sexta-feira, 6 de março de 2009

Não quero eu outra coisa...

Estreou ontem, no Casino do Estoril, a reposição da peça de teatro "Queres fazer amor comigo?", com interpretações de Ana Videira, Cátia Ribeiro, Jenny Romero, Rita Frazão e Rita Palma.

É uma comédia urbana sobre mulheres em várias fases da vida, com os vários matizes da condição feminina e em diversos contextos pessoais e profissionais.

Boa representação e textos com inteligência. Diz quem sabe que é melhor que a encenação anterior. Cá por mim, gostei da minha primeira vez...

Um combate ganho (bom regresso de Rourke)

segunda-feira, 2 de março de 2009

E se houvesse golo?!...

É mesmo assim! O Dolce Vita do Funchal tem ecrãs nas casas de banho, onde, quando é hora disso, projecta as transmissões de jogos de futebol.

Confesso-me curioso ao imaginar que consequências terá um golo, quando um adepto estiver a usar as instalações... Vale o facto de o jogo só poder visionado enquanto se lava as mãos...

Copiar é feio!

Ora aí está gente ainda educada segundo os bons valores escolares, que postulavam que copiar era feio!...

Só assim se entende que o(a) funcionário(a) do Pingo Doce da Ponta do Sol (Madeira) tenha evitado o gesto malcriado de repetir o que diz a garrafa de "conCentrado de maracujá", optando, isso sim, por colocar em promoção um, de certo delicioso, "conSentrado de maracujá".

Brindo à saúde de tão elegante personalidade, mas com poncha!

Excesso de zelo

Juntando uns cobres, lá fui à Madeira ver a Briosa, infelizmente, levar na tola por parte do Nacional (ainda assim, graves são os pontos perdidos com o Setúbal, Rio Ave, Estrela da Amadora e afins, digo eu...).

Entre outras coisas, salva-se o cuidado extremoso do Nacional, que, no seu estacionamento, não só agradece a colaboração, como ainda reforça o pedido com uma decorativa cedilha ("agradeÇemos")...

domingo, 1 de março de 2009

O estado das coisas



Ao longo das últimas semanas a comunicação social permitiu-nos assistir a momentos capazes de trazer à tona da água a espuma amarelenta do estado da governação e do debate político português. Os discursos de alguns dos nossos governantes expressam bem o oportunismo e o aproveitamento político típico do período pré-eleitoral, qual dramaturgia de pré-campanha, através da qual conseguimos sempre adivinhar as próximas cenas.

Uma peça de anteontem do telejornal da SIC previa o futuro. Na cobertura da inauguração de uma nova ponte no Alentejo, reagia, a propósito da obra, uma das pessoas entrevistadas - «foi Deus que apareceu aqui». A imagem é conveniente à ambição do nosso Primeiro-Ministro, agora envolto numa auréola, liberto das «campanhas negras», acompanhado do Diácono Silva, que agora já não gosta de malhar e também corta fitas, um pouco por todo o lado.

Este não é o tempo da coerência ou da sensatez. A estratégia eleitoral do nosso governo apela às inaugurações e às grandes obras. O cimento continua a ser, em Portugal, o primeiro instrumento da caça ao voto. Mesmo que muitos dos nossos economistas - pessimistas, diz o Primeiro-Ministro - já tenham demonstrado a evidente falta de critérios de relação custo/benefício numa parte significativa dos projectos da administração de Sócrates. Outros, os mais pessimistas dos pessimistas, têm denunciado o centralismo decisório exercido praticado nestes projectos, o que também não é uma novidade na maneira de governar deste executivo.

O Partido Socialista monopoliza e fulaniza na pessoa de José Sócrates a actualidade política portuguesa, reproduzindo os seus discursos de vitimização e os seus soundibites inconsistentes. O país carece de verdades.

Ao lado dos grandes projectos e das grandes obras, surge latente o país da expressão amorfa, que assiste a apreensões de livros em Braga; às novas regras dos funcionários da IGESPAR (proibidos de discordar da opinião dos seus chefes); ao levantamento de um auto por causa de uma troça com o computador Magalhães, no Carnaval de Torres Vedras; ao inquérito ao professor Charrua. Nesta pré-campanha, o poder pretende jornalistas controlados e uma sociedade civil adormecida.

E a oposição?

O facto da estratégia de Manuela Ferreira Leite não ser mobilizadora deve-se, antes de tudo, ao modo de agir do seu rival, ao sucesso da governação populista de Sócrates. Mas é a Manuela e à sua direção que cabe trabalhar pela vitória do seu partido; tarefa que lhe foi confiada em Maio do ano passado.

Façamos a sua avaliação...

O PSD realizou umas jornadas parlamentares em Évora, revitalizou o Instituto Francisco Sá Carneiro e dinamizou um fórum chamado Portugal de Verdade, iniciativas que permitiram captar a massa crítica da sociedade civil e anunciar diversas medidas à comunicação social, de onde sobressai um pacote de medidas de protecção da economia portuguesa. Agora, há que propagar a mensagem sobre o que realmente defende o PSD.

É necessário que o PSD saiba comunicar o que defende para as áreas estratégicas. Por exemplo, para a Educação: comunicar como acredita em escolas com projectos educativos alicerçados nas suas comunidades e numa avaliação de desempenho, centrada não apenas nos seus docentes, mas também nas próprias instituições e órgãos de gestão.

Também na Saúde: explicar como o PSD pretende fazer acordos com instituições particulares de solidariedade social para colmatar a falta de cuidados de saúde nas zonas mais desertificadas do país.

E para as Finanças: como é insustentável a carga fiscal sobre as e as micro-empresas e a necessidade de repensar as obras públicas, que deverão privilegiar a requalificação urbana, o património cultural, a habitação jovem e os equipamentos sociais, seleccionando os projectos de Sócrates que agravam o endividamento externo.

Para quem tinha dúvidas ao tempo das directas, aqui está afinal a social-democracia de Manuela. Aqui não está o neoliberalismo, rótulo que o PS de Sócrates pretende colar ao PSD.

Parece inacreditável que o partido do Governo, tão dedicado à aclamação do seu Secretário-Geral, vá no segundo dia de congresso e não tenha apresentado, até agora, uma ideia que fosse para o futuro do país.

É inacreditável que o PSD, com as iniciativas que lançou nos últimos meses, não se consiga fazer ouvir.

Ora, por ser de rejeitar um congresso social-democrata antes das eleições, não há dúvidas de que é este PSD que terá de cumprir a sua tarefa e fazer valer as suas ideias.

Mas será também este PSD que tem de questionar: se Manuela já não se limita a marcar passo, porque não começou a marcar pontos?

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Outros tempos, outras crises... Uma boa leitura

Uma leitura agradável, um enredo interessante e uma excelente análise sobre os alvores do que viria a ser a Revolução de 1917.

As ruínas de Coimbra

Se eu já achava que Coimbra entrara numa era de penumbra cultural – porque à minha cidade não basta um programa cultural, devendo, isso sim, ter “O” programa cultural devido a uma capital do saber – a novela em torno dos achados arqueológicos do Convento de S. Domingos vem a atestar que, das direcções regionais à lucidez da gestão patrimonial, tudo se esvai da nossa Cidade, numa sangria que me faz ter pena de não ter sido suficientemente competente para fazer a via sacra das ascensão partidária local ou de ter relevo quantitativo (leia-se, feitio de cacique) para condicionar as escolhas internas do PSD; outro galo cantaria…

Como o que me resta é a pena, cá vai a opinião de alguém que procura entender a leviandade com que o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) e a Direcção Regional da Cultura do Centro (dada a pilhagem ao estatuto de Coimbra, é de crer que este organismo ainda esteja cá por mero esquecimento) autorizam a prossecução da construção de um parque de estacionamento que arrasará, para sempre, os vestígios de um centro cultural de excelência, datado do século XIII.

Dizem-nos que se desconhece o estado de conservação, que está a oito metros de profundidade e que, por isso mesmo, há riscos na escavação.

Ora, vamos por partes: em primeiro lugar, deve saber-se que não sou um inimigo do progresso. Creio que não pode sacralizar-se qualquer calhau, obstando ao desenvolvimento de uma terra. Não obstante, também leio que não tratamos propriamente de uma casa de cantoneiros da extinta JAE, mas sim de um relevante edifício dominicano.

Depois, cumpre saber se não resta mesmo outro lugar para o parque de estacionamento… Será que não há, ainda que um pouco menos central (ou seja, afastado da Avenida Fernão de Magalhães), terreno que possa compensar a ala do betão?!

E se há risco na exploração arqueológica do achado – que creio não poder considerar-se irrelevante também pelo facto de ainda não estar suficientemente estudado – por que não conservá-lo intacto até que os meios tecnológicos permitam outra perscrutação?

O problema é que, depois de lá estar o dito parque, a memória será não a da História, mas sim a dos responsáveis por mais um acto de acriticismo cultural e de óbvia ganância.

Da parte da Câmara Municipal, não duvidando das boas intenções (desde logo, combatendo o flagelo da falta de estacionamento), pergunto apenas se não poderá ser feito algo mais…

O Convento é da Idade Média e esta decisão não parece mais “iluminada” do que isso… Dá pena ver Coimbra assim…

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Lápis é...borracha o foi!!!


Há quem diga que foi censura, que o lápis azul está de volta...eu nem sei que pense de tal situação tão ridícula. Lápis azul ou não, a sorte é que depois do 25 de Abril inventaram as borrachas para apagar os erros e seguir em frente. A verdade é que com estas e tantas outras situações é impossível não fazer piadas com o nome do nosso PM. Pinócrates foi muito bem conseguido, mas Salazócrates também não está nada mal ;)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Trágico-Comédia

A tragédia Freeport começa já a inclinar para o estilo novelístico, comédia, diria mesmo. E com direito a horário nobre, pois claro. Ontem o tio de José Sócrates (aka Zézinho) foi prestar declarações ao Tribunal e, além de ter um gosto no que toca a fatiotas que chega a dar pânico, o Sr. aproveitou o rebanho de jornalistas para fazer um sério alerta: o desaparecimento do seu cão, um Dogue Francês, de seu nome Napoleão. Nem sei quem é mais ridículo, se o dito, se os sôfregos jornalistas que dão voz e tempo de antena a tamanha insensatez. E "a procissão ainda vai no Adro..."!

Sinal (dos tempos?)


Desde sexta-feira passada que estes curiosos sinais habitam a estação de comboios de Warrington, Inglaterra. Os responsáveis pela estação dizem que a medida foi tomada apenas e só com a finalidade de evitar congestionamento nos cais de embarque, onde casais de namorados tinham por hábito trocar uns demorados mimos antes da despedida. Pois bem, agora a despedida fica-se pelo lenço branco acenado lá ao longe, que o ritmo do quotidiano (e o normativo da estação...) não dão azo a mais...!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Óscar "Boris Ieltsin"

Este senhor, Soicho Nakagawa, era ministro do governo japonês.

Sucede que, após uma cimeira do G8, decidiu dar uma conferência de imprensa com os copos...

Pasma-se a alma por terem forçado o copofónico estadista à demissão!!!

Dada a crise, quem não tem vontade de beber?!

Não temos todos um ou outro mau dia no trabalho?!

Sabem se a mulher dele não é um estupor ou se o filho não lhe teria dito, nesse dia, que aderira ao Bloco de Esquerda lá do sítio?!

O que tenho por certo é que, na Mãe Rússia, o zelo liquefeito do cavalheiro seria, isso sim, devidamente condecorado.

"E o burro sou eu ?!"

Roubo a frase a Scolari, porque ouço e não acredito!...

João Carvalho das Neves, ex-administrador do BPN, foi ao Parlamento dizer que a culpa pela novela que levou à nacionalização foi da falha de supervisão do Banco de Portugal.

Ora, pode até ser que Constâncio tenha sido incompetente, mas não será que, havendo marosca, a culpa foi dos vigaristas?!...

Cegos eram os que não queriam ver (veja !)

Um homem que é um filme (Sean Penn genial)

Sem "dúvida", bom

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Uma questão de igualdade de direitos!!

Independentemente de ser ou não uma questão prioritária para o futuro do país, o casamento entre homosexuais é um tema que não deve ser desvalorizado, uma vez que, à semelhança de outras questões importantes (como o aborto por exemplo), é uma discussão que ultrapassa claramente as estruturas politico-partidárias, por se prender com as liberdades e direitos indíviduais.

Na lógica da total separação de poderes entre o estado e a igreja é inconcebível que se considere que o casamento pressupõe a procriação e a constituição de uma família ou que tenha, no mesmo sentido, necessáriamente de ser contraído por duas pessoas de sexos diferentes. Num estado democrático que reconheça a iguadade de direitos a todos os seus cidadãos, o casamento deve ser estritamente relacionado com a vontade de duas pessoas (do mesmo sexo ou não) quererem levar os vários planos das suas vidas (económico, social e sentimental) em conjunto.


Se o que mencionei não fosse suficientementre válido, poderia ainda referir que o casamento entre homosexuais é algo que só aos interessados diz respeito, não interferindo com terceiros, o que exclui qualquer entrave legal à aprovação de um diploma que o passe a permitir. Devemos ter em conta que a possibilidade de um casal homosexual adoptar uma criança é uma questão independente da possibilidade de se casarem, que deve ser alvo de uma outra discussão pública, onde se pesem abertamentamente as vantagens e desvantagens da mesma.


A discussão deste tema não interfere com a discussão de outras questões igualmente importantes que marcam a actualidade, sejam elas a crise internacional ou mesmo o nível de vida das pessoas, pelo que deve ser levada em frente, de forma a que nos possamos orgulhar de viver num país que não tem medo de se adaptar à modernidade dos tempos, ultrapassando o conservadorismo que marcou o nosso país em tempos que todos queremos acreditar ultrapassados.

* Já tinha publicado este texto no meu blog pessoal dissertações de café, achei oportuno republica-lo numa altura em que o assunto está a ser amplamente discutido.
** Recomendo a este nível o filme Milk (na foto).

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Oasis


Os anos 90 passaram mas eles continuam os mesmos.
Um concerto para brindar com champagne supernova.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Ir(r)a!...

Farto de escrever sobre a crise e as demais desgraças do dia-a-dia, pensei que haveria boas ideias para vos maçar com as linhas de hoje.

Todavia, só me ocorre abusar da paciência dos meus amigos e contar-vos parte do meu dia de domingo (mais concretamente, a parte da tarde)...

Chovia se Deus a dava e, como sempre, lá me meti atrás do volante a caminho de Vila do Conde, onde a Briosa ia jogar e de onde poderia – pensava eu – trazer 3 pontos ou pelo menos empatar (sublinho que escrevo apenas como adepto e associado).

Tradicionalmente e quando as funções protocolares que me foram atribuídas não me requerem coisa diversa, vou para o pé da Mancha Negra, como sempre fiz, desde a fundação da claque até hoje, apesar de a minha filiação na mesma ser recente (desde que os sectores foram delimitados) e de não ser um “activista”. Basicamente, foi sempre ali que se sentaram os meus amigos e, como quase tudo o resto no futebol, as afeições, mesmo por um determinado lugar, não têm cabal explicação racional.

Porém, tal era a cólera pluvial, cedi a “pressões” benévolas da comitiva no sentido de, por uma vez, ficar na bancada coberta do Estádio do Rio Ave Futebol Clube (vulgo, Estádio dos Arcos). E como lamentei o meu bom coração…

Se é certo que fica a experiência sociológica radical, fica também uma carga de nervos e a noção de que, bem vistas as coisas, temos os políticos que merecemos, se pensarmos que os mesmos mais não são do que o espelho da sociedade, já que dela brotam.

Honestamente, nem sei por onde comece o meu relato… Talvez mencionar o crime que é desperdiçar água, em face das alterações climáticas; ou, dito de forma interrogativa: se chovia tanto, por que é que um rapaz, três cadeiras à minha direita, imitava persistentemente (foram mais de cem vezes, juro) uma cobra cuspideira, a ponto de se não ver o degrau à sua frente?!

Depois os mimos que atestam bem a falsidade que reside no dizer-se que somos gente de brandos costumes: entre a observação de que “a Académica é só pretos” e os mimos dirigidos aos nossos atletas de outras paragens (estilo “preto filho da…”), só não consigo entender o que pensarão os vila-condenses do homem que lhes marcou o golo da vitória (Yazalde), já que se ele é branco, eu sou o Robert Mugabe…

No intervalo lá se safou o aplauso para a “túnica” (era uma tuna; desculpem o preciosismo) e a tranquilidade de consciência com que tão primorosas gentes chamavam “azeiteiro” ao árbitro (algo que me apeteceria subscrever, confesso…).
Distribuindo equitativamente a etiqueta, resta lembrar a cortesia para com o guarda-redes da casa (um sonoro “ó Paiba – bem sei que é Paiva, mas… - bai para o c… que te f…”) e a elegante despedida com que brindaram a Briosa “hu hu hu, a Académica já levou no…").

Eu que continuo, como sempre, a achar a Académica um projecto motivador, qual filho pródigo, juro regressar à Mancha, no Bonfim… Irra!...

Euro - Barreiras

Na passada quinta-feira, participei numa simulação de plenário no parlamento europeu, em Estrasburgo, com jovens de praticamente todos os países da União Europeia. Neste âmbito, tive o prazer de presidir à comissão onde foi discutido o futuro da europa.
Nesta comissão foram discutidos temas tão diversos como o ambiente, o tratado de Lisboa, a crise financeira ou mesmo a política externa. Houve, no entanto, um assunto que despertou uma discussão mais acesa que todos os outros, a possível inclusão da Turquia na UE.

Se a diversidade cultural é vista como uma mais-valia da União Europeia, neste caso ela parece ser um claro factor de divisão. Arriscaria dizer que a entrada da Turquia na UE é mesmo impossível por via das incompatibilidades existentes entre a sua cultura e a grega, motivada por factores vários como a hegemonia do império octomano ou a ocupação do Chipre.

As declarações dos jovens cipriotas e gregos demonstraram que a aversão que têm à Turquia chega a superiorizar-se ao seu desejo de reunificação do Chipre. Compreendo de algum modo, que os cipriotas guardem ressentimentos face à divisão ilegítima do seu país, no entanto, isso parece toldar-lhes a visão.

Tive oportunidade de propôr, nesta comissão, a reunificação do Chipre como condição sine qua non na adesão da Turquia – ideia que de resto não tem nada de novo. Esta solução favoreceria ambas as partes, permitindo o alargamento da UE a um país que se insere numa área estratégica e que pode ser um excelente mediador com o médio oriente. No entanto, nem nesta base os jovens cipriotas quiseram aceitar uma possível adesão da Turquia, pensamento que prejudica não só o processo de integração europeu, mas em primeiro lugar o seu próprio país.

Este caso só nos demonstra que persistem barreiras à progressão da integração europeia, que dificilmente serão ultrapassadas, por melhores que sejam as intenções ou por mais belos que sejam os lemas (refiro-me naturalmente à “união na diversidade”).

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Sentir Jacinta

Quando a oferta cultural tem qualidade as salas esgotam e os problemas do dia (por muito sérios que sejam) desaparecem, durante cerca de duas horas.

Que Jacinta é uma intérprete de jazz de mão cheia já se sabia. Que se rodeia de bons músicos também era conhecido.

Todavia, ouvi-la a reinterpretar U2, Ray Charles, Nina Simone, Beach Boys, Prince, Stevie Wonder, Bobby McFerrin, Bob Marley, Beatles, James Brown, entre outros, é um toque doce em dias amargos para o Mundo, em geral, e para os portugueses, em particular.

A última actuação seria no dia 7, mas parece que haverá três espectáculos extra. Se não for ao São Luiz, fica a perder...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Vómito em formato cinematográfico (péssimo)

Nem pela incursão cinematográfica do rei do toque de bola, Luís Figo nem pelas formas não menos esféricas (silicone oblige) de Liliana Santos vale a pena ver este filme que envergonha o cinema português e que terá "vacinado" quem decidiu arriscar em produto cultural luso, se não for cinéfilo.

Que mostrem mulheres semi-nuas ainda vá (parte da malta agradece), mas que, ao menos, se consiga o mínimo de entrecho, como no caso de Call Girl.

Em Second Life temos um conjunto execrável de lugares comuns, filosofia barata, nudez despropositada, planos de camera enjoativos e desempenhos que mancham algumas carreiras.

Se não tem o que fazer ao dinheiro, ponha a hipótese de o gastar em pastilhas elásticas, pois o tempo de as mastigar é mais divertido do que aquele de que precisa para ver este filme (peço perdão às películas que, realmente, merecerem este nome).

Filme sobre os nossos problemas (bom)

Por vezes, incomodamo-nos com a dimensaõ da casa ou o modelo do carro.
Outras, apenas curamos de fazer carreira, sem sequer percebermos o que é isso.
De permeio, vamos criando a ilusão de que "compramos" os outros e de que ocultar o erro pode ser bom, pois "quem não sabe é como quem não vê".
No fim, temos o fim do afecto e a consciência de que o Mundo em nada melhorou com a nossa presença. de que não resolvemos um só dos problemas de que ele padece...

Fazer-nos pensar em tanta coisa é, digo eu, um bom cartão de visita deste filme.

Ladra, mas não morde

Santos Silva (o pitbull dos socialistas) reage:
"Não pode haver duplicidades. Gostaríamos de saber o que a direcção do PSD e a sua líder pensam desta campanha, fundada em mentiras"...

"fundada em mentiras", Sr. Ministro?
Acho que a JSD vai ter que fazer mais uns cartazes com o PinósSantos...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Estado player

E ainda por cima desleal no mercado.
A última boa-nova são os novíssimos certificados de reforma do nosso polvo, que concorrendo num mercado destinado às empresas seguradoras e à banca - com todas as ressalvas que os senhores do capital nos podem fazer calcular - entra em grande estilo através da Segurança Social para vir captar para a dívida pública e para o controlo sistemático das nossas contas privadas!

Escolha quanto quer pagar? Não caro contribuinte. O Senhor Estado calcula uma taxa sobre os rendimentos brutos mensais para saber quanto tem, e quanto a mais poderá descartar para o próprio.

Será como um depósito a prazo? Mais ou menos, com o pormenor de só poder levantar a sua poupança na idade da reforma - tal como o PPR, sendo que os produtos concorrenciais a este estabelecem um prazo mínimo de 5 anos e após este período o cliente poderá resgatar qualquer importância da sua conta poupança.

Qual a taxa de rentabilidade? Dizem eles que na média dos últimos 5 anos é de 5.7%, mas do último trimestre é de 3.8%. Qual é que aplicamos? Depende da participação de resultados.

Rentabilidade garantida? Não tem. Não havendo indexação juntamente com as taxas de gestão aplicadas... Perder capital de facto.

E ainda por cima o atendimento é péssimo!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Ainda as vacas


Mal sabem elas que dão tanto que falar. Mas pelo que se tem visto, as vacas também dão azo a oportunismo político. Não é que depois das ridículas declarações da Associação Animal vem o Bloco de Esquerda (quem mais poderia ser...!) ajudar à festa? Preocupados com as vaquinhas que por uns dias habitaram a Praça de Espanha no âmbito de uma promoção do turismo dos Açores, os lisboetas da esquerda-caviar criticaram a iniciativa. Nada têm a dizer quando degustam um suculento fillet mignon nos restaurantes de luxo da capital mas depois lembram-se das vaquinhas, coitadinhas, meia dúzia de dias a degustar o insípido relvado urbano e a ter que conviver com os sensaborões lisboetas..! Enfim, mais uns que não sabem o quão precioso é o silêncio...

O mais curioso é que a concelhia lisboeta do BE não se ficou por criticar a iniciativa, mas também quem a permitiu. «Denunciamos igualmente a prática, cada vez maior, por parte da autarquia de cedência dos espaços públicos da cidade de Lisboa para fins publicitários e comerciais, em prejuízo da livre circulação e usufruto desses espaços pelos cidadãos e da qualidade do ambiente urbano». Ora, quem tem na CML o pelouro dos espaços públicos e dos espaços verdes é precisamente o vereador do Bloco, José Sá Fernandes...

Nortada clássica

Se fui um dos maiores críticos da colossal derrapagem orçamental da Casa da Música e do facto de não prever espaço para óperas, também nunca deixei de reconhecer que o edifício é muito interessante e a programação aliciante.

No domingo fui ver e ouvir a Orquestra Nacional do Porto a tocar a Sinfonia nº 4 de Brahms (uma obra notabilíssima, sublinho), com uma particulariadade: antes da versão integral, havia uma contextualização histórica e um enquadramento musical da obra, em que as explicações de Rui Pereira (editor de programação) eram entrecortadas por trechos da Sinfonia, num diálogo interessante e formativo sob direcção do maestro Emilio Pomàrico.

E depois foi olhar à volta e ver crianças e idosos, famílias e grupos de amigos, num final de manhã e enriquecerem a sua formação e a fruírem melodias que elevam um estado de alma, a fazer lembrar os meus tempos de criança, em que a minha avó me levava ao Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, para escutar ciclos dedicados a diversos compositores, sob orientação e explicação do maestro José Atalaya. Aí vi o evoluir de percursos com o de Jorge Moyano ou Pedro Burmester.
Ainda se faz boa cultura, apesar das vistas curtas dos nossos políticos...

Interessante (para quem gosta de política)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Dias negros


Olho, a título de amostra, para as polémicas em torno do Primeiro-Ministro e recordo as outras que afectaram, à vez, Paulo Portas e Dias Loureiro e percebo que estamos desgraçados, na esteira do que sentenciava, há dias, o juízo bem mais avalizado de Medina Carreira.

Digo-o não apenas pela falta de massa crítica nos partidos portugueses (aviso-vos de que as segundas-linhas são bem menos interessantes do que aqueles que vamos conhecendo), mas também porque nos entretivemos a derreter o pouco de credibilidade que poderia restar à nossa classe política, ora retirando-lhe estatuto apenas para apoucar, ora comprazendo-nos com suspeições que, mesmo quando não provadas, mancham definitivamente o nome de protagonistas que, com mais ou menos apreço, ainda conseguimos sindicar.

Mais me aterroriza o que digo – e que em nada colide com a ideia que tenho que se deve investigar ao milímetro a “limpeza das mãos” dos nossos políticos, mas sempre respeitando a presunção legal de inocência – quando olho o panorama internacional e vejo uma crise que, estou seguro, ainda não atingiu o seu ponto mais negro.

Bastava pegar num jornal de terça-feira e ver as dezenas de milhar de empregos (setenta e dois mil) que se perderam, entre EUA e Europa, num só dia (Segunda-feira), a avaliar pelas intenções comunicadas pelos empregadores.

Fiat, General Motors, Caterpillar, Citigroup, Pfizer, Qimonda, Ecco, NEC, Sony, Microsoft... Escolha o leitor o nome da desgraça para tantas pessoas que vão começar a pensar como pagar a casa, como dar de comer e vestir as suas crianças e, no limite, como preservar a sua dignidade e a sua auto-estima.

Gente que deixa de comprar o acessório e “mata” quem vive do fabrico ou comércio desse produto ou serviço. Toda uma legião de descamisados que, no seu todo, deixará de comprar parte do essencial, atraindo, involuntariamente, mais gente para as areias movediças do ocaso do consumismo infrene, que, com a minha voz inaudível por falta de estatuto, não me cansei de denunciar em congressos da JSD e do PSD, sublinhando que as pessoas não eram números e que estávamos a definir-nos mais pelo “ter” do que pelo “ser”.

Agora, vamos afundar-nos mais e mais, sem políticos de referência para nos ajudar e sem conseguir prever o que acontecerá quando não houver pão em milhões de mesas. Julgar-me-ão catastrofista se augurar que a criminalidade e o suicídio poderão vir a parecer saídas para os mais aflitos?! Oxalá esteja a ser agoirento!... O que sei, como disse, é que a grande noite ainda não caiu totalmente…

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Uma forma de estar na vida

Diogo Gomes marcava o 2º golo da Briosa frente ao Guimarães e dois elementos da Lodo, S.A.D. exultavam. Ora confiram no canto direito...

Portugal é uma região!!!

A regionalização de um país tão pequeno como Portugal é uma calamidade tão grande que entro num estado próximo do colapso mental, cada vez que ouço alguém falar convictamente nela.

Ponderados todos os factores, considero que só em circunstâncias anormais é que as vantagens de um processo como este poderiam compensar os prejuízos que acarreta. Parece-me que os políticos que a propõem vivem de algum modo deslocados da realidade de um país com uma dimensão inferior à de muitas regiões de outros estados onde o processo está implementado.

Logicamente, não nego o excesso de centralismo que existe em torno de Lisboa, no entanto não considero que este resulte da dimensão do país e muito menos que pode ser resolvido com o megalómano projecto de regionalização apresentado. Considero que este deriva, isso sim, do centralismo existente na mentalidade dos homens que governam o nosso país.

A regionalização obrigaria à criação de uma série de organismos intermédios, com custos que tornam a sua viabilidade bastante dúvidavel. Por outro lado, a nova classe política que surgiria com estes organismos, com os jogos de interesses que lhe estão associados, teria exactamente o efeito contrário daquele que se pretende com este processo, afastando ainda mais o cidadão comum da política e dos órgãos de governação, gerando focos de corrupção e minando consequentemente a eficiência que organismos como estes poderiam ter na gestão do território.

Os objectivos deste processo poderiam ser atingidos de uma forma muito mais simples e económica caso se apostasse preferencialmente na descentralização de mais competências para o poder local ou para entidades de âmbito distrital, criadas por exemplo através da completa reformulação das funções dos governos civis. As competências a descentralizar distribuir-se-iam essencialmente pelas áreas da educação ao nível da gestão do parque escolar, do apoio social permitindo políticas diferenciadas consoante as necessidades especificas de cada região, da economia no que diz respeito à captação de investimento e estímulo do empreendedorismo e ainda da cultura, área onde os organismos do poder local com os devidos recursos podem ter uma acção bastante eficaz.

É claro que as novas competências atribuídas a estes órgãos, exigiriam a transferência de um volume de fundos bem mais significativo e que estes fossem geridos com a transparência correspondente à responsabilidade que representam. E apesar das câmaras municipais não constituírem propriamente exemplos de boa governação, considero que dada a sua dimensão, estas podem ser fiscalizadas de forma bem mais eficiente, não tendo a mesma margem que os hipotéticos governos regionais para atingirem níveis de endividamento surreais – veja-se o caso do governo regional da madeira e das suas famosas sociedades de desenvolvimento.

Enfim, resta-me esperar que os portugueses tenham a mesma sensatez que demonstraram da primeira vez que esta proposta lhe foi apresentada.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Diz que é uma espécie de amnésia...


Se a celeridade caracterizou o andamento do processo de licenciamento do Freeport, a morosidade marcou a postura de todos quanto, de uma ou outra forma, tiverem contacto ou conhecimento do sombrio enredo daquele processo e só agora se lembram de vir bradar às autoridades que à data desconfiaram de falhas, irregularidades, ilegalidades e tudo o mais que lhes assome à memória.
De zelosas ex-secretárias a atentos ex-secretários de Estado, passando por associações ambientalistas que se esquecem das queixas que fazem, a cada dia que passa haverá alguém que vem aditar mais alguma coisa ao processo, sendo que durante sete anos todos sofreram de uma oportuna amnésia. Se me permitem, aqui a amnésia confunde-se com cobardia e deu lugar a uma certa conivência. E o espectáculo ainda mal começou...

A "maldição do vencedor"

Como dizia um famoso dirigente socialista:
NOTA: o boletim não é o original, mas é muito parecido!!!!!!!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009


Parece que isto, deu nisto.

Comédia muito inteligente

Big in Japan IV - "e que tal de sushi?!"

Acreditem ou não, eu vi!... No Japão há chocolates Kit Kat dos seguintes sabores (quase todos provados, mas nem todos ilustrados supra): Pudin Flan (saco grande e pequenos chocolates circundantes; gostei), Morango (canto inferior esquerdo; bom), Batata Doce (canto oposto; ainda a provar) e os ausentes Chá Verde (bonzinho), Soja (um nojo), Maçã (comprado, mas a provar), Cheesecake de Frutos do Bosque (bem bom) e de Morango (não adquirido) e - juro!!! - Feijão (estou a ganhar coragem, embora tenha provado uma sobremesa japonesa que usava feijão adocicado e que deixou as papilas gustativas a bater palmas!!!).

Fica por saber para quando um Kit Kat de Sushi... E que tal chocolates Regina de cozido ou de bacalhau?!...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Big in Japan III - "Razão a quem a tem"


Ainda o Metro de Tóquio.

Lê-se


"Ou estou fortemente enganado (o que sucede, aliás, com uma frequência notável), ou a história de Portugal é decalcada da história de Pedro e o Lobo, com uma pequena alteração: em vez de Pedro e o Lobo, é Pedro e a Crise. De acordo com os especialistas - e para surpresa de todos os leigos, completamente inconscientes de que tal cenário fosse possível - Portugal está mergulhado numa profunda crise. Ao que parece, 2009 vai ser mesmo complicado.

O problema é que 2008 já foi bastante difícil. E, no final de 2006, o empresário Pedro Ferraz da Costa avisava no Diário de Notícias que 2007 não iria ser fácil. O que, evidentemente, se verificou, e nem era assim tão difícil de prever tendo em conta que, em 2006, analistas já detectavam que o País estava em crise. Em Setembro de 2005, Marques Mendes, então presidente do PSD, desafiou o primeiro-ministro para ir ao Parlamento debater a crise económica.

Nada disto era surpreendente na medida em que, de acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal, entre 2004 e 2005, o nível de endividamento das famílias portuguesas aumentou de 78% para 84,2% do PIB. O grande problema de 2004 era um prolongamento da grave crise de 2003, ano em que a economia portuguesa regrediu 0,8% e a ministra das Finanças não teve outro remédio senão voltar a pedir contenção. Pior que 2003, só talvez 2002, que nos deixou, como herança, o maior défice orçamental da Europa, provavelmente em consequência da crise de 2001, na sequência dos ataques terroristas aos Estados Unidos. No entanto, segundo o professor Abel M. Mateus, a economia portuguesa já se encontrava em crise antes do 11 de Setembro.

A verdade é que, tirando aqueles seis meses da década de 90 em que chegaram uns milhões valentes vindos da União Europeia, eu não me lembro de Portugal não estar em crise. Por isso, acredito que a crise do ano que vem seja violenta. Mas creio que, se uma crise quiser mesmo impressionar os portugueses, vai ter de trabalhar a sério. Um crescimento zero, para nós, é amendoins. Pequenas recessões comem os portugueses ao pequeno-almoço. 2009 só assusta esses maricas da Europa que têm andado a crescer acima dos 7 por cento. Quem nunca foi além dos 2%, não está preocupado.

É tempo de reconhecer o mérito e agradecer a governos atrás de governos que fizeram tudo o que era possível para não habituar mal os portugueses. A todos os executivos que mantiveram Portugal em crise desde 1143 até hoje, muito obrigado. Agora, somos o povo da Europa que está mais bem preparado para fazer face às dificuldades."

Crónica de Ricardo Araújo Pereira, in Visão (Janeiro 2009)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Qualidade

Bom, mas a puxar para o chatinho...

Paremos de respirar!

O Ministro das Finanças diz que o Mundial de Futebol de 2018 (portanto, daqui a 9 anos...), a organizar por Espanha e Portugal, não é prioridade, dada a crise que vivemos...

O porta-voz da Conferência Episcopal, Padre Manuel Morujão, critica a moção de José Sócrates ao Congresso do PS, pois entende que os casamentos homossexuais não são prioritários, olhada a mesmíssima crise...

O que não está em crise é mesmo a demagogia. Em nenhum dos casos citados a crise importa: no primeiro, a despesa a realizar é daqui a uma década e, no segundo, a alteração ainda, que polémica, não é onerosa.

Um destes dias, será melhor pararmos de falar ou mesmo de respirar, com o intuito de não desviarmos as nossas atenções da crise. Com franqueza!...

Maybe we can!

Ao ler estas linhas, já tomou posse Barak Obama e já terão sido escritos e ditos milhões de palavras sobre raça, credo, esperança, economia, guerra, Iraque, Afeganistão, Médio Oriente e por aí fora…
Cá por mim mantenho baixas expectativas em relação a alguns aspectos fundamentais do debate, por muito que acredite em melhorias, já que, depois de George W. Bush, pior é quase de certeza impossível - o “quase” tem a ver com o desejo expresso pelo pai Bush de que o outro filho, Jeb Bush, possa vir, também ele, a ser presidente dos EUA, algo que seria justíssimo pelo “roubo” em que colaborou enquanto Governador da Florida (aquele que daria a vitória ao seu irmão sobre Al Gore).

Falo de baixas expectativas, desde logo, no domínio da política externa, já que o proselitismo está ínsito na mesma. Com excepção de Teddy Roosevelt e Nixon, os presidentes americanos encarnam o papel doutrinador que foi instituído por Woodrow Wilson. Assim, mudando de aliados em alguns casos e privilegiando mais o diálogo noutros, não vejo Obama com espaço de manobra ou sequer disposição para aderir ao multilateralismo puro e simples com que muitos sonham.

Depois, creio que os recursos naturais e a sustentabilidade do Planeta poderão registar evolução positiva, mas seria preciso um corte drástico na delapidação dos primeiros para que o segundo vector recuperasse de modo a evitar catástrofes como o degelo, a seca, a fome, as tempestades e outros fenómenos que, consoante a área geográfica, se vêm atribuindo às alterações climáticas e ao vampiresco padrão de consumo que se implantou a Ocidente e na Ásia. Ora, não creio que a própria indústria americana, mormente em tempo de crise, possa ou queira reconfigurar significativamente o seu modus faciendi, designadamente no sector automóvel. Acresce que sempre restariam, por exemplo, casos como o da China que, com a “desculpa” de que também tem direito a desenvolver-se, devora recursos fósseis e polui avassaladoramente.

Resta o plano económico, onde a mudança de paradigma pode, aqui sim, ditar melhorias, a começar pelo recuo na abordagem selvática que se fez do capitalismo e da economia de mercado. Ando, há algum tempo, a defender a ideia de que, a permanecermos cegos às desigualdades acabaríamos, involuntariamente, por dar razão a Marx, algo que me parece – a URSS demonstrou-o – errado, porque impossível de concretizar e contra-natura. Todavia, a crise actual mostra que nos excedemos, instrumentalizando as pessoas e entronizando o mero lucro.
O problema é, aliás, de tal modo global que tardam as soluções eficazes e crescem os sinais de desespero (aumento de desemprego, criminalidade, falências).

Face a isto, poderá até ser que Obama, apostando mais na função reguladora do Estado, venha a contrariar algumas tendências nefastas; contudo o cerne da questão subsiste: a expectativa depositada no 44º Presidente é tão elevada que a cobrança poderá ser quase imediata. Bem pode Obama tentar agora refrear os ânimos que espoletou durante a campanha, mas será sempre tarde demais. A situação é muito grave e o desespero não se apazigua com palavras.

É por tudo isto que olho o novo “líder do Mundo” com simpatia, mas com esperança refreada. Há que tentar e não há dúvida de que Obama parte com um capital de aprovação inaudito, de tal modo que a gaffe no juramento, que fez sorrir milhões e o próprio, teria valido os maiores enxovalhos se, por exemplo, se tratasse da tomada de posse de George W. Bush...

Big in Japan II - "o quê?!"

Os comboios de Tóquio são, indubitavelmente, curiosos... Olhando para o topo da imagem, fico sem saber se é ou não de um tipo se apear... De todo o modo, fica a saber que pagará 1.280 ienes.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Prioridades...

Depois de abrir telejornais e de ter um "Prós & Contras" exclusivamente dedicado à sua pessoa, o périplo de Cristiano Ronaldo pelos programas da RTP não estaria completo não fosse o menino d'oiro convidado de Judite de Sousa na edição de ontem da Grande Entrevista. Eu cá não tive oportunidade de ver o programa, mas a julgar pelo blá blá blá aqui do local de trabalho, o programa teria sido melhor se se tratasse de uma "entrevista-relâmpago". É que o Cristiano é bom à bola mas não deve muito à língua portuguesa e por aí fora, pelo que a entrevista foi demolhada em lugares-comuns.
Não esqueço que se trata de um miúdo que tendo tido uma infância pobre, lutou e saltou da Madeira para o Mundo, singrou no futebol e tornou-se no melhor de todos. Louvável, bem sei. Mas, caramba, tantos milhões em ferraris novinhos para a sucata, bentleys a reluzir, vivendas e férias de luxo... e não vai nada, nada, nada para enriquecer o seu discurso e a sua postura em público?! ...

...e Portugal tem destas!

Se o Japão tem destas coisas, Portugal - ou melhor, a Praça de Espanha - tem até dia 25 meia dúzia de vacas a passearem-se com a vaidade (e o alívio!) de quem veio dos Açores até Lisboa de uma outra forma que não fatiada e conservada em arca frigorífica.

A estratégia promocional da Associação de Turismo dos Açores inicia-se hoje e conta ainda com uma baleia a mergulhar lá para os lados do Saldanha, um campo de golfe nos Restauradores e um campo de hortenses a florescer em Entrecampos, tudo isto com a finalidade de trazer até à capital uma pequena amostra da oferta do arquipélago.

Claro que a Associação "Animal" já veio protestar pelo facto dos "animais estarem até domingo na rua, expostos ao frio e à chuva". Não pondo em causa o trabalho que estas associações de defesa do animal levam a cabo - o qual, ademais, louvo - parece-me ridículo que, desta feita, se preocupem com isto. Parece-me até que esta indignação só pode partir de quem passa a vida enfiado num gabinete, mal saiu de Lisboa e nunca viu uma vaca in loco! Ou então faltaram a umas aulas de Ciências da Natureza....

É certo que hoje Lisboa acordou mais fria que o normal, mas os animais no seu local de origem estão nas mesmíssimas condições - e se chove nos Açores! - sendo que o pêlo e a gordura que têm é-lhes suficiente...
Aos senhores da "Animal": Há alturas em que o silêncio é mesmo de ouro!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Palpites VI

Perguntámos aos leitores do "Lodo" por que razão entendiam que os estádios portugueses têm falta de público e 26 amigos colaboraram com a sua opinião. A caminho do Vitória de Setúbal vs Académica para a Taça da Liga - e a propósito da fraca adesão a esta competição - apetece pensar no assunto. Assim:
  • 42,3% (11 pessoas) atribuiram o facto ao preço dos bilhetes. Concordo! Para a bolsa dos portugueses 20 ou 30€ (preço que pode facilmente atingir-se e superar-se na recepção a um clube afamado) é muito dinheiro. O problema é que sem dinheiro não há boas equipas e sem elas não há bons espectáculos; sem estes, por fim, ninguém acede a desenbolsar gordas maquias, mesmo que as tenha.
  • 27% (7 pessoas) escolheram o mau futebol praticado como causa maior da rarefacção humana nos areópagos do pontapé-na-bola. Sim... Muito mal se joga por cá!... E, por vezes, um jogo menor do campeonato inglês basta para nos encher as medidas e nem é pela nomeada dos artistas; há muita prata da casa, por lá.
  • 3,8% (1 pessoa) crê que é a violência a afastar pessoas dos nossos estádios. Discordo. Com uma ou outra escaramuça estamos em ambiente relativamente seguro, em Portugal.

Alguns dados curiosos:

  • 19,3% (5 pessoas) entendem que há um misto de tudo isto que afasta as pessoas.
  • 0% ou seja ningém atrbui o facto à falta de conforto (o que é certo, dadas as condições de grande parte dos nossos estádios dos dois escalões maiores) ou às arbitragens (o que não deixa de ser curioso, já que entendo que, mesmo que sem intuitos subversivos, temos um nível medíocre na nossa arbitragem).
  • 7,6% (2 pessoas) entendem que a pergunta é falsa... A meu ver só se for por me ter esquecido de pôr à disposição a justificação das transmissões televisivas e dos horários estúpidos a que por vezes obrigam; de resto é notória a ausência de público.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Sete títulos para o n.º 7


Bem sei que já chateia meia hora de telejornal a levar com mais uma conquista de Cristiano Ronaldo, seguido de um "Prós & Contras" inteiramente dedicado ao craque (quais seriam os contras?!) e depois de uma noite destas ainda ter que gramá-lo em todas as capas dos jornais logo pela manhã! Mas com 23 anos e tanto prémio já arrecadado é impossível ignorar o sucesso de Cristiano Ronaldo e menosprezar um jogador que num só ano arrecadou sete distintos prémios do mundo do Futebol, com a cereja no topo do bolo - FIFA World Player 2008.

Sete prémios para o nosso número sete merecem de facto reconhecimento dos portugueses, até porque tudo o que envolve o nosso craque mexe com aquele orgulhozinho de ser português e deixa de rastos aqueles que sustentam a ideia de que o português não é bom em coisa alguma..! O que chateia mesmo é que Ronaldo seja tão bom lá fora e quando chega a hora de vestir a nossa camisola, parece que o talento se eclipsa... A ver vamos se a sucessão de comemorações que o moço viveu em 2008 o moralizam para fazer por merecer mais uns tantos nos próximos tempos... e a ver vamos se num próximo Europeu ou Mundial justifica toda esta bajulação dos portugueses...!

A democracia e a heterossexualidade

Políticos sofríveis, cidadãos pouco cívicos e empresários gananciosos. Se me não engano e ressalvadas excepções positivas, será assim que a maioria dos ocidentais adjectivará o tríptico social enunciado.

O que me apoquenta é que, na mesma medida em que temos sociedades com massa crítica exígua quando toca a pensar a vida pública e em que nos castramos civilizacionalmente (com honrosas exclusões como as dos EUA, Reino Unido e Israel), vivemos no mais estupidificante relativismo ético (ou seja, todas as opiniões valem o mesmo, esbatendo-se a diferença entre o certo e o errado), excepto quando toca a mostrar intolerância para com aqueles que ousam defender uma moral prática ou um código de conduta; aí sim, dizem os anarcas e extremistas de esquerda que está errado ter um rumo.

Falo a propósito da Igreja Católica e dos ataques que tem sofrido, mas sublinho que nem é preciso que concordemos com a sua doutrina; basta que admitamos que a ela tem direito e que se trata de uma proposta de vida de adesão voluntária, ao invés do que podem dizer muitos cidadãos de países com governação islâmica (mais uma vez, há casos de sentido contrário, felizmente) e/ou ditatorial.

A mais recente reunião da Cúria Romana fez o balanço de 2008 e, sem surpresa, reafirmou a ideia de que o projecto divino ínsito na lei natural deve guiar os seres humanos, entre outras coisas, para a família e para a heterossexualidade.

Por oposição existe a teoria do género, que (em versão simplificada) entende que tudo resulta de uma interpretação cultural que se faz da “infra-estrutura” natural com que nascemos.

Pessoalmente, estou-me nas tintas quanto à opção sexual de cada um, conquanto me não macem directamente com orientações que não perfilho (para que conste sou convicta e incorrigivelmente heterossexual); isto é, cada um deve ser feliz à sua maneira, mormente quando não prejudica o próximo… Nesse sentido, não sigo a ideia da Igreja Católica de que há na homossexualidade um crime de lesa Criador.

Todavia, o que não devem tentar impingir-me é a ideia de que a diferença que vejo na homossexualidade não é isso mesmo: um caminho alternativo ao que é a inclinação maioritária e historicamente comum do ser humano.

Não viso com esta conclusão gerar qualquer clima de intolerância, mas tão somente sublinhar três ideias: em primeiro lugar, a Igreja Católica tem direito a estruturar uma ética, sendo de lamentar que não existam mais alternativas consistentes.

Em segundo lugar, fica por perceber como existiriam os defensores de outra “normalidade”, se a heterossexualidade passasse a interpretação ocasional do nosso destino.

Por último, lamento que os que, por sistema, atacam pilares óbvios da ocidentalidade não percebam que estão a minar o modus vivendi que lhes autoriza essa divergência.

sábado, 10 de janeiro de 2009

As marcas da Crise

Enceto a minha intervenção lodosa (salvo-seja) neste ano de 2009 repescando uma teoria económica que se propagou nos finais de 2008 e cuja divulgação ainda não teve (o merecido) lugar aqui no Lodo.
De uma assentada, a teoria é esta: perante a crise, aumenta exponencialmente a venda de baton. Sim, leram bem, baton. Um produto feminino a dizer-nos a quantas anda essa malfadada Crise.

A credibilidade deste disparatado indicador económico parecer-nos-ia facilmente desmontável se não partisse de senhores economistas e se não tivesse sido corroborada por uma edição do New York Times de Dezembro passado. E quem somos nós para pôr em causa que quando a Crise bate à porta, às senhoras assoma-se-lhe uma vontade de pintar os lábios?!

Certo é que a partir de agora, mais do que ler o caderno de Economia, toca a observar a afluência às lojas de cosmética. Espreitar a bolsa de maquilhagem da vizinha do lado também pode ser um bom começo para saber se a sua (e a de todos) vidinha financeira vai passar pelas ruas da amargura. Melhor, melhor é ver se a mãe, a amiga, a tia, a vizinha ou a colega de trabalho andam a abusar das pinturas de guerra no rosto. Ele há estudos e teorias que são do mais proveitoso que há, não é verdade...?...

PS.1 - Tenho-vos a dizer que nos meus 24 anos de vida nunca comprei um baton. Na minha carteira só encontram baton cieiro de supermercado, razão pela qual escusam de me vir pedir explicações pelas perturbações económicas que eventualmente estão a sofrer! ;)

PS.2 - Ah, e se encontrarem marcas de baton nas camisas do vosso companheiro não é sinal de Crise...