíveis" castigos a aplicar pela Liga a Soares Franco, Paulo Bento, João Moutinho e Pedro Silva...

A meu ver já foi mau
1. o erro do arbitro
2. a acção directa que esse erro teve no resultado final
3. o manifesto de injustiça no final do jogo (embora como sportinguista perceba a frustração)
4. os comentários do dia seguinte
5. e a falta de brilho que esta confusão deu à vitória do SLB (sem cinismo que nestas coisas eu também sei contar a quantidade de grandes penalidades concretizadas após o jogo)…

Com tudo isto gostaria de sublinhar a falta critério que o sr. Presidente da liga tem neste processo, desviando mais uma vez as atenções do culpado para o lesado…

terça-feira, 24 de março de 2009

Até um dia, Amigo

Há dias morreu um Homem… Assim mesmo, com “H” grande!...

Falo, como é óbvio, de João Mesquita, que fazia o favor de ser meu amigo, há muitos anos, e que falava comigo, desde o início (era eu dirigente local da JSD), com a mesma humildade e respeito com que lidava com a gente graúda da política.

Foi algo que sempre me impressionou… Como é que aquele homem, que fora Presidente do Sindicato dos Jornalistas e que sempre perfilhara causas políticas bem distantes das minhas, estava sempre disponível para me ouvir sobre os assuntos da actualidade local e nacional, quando achava que eu podia dizer algo de interesse, designadamente sobre a JSD, tratando-me com o mesmo respeito com que tratava um ministro ou um qualquer outro político “crescido”?

O mais incrível é que, com o aprofundar da amizade com que me honrou, não evitava uma crítica amiga nem regateava um elogio sentido, mesmo durante e após o meu desempenho na Assembleia da República. Aliás, saboreio ainda o excesso a que a amizade o levou ao escrever a dedicatória no meu exemplar dessa bíblia desportiva que é o livro “Académica – História do Futebol”, que concretizou com João Santana.

E, graças a Deus, sempre tive a iluminação de enaltecer o João, muito antes de conhecermos a maleita que no-lo roubou cedo demais… Sempre gostei particularmente de sublinhar que, da única vez em que lhe apontei o dedo (quando no “Independente” deu, mal informado por adversários, a notícia de que eu iria mesmo avançar para a liderança nacional da JSD, apesar de eu, peremptoria e previamente, lho ter negado), o João fez algo que jamais outro jornalista fizera ou fez, desde então (e lidara, lidei e lido com muitos, como calculam): pediu-me desculpa!!! E ali estava eu, um garoto, sem saber o que fazer, perante um imenso jornalista que mostrava a humildade que só assiste aos imperadores do civismo… Isto não falando nos milhares de qualidades que tinha para além desta, claro…

Depois e a mais das inúmeras causas cívicas em que se envolvia, havia sempre a nossa Briosa… Quantos amigos e amigas com quem combinava ir aos jogos fora de Coimbra (sempre fui a quase todos) me perguntavam quem era o “tipo de bigodes” que percorria as bancadas incessantemente, qual tigre enjaulado… Lá estava ele, João Mesquita, sofrendo pela Académica como se aquele fosse o último jogo.

Se algum dia conheci alguém a quem concedesse a alegação (que ele teve a elegância de nunca fazer, todavia) de que sofria tanto ou mais do que eu pela Briosa, ei-lo!!! E, por isso, fico contente por lembrar que o último jogo que o João viu foi o da vitória sobre o Trofense (abençoada Briosa, que soubeste despedir-te com um “beijo de golo” do nosso João Mesquita), sem saber que, no final, me despediria do João até que nos encontremos noutro mundo… E também me faz sorrir, já com saudade, a conversa que, na época passada, tivemos na entrada do Estádio da Luz e na qual lhe disse: “ó João, estive a pensar e concluo que nunca vi a Académica ganhar ao Benfica”! Recordo como se fosse hoje o sorriso terno que me dirigiu e as palavras que disse e que apontavam para estar na mesma situação, já que havia mais de cinquenta anos que tal não sucedia. E nessa noite linda, brindámos o Benfica com um olímpico 3 a 0!...

Já sei que o telefone não mais tocará para ouvir o clássico “tás bom, Gonçalão?”… Mas a minha memória vai continuar a “ligar-te”, João! Até um dia destes, amigo!

domingo, 22 de março de 2009

The LODO files: Há Taça e furto no Algarve


[Dulce Alves]: A peregrinação do Lodo ao Estádio do Algarve neste sábado saldou-se positiva, nem tanto pelo que se passou dentro das quatro linhas ou pelo desfecho do jogo - mesmo para uma adepta e um simpatizante do clube da Luz - mais pela viagem até ao Sul num dia a fazer jus à chegada da Primavera e numa noite quente lá para os lados de Loulé, num estádio a extravasar de gente, emoções à flor da pele e muito (muito mesmo) nervosismo.

É que apesar do mau momento que ambas as equipas atravessam, os adeptos compareceram em força - com uma clara predominância dos encarnados, é certo - e imprimiram à final um tom de festa bonito de se ver - não fosse a polémica arbitragem e a costumeira desordem das claques benfiquistas...

[Gonçalo Capitão]: De permeio, um ou outro suspiro destinado ao Jamor (que isto da Taça da Liga ainda não tem o mesmo glamour da Taça de Portugal...), onde um dia, ainda sem bengala, esperamos ver a grande Briosa trazer o troféu de volta a casa (relembro os ígnaros de que a primeira Taça é "preta" e data de 1939).

[Dulce Alves]: Longe da balbúrdia que reina nos topos, nas bancadas respirava-se o fair-play dos adeptos, onde uma mescla de benfiquistas e sportinguistas faziam a festa ainda nem se tinha ouvido o apito. Claro que as cheerleadears ajudavam à festa..., bem como as personalidades que iam aparecendo na Tribuna (com Sá Pinto a animar as hostes femininas).

[Gonçalo Capitão]: Tribuna onde, aliás, António Costa (Mayor de Lisboa) acompanhado de José Apolinário (congénere farense) dava autógrafos e onde Gilberto Madaíl se passeava ainda com a cara destapada (isto de não ter vergonha na dita...).

[Dulce Alves]: Ali abaixo reluzia a Taça, resguardada por dois seguranças, não vá o diabo tecê-las. O seu destino reservado a quem a merecer. Ou talvez não...

Lá soou o apito e as atenções voltaram-se para as quatro linhas, onde ambas as equipas mostraram vontade em arrecadar o título. Pelo menos numa primeira parte, bastante equilibrada e a ameaçar golos para ambas as partes.

Em redor das quatro linhas, uma novidade. Em vez dos habituais miúdos apanha-bolas, desta feita lembraram-se de pôr meninas vistosas a correr atrás da bola sempre que esta ia fora. Claro que a beleza das moças não suplantava a sua inteligência, já que por várias vezes remeteram a bola ao guarda-redes quando havia sido assinalado canto...(!!)

Um empate a zero ao intervalo deixava antever uma segunda parte sofrida e emocionante. Por falar em sofrimento, não se percebe como é que há gente que sobrevive a um jogo de futebol. Ou melhor, como é que há corações que aguentam 90 minutos naquele pulsar. Há quem grite até a voz falhar, quem dê murros no ar, quem salte até se estatelar, quem roa as unhas até nada mais ter para roer, quem declame impropérios como de se poesia se tratasse, quem pontapeie o betão sem dó nem piedade, sem que se perceba como é que chega ao fim do jogo são e salvo...

[Gonçalo Capitão]: Durante esse interregno, Laurentino Dias (Secretário de Estado, inter alia, do pontapé-na-bola provava como convive bem (eu diria mesmo que não vive sem isso) com a exposição pública, ficando para trás, ao intervalo, enquanto os demais circunstantes foram, como é hábito, "encher a blusa"... Houve ainda tempo, é claro, para fazer o frete de olhar um outro relance sobre a actuação das cheerleaders...

[Dulce Alves]: Entre um cerveja e uma queijadinha de Sintra, para a maioria o recomeço do jogo tarda. Já nem se dá pelas pungentes meninas que dançam no relvado (apesar de doutrina contrária; vide supra...). Ouve-se sem paciência os tambores que soam sem parar e centram-se as atenções na Babel em que se transformou o topo benfiquista - e eu encolho-me, envergonhada pelos adeptos do meu clube que não sabem festejar sem fazer estragos.... - até que as equipas regressam ao campo, para gáudio dos demais.

Regressam também os cânticos, mas quem dá música logo aos três minutos da segunda parte é o Sporting, com um golo de Pereirinha. Se uns dizem "só eu sei, porque não fico em casa" eu começava a pensar porque é que não fiquei por casa...

Depois vem a grande penalidade que não era grande penalidade - mas que dali também nos parecia grande penalidade - e vem também a esperança num desfecho (do) Glorioso. Reyes não falha e o estádio cobre-se de tons vermelhos.

[Gonçalo Capitão]: Um dia depois, Lucílio Baptista, o árbitro, pede desculpa. Soares Franco, débil (desde que disse que não se recandidatava; é dos livros, sôtor...) Presidente do grupo da clorofila, diz que não chega... Eu digo que, se isto fosse um país decente, o SLB faria como Arsène Wenger, manager do Arsenal, que, um dia, pediu a repetição de um jogo que a sua equipa ganhou, assim que se constatou a irregularidade do triunfo. Porém, se somos uma nação de chicos-espertos e aldrabões, por que há de Vieira (Luís Filipe), a quem cabe a espinhosa tarefa de liderar 6 milhões deles, tentar ser moralista?! O problema é do de sempre: como ninguém começa a dar o exemplo (e quem dá é tragado pelas massas ululantes, com o epíteto de "trouxa"), nada muda.

O resto... Bem, o resto foi uma tímida festa (parece que os adeptos do Benfica já haviam verificado a mancha na passadeira da glória) e um pouco de campanha pelo Dr. Soares (vulgo, pequena sesta) no carro, que a fila prometia horas de espera.

Todavia, como a ingratidão não tem limites, ninguém esperou e acordámos num descampado sem um só carro à volta!... Com franqueza, creio que a nossa reportagem merecia mais consideração das pessoas!!! Se calhar era muito dar um toque no vidro e avisar que era hora de ir embora?!...

Cientes do lapso, não cobrámos horas extraordinárias à Administração da LODO, S.A.D.


Dulce Alves e Gonçalo Capitão; o LODO no Estádio do Algarve.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Esta noite recomenda-se

Esta noite improvisa-se, do italiano (e Nobel da Literatura) Luiggi Pirandello, é a mais recente peça dos Artistas Unidos, em cena no Teatro Nacional D. Maria II. Uma excelente equipa de actores, dirigida por Jorge Silva Melo – salientem-se, entre outros, Lia Gama e Sílvia Filipe - interpreta uma peça que narra outra peça, quase crónica de costumes, a retratar tão bem as situações de sonho, aspiração, desengano... Uma peça assinada por um autor que se dedicou a reflectir sobre a relação entre o público e o teatro, e mostra aqui o palco sem limites e, sobretudo, como um lugar de desiquilíbrio. Certamente como em muitas das nossas situações de vida.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Há Moda (e Lodo) em casCAIS

O Lodo marcou presença na abertura da trigésima segunda edição da Moda Lisboa Estoril - que tem vindo a assentar arraiais na Cidadela de Cascais - e aproveitou para fazer uma reportagem light, que dali outra coisa não seria de esperar. Mergulhados na fortaleza trajada de negro, a esconder o caiado das casas, deparamo-nos com um espaço mais modesto - logo, mais 'arrumadinho' - que nas últimas edições. Coisas da crise? Talvez. Até porque desta feita o evento resume-se à passerelle, sem debates e outras iniciativas paralelas, excepto a "after party", que por aqueles lados nunca se prescinde de festarola.

Mercê dos ossos do ofício, não chegámos a tempo de ver o desfile de Tenente in loco, mas através dos ecrãs espalhados pelo espaço fomo-nos habituando à passerelle enquanto aproveitavamos as borlas do evento, que é como quem diz, águas fresquinhas, café a la George Clooney e até revistas masculinas com capas mui sugestivas. Descansem, não levámos trolleys como algumas personagens que lá iam enchendo a sacola com o merchandising e outras dádivas que lhes iam parar às mãos, felizes da vida que aquilo não é todos os dias!

Terminado o desfile de Tenente, acaba a tranquilidade do lounge. As gentes acorrem ao bar, bebericam por uma garrafinhas com mais design que champagne ou equilibram sushi nos pauzinhos enquanto esboçam enormes sorrisos para as câmaras. Outros circulam com passos mais ou menos coordenados, muitos fazendo daqueles corredores as suas passerelles. E ainda há quem se acanhe aos cantos, incomodados com os flashes que se disparam a mil à hora. Tipo eu, quando três meninas armadas com enormes máquinas fotográficas desatam a fotografar os meus adoráveis - mas modestos - sapatos, comprados numa qualquer loja de um qualquer shopping!

Circulam com vaidade mulheres de jogadores de futebol, apresentadoras de televisão, socialites e outras que tais. Com mais discrição, lá vai o anónimo, apreciando a beleza alheia, concentrada em níveis dificilmente superáveis. A plateia do Moda Lisboa é, parece-nos, cada vez mais mesclada. Cruzam-se rapazes imberbes com sexagenárias vestidas de teenager, misturam-se caras conhecidas com perfeitos anónimos. O núcleo outrora restrito da Moda Lisboa (nos tempos de Alcântara?) alarga-se hoje graças aos protocolos com as escolas de design, aos passatempos dos patrocinadores, aos amigos dos amigos e... voilá, temos num reduzido espaço material digno de conduzir ao mais complexo e completo estudo sociológico, tal a diversidade de idades, estilos, gentes...

Para a ocasião, há quem ponha o melhor fato que encontra no armário mas também quem vista os trapinhos mais descabidos que já vi. Há quem exagere na maquilhagem, no decote, no salto alto, no (des)penteado... mas não é de exageros que o mundo da Moda vive?! Há também quem esteja perfeito, da ponta do cabelo ao dedo mindinho - e como isso nos corrói de inveja! E sim, há cada vez mais homens efeminados por ali. Quase todos com carteira de mão, lenço ao pescoço qual Audrey Hepburn e tiques que não lembram à mais feminina das mulheres.

Há por ali quem, como eu, aproveite as dicas de maquilhagem e ouse um novo penteado no cabeleireiro ali improvisado. Corre-se sempre o risco de ser preterida por uma jet set e ter que levar com os flashes em cima. Foi mais ou menos o que me aconteceu mercê - consta! - do beijinho de Miguel Vieira na face de Lili Caneças que causou danos irreversíveis na maquilhagem da senhora, que resolveu corrigir os estragos logo quando eu (eu!!!!) é que estava no centro das atenções da moça da maquilhagem! Lá me resignei com a minha condição de plebeia e cedi o lugar à senhora com o melhor dos meus sorrisos.

A Moda vive dos famosos e os famosos vivem de eventos como este? Talvez. Não é por acaso que Ana Salazar desabafou a propósito desta edição da Moda Lisboa que «cada vez mais as pessoas vêm para ser vistas e não para ver as criações». Nem é por acaso que os flashes encandeiam tanto na passerelle como cá fora. E também não é por acaso que já aqui escrevi uns quantos parágrafos e nada disse sobre as criações de moda que por lá vi.

Versemos então, sobre MODA. Alexandra Moura foi a senhora que se seguiu. Projectou uma colecção unicolor, simples no corte mas arrojada nos adereços e maquilhagem, inspirada na tribo africana Surma. Palmas. Depois foi a vez de Miguel Vieira. Feminino, a preto e branco (como de costume) e a dar muita elegância à Mulher do Outono/Inverno que se aproxima, pese embora o tristonho semblante das meninas que desfilavam. A meio, uma surpresa, Zé Pedro a trocar os Xutos & Pontapés por meia dúzia de suaves passos na candura da passerelle. Palmas, muitas palmas.

Nas primeiras filas os editores de moda escrevinham folhas brancas. Há uma senhora de óculos escuros, não sei se a proteger a identidade se a querer proteger-se dos projectores de luz intensa. Há também um clone da Betty Feia, curiosamente também esta editora de moda. E pelo meio, um cantor em cumplicidade com uma menina dos ecrãs, uma ou outra personalidade a dar o seu ar de graça à primeira fila, que é para isso que elas (as primeiras filas, está claro) servem. Lá atrás, onde as luzes já não chegam, escondem-se os demais.

Termina a noite com um toque de Verão. A Moda Cascais faz desfilar as apostas das lojas da cidade para esta estação e vemos por isso as modelos um pouquinho mais desnudadas. Claro que à medida em qua passam do vestidinho para o triquini as gentes - pelo menos as gentes que, como eu, não sabem o que é pesar menos de 50 kg! - vão-se arrepiando com a magreza das meninas, tão mais bonitas que ficam dentro dos trapinhos..!

A noite termina com ovações, distribuição de beijinhos e muito sorrisos esmerados, que o Mundo da moda exala felicidade. E depois, depois é como diz o Reininho: "A moda é passageira, o corpo o condutor. A moda mete a primeira, o corpo pega como um motor"...

quinta-feira, 12 de março de 2009

quarta-feira, 11 de março de 2009

Não tenhas pressa...

Lia-se, ontem, que o Presidente da Liga de Clubes, Hermínio Loureiro (de quem sou amigo, há muitos anos), propõe que os clubes das ligas profissionais Sagres e Vitalis (as antigas primeira e segunda divisões) que tenham salários em atraso não possam disputar essas competições na temporada vindoura.

O leitor mais incauto dirá: boa ideia!

O Gonçalo Capitão diz: agora?!

A verdade é que não me comprazo com o mal dos outros e espero não ver a Briosa em apuros. Todavia não deixo de questionar a falta de igualdade de circunstâncias e a hipocrisia em que vive o futebol nacional, com a tranquilidade de pertencer a um grémio que só por distracção foi alguma vez favorecido pelas instâncias dirigentes ou pelos árbitros (algo que nem sequer advogo, apenas rogando que não nos prejudiquem ou, em português menos suave, que não nos “roubem”).

É certo que as regras não permitem, até à data, que a Liga seja mais categórica, já que basta a candidatura a um Procedimento Extrajudicial de Conciliação, no Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (IAPMEI), para competir. Mas, o problema é de hoje?! Em épocas anteriores não se verificou?!

Sendo verdadeiro que o flagelo dos salários em atraso não é de hoje (sabemo-lo bem), por que só agora age a Liga?! A resposta é: falta de poder de facto para enfrentar o famoso “sistema”! Hermínio Loureiro e todos os dirigentes do futebol conheciam este problema antes da época se iniciar e ninguém fez o que quer que fosse para banir quem não paga aos seus trabalhadores (é disso que falamos).

Se virmos bem, não falamos de Aimar, Suazo, Liedson, Lucho e companhia… Versamos, isso sim, o caso de jogadores que, tendo uma curta carreira profissional, não auferem salários astronómicos, dependendo daquilo que ganham para sustentar a família e constituir um pé de meia… São estes que deixamos cair num logro, ao prolongarmos artificialmente determinadas vidas associativas.

Note-se, contudo e em primeiro lugar, que não advogo sequer o fim de certos emblemas, mormente dos que têm pergaminhos no nosso “pontapé na bola”; estou, isso sim, a defender que se enfrente o problema corajosamente, com um plano para sanear financeiramente o nosso futebol profissional, prevendo sanções rigorosas para os infractores e não meros paliativos, como me parece antever-se na medida proposta da Liga de Clubes (acrescentar ao pedido de um PEC o acordo do fisco e da Segurança Social), já que se exigem que declarações “desde a I República” sem efeito prático que se veja.

Em segundo lugar, o que quero sublinhar é a desigualdade que há entre clubes que não pagam e podem conservar equipas bem municiadas de jogadores (precisamente porque sai em conta ter salários efectivos de zero euros…) e agremiações como a Académica que se contém nas aquisições, mas pagam atempadamente aos atletas. Por outras palavras, é fácil gerir uma empresa ou uma associação desportiva profissional se eliminarmos o custo da mão de obra…

Se é fogo de vista, eu diria que o Presidente da Liga escusa de se apressar, já que ainda é demasiado novo para se tornar refém do stress de que, agora, parece acometido.

terça-feira, 10 de março de 2009

TVI põe realidade a nu!

Paradoxo matinal... A notícia é trágica, mas o cenário convida a apreciá-la!... Por um momento, quem madruga naquela manhã de Março deseja saber mais e mais e mais sobre a tragédia da Leitãolândia...

É macabro?! Sim!... E no entanto a só a nossa TVI consegue preparar-nos para o pior, despindo-nos de ilusões.

sábado, 7 de março de 2009

Amigo é quem me dá o bilhete


Ontem, Simone e Zélia Duncan encantaram o Campo Pequeno com interpretações fantásticas de músicas que preenchem esse baú de tesouros que é a música brasileira.

Vozes bonitas, boa banda, empatia... Se não viu, sempre tem o cd ou dvd, o que é bem melhor que desconhecer este magnífico espectáculo.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Não quero eu outra coisa...

Estreou ontem, no Casino do Estoril, a reposição da peça de teatro "Queres fazer amor comigo?", com interpretações de Ana Videira, Cátia Ribeiro, Jenny Romero, Rita Frazão e Rita Palma.

É uma comédia urbana sobre mulheres em várias fases da vida, com os vários matizes da condição feminina e em diversos contextos pessoais e profissionais.

Boa representação e textos com inteligência. Diz quem sabe que é melhor que a encenação anterior. Cá por mim, gostei da minha primeira vez...

Um combate ganho (bom regresso de Rourke)

segunda-feira, 2 de março de 2009

E se houvesse golo?!...

É mesmo assim! O Dolce Vita do Funchal tem ecrãs nas casas de banho, onde, quando é hora disso, projecta as transmissões de jogos de futebol.

Confesso-me curioso ao imaginar que consequências terá um golo, quando um adepto estiver a usar as instalações... Vale o facto de o jogo só poder visionado enquanto se lava as mãos...

Copiar é feio!

Ora aí está gente ainda educada segundo os bons valores escolares, que postulavam que copiar era feio!...

Só assim se entende que o(a) funcionário(a) do Pingo Doce da Ponta do Sol (Madeira) tenha evitado o gesto malcriado de repetir o que diz a garrafa de "conCentrado de maracujá", optando, isso sim, por colocar em promoção um, de certo delicioso, "conSentrado de maracujá".

Brindo à saúde de tão elegante personalidade, mas com poncha!

Excesso de zelo

Juntando uns cobres, lá fui à Madeira ver a Briosa, infelizmente, levar na tola por parte do Nacional (ainda assim, graves são os pontos perdidos com o Setúbal, Rio Ave, Estrela da Amadora e afins, digo eu...).

Entre outras coisas, salva-se o cuidado extremoso do Nacional, que, no seu estacionamento, não só agradece a colaboração, como ainda reforça o pedido com uma decorativa cedilha ("agradeÇemos")...

domingo, 1 de março de 2009

O estado das coisas



Ao longo das últimas semanas a comunicação social permitiu-nos assistir a momentos capazes de trazer à tona da água a espuma amarelenta do estado da governação e do debate político português. Os discursos de alguns dos nossos governantes expressam bem o oportunismo e o aproveitamento político típico do período pré-eleitoral, qual dramaturgia de pré-campanha, através da qual conseguimos sempre adivinhar as próximas cenas.

Uma peça de anteontem do telejornal da SIC previa o futuro. Na cobertura da inauguração de uma nova ponte no Alentejo, reagia, a propósito da obra, uma das pessoas entrevistadas - «foi Deus que apareceu aqui». A imagem é conveniente à ambição do nosso Primeiro-Ministro, agora envolto numa auréola, liberto das «campanhas negras», acompanhado do Diácono Silva, que agora já não gosta de malhar e também corta fitas, um pouco por todo o lado.

Este não é o tempo da coerência ou da sensatez. A estratégia eleitoral do nosso governo apela às inaugurações e às grandes obras. O cimento continua a ser, em Portugal, o primeiro instrumento da caça ao voto. Mesmo que muitos dos nossos economistas - pessimistas, diz o Primeiro-Ministro - já tenham demonstrado a evidente falta de critérios de relação custo/benefício numa parte significativa dos projectos da administração de Sócrates. Outros, os mais pessimistas dos pessimistas, têm denunciado o centralismo decisório exercido praticado nestes projectos, o que também não é uma novidade na maneira de governar deste executivo.

O Partido Socialista monopoliza e fulaniza na pessoa de José Sócrates a actualidade política portuguesa, reproduzindo os seus discursos de vitimização e os seus soundibites inconsistentes. O país carece de verdades.

Ao lado dos grandes projectos e das grandes obras, surge latente o país da expressão amorfa, que assiste a apreensões de livros em Braga; às novas regras dos funcionários da IGESPAR (proibidos de discordar da opinião dos seus chefes); ao levantamento de um auto por causa de uma troça com o computador Magalhães, no Carnaval de Torres Vedras; ao inquérito ao professor Charrua. Nesta pré-campanha, o poder pretende jornalistas controlados e uma sociedade civil adormecida.

E a oposição?

O facto da estratégia de Manuela Ferreira Leite não ser mobilizadora deve-se, antes de tudo, ao modo de agir do seu rival, ao sucesso da governação populista de Sócrates. Mas é a Manuela e à sua direção que cabe trabalhar pela vitória do seu partido; tarefa que lhe foi confiada em Maio do ano passado.

Façamos a sua avaliação...

O PSD realizou umas jornadas parlamentares em Évora, revitalizou o Instituto Francisco Sá Carneiro e dinamizou um fórum chamado Portugal de Verdade, iniciativas que permitiram captar a massa crítica da sociedade civil e anunciar diversas medidas à comunicação social, de onde sobressai um pacote de medidas de protecção da economia portuguesa. Agora, há que propagar a mensagem sobre o que realmente defende o PSD.

É necessário que o PSD saiba comunicar o que defende para as áreas estratégicas. Por exemplo, para a Educação: comunicar como acredita em escolas com projectos educativos alicerçados nas suas comunidades e numa avaliação de desempenho, centrada não apenas nos seus docentes, mas também nas próprias instituições e órgãos de gestão.

Também na Saúde: explicar como o PSD pretende fazer acordos com instituições particulares de solidariedade social para colmatar a falta de cuidados de saúde nas zonas mais desertificadas do país.

E para as Finanças: como é insustentável a carga fiscal sobre as e as micro-empresas e a necessidade de repensar as obras públicas, que deverão privilegiar a requalificação urbana, o património cultural, a habitação jovem e os equipamentos sociais, seleccionando os projectos de Sócrates que agravam o endividamento externo.

Para quem tinha dúvidas ao tempo das directas, aqui está afinal a social-democracia de Manuela. Aqui não está o neoliberalismo, rótulo que o PS de Sócrates pretende colar ao PSD.

Parece inacreditável que o partido do Governo, tão dedicado à aclamação do seu Secretário-Geral, vá no segundo dia de congresso e não tenha apresentado, até agora, uma ideia que fosse para o futuro do país.

É inacreditável que o PSD, com as iniciativas que lançou nos últimos meses, não se consiga fazer ouvir.

Ora, por ser de rejeitar um congresso social-democrata antes das eleições, não há dúvidas de que é este PSD que terá de cumprir a sua tarefa e fazer valer as suas ideias.

Mas será também este PSD que tem de questionar: se Manuela já não se limita a marcar passo, porque não começou a marcar pontos?