Com composição de George Friedrich Händel e libreto de Vincenzo Grimani, Agrippina mistura história e ficção com os deliciosos sons do período barroco (aquele cravo...). As vozes estiveram, também elas e na opinião de um apreciador sem pretensões de ser perito, à altura.
Desta vez, houve um extra de destacar, a provar que os portugueses podem fazer Cultura de qualidade sem serem incompreensíveis ou grosseiros: "O Velório de Cláudio ou A Representação Bufa de Personagens Históricas”, uma encomenda do TNSC ao compositor Nuno Côrte-Real, com libreto de José Luis Peixoto, na melhor tradição da ópera bufa, pese embora com a "originalidade" de se tratar de um intermezzo colocado no ínicio do espectáculo por razões técnicas.
Perdoo, assim, ao Director Artístico do São Carlos, Christoph Dammann, o mau gosto de ter voltado a chamar Karoline Gruber para encenar "Salome" (a ópera anterior), depois da horrível experiência de "Das Märchen" de Emmanuel Nunes, sobre a qual tenho a dizer exactamente o contrário do que disse da obra de Nuno Côrte-Real, que era agresiva e incompreensível.
O que já não esqueço é a crítica de Jorge Calado no "Expresso"... O crítico mais teria a ganhar em fazer jus ao apelido e meter a viola ao saco. Se o vómito tivesse tradução ortográfica satisfatória, seria isso que Calado faria, tal a maneira como asperge bílis sobre a apresentação em causa. Sendo que a opinião é livre, a arrogância, a intolerância e até a grosseria com que escreve é a razão pela qual certas formas de manifestação cultural se encontram longe da democratização. Querendo dar nas vistas e justificar o espaço no semanário, Calado escreve como se cada espectador tivesse que ser um melómano. Lamentável...